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Entrevista exclusiva: PATRIZIA MANDANICI
Entrevista conduzida por José Carlos Francisco, com a colaboração de Giampiero Belardinelli na formulação das perguntas, de Júlio Schneider (tradutor de Tex para o Brasil) e de Gianni Petino na tradução e revisão e de Bira Dantas na caricatura.
Olá, caríssima Patrizia Mandanici, e bem-vinda ao blogue português de Tex! Você nasceu em Messina, depois mudou-se para Roma, onde estudou no Liceu Artístico e em seguida na Academia de Belas Artes: fale um pouco desse período da sua vida.
Patrizia Mandanici: Eu sempre desenhei, desde quando era pequena. Os meus pais entenderam essa grande paixão e me permitiram fazer estudos artísticos – se bem que, na verdade, nem eu e nem eles imaginávamos qual profissão eu seguiria. Eu não tinha as ideias claras, imaginava de modo vago em ser ilustradora e, apesar de no tempo livre desenhar quadradinhos, não pensava que isso poderia se tornar um trabalho. De facto, depois do liceu artístico, eu frequentei o curso de Cenografia na Academia de Belas Artes, mas entendi que teatro não era para mim. Nesse ínterim, eu aprendia várias técnicas de desenho e acumulava experiência. Concluída a Academia, por sugestão do meu pai eu mudei-me para Milão (eu tinha 26/27 anos) e enviava as minhas ilustrações a várias Editoras (de revistas em geral e de BD, principalmente), com poucos resultados. Um dia alguém sugeriu-me o nome de Marcello Toninelli, desenhador e editor, com quem fiz os meus primeiros trabalhos na área (primeiro arte-final, em seguida traços a lápis, e depois como desenhadora completa).
Os trabalhos com as Editoras Granata Press e Star Comics foram as bases sobre as quais você construiu a sua carreira: fale um pouco disso.
Patrizia Mandanici: Toninelli permitiu-me estrear no mundo da BD ao fazer arte-final em algumas histórias de uma revista chamada Dark. Foi uma experiência breve mas importante, algo que também deu-me confiança em mim mesma, a pensar em um futuro em que ser desenhadora de banda desenhada era possível – sobretudo a fazer um trabalho que me permitisse viver. Também graças a Toninelli eu fui encarregada de fazer a parte gráfica da personagem Ossian da Star Comics, uma série escrita por Martino Barbieri que durou 8 edições. Além das histórias eu também desenhava as capas, e para mim foi uma experiência fundamental, pela primeira vez eu devia manter um ritmo constante, visualizar um mundo e suas personagens, e também foi a primeira vez em que usei um pincel para fazer a arte-final.
Hoje, depois de anos, como você observa aquela época?
Patrizia Mandanici: Muito tempo se passou, eu percebo que desde então dei muitos passos à frente do ponto de vista técnico, mas também é verdade que eu tinha a energia típica da juventude, agora não sei se ainda conseguiria manter aqueles ritmos de trabalho.
Como conheceu Antonio Serra?
Patrizia Mandanici: Também foi graças ao conselho de Toninelli de marcar um encontro na redacção de Serra, que, naquele período, buscava novas desenhadoras para a série Legs Weaver, há pouco nos quiosques. Eu apresentei-me com a minha pasta de desenhos, mas Serra já conhecia o meu Ossian e imaginava que um dia eu lhe faria uma visita! Fiz duas páginas de teste para Legs, que ficaram boas, e assim entrei para a equipa.
A personagem de Legs fez você ser apreciada pelo público: ao rever os seus trabalhos, nota-se o seu envolvimento no projecto. O que lhe agradava de Legs e de seu microcosmo?
Patrizia Mandanici: Da série de Legs Weaver eu gostava do tom desenfreado, de comédia, e da chance que nós, desenhadores, tínhamos de usar um tipo de traço mais gráfico, mais pessoal. Como personagem, o que eu gostava de Legs era o facto de ser sempre um pouco exagerada, a coragem, o facto de ser uma pessoa prática e directa, eu gostava muito das cenas humorísticas e do tipo de amizade que a ligava a May e Nathan.
Na sua opinião, com Legs se podia avançar mais sobre o lado da ironia e da transgressão?
Patrizia Mandanici: Não sei, mas creio que não, já que muitos leitores de Nathan não apreciaram essa ironia.
Mas a ironia foi uma carta vencedora nas séries: você preferia trabalhar com roteiros desse género ou gostava daqueles mais dramáticos?
Patrizia Mandanici: Como eu disse antes, a ironia e o humorismo eram pontos de que eu mais gostava na série, mas também os episódios mais dramáticos combinavam comigo. Por isso, eu creio não ter preferências.
Graças à intensa criatividade de Antonio Serra, você também foi envolvida no projecto Gregory Hunter: foi divertido fazer páginas para aquela personagem?
Patrizia Mandanici: Muito. Gregory Hunter representava aquele tipo de ficção científica que eu apreciava desde menina: aventurosa, irónica, cheia de alienígenas e mundos a explorar!
Depois do encerramento das duas séries, você começou a trabalhar com Nathan Never e com as publicações coligadas, como Universo Alfa. O impacto com o mundo dramático e muitas vezes sombrio de Nathan fez você se sentir meio deslocada?
Patrizia Mandanici: Deslocada, não, mas certamente a passagem foi difícil, especialmente do ponto de vista da composição gráfica: era exigido um traço muito mais realista do que aquele usado para Legs e Gregory Hunter. Eu levei vários anos para melhorar esse aspecto.
Ali você reencontrou Legs: quais diferenças observou ao desenhar a personagem dentro do mundo superpovoado de Nathan Never?
Patrizia Mandanici: No mundo de Nathan o tom torna-se mais sombrio, mais dramático; Legs, apesar de manter uma certa ironia, certamente não pode exagerar muito – e eu devo desenhá-la de maneira mais realista, mas é normal.
