Relação das revistas da Mythos Editora, distribuídas em Portugal, pela VASP – Distribuidora de Publicações Lda, para o mês de FEVEREIRO de 2017:
TEX 526 Entre o céu e o inferno Texto: Pasquale Ruju – Desenhos: José Ortiz
História originalmente publicada em Tex italiano 626
Na missão de Santa Esperanza, Tex reconhece sob a batina do padre Clemente o ex-bandido Guillermo Blanco, que anos antes ele enfrentou e que foi dado como morto. O homem parece bastante mudado e agora cuida, entre outras coisas, da instrução dos jovens filhos dos agricultores da região. Porém, o passado volta para assombrá-lo e o padre Clemente tem que voltar à vida de crimes para salvar os seus paroquianos. 3,60€
TEX COLEÇÃO 324 Bandoleiros Texto: G. L. Bonelli – Desenhos: Vincenzo Monti
História originalmente publicada em Tex italiano 271
Três inescrupulosos traficantes de whisky seguem sendo caçados pelos pards depois do último golpe. Eles vendem o bando de cavalos roubados e refugiam-se no rancho do bandoleiro don Mariano, a quem oferecem uma jovem índia raptada. A fazenda é atacada pelos pards, mas também é atacada pelos furiosos apaches. Na segunda aventura, durante uma tempestade nos Montes Sangre de Cristo, os quatro pards salvam a vida de dois pastores de um pueblo isolado e dispersam uma matilha de lobos. No caminho, encontram um esquadrão de soldados e os pards tomam a decisão de escoltar os mesmos, não sabendo que enfrentariam mil perigos e armadilhas até conduzi-los ao novo posto avançado de Forte Necessidade. 3,60€
TEX COLEÇÃO 325 O desertor Texto: G. L. Bonelli – Desenhos: Vincenzo Monti
História originalmente publicada em Tex italiano 272
O projecto de uma nova espingarda – inicialmente rejeitada pelo Governo – desencadeia a ira da West Kentucky Company, que há anos prospera graças ao fornecimento de armas para o exército. O major Clark Morrow, o único sobrevivente de uma patrulha exterminada, chega a Fort Necessity, escoltado por Tex e Jack Tigre. E ele precisa comunicar ao seu irmão George – o Tenente criador da arma – que Washington finalmente tinha decidido aceitar a sua invenção. Mas o oficial não foi encontrado, tinha desertado para ir vender a sua patente ao México. Tex e Tigre partem em busca de George e descobrem-no em Pequeno Paraíso, vilarejo que, apesar do nome pacífico, é um infernal covil de assassinos! 3,60€
TEX OURO 84 A guerra das peles Texto: Claudio Nizzi – Desenhos: Fernando Fusco
História originalmente publicada em Tex italiano 508 a 510
Em missão designada pelo General Davis, Tex e os seus pards vão ao Montana, próximo à fronteira com o Canadá, para pôr fim a uma guerra entre dois negociantes de peles que ameaça a paz daquela região. Pierre Charbonne, o negociante francês que, entre outras patifarias, fomenta a rebelião entre os índios pés-pretos, manda o seu braço direito, o sórdido Snake Bill, eliminar os quatro justiceiros. O pistoleiro pede a ajuda de Rosto Arranhado, chefe dos pés pretos, e a vida dos heróis está por um fio. Outra arrebatadora aventura de acção e emoção, escrita por Claudio Nizzi, com a deslumbrante arte de F. Fusco. 9,00€
TEX EDIÇÃO HISTÓRICA 96 El Muerto Texto: Guido Nolitta – Desenhos: Aurelio Galleppini
História originalmente publicada em Tex italiano 190 e 191
A obra-prima de Sergio Bonelli (Guido Nolitta). Na opinião de grande parte dos texianos esta é a melhor história do ranger mais famoso do Oeste. Quarenta anos depois de ter estrelado este único episódio, o antagonista do mocinho permanece encravado na memória dos texianos com o seu rosto desfigurado pelas chamas, com o seu ódio sem fim e com o seu enorme desejo de vingança dirigido a quem considera a causa de sua desgraça: El Muerto só terá paz quando acabar, num duelo ao pôr do sol, com Tex Willer! 6,00€
TEX PLATINUM 2 O ouro dos confederados Texto: Antonio Segura – Desenhos: José Ortiz
História originalmente publicada em Maxi Tex italiano 3
No porão de um navio couraçado, abandonado no coração de um sinistro pântano, jaz um tesouro em lingotes de ouro. Para se apossar dele dois homens de ideais opostos – um oficial derrotado do exército sulista e um sórdido seguidor da Ku Klux Klan – realizam uma difícil viagem, enfrentado tiroteios, emboscadas, fugas e acidentes fatais. Na trilha deles, dois implacáveis rangers de nome Tex Willer e Kit Carson. Uma fenomenal e épica aventura de Tex, produzida pelos grandes mestres espanhóis Antonio Segura e José Ortiz. 8,50€
ZAGOR 165 O último ato / A revolta Texto: Burattini/Marolla. Desenhos: Verni/Bisi
Histórias originalmente publicadas em Zagor italiano 593 e 594
O diabólico Mortimer mantém Chico e Virgínia prisioneiros num velho cárcere abandonado. Zagor tenta estragar os planos do bandido penetrando na fortaleza, antes que acabe envolvido na armadilha que lhe foi armada. No dramático final, o Espírito da Machadinha e o génio do crime vão se encontrar frente a frente, personificando o último acto de Mortimer.
