Entrevista com o fã e coleccionador: Ricardo Gouveia

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Ricardo Gouveia: O meu nome é Ricardo Gouveia, nasci no dia 1 de Janeiro de 1976, no Funchal. Vivo desde sempre em Machico, na ilha da Madeira, onde desempenho a minha actividade profissional de Engenheiro Técnico Civil na Câmara Municipal.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Ricardo Gouveia: O meu interesse pela Banda desenhada começou muito cedo, praticamente desde os meus sete anos de idade. Nessa altura costumava passar horas a ler na casa de um grande amigo meu.
O “bichinho” da BD foi crescendo e eu dava por mim a juntar uns trocos para comprar algumas edições que iam surgindo nas bancas. Não havia nada mais empolgante que ter uma edição nova na mão, a cheirar a papel novo, pronta para ser lida.

Quando descobriu Tex?
Ricardo Gouveia: Por engraçado que pareça o Tex foi dos primeiros personagens que comecei a ler, a par da Marvel, da DC Comics, da Disney e da Turma da Mónica, e ainda hoje é aquele que mais me marca e que mais me dá vontade de ler, reler e voltar a ler. Não há nada que se lhe compare!

Porquê esta paixão por Tex?
Ricardo Gouveia: O Tex é um personagem vibrante, um paladino da justiça. Por um lado é implacável para aqueles que ousam passar por cima de tudo e de todos para atingirem os seus objectivos egoístas e por outro é generoso para os que defendem a justiça em todas as suas acções.
Se os valores defendidos pelo Tex fossem uma realidade da nossa sociedade, com certeza que viveríamos num mundo melhor.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Ricardo Gouveia: Muitos personagens aparecem e têm um sucesso efémero, acabando por desaparecer da nossa memória, por vezes injustamente tendo em conta a sua qualidade. Outros vão um pouco mais longe, mas a dado momento acabam por sentir o desgaste do tempo. Os seus argumentistas/desenhadores não conseguem superar défices de imaginação e levar o personagem mais além, acabando por afastar os leitores.
No entanto, o Tex conseguiu, ao longo destes anos todos, manter uma qualidade inegável, se calhar superando as expectativas de muitos, fruto do enorme talento que existe na Casa Bonelli.
Manter a essência de um personagem, que passa pelas mãos de muitos artistas, respeitando o seu passado e abrindo as portas do futuro, cativando novos e graúdos, é um trabalho descomunal que deve ser reconhecido. A sua longevidade deveria certamente servir de estudo para muitas editoras.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Ricardo Gouveia: Presentemente possuo cerca de 100 revistas do Tex, entre edições normais e especiais.
Uma das revistas mais especiais que tenho é a edição com o relançamento da história El Muerto, porque foi uma das primeiras histórias que li e uma das que me ficou gravada na memória. Passei muitos anos à espera de uma oportunidade de obtê-la, até que um dia, para minha felicidade, encontrei-a finalmente à venda numa tabacaria em Bragança (que foi onde tirei o meu curso).

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Ricardo Gouveia: Eu colecciono apenas os livros, principalmente porque adoro ler, isso é o mais importante para mim, mas também porque é muito difícil encontrar na Madeira qualquer produto relacionado com o Tex ou com qualquer outro personagem da Sergio Bonelli Editore.

Qual o objecto Tex que mais gostaria de possuir?
Ricardo Gouveia: Não existe nenhum objecto em especial, mas talvez gostasse de ter uma estatueta para decorar a minha casa ou uma t-shirt também seria bem-vinda (penso que teria uma duração de vida curta devido ao uso que eu lhe iria dar). O que eu gostava mesmo era de possuir as edições mais marcantes da epopeia do Tex, se possível devidamente autografadas pelos seus argumentistas e desenhadores (claro que para algumas dessas edições o meu desejo é irrealista, visto que alguns desses criadores/ artistas já não estão entre nós).

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Ricardo Gouveia: É quase impossível para mim escolher uma história entre todas aquelas que eu já li. Poderia falar, por exemplo, do El Muerto, d’A Flor da Morte, d’O Ídolo de Cristal, do Apache Kid,…são tantas! Penso que a melhor de todas ainda está para vir.
Quando comecei a ler o Tex gostava muito do Aurelio Galleppini e do Lettèri mas com o passar do tempo comecei a apreciar o talento de muitos outros, tais como o Ticci, Nicolò, Fusco e o Civitelli. Hoje em dia aprecio muito o talento de Claudio Villa.
Como argumentista só pode haver uma escolha, o criador de Tex… o grande Giovanni Luigi Bonelli. Embora já não esteja entre nós para mim será sempre o maior de todos.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Ricardo Gouveia: O que mais me agrada no Tex é o enredo complexo, entusiasmante, cheio de personagens marcantes, devidamente complementado com a arte dos maravilhosos artistas da casa Bonelli. Enquanto podemos comparar as histórias de muitos personagens com curtas-metragens, que deixam um sabor a pouco, para mim ler Tex é como ir ao cinema ver um filme de duas horas, que não deixa nenhuma ponta solta, que cumpre com todas as minhas expectativas.
O que menos me agrada ultrapassa o personagem, essencialmente prende-se com a fraca qualidade do papel usado nas revistas (normalmente nas revistas brasileiras), e pelo valor exagerado com que são vendidas no nosso País. No entanto estes factores não me impedem de reconhecer o imenso valor intelectual e artístico contido nas páginas dessas edições.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Ricardo Gouveia: Como já tinha referido anteriormente o Tex, para mim, representa a justiça, é alguém que está sempre presente para defender os oprimidos e os injustiçados. E no fundo é isso que faz do Tex um ícone para os seus leitores, ele é simplesmente a personificação da justiça.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Ricardo Gouveia: Infelizmente não costumava encontrar-me com outros coleccionadores, apenas conversava com alguns amigos, que tal como eu possuem algumas edições, mas agora que pertenço ao Clube Tex Portugal tenho a certeza que essa situação vai mudar.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Ricardo Gouveia: Vejo um futuro muito auspicioso para o Tex e os seus Pards, cheio de aventuras fascinantes, cada vez mais viciantes, que hão-de cativar não só os fãs de sempre mas também futuras gerações.

Prezado pard Ricardo Gouveia, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

6 Comentários

  1. Muito obrigado pelas suas palavras amigo Marco!
    Infelizmente não só é difícil encontrar qualquer tipo de banda desenhada como é extremamente cara.
    Temos que aproveitar todas as oportunidades para reunir a malta das ilhas e do continente que é fã do nosso Tex (o nosso Clube Tex Portugal abriu-me uma porta para isso). Em Maio estarei no evento em Anadia!
    Um grande abraço

    Ricardo Gouveia

  2. Bom dia,
    Gostei muito da sua entrevista, fiquei contente por ser da Madeira, digo isto, porque eu sou dos Açores, da ilha de São Miguel.
    Normalmente é sempre entrevistas a leitores e leitoras do continente Português e do Brasil que lemos no blog, e de repente um jovem da Madeira…
    Pois cá nos Açores, não conheço mais algum leitor que lê Tex. Também por cá é muito difícil haver á venda títulos da Editora Mythos e até da Panini é difícil.
    Está de parabéns pela sua entrevista e coleção que está a crescer e tenho a certeza que vai crescer muito mais.
    Muitas felicidades e votos de muito sucesso.
    Um abraço amigo do pard
    Marco Avelar

  3. Grande Ricardo, é um prazer ver esse entusiasmo pelo nosso Tex. Em Maio cá te esperamos para mais um espetacular convívio.

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