Passemos agora ao Ranger que dá nome a este blogue: como aconteceu o seu ingresso na equipa de desenhadores de Tex?
Patrizia Mandanici: Há alguns meses eu estava no estúdio de Antonio Serra a falar do trabalho que estava para terminar (um Nathan Never) e do que eu poderia fazer em seguida. Naquele momento não havia a certeza do que eu desenharia. No estúdio ao lado estava Mauro Boselli, e creio que ele havia falado disso com Serra. Visto que dali a pouco eu estaria livre, ele sugeriu que eu e Serra poderíamos nos ocupar de uma das histórias curtas de um Color Tex, de 32 páginas (n.t.: no Brasil, Tex Edição Especial Colorida). Seria a primeira vez para mim e para Serra, que nunca escreveu para essa personagem.
Como você se sente a trabalhar com o Ranger?
Patrizia Mandanici: Muito emocionada e contente, claro. Em criança, eu comecei a ler as revistas de Topolino (Mickey Mouse), mas logo depois passei a Tex, que foi a minha grande paixão até os 12/13 anos. Eu desenhava pequenas histórias aos quadradinhos, todas de género faroeste, e buscava ideias nas histórias de Tex (e também nos filmes que eu via na TV). Eu recordo-me que ia às lojas de BD para comprar revistas usadas, depois voltava para revender e comprar outras. Eu não era uma coleccionadora, comprava e lia o que encontrava.
Ao desenhar Tex, você encontrou alguma dificuldade?
Patrizia Mandanici: Certamente uma das coisas mais difíceis (por enquanto) é o desenho dos cavalos, mas estou a estudá-los muito com fotos de filmes e outras imagens que acho na Internet. Já para o rosto de Tex, creio que cheguei a um bom ponto depois de muito tempo passado a desenhá-lo. Eu não inspiro-me em um só desenhador em particular, pretendo chegar a desenhá-lo de modo natural, meu.
Teve que modificar o seu estilo habitual?
Patrizia Mandanici: Na verdade, não muito, também porque poderei usar uma técnica da qual ainda não posso falar, creio que será uma surpresa (nada de experimental, não se preocupem!).
Como define graficamente o seu Tex?
Patrizia Mandanici: Clássico contemporâneo – que não sei bem o que significa para os outros, mas eu vejo-o assim, ao menos na minha intenção.
Nos últimos tempos vários desenhadores fizeram uma rápida aparição em Tex e depois voltaram a trabalhar com outras personagens. Para si, o compromisso com Tex é duradouro, ao menos na sua intenção?
Patrizia Mandanici: Eu creio que a minha presença em Tex será temporária, depois eu deverei voltar a desenhar Nathan. Mas é difícil saber o que se fará depois de um ano e meio, eu considero-me uma desenhadora disponível para desenhar onde for preciso.
Quem ou o que é Tex, na sua opinião? O que você gosta mais no Ranger e o que gosta menos?
Patrizia Mandanici: Eu sempre vi Tex como o emblema da busca de justiça, sobretudo a justiça da parte do mais fraco, aquele que não consegue obtê-la em razão dos abusos dos mais fortes. E também a honestidade é uma das coisas de que mais gosto em Tex, além do senso de responsabilidade. Eu tenho algumas dúvidas sobre os meios usados para fazer falar os criminosos (há o risco de abusos, digamos assim), mas nas histórias de Tex são sempre bem claras a culpa e a maldade das pessoas (coisa que na realidade nem sempre é possível).
Para concluir o tema, como vê o futuro de Tex?
Patrizia Mandanici: Eu não sou boa para prever o futuro em geral, menos ainda para as personagens de BD. O mundo tornou-se complicado, é impossível saber se, no futuro, os muitos aficionados de Tex de hoje ainda sustentarão uma personagem que tem uma história tão longa. Eu espero que sim, claro. E também não sei dizer como a série poderá evoluir, não faço ideia!
Quanto tempo leva para desenhar uma página? Você cumpre horários? Como se divide o seu dia entre trabalho, leituras, busca de informações, ócio, vida familiar?
Patrizia Mandanici: Eu não tenho horários fixos, e o tempo que levo em uma página depende de muitas circunstâncias. Posso calcular uma média mensal de umas 12 páginas, mas é só uma média, nem sempre desenho 12, às vezes até menos. Com o tempo eu tornei-me mais lenta. Não tenho dias de folga predefinidos, geralmente trabalho todos os dias, mas às vezes um pouco menos, outras vezes mais, depende dos compromissos com o cão (passeios e outras coisas), as compras do mercado, as visitas médicas (com a idade aumentam os problemas). Momentos de ócio tenho poucos, se não trabalho eu leio (livros e BD), se não leio informo-me na Internet (de um modo geral, tanto para trabalho quanto por interesses pessoais), no tempo livre vejo algumas séries na TV ou levo o cão para passear (o que ao menos me obriga a fazer movimento físico).
Como é a sua técnica de trabalho?
Patrizia Mandanici: Quando trabalho em papel geralmente começo com layouts a lápis em tamanho pequeno, só esboços, que depois aumento na fotocopiadora (tenho uma impressora e scanner A3), faço uma cópia bem definida em outra folha e repasso o lápis, ou então imprimo directamente um desenho a lápis bem definido numa folha A3, em ciano (azul), de modo que os traços de base não sejam vistos na impressão. Por fim, repasso o nanquim com pincéis japoneses recarregáveis e arte-finalizo com canetas de ponta porosa fina. Nesse último caso, eu desenho o lápis mais definido de forma digital, antes de imprimir – há tempos eu uso um programa chamado Manga Studio/Clip Studio Paint (também criei um grupo bastante numeroso no Facebook, junto com Luigi Coppola, outro desenhador bonelliano). Quando desenho em digital (ou seja, quando arte-finalizo em digital) ou faço todo o trabalho com Manga Studio, ou ainda quando desenho a lápis em folhas A4 que depois repasso com o programa, em seguida eu repasso a nanquim e acrescento reticulados e efeitos. Em todo caso, desde que passou a ser exigido mandar à redacção as páginas já digitalizadas em arquivo, sempre há uma passagem no computador. Mesmo que as páginas sejam feitas em papel, com a passagem pelo computador há a possibilidade de corrigir algum erro ou acrescentar alguma coisa.
