As avaliações do Mattheus: Tex Coleção n° 149/152 – Juramento de Vingança

(**CUIDADO: este texto contém spoiler. Se você pretende ler essa edição, não leia a crítica**)

Tex Coleção n° 149/152 – Juramento de Vingança

| Juramento de Tex | | Trama ingénua | Fim de Brennan | Trama mal executada |

Lançado no Brasil em Tex e Tex Coleção, Juramento de Vingança traz uma história dramática, emocionante e marcante.

As lembranças do grande amor da vida de Tex e seu fim trágico são trazidas à tona novamente, quando por uma coincidência do destino uma reportagem traz notícias de um dos principais algozes da trama que vitimou Lilyth. Depois da descoberta, na noite triste e bela do deserto, ao redor de uma fogueira, Tex, Jack Tigre, Carson e Kit Willer relembram a parte inicial do acerto de contas com Fred Brennan e John Teller. O cair do pano deste acerto será um dos momentos mais marcantes da vida dos nossos Pards, no qual o carrasco se torna vítima, e o juramento de vingança de Tex finalmente pode ser cumprido.

Para fazer um forte chorar

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Se fosse para eleger a cena mais emocionante de toda a saga texiana, o juramento de vingança que Tex fez à sua amada esposa seria o escolhido por boa parte dos fãs do Ranger. Não seria por menos, pois a cena, além de trazer uma carga muito grande de emoção, fazendo um leitor (ainda mais se for uma leitora) chorar, traz um momento raramente visto nas páginas do Ranger: Tex sentindo tristeza, angústia e sofrimento.

Uma cena dessas, aumenta ainda mais nossa admiração por Águia da Noite, pois isso mostra que Tex não é apenas um cawboy segurando um revólver, e sim um homem com sentimentos. É uma pena que este lado do Ranger seja raramente explorado pelos argumentistas hoje em dia.

O que é isso? Uma BD infantil?

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Há momentos em Juramento de Vingança que soa como bobo, beirando ao ridículo. Aqui, G. L. Bonelli abusou da ingenuidade e acabou estragando algumas cenas.

Tigre vestido de ovelha, uma “caveira” pilotando um barco e Tex confiando de um segundo a outro nos bandidos que quase o mataram são apenas algumas das muitas cenas/ocasiões  forçadas durante a aventura. Até hoje, de vez em quando os argumentistas forçam algumas coisas nas aventuras de Tex, mas nesta edição a ingenuidade é pouco natural e acaba deixando a edição meio “boba” demais.

Embora isso seja relevante, incomoda ver elementos desse tipo nas páginas de uma personagem tão séria e culta, que é conhecida também por oferecer conhecimento e informação (retratando o velho Oeste, mostrando a cultura dos índios, histórias baseadas em factos reais e etc.) para quem está lendo a BD.

Final decepcionante

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Uma trama cheia de emoções e drama como Juramento de Vingança, não merecia o final que teve. O momento mais esperado da aventura, que era a hora em que Brennan estivesse sob domínio de Tex e o último aplicasse a vingança, não aconteceu como era esperado. A cena final não trouxe nenhuma emoção e, como foi comentado no outro quesito, ainda foi enfraquecida pela ingenuidade que alguns elementos foram executados.

Um final digno (e mais emocionante) seria (na nossa opinião) se Tex aplicasse a vingança com as próprias mãos, ou seja, directamente, e não indirectamente como foi. Talvez, se o Ranger mais temido do oeste ficasse frente a frente outra vez com o culpado da morte de sua esposa, a cena seria muito melhor e com uma carga de emoção maior.

Uma pena

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(Julgamos que o texto a seguir sirva também como a “conclusão” final da crítica, e por isso a nota para Juramento de Vingança vem logo depois deste quesito.)

É para se lamentar de que uma história tão boa como esta tenha sido mal executada. A ideia (o argumento) foi boa, mas o modo que ela foi posta em prática pôs (quase) tudo a perder.

Além do ponto negativo citado anteriormente (a ingenuidade), a falta de interesse de G. L. Bonelli em algumas cenas ficou clara. Dava muito bem para deixar algumas cenas mais interessantes, mas faltou ao “pai” de Tex ambição para realizar isso.

O argumentista, de potencial indiscutível, com certeza sentia-se sobrecarregado por ter que sozinho escrever todas as histórias de Tex e, por isso, talvez não houvesse tempo para elaborar com calma as cenas. Contudo, como dito agora, o potencial de G. L. Bonelli era tanto que mesmo errando acertava. Em outras palavras, mesmo com essas falhas no enredo a história não deve ser deixada de ser lida por qualquer texiano.

Nota: 4,0

*Material apresentado no blogue críticas texianas em 09/03/2013;
Copyright: © 2013, Mattheus Araújo

Um comentário

  1. Concordo com você que existem falhas, Mattheus, e mesmo graves nessa história. Também me pareceu de uma ingenuidade extrema colocar uma espelunca na beira de uma estrada, administrada por uma gorda horrorosa, e dois sujeitos tão feiosos que mais pareciam ter saído de um pesadelo. Ademais, aquilo de os bandidos da taberna fazerem serenata antes de atacar os pards também me pareceu tosco demais.
    Mas, no todo, a história é excelente, digna de figurar entre as melhores histórias de Tex já escritas, e com desenhos magníficos do grande Aurelio Galleppini, na sua melhor fase!
    Discordo de você, Mattheus, quanto ao final. Pra mim, o final melhor foi aquele: um terror psicológico tão grande que Brennan até imploraria pra duelar com Tex, a fim de se livrar daquele tormento! Pra mim, o fim de Brennan foi um dos piores epílogos de vida dos vilões com quem Tex já se defrontou, e a punição foi muito bem montada, diga-se de passagem! Tenho certeza que Brennan sofreu muito mais do que sofreria nas mãos de Tex! E ainda acabou na barriga dos tubarões, em águas profundas, e no escuro da noite! É de apavorar qualquer um!
    Tex quase chorando na sepultura de Lilyth, a indignação de Flecha Vermelha (pai da Lilyth) e o apoio que ele deu a Tex em tudo, a morte dos três facínoras que enviaram os cobertores de varíola (o primeiro morreu sepultado por uma avalancha de pedras, o segundo morreu espancado por Tex no meio de um deserto de lava, e o último foi abandonado no deserto só com um cantil, a dezenas e dezenas de quilômetros da cidade mais próxima), e o final da história propriamente dita, quando a lança plantada por Tex há tantos anos no túmulo de Lírio Branco foi quebrada por uma rajada de vento, logo que Tex conseguiu dar um fim em Brennan, o último dos patifes que estavam envolvidos na morte de centenas e centenas de Navajos, infectando-os vilmente com cobertores contaminados de varíola!
    Mas sua crítica foi ótima, Mattheus! Apesar de eu achar essa história uma das peças imperdíveis da saga de Tex Willer, realmente sempre vi nela essas infantilidades, que não casam efetivamente com a seriedade que a história requer! Mas, fazer o quê? Continua sendo uma das histórias que não podem deixar de ser lidas por todos os leitores contumazes da maior revista em quadrinhos de todos os tempos: TEX!
    E salve o grande Gian Luigi Bonelli, o criador do maior mocinho de faroeste que o mundo já viu surgir! Que Deus o tenha sempre nos celestes campos de caça de Manitu! Amém!

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