Na prisão de Hellgate, estoura a revolta! Os presos matam grande parte dos guardas e tomam outras pessoas como reféns, entre elas o director da penitenciária e a filha de um general do Exército que casualmente visitava a cadeia. As autoridades rejeitam qualquer negociação com o chefe dos rebeldes, o impiedoso Legião, e, numa tentativa extrema de salvar a vida dos escudos humanos, Zagor consegue pular os muros do presídio para agir dentro do Inferno dos Vivos. 6,50€
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Por Joana Rosa Russo (Advogada de profissão, gamer por paixão)[1]
Lego, quem nunca ouviu falar? Será que todos conhecem o que a empresa passou? E o que exactamente ela tem a ver com o velho oeste e Tex?
LEGO – Uma Empresa Orgânica como SBE
A ideia altamente lucrativa surgiu por acaso (assim como toda boa invenção). Ole K. Christiansen era carpinteiro e por conta das baixas vendas de seus móveis, acabava passando boa parte do tempo esculpindo brinquedos.
Deste básico feitio surgiu a primeira impressão: Ole percebeu que por mais que o mercado de consumo estivesse em baixa, as famílias sempre despendiam valores com brinquedos. Criou, então, em 1932, os primeiros blocos, sendo oficialmente comercializado em maior número em 1934. Os blocos de montar propriamente ditos foram uma sugestão de uma indústria injectora de plástico, que permitiu em 1950, que os blocos pudessem se encaixar e ser empilhados. Ole, com o passar dos anos aperfeiçoou e deu ao tijolinho mais conhecido do planeta a forma que vemos hoje.
A engenhosidade, simples à primeira vista, foi ousada, já que permite a construção e empilhamento infinito das peças, que rendem obras e mais obras únicas espalhadas pelo mundo, como o icónico tigre de Lego, que já andou passeando por diversos locais no Brasil. Mas isto representa menos de 1% das façanhas que os fissurados por Lego já cometeram.
E ai vem a pergunta: como pode uma empresa deste calibre com tanta popularidade no mercado ter suas finanças abaladas?
Em 2004 a empresa tinha acumulado um sério prejuízo por conta da má gestão: as vendas da Lego caíram 26%, e os prejuízos bateram em US$ 200 milhões. “Nós tínhamos um problema sério de fluxo de caixa”, declarou Jorgen Vig Knudstorp, que assumiu a presidência da empresa na época. “Estávamos na UTI e precisamos de um longo período de reabilitação até voltar a crescer.”
Segundo a Revista Época Negócios, Kjeld K. Kristiansen, neto do fundador da empresa e antecessor de Knudstorp na presidência da companhia, havia dividido a Lego em várias áreas, na tentativa de atender ao que acreditava ser o anseio dos novos consumidores. Nesse período, a empresa lançou bonecos de acção que vinham prontos, como o Galidor (um super-herói de um desenho de ficção científica canadiano). Investiu também em uma unidade para desenvolver jogos electrónicos e na produção de roupas e relógios com a marca Lego. De quebra, ampliou a presença da Legoland, o parque temático da marca, a Disney das mini-figuras, abrindo unidades na Inglaterra, nos Estados Unidos e na Malásia.