Há alguma outra série bonelliana com a qual você não trabalhou e que gostaria de ilustrar? Caso positivo, qual seria e porque?
Patrizia Mandanici: Não tenho uma preferência particular, por vários motivos eu gostaria de tentar com todas as séries, mas se devo mencionar duas personagens, eu diria Dylan Dog (com quem eu poderia adaptar o meu estilo) e Dragonero (eu gosto de ambientações no estilo fantasia).
A BD da SBE sempre foi o seu objectivo ou você gostaria de ter feito a chamada BD de autor, como Pratt, Battaglia, Toppi, Manara?
Patrizia Mandanici: Não me considero uma autora (ao menos não com a experiência e qualidade necessárias), mas se encontrasse um roteirista com gostos semelhantes aos meus e uma certa afinidade, eu também gostaria de desenhar BD de outro tipo. Mas de um modo geral eu não faço distinção entre BD popular e de autor, eu gosto de desenhar qualquer coisa, desde que seja bastante estimulante.
Quais são os seus projectos imediatos?
Patrizia Mandanici: Estou a trabalhar em uma edição de uma nova série bonelliana (e, pela primeira vez, também estou a colorir as minhas páginas), depois deverei concluir a história de Tex de Serra e, por fim, deverei terminar uma edição de Nathan Never que eu tive que interromper para dar precedência aos trabalhos que mencionei.
Quais BDs você lê actualmente?
Patrizia Mandanici: Eu sou muito irregular nas minhas leituras. Acompanho vários títulos Bonelli (mas não todos porque não dá tempo), entre os quais Tex, Dragonero, Dylan Dog, Orfani. Também leio alguns mangás como Yawara!, Real, I Am a Hero e outros. Compro tudo o que sai de Adrian Tomine, Daniel Clowes, acompanho Saga, a reedição de The Walking Dead em branco e preto, e outras novidades que me chamam a atenção.
Além de quadradinhos, o que você lê? E quais são as suas preferências no campo do cinema e da música?
Patrizia Mandanici: Eu gosto muito de ensaios, gosto menos de narrativa (mas leio livros de ficção científica, quando posso): os assuntos preferidos são História, Ciência, algumas coisas de actualidade. Ao cinema eu vou muito pouco, principalmente nos últimos anos, e prefiro ficção científica. Mas acompanho muitas séries de TV e, nesse caso, vejo de vários géneros, desde que tenham qualidade (e sou assinante de Netflix). Música eu escuto muito pouco, e geralmente volto a ouvir aquela dos anos Oitenta (época em que eu ouvia bem mais). Prefiro ouvir rádio ou podcast, mas programas em que se fala de alguma coisa – actualidades, ciência, cultura, história, tecnologia.
Bem, chegamos a fim. Você gostaria de dizer algo mais? Algo que não lhe foi perguntado e que gostaria que os nossos leitores soubessem?
Patrizia Mandanici: Não sei, talvez acrescentar alguma coisa sobre o desenho digital, sobre o facto de que não substituirá o desenho tradicional em papel mas que conviverá com ele (ao menos para alguns desenhadores), que não se deve temer as novas tecnologias mas sim aprender a conhecê-las e usá-las para as nossas necessidades. Para mim a BD é feita de histórias, ritmo, desenhos; não é importante como o desenhador o desenha, mas sim o resultado final. Eu espero que o meu Tex agrade à maioria dos leitores e dos aficionados. Um grande abraço a todos os amigos portugueses!
Caríssima Patrizia, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
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Intervista esclusiva: PATRIZIA MANDANICI
Intervista condotta da José Carlos Francisco, con la collaborazione di Giampiero Belardinelli per la formulazione delle domande, di Júlio Schneider (traduttore di Tex per il Brasile) e di Gianni Petino per le traduzioni e le revisioni e di Bira Dantas per la caricatura.
Ciao carissima Patrizia Mandanici, e benvenuta sul blog portoghese di Tex! Sei nata a Messina, poi ti trasferisci a Roma dove studi al liceo artistico e in seguito all’Accademia di Belle Arti: raccontaci questo scorcio della tua vita.
Patrizia Mandanici: Ho sempre disegnato, fin da quando ero piccola. I miei genitori hanno compreso questa grande passione e mi hanno permesso di fare studi artistici – anche se a dire la verità né io né loro immaginavamo che lavoro avrei fatto un giorno per vivere. Non avevo le idee chiare, immaginavo in maniera vaga di fare l’illustratrice; anche se nel tempo libero disegnavo fumetti non pensavo che sarebbe potuto diventare un lavoro. Infatti dopo il liceo artistico ho frequentato il corso di Scenografia all’Accademia di Belle Arti, ma ho capito che il teatro non faceva per me. Intanto però imparavo varie tecniche di disegno e accumulavo esperienza. Terminata l’Accademia su suggerimento di mio padre mi trasferivo a Milano (avevo 26/27 anni) e spedivo le mie illustrazioni a varie case editrici (di riviste e giornali, più che altro), con scarsa fortuna. Un giorno qualcuno mi ha indicato il nome di Marcello Toninelli, fumettista ed editor, che mi ha fatto esordire come fumettista con i primi lavori (come inchiostratrice, poi matitista, poi come disegnatrice completa).
Le collaborazioni con le Case editrici Granata Press e Star Comics sono state le fondamenta da cui hai costruito la tua carriera: parlaci di quei lavori.
