POR QUE É QUE O “MUNDO DE AVENTURAS” NUNCA PUBLICOU UMA HISTÓRIA DO TEX?

Por Jorge Magalhães [1]

A propósito de um comentário inserido no recente post sobre o aniversário do Mundo de Aventuras pelo nosso querido amigo José Carlos Francisco, dinâmico presidente do Clube Tex Portugal e responsável também pela revista do Clube e pelo Tex Willer Blog — que tem sido o principal veículo de propaganda desse mítico herói do western europeu e das suas edições em língua portuguesa, via Brasil e ultimamente com o selo da Polvo Editora —, pareceu-nos que o assunto trazido à baila pelo José Carlos merecia uma resposta com certo destaque, porque questiona as opções editoriais do Mundo de Aventuras, até numa época em que eu já ocupava o lugar de coordenador (desde Maio de 1974).
Escreveu o Zeca (pois é assim que familiarmente os amigos o tratam):

“Só foi pena o Mundo de Aventuras nunca ter publicado uma aventura do Tex… Certamente poderia tê-lo feito até antes de 1971, quando o Tex começou a vir para Portugal através da editora Vecchi”.

De facto, essa ideia já deve ter ocorrido a muita gente, embora na altura nenhuma das cartas que chegavam à redacção ventilasse o assunto. Na fase anterior a 1971, o Mundo de Aventuras era uma revista de pequeno formato e com 32 páginas apenas, onde histórias de tão longa duração como as de Tex dificilmente poderiam ter acolhimento. Depois disso, no tempo em que a coordenei, a revista adoptou outros formatos, como o de comic book, mas o número de páginas ainda era limitado: 48. Além disso, tinha por hábito publicar histórias completas em cada número (salvo raras excepções).

Nessa altura, eu preferia o Tomahawk Tom, o Cisco Kid, o Jerry Spring, o Jack Diamond, o Matt Marriott, o Wes Slade e outras séries de cowboys que comprava para o Mundo de Aventuras e que achava superiores ao Tex (convenhamos que com alguma razão, pois a grande época dos Blascos, do Civitelli, do Ortiz, do Villa, do Nizzi, ainda não tinha chegado).

Outras revistas da APR também com 48 páginas, como a Sioux, chegaram a publicar histórias seriadas (entre elas, a magnífica criação de Gino d’Antonio “História do Oeste”). Aí, sim, poderia ter havido espaço para algumas aventuras do Ranger mais famoso do Oeste.

Mas não creio que os direitos de Tex estivessem disponíveis para Portugal, como outras séries de origem estrangeira (Marvel, DC, etc.) cujos direitos em língua portuguesa eram exclusivos da Abril e de outros editores brasileiros. Por cá, a Bertrand e, mais tarde, a Meribérica faziam o mesmo com as séries franco- -belgas. Nessa época, havia o costume de separar comercialmente as águas entre os dois países.

Por último, devo sublinhar que as séries italianas (nomeadamente as da Bonelli, então chamada Cepim) ainda eram pouco populares em Portugal. Tex vendia-se nas bancas, mas passava quase despercebido no meio de tantas revistas portuguesas, muitas delas também com aventuras de cowboys.
E já tinham começado a aparecer os álbuns a cores de Blueberry, Comanche, Buddy Longway, ao pé dos quais Tex e outros heróis do western, publicados quase sempre em modestas revistas a preto e branco, faziam figura de “parentes pobres”.

Tudo isto são razões que explicam por que é que Tex só tão tardiamente chegou às edições portuguesas. E não esqueçamos que o Clube Tex Portugal e as mostras que começou, há quatro anos, a realizar no Museu do Vinho Bairrada, em Anadia, muito contribuíram para que a Polvo Editora se interessasse, com bons resultados, pelo fenómeno Tex… que já alastrou às livrarias!

