Continuando na leitura de compilações Tex de Ouro, “O Retorno do Tigre Negro” foi o título Tex que se seguiu nas minhas leituras.
Com argumento de Claudio Nizzi e desenhos de Fabio Civitelli, trata-se de uma narrativa longa, muito bem construída ao longo de cerca de 300 páginas. Sendo uma narrativa extensa, o argumento consegue prender rapidamente, como é normal na escrita de Nizzi – o build up da história é exemplar, a maneira como se sucedem os eventos está muito bem construída.
No entanto, cumprindo perfeitamente em termos técnicos, existe uma falta de rasgo e a história acaba por ter um desenlace previsível, sem grandes surpresas.
Sendo o argumento banal, neste livro a arte acaba por tomar um lugar de destaque. Civitelli utiliza técnicas de pontilhado para conseguir várias tonalidades de cinza e consegue criar imagens de grande impacto, sendo ainda um excelente storyteller.
Um aspecto que me pareceu muito interessante, foi toda a informação que o editor do livro colocou para nos contextualizar com a personagem do Tigre Negro. Sendo informação, sobre a continuidade das revistas do Tex, faz-nos saber que esta é apenas uma história com este vilão e existem outras anteriores e posteriores que parecem desenvolver a relação de Tex e o vilão Tigre Negro.
Gostei bastante da leitura que este livro me proporcionou, mas fiquei desapontado quando coloquei a história toda em perspectiva.
[1](Texto publicado originalmente noBlogue “Concerto em O Menor para Harpa e Nitroglicerina“, em 18 de Setembro de 2013)
Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente? Igor Lacet: O meu nome é Igor Lacet, sou de Recife, Pernambuco – Brasil, e, actualmente, trabalho no Tribunal de Justiça de Pernambuco.
Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada? Igor Lacet: Sempre gostei muito da banda desenhada, desde criança, mas Tex com certeza é o meu herói favorito.
Quando descobriu Tex? Igor Lacet: O meu interesse por Tex nasceu em um dia normal, quando tinha uns 13 anos (não me lembro bem), sem nada para fazer, quando notei duas revistas antigas (números 1 e 2) do nosso querido Ranger e comecei a lê-las. Gostei muitos das histórias e do enredo. Posteriormente, fui a casa do meu avô e pude perceber que ele tinha a colecção (quase completa) de toda a Edição Histórica do Ranger. Após isso, comecei a fazer a minha própria colecção e não parei mais de ler.
Porquê esta paixão por Tex? Igor Lacet: As histórias de Tex são simplesmente fantásticas, um enredo muito bom, com uma qualidade incomparável nos desenhos. Não há como não gostar do Ranger e seus pards, uma vez que eles fazem você viajar pelo país norte americano no velho faroeste em momentos regados a muita aventura, chumbo, emoção e, às vezes, até um pouco de romance (basta só lembrar-nos do “Homem sem passado”).
O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos? Igor Lacet: Acredito que Tex possui um senso de justiça próprio, buscando sempre proteger aqueles necessitados e que são incapazes de se defender contra tiranos ou “grandes proprietários” que desejam infernizar a vida dessas pessoas (muitas vezes pelo lucro). Isso faz a história ficar mais emocionante. Além do mais, apesar de ser raro, nosso herói erra e, na minha opinião, isso é mais atraente, pois vemos que ele também é humano, sem contar que acrescenta um quê de suspense e surpresa nos enredos.
Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção?E qual a mais importante para si? Igor Lacet: Eu tenho a colecção (lançada aqui no Brasil) quase que completa. Possuo quase todas as Edições Históricas, Ouro, Coleção, Normal, Almanaque, Gigante, Especiais, Férias e Anuais. Sou realmente um fã de carteirinha. Faltam apenas umas cinco revistas (três da edição Gigante e duas da edição Normal) para completar a minha colecção. A mais importante certamente é O Totem Misterioso/A Mão Vermelha, pois foi a primeira que tive.
Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana? Igor Lacet: Geralmente colecciono somente as revistas de Tex, mas tenho também dois livros do nosso herói.
Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir? Igor Lacet: Já possuo, pois os meus objectos favoritos de Tex são as minhas Edições Históricas 1 e 2, pois foram as primeiras da minha colecção.
Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista? Igor Lacet: A história favorita? Essa é uma pergunta difícil, pois poderia fazer uma lista com as melhores histórias de Tex. Mas tudo bem, vou apontar somente umas cinco, ok? (…risos…).
1- Os Justiceiros de Vegas (a melhor de todas – Tex 501 e 502); 2 – A Mão do Morto (Tex 495 a 497); 3- A Grande Invasão (Tex 412 a 414); 4- Assassinatos em Família (Tex 379 a 381); 5- A Dama do Colorado (Tex 444 e 445). O melhor texto, sem dúvida, é de Claudio Nizzi e o melhor desenhador é Fabio Civitelli.
