Por G. G. Carsan* e Olinda Muranaka (fotos)
Meus amigos texianos,
Cada novo evento de quadradinhos em que participo é como se fosse o primeiro, dada a incrível sensação de adrenalina que acontece antes, os diferentes pactos de amizade que se percebem durante e a satisfação garantida que só vem depois. Mesmo que cada evento necessite de planeamento, de divulgação, de realização, de trabalheira, parece que é sempre o primeiro. A começar porque a parte mais importante, o respeitável público, se vai ou não comparecer é uma incógnita.

Foi assim que combinei com os integrantes do grupo de Coleccionadores de Quadradinhos de Timbaúba, cidade brasileira a 100 km do Recife, a capital do Estado de Pernambuco, de participar um dia da 2ª. Convenção de Quadrinhos, levando alguns itens da minha colecção pessoal de Tex, personagem criada por G. L. Bonelli e Aurelio Galleppini em 1948, na Itália e publicado no Brasil desde 1971, e fazer uma palestra para os presentes, como já se tornou rotina nos eventos que participo: Falar bem de Tex para, principalmente, os jovens, mas dar algumas explicações para os coleccionadores que ainda não leram os livros Tex no Brasil, 1 e 2, onde estão todas as explicações que possam estar escondidinhas nas entrelinhas da saga dessa majestosa e importante personagem das histórias aos quadradinhos de faroeste.

A recepção foi maravilhosa e como é comum nos encontros vários que já participei, senti-me em casa com a velha sensação de que já nos conhecíamos. E embora a minha palestra fosse às 14:30, participei como plateia de uma outra sobre Super Heróis, realizando intervenção para ajudar a movimentar o ambiente. E circulei pelo local conversando com os jovens, procurando saber mais e mais dos seus hobbies e dos heróis que idolatram.

Os coleccionadores são em sua maioria, fãs de Super-Heróis como Batman, Flash, Wolverine, Superman, Lanterna Verde, Mulher Maravilha, mas não só, pois Conan, Juiz Dredd, X-Man, Homem de Ferro, enfim, tudo da DC e da Marvel… e havia apenas um de Tex, o super gente fina Erik Hilton, que tem uma bela colecção do Ranger e me contou coisas maravilhosas, como ter ganho centenas de revistas em estado de banca, (Tex da Vecchi 1ª. edição, que vão da 2 a 150), Akim completa, Epopéia-Tri completa, de um coleccionador que preferiu doar-lhe pois sabia que cuidaria bem no futuro – enquanto os seus filhos detonariam tudo rapidinho. Então Tex estava num condomínio frequentado pelos Super, mas parecia em casa, tal era o respeito e o carinho destes seus representantes, que por sinal, também curtem algumas aventuras do herói maior da Via Buonarroti.

Como texiano, Erik confidenciou-me, com um pouco de receio, que quando confirmou a presença do Tex no evento, ficou totalmente arrepiado, emocionado. Teria a chance de tirar muitas dúvidas e dividir com alguém ‘famoso’ (palavras dele) um pouco das suas mais recônditas e triviais elucubrações. Por isso, fiz questão de lhe dizer, que apesar de vestir a roupa do Tex, e mesmo levando em conta que a maioria dos texianos não teria coragem de fazer isso, eu não passo de um coleccionador esforçado, igual a todos os outros. Parece que ele se acalmou um pouco. Por que cito essa passagem? Para conferir um tempero especial para dar mais densidade à narrativa e deixar os leitores com gostinho na boca. Aliás, o Erik afirmou em alto e bom som que adora o cheiro das revistas e folheá-las é um raro prazer – descobri que o cheiro a que ele se refere é o da naftalina, que coloca junto para espantar os mosquitos e predadores de revistas. Arranquei risadas generalizadas.

A exposição realizada na Biblioteca Municipal Dr. Aderbal Jurema foi um sucesso. Primeiro porque existir biblioteca numa cidade do interior do Brasil já é um feito e tanto e merecedor de destaque; segundo porque a iniciativa dos integrantes de uma cidade de 60 mil habitantes é louvável e digna de inveja, no bom sentido, devendo (tomara) que seja copiada pelos jovens que gostam de quadradinhos de outras cidades pelo Brasil; terceiro porque não basta existir a biblioteca, tem que divulgar e levar as crianças e os adolescentes para dentro, para ler, para se divertir, de modo que é necessário atrair o público alvo para dentro da casa e isso se viu durante todo o dia. Mas, diga-se de passagem, senti falta de algumas pessoas ali naquela casa. Não observei por lá os integrantes dos movimentos culturais da cidade, não observei a presença de professores e não observei uma presença tão marcante de estudantes e a mídia local também deixou a desejar.