O problema é que isso foi uma catástrofe. Sem foco e com iniciativas em várias frentes, a empresa aumentou os seus custos e não obteve o retorno esperado.
É curioso como a popularidade de um brinquedinho de montar cresce – e em ritmo alucinante – em plena era digital. O mérito por tamanha longevidade pertence a Knudstorp, o actual CEO, também cantor e dançarino nas horas vagas. Ele assumiu o comando da Lego em 2004. Foi o primeiro executivo sem parentesco com a família fundadora a conquistar o posto. Encontrou uma empresa à beira da falência e com uma séria crise de identidade. Ela estava perdida, justamente ao lidar com questões sobre como sobreviver em um mundo dominado por computadores e recheado de vídeo games.
Mas, Knud, tinha a fórmula para virar o jogo: formado em economia, iniciou um plano de recuperação do negócio. Todo o conjunto para reactivar a empresa no mercado e desafogar suas contas durou quatro anos: entre 2004 e 2008, foram cortados 1,9 mil postos de trabalho, o equivalente a 30% da mão de obra à época. Hoje, esse número voltou a crescer e está estabilizado em 12,5 mil funcionários. Reduziu de 13 mil para 7 mil o total de peças produzidas, eliminando versões similares de um mesmo elemento. A ordem de corte de gastos rendeu resultados.
A empresa também se desfez de unidades de negócios não lucrativas, como a divisão de games. Hoje, a produção dos jogos electrónicos é feita pela Travellers Tales Games, que tem licença da Lego para usar a marca (uma tacada muito mais inteligente, já que subsidiar o desenvolvimento é mais barato do que produzir por conta da estrutura que deve ser mantida no desenvolvimento de jogos). Em 2005, 70% da participação nos parques Legoland foi vendida para a inglesa Merlin Entertainment, que administra atracções como o Madame Tussauds, o museu de cera, com sede em Londres.
Em meio a esse cenário de terra arrasada, dois produtos seguraram a casa no período de transição: a linha Star Wars, lançada em 1998, a primeira sob o formato de licenciamento, e os bonecos baseados na história de Harry Potter, criados em 2001. Para ajudar no caixa, a família Christiansen, dos fundadores da Lego, uma das mais ricas da Dinamarca, injectou o equivalente a US$ 100 milhões no negócio. E como já adiantamos, o projecto deu certo: desde 2008, a Lego cresce de forma ininterrupta muito acima da média do sector. Entre 2008 e 2013, as suas vendas aumentaram 166%. O mercado de brinquedos (excluindo games) cresceu, no mundo, 14%, totalizando US$ 84,5 biliões, segundo a Euromonitor.
Note-se que a recuperação não ficou apenas a cargos da reinvenção do plástico. A era dos vídeo games e cinema desempenharam um papel importante na estratégia desenhada por Knudstorp, principalmente com o sucesso financeiro do Filme Lego (com receita de bilheteira de mais de 400 milhões de euros em todo o mundo), o que confirma que o futuro da estratégia passa também por uma aposta hollywoodiana e de desenvolvimento de games.
E neste ponto o que exactamente a Lego tem a ver com Tex e mais precisamente com a Sergio Bonelli Editore? TUDO.
Assim como a Lego, a SBE é uma empresa de desenvolvimento orgânico, ou seja, preza pelo crescimento ordenado em seio familiar. Embora a Lego hoje tenha outra pessoa que não da família no cargo, o facto é que a administração central permanece com os sucessores de Oley. Abraçar o mundo com as pernas foi uma das piores jogadas que a empresa pode arquitectar. Mas, diante de uma boa estratégia, além dela conseguir renovar-se num mercado relativamente saturado, já que, em meados de 1990 até 1998 houve uma debandada intensa dos seus consumidores que estavam desinteressados pela marca, a empresa explodiu no ramo de brinquedos.
Contar com uma empresa que preza pelas suas raízes é, sem dúvidas, uma rara realidade, principalmente porque com passar dos anos com as novas tendências, assim como aconteceu com a LEGO, a direcção da empresa perde o foco, principalmente por acabar deixando se levar pura e simplesmente pelas tendências de mercado, sem no entanto, compreender os reflexos práticos que isso reflectirá na saúde da marca.