Patrizia Mandanici: Toninelli mi ha fatto esordire nel mondo del fumetto facendomi inchiostrare alcune storie di una rivista che si chiamava “Dark”. È stata un’esperienza breve ma importante, qualcosa che mi ha dato anche fiducia in me stessa, pensare a un futuro dove fare la fumettista era possibile – soprattutto farne un lavoro che mi permettesse di vivere. Sempre grazie a Toninelli mi veniva affidata la parte grafica del personaggio “Ossian” della Star Comics, una serie scritta da Martino Barbieri ed uscita per 8 numeri. Oltre alle storie disegnavo anche le copertine, per me è stata un’esperienza fondamentale, per la prima volta dovevo tenere un ritmo costante, visualizzare un mondo e dei personaggi, e ho anche usato per la prima volta il pennello per inchiostrare.
Oggi, a distanza di anni, con quale sguardo rivedi quel periodo?
Patrizia Mandanici: È passato tanto tempo, mi rendo conto che da allora ho fatto tanti passi in avanti dal punto di vista tecnico, ma è anche vero che avevo le energie tipiche della gioventù, adesso non so se riuscirei più a mantenere quei ritmi di lavoro.
Come hai conosciuto Antonio Serra?
Patrizia Mandanici: Sempre grazie al consiglio di Toninelli di prendere un appuntamento presso la redazione di Serra, che in quel periodo cercava nuove disegnatrici per la serie Legs Weaver da poco in edicola. Sono andata con la mia cartella di disegni, ma Serra conosceva già il mio “Ossian” e pensava che prima o poi sarei passata da lui! Ho realizzato un paio di tavole di prova per Legs, che andarono bene, e così sono stata presa nello staff.
Il personaggio di Legs ti ha fatto apprezzare dal grosso pubblico: rivedendo i tuoi lavori si nota il tuo coinvolgimento nel progetto. Cosa ti piaceva di Legs e del suo microcosmo?
Patrizia Mandanici: Della testata “Legs Weaver” mi piaceva il tono scanzonato, da commedia, e la possibilità per noi disegnatori di usare un tipo di segno più grafico, più personale. Come personaggio mi piaceva di Legs l’essere sempre un po’ sopra le righe, il coraggio, l’essere una persona pratica e diretta; mi piacevano molto le scene umoristiche e il tipo di amicizia che la legava a May e Nathan.
Ritieni che con Legs si poteva spingere di più sul lato dell’ironia e della trasgressione?
Patrizia Mandanici: Non lo so, ma ne dubito dato che molti lettori di Nathan alla fine non hanno apprezzato questa ironia.
Però l’ironia è stata una carta vincente delle serie: preferivi lavorare su sceneggiature del genere, oppure prediligevi quelle più drammatiche?
Patrizia Mandanici: Come detto prima, l’ironia e l’umorismo erano una delle cose che più apprezzavo nella serie, ma anche gli episodi più drammatici erano nelle mie corde, per cui alla fine non credo di avere preferenze.
Grazie all’intensa creatività di Antonio Serra sei stata coinvolta anche nel progetto Gregory Hunter: ti sei divertita nel realizzare tavole per quel personaggio?
Patrizia Mandanici: Molto, Gregory Hunter rappresentava quel tipo di fantascienza che ho amato da ragazzina, quella avventurosa, ironica, con tanti alieni e mondi da esplorare!
Dopo la chiusura delle due testate hai iniziato la tua collaborazione con Nathan Never e le pubblicazioni collegate come Universo Alfa. L’impatto con il mondo drammatico e spesso cupo di Nathan ti ha spiazzata?
Patrizia Mandanici: Spiazzata no, ma certamente il passaggio è stato difficile, specialmente dal punto di vista della resa grafica: mi veniva richiesto un segno molto più realistico di quello usato per Legs e Gregory Hunter. Ho impiegato diversi anni per migliorare questo aspetto.
Anche lì hai ritrovato Legs: quali differenze hai riscontrato nel tratteggiare il personaggio all’interno dell’affollato mondo di Nathan Never?
Patrizia Mandanici: Nel mondo di Nathan il tono diventa per forza di cose più cupo, più drammatico; Legs, nonostante mantenga una certa ironia, certamente non può esagerare molto – e io devo disegnarla in maniera più realistica, ma è normale.
Passiamo adesso al Ranger che dà nome a questo blog: vuoi raccontarci com’è avvenuto il tuo arruolamento nello staff dei disegnatori di Tex?
Patrizia Mandanici: Qualche mese fa ero nello studio di Antonio Serra a parlare del lavoro che stavo per terminare (un Nathan Never), e di quello che avrei potuto fare dopo. In quel momento non c’era certezza di cosa avrei potuto disegnare. Lì vicino c’era Mauro Boselli, che ha il suo studio accanto, e credo che abbia discusso di questo con Serra. Dato che a breve sarei stata “libera”, ha proposto che io e Serra potessimo impegnarci su una delle storie brevi di un Color Tex (32 pagine). Sarebbe stata una prima volta sia per me che per Serra, che non ha mai scritto per questo personaggio.
Come ti senti a misurarti con il Ranger?
Patrizia Mandanici: Molto emozionata, e contenta naturalmente. Dovete sapere che da bambina ho iniziato a leggere i fumetti di Topolino, ma subito dopo sono passata a Tex, che è stata la mia grande passione fino ai 12-13 anni. Disegnavo le mie storielline a fumetti tutte di genere western, prendendo spunto dalle storie di Tex (e anche dai film che guardavo alla tv). Ricordo che andavo in fumetteria per comprare gli albi usati, poi tornavo lì per rivenderli e comprarne altri. Non ero una collezionista, compravo e leggevo quello che trovavo!
Nel disegnare Tex, che tipo di difficoltà hai incontrato, se ne hai incontrate?
