Claudio Villa, José Carlos Francisco, Tex, Carson e Kit Willer na arte de Marcone Portela

Marcone Portela na sua mesa de desenho

Hoje no blogue do Tex vamos dar a conhecer a todos os nossos leitores novas artes de Marcone Portela, um jovem desenhador italiano, natural de Pero (Milão), mas que habita já há muitos anos no Brasil, mais precisamente em Ipojuca, um município brasileiro do estado de Pernambuco.

Marcone Portela desenha desde os 8 ano de idade e tem como ambição vir a ser desenhador na Sergio Bonelli Editore de modo a poder desenhar alguns dos seus personagens favoritos dos fumetti. E qualidade é o que não lhe falta, como podemos constatar em algumas das suas artes (inspiradas em alguns dos seus mestres texianos) enviadas ao blogue do Tex e que divulgamos então para que sejam apreciadas e comentadas pelos fãs e coleccionadores de Tex que nos prestigiam assiduamente com as suas visitas, destacando uma homenagem feita a Claudio Villa e a José Carlos Francisco!

Claudio Villa e José Carlos Francisco, na companhia de Tex, homenageados por Marcone Portela

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Entrevista com o fã e coleccionador: Marco Guerra

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Marco Guerra:
Sou o Marco Guerra e nasci na bonita cidade de Anadia, no coração da bela Bairrada, no ano de 1979 mais precisamente no dia 25 de Maio pelas 4 horas da manhã. Não fosse de manhã que se inicia o dia.
Apaixonado por ciclismo, sou praticante amador e coleccionador de tudo um pouco que envolva a modalidade. Além disto sou um apaixonado por fotografia, pesca desportiva e coleccionador de pacotes de açúcar. Insatisfeito por natureza, acabo por acolher mais um hobby: coleccionar Tex!
Actualmente encontro-me empregado numa secção de pintura de material metálico.

Quando nasceu o seu interesse pela banda desenhada?
Marco Guerra: Sinceramente nunca fui muito de ler. Recordo-me do meu Pai ser um amante de livros de cowboys conhecidos por livros de “bolso” e ter imensos. De vez em quando ia desfolhando alguns mas nada de especial, apenas por curiosidade mas nunca passou disso. Em criança fui tentando ler mas sinceramente nunca fui amante de leitura. A paixão surge mesmo no dia em que visitei a exposição e me deliciei com o que ali vi.

Quando descobriu Tex?
Marco Guerra: Já ouço falar de Tex há algum tempo. O meu irmão dizia que o Padrinho (José Carlos Francisco) coleccionava Tex e que tinha imensas coisas em casa, mas eu sinceramente nunca lá tinha ido ver. Não por falta de convites mas por não ser mesmo fascinado por leitura na altura. Foi através do meu irmão que acabei por conhecer este mundo.
Mas na realidade tudo começou no dia 17 de Agosto de 2014 quando entrei na sala da exposição no Museu do Vinho Bairrada. Senti algo inexplicável ao ver o que ali estava exposto. Não fazia ideia do que seria um clube dedicado em exclusivo a uma personagem, muito menos a uma personagem que não é muito falada no nosso dia-a-dia.
Ao percorrer cada estante/vitrina ia nascendo em mim uma paixão pelo Ranger que me era apresentado. Nada tinha a ver com o que Eu tinha pensado antes de ali entrar. Para mim, Tex era apenas uma personagem de BD mas ali vi que era mais que isso. Tex era um Deus!

Porquê esta paixão por Tex?
Marco Guerra: Tex é uma personagem ímpar. Alguém que muita gente na vida real deveria seguir o seu exemplo de lutador pela verdade e sempre pronto a ajudar as pessoas de bem. Tex é um aventureiro, e como gosto de aventura, ele conseguiu cativar o meu interesse.
Os desenhos a preto e branco dão um ar diferente às histórias e sendo eu apaixonado por fotos a P&B, acaba por me cativar ainda mais a atenção. Sem nunca deixar de parte o argumento das suas aventuras onde existe um final feliz, para alguns… não fosse Tex um verdadeiro herói!