Sabemos da grande prudência da SBE, mas também compreendemos, ainda mais pelo que a história mostra, que uma boa gestão pode render mais do caixa para a empresa: pode render anos de integração entre gerações e tornar a marca uma parte da família, como já tem feio com muitos coleccionadores.
Porém, a realidade hoje é que, infelizmente, cada vez menos jovens tem se interessado pela continuidade de certos nomes. Infelizmente esse foi o motivo crucial do desaparecimento de editoras inteiras, independentemente do segmento que publica. A palavra do momento, que veio para ficar, é a inclusão digital. E ela não serve só para trazer a toda sociedade o acesso à Internet: em contra via, ela significa que as empresas DEVEM modernizar-se, possibilitando um estreitamento e uma maior participação na vida de seu cliente.
Quando produzimos a matéria sobre os Jogos Bonelli (pode ser acessada clicando aqui), pudemos esmiuçar o quanto algumas tacadas estratégicas podem e fazem diferença. A LEGO passou de uma empresa obsoleta para a mais competitiva e top de vendas porque soube como investir na disseminação de novas tácticas de marketing.
A produção de jogos de vídeo games é custosa e isso é um facto. Porém, quando se tem uma desenvolvedora por trás da produção, a margem de lucro e de profissionalismo na entrega do produto final são absurdamente distintos. E o essencial: a detentora dos direitos é co-produtora.
Neste ponto, diferente do que já foi experimentado no passado, o ideal seria o ineditismo, assim como vemos na franquia estreada pela TellTale Games, com The Walking Dead (aliás, assunto que também já abordamos antes). Essas sacadas de mercado revitalizam a marca e fidelizam o público. Vide o que ocorre com a LEGO: depois de sua entrada no ramo digital foi percebida a rápida absorção pelo público e a franquia não saiu mais do mercado de games.
E mais: a empresa é ampla e está presente não só para diversão, mas também como objecto de estudos, já que tem a divisão de vendas exclusivas para ambientes de desenvolvimento em mecatrónica.
TEX E LEGO – Porque daria certo?
E neste ponto surge novamente a pergunta: o que a LEGO tem exactamente a ver com Tex?
O género Western povoa o imaginário de todas as pessoas desde a mais tenra idade. Hoje a LEGO está dentro de praticamente TODOS os lares brasileiros e estrangeiros (mesmo que de forma pirata, temos de admitir).
E daí vendo o sucesso arrasador que Star Wars teve, fora os outros heróis da DC Comics e da Marvel, é que começamos a pensar o quanto Tex ganharia com uma linha dos blocos. Por causa disso demos uma ligeira estudada nas linhas já lançadas pela empresa e chegamos a algumas conclusões. A primeira é que há certos “requisitos” em comum que as pretensões de lançamento tem que ter. A segunda é que sim, Tex encaixa-se perfeitamente nisso.
Os pontos que descobrimos como necessários:
Enredo teenager
História com heróis ou anti-heróis que cativem o publico
Personagens com toque de irreverência
Personagens caricatas
Cenário fértil para inúmeras situações
Ambientação agradável a qualquer público
Bom núcleo de personagens – de mocinhos a vilões
Histórias que possibilitem a imaginação sem limites
Possibilidade de coleccionáveis
Possibilidade de montagem
Agora, em análise, é só encaixar os elementos de Tex nestes requisitos. E não foi difícil:
Enredo Teenager: Tex é a típica história que se pode ler em qualquer idade. Mais do que uma temática relativamente adulta por trás da história lida a olhos nus, o enredo ensina conceitos excelentes e delimitados de justiça, moralidade, respeito ao próximo, amor, lealdade, confiança e gratidão. Além de tudo, há em Tex, de maneira muito natural o velho brocardo bem cliché de “fazer o bem sem olhar a quem”. O conceito de dar sem esperar algo em troca inclusive é bem presente nos fãs e coleccionadores do Ranger. A História também conta com romances, doces e brandos, deixando a cargo da imaginação do leitor, que pode variar a depender de suas idade. OU SEJA, SIM, Tex cumpre com honra esse item de avaliação.