A palestra com o tema Tex no Brasil – Fazendo Justiça a Qualquer Preço foi uma viagem ao espectacular mundo de Tex. Em primeiro plano uma explicação aos presentes do porquê de me vestir como o herói. É para passar credibilidade sobre o que falo e faço na divulgação da personagem e tentar desinibir os velhos texianos que sentem vergonha de dizer que lêem revista de Tex – e sabemos que muita gente já se declarou, saiu da penumbra e diz de peito aberto que adora Tex e até comparece nos eventos. A seguir narrei algumas ExpoTex que já realizei e como fiz para fazer o maior barulho possível tendo a parceria da mídia impressa e da grande rede, levando informações para todo o reino, e mostrando os resultados dessa divulgação, que vai atraindo novos texianos, encantados com uma personagem tão diferente. E pontuei afirmando enfaticamente as três principais metas de estar presente naquele ambiente numa tarde de domingo: divulgar a personagem Tex para que seja mais e mais consumido pelos jovens, que só têm coisas boas a aprender com as suas aventuras; incentivar a leitura entre os jovens para que possam viajar por mundos fantásticos e aprender muito sobre carácter, honra, amizade, solidariedade e justiça, a qualquer preço, sem distinção nem preconceito de qualquer modelo; e fazer amizades, sair dali com a promessa de realizar contactos, de trocar ideias, de ajudar quando necessário e de reencontrar em breve num novo evento de banda desenhada, sempre afirmando que BD é Cultura.

Precisava frisar que comecei a coleccionar ainda garoto e com uma decisão de juntar as revistas e uma persistência muito grande, consegui formar uma colecção com mais de 1.000 revistas de uma única personagem, distribuídas em vários títulos, e que isso servia de grande satisfação, de admiração por parte dos amigos e pessoas do meio artístico, de plano de fundo para realizar um grande sonho e ser hoje um escritor, e poderia se tornar um negócio para pessoas com tino comercial com a venda e trocas de revistas, além de formar bons leitores capazes de grandes feitos no mundo das letras, finalizando que Tex tinha muitos leitores entre coronéis, cantores, jogadores de futebol, advogados, funcionários públicos, professores, etc.

Durante duas horas falei de Tex Willer e seus amigos, inimigos, como Tex é feito na Itália, como chega ao Brasil, como é distribuído, das colecções brasileiras, de aventuras que são top e de imagens, desenhadores, argumentistas, colecções actuais, livros. Esbocei um paralelo entre Tex e os Super-Heróis e fiz a defesa da escolha dos texianos, chamando atenção para as aventuras mais robustas, densas e credíveis, a longevidade confiável sem mudanças bruscas e um profissionalismo confirmado pelos grandes mestres do desenho mundial.

Quando facultei a palavra vieram as perguntas bastante básicas, que não tive dificuldade em responder. Quem é esse Mefisto que se fala tanto, como ele conseguiu ficar famoso? Tex já lutou contra um Vampiro? Por que Tex não faz sucesso nos Estados Unidos? Por que mataram a mulher de Tex? Quem é fã de carteirinha conhece essas respostas e quem não souber, basta dar uma relida no livro Tex no Brasil – O Grande Herói do Faroeste e ficará por dentro.

A plateia local capitaneada por Erik e Bruno recebeu um reforço de peso quando chegou o pard Inaldo Silva, de uma cidade distante 100 km, que deixou o seu descanso dominical para fazer parte desse momento tão bom. Inaldo conversou bastante, folheou revistas, contou algumas sagas texianas, assistiu atentamente à palestra e saiu com dois livros Tex debaixo do braço, dizendo-se feliz da vida com o evento e já prometendo presença nos próximos, atestando a sua satisfação. Além dos livros, levou para casa marcadores de páginas com o motivo Tex, inclusive um bastante inédito, alusivo ao evento de Timbaúba, que confeccionei somente na véspera e, portanto, constituiu-se numa surpresa agradabilíssima até para os organizadores, que receberam suas lembranças com muita alegria.

Outro assunto falado foi o Clube do Tex criado no Brasil recentemente e que já tem um Encontro Nacional marcado para os dias 19 e 20 de Abril de 2014, em Alagoinhas – BA, do qual sou sócio benemérito. Apresentei a insígnia de Ranger, que portava no peito, a carteirinha e passei para o pessoal os contactos e como se associar, inclusive dos pagamentos e das diversas actividades que o clube tem como meta e como bandeira, conforme pode ser visto no estatuto. Os presentes ficaram curiosos e prometeram examinar tudo in loco.
Distribuí, depois da palestra, várias revistas de Tex, Zagor e Júlia, fazendo a alegria da criançada e outros destinei para a Biblioteca, que ficarão lá à mercê de quem quiser se aventurar, inclusive destinei um livro Tex no Brasil – O Grande Herói do Faroeste para aquela casa.
Ao final, fui presenteado com uma camisa alusiva ao evento e adquiri uma camisa com o Tex, imagem desenhada pelo Magnus Raviola para o Tex 352 publicado pela Mythos Editora. E assim dei por encerrada mais uma bela jornada texiana, na qual tive a companhia da minha esposa Linda Muranaka, que além de fotografar as cenas, levou iguarias japonesas que me deliciaram e foram consumidas por alguns mais corajosos em experimentá-las.
Adios, amigos!
G. G. Carsan
* G.G.Carsan, 49 anos, paraibano, fã, coleccionador e divulgador, começou aos 7 anos a ler Tex e nunca mais parou. Realizou 6 exposições em João Pessoa, escreveu várias aventuras para Tex (algumas publicadas na Internet), palestras em vários Estados e plateias e dois livros sobre a personagem no Brasil.
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