As Leituras do Pedro: Tex em Cores

As Leituras do Pedro*

Tex em Cores
Gianluigi Bonelli
(argumento)
Aurelio Galleppini (desenho)
Mythos Editora
160 x 210 mm, 252 p., cor, brochado, mensal
R$ 29,90 / 15,00 €

Se regularmente tenho trazido ao meu espaço (belas) edições integrais – e não só as franco- belgas – pela possibilidade que constituem de reler a preços agradáveis edições comentadas de obras marcantes – e em muitos casos há muito esgotadas – a verdade é que devo fazer um mea culpa porque não tenho destacado tantas vezes quanto devia uma edição integral que surge regularmente à venda em Portugal.

Obviamente o título e a imagem acima já tinham esclarecido qualquer dúvida que pudesse haver. Refiro-me a Tex em Cores que, mesmo não tendo o luxo e a consistência das edições em grande formato e cartonadas franco-belgas, justifica bem esta chamada de atenção.

Inspirada na Collezione Storica a Colori que entre 2007 e 2012 a Sergio Bonelli Editore publicou numa parceria com o jornal La Repubblica e a revista L’Expresso, que totalizou 239 tomos – e foi retomada há poucas semanas – e vendeu 27 milhões de exemplares tendo rendido 186 milhões de euros!, esta colecção brasileira da Mythos Editora tem o objectivo de reeditar- a cores – todas as histórias de Tex, desde a sua origem em 1948, até aos nossos dias.

O formato respeita o original italiano, o papel e a impressão são de boa qualidade, inclui textos introdutórios sobre as histórias os autores ou aspectos com elas relacionadas – faltando a data original de publicação das bandas desenhadas inseridas em cada volume… – e é uma excelente oportunidade, a dois níveis.

A nível documental, pela oportunidade de (re)descobrir um dos westerns mais carismáticos – e o mais antigo ainda em publicação – da História da Banda Desenhada, e de perceber como ele se desenvolveu e criou as bases e princípios que ainda hoje o norteiam. E também de entender como funcionavam na altura as histórias aos quadradinhos em termos de ritmo – acelerado! – planificação, sequência narrativa – as histórias actualmente em publicação são dos anos 1950/60, em que as revistas ainda tinham o denominado formato ‘talão de cheques’ – traço e temáticas… E neste aspecto em particular, Tex é um manancial western que, na linha dos grandes filmes de cowboys de então, explora todos os grandes temas clássicos: renegados, foras-da-lei, opressão aos índios, guerras indígenas, confrontos brancos/índios, corridas ao ouro, desentendimentos entre criadores de gado e agricultores, xerifes ou ‘empresários’ prepotentes, questões religiosas, tribos ou civilizações perdidas…

A nível imediato, a possibilidade de ler bons westerns desenhados, que – com as inevitáveis marcas deixadas pela passagem do tempo e a evolução da BD – mantêm boa parte da frescura e do encanto de quando foram criados.

Foi a leitura, que estava em atraso – e que bom é ter leituras assim atrasadas, pelo prazer de a qualquer momento as pôr em dia…! – dos tomos #13 a #15 que me inspirou este texto, mas não vou destacar qualquer volume em especial, até porque a colecção já atingiu os volumes #22 (no Brasil) e #19 (Portugal).

Mas deixo um desafio: se quiserem/puderem, iniciem a leitura no tomo #1; caso não seja possível, iniciem-na em qualquer volume, pois, apesar de alguma história em continuação, todos eles possuem geralmente vários episódios completos onde é possível comprovar o que atrás escrevi.

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro.

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Póster Tex Nuova Ristampa 237

Póster Tex Nuova Ristampa 237

Fantástica ilustração de Claudio Villa, retratando o reencontro, no Canadá, mais precisamente nas proximidades de Forte Saskatchewan, entre Tex Willer e Gros-Jean, o grande amigo de Tex que tinha sido raptado quando trabalhava como guia de uma expedição topográfica encarregue pelo governo canadiano de fazer sondagens nas Montanhas Rochosas para a definição do traçado da Ferrovia Transcanadiana.