Se o Clube tivesse nascido nos anos 70 ou 80 do século XX, com a mesma energia vital que tem demonstrado, o trajecto de Tex em terras lusitanas talvez pudesse ter sido diferente.

Mas essa vaga imparável de entusiasmo e de sucesso fomentada pelo Clube Tex Portugal e pelo Tex Willer Blog é um fenómeno recente e com causas bem definidas. Há 40, 50 anos, não havia internet nem a banda desenhada tinha os apoios oficiais que tem hoje, ao nível das autarquias, por exemplo. Pelo contrário, era uma arte reservada exclusivamente aos mais jovens e, regra geral, menosprezada e marginalizada pelo snobismo intelectual das elites culturais. A própria crítica de BD (que não extravasava os limites dos fanzines) começava ainda a dar os primeiros passos. Ou seja, não estavam criadas as condições para que uma edição portuguesa de Tex, a ser possível, tivesse vida longa. Nem acredito que os editores brasileiros estivessem dispostos a abdicar, sem luta, do mercado português, que antes do 25 de Abril incluía também as nossas ex-colónias.

Tudo isto são incógnitas a que só o tempo poderia dar resposta. Como também é uma incógnita quando é que as revistas da Mythos voltarão a aparecer em Portugal, após tantos meses de interrupção. Este ano, férias sem Tex não foram verdadeiras férias!

Tex defronte da Câmara Municipal de Anadia (ilustração de Pasquale del Vecchio)

[1] (Texto publicado originalmente no Blogue “Era uma vez o Oeste“, em 20 de Agosto de 2017)

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(Quase) TUDO sobre TEX GOLD, a nova colecção da SALVAT que começará no dia 15 de Setembro (no Brasil)

Por José Carlos Francisco


* Depois do período de experiência, a Salvat vai lançar (no Brasil) a coleção TEX GOLD a partir de 15 de Setembro, quinzenalmente e sempre numa sexta-feira..

* Colecção terá 60 volumes, todos a cores e irá publicar histórias publicadas originalmente na Itália, no Speciale Tex, Maxi Tex, Almanacco del West e Color Tex, publicando também todas as histórias curtas de Tex feitas aos longo dos primeiros 66 anos da saga..

* Tex Gold publicará uma história INÉDITA de Tex (no Brasil)..

* Número de páginas é variável e vai desde as 204 às 364 páginas..

* Todas as histórias terão início e fim no mesmo volume, ao contrário de Itália onde Tex Gold (a colecção italiana que publicou os Maxi Tex e os Almanacco del West) teve sempre o mesmo número de páginas (272) fazendo com que as histórias começassem num volume e terminassem no volume seguinte..

* Publicamos também os títulos dos primeiros números de Tex Gold a publicar em 2018, ano em que Tex comemora os 70 anos de vida editorial..

Para quem não conseguiu comprar o Tex (a cores) da Salvat – que se chamará TEX GOLD – na fase de teste, agora o lançamento, no Brasil, será regular, começando no dia 15 de Setembro, como já informamos anteriormente. Continuamos sem saber se será a nível nacional, no Brasil, ou por fases, mas hoje já podemos dizer (quase) tudo sobre esta deslumbrante colecção de Tex que tem atiçado a curiosidade de todos os fãs e coleccionadores de Tex, em mais um rigoroso EXCLUSIVO graças ao que os nossos detectives descobriram e que comprovam uma vem mais que o Blogue do Tex tem agentes melhores do que os da Agência Pinkerton.

Depois de já termos então anunciado a lista de TODOS os números a publicar este ano, ou seja, os primeiros 8 números, respectivos título, autores, data de lançamento e publicação original, vamos então às principais NOVIDADES DE TEX GOLD, da Salvat, em mais um RIGOROSO EXCLUSIVO do Tex Willer Blog, o blogue português do Tex!


