A confecção do 334º póster de Claudio Villa em Tex Nuova Ristampa

Por José Carlos Francisco

Como muitas vezes já escrevemos aqui no blogue do Tex, Tex Nuova Ristampa é a terceira reedição de Tex na Itália, ou seja a 4ª série do Ranger: Tex (inédito), Tex Tre Stelle, Tutto Tex e Tex Nuova Ristampa. O principal atractivo da mais recente reedição de Tex, que actualmente tem uma periodicidade quinzenal, são os mini-pósteres da autoria de Claudio Villa, um extra que sempre acompanha a revista desde o número 1 e que leva muitos coleccionadores a comprarem (e coleccionarem) também esta colecção.

Vinheta de Claudio Villa que serviu de inspiração para o mini-póster de TNR 334

No Brasil, como os nossos leitores sabem, estes pósters têm sido utilizados, sobretudo mas não só, como capas de Tex Edição Histórica, aliás foi o Brasil através do lançamento de Tex Edição Histórica, em Agosto de 1993, que deu azo a estas magníficas ilustrações, de Claudio Villa, muito bonitas e interessantes e que retratam situações passadas em histórias antigas de Tex Willer, já que os responsáveis da Editora Globo pediram a Sergio Bonelli a possibilidade de se produzirem capas inéditas para a “nova” série brasileira, pedido esse que o editor italiano atendeu de pronto e mais tarde, em Fevereiro de 1996, Sergio Bonelli também deu a conhecer aos leitores italianos os pósteres de Claudio Villa ao reproduzi-los no interior de cada número de Tex Nuova Ristampa, como um atractivo mais para esta nova reedição da colecção de Tex.

Esboço inicial da ilustração para Tex Nuova Ristampa #334 inspirada numa vinheta da página 38 da edição italiana #504

A propósito da autêntica galeria Tex Nuova Ristampa que no passado dia 31 de Agosto viu então o seu 334º póster, Claudio Villa confidenciou-nos que “Nestas imagens procurei, desde o seu início, “encontrar” o Tex mais autêntico: a Lenda. Aquele Tex que está no coração de cada leitor desde a primeira história lida e por quem foi “capturado”. E imagem após imagem o retrato de Tex fica cada vez mais claro no papel. Com a convicção de que o leitor que está dentro de mim guia o lápis do desenhador que trabalha.“

Ilustração a tinta da china do mini-póster de TNR 334

Antes do falecimento de Sergio Bonelli tudo começava com um esboço da imagem pretendida, determinado pelo próprio editor, já que ao contrário do que muitos pensavam, o desenhador não tinha liberdade para fazer a ilustração que bem entendesse para a história, como nos explica Claudio Villa: “Se no passado tudo nascia na editora, onde Sergio Bonelli examinava pessoalmente a história em questão para procurar uma cena “de capa” entre as vinhetas desenhadas e depois elaborava um esboço veloz que me era enviado por fax, junto às cópias das páginas correspondentes (em geral, duas ou três), hoje em dia cabe-me a mim seleccionar a cena a eleger.“

Ilustração pintada manualmente, por Claudio Villa, do mini-póster de TNR 334

Inclusive as cores da capa, são da responsabilidade de Claudio Villa: “Eu dou uma “indicação” de cor: faço uma fotocópia em A4 a preto e branco e passo a colori-la com tintas líquidas, pintando-a como gostaria de vê-la impressa. Depois é o impressor que deve, com os seus instrumentos, aproximar-se daquilo que fiz…“

Póster Tex Nuova Ristampa 334

Pois bem, foi todo este processo de criação de uma das mais recentes edições de Tex Nuova Ristampa que demos hoje a conhecer aqui no blogue do Tex, uma ilustração que nasceu inspirada da edição nº 504 de Tex, a história do retorno de Mefisto!

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Il ragazzo selvaggio (O rapaz selvagem) no mais recente luxuoso Tex da Mondadori


Renova-se uma tradição verdadeiramente inevitável, para os fãs do Ranger Bonelliano: como sempre acontece a cada novo Outono, a Mondadori publicou no passado mês de Novembro um novo volume de grande formato, com capa dura e inteiramente a cores, dedicado a Tex, naquela que muitos consideram a mais bela e luxuosa colecção de Tex, “Grandi libri” (“Grandes livros”) e que nasceu em 1975 pela Editoriale Cepim (a actual Sergio Bonelli Editore) com a publicação do primeiro volume, intitulado “Il mio nome è Tex” e que passou a ter uma periodicidade anual a partir de 1996, tornando logo desde o seu início como sendo uma verdadeira série para coleccionadores, enriquecida pelo formato grande (315 x 225), capa dura, artigos vários e sobretudo a inclusão das cores nas histórias originalmente publicadas a preto e branco pela editora Bonelli.