Desenho usado no Brasil em Tex Platinum #17 e inspirado na história “Morte sul fiume”, de C. Nizzi e F. Fusco (Tex italiano #343 a #346).
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Texto de José Carlos Francisco

As Leituras do Pedro: J. Kendall – Aventuras de uma Criminóloga #108 – “Amor doentio” e “À margem da vida”

As Leituras do Pedro*

J. Kendall – Aventuras de uma criminóloga #108

.Amor doentio
Berardi e Mantero
(argumento)
Laura Zuccheri
(desenho)

À margem da vida
Berardi e Calza
(argumento)
Enio e Piccioni
(desenho)

Mythos Editora
Brasil, Janeiro/Fevereiro de 2014
135 x 180 mm, 260 p., pb, capa mole, mensal
R$ 19,80 / 9,00 €

Quem leu na altura certa – e continua a ler… – banda desenhada de aventuras, habituou-se a encontrar heróis com adversários eternos como Blake e Mortimer/Olrik, Lefranc/Borg ou – dando um salto aos super-heróis – Homem-Aranha/Dr. Octopus – que atingiu extremos inimagináveis no estimulante arco Homem-Aranha Superior.

Da mesma forma, séries houve em que, pelas suas características intrínsecas, não vemos de todo o protagonista sempre face ao mesmo opositor. Por razões distintas, esse é o caso de dois dos mais carismáticos heróis Bonelli.

Um deles, compreensivelmente, é Tex, pela facilidade com que dispara e manda os adversários para debaixo de terra, em que o único antagonista recorrente – com apenas meia dúzia de confrontos em mais de 60 anos – é o mago Mefisto.

O outro caso, que hoje me interessa, é Julia, onde o tom sério e bastante realista das histórias torna (quase) impossível um adversário regular.

Quase, acrescentei atrás, porque Julia tem na serial killer Myrna Harrod a sua besta negra. Co-protagonista do tríptico inicial das aventuras da criminóloga Julia Kendall, na edição actualmente distribuída em Portugal, Myrna está presente pela terceira vez em mais de 100 edições – distanciamento que cauciona a sua aparição – mais uma vez movida por sentimentos antagónicos de ódio e paixão que tornam forte e credível – e apaixonante – a narrativa.


E, para aqueles que achem excessiva a facilidade com que Julia é atraída pelo “isco” que Myrna preparou, esse é apenas um reflexo da situação de fragilidade – bem humana – em que ela se encontra, perante mais uma encruzilhada com que se depara na sua vida (real).

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro.

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Vídeo: Exposição de Tex Willer em Padova

De 28 de Maio a 29 de Junho o famoso Ranger esteve presente, em Padova, através de pranchas e pinturas originais de Fabio Civitelli e Giovanni Ticci.
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Tex Willer, o granítico Ranger criado por Giovanni Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini, esteve em Padova através de pranchas e pinturas originais de Fabio Civitelli e Giovanni Ticci, integradas por esplêndidas ambientações pintadas a aguarelas por Sergio Tisselli.

A mostra «Tex Willer em Padova. Civitelli, Ticci, Tisselli», esteve aberta ao público de 28 de Maio a 29 de Junho na Galeria Samona’ e prosseguiu a série de exposições dedicadas à banda desenhada que o Departamento Cultural de Padova tem proposto à cidade, graças à colaboração de Filippo Piras com as galerias “Matita e China Art Gallery” e da Little Nemo Art Gallery.


Estiveram expostas, pela primeira vez, cerca de cinquenta obras originais realizadas pelos autores dos livros Il mio Tex, La ballata del West, La cavalcata del morto e Tex Willer – Il romanzo della mia vita do artista aretino Fabio Civitelli e desenhos e aguarelas de Tex l’avventura e i ricordi do sienês Giovanni Ticci. De Tisselli estiveram expostos alguns quadros de grande formato realizados para o portefólio Lampi sul West.

A  mostra tinha como objectivo contar, através de obras de arte em grande parte inéditas, o mundo de Tex Willer e dos seus pards, protagonistas do maior sucesso editorial italiano (1948-2014). Foi uma ocasião única para mostrar ao público algumas maravilhosas obras texianas, que contou no dia 7 de Junho com a presença de alguns dos maiores representantes da banda desenhada italiana, como se pode ver no vídeo que mostramos de seguida:

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