Alessandro Bocci, do blogue do Tex para uma aventura do Ranger

Por José Carlos Francisco

Alessandro Bocci é um consagrado desenhador de Dampyr que desenhou inclusive a primeira aventura de Harlan Draka, seu verdadeiro nome, ambientada em Portugal (Dampyr nº 75, “O Esposo da Vampira“) e onde revela um grande rigor, dos cenários até o cão de Vitorino Rocha, um cão dos montes e cuja trama trata das obsessões pessoais de um director de cinema que, por trás de seu trabalho de direcção, esconde a existência secreta de uma vampira, uma sua antiga antepassada e que durante a realização do filme no castelo de Trás-os-Montes o director consegue arrastar toda a trupe a um clima de terror até revelar sua verdadeira intenção: devolver à vida a estirpe vampiresca da sua família e tornar-se ele mesmo um vampiro graças à intervenção da antepassada (que, nesse meio tempo, recuperou suas forças graças ao sangue dos membros da equipa) num plano genial mas que acaba por ser arruinado porque Harlan e Kurjak faziam parte da equipa!

Alessandro Bocci com estudos seus de Tex e Carson

Um dos grandes sonhos de Alessandro Bocci era desenhar Tex, conforme o próprio nos confidenciou em entrevista exclusiva ao nosso blogue: “Desenhar Tex… eu gostaria muito, mas jamais me foi proposto, infelizmente! Eu entendo que desenhar Tex não é simples como parece, é preciso entrar em certos mecanismos gráficos que exigem muita aplicação e atenção, além de boa familiaridade com o género faroeste.” E nessa entrevista Bocci foi mais longe e fez um autêntico apelo à Sergio Bonelli Editore: “Aproveito para lançar um pedido à Bonelli: deixem-me fazer um teste para uma história de Tex!“.

Mauro Boselli, responsável máximo de Tex na actualidade, ao tomar conhecimento deste pedido, aliado ao facto de conhecer bem as qualidades artísticas de Bocci, resolveu dar a oportunidade a Alessandro Bocci convidando-o para fazer um teste, teste esse onde Bocci saiu-se muito bem a ponto de recentemente ter sido convidado para, finalmente, desenhar uma história de Tex, história essa que está a ser escrita por Jacopo Rauch para depois ser publicada numa edição especial que ainda não podemos divulgar.

Página de Alessandro Bocci para Tex

Entretanto Bocci já começou a desenhar essa aventura e damos hoje a conhecer aos nossos leitores uma página (esboçada) do autor para essa história, o que muito orgulha todo o staff do blogue português do Tex, porque com uma pontinha de orgulho constatamos que o blogue do Tex também é uma rampa de lançamento para os profissionais da editora Bonelli chegarem a Tex!

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Votos de boas férias, numa inusitada arte com Kit Carson, de Giancarlo Malagutti

Neste mês de Julho que justamente coincide com férias para muitos no hemisfério norte, o consagrado autor italiano de banda desenhada, Giancarlo Malagutti, resolveu brindar, numa arte rigorosamente exclusiva para o blogue português do Tex, os nossos leitores com um simpático, divertido e de certa forma inusitado desenho do velho camelo Kit Carson a desfrutar de um belo banho (e muito bem acompanhado) numa piscina insuflável em pleno Grande Canyon, aproveitando as temperaturas elevadas e os dias longos deste período, com votos de boas férias para Tex, seus pards e também para todos os nossos leitores que desfrutarão certamente de umas férias neste Verão!

Votos de boas férias, numa arte de Giancarlo Malagutti

GIANCARLO MALAGUTTI é um dos mais conceituados autores italianos, cuja mais recente obra é Mathias, série que aborda as aventuras de duas crianças, Mathias e Anna. Mathias encontra Anna na montanha onde ela vai passar as férias com os avós, e ali começam as aventuras com um toque fantástico. Por enquanto o seu projecto desenvolve-se em 9 edições, aventuras de 44 páginas cada, com histórias auto conclusivas mas que, lidas na ordem (têm um desenvolvimento temporal), dão uma ideia melhor das personagens.

GIANCARLO MALAGUTTI nasceu em Virgilio, Mantova, num dia de Abril de 1955 e define-se como sendo um roteirista que às vezes desenha. Para a Casa Bonelli colaborou no passado em Martin Mystère, depois de um período como publicitário, mas para saber tudo sobre este consagrado autor (inclusive ver fantásticos desenhos relacionados com Tex e o seu mundo) leia a extensa e interessante entrevista que o próprio GIANCARLO MALAGUTTI nos concedeu em exclusivo e que pode ser degustada clicando AQUI.