História com heróis ou anti-heróis que cativem o publico: Tex por si só é um tipo de anti-herói. Dizemos isso por causa de seu senso de Justiça. Entre a Lei e a Justiça fique com a Justiça. E nesse ponto ele lembra o que vemos em Civil War, no personagem Homem de Ferro. Ok, guardadas as devidas proporções e depenando a história do filme chegamos a esse conceito bem básico. E isso é excelente. É fundamental que desde sempre as pessoas tenham contacto com essa noção de sociedade. Além do mais, Tex não está só: Kit Willer, Kit Carson e Jack Tigre, além de seus outros amigos arrematam a necessidade de personagens principais cativantes e bons exemplos.
Personagens com toque de irreverência: bem, para quem conhece, chega a ser inevitável não pensar no velho Carson! Ele é dono de uma personalidade rabugenta e muito divertida. Tex, em contrapartida, sempre sabe onde cutucar a raposa para que ela saia do sério. Não conseguimos encontrar uma só história que não tivesse uns bons quadradinhos com uma dose de humor, seja ele sarcástico, ácido, negro, ou simplesmente puro. E isso está presente também nas expressões muito bem desenhadas dos personagens. Alias, os vilões também fazem suas trapalhadas e tem seus momentos “jerks”.
Personagens caricatas: assim como toda história bonelliana, Tex tem seus personagens caricatos e marcantes: os bêbados das cidades, os guardas atrapalhados, os capangas burros e medrosos e até mesmo os políticos que pesam as calças quando ouvem o nome de Tex Willer! Mas não é só: embora haja uma certa dose de “violência animada”, nada passa de bons socos desferidos pela mão “leve” de nosso personagem principal! Então é impossível não verificar em cenas nas quais Tex tem de usar seu poder de persuasão as figuras singulares e como se comportam.
Cenário fértil para inúmeras situações: como já sinalizamos, as temáticas de “velho oeste” sempre povoaram o imaginário das pessoas o que contribui para a imaginação mais preguiçosa o encanto com a mais simples história. O ambiente recheado de mocinhos e donzelas, com tramas complexas e duelos de revolver podem ser tecidos por qualquer pessoa em qualquer idade. Fora que neste ambiente, em particular, é muito mais fácil de se estimular as noções de civilidade em uma criança, por exemplo. E chegamos a essa conclusão, porque justamente o faroeste era uma época (ou lugar, como preferirem) onde não se tinha um conjunto de leis conhecidas: tudo era à “Deus dará”: cada vila tinha suas próprias regras que podiam ser mudadas a qualquer minuto; haviam terras de índios selvagens que não negociavam e não toleravam a passagem de qualquer um diferente deles; índios mais amigáveis; tribos selvagens… Localidades de domínio exclusivo de bandidos… Enfim, chega a ser difícil catalogar todas as possibilidades.
Ambientação agradável a qualquer público: puxando o gancho do item anterior, é simples de você pensar nas possibilidades de aplicação de construção dos cenários com blocos de plásticos: tribos, vilas, cidades, as pessoas com suas vestimentas bem marcadas da época, os animais, currais, celeiros, carroças… TUDO é possível montar. Não precisa de um cenário futurista para criar um chamariz. Além do mais, o clima de “fazenda” é muito aprazível para as pessoas, principalmente as crianças, que embora sejam hitech, não dispensam o clima pacato e aventureiro das pradarias.
Bom núcleo de personagens – de mocinhos a vilões: ora ora, chegamos numa situação delicada…. delicada porque rende mil linhas! Tex tem núcleos incríveis de personagens. Mefisto, Tigre Negro e El Muerto, são alguns exemplos mais fortes de arqui-inimigos de nosso Ranger. Mas como todo bom herói, ou melhor, anti-herói, assim como Tex colecciona amigos, colecciona inimigos. E eles nem sempre acabam mortos: alguns voltam das trevas para tentar vingar-se, mesmo que “de mentirinha”. Fora que temos um núcleo completo e cativante de personagens que envolvem a parte “indígena” da história de Tex, com a tribo dos Navajos. É nela inclusive que nosso protagonista se casa com a forte e linda Lilyth, e eles têm o seu único filho, Kit Willer. Mas para chegar até este ponto da história, o leitor, e em decorrência o publico dos “bloquinhos” já devoraram a primeira parte das colecções da BD para saber como tudo aconteceu, porque SIM isso acontece por causa da curiosidade nata que envolve a brincadeira.