A publicação deste ano (cuja capa, desenhada por Giovanni Ticci podemos ver mais abaixo a ilustrar este texto), intitula-se “Il ragazzo selvaggio” (“O rapaz selvagem“) e contém a aventura originalmente publicada nas edições 317, 318 e 319 da colecção principal de Tex, datadas de 1987, aventura escrita por Claudio Nizzi e desenhada por Giovanni Ticci.


Há 15 anos atrás, um menino desaparece quando a caravana onde seguiam os seus pais é atacada por índios Arapahos. Anos mais tarde, o seu pai, agora um rico rancheiro, não desiste de o encontrar e o seu desejo torna-se mais forte quando dois caçadores afirmam ter visto um jovem branco nas montanhas. Tex e Carson vão ajudar nesta busca, embrenhando-se numa aventura com algumas surpresas desagradáveis.


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Vídeo: Super Tex Willer 2013

Hoje no blogue do Tex damos a conhecer mais uma excelente montagem vídeo-musical com o nosso amado Ranger de camisa amarela, onde ao ritmo de uma melodia bem agradável, se assiste a um desfilar de maravilhosas ilustrações maioritariamente coloridas e na sua maioria da autoria de Claudio Villa e Aurelio Galleppini, mas tendo igualmente maravilhosas ilustrações de outros desenhadores do staff do Ranger:

João Miguel Lameiras: O “Texone perdido” de Nizzi e Seijas chega a Portugal

Por João Miguel Lameiras*

Já está nas bancas portuguesas “As Hienas de Lamont”, o Tex Gigante nº 26,  ilustrado pelo argentino Ernesto Garcia Seijas. Depois de Carlos Gomez, no (magnífico) volume anterior, este é o 2º Tex Gigante (ou Texone, como lhe chamam os italianos) seguido, a contar com ilustrações de um mestre argentino que os leitores italianos conhecem das revistas da Eura Editoriale, a grande rival da Bonelli nos quiosques de Itália.

Mas isso é apenas uma mera coincidência, pois este livro, em que o desenhador começou a trabalhar em 2000, estava na gaveta do editor há quase uma década, havendo até quem duvidasse que alguma vez viesse a sair… Ao que parece, o motivo seria a quantidade (e a sensualidade) das mulheres que Seijas desenhou nesta aventura de Tex. A prová-lo está o facto de Garcia Seijas ter tido que redesenhar 11 páginas, mas mesmo com estas alterações, o livro, que chegou a estar anunciado para 2003, ficou guardado numa gaveta desde 2005 e só acabaria por ver a luz do dia em Novembro de 2011, já após a morte de Bonelli, falecido em Setembro desse ano.

Agora que o livro está ai, fica a dúvida quando à decisão de Bonelli. Sendo claramente uma história atípica em relação ao habitual na série, seja pelo facto de não acontecer grande coisa ao longo das quase duzentas páginas, seja pela sensualidade das figuras femininas de Seijas, seja ainda pelo facto de a maioria da história se passar num ambiente urbano, não me parece que “As Hienas de Lamont” seja um mau livro do Tex. É apenas um livro do Tex diferente, o que poderá ser encarado como negativo pelos fãs mais puristas, mas que, para mim, que continuo a seguir a série pela qualidade dos desenhadores, este “Texone” não desilude.

O mérito é todo de Seijas, um veterano da BD argentina, que já trabalhou com os maiores argumentistas do seu país, de Oesterheld a Trillo, passando por Robin Wood, e que aqui demonstra toda a elegância e sensualidade do seu traço, marcado pela clareza e legibilidade, na linha de outros mestres argentinos, como Horacio Altuna.

Se o argumento de Nizzi, um dos últimos que assinou para a editora Bonelli, mostra um escritor longe do seu melhor nível, numa história em que a presença dos companheiros de Tex não é devidamente aproveitada, a história tem o mérito de fazer brilhar os pontos fortes da arte de Seijas, um desenhador de grande elegância e com grande capacidade no tratamento fisionómico das personagens, evidente tanto nas personagens secundárias, como nas duas belas protagonistas femininas.


Embora longe do nível do volume anterior, este “Texone” é ainda assim bastante recomendável, sobretudo para quem quiser descobrir a belíssima arte de Ernesto Garcia Seijas, mais um mestre argentino que chega a Portugal graças à série Tex Gigante.

(“Tex Gigante nº 26: As Hienas de Lamont”, de Cláudio Nizzi e Ernesto Garcia Seijas, Mythos Editora, 242 pags, 10,00 €)

Versão integral do texto que devia ter sido publicado no Diário As Beiras de 30/10/2013

Texto publicado no Diário As Beiras

Copyright: © 2013 Diário “As Beiras“; João Miguel Lameiras; crítico e especialista de BD, autor do blogue Por um punhado de imagens

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