Patrizia Mandanici: Certamente una delle cose più difficili (per adesso) è il disegno dei cavalli, ma sto cercando di studiarli molto prendendo ad esempio tante foto prese da film e altro che trovo in rete. Con il volto di Tex invece penso di essere arrivata a buon punto dopo diverso tempo passato a disegnarlo. Non mi ispiro a un solo disegnatore in particolare, vorrei arrivare a disegnarlo in maniera naturale, “mia”.
Hai dovuto modificare il tuo solito stile, oppure no?
Patrizia Mandanici: In realtà non molto, anche perché potrò usare una tecnica di cui non posso parlare adesso, sarà una sorpresa credo (niente di sperimentale, non vi preoccupate!).
Come definisci graficamente il tuo Tex?
Patrizia Mandanici: Classico contemporaneo – che non so bene cosa significhi per gli altri, ma io lo vedo un po’ così, almeno lo spero.
Negli ultimi tempi diversi disegnatori hanno fatto solo una veloce comparsata su Tex e poi sono tornati a lavorare su altri personaggi. Quello su Tex è per te un impegno duraturo, almeno nelle tue intenzioni?
Patrizia Mandanici: Credo che la mia presenza su Tex sarà temporanea, poi dovrei tornare a disegnare su Nathan. Comunque è difficile sapere cosa si farà dopo un anno e mezzo, mi ritengo una disegnatrice disponibile a disegnare dove ce n’è bisogno.
Chi o cosa è Tex secondo te? Cosa ti piace di più nel Ranger e cosa di meno?
Patrizia Mandanici: Ho sempre visto Tex come l’emblema della ricerca di giustizia, soprattutto della giustizia dalla parte del più debole, per chi non riesce ad averne a causa dei soprusi dei “più forti”. L’onestà poi è una delle cose che amo di più in Tex, e il senso di responsabilità. Ho qualche dubbio sui mezzi usati per “far parlare” più in fretta i criminali (c’è il rischio di abusi, per così dire), ma nelle storie di Tex è sempre ben chiara la colpevolezza e la cattiveria delle persone (cosa che nella realtà non è sempre possibile).
Per concludere il tema, come vedi il futuro di Tex?
Patrizia Mandanici: Non sono brava a predire il futuro in generale, meno che mai per i personaggi a fumetti. Il mondo è diventato complicato, impossibile sapere se i tanti appassionati di Tex che ci sono adesso ci saranno ancora in futuro a sostenere un personaggio dalla storia così lunga. Io me lo auguro, naturalmente. Non so neanche dire come potrebbe evolvere la testata, non ho idea!
Quanto tempo impieghi per disegnare una tavola? Hai degli orari? Come si articola una tua giornata tipo fra lavoro, letture, tenerti informato, ozio, vita familiare?
Patrizia Mandanici: Non ho orari fissi, e il tempo che impiego per una tavola dipende da tante circostanze; posso calcolare una media mensile, di circa 12 tavole, ma appunto è una media, non sempre ne disegno 12, qualche volta anche meno. Col tempo sono diventata più lenta. Non ho giorni di riposo prefissati, quindi generalmente lavoro tutti i giorni, ma a volte molto poco, altre di più, dipende dagli impegni con il cane (le passeggiate, ma non solo), il fare la spesa, le visite di controllo negli ambulatori (con l’età aumentano gli acciacchi). Ozio davvero poco, se non lavoro leggo (libri e fumetti), se non leggo mi informo su internet (in generale, sia per lavoro sia per interessi personali), nel tempo libero guardo qualche serie tv, oppure porto fuori il cane (che almeno mi obbliga a fare del movimento fisico).
Puoi esporci la tua tecnica di lavoro?
Patrizia Mandanici: Quando lavoro su carta in genere disegno prima dei layout a matita in formato piccolo, dei bozzetti; poi o li ingrandisco tramite fotocopiatrice (ho una stampante / scanner A3), li ricopio alla buona su carta e definisco bene la matita, oppure stampo direttamente una matita più definita su fogli A3, in cyan, in maniera che non si veda nulla in stampa; infine ripasso a china con dei pennelli ricaricabili giapponesi e rifinisco con pennarelli sottili graduati. In quest’ultimo caso la matita più definita la disegno in digitale prima di stamparla, da tempo uso un programma che si chiama Manga Studio/Clip Studio Paint (ho anche fondato un gruppo molto numeroso su Facebook, assieme a Luigi Coppola, altro disegnatore bonelliano). Quando disegno in digitale (ovvero quando inchiostro in digitale) o realizzo tutto il lavoro con Manga Studio, oppure disegno delle matite su fogli A4 che poi riporto nel pc e nel programma, infine realizzo l’inchiostrazione e aggiungo retini ed effetti. In ogni caso c’è sempre un passaggio al computer da quando in redazione bisogna portare la tavole già scansionate in formato file; anche se le tavole sono realizzate su carta con il passaggio al pc c’è la possibilità di correggere qualche errore o aggiungere qualcosa.
Esiste un’altra testata bonelliana, per la quale non hai mai lavorato, e che ti piacerebbe tantissimo disegnare? In caso positivo, puoi dirci quale sarebbe e perché?
Patrizia Mandanici: Non ho una preferenza particolare, per motivi diversi mi piacerebbe provare un po’ con tutte le testate, se dovessi menzionare un paio di personaggi direi Dylan Dog (su cui potrei adattare il mio segno) e anche Dragonero (mi piacciono le ambientazioni fantasy).
Il fumetto della SBE è sempre stato il tuo obiettivo oppure avresti preferito fare il cosiddetto fumetto d’autore come Pratt, Battaglia, Toppi, Manara?
Patrizia Mandanici: Non mi ritengo un’autrice (perlomeno non con il respiro lungo e le qualità necessarie), però se avessi trovato uno sceneggiatore con i gusti simili ai miei e una certa affinità mi sarebbe piaciuto anche disegnare fumetti di altro tipo. In generale però non faccio molte distinzioni tra fumetto popolare e d’autore, mi piace disegnare qualsiasi cosa purché abbastanza stimolante.