Histórias que possibilitem a imaginação sem limites: bem, a esta altura nem temos o que falar sobre este item.
Possibilidade de coleccionáveis: Tex já possui uma legião de fãs que adquirem estatuetas e até mesmo action figures (não oficiais) dos personagens, e assim como em Star Wars quanto mais itens se lança de forma única mais compradores saem desesperadamente em busca do item. Vide o que aconteceu com a Milleniun Falcon… “Ah, mas Tex não tem naves complexas para construção”, realmente não. Mas ao contrário disso: tem inúmeros vilarejos marcados por histórias incríveis, com prédio deslumbrantes, como é o caso de Yellow Sky, que vemos na edição 444, da Tex mensal, em A Dama do Colorado. Só ela daria uma séria maravilhosa e exclusiva.
Possibilidade de montagem: bem… assim como o caso do item acima, há uma variedade incontável de ambientes e locais que podem ser construídos. E digo isso pelo simples facto de que, quem é legomaníaco, NÃO SABE O QUE É LIMITE PARA SUAS MALUQUICES. E quando digo isso não estou me referindo aos já fãs de Tex, estou me referindo aos fãs de LEGO:
E quando eu digo que eles podem e VÃO construir qualquer coisa, É QUALQUER COISA MESMO:
Pense num revólver que vai ficar lindo…
Por conta de todas essas conclusões é que cheguei num ponto de começar a pensar o porquê que nunca foi idealizada (ou publicada), a possibilidade de Tex também integrar o maravilhoso mundo de LEGO. Uma das suspeitas que levantei foi justamente a de que o personagem, embora já exista na terra do Tio Sam, não tem muita tradição por aquelas bandas. E querendo ou não, não há um clamor muito massificado para que a empresa chegue até à marca Tex. Há quem diga que o cenário de velho oeste está muito batido, mas ouso discordar: qualquer ambiente que propicie aventura é sinónimo de boa aceitação pelo público. Se assim não fosse, as franquias baseadas em ficção científica e era medieval já teriam perdido seu brilho… Por isso é muito bom pensar que existe a possibilidade de um herói como Tex ainda ter chances muito boas de co-existir entre páginas e plásticos!
Mesmo se pensarmos em termos financeiros, a LEGO não exige que se monte um conjunto inimaginável de produtos em sua linha de montagem: pode-se antes, verificar a aceitação com um produto mais simples. Isso seria o suficiente para saber quão o publico está aberto para receber a novidade. Outro ponto que vem ligado nesse gesto é a ampla divulgação que as BDs começariam a ter. Parece um pouco incomum, mas assim como no caso dos jogos de vídeo game, os amantes dos blocos plásticos sempre investigam as fontes que deram origem às novas tendências lançadas. A grande jogada seria fazer o caminho inverso: ao invés de você comercializar e fazer marketing sobre BDs, você vai pegar um público totalmente cru e novo de uma outra área e tentar buscar aceitação por indução.
Muitas destas jogadas dão certo, como foi o caso da linha Ninjago da LEGO, que é própria. Eles tinham lançado uma linha nova que não tinha boa aceitação, e por isso resolveram desenvolver desenhos animados, justamente para atingir outro nível de publico, fazendo com que a curiosidade nata despertasse o desejo de compra. Dito e feito: a linha Ninjago hoje conta com centenas de produtos, inclusive de edições especiais. E a sub-marca consolidou-se tão bem, que além dos desenhos e das linhas de montagem, foram criados minifigures e ainda jogos electrónicos!
E para que não fiquem dúvidas sobre o tamanho do nome que se pretende transformar em plástico…:
Ou seja, a LEGO é a maior prova de que uma empresa orgânica pode dar certo e pode expandir as suas actuações de maneira inteligente e eficaz. Por isso é que nos reside a dúvida sobre o porquê que ainda não temos novas expansões nos mercados secundários da marca SBE, sob o nome de Tex.
E assim indagamos porque também já tratamos aqui de algumas esplêndidas pérolas que localizamos da SBE, que já se aventurou na área electrónica de jogos, mas em uma época relativamente prematura para a comercialização, que mesmo assim rendeu óptimos números. Será que não estamos, finalmente, num bom momento para reavaliar as possibilidades de expansão da Editora? Ainda mais porque não há necessidade nenhuma dela deter departamentos para produção destas sugestões?
