Tex Série Normal (Itália): Evasione!

Evasione!Tex 558 – “Evasione!” de Abril de 2007 e Tex 559 – “Minuti contati” de Maio de 2007.
Argumento de Tito Faraci, desenhos de José Ortiz e capas de Claudio Villa. História inédita no Brasil e Portugal.
 
Tex e Carson estão na pista de Frank Harter um perigoso bandido, responsável com o seu bando por assaltos e mortes cometidos em ranchos e bancos. Durante um tiroteio em Southville, uma pequena cidade do Texas, os Rangers abatem todos os homens de Harter, mas este consegue fugir em direcção ao México, onde pretende juntar-se a um outro bando que opera junto à fronteira. Tex e Carson seguem no seu encalço, separando-se, seguindo cada um a sua pista.
 
Arte de José OrtizQuando Carson está prestes a chegar a Harter este, com a ajuda dos seus homens, capturam-no e tornam-no seu refém. Harter obriga Tex a ir até Água Negra, uma prisão mexicana, com o objectivo de conseguir a evasão de Jacky Blount, um antigo cúmplice que logrou fugir com o produto dos assaltos levados a cabo pelo bando.
 
Tex de OrtizSaudosos de um Tex decisivo, enérgico, audaz, duro e tudo o mais? Pois bem, “Evasione” é uma daquelas aventuras que podem marcar uma viragem na história da série. Para nós leitores, marca a estreia de Tito Faraci a escrever aventuras, mas não para o próprio autor, visto que o seu primeiro argumento está a ser desenhado pelos irmãos Cestaro que, devido ao seu mais lento ritmo de trabalho, acabaram por ser ultrapassados pela publicação desta aventura. E que aventura!
 
Tex em acçãoTudo começa numa cidadezinha no Texas e tudo começa com acção e tiroteio a rodos. Depois, é um sem parar de situações e de desenvolvimentos dignos das melhores aventuras texianas e dos bons filmes de western. A história é simples, a sua base linear, mas Faraci logra adensá-la com o decorrer das páginas, confere-lhe um ritmo trepidante desde o primeiro quadrado e constrói personagens de espessura dramática.
 
Tex por OrtizUma aventura totalmente dominada por um Tex actuante e empreendedor, inteligente e imaginativo. Um Tex talvez desde há algum tempo ausente, porque este Tex pode marcar verdadeiramente uma viragem. Este Tex de Faraci, com as devidas ressalvas por se tratar apenas da sua segunda aventura, caracteriza-se por lutar tenazmente contra as adversidades que vão surgindo, é um Ranger que luta contra o tempo de modo sempre determinante, é no fundo um Tex mais bonelliano. E, a bem dizer, é a partir de um argumento simples que Faraci consegue construir uma aventura que, acima de tudo, dá prazer ao leitor. Tudo porque consegue habilmente juntar o classicismo da personagem com a sua própria visão. Veremos o que nos reserva o futuro.
 
Minuti contatiJá muitos salientaram o elevado ritmo de trabalho do espanhol Ortiz, o que traz pontos positivos, mas também pode não ser um bom sinal. Na verdade, Ortiz é dos desenhadores mais activos na série e frequentemente estamos em presença de trabalhos seus. Quando comparado com o ritmo de trabalho de autores como Villa, Venturi ou os irmãos Cestaro, o espanhol leva grande vantagem, mas o resultado final também pode ser um reflexo desse seu labor.
 
Esta aventura tem altos e baixos. Sentimos que o seu traço não apresenta o detalhe requerido em algumas páginas e sentimos que Ortiz refugia-se muitas vezes em planos de conjunto ou em paisagens rápidas de desenhar. Por outro lado, quando Ortiz utiliza, abusando até, os seus célebres negros, é onde curiosamente eleva a qualidade do seu desenho, muito devido ao facto deste negro esconder e encobrir a tal ausência de detalhe. Apesar de estarmos em presença de um autor calejado e para quem o desenho não guarda segredos, convém salientar que depressa e bem não há quem.
 
Texto de Mário João Marques

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