Tex Mondadori: La Legge di Tex

La Legge di Tex da MondadoriInclui a aventura Caccia All’Uomo com argumento de Guido Nolitta e desenhos de Ferdinando Fusco. A mesma aventura foi publicada pela Editora Vecchi nos números 68 (Caçada Humana) e 69 (Justiça Para Um Carrasco).

Esta aventura é marcante na saga texiana. Representa a estreia de Nolitta na série e dela guardo gratas recordações quando a li pela primeira vez. G.L. Bonelli teve um contratempo e o seu filho Sérgio foi chamado a remediar esta momentânea ausência do pai. Sob o pseudónimo de Guido Nolitta, o autor construiu uma aventura onde está  bem  patente  o Tex  bonelliano, mas onde também impera um Tex que dúvida e que coloca em causa a justiça premeditada dos homens.

Em Springville, Tex e Jack Tigre tratam do aprovisionamento dos Navajos, quando encontram o xerife Tom Kenyon, que julgavam  reformado. Farto do ócio que esta situação lhe proporcionava, Tom Kenyon acabou por regressar ao activo e está na pista de Andy Wilson, um jovem procurado por assassinato. Tex vai acompanhar Kenyon até a um rancho, onde o xerife julga que se encontra o foragido. No rancho todos têm Andy em boa conta, guardando deste a melhor das impressões e por isso vão ajudá-lo a fugir, depois de Andy balear Kenyon. Tex acaba por, solitariamente, ir em perseguição do foragido, no intuito de levá-lo até à justiça.  Com este argumento, Nolitta constrói uma trepidante aventura onde Tex não tem a habitual companhia de Carson. Mas a ausência do velho resmungão e dos saborosos diálogos que sempre acontecem entre os dois rangers, acaba por ser compensada pela relação que se vai estabelecer entre Tex e Andy, demonstrativa de que os valores estão bem acima das leis dos homens.

Gradualmente, Tex vai descobrir em Andy um rapaz que tem tudo menos de assassino, alguém que busca apenas a harmonia e a paz, alguém com honra e com regras de conduta e cujas acções são estabelecidas  com  o  único objectivo de poder lutar pela injustiça da sua situação. Toda esta envolvência que Nolitta muito bem apresenta e explora leva Tex a olhar para o caso de uma forma diferente e cada vez mais distante da inicial. Leva Tex a duvidar realmente dos antecedentes, marcando um  certo  corte  com o Tex bonelliano, este mais pragmático. A marca de Nolitta surge bem evidente na forma como a história é construída, na sua montagem, mas  atinge  o  climax nas cenas finais, quando Tex, paradoxalmente, afirma-se como um justiceiro perante um juiz. Este Tex que busca justiça é um Tex bonelliano, um Tex que ultrapassa todos os seus adversários, mas Nolitta vai mais além, porque transmite na sua conduta os seus próprios sentimentos e a sua acção é guiada por estes.

Fusco assina aqui apenas o seu segundo trabalho na série, com um desenho nervoso e muito dinâmico. O seu Tex vai sofrer uma natural evolução, tornando-se ainda mais cínico na sua expressão e no seu olhar. Aqui ainda denota uma certa frescura ou uma juventude que o autor rapidamente abandonará. Fusco revela já uma notável capacidade em recriar qualquer ambiente, e esta aventura é bem caracterizadora, porque permite ao autor desenhar em pleno os ambientes da cidade, das extensas planícies, mas também do sufocante deserto, além de outros mais fechados, como os bares ou a notável sequência do palheiro. Aventuras como esta deixam-nos já saudades de Fusco, devido à sua anunciada retirada.

Texto de Mário João Marques

8 Comentários

  1. Bela resenha! Essa história já está sendo republicada por aqui pelo Tex Coleção, mas como não coleciono essa série, vou esperar sair no Tex Edição Histórica.

  2. Na minha opinião o melhor Tex que a Mondadori publicou… porque a colorização ficou em perfeita harmonia com o desenho desse grande artista… Ferdinando Fusco!!!

  3. Nem mais amigo Wagner, a juntar a uma excelente aventura escrita por Nolitta encontra-se um traço de Fusco de grande qualidade a que a colorização desta edição da Mondadori traz outro impacto.
    No texto adorei a sensibilidade de Tex em compreender que afinal não estava diante de um fora da lei e no desenho realço o traço nervoso e em evolução do Fusco.

  4. Fusco a cores deve ser deslumbrante! E com roteiro do grande Nolitta, então!… edição para se guardar na memória e na estante. Um dia ainda vou ter uma!

  5. Filipe Chamy, desejo de coração que você um dia não muito distante consiga ter o seu Mondadori colorido, porque realmente Fusco (e demais desenhadores de Tex) a cores é algo de deslumbrante mesmo!

  6. Eu também não coleciono Tex Coleção, mas como só compro na mesma banca, às vezes leio as que não compro (Tex Coleção e Tex Normal) lá mesmo, e por acaso essa aventura foi publicada esses dias, inclusive tem até uma carta minha republicada… eu gostei bastante da aventura, e realmente mostra um Tex bastante duvidoso em relação ao rapaz que está prisioneiro dele, principalmente quando ele consegue derrubar Tex quando estão atravessando uma ponte sobre umas corredeiras, que fica em grande apuro, mas ele volta para ajudá-lo a se safar e desiste de fugir… é bom ver em nosso herói esse lado mais humano e não ser sempre aquele cara infalível e sabe tudo, pois errar é humano…
    Mais uma vez parabéns aos amigos pela iniciativa desse blog que está melhorando a cada dia.
    Abraços!

    Edinan Motta

  7. Edinan, é bom ver que gostou desta aventura e sobretudo da faceta mais humana do herói. Este lado mais sensível tem sido algo criticado por muitos texianos que se habituaram a ver em Tex o herói puro e duro construído por G.L. Bonelli. Eu também gosto muito deste Tex que duvida, mas que também não renega os valores e a honra e que enfrenta tudo e todos para os defender.
    E também o nosso muito obrigado pelas palavras elogiosas para com o blogue. Afinal, ele só existe devido a esta paixão texiana fomentada por todos nós e existe também para ouvirmos a comunidade texiana.

  8. Realmente esta estoria de Nolitta com desenhos do grande e inconfundivel Fusco é uma das melhores da saga de Tex, onde mostra toda a essencia do nosso heroi simbolizado especialmente na cena apos o salvamento de Tex da correnteza do rio, quando ele traga um cigarro deixando demonstrar a sensaçao de reconhecimento do lado humano de Andy. Sem contar com a incrivel descrição do deserto por eles percorridos, caracterizado em seus minimos detalhes.

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