Quali sono i tuoi progetti immediati?
Patrizia Mandanici: Sto lavorando a un albo di una nuova serie bonelliana (e per la prima volta sto anche colorando le mie tavole), poi dovrò finire la storia di Tex di Serra e infine dovrei terminare un albo di Nathan Never che ho dovuto interrompere per dare la precedenza ai lavori prima menzionati.
Quali fumetti leggi attualmente?
Patrizia Mandanici: Sono molto irregolare nelle mie letture; seguo diverse testate della Bonelli (ma non tutte perché non avrei il tempo!) tra cui Tex, Dragonero, Dylan Dog, Orfani. Poi leggo qualche manga come Yawara!, Real, I am a hero, e altri. Compro tutto quello che esce di Adrian Tomine, Daniel Clowes, seguo Saga, la ristampa di The Walking Dead in bianco e nero, e altre novità che mi incuriosiscono.
Oltre ai fumetti, quale tipo di libri leggi? E quali sono le tue preferenze nel campo del cinema e della musica?
Patrizia Mandanici: Mi piace molto la saggistica, meno la narrativa (ma leggo quando posso libri di fantascienza): gli argomenti preferiti sono la storia, la scienza, alcune cose di attualità. Al cinema vado molto poco, specie negli ultimi anni, e prediligo la fantascienza; invece seguo molte serie tv e in quel caso ne vedo di diversi generi, purché di qualità (ho anche l’abbonamento a Netflix). La musica l’ascolto molto poco, e in genere torno ad ascoltare quella degli anni ottanta (epoca in cui ne ascoltavo molta di più). Preferisco ascoltare la radio o i podcast, ma di trasmissioni in cui si parla di qualcosa – attualità, scienza, cultura, storia, tecnologia.
Bene, noi avremmo finito. C’è ancora qualcosa che vorresti dire? Qualcosa che non ti è stato chiesto e che avresti assolutamente voluto far sapere ai nostri lettori?
Patrizia Mandanici: Non saprei, forse vorrei aggiungere qualcosa sul disegno digitale, sul fatto che non sostituirà il disegno tradizionale su carta ma lo affiancherà (almeno per alcuni disegnatori), che non bisogna aver paura delle nuove tecnologie ma che bisogna imparare a conoscerle e usarle per le nostre necessità. Per me il fumetto è fatto di storie, ritmo, disegni; non importa come il disegnatore lo ha disegnato, importa il risultato finale. Spero che il mio Tex possa piacere alla maggior parte dei lettori e degli appassionati, un caro saluto a tutti gli amici portoghesi.
Carissima Patrizia, ti ringraziamo moltissimo per l’intervista che ci hai così gentilmente concesso.
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Um brinde a Tex Willer de olho no futuro!
Por Adriano Rainho [1]
* Os 45 anos da publicação sem interrupção de Tex nas bancas e discussão sobre o seu futuro editorial no Brasil.
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Tex é publicado no Brasil, sem interrupções, todos os meses, desde o mês de Fevereiro do ano de 1971, por quatro editoras diferentes: Vecchi, RGE, Globo e Mythos.
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Trata-se de um fenómeno editorial, sem dúvidas, além de ser o meu grande herói dos quadradinhos.
É de carne e osso como nós – ele não tem super poderes – mas sempre está lutando pela justiça em suas aventuras no Velho Oeste Americano!
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O número 1 tem como história O Signo da Serpente e veio com um brinde – um arco e flecha de brinquedo. Nos números 1 ao nº 37 – O Temível Coiote Negro as revistas apresentavam formato italiano, 14cm de largura x 20,5 de altura; a partir do nº 38 o tamanho da revista mudou para 13,5 cm de largura x 17,7 cm de altura.
A colecção principal de Tex – eu costumo chamar de 1ª edição – inicialmente não seguiu a ordem cronológica italiana. A editora Vecchi, primeira a editar Tex, como estratégia de vendas publicou somente histórias completas em cada revista, do nº 1 até o nº 39. Somente a partir do nº 40 começou a publicar histórias continuadas em dois ou três números:
40 – O Bruxo Mouro
41 – O Mistério das pedras Venenosas
42 – A Caverna do Vale dos Gigantes
Desta aventura continuada publicada em três revistas surgiu o único filme de Tex para o cinema no ano de 1985: Tex Willer e Os Senhores do Abismo na Itália, tendo como actor protagonista o famoso Giuliano Gemma interpretando Tex. Lançado no Brasil primeiramente em VHS pela F J Lucas Vídeo.
E depois em DVD pela Classic Line.
Nas revistas nº 78 de Agosto de 1977 com a história Espectros e na nº 160 de Janeiro de 1983 com a história O Vale da Morte, publicadas pela editora Vecchi, vieram encartados de brinde um póster super especial.
A editora Vecchi foi quem publicou Tex até meados do ano de 1983 – desde o nº 1 até o nº 164 – Selva Cruel. Em Outubro de 1983 a editora RGE (Rio Gráfica) manteve a numeração e lançou Tex-165 – O Rosto do Traidor.
Publicando Tex até Dezembro de 1986 com o nº 206 – Fuga de Anderville. Em Janeiro de 1987 Tex passa a ser publicado pela editora Globo com o nº 207 – O Hotel dos Fantasmas.
Permanecendo nesta editora até Dezembro de 1998 com o Tex nº 350 – A Bomba Humana. A nova fase com a editora Mythos se iniciou no nº 351 – O Bando dos Irlandeses de Janeiro de 1999 e segue até os dias de hoje com o nº 562 – Caravana dos Bravos de Agosto de 2016.
A colecção de Tex teve uma segunda edição que se iniciou em Abril de 1977 com o nº 1. Foram ao todo 150 números de Tex que vão dos nºs 1 ao 149. A diferença ocorre porque enquanto Tex-094 da 1ª edição trouxe uma aventura completa com o título Pacto de Sangue, a segunda edição trouxe Tex 094 – Pacto de Sangue e Tex 094A – A Vingança de Águia da Noite, ou seja, a mesma aventura dividida em dois números.