O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos? Igor Lacet: O que mais me agrada no Ranger, sem dúvida alguma, são as histórias com suspense que prendem a atenção do leitor. Dúvida em quem seja o vilão torna geralmente a história muito boa. Gosto muito também da participação do velho Carson, principalmente quando é ele quem pratica as condutas mais difíceis na história, salvando Tex ou provando que, em raras situações, o Ranger estava equivocado. Acho isso importante, pois mostra que Tex (sendo um Ranger de alto calibre) também tem pards que lhe auxiliam de forma indispensável, mostrando que juntos eles são fortes e quase imbatíveis. Não gosto das histórias que mostram um sobrenatural exagerado, sem explicar o porquê dos acontecimentos (salvo as histórias com Mefisto), pois fica, na minha opinião, faltando algo na história (a exemplo de “O Vale da Lua“).
Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é? Igor Lacet: Sem dúvida alguma, a sua coragem, determinação, senso de justiça, habilidade com o Colt e inteligência. Além da participação dos seus pards é claro, principalmente Kit Carson que o acompanha na maioria das histórias.
Costuma encontrar-se com outros coleccionadores? Igor Lacet: Infelizmente, não.
Para concluir, como vê o futuro do Ranger? Igor Lacet: Espero, de coração, que Tex ainda tenha um futuro brilhante pela frente, com o lançamento (principalmente em Tex normal) de histórias inéditas do Ranger, com a qualidade que lhe é peculiar. Continuo comprando mensalmente as revistas e espero que a qualidade nunca venha a baixar.
Prezado pard Igor Lacet,agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
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No 2º. aniversário de morte do grande Sergio Bonelli, a revista MUNDO DOS SUPER-HERÓIS homenageia o mítico editor italiano, dedicando a secção Mundo Bonelli à personagem mais querida dele: Mister No.
Por Ezequiel Guimarães
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Apesar de Tex Willer não ser publicado na Bulgária, Alexander Vachkov-Sash, um conceituado desenhador búlgaro, é um grande fã e coleccionador de Tex Willer e tem como um dos maiores sonhos desenhar o nosso intrépido herói para a Sergio Bonelli Editore.
Alexander Vachkov-Sash, frequentador assíduo do blogue português do Tex, tem 45 anos e muita qualidade, inclusive para desenhar Tex como se comprova de seguida através de alguns desenhos do Ranger que teve a gentileza de nos enviar e que espera que sejam apreciados pelos nossos leitores, mas também pelos responsáveis da Sergio Bonelli Editore que assiduamente visitam o nosso blogue.
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Finalizamos o post mostrando uma arte de Alexander Vachkov-Sash que está exposta num evento quadrinhístico que decorre em Sófia, capital da Bulgária desde o dia 10 de Setembro:
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Por José Carlos Francisco e Júlio Schneider (tradução)
Mauro Boselli e Fabio Civitelli, os autores de “A Cavalgada do Morto”
“La cavalacata del morto“ (“A Cavalgada do Morto”), o Albo Speciale (Tex Gigante) nº 27, publicado na Itália pela Sergio Bonelli Editore, em Junho de 2012, da autoria de Mauro Boselli (argumento e roteiro) e de Fabio Civitelli (desenhos e capa) e que ao longo deste último ano tem sido alvo dos maiores elogios na Itália e nos diversos países por onde foi lançado, vai ter na Itália umanovae muinobreversão.
De facto, “La cavalacata del morto” será reeditado este mês, pela Little Nemo Editora, numa esplêndida edição de luxo, com tiragem limitada e numerada a 250 exemplares, no imponente formato das pranchas originais, tornando a obra verdadeiramente fantástica para apreciar as esplêndidas páginas do mestre aretino. Um verdadeiro fascínio que se tornará num autêntico item valiosíssimo para os coleccionadores de Tex!
Mas para a notícia ser ainda mais completa, há que realçar que esta edição com o selo da Little Nemo Editora será abrilhantada com uma nova capa da autoria de Fabio Civitelli, capa essa que o blogue português do Tex tem o privilégio e a honra de dar a conhecer de seguida aos seus leitores:
A NOVA capa do Tex Gigante “A Cavalgada do Morto”
O fabuloso livro, que terá uma introdução de Mauro Boselli, Fabio Civitelli e Guido Andruetto, será apresentado oficialmente no dia 11 deste mês no nobre Spazio Fumetto WOW de Milão e terá um preço de venda ao público de 150,00 Euros. Por mais 40,00 Euros também é possível adquirir juntamente com o luxuoso exemplar, um desenho, exclusivo, realizado a lápis pelo próprio Civitelli.
