As Leituras do Pedro: J. Kendall – Aventuras de uma Criminóloga #110 – “Eu fiz por você” e “Um homem de outros tempos”

As Leituras do Pedro*

J. Kendall – Aventuras de uma criminóloga #110

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Eu fiz por você

Giancarlo Berardi e Lorenzo Calza
(argumento)
Claudio Piccoli
(desenho)

Um homem de outros tempos
Giancarlo Berardi e Maurizio Mantero
(argumento)
Steve Boraley
(desenho)


Mythos Editora
Brasil, Maio/Junho de 2014
135 x 180 mm, 260 p., pb, capa mole, mensal
R$ 19,80 / 9,00 €

Julia Kendall capturada por um predador sexual e no papel de detective particular são as iguarias oferecidas no menu desta edição, actualmente à venda em Portugal.
São duas variações na continuidade de uma série que merece leitura atenta.

E que servem, para que Berardi – cada vez mais com Calza e Mantero – continue a desenvolver, a aprimorar e a dar consistência ao seu universo e às personagens que para ele criou. A este nível, veja-se, por exemplo, Emily que, muito mais que simples contraponto cómico e válvula de escape para as situações de maior tensão – tem tantas vezes um papel importante e funciona para Julia como âncora e porto de abrigo, face às suas recorrentes inseguranças.

Isso acontece, uma vez mais, no primeiro relato, Eu fiz por você, ainda sob o signo da eventual gravidez da protagonista – quase um ano a abordar o tema, segunda a cronologia da edição original italiana, o que prova o quanto Berardi o valorizava e apostava nele – onde Emily alimenta e potencia esse desejo, tendo uma participação aparentemente marginal mas preponderante em toda a narrativa. Que, em absoluto contraste, aborda uma questão actual, destacada pelas diversas séries televisivas policiais e pela descoberta de casos reais chocantes e tantas vezes de violência extrema.

O que levanta a questão das aparências – patente, embora de forma diversa, em ambos os relatos desta edição – com aquilo que vemos nos outros a não corresponder ao que eles realmente são.

A par delas estão também as múltiplas citações – cinematográficas, literárias, musicais, televisivas… – comuns em Berardi, que enriquecem e tornam mais suculenta cada uma das histórias da criminóloga de Garden City, fazendo delas, por contraditório que o citar ficção possa fazer parecer, histórias mais humanas e reais, mais próximas de nós e da sociedade em que estamos inseridos.

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro.

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Os mais recentes mini-pósteres de Claudio Villa

Por José Carlos Francisco

Uma das rubricas de maior sucesso do blogue português do Tex, desde a sua criação, é a Galeria Tex Nuova Ristampa, rubrica onde reproduzimos, com a devida autorização de Claudio Villa, todos os mini-pósteres de sua autoria, e na devida ordem em que são publicados na Itália, algo inédito e exclusivo em toda a Internet mundial.


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Mini-pósteres esses onde segundo confissão ao nosso blogue, Claudio Villa afirma «Procurei “encontrar” o Tex mais autêntico: a Lenda. Aquele Tex que está no coração de cada leitor desde a primeira história lida e por quem foi “capturado”. E imagem após imagem o retrato de Tex fica cada vez mais claro no papel. Com a convicção de que o leitor que está dentro de mim guia o lápis do desenhador que trabalha.».

Hoje no blogue do Tex vamos apresentar alguns dos últimos mini-pósteres realizados por Claudio Villa, mas não finalizados como costumamos publicar na nossa galeria, mas sim ainda na fase de esboço ou na  na fase da pintura do próprio Villa, mini-pósteres aleatórios que nos mostram uma fase diversa mas ao mesmo tempo mostram a qualidade intrínseca do Maestro Claudio Villa!

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Entrevista com o fã e coleccionador: Ricardo Gouveia

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Ricardo Gouveia: O meu nome é Ricardo Gouveia, nasci no dia 1 de Janeiro de 1976, no Funchal. Vivo desde sempre em Machico, na ilha da Madeira, onde desempenho a minha actividade profissional de Engenheiro Técnico Civil na Câmara Municipal.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Ricardo Gouveia: O meu interesse pela Banda desenhada começou muito cedo, praticamente desde os meus sete anos de idade. Nessa altura costumava passar horas a ler na casa de um grande amigo meu.
O “bichinho” da BD foi crescendo e eu dava por mim a juntar uns trocos para comprar algumas edições que iam surgindo nas bancas. Não havia nada mais empolgante que ter uma edição nova na mão, a cheirar a papel novo, pronta para ser lida.