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Marco Guerra: A sua personalidade forte e vincada e o facto de ser alguém, simples, sem poderes como é habitual ver noutros heróis de BD faz com que seja único. Um herói tão incomparável que dificilmente virá a nascer outro com as mesmas características.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Marco Guerra: No momento a que respondo a esta entrevista conto apenas com 155 exemplares. Tive desde cedo a noção de que infelizmente não iria conseguir fazer crescer a colecção a bom ritmo, mas vou continuando à procura de números atrasados a bom preço e ir comprando alguns que vão saindo sempre que me seja possível.
Tenho pesquisado bastante na net em sites de leilões e por lá tenho encontrado alguns que acho serem raros pois são números muito antigos. Tenho alguns exemplares que nem me arrisco a ler, não por não ter vontade mas devido ao estado de conservação com que chegaram até mim. Infelizmente nem toda a gente parece ter grande brio na conservação dos seus exemplares e como tal nem sempre os recebo como gostaria. Sendo assim prefiro tê-los sem lhes mexer muito para tentar a sua conservação.
Para mim todas são importantes pois todas elas são necessárias ao objectivo: ter a colecção completa! Mas a primeira é e será eternamente a primeira. Foi a nº 290 de Tex Coleção “Mercadores da morte”. Mas como coleccionador orgulho-me de possuir alguns exemplares nº1, alguns não foram fáceis de encontrar devido à longevidade da sua edição.
Não menos importantes e cada vez mais valiosas, tenho todas as revistas que saíram até hoje do Clube Tex Portugal tendo o privilégio de algumas delas serem autografadas pelos autores dos desenhos contidos nas mesmas.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Marco Guerra: Curiosamente, ou não, não comecei por coleccionar livros. A minha humilde colecção inicia-se com algo único e com um valor sentimental extremo: um desenho original de Tex feito por Pasquale Del Vecchio. Foi aqui que começou tudo!
Acho que qualquer coleccionador gostava de ter na sua colecção um desenho, ou mais, originais do seu Ranger de eleição. Vi-o nascer de uma simples folha de papel branco, não tenho palavras para descrever a sensação que é.
Além deste desenho sou possuidor de outros desenhos dos mestres Pasquale Frisenda, Stefano Biglia,  Massimo Rotundo, Maurizio Dotti, Andrea Venturi e Leomacs. Bem como dois desenhos de dois fãs de Tex: João Amaral e António Lança Guerreiro.
Possuo também duas cópias de pranchas autografadas por os respectivos autores: Maurizio Dotti e Pasquale Frisenda
Além disto a minha humilde colecção conta também com diverso material referente às exposições realizadas em Anadia em que tive o privilégio desse material ser autografado por os autores presentes no certame bem como de todas as revistas do Clube Tex Portugal em que algumas tem desenhos autografados pelos seus autores.
Actualmente, além do referido anteriormente, vou coleccionando livros que é o que tenho conseguido cá em Portugal. Estou a abrir o leque das pesquisas com intuito de conseguir outro tipo de peças em sites de leilões estrangeiros, principalmente em sites italianos. Não tem sido fácil porque parte dos vendedores não enviam para Portugal e outras peças que gostava de ter têm um valor monetário elevado… O objectivo principal será dar seguimento à colecção com tudo que me seja possível adquirir ou seja oferecido. Por mim compraria tudo o que aparecesse mas infelizmente tal não é possível…

Qual o objecto Tex que mais gostaria de possuir?
Marco Guerra: Sem duvida a colecção completa. Qual o coleccionador que não gostaria? Uma estatueta, ou várias, do Ranger e seus pards ficariam bem na colecção. Sinceramente tudo o que tenha a ver com Tex gostava de possuir. Não excluo o sonho de um dia ter algo mais pessoal de Tex como uma prancha original. Difícil? Sim. Impossível? Tudo é impossível até ao dia que se torna possível. O sonho comanda a vida e um dia quem sabe este sonho seja real. Um dia…

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Marco Guerra: Não é fácil responder a estas perguntas. O que li até agora considero que não me dá bagagem suficiente para falar muito sobre a pergunta efectuada.
Do pouco que li até hoje tenho duas que considero as favoritas por duas razões bem distintas. Desporto e saúde.
Relativa a desporto é Patagónia. A obra nada tem haver com desporto é verdade mas sendo eu amante e praticante amador de BTT, tenho o sonho de visitar este local paradisíaco de seu nome Patagónia, por onde Tex já passou. Uma história cativante a cada folha lida em que é retratado, e muito bem, o genocídio das tribos índias.
A segunda obra e, esta relativa a um período da minha vida em que a saúde entra, é o “O segredo do juiz Bean”. Foi a obra eleita para ler enquanto aguardava por a minha vez de ir ao bloco operatório. Foi com esta obra que me abstraí do mundo e que me ajudou a relaxar momentos antes de um momento delicado e muito esperado por mim.

