Entrevista com o fã e coleccionador: Jean César Vasconcelos

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Jean César Vasconcelos: O meu nome é Jean César Vasconcelos, nasci na cidade de Santa Fé do Sul no Estado de São Paulo, Brasil. Tenho 39 anos sou casado, sem filhos, moro na cidade de Rio Claro que fica no mesmo Estado o qual nasci. Sou funcionário público municipal e no momento estou cursando o segundo ano do  curso superior de Ciências Contáveis.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Jean César Vasconcelos: As minhas primeiras revistas em quadradinhos foram da Disney, depois a Turma da Mônica e os da Marvel e da DC, mas lembro-me que na pequena cidade em que eu morava (Santa Rita D’Oeste) não tinha nenhuma banca de jornais, então o meu pai só me comprava alguma revista quando íamos para a cidade vizinha (Santa Fé do Sul) na qual tinha algumas bancas de jornais, e para mim era uma alegria enorme quando ele me comprava alguma revista, isto porque a minha família era humilde, o dinheiro era curto, por isso a minha colecção de banda desenhada na infância era pequena.
Nessa época quando eu ganhava alguma revista em quadradinhos era sobretudo da Disney, e algumas do Homem-Aranha, Superman e algumas dos X-Men.

Quando descobriu Tex?
Jean César Vasconcelos: Descobri Tex através de um colega do meu pai, que tinha uma colecção enorme de Tex na sua casa, lembro-me que ele tinha um armário na sua casa repleto de revistas do Fantasma, Mandrake e principalmente do Tex, deveria ter umas 200 ou mais revistas do Tex ali, e ele emprestava-me essas revistas  para eu ler.

Porquê esta paixão por Tex?
Jean César Vasconcelos: Assim que comecei a ler o Tex gostei das suas aventuras, porque as suas aventuras são normalmente em apenas uma revista, ou seja  basta você comprar a edição do mês que você vai acompanhar todo o desenrolar da história, ao contrário dos quadradinhos de super-heróis que para você acompanhar o desenrolar de suas aventuras é necessário comprar várias revistas todo mês.
Outra coisa que me marcou muito no Tex é a amizade dele com os seus companheiros, que eu gravei em minha memória, nunca me esqueço do mau humor do velho Carson, e seu gosto por bife com batatas fritas e cerveja.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Jean César Vasconcelos: O Tex é um herói humano, que não tem super-poderes, ele é uma pessoa normal como qualquer outro ser humano, com  grandes  qualidades como  o seu senso de justiça, a fidelidade aos seus amigos, a sua honra, enfim ele é um herói que tem as qualidades humanas em destaque.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Jean César Vasconcelos: A minha colecção de Tex é pequena ainda, porque como comecei a coleccionar em 2012, tenho cerca de 30 revistas.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Jean César Vasconcelos: A minha colecção é de apenas os livros (revistas de banda desenhada).

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Jean César Vasconcelos: Gostaria muito de possuir as edições das revistas que contam sobre o passado do Tex, sobre o seu casamento com a Lilyth, enfim gostaria de saber tudo sobre o passado do nosso herói.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Jean César Vasconcelos: A edição que eu tenho e mais gosto é a Edição Gigante número 27 “A Cavalgada do Morto”, que eu adorei a história porque os nossos heróis enfrentam o que parecem ser forças sobrenaturais, mas no fim da história tudo é desvendado e não havia nada de sobrenatural, nesta edição também gosto muito da participação do El Morisco com seus conhecimentos sobre o sobrenatural.
Sobre o desenhador e argumentista eu gostei muito da Edição Anual número 14, que na minha opinião tem uma bela história com óptimos desenhos do Miguel Angel Repetto e com uma óptima história roteirizada pelo Tito Faraci.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Jean César Vasconcelos: O que mais me agrada é o seu senso de justiça, companheirismo e honestidade. Que bom seria se os políticos do mundo todo tivessem estas qualidades do Tex. E o que me desagrada um pouco, são os diálogos em que eles falam coisas como “que o diabo o carregue” ou “já foi para o inferno”, mas compreendo que por ser histórias de faroeste não tem como fugir destes diálogos.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Jean César Vasconcelos: A sua honra e honestidade são grandes características que o tornam um ícone, e em seus mais de sessenta anos de existências, seus editores nunca fizeram transformações radicais na sua maneira de ser, coisa que é corriqueiro com outros heróis. Ele sempre defende os mais fracos, os índios e outras minorias da exploração de pessoas gananciosas e sem escrúpulos.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Jean César Vasconcelos: Nunca tive oportunidade de me encontrar com outros coleccionadores, mas espero ter uma oportunidade de me encontrar com outros fãs do Tex, sim.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Jean César Vasconcelos: Tex já tem mais de 60 anos e com certeza ele irá continuar por muitos anos com as suas aventuras.
Porém acredito que seria necessário os criadores do nosso herói usarem a Internet a seu favor para conquistar mais fãs. Isso porque deveria ter um site oficial do Tex traduzido para várias línguas, porque existem alguns blogues como o caso do “Blogue do Tex” e outros, porém estes blogues são um trabalho de fãs, que são óptimos, eu mesmo todos os dias acesso o “Blogue do Tex” para saber as novidades que são postadas diariamente. Aliás no dia primeiro de Abril fiquei muito nervoso com um possível fim do blogue, coisa que felizmente não se confirmou, tudo era apenas um brincadeira do dia primeiro de Abril.
Sobre os fãs do Tex, conforme eu leio na secção cartas que são publicadas em suas revistas, percebo que apesar da maioria das cartas serem de fãs das “antigas”, também vejo que muitos jovens escrevem, então o Ranger já tem uma nova geração de fãs.