– Tex Gold da Salvat tem como génese as colecções italianas “Tex Speciale (a colori)” e “Tex Gold“, ambas publicadas pelo La Repubblica e pelo L’Espresso com colaboração da própria Sergio Bonelli Editore, mas se os “Tex Speciale” sempre traziam histórias completas, “Tex Gold” trazia um número fixo de páginas, alternando histórias dos Maxi Tex e dos Almanacco del West com a agravante das histórias começarem num volume e concluírem num posterior. A Editora Salvat no Brasil optou, e quanto a nós bem, por não misturar histórias de colecções originalmente diferentes e teve o bom senso de somente publicar histórias completas em cada volume, o que fará com que tenhamos nesta colecção (chamada já de definitiva) de Tex um número variável de páginas, indo das 204 (volume 30) até às 364 páginas (volumes 42, 44 e 46).

– Mas para além das histórias dos Tex Speciale, Maxi Tex e Almanacco del West, nesta colecção da Salvat também vamos ter histórias publicadas originalmente na série “Color Tex“, tanto histórias longas como por exemplo as publicadas nos números 1, 2 e 3, como histórias curtas publicadas por exemplo nos números 4 e 6. Mas a Salvat também vai publicar todas as histórias curtas de Tex publicadas anteriormente, já que também o volume especial da Collezione Storica a Colori “Storie brevi” será “aproveitado” e por isso esta colecção brasileira trará uma HISTÓRIA DE TEX INÉDITA NO BRASIL, “La preda” (“A presa“), de Mauro Boselli e Fabio Civitelli, história essa que será então publicada no volume nº 40 e será então inédita a não ser que a Mythos Editora até lá a publique numa das suas séries dedicadas ao Ranger.

Fabio Civitelli exibe a primeira vinheta da história “A presa”, a história inédita de Tex a publicar pela Salvat

Por fim, depois de termos publicado a lista dos primeiros oito volumes e enquanto não temos autorização para divulgar todos os restantes 52 volumes, vamos dar a conhecer os títulos dos dois primeiros volumes a publicar em 2018, ano em que Tex comemora os 70 anos de vida editorial:

Tex #9 – O preço da vingança, de Claudio Nizzi e Carlo Ambrosini, 236 páginas – 05/01/2018 (Tex Speciale 19, de 2005)

Tex #10 – O desfiladeiro da cobiça, de Claudio Nizzi e Giancarlo Alessandrini, 236 páginas – 19/01/2018 (Tex Speciale 20, de 2006)

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A experiência PORTUGUESA de Keiko Ichiguchi (esposa de Andrea Venturi) – Parte 5

Keiko Ichiguchi, desenhadora e esposa do grande, e também desenhador, Andrea Venturi, fez questão de homenagear a 4ª Mostra do Clube Tex Portugal e a sua passagem por Portugal, publicando as suas impressões pessoais sobre esta sua experiência portuguesa no seu blogue pessoal “KeikoSan”!

Para ler a PARTE 1 da sua experiência portuguesa, clique AQUI!

Para ler a PARTE 2 da sua experiência portuguesa, clique AQUI!

Para ler a PARTE 3 da sua experiência portuguesa, clique AQUI!

Para ler a PARTE 4 da sua experiência portuguesa, clique AQUI!

Por Keiko Ichiguchi [1]

Eu aprecio vinho. Agradam-me os museus. Assim sendo, eu não podia deixar de visitar o Museu do Vinho onde se desenrolava o evento organizado pelo Clube Tex Portugal.

A propósito desta cidade que se chama Anadia, encontra-se a cerca de três horas de Lisboa viajando-se de carro. A sua área é mais de 8 vezes maior do que a da minha cidade natal no Japão, mas a sua população é quase um quarto. Caramba! De facto inicialmente eu tive a impressão que era bastante vazia, mas depois reparei que era cheia de vinhas.

Tanto da janela do quarto do hotel…

Como por trás do museu…


Inclusive no almoço em casa do José Carlos Francisco, o presidente do Clube Tex Portugal, havia em cima da mesa uma garrafa de vinho português.


