Entrevista com o fã e coleccionador: Felismino Alberto Costa Almeida

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Felismino Almeida: Chamo-me Felismino Alberto Costa Almeida (Berto, para os amigos), nasci em 1963, no Porto, onde ainda resido (Travessa da Ferreira 58- 1º andar) e trabalho em hotelaria, mais precisamente como empregado de mesa.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Felismino Almeida: Desde muito novo comecei a ler banda desenhada; com os meus 7 ou 8 anos comecei a ler revistas da Disney  e tantas outras que os miúdos de 8 anos naquela altura liam. Já teenager, comecei a gostar das revistas do Mundo de Aventuras, Falcão, Tintin e Asterix, dos super-heróis e super-vilões da Marvel e da DC, Façanhas do Oeste,  e, claro, Zagor e Tex.

Quando descobriu Tex?
Felismino Almeida: O Tex surgiu na sequência de um assimilar de tudo o que era “cowboiadas” e destacou-se naturalmente  entre todos os outros.

Porquê esta paixão por Tex?
Felismino Almeida: Sinto uma empatia e afinidade com as personagens principais da série, a sua integridade, carisma, o facto de estarem sempre lá para os amigos e claro “viajo com eles” nas suas grandes aventuras.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Felismino Almeida: As histórias têm grande dinâmica, acção continua e são bem estruturadas no enredo. O desenho é fiel à época, com grande detalhe, conseguem algo que poucos conseguem, dão-nos em papel a ilusão que a acção decorre em frente aos nossos olhos, as personagens saem do papel e ganham vida.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Felismino Almeida: Infelizmente, numa fase mais complicada da minha vida, ”fui obrigado ” a fazer dinheiro com a venda da minha colecção de BD, perdendo com isso a minha colecção do Tex. Com o passar dos anos direccionei o “gosto de coleccionar” para outras áreas, deixando para trás a BD, como tal neste momento, em papel tenho só umas dezenas de revistas (nenhuma do Tex), mas “mato o bichinho” com cerca de 700 revistas dos nossos heróis, que tenho digitalizadas no computador.

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Felismino Almeida: Gostava de ter algumas miniaturas das principais personagens.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Felismino Almeida: As minhas histórias preferidas são as que envolvem o incontornável arqui-inimigo do nosso herói, o maquiavélico Mefisto e o seu filho. Há no entanto uma outra que considero ser uma das suas aventuras mais originais, que é A Cidade de Ouro. Claro que escolher uma ou outra história entre dezenas e dezenas de autênticas obras-primas, é quase o mesmo que pedir a uma mãe que escolha entre 2 filhos
Embora todos eles sejam grandes profissionais nas respectivas áreas, algumas das minhas preferências dos artistas que nos fazem chegar esta obra de arte gráfica são no quesito desenho: V. Muzzi, Aurelio Galleppini, Repetto, E. Nicolò, G. Buzzelli (background do desenho algo escuro), Giolitti que sozinho tem mais atenção ao detalhe e expressões e a cores então é espectacular, José Ortiz – um pouco “noir“, V. Monti (não gosto de algumas histórias). Ainda nos desenhos não gosto muito de Diso, do trabalho em dupla de Galleppini e Muzzi (embora tenham um traço definido, pouca atenção ao detalhe), da dupla Giolitti e Ticci, de G. Letteri, apesar de gostar de algumas histórias e de G. Alessandrini.
Quanto às letras gosto de Nizzi, G. L. Bonelli, Nolitta e A. Segura.

O que lhe agrada menos em Tex?
Felismino Almeida: A única coisa que me ocorre, é muitas das vezes a sua reacção a frases inofensivas ser partir logo para a violência.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Felismino Almeida: Nunca me encontrei com outros coleccionadores.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Felismino Almeida: Espero que os netos do meu neto, quando tiverem a idade que eu tinha quando comecei a ler a série, possam ir a um quiosque e comprar uma revista do Tex.