Quando descobriu Tex?
Ricardo Gouveia: Por engraçado que pareça o Tex foi dos primeiros personagens que comecei a ler, a par da Marvel, da DC Comics, da Disney e da Turma da Mónica, e ainda hoje é aquele que mais me marca e que mais me dá vontade de ler, reler e voltar a ler. Não há nada que se lhe compare!

Porquê esta paixão por Tex?
Ricardo Gouveia: O Tex é um personagem vibrante, um paladino da justiça. Por um lado é implacável para aqueles que ousam passar por cima de tudo e de todos para atingirem os seus objectivos egoístas e por outro é generoso para os que defendem a justiça em todas as suas acções.
Se os valores defendidos pelo Tex fossem uma realidade da nossa sociedade, com certeza que viveríamos num mundo melhor.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Ricardo Gouveia: Muitos personagens aparecem e têm um sucesso efémero, acabando por desaparecer da nossa memória, por vezes injustamente tendo em conta a sua qualidade. Outros vão um pouco mais longe, mas a dado momento acabam por sentir o desgaste do tempo. Os seus argumentistas/desenhadores não conseguem superar défices de imaginação e levar o personagem mais além, acabando por afastar os leitores.
No entanto, o Tex conseguiu, ao longo destes anos todos, manter uma qualidade inegável, se calhar superando as expectativas de muitos, fruto do enorme talento que existe na Casa Bonelli.
Manter a essência de um personagem, que passa pelas mãos de muitos artistas, respeitando o seu passado e abrindo as portas do futuro, cativando novos e graúdos, é um trabalho descomunal que deve ser reconhecido. A sua longevidade deveria certamente servir de estudo para muitas editoras.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Ricardo Gouveia: Presentemente possuo cerca de 100 revistas do Tex, entre edições normais e especiais.
Uma das revistas mais especiais que tenho é a edição com o relançamento da história El Muerto, porque foi uma das primeiras histórias que li e uma das que me ficou gravada na memória. Passei muitos anos à espera de uma oportunidade de obtê-la, até que um dia, para minha felicidade, encontrei-a finalmente à venda numa tabacaria em Bragança (que foi onde tirei o meu curso).

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Ricardo Gouveia: Eu colecciono apenas os livros, principalmente porque adoro ler, isso é o mais importante para mim, mas também porque é muito difícil encontrar na Madeira qualquer produto relacionado com o Tex ou com qualquer outro personagem da Sergio Bonelli Editore.

Qual o objecto Tex que mais gostaria de possuir?
Ricardo Gouveia: Não existe nenhum objecto em especial, mas talvez gostasse de ter uma estatueta para decorar a minha casa ou uma t-shirt também seria bem-vinda (penso que teria uma duração de vida curta devido ao uso que eu lhe iria dar). O que eu gostava mesmo era de possuir as edições mais marcantes da epopeia do Tex, se possível devidamente autografadas pelos seus argumentistas e desenhadores (claro que para algumas dessas edições o meu desejo é irrealista, visto que alguns desses criadores/ artistas já não estão entre nós).

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Ricardo Gouveia: É quase impossível para mim escolher uma história entre todas aquelas que eu já li. Poderia falar, por exemplo, do El Muerto, d’A Flor da Morte, d’O Ídolo de Cristal, do Apache Kid,…são tantas! Penso que a melhor de todas ainda está para vir.
Quando comecei a ler o Tex gostava muito do Aurelio Galleppini e do Lettèri mas com o passar do tempo comecei a apreciar o talento de muitos outros, tais como o Ticci, Nicolò, Fusco e o Civitelli. Hoje em dia aprecio muito o talento de Claudio Villa.
Como argumentista só pode haver uma escolha, o criador de Tex… o grande Giovanni Luigi Bonelli. Embora já não esteja entre nós para mim será sempre o maior de todos.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Ricardo Gouveia: O que mais me agrada no Tex é o enredo complexo, entusiasmante, cheio de personagens marcantes, devidamente complementado com a arte dos maravilhosos artistas da casa Bonelli. Enquanto podemos comparar as histórias de muitos personagens com curtas-metragens, que deixam um sabor a pouco, para mim ler Tex é como ir ao cinema ver um filme de duas horas, que não deixa nenhuma ponta solta, que cumpre com todas as minhas expectativas.
O que menos me agrada ultrapassa o personagem, essencialmente prende-se com a fraca qualidade do papel usado nas revistas (normalmente nas revistas brasileiras), e pelo valor exagerado com que são vendidas no nosso País. No entanto estes factores não me impedem de reconhecer o imenso valor intelectual e artístico contido nas páginas dessas edições.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Ricardo Gouveia: Como já tinha referido anteriormente o Tex, para mim, representa a justiça, é alguém que está sempre presente para defender os oprimidos e os injustiçados. E no fundo é isso que faz do Tex um ícone para os seus leitores, ele é simplesmente a personificação da justiça.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Ricardo Gouveia: Infelizmente não costumava encontrar-me com outros coleccionadores, apenas conversava com alguns amigos, que tal como eu possuem algumas edições, mas agora que pertenço ao Clube Tex Portugal tenho a certeza que essa situação vai mudar.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Ricardo Gouveia: Vejo um futuro muito auspicioso para o Tex e os seus Pards, cheio de aventuras fascinantes, cada vez mais viciantes, que hão-de cativar não só os fãs de sempre mas também futuras gerações.