Vinho verde… bem, efectivamente parecia um pouquinho verde. Era bom! Muito bom! Bom odor a fruta, sabor fresquíssimo e com uma graduação alcoólica relativamente baixa… Assim eu pude bebê-lo como se fosse água! É perigoso!!!

Falando do Museu do Vinho Bairrada, imagino que este museu seja uma demonstração do orgulho das gentes locais relativamente ao seu vinho.


Talvez por isso(?) também os instrumentos agrícolas estavam expostos de uma maneira muito elegante.

Vejam as enxadas! ENXADAS! Parecem uma obra de arte moderna!! Que iluminação genial!

Penso que seja um instrumento para esmagar as uvas…


Que beleza… É quase solene…

E depois, a certo ponto já não compreendo para que servem alguns instrumentos (sobretudo porque infelizmente as explicações são apenas em português)


 

Vindo do mundo de Steampunk?


Este instrumento parece uma pequena torre de metralhadoras de um bombardeiro de um filme de ficção científica.


Parece o Santo Graal. Mas são cálices e porta garrafas, certo?


Inclusive os instrumentos que os sommelier (profissional especializado, encarregado em conhecer os diferentes tipos de vinhos) usam  para provar o vinho parecem sagrados devido à toalha de cor bordeaux  e às luzes colocadas de forma estratégica.


Vendo estes objectos recordei-me da palavra “valorizzare” (“valorizar). Estas exposições fizeram com que eu visse a beleza estética dos instrumentos agrícolas.

MAS! Depois destas elegantes exposições, esperava-me uma surpresa absolutamente surpreendente!!
Ei-la:

Madonna mai…!! Não, não posso dizer em italiano

Sendo Portugal um país muito católico e tendo as pessoas uma fé concreta, fiquei muito admirada com esta estátua. Mas nesta região  consome-se muito leitão, por isso acredito que também o leitão seja considerado sagrado. Pode ser!
E além disso esta estátua é muito agradável!!!

A minha viagem portuguesa continua no próximo episódio >

[1] (Texto publicado originalmente no blogue “KeikoSan”, em 14 de Agosto de 2017)

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A revista nº 6 do Clube Tex Portugal na exaustiva análise do ESPECIALISTA Geraldes Lino

Geraldes Lino

Por Geraldes Lino [1]

Em Portugal há numerosos aficionados de heróis de BD, designadamente Príncipe Valente, Tintin, Astérix, Corto Maltese, Tex. Mas apenas este último esteve na origem da criação – em Agosto de 2013 – de um colectivo formal, o Clube Tex Portugal.
Clube esse que tem desenvolvido uma actividade contínua através do evento anual homónimo, a Mostra Clube Tex Portugal, complementada com a edição do fanzine (*) Clube Tex Portugal.
Este zine, em formato de revista, é aperiódico, mas apesar de não ter obrigatoriedade de periodicidade, tem tido publicação contínua e frequente desde que foi lançado, em Novembro de 2014, tendo chegado ao número seis, em Julho de 2017.
Na citada recente edição, o seu conteúdo é variado e interessante, como de costume, com textos dedicados a autores, um artigo sobre a personagem Mefisto, crónicas, reportagens, uma homenagem gráfica e uma banda desenhada de doze pranchas, a cores.

Capa da revista nº 6 do Clube Tex Portugal

Capa da revista nº 6 do Clube Tex Portugal

Massimo Rotundo, por Sandro Palmas

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No que concerne a artigos sobre autores surge logo no início um dedicado a Massimo Rotundo, escrito por Sandro Palmas, em que se fica a saber que aquele autor nasceu em Roma em 1955, tem trabalhado como ilustrador para teatro e cinema, e é o fundador da prestigiada Scuola Romana del Fumetto, onde também é docente, mas é essencialmente um talentoso desenhador de BD. Aliás, ele é bem conhecido dos entusiastas portugueses, visto ter sido editado em Portugal a obra Tempestade sobre Galveston, em que, sob argumento/guião de Pasquale Ruju, Massimo Rotundo foi o autor da arte sequencial.