A 2ª edição de Tex foi publicada por três editoras: Vecchi (dos nºs 1 ao 94), Rio Gráfica (dos nºs 94A a 134) e Globo (dos nºs 135 ao 149).
A primeira e autêntica aparição de Tex no Brasil ocorreu na revista Júnior nº 28 (que circulou em 25 de Fevereiro de 1951), quando o ranger recebeu o nome de Texas Kid, editado na época pela Rio Gráfica e Editora. Importante destacar que até o nº 27 a revista Júnior publicava outras personagens.
Tex foi a única personagem publicado na revista Júnior até a edição nº 263 (Julho de 1957) em histórias continuadas. Na ordem cronológica e no mesmo formato “uma tira” (talão de cheque) que era publicado na Itália até o nº 177.
E depois em formato um pouco maior em duas tiras até o nº 263. A partir do nº 264 a revista Júnior passou a publicar histórias completas de outras personagens até o seu final, no nº 277.
Na época da editora Vecchi foi publicada uma edição especial de luxo no formato gigante com capa dura no ano de 1980 com o seguinte título: O Ídolo de Cristal.
Nos início dos anos 80 a editora Vecchi lançou uma nova colecção aproveitando o sucesso que Tex fazia na época com o nome de Histórias do Faroeste. Uma curiosidade foi que esta colecção chegou a ter dois números 22 no mês de Setembro de 1981, um normal e definitivo com a capa com a história Welcome to Springville e depois, com o tempo, ficou-se sabendo que chegou a ser editado antes ¨um outro número 22¨ tendo como capa a primeira aventura de Tex contendo a primeira história publicada na Itália que nunca chegou as bancas naquele mês, – diz a lenda que a editora Bonelli não permitia publicar Tex em uma revista que não fosse somente de Tex e a editora Vecchi foi obrigada a destruir todos os números produzidos, mas o editor da época pegou um punhado destas revistas que conseguiu juntar nas mãos antes e guardou para ele, hoje raríssimas, que estão nas mãos de alguns poucos coleccionadores sortudos – eu sou um deles… rsss.
Outra grande publicação foi o álbum de figurinhas de Tex editado em 1981, que faz parte da colecção livros de ouro da juventude da editora Vecchi – nº 52, sendo uma réplica do mesmo álbum que tinha sido publicado na Itália anteriormente.
A coleção de Tex 1ª edição ou “normal” como outros coleccionadores costumam dizer já comemorou 100, 200, 300, 400, 500 números. Que venha o nº 600!
Nº 300 – Oklahoma publicado pela editora Globo – veio de brinde um adesivo (autocolante) especial.
No nº 400 veio de brinde um livreto com as 400 capas de Tex.
No nº 500 veio de brinde um livreto com as 500 capas de Tex.
Enfim podemos garantir o quanto foi maravilhosa esta trajectória editorial de Tex Brasil até agora, mas a importante discussão actual é:
O futuro de Tex Willer e outras personagens Bonelli no Brasil
Nos dias 30 e 31 de Março e 01 de Abril de 2016 aqui mesmo no conceituado blogue português de Tex coordenado pelo pard José Carlos Francisco, o nosso querido pard Zeca, o editor da Mythos Editora, Dorival Vitor Lopes fez um comunicado importante e em seguida alguns comentários sobre a continuidade das publicações das personagens Bonelli no Brasil:
– Primeiramente deixou claro para nós leitores que a crise económica e política pela qual o nosso país está atravessando está afectando directamente nos custos de todas as matérias primas e custos fixos utilizados para edição das revistas até o momento em que são publicadas e distribuídas no país.
– Em segundo lugar com o custo de vida cada vez mais alto os leitores estão cada vez mais sem poder aquisitivo para adquirir os vários títulos que a editora publica, sendo que para segurar o aumento de preços existe o risco do cancelamento da publicação de algumas colecções.
– E também o aumento dos royalties pagos à Editora Bonelli que são feitos em euros.
Ao final do comunicado, Dorival comunica que no momento existem três opções:
– Podemos fazer só revistas de luxo, em tiragens pequenas, para aqueles poucos que têm condições de adquiri-las.
– Podemos ficar só com Tex Mensal e mais dois ou três títulos Tex que não dão prejuízo.
– Podemos partir para as publicações on demand.
Mas logo em seguida tranquilizou a todos nós pelo menos em curto prazo dizendo que para este ano, pelo menos, nada deverá mudar na nossa grade de publicações – a não ser que haja uma catástrofe no Brasil, o que não acontecerá.
Sendo assim, achei muito importante esta comunicação por parte da editora antes que no futuro o barco possa naufragar, demonstrando uma abertura nas discussões. Até hoje sempre senti que existia uma barreira entre nós leitores para com a editora, mas mesmo com algumas falhas da Mythos Editora no decorrer dos anos, devemos hoje agradecer e muito, por ela manter Tex e as outras personagens Bonelli vivas aqui no Brasil através de muitas colecções diferentes, a meu ver com uma qualidade de edição superior às três editoras que publicaram Tex e outras personagens Bonelli antes dela.
No meu ponto de vista, o mais importante é que estando a par desta situação, podemos juntos, com visões e pontos de vista diferentes, as partes interessadas editora, leitores e coleccionadores Bonelli e de quadradinhos em geral, encontrar e discutir soluções para todos os problemas existentes. Lógico que não existe uma fórmula mágica, mas com várias cabeças pensando e com as mãos na massa, não ficando apenas nas teorias, podemos traçar um caminho com várias estratégias diferenciadas.