“L’avventura e i ricordi“, de Giovanni Ticci e Giovanni Battista Verger
Na ocasião também estará presente Giovanni Ticci, que por sua vez apresentará o seu livro de ilustrações realizado com Giovanni Battista Verger “L’avventura e i ricordi“. Trata-se de uma publicação com 81 ilustrações inéditas, 14 das quais a cores, numa viagem (narrada por Moreno Burattini e com poesia de Mario Parodi e um texto crítico de Italo Marucci) pelo mundo de Águia da Noite projectada por Verger. Terá uma tiragem luxuosa limitada e numerada a 500 exemplares, com um preço de venda ao público dos exemplares 1 a 99 (enriquecidos com um desenho a cores autografado por Ticci) de 99,00 Euros e os exemplares 100 a 500 custando 75,00 Euros. Haverá ainda uma versão mais popular ao preço de 49,00 Euros.
Para além destas obras no mesmo espaço teremos também o Portefólio sobre as armas do Oeste, desenhado por Sergio Tisselli após uma ideia de Giuliano Arniani e que terá um custo de 150,00 Euros.
Todas estas obras podem ser adquiridas através do site da Little Nemo Editora, até porque a editora expede para o estrangeiro.
Voltando ao novo e luxuoso Tex Gigante, o blogue do Tex tem o privilégio de publicar emrigorosa e exclusiva estreia mundial, o texto introdutório da obra (traduzido por Júlio Schneider), escrito por Mauro Boselli e dedicado a Fabio Civitelli:
UM TEX “NOIR” PARA O MESTRE DO CLARO-ESCURO
Tex e Fabio Civitelli, 30 anos lado a lado
Quando se escreve um Tex Gigante, deve-se sempre procurar criar algo especial, seja pela rara ocasião do grande formato, seja para manter alto o prestígio de uma série fortemente desejada por Sergio Bonelli, seja, sobretudo, porque se tem a certeza de trabalhar com um artista da BD. Assim, além de deixar a fantasia correr solta, é justo achar uma ideia que valorize o estilo particular e os talentos do desenhador da vez.
Por ter à disposição o lendário Fabio Civitelli, que, numa carreira de três décadas a serviço do nosso Ranger, afinou cada vez mais a sua técnica extraordinária, lembro-me de não ter tido muitas hesitações na escolha do argumento. O que poderia exaltar as características de Fabio: a atenção aos detalhes, a sua visão fotográfica, as imagens que quase saem da página, o hiper-realismo trompe-l’oeil*, mas também os efeitos de dégradé, a névoa, as trevas de nanquim, o reticulado que expande os horizontes ao infinito, os efeitos flou e os clarões de luz? Precisão unida a atmosfera é, em síntese, o que me comunica o desenho de Civitelli.
A representação literária desta síntese só poderia ser uma história mágica, do mesmo tipo das aventuras bonellianas que, com Mefisto ou El Morisco, tornaram-se umas das características inconfundíveis, um verdadeiro subgénero, da saga de Tex. Em Tex, visto o carácter prático do herói (e de seu criador, Gianluigi Bonelli), o fantástico não significa render-se ao irracional desenfreado, mas sim uma espécie de sonho à luz da razão. O próprio El Morisco, o curandeiro mexicano amigo de Tex e de seus pards, é um cientista que enfrenta o mistério com erudição, sabedoria e uma dose justa de bom senso. Sob a acção dos pincéis de Fabio, esse género de fantástico controlado, com suas luzes e sombras, seus desertos deslumbrantes e suas névoas nocturnas, não teria como não liberar todo o seu inquietante fascínio. Uma lenda verdadeira do Sudoeste, aquela do Hombre Muerto, o cavaleiro sem cabeça, com quatro Rangers e um comancheiro que realmente existiram, e da qual ainda se fala na fronteira com o México, forneceu a ideia adequada. A partir dali, a nossa cavalgada andou a par com a do Homem Morto Arturo Videla, numa história que, de forma propositada, dosa o raciocínio e o medo, a investigação e a superstição, a acção de faroeste e o terror, tudo em puro estilo texiano. Uma fórmula simples, quase química, à qual eu me ative, sabendo que a arte, a verdadeira, surgiria da interpretação gráfica de Fabio Civitelli. O roteirista deve saber colocar-se a serviço do desenhador, e as páginas deste Tex Gigante estão lá para mostrar se eu acertei ou não.
Mauro Boselli
* ‘Trompe-l’oeil‘ é uma técnica artística que, com truques de perspectiva, cria uma ilusão óptica que mostre objectos ou formas que não existem realmente. Provém de uma expressão em língua francesa que significa ‘engana o olho‘ e é usada principalmente em pintura ou arquitectura.
“La cavalacata del morto“, edição de luxo
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