Tex e seus pards esculpidos em areia, por José Carlos Francisco

Tex e seus pards esculpidos em areia, por José Carlos Francisco

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José Carlos Francisco é um dos mais dinâmicos e activos membros do Clube Tex Portugal, com papel igualmente importante na edição do fanzine.
É dele um curioso artigo que chama a atenção para o facto de Tex e outras personagens da série terem sido esculpidos em areia pelo americano Kevin Crawford num concurso realizado na cidade italiana de Jesolo, província de Veneza.
E o especialista português não deixa de referir o facto de a escultura mostrar a que José Carlos Francisco classifica de “mítica capa” da edição nº 500 publicada em Itália em Junho de 2002.

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O show não pode parar, de Jesus Nabor Ferreira

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Um muito útil e bem documentado artigo pertence a Jesus Nabor Ferreira, onde desvenda pormenores só conhecidos dos especialistas. Por exemplo, fica-se a saber que, a certa altura, Galep começou a receber ajuda de outros desenhadores italianos, designadamente Angelo Corrias, Mario Uggeri ou Guido Zamperoni.

Esclarece o articulista que uns se limitavam a tarefas como os esboços, outros faziam passagens a tinta ou alguns cenários. Mas, claro, era sempre Galep quem assinava. Um aspecto muito usual na BD em geral, onde a existência de desenhadores ghost é um pormenor bem conhecido, eles são indispensáveis, mas fazem parte do trabalho como se fossem fantasmas, visto que muitos nunca vêm a ser conhecidos, ou só muito mais tarde, lembremo-nos de alguns ajudantes de Hergé nos episódios do Tintin, em que avultam dois nomes de elevado gabarito: Edgar Pierre Jacobs e Bob de Moor.

A aventura continua, de Tino Adamo

A AVENTURA CONTINUA é o título de um artigo assinado por Tino Adamo, francamente elogioso em relação a Tex Willer. Cito:
“É incrível que uma personagem criada há quase 70 anos continue, ainda hoje, a ser a publicação de maior sucesso da Sergio Bonelli Editore (SBE).
(…) Para tornar a série o mais realista possível, é fornecida aos desenhadores uma exaustiva documentação, quer da internet, quer da gigantesca biblioteca do falecido Sergio Bonelli.
(…) As estantes destinadas a Tex, cujas prateleiras encontram-se identificadas com os nomes dos autores por ordem alfabética, fariam as delícias do mais pretensioso coleccionador… as pranchas de Enrique Breccia, Ernesto Garcia Seijas, Laura Zuccheri e Fabio Civitelli, descansam ao lado das de Ticci e de todos os outros grandes mestres texianos, até que sejam recolhidas e enviadas para legendagem (…) para três desenhadores da redacção. Eu sou um deles. Com os meus amigos Roberto Piere, também desenhador de Zagor, e Sergio Masperi, com quem ultimamente tenho feito Bonelli Kids (…) ocupo-me em corrigir as alterações gráficas necessárias, tapar nus demasiado evidentes e refazer cenas explícitas de sexo e violência (…)
(…) No próximo ano Tex festejará 70 anos. Vários argumentistas e uma legião de desenhadores foram-se sucedendo na realização das suas aventuras, nascidas da arte de Gianluigi Bonelli e Aurelio Galleppini, todos eles aproximando-se da personagem com um respeito sagrado. O espírito de Tex não foi traído e isso representa uma das principais razões para o ter elevado a fenómeno inter-geracional. (…) (fim de citação)