Prezado pard Felismino Almeida, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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Tex por Marcos Junio Ferreira dos Santos

Por José Carlos Francisco

O blogue do Tex dá hoje a conhecer uma vez mais a arte texiana de Marcos Junio Ferreira dos Santos, um pard brasileiro de Ibitinga que no passado participou diversas vezes aqui mesmo no blogue do Tex expondo a sua arte, mas que no presente anda meio desligado de Tex, por vários motivos, mas que nunca esquece o Ranger, considerando-se inclusive um eterno fã, já que foi infectado há cerca de 15 anos pelo vírus texiano e que espera a qualquer momento voltar a retomar a sua colecção!


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As críticas do Marinho: Almanacco del West 2014 – “I rapitori”

Por Mário João Marques

É muito difícil escrever para Tex. A afirmação é do próprio Tito Faraci, argumentista experiente que se estreou na série em 2007 com a aventura “Evasione”. Desenhada pelo espanhol José Ortiz, curiosamente esta foi a primeira aventura a ser publicada, mas não a primeira a ser escrita por Faraci. Na verdade, “Il Sceriffo Indiano”, desenhada pelos irmãos Cestaro, foi mesmo a primeira aventura que Faraci escreveu para Tex, apesar de ter sido publicada apenas dois anos mais tarde, em resultado do ritmo lento de trabalho dos desenhadores.

Acreditando no que os leitores vêm sublinhando, Faraci ainda não assinou uma grande história para Tex, procurando incessantemente uma aventura que possa figurar no galarim das mais apreciados do Ranger. Não partilho dessa opinião, não significando com isso que Faraci já tenha deixado a sua marca ou o seu cunho pessoal na série. O autor tem vindo a explorar temas clássicos, desenvolvendo-os de modo linear, mas ultimamente parece privilegiar mais a acção do que propriamente a trama.

Nem sempre foi assim, pois no início, com “Il Sceriffo Indiano”, por exemplo, Faraci construiu a melhor aventura de Tex, sobrepondo os relacionamentos humanos e a espessura psicológica das personagens à acção, sem descurar esta. Mesmo a aventura seguinte “L’uomo di Baltimora”, onde se estreou Giovanni Bruzzo, parece ser interessante, porque o autor acaba por construir uma personagem, na figura um lord inglês em busca de aventura, que testemunha, através da sua escrita e do seu desenho, vários episódios do Oeste americano.

Ciente da dificuldade em escrever para Tex, Faraci tem vindo desde então a optar por uma receita que já deu mostras de sucesso, apresentar um Ranger infalível, muito interventivo, liderante, uma certa forma do próprio autor se proteger perante os mais exigentes, privilegiando assim uma faceta muito apreciada e que, no fundo, acabou por estar na base da sua fama e popularidade. Faraci acredita assim ter encontrado um refúgio, uma base que lhe permita meter o pé em terreno seguro. Tex é no entanto mais do que isso, sobretudo hoje quando os tempos são outros e os leitores parecem ser mais exigentes. Ciente disso, a série evoluiu e a personagem tem vindo a adaptar-se, a moldar-se aos gostos e às exigências.


O Ranger infalível, que constantemente deixa a sua personalidade vincada por onde passa, tem vindo a trilhar outros caminhos que o possam adaptar aos novos tempos. Boselli constrói aventuras densas, com muitas personagens, todas elas importantes na trama, dando muitas vezes outro protagonismo a personagens como Kit Willer ou Jack Tigre, como nenhum outro autor o fez. Recuando no tempo, o próprio Sérgio Bonelli via em Tex uma personagem que se diferenciava de alguma forma daquela que o seu pai idealizou, explorando e construindo um Tex que, sem deixar de ser interventivo, questionava-se, duvidava e por vezes falhava.


Ou seja, apesar de Faraci ter entrado bem na série, apesar de escrever aventuras agradáveis, faltará dar um passo em frente, o passo seguinte, o salto qualitativo que prometeu, assumindo o seu modelo para Tex sem desvirtuar as principais características da personagem. Talvez por isso, talvez ciente disso, o autor assuma a sua dificuldade em escrever para Tex.