Prezado pard Ricardo Gouveia, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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Entrevista de Andrea Bonzi: Paolo Eleuteri Serpieri, do erotismo de Druuna ao Ranger

Por Andrea Bonzi*

*UMA IDEIA ADIADA: “Sergio Bonelli disse não à minha história provocatória, agora é o momento!”.

*“O meu Tex? Um duro com os cabelos compridos!”.

“O meu Tex? Jovem, com os cabelos longos e menos politicamente correcto do que é habitual”. Paolo Eleuteri Serpieri é um dos grandes nomes da banda desenhada italiana. Aluno de Renato Guttuso, é conhecido sobretudo pela formosa heroína Druuna, que endoidava nos anos 80 e 90 do século passado. Mas o seu primeiro amor é o Oeste, e depois de uma longa gestação, no próximo dia 17 deste mês de Fevereiro sairá a sua homenagem a Águia da Noite, totalmente realizada por si, no texto e nos desenhos: para a ocasião a Sergio Bonelli Editore inaugurará uma nova colecção anual de volumes cartonados a cores, com histórias mais curtas, intitulada “Tex de autor”.

O Tex de Paolo Eleuteri Serpieri

Serpieri, o seu Ranger é diferente de todos os outros…
“Interessava-me um período histórico em particular, os anos 50 do século XIX e portanto pensei que Tex podia ter uns 24-28 anos, quando habitualmente aparece como um quarentão. Eu fiz apuradas pesquisas históricas e, naquele período, era extremamente difícil encontrar alguém que tivesse o cabelo curto, e por isso alonguei-os. É o Tex que eu sempre ansiei, embora continue a ser o herói de sempre.”

Duro e quase desumano, dada a vingança final. Ele tem um gesto que não revelaremos, mas que não é próprio “de Tex”.
“Talvez sim, mas é impulsionado por uma situação extrema e sabe que para sair dela, deverá agir como um guerreiro.“

Sei que a ideia nasceu há alguns anos atrás, e Sergio Bonelli tinha hesitado…
“(Sergio) Bonelli disse amiúde que gostaria de ver um Tex desenhado por mim e por Moebius. Eu falei-lhe um pouco desta história provocatória, dizendo que o personagem tornou-se politicamente correcto em demasia. Ele ficou perplexo e disse “não se pode fazer“, talvez tivesse razão. Então, infelizmente, faleceu. Na Bonelli deram-me a máxima liberdade criativa, e a história, como se vê pelo final em que comparece um personagem com o seu nome, é dedicada a ele!“

Talvez alguns leitores do autor de Druuna esperassem qualquer nudez a mais…
“Eh, eh (…risos…). Na redacção da Bonelli estavam todos com medo: “Não vá ele desenhar algumas mulheres…” diziam. Há uma personagem feminina, mas com efeito é muito pura.“

Mauro Boselli já tem nas mãos a edição de Serpieri que terá um preço de € 6,90

Os co-protagonistas da história são os índios, povo guerreiro retratado de forma muito crua.
“São os índios americanos a parte da epopeia do Oeste que mais me interessa. Nesta história participa Lua Negra, um comanche malvadíssimo, mas na realidade eu sempre torci por eles.“

Paolo Eleuteri Serpieri

O senhor sempre teve um grande sucesso sobretudo em França, como o explica?
“Não há nenhuma explicação em particular. Eu sempre fiz o que eu gostava. Interessa-me sobretudo a ficção científica, pelo fascínio do desconhecido. Não pensei que o género pudesse agradar mais no estrangeiro do que na Itália, aconteceu simplesmente.“

Iremos rever Druuna?
“Dígamos que sim. Está para sair “Anima”, uma não história por imagens de 66 páginas: a protagonista será uma espécie de Druuna loura e encaracolada, com surpresa final.“

*Entrevista de Andrea Bonzi.
Tradução e adaptação a cargo de José Carlos Francisco
Copyright: © 2105, Andrea Bonzi