Tex Mondadori: La Pattuglia Sperduta

La pattuglia sperduta da MondadoriAventura com argumento de Guido Nolitta e desenhos de Giovanni Ticci, publicada pela Editora Vecchi na série normal nº 178 (O Desertor) e nº 179 (Aliados Perigosos)

A própria introdução escrita por Sergio Bonelli, para mais uma magnífica edição da prestigiada Mondadori, acaba por resumir eficazmente a aventura. A Winchester foi uma das grandes protagonistas do western. O seu papel foi alternando e colaborando com o não menos famoso colt, ambos presença assídua no dia a dia violento do velho oeste, onde quase todos a utilizavam. Sérgio Bonelli pretendeu com “La Pattuglia Sperduta” homenagear a arma do velho oeste e símbolo da aventura texiana, elemento clássico e evocativo do género. Por isso, esta aventura tem por base e elemento principal a arma e toda a história gira em redor de uma nova solução tecnológica que pode  vir  a ser capitalizada pelo exército americano.

O tenente George Morrow é um verdadeiro expert em armas e vai propor ao exército americano uma sua invenção, capaz de substituir com vantagem os modelos utilizados pelos soldados americanos. Numa primeira fase, o Departamento de Defesa parece decidido a adquirir a patente, mas posteriormente vai recusar, justificando-se com os altos custos que o desenvolvimento desta arma traria. No entanto, por trás desta recusa está o boicote feito pela West Kentucky Company, a empresa que tem vindo a equipar todo o exército americano.
Esta revelação enfurece o tenente Morrow e o Exército destaca-o para um posto num ponto perdido do estado americano. Indignado, Morrow escreve uma carta de demissão e aceita vender a patente da sua revolucionária arma aos soldados mexicanos, a troco de uma elevada maquia de dólares. Ao saberem desta história, através do seu irmão, o sargento Clark Morrow, Tex e Jack Tigre vão procurar o tenente e acabam por encontrar  um  homem receoso e movido pelo arrependimento da sua acção.

Esta bela aventura de Nolitta, para além da já referida homenagem à arma do oeste americano, serve ainda dois objectivos. Demonstra que os altos interesses instalados em Washington apenas serviam critérios que pouco tinham a ver com a importância e as vantagens que uma nova arma poderia trazer e enaltece a lealdade e a honra de homens que juraram pelo seu país e que souberam colocar os interesses da sua nação acima dos seus próprios objectivos.

Numa primeira fase, o tenente Morrow sente-se injustiçado e revela a sua indignação ao abandonar aqueles que nele confiavam, mas os valores acabaram por falar mais alto. Tex e Jack Tigre vão encontrar um homem atormentado pelos seus actos e que vai afogando o seu arrependimento na bebida, perdido num antro de crápulas da pior espécie. Apesar de Nolitta levantar levemente a velha questão da rivalidade mexicana para com os EUA, sobretudo porque são os soldados mexicanos que vão tentar obter a patente do tenente Morrow, o autor vai explorar sempre mais o lado humano, demonstrando que por detrás de um grande invento estava um homem honrado.

Falar no desenho de Ticci é repetir tudo o que já foi dito deste extraordinário autor, porque Ticci desenha como poucos, transmitindo sempre a aura do velho oeste. Esta aventura passa por vários cenários, começando  na neve  das montanhas rochosas do Colorado e terminando no tórrido calor mexicano. Passa por vários protagonistas, desde os índios navajo, o exército americano, os crápulas de “Paraíso Perdido” ou ainda os soldados mexicanos. Nenhum ambiente, nenhum cenário, nada é estranho ao desenhador genovês. No dinamismo da acção ou na aparente calma das cenas mais contidas, Ticci faz gala de um traço e de um estilo inimitável. Qualidades que eventualmente só encontram rival em Claudio Villa, outro predestinado das aventuras texianas.

Texto de Mário João Marques

3 Comentários

  1. Tenho essa história na série normal e já a li há um bom tempo. Preciso agendar uma releitura, pois não me recordo claramente de suas nuances. Lembro-me que, apesar de gostar do roteiro (a negativa seria impossível, em se tratando de Nolitta), o que mais me enfeitiçou foram os desenhos, que estão espetaculares, magníficos! Acabo de folhear minhas revistas e reafirmo a convicção de que Ticci é um dos melhores (se não O melhor) desenhistas de Tex! Para mim, perde para o Villa apenas, com a desvantagem para este último de ter desenhado muito menos histórias.

  2. Filipe Chamy,
    Concordo inteiramente consigo, pois o Ticci é, a meu ver, um dos melhores desenhadores de sempre de Tex. Até aparecer o Villa, Ticci era mesmo o melhor. Agora, divide esse protagonismo. Mas Ticci trouxe para Tex a sua marca, algo que influenciou sobremaneira todos os outros desenhadores do ranger, Villa incluído.
    Por outro lado, o argumento tem a marca do grande Nolitta, uma aventura que exalta o sentimento humano.
    Um brande abraço.

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