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Patagónia: A primeira aventura de Tex publicada por uma editora portuguesa, a Polvo Editora

Carlos Gonçalves e a sua apreciação à aventura “Patagónia”, da Polvo

Por Carlos Gonçalves[1]

Olhamos para uma pequena brochura, embora esta edição portuguesa tenha respeitado as dimensões das italianas e tentamos imaginar a abnegação, a tenacidade e o trabalho que nela se encontra contido, para depois de uma leitura, mais ou menos emotiva, ser colocada de lado numa prateleira ou numa gaveta ao abandono e, provavelmente, jamais lida de novo. No entanto, não nos podemos esquecer que às vezes nesse trabalho estão investidas centenas de horas, semanas, meses e às vezes um ano ou dois…

Os traços de Pasquale Frisenda são agressivos e possuem muitos negros, como tal muito mais trabalhosos, mas que ambientam o leitor ao desenrolar da história, criando por isso uma grande empatia entre o público e cada prancha. Página a página é minucioso o trabalho do artista, o planeamento da história e a divisão de cada sequência, tornando-a mais ou menos emotiva e empolgante ao sabor do génio do desenhador e indo de encontro aos desejos do leitor. Tal é bem saliente neste trabalho de Frisenda. As cenas mais emocionantes vão-se ultrapassando umas às outras e o leitor entusiasmado, vai folheando a brochura à sua procura. De episódio em episódio, de vinheta em vinheta, cada uma delas mais cheias de arte, demonstrando que este será um dos desenhadores italianos a fixar o nome no futuro, mais ou menos próximo. Cada página que lemos em escassos segundos, demora por vezes imenso tempo a ser concretizada. Nem sempre o seu planeamento sai bem, há que redesenhar a página ou cortar uma ou outra vinheta menos conseguida, mas o seu autor soube obter um excelente resultado no seu trabalho final.

Numa altura em que o tema do “Western” se encontra quase esquecido, ter a oportunidade de ter acesso a uma história desta importância é gratificante. Estamos numa fase de “Super–heróis” e “Mangás”. Ter novas aventuras de “Tex” e com esta qualidade é de louvar e um caso excepcional de longevidade, mas sem dúvida que tal deve-se à qualidade dos seus argumentistas e desenhadores de tão alto gabarito, que irão ajudar, por certo, a criar novas aventuras por ainda muitos e bons anos.

Terá que haver uma palavra de apreço pelo texto de Mauro Boselli, um argumentista de peso das edições Bonelli e que tem demonstrado possuir, ao longo da sua prolifera carreira, um dom muito especial, ao ser um vasto criador de personagens e de histórias que têm povoado a mente de todos aqueles que sabem apreciar uma boa História aos Quadradinhos de “cow-boys”. Desta vez este escritor conseguiu ultrapassar-se a si próprio em imaginação, pois este é sem dúvida um dos seus melhores trabalhos publicados ultimamente.

Sabemos o quanto é arriscado editar em Portugal, principalmente Banda Desenhada. As edições Polvo/Rui Brito estão pois de parabéns ao tomarem a iniciativa de publicar, pela primeira vez em Portugal, uma aventura de “Tex”. No entanto, pensamos que o arrojo da editora irá por certo recolher os seus frutos, pois trata-se de uma obra muito bem cuidada, bem traduzida e num papel de excelente gramagem, que não envergonha ninguém.

Desde sempre foi nosso o apanágio de ter uma grande admiração pela Escola Italiana, não só no que respeita aos seus desenhadores como argumentistas. Lembrar hoje Mussolini, talvez seja descabido, mas foi durante a sua ditadura em 1938, após a publicação de um manifesto de Marinetti, sobre a Literatura Juvenil, que todas as histórias aos Quadradinhos de origem estrangeira foram proibidas na sua importação, com excepção de “Topolino” (Mickey), por decisão pessoal do Duce (este ditador tinha uma certa atenção pela formação das crianças, para que seguissem as suas doutrinas). Durante a própria II Guerra Mundial o “Topolino” foi extinto também (1941). Os balões foram igualmente proibidos e substituídos pelas legendas didascálicas. A partir daqui cada artista italiano passou a desenhar a continuação das aventuras do “Mandrake”, do “Flash Gordon”, do “Mickey” e outras personagens, cujas histórias se encontravam em plena publicação nas revistas da época. Novas personagens foram criadas e novos “heróis” foram surgindo, como aconteceria com o nosso “Tex”. Ao mesmo tempo uma Escola passou a afirmar-se no Mundo da 9ª Arte, como aconteceria com a franco-belga, a espanhola, a norte–americana, a argentina, a inglesa…

[1] Carlos Gonçalves é um dos maiores especialistas e coleccionadores de banda desenhada em Portugal, sendo inclusive fundador e sócio número 1 do Clube Português de Banda Desenhada, tendo sido galardoado em 2013 com o Troféu de Honra, o prémio máximo do nosso mais representativo Festival de Banda Desenhada, o da Amadora.

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Vídeo: Maurizio Dotti desenha Tex

Prossegue hoje, com Maurizio Dotti, no blogue do Tex a divulgação de vídeos da realização de ilustrações exclusivas de Tex que os autores bonellianos dedicam ao nosso herói, como é o caso deste fantástico Tex realizado pelo desenhador milanês para a Sergio Bonelli Editore.

Maurizio Dotti, após uma longa militância no staff de desenhadores de Zagor e de Dampyr, recentemente pôs-se à disposição do Ranger, estreando-se com a longa história (quatro edições) iniciada no final de 2013 e concluída nos primeiros meses de 2014 (Tex n.637 “El Supremo”, Tex n.638 “Tiratori scelti”, Tex n.639 “Nei bassifondi di San Francisco”, e Tex n.640 “L’isola della nebbia”). O seu próximo compromisso com Tex está previsto para perto do final deste ano numa edição especial.

Para refrescar-vos a memória relativamente à sua versão “dottiana” de Tex, propomos então um vídeo que mostra “ao vivo” como nasce o Tex Willer de Maurizio Dotti:

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