Talvez a nossa dúvida não seja respondida de pronto, mas não custa sonhar até lá! Alias, não só sonhar. Lembram dos legomaníacos? Então… Eles sempre estiveram aqui montando minifigures paralelas (não, não são produtos oficiais: foram montados por composição pelos próprios fãs de Bonelli e LEGO, como geralmente acontece com as estatuetas ou action figures). Vale a pena conferir o trabalho deste pessoal que foi em busca de peça por peça similar aos personagens e compôs cada um pensando em sua expressão, vestuário, cabelo, chapéu, arma…. (Ah, e se você acha que para por ai, convido você, leitor, a adivinhar quem são estes “bloquinhos”):
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O Autor destas maravilhosas obras, dignas de exposição, é o italiano que atende pela alcunha de Nemo68. Não localizei muitas informações sobre ele, mas suas obras foram divulgadas no site LEGO forum unofficial, uma fandon não oficial para os montadores de plantão.
E você ai achando que LEGO era coisa de criança… Não se preocupe, para este “fantástico mundo de plástico”, nunca é tarde para admitir novos seguidores. E se ainda há alguma dúvida sobre o teórico sucesso que esta linha faria… Bem, acho que não já uma dúvida tão claudicante assim.
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Agradecimentos: Agradeço especialmente ao amigo José Carlos Francisco por me motivar a fazer um adendo à matéria original. Facto este que rendeu a descoberta destas minifigures paralelas lindíssimas.
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[1](Texto publicado originalmente noSíte “4Fun Games“, em 29 de Janeiro de 2017)
2018, ano em que se comemoram os 70 anos de vida editorial de Tex Willer, mítica personagem dos fumetti, criada em 1948 por G. L. Bonelli (texto) e Aurelio Galleppini (arte), irá reservar-nos grandes surpresas, sobretudo por parte da Sergio Bonelli Editore na Itália, da Mythos Editora no Brasil e do Clube Tex Portugal no nosso país, mas se os fãs e coleccionadores do Ranger esperavam que somente em 2018 é que haveria algo de grandioso, damos hoje a conhecer que no próximo dia 3 de Março, inicia-se, em Itália, uma nova colecção de Tex!
Colecção essa com algumas particularidades sui generis, como seja o facto de ser a cores, ter uma periodicidade quinzenal, ter 64 páginas e custar 2.90€, com o selo da SBE, repropondo todas as aventuras de Tex desde as primeiras stiscias até às mais recentes edições no formato “bonelliano” (16 X 21 cm).
Trata-se de mais uma oportunidade para novos (e porque não, velhos) leitores de Tex (re)lerem a saga do Ranger e dos seus pards, na exacta sequência em que foram realizadas de 1948 até hoje, agora a cores mostrando uma vez mais o enorme sucesso deste grande fenómeno da banda desenhada italiana!
Tex Platinum #2 – O Ouro dos Confederados Antonio Segura (argumento) José Ortiz (desenho) Mythos Editora
Brasil, Junho de 2016
135 x 180 mm, 264 p., pb, capa mole, bimestral
R$ 23,40 / 8,50 €
O Ouro dos Confederados – O Tex ‘de’
Apesar de todas as iniciativas editoriais para homogeneizar e unificar a saga texiana ao longo de quase sete décadas, a verdade é que há casos em que se distingue o Tex deste(s) ou daquele(s) autor(es).
Um dos exemplos mais evidentes, é o Tex ‘de’ Antonio Segura e José Ortiz.
Na verdade, quer em termos narrativos, quer em termos gráficos, o ranger interpretado por aquela dupla espanhola assume características que, embora na continuidade, o distinguem das restantes abordagens.
Com Segura, os argumentos são mais duros e violentos mas também mais realistas, porque o modo de agir habitual de Tex – com os punhos ou as pistolas – assume contornos e consequências mais palpáveis, mais próximas do que conseguimos interpretar como realidade. O Tex de Segura é (ainda mais) implacável e inflexível, nunca desistindo ou abandonando a pista daqueles que persegue.