Viagem ao templo dos fumetti, por João Miguel Lameiras

Entre outras coisas, diz João Miguel Lameiras, na crónica “Viagem ao Templo dos Fumetti” que escreveu para a publicação:
“(…) como grande fã de banda desenhada em geral e dos fumetti da Bonelli em particular, havia um local incontornável em Milão, para além da Catedral, do Teatro Scala, ou da Pinacoteca de Brera, que queria muito visitar: os escritórios da Sergio Bonelli Editore. Graças a uma “cunha” do meu amigo José Carlos Francisco, que os italianos conhecem por Zeca, não foi nada difícil concretizar esse sonho (…) Foi assim que, quando a meio da manhã de 9 de Junho de 2016, toquei à campainha de um discreto prédio habitacional no nº 38 da Via Buonarroti, tinha à minha espera Giovanni Boninsegni, o simpático responsável de imprensa da Bonelli (…)
A visita começou no primeiro piso onde estão os editores de séries como Tex e Zagor, e foi aí que encontrei Mauro Boselli rodeado de papéis por todo o lado, num caos mais ou menos organizado (…) Para ajudar à confusão, chegou então Maurizio Dotti, que eu tinha conhecido meses antes na Anadia, por ocasião da 3ª Mostra do Clube Tex Portugal, que tinha passado pela editora para entregar em mão uma dezena de pranchas originais de uma história do Tex passada em Nova Iorque que estava a desenhar. (…)”

Mefisto, por Moreno Burattini

“Se existe um inimigo de Tex por excelência esse é Mefisto” afirma o especialista em Tex, Moreno Burattini. E acrescenta: “(…) Na realidade, Mefisto é um inimigo muito atípico no seio de uma série de western, dado que não usa pistola, nem anda a cavalo. O seu perigo deriva do facto de ser dotado de poderes mágicos: precisamente por isso, revela-se um osso duro de roer para Tex e os seus pards, deslocados perante um inimigo que não se pode enfrentar simplesmente desembainhando a pistola ou erguendo a espingarda. Na verdade, no início, o futuro Inimigo Número Um era um adversário mais em linha com os cânones do western (…) Quando, num álbum de tiras de 1949, o bruxo fez a sua primeira aparição, ainda era conhecido pelo nome de Steve Dickart, era um simples vilão, e usava o nome de Mefisto apenas quando subia ao palco como ilusionista, deambulando com uma carroça pelo Oeste, assistido pela sua irmã Lily. (…)”
“(…) há de facto um diabo: vestido de vermelho, e ostentando cornos, chamado Mefisto justamente para abreviar um nome tão extenso como o de Mefistófeles (o mesmo que foi dado por Goethe ao demónio do seu Fausto). (…)”

Giovanni Ticci, do realismo à síntese em cinco décadas, por Mário João Marques

Mário João Marques, um dos responsáveis pela actividade do Clube Tex Portugal, e pela edição deste estupendo zine, escreve acerca de Giovanni Ticci, um dos mais conceituados desenhadores de Tex. Com a devida vénia ao autor do extenso e bem documentado artigo, não resisto a transcrever um curto excerto (respeitando, contrariado, o uso que Mário Marques faz do polémico AO90):
“Em janeiro de 1967, na série Rodeo de Tex (a última série das striscia), começou a ser publicada a aventura Vendetta Indiana, oportunidade para os leitores descobrirem um novo desenhador, Giovanni Ticci, que apresentava um estilo vigoroso e um Tex com uma expressão mais de acordo com o caráter determinado que lhe conferiu o seu criador Gianluigi Bonelli. Um desenhador que conseguia exprimir e caraterizar na perfeição os ambientes do velho oeste (…) Giovanni Ticci nasceu em Siena, em 1940 (…) Iniciou-se no estúdio de Roy D’Amy, onde trabalhou ao lado de nomes como Sergio Tuis, Renzo Calegari, Gino D’Antonio, Giorgio Trevisan, Aldo di Genaro ou Ferdinando Tacconi. Mais tarde, começa a colaborar com outro grande nome italiano, Franco Bignotti, em séries destinadas ao mercado inglês, culminando em 1960 com a série Un ragazzo nel Far West, com argumentos