Proponho então o seguinte ao Editor Dorival Vitor Lopes: uma reunião na sede da editora Mythos, em uma data e horário marcados previamente e com antecedência, com todos aqueles que realmente queiram contribuir com suas ideias individuais e colectivas. Logicamente quem for participar desta reunião deve confirmar com antecedência a sua participação. Tenho certeza que desta reunião irão surgir novas luzes no final do túnel!
Eu, Adriano Rodrigues Rainho, no meu site www.gibitecabrasil.com.br, ou através do contato por email contato@gibitecabrasil.com.br, peço também que o pard GG Carsan nos seus grupos de discussão criados no Facebook, Jessé Bico de Pena através do Clube Tex e Zagor Brasil, José Carlos Francisco no blogue português de Tex, Portal TexBR, além de outros amantes dos quadradinhos através das suas redes sociais, fazer este chamado para todos aqueles que desejam participar desta reunião e quem não puder comparecer pessoalmente que participe enviando as suas ideias e também as suas contribuições individuais através destes canais de comunicação acima mencionados que iremos colocar tudo em pauta para análise e discussão.
Como apaixonado pelas aventuras de meu Herói Tex Willer e de outras personagens Bonelli e querendo continuar a ler as aventuras destas personagens dos quadradinhos por muitos anos, tenho o dever de arregaçar as mangas e conto com todos que queiram colaborar para que esta ou outra proposta vinda de outra pessoa siga em frente.
Aguardo a resposta deste chamado primeiramente do Editor Dorival Vitor Lopes confirmando se aceita criar e agendar esta reunião e em caso afirmativo da sua parte, espero o contacto de todos aqueles que queiram participar para iniciar a divulgação em todos os meios de comunicação possíveis.
Viva Tex Willer, seus pards e todas as personagens Bonelli. Tenho certeza que Gian Luigi Bonelli e Sergio Bonelli estarão lá no céu nos dando aquela força para que mais 45 anos no mínimo as personagens Bonelli continuem a ser publicadas aqui no Brasil, a segunda casa de Tex no mundo, depois somente da Itália, onde ele é considerado um mito!!!!
Prezo a amizade, a honestidade e o senso de justiça entre as pessoas!!!
Aprendi com meu herói dos quadrinhos Tex Willer!
(Adriano Rainho)
[1] (Texto publicado originalmente no Site “Colecionadores de HQs“, em 1 de Setembro de 2016)
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As Leituras do Pedro: Tex – O herói e a lenda
As Leituras do Pedro*
“No Oeste, se a lenda se encontra com a realidade, vence a lenda.”
In The Man Who Shot Liberty Valance, de John Ford
A questão é (cada vez mais) recorrente (nos tempos actuais): a sucessiva retoma de heróis por outros autores desvirtua-os ou torna-os maiores? A resposta será sempre dúbia – e depende muito do maior ou menor apego de cada um ao herói em causa – mas, no caso de O herói e a lenda, a contribuição de Serpieri para o universo ‘texiano’ fez jus à frase que abre este texto; contribui para ampliar a verdadeira lenda dos quadradinhos que Tex já é.
Como sempre, entrei nesta leitura de pé atrás. Já sabia que não ia ter mulheres voluptuosas, sensuais e pouco vestidas à imagem – limitativa – da imagem de marca do criador de Druuna – ainda é (muito) cedo para isso em Tex – mas também não sabia o que ia encontrar.
Entre críticas entusiásticas e outras arrasadoras, dispus-me a julgar por mim o regresso de Serpieri a um género que já conhecia bem e que durante anos cultivou. Em O herói e a lenda, o autor italiano fez de um envelhecido Kit Carson o narrador de uma aventura da juventude de Tex Willer, proporcionando-nos ao mesmo tempo o primeiro encontro entre os dois ‘pards’. Para isso, ignorou a ‘cronologia oficial de Tex’ (seja lá isso o que for!), introduziu alguns atropelos anacrónicos e desenhou o futuro ranger à sua maneira – possivelmente mais fiel à realidade da época – mas algo distante da imagem que lhe reconhecemos.
Com ele – para ele – narra uma história de ritmo lento, devido à quantidade de texto – aqui e ali excessiva – baseada numa perseguição de Tex a uns traficantes de armas, também raptores de uma mulher, e do confronto final entre o maior dos heróis Bonelli e o chefe comanche Lua Negra, a quem ambas – armas e mulher – se destinavam.
Com o traço que lhe reconhecemos e a planificação alargada, que ignora limites de vinhetas e (quase) da própria prancha, como elemento extra de dinamização da narrativa, Serpieri confirma a excelente representação da anatomia humana e o rigor extremo, baseado em ricas fontes documentais, na reprodução de elementos de época – visuais, armas, indumentárias…
Da união de todos estes elementos, com um extra de violência (pudicamente sugerida) invulgar mesmo nos mais duros Tex, resulta uma história (mais) credível que, com o inesperado mas bem conseguido remate final, consegue até justificar os anacronismos que (assumidamente) o autor italiano introduziu e contribuir assim para o alargar da lenda ‘texiana’, mesmo para aqueles que possam ter alguma dificuldade em reconhecerem no (jovem) Tex de Serpieri o ranger tradicional que cavalga e impõe a lei e a justiça há quase sete décadas.
Nota final
Volume inicial da colecção que a Mythos baptizou como Tex Graphic Novel, O herói a lenda não faz mais do que transportar Tex para o formato tradicional franco-belga – a que a editora brasileira retirou a capa dura… – de 48 páginas coloridas.
Se a diversificação de formato tem como objectivo chegar a leitores pouco familiarizados com os tradicionais formatos Bonelli, desta vez há algo mais em vista: conseguir cativar autores – com Hermann à cabeça? – a quem mais de duzentas pranchas de aventura sempre afastaram da rota de Tex…
O herói e a lenda
Colecção Tex Graphic Novel #1
Paolo Eleuteri Serpieri
Mythos Editora
Brasil, Maio de 2016
205 x 275 mm, 48 p., cor, capa mole
R$ 29,90 / 10,00 €
*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro
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