Por outro lado, ainda em termos de argumento, Segura aborda temáticas menos habituais na saga do ranger. Os fósseis de dinossauros, no número inicial de Tex Platinum ou, agora, os desafios do pós-guerra civil, são dois exemplos concretos.
No caso de O Ouro dos Confederados consubstanciado num comando de ex-soldados confederados, que fogem da prisão em que estão para recuperar uma enorme quantia em lingotes de ouro, escondidos algures num pântano, para financiar um novo exército e nova guerra. Com o ’bónus’, neste caso, do aparecimento da Ku Klux Klan e das adjacentes questões da escravidão e do racismo através das quais – de novo – Segura acentua o realismo do relato e demonstra como questões tão importantes ficaram mal resolvidas – por resolver mesmo? – após a guerra – como ainda é visível de forma recorrente nos nossos dias. Situações mostradas, sem pudores, com brancos ainda esclavagistas e (pretensamente) raça superior e negros (subconscientemente) escravos e inferiores. E na dualidade patenteada pelos ‘maus da fita’, divididos entre bandidos gananciosos e patriotas convictos (mas do lado errado da barricada).
Quanto a Ortiz, encontrou nas pradarias ressequidas tanto quanto nos pântanos húmidos, cenários ideais para explanar o seu traço anguloso e duro, rico em contrastes de negro e branco, com pinceladas expressivas de grande impacto visual, para transportar o leitor para o âmago desta longa narrativa, cujos cenários se vão alterando ao longo da perseguição.
O resultado – se é verdade que não agrada a todos os fãs de Tex – tem algo mais que o habitual para cativar os admiradores de western, pela originalidade e pelo ganho de humanidade que, afinal(?), encontramos ‘neste’ Tex, ancorado no exercício da justiça num contexto conturbado e nem sempre preto-no-branco.
[Com a colecção Os Túnicas Azuis a terminar, uma vez que ela tem por base e tema a guerra civil norte-americana, que opôs o Norte e o Sul, um exercício curioso – com lugar a algumas surpresas – será encontrar neste volume alguns dos aspectos históricos que Cauvin e Lambil – num contexto narrativo diferente – abordaram na sua saga humorística.]
*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro
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Chegou nesta última sexta às bancas nacionais uma nova publicação dirigida ao público mais jovem, entre os 14 e os 25 anos, dedicada ao universo dos jogos, filmes, televisão, internet, anime, manga, comics e desportos radicais. Chama-se Karga! e é uma revista com periodicidade mensal, editada pela Rossio Editora e dirigida pelos jornalistas João Vasco Almeida, que passou pela revista Focus, 24 Horas e TVI 24, e por André Júlio, que trabalhou nos jornais Público e Expresso. O design está a cargo de João Paulo Oliveira, que passou pelo Diário de Notícias e pelo semanário Sol. Com um preço de capa de 3,50 euros e68 páginas, a primeira edição da revista traz “um exclusivo nacional sobre o novo filme Resident Evil e mais de 350 textos sobre todos os assuntos que entusiasmam o público-alvo”, não esquecendo inclusive de anunciar osfumetti de Tex e de Zagor que estarão à venda no nosso país neste mês de Fevereiro e onde não faltam diversas entrevistas exclusivas: Môce Dum Cabréste, Milla Jovovich & Paul W.S. Anderson, BeatBombers e Osvaldo Medina.
Tex apresenta – KARGA!, a melhor revista do Universo onde Tex também comparece!
Por tudo isto e muito mais, prezado leitor de Tex (e demais personagens dos fumetti) e amante da BD, não deixe de adquirir todas as últimas sextas-feiras de cada mês uma nova edição. Com filmes, séries, jogos, BD, manga, anime, música, lifestyle, outdoor, reportagens insólitas e tudo o que precisa, sem filtros, até porque naKARGA! #2 teremos uma peça grande sobre a importância dos Fumetti da Bonelli, com uma pequena entrevista a José Carlos Francisco sobre o impacto que estas BD tiveram e têm em Portugal.Edição IMPERDÍVEL para todo o fã e coleccionador da banda desenhada italiana! A distribuição está a cargo da Distrinews II.
Tex nas páginas da KARGA!
Para saber mais sobre a revista KARGA! (a melhor revista do Universo) e estar a par das novidades, acesse o seu sítio de Internet: http://karga.pt/
Karga! #1
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