Se nas histórias consegui eleger duas que para mim são importantes não só pelo seu conteúdo mas que acaba por marcar a minha vida quanto a desenhadores e argumentistas não tenho nenhum em especial. Quanto a desenhadores gosto de belos desenhos a preto e branco, adoro mesmo… sem que preencha muito o desenho. Traço simples e sóbrio. Quanto aos argumentistas aqui é que é mais complicado pois do que li até hoje ainda não consegui ser conquistado por nenhum em particular.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Marco Guerra: Além de adorar Tex como “pessoa” o que me agrada mais é o facto de pegar numa revista, ou livro, e o tempo passar sem que se dê por ele. Porquê? Porque Tex é cativante a cada letra, palavra, frase ou desenho. A cada “quadradinho“ estou sempre à espera do que virá a seguir: quando é que os “bandidos” são apanhados e como poderá ser o fim. Tantas coisas passam pela cabeça que por vezes sinto que estou dentro do livro. Deixo-me percorrer pelas páginas que vou folheando com carinho. Não gosto de ler a correr apenas e só para devorar mais uma história, gosto sim de sentir cada palavra, cada desenho.
Quanto ao que me agrada menos, sinceramente neste momento não tenho nada a referenciar. Nunca tive grande sentido crítico talvez por ser novo neste mundo, ou por apreciar por gosto, não abona a meu favor para ter argumento de crítica, pelo menos do lado negativo.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Marco Guerra:
A forma como enfrenta os fora da lei com lealdade e valentia sem olhar a meios para atingir os seus fins. Lutador nato pela lei e por as pessoas de bem.
Não excluo que a sua longevidade acaba por ser um posto perante os seus fãs. Acaba por ser como o vinho do Porto: “quanto mais velho melhor”!

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Marco Guerra: Sim! Tenho o privilégio de morar em Anadia, cidade onde já foram efectuadas quatro exposições dedicadas ao Ranger. Na primeira era um mero visitante e acabei por não conhecer ninguém além do já conhecido José Carlos. Nas seguintes aproveitei ao máximo para estar o mais tempo possível na exposição e assim ter convivido com alguns coleccionadores e amantes de Tex.


Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Marco Guerra: Sempre ouvi dizer e utilizo a seguinte frase quando me falam em futuro: “O futuro a Deus pertence!” E basicamente é assim que vejo o futuro do nosso querido Ranger. Sinceramente gostava que daqui a muitos anos, quando andar de bengala e estiver sentado à lareira, pegar nos livros que tiver e contar aos meus netos, caso os tenha… belas histórias de Tex e com isso fazer que passe de geração em geração. Mas já dei por mim a pensar até quando Tex permanecerá vivo? A idade começa a pesar e ninguém é eterno… Claro que os leitores/coleccionadores serão fundamentais para que a sua longevidade seja, ou não, longa. Acredito que se continuar a existir muitos leitores/compradores Tex continue vivo entre nós durante muitos mais anos. Mas a crise afecta todos, uns mais que outros, infelizmente e isso acaba por interferir bastante com a sua longevidade.
Um futuro longínquo é o que lhe desejo para que todos possamos continuar a deliciarmos-nos com as suas aventuras.


Prezado pard Marco Guerra agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
Marco Guerra: Quero agradecer a oportunidade de me ter sido concedida esta entrevista. Um agradecimento especial ao José Carlos, presidente deste clube tão especial, por tudo que tem feito pelo Ranger no nosso país e não só e a todos que com ele têm trilhado o caminho para que todos os amantes de Tex se possam deliciar. Um bem-haja a todos vós!

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O esboço inicial, a arte final a preto e branco e as cores originais da capa de Tex nº 682 “O regresso de Lupe”

Por José Carlos Francisco

No passado dia 8 deste mês de Agosto, a Sergio Bonelli Editore publicou a edição número 682 de Tex, intitulada “Il ritorno di Lupe” (“O regresso de Lupe”) que contém a primeira parte de uma história escrita por Mauro Boselli e desenhada por Alessandro Piccinelli, onde do passado regressa também uma velha amiga: a belíssima Lupe Velasco está em perigo no caliente México e, para salvá-la, empenham-se todos os quatro pards.