Prezado pard Jean César Vasconcelos, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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Tex e seus pards por Israel de Oliveira

Por José Carlos Francisco

Israel de Oliveira à mexicano

Hoje no blogue do Tex damos a conhecer a arte texiana de Israel de Oliveira, um jovem universitário com 24 anos e que se está a formar no curso de Farmácia. Este pard com jeito para o desenho enviou-nos uma sua singela homenagemàs nossas admiradas personagens que tanto nos divertem com suas aventuras. Ilustração essa que foi realizada com canetas nanquim, marcador permanente e esferográfica.

Quadradinhos e desenho sempre foram uma paixão para Israel de Oliveira, e ele tenciona no futuro tornar-se desenhador de banda desenhada, nem que seja apenas por diversão, mas desde já agradece as críticas dos nossos leitores à sua arte que podemos então apreciar de seguida:

Os pards desenhados por Israel de Oliveira

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A capa (e o esboço alternativo) de Tex #633, “Tombstone Epitaph”

Por José Carlos Francisco

Se antes do falecimento de Sergio Bonelli o nascimento das capas de Tex ocorria na sede da editora italiana, onde o próprio Sergio Bonelli depois de examinar pessoalmente a história em questão, procurava uma cena “de capa” entre as vinhetas desenhadas, elaborava um esboço veloz que era enviado por fax, a Claudio Villa,  junto às cópias das páginas correspondentes (em geral, duas ou três) e somente a partir daí é que Claudio Villa começava a trabalhar, preparando a cena “de capa”, já que ao contrário do que muitos pensavam, o desenhador não tinha liberdade para fazer a capa que bem entendia para a história, até porque na grande maioria das vezes, Claudio Villa não tinha acesso à história completa, hoje em dia é o próprio Claudio Villa que escolhe a cena a partir da qual faz a capa, embora com supervisão de Mauro Boseli, tendo este o poder de aprovar ou vetar a “capa” escolhida por Claudio Villa, devido a ser na actualidade o responsável máximo por Tex.

Tal acontecerá também com a capa do Tex #633, com lançamento previsto na Itália para 6 de Julho de 2013, contendo a primeira parte de uma aventura escrita por Mauro Boselli e que marca a estreia na saga de Tex, no que ao desenho diz respeito, de Gianluca Acciarino, cujo título é “Tombstone Epitaph”: Quando a voz livre de Frank Banyon, director e redactor único do periódico “Epitaph Tombstone” é silenciada por uma bala, Tex e os seus pards intervêm para pôr fim à arrogância da família Damon e ao seu domínio sobre a violenta cidade no deserto. Ao lado deles, de forma inesperada, surgirá em acção um nome célebre do jornalismo em Chicago, o sobrinho de Banyon…

Depois do próprio Villa seleccionar a imagem começa então a trabalhar na preparação da cena “de capa”. Cena essa que foi claramente inspirada na vinheta de Gialuca Acciarino que mostramos de seguida.
Em síntese, ele precisa cuidar do enquadramento, da luz e do movimento das personagens já que segundo o próprio Claudio Villa “
A capa deve contar sem revelar, deve ser legível e imediata, deve interessar e ser suficientemente dinâmica. Às vezes, falta uma cena significativa e então ela é “construída” com os elementos extraídos da história. Algumas vezes, para conseguir o melhor, chego a seis, sete esboços. É incrível de quantas maneiras se pode contar, em igualdade de situação, uma cena. E cada vez descobrir uma “temperatura” diferente, só deslocando o ponto de vista, a luz ou a disposição das personagens.“

Mas, como muitas vezes acontece, a capa que será publicada, não foi a única opção do desenhador italiano, já que até chegar ao resultado final que vimos no início deste texto, Claudio Villa fez outro esboço alternativo, igualmente belo e que mostra toda a intensidade do murro de Tex e do impacto causado no xerife de Tombstone:

Esboço alternativo de Claudio Villa para a capa de Tex #633

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Gervásio Santana de Freitas na Feira do Livro de Canoas

Por José Carlos Francisco

Gervásio Santana de Freitas, um dos maiores fãs e coleccionadores brasileiros de Tex e também criador e  coordenador geral do maior e mais importante Portal Bonelliano do Mundo, o Portal Brasileiro TEXBR, estará  na semana próxima, mais precisamente nos dias 11, 12 e 13 de Junho, na 29ª Feira do Livro de Canoas (município brasileiro do Estado do Rio Grande do Sul), palestrando no Painel Histórias em Quadrinhos, defendendo as BD’s como ponto de partida para a leitura de literaturas, sempre com a presença de um convidado.

Gervásio Santana de Freitas também falará, obviamente, sobre Tex e o panorama dos quadradinhos Bonelli em geral. Na terça-feira 11 estará acompanhado de Onélio Lopes Chagas, poeta de Camaquã/Rio Grande do Sul; na quarta-feira 12 estará com Dênis Pi de Pimenta, grande conhecedor de quadradinhos, mangás e cosplayers; e na quinta-feira 13 estará acompanhado de Pablo Sarmento, coleccionador e crítico especializado em banda desenhada. Todos os debates ocorrerão às 9 da manhã.

O tema Literário da 29ª Feira do Livro de Canoas, que decorre de 1 a 15 de Julho na Praça da Bandeira e Calçadão da rua Tiradentes, é o brasileiro Vinicius de Moraes.