I Rapitori conta a história do rapto de um jovem advogado que viaja até ao velho Oeste para pedir a mão da namorada ao pai desta. Tex encontra-se na zona e promete à jovem que vai tentar libertar o noivo, custe o que custar. Mas os factos não são bem aquilo que à primeira vez pareciam uma evidência.

Mais uma trama clássica que Faraci explora bem no seu início, mas que acaba por não a desenvolver com a mesma categoria nas páginas seguintes, revelando um argumento linear onde falta densidade e uma construção de ambientes e personagens mais madura, amplificando os limites que tem vindo a revelar na abordagem à personagem.

Por seu lado, o trabalho de Suarez é de grande qualidade na construção de ambientes e na caracterização das personagens, revelando estar à vontade no género e apresentando páginas de enorme detalhe. Faltará, no entanto, apresentar um Tex como todos apreciamos. Apesar das inúmeras composições do Ranger e sobretudo os ângulos em que o mesmo é apresentado, confirmarem um autor que está à vontade na composição da personagem e que nunca se nega a apresentá-la ao leitor, o seu Tex é granítico, incapaz de demonstrar emoções e sentimentos.


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Fabio CIVITELLI (e Tex) na HOLANDA

Por Fernanda Martins

 

Na próxima semana a Holanda abrirá os seus moinhos para uma figura carismática do nosso mundo texiano. Fabio Civitelli, desenhador do segundo Texone a ser relançado pela Editora HUM,  estará presente nos Países Baixos e participará de vários eventos, sendo o principal deles o Festival de Banda Desenhada que acontece anualmente na cidade de Breda, nos dias 11 e 12 de Outubro.

É a primeira vez que um artista da casa Bonelli visita a Benelux (organização económica da Europa, que gerou o que seria mais tarde a União Europeia e que compreende a Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo).

O consagrado desenhador italiano que por cinco vezes esteve em Portugal participando em eventos relacionados a Tex, como forma de agradecimento e para assinalar esta sua primeira presença na Holanda, fez um desenho exclusivo e alusivo à efeméride, desenho esse que damos a conhecer de seguida e que enquadra Tex em Kinderdijk com um dos ícones mais conhecidos da Holanda, o famoso moinho de vento holandês.

Tex na Holanda em uma arte de Fabio Civitelli

Voltando a Fabio Civitelli, o seu Tex Gigante (A Cavalgada do Morto) holandês tem uma particularidade  singular. Foram confeccionadas duas capas para o mercado holandês, uma contendo uma cena diurna, que será a normal e uma segunda capa com uma cena nocturna exclusiva para a venda realizada no Festival.

Por enquanto a agenda de Fabio Civitelli na Holanda é a seguinte:

Dia 09 de Outubro – Entrevista para a Rádio Onda Italiana; Sessão de autógrafos ao vivo e conversa sobre o Ranger no Istituto Italiano di Cultura em Amsterdam.

Dia 10 de Outubro – Sessão de autógrafos ao vivo na loja de banda desenhada de Dick Bos, em Roterdão.

Dias 11 e 12 de Outubro – Sessão de autógrafos ao vivo no Festival de Banda Desenhada de Breda

Além disso, Fabio Civitelli foi também convidado a criar uma tira pequena de Tex que servirá de promoção a um website que vende itens para coleccionadores, especialmente quadradinhos. Este website (www.catawiki.nl) faz a cada mês uma promoção onde a cada compra superior a 75 euros o cliente recebe um envelope especial impresso com a história da personagem do mês, um selo e um carimbo, também impressos. Fabio aceitou o convite e convidou-me a mim e ao Erik, dono da editora HUM, para escrevermos a pequena história. Já estamos com várias ideias na cabeça!

Capa exclusiva da edição holandesa do Tex Gigante desenhado por Fabio Civitelli à venda no Festival de Breda

A cobertura completa da visita de Fabio Civitelli à Holanda será feita nas próximas semanas aqui mesmo no blogue português do Tex.

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