A história, passada entre flashbacks e tempo real, leva-nos de volta à atmosfera da edição (italiana) número 6 quando Lupe pede Tex em casamento, pedido esse que colocou o Ranger em insólitas dificuldades como se devem recordar. Também estão presentes nesta aventura desenhada por Piccinelli os dois desperados Jorge e Fernando Drigo, que apareceram nos números 3 e 6 da série regular italiana. Lupe nesta aventura actual está acompanhada pela… filha!

A capa, tal como todas posteriores ao número 400, é da autoria do conceituado desenhador Claudio Villa, capa essa que divulgamos hoje aqui no blogue do Tex acompanhada do esboço inicial, da arte final a preto e branco e da capa original pintada pelo próprio Claudio Villa tal como temos feito com alguma regularidade devido à gentil cortesia de Villa que nos tem dado a conhecer nos últimos tempos as suas cores originais das capas que vai produzindo para Tex:

Nestas capas e cores que temos dado a conhecer com alguma regularidade aos nossos leitores aqui mesmo no blogue português do Tex elas têm gerado um grande número de comentários e na esmagadora maioria dos casos é considerada pelos fãs e coleccionadores do Ranger como sendo infinitamente superior a colorização original do Maestro italiano em relação à colorização digital realizada na Sergio Bonelli Editore, mas com relação a esta capa divulgada hoje, qual a sua opinião, caro leitor?

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Morreu Sergio Zaniboni, histórico desenhador de Diabolik e responsável pela arte de um Tex Gigante

Por José Carlos Francisco e Mário João Marques

(4 Agosto 1937 – 18 Agosto 2017)

* Morreu no passado dia 18 de Agosto, com 80 anos

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Na passada sexta-feira, dia 18 de Agosto faleceu, com 80 anos, o desenhador Sergio Zaniboni. Natural de Turim, cidade que o viu nascer a 4 de Agosto de 1937, Sergio Zaniboni foi um dos mais conceituados e importantes desenhadores de banda desenhada que trabalharam em Diabolik, uma das grandes personagens dos fumetti italianos.

Tex e Diabolik na Arte de Sergio Zaniboni

Mas Sergio Zaniboni também se destacou por ter desenhado Tex Willer, o icónico Ranger criado, em 1948, por Gianluigi Bonelli. Tratou-se da aventura publicada no Albo Speciale #4, série popularmente conhecida por Texone, cujo título foi Piombo rovente (Chumbo Ardente) com argumento e roteiro de Claudio Nizzi, naquela que era a mais prestigiada colecção do Ranger e que foi concebida para desenhadores externos à personagem, como aconteceu com Guido Buzzelli,  Jordi Bernet, Aldo Capitanio, Alberto Giolitti, Goran Parlov, Alfonso Font, Ivo Milazzo, Joe Kubert, Colin Wilson, Bruno Brindisi, Manfred Sommer, Magnus, Roberto de Angelis, Carlo Ambrosini, José Ortiz, Giancarlo Alessandrini, Victor de La Fuente, Corrado Mastantuono, Lucio Fillipucci e Pasquale Frisenda, entre outros.

O Tex de Sergio Zaniboni

O Tex de Sergio Zaniboni

A sua arte era fantástica e admirada por muitos dos grandes Mestres dos fumetti, como nos recorda Giancarlo Malagutti, que chegou a trabalhar com Zaniboni: “Os traços a lápis de Facciolo e Bozzoli eram muito bonitos, limpos e fáceis de arte-finalizar mas (não me queiram mal) quando chegavam os de Zaniboni era um espectáculo. Entre muitas cenas eu me recordo de um acidente automobilístico que Zaniboni fez em sequência após fotografar automóveis em miniatura e uma Eva Kant vestida de freira de uma beleza de tirar o fôlego.“

Tex Willer na magnífica arte de Sergio Zaniboni

Nesta hora de dor, a recordação de que uma das maiores preciosidades da minha colecção, foi um fantástico desenho de Tex que o Mestre Sergio Zaniboni fez para a minha galeria de originais, dedicando-me inclusive a sua magnífica arte:

Tex original de Sergio Zaniboni dedicado a José Carlos Francisco

Biografia

Sergio Zaniboni

Ex- profissional da rádio, inicia a sua carreira de desenhador de banda desenhada em 1967 depois de ter sido desenhador gráfico publicitário (o histórico logótipo dos cromos da Panini é uma criação sua) e ilustrador. O seu primeiro trabalho é uma reprodução em banda desenhada de Os três Mosqueteiros desenhada para o editor de Alè Toro mas que nunca chegou a ser publicada. Após ter desenhado I Promessi Sposi para Gino Sansoni (marido de Angela Giussani), começa a colaborar com a revista Horror e em 1969 entra para o staff de Diabolik, estreando-se com a aventura Delitto su commissione. Desde esse dia até ao momento da sua morte, desenhou o lápis de mais de 300 aventuras, actividade que ainda realizava aquando da sua morte no passado dia 18 de Agosto.

Desde 1972 que colaborava também com Il Giornalino, onde entre os vários trabalhos realizados deu vida à série de ambientação pugilista Il campione, com textos de Alberto Ongaro, e à série policial Tenente Marlo, com textos de Claudio Nizzi. Para a Orient Express desenhou a série I Reporters, escrita por Giancarlo Malagutti.

No final dos anos 80 renova o seu estilo empenhando-se em dois trabalhos que misturavam elementos humorísticos e temáticas aventureiras: Speedy Car, série escrita por Paola Ferrarini e realizada para Il Giornalino, e Pam&Peter, episódio auto-conclusivo com textos de Luigi Mignacco, publicado com o selo da Comic Art.

Em 1990 vence o prémio ANAFI como melhor desenhador italiano e em 1991 desenha uma longa aventura de Tex Willer escrita por Claudio Nizzi para o Albo Speciale Tex nº 4, com o título Piombo rovente.

Nos anos 90 prossegue a sua colaboração com “Il Giornalino” desenhando séries como “Reporter Blues” e “Maj Lin” e em 2000 recebe o prémio Yellow Kid pela sua longa e produtiva militância nas páginas de Diabolik.

Sobre a história do Tex Gigante em si, que será republicada a cores pela Editora Salvat, no Brasil, no volume nº 21 de Tex Gold, a publicar em 2018, damos a palavra ao especialista Mário Marques:

Tex Gigante - Chumbo ArdenteArgumento de Claudio Nizzi, desenhos e capa de Sergio Zaniboni. Com o título original Piombo Rovente, a história foi publicada em Itália no Tex Albo Speciale nº 4 em 1991 e no Brasil pela Mythos Editora em 2001.

Chumbo Ardente é uma homenagem de Claudio Nizzi à cidade do velho oeste. Pensar em western sempre nos levou a evocar grandes planícies, extensas pradarias, montanhas, natureza, enfim a liberdade que sempre  nos permitiu sonhar e galopar longe da civilização.
Mas o velho oeste também é feito das suas míticas cidades, com a sua habitual artéria principal, com tudo a crescer em seu redor, onde todos se encontravam no velho saloon, não sem antes deixarem a sua montada na estrebaria e de tomarem um retemperado banho no hotel, muitas vezes também associadas a bandos mais ou menos organizados ou a senhores que a dominavam a seu bel-prazer.

O que Nizzi nos vem invocar em Chumbo Ardente é uma velha cidade (Serenidade) e toda uma comunidade dominada por um senhor (Morgan Slattery), contra quem Tex e os seus companheiros vão ter que lutar. Mais uma vez, Nizzi soube escolher a linha mestre do seu argumento, tocando num tema muito recorrente no género e que, por exemplo, Hollywood soube muito bem explorar.

Mas se Chumbo Ardente tinha os ingredientes necessários para poder ser (mais) uma aventura ímpar do nosso ranger, pelo seu classicismo, pelo círculo fechado que a cidade sempre encerra, pelo ambiente omnipresente e sempre constante da luta entre o bem e o mal, a verdade é que o resultado final surge-nos muito fraco, desigual mesmo. Não por culpa do argumento, já focámos a sua riqueza, mas mais pelo desenho do italiano Sergio Zaniboni, um pouco na esteira da linha clara, tão do agrado de vários artistas franco-belgas.

Arte de Sergio Zaniboni

O traço de Zaniboni não é cativante, pois limita-se a reproduzir pouco de cada cena, não vai mais além do que é estritamente necessário à reprodução do argumento, falta sempre um detalhe, um traço, algo que saiba transpor o mero retrato. O estilo adoptado não se enquadra bem nas aventuras de Tex, um western e, para mais, sempre duro, rude, cínico, afinal as características que nunca estão presentes ao longo da trama.

Para os aficionados, onde nós nos incluímos, é sempre bom poder ler este tipo de aventuras para podermos efectuar as necessárias comparações, realçando sempre a sensibilidade e a coerência de cada autor, mas no fundo, Chumbo Ardente é uma oportunidade seguramente perdida, uma obra que, com outro traço, poderia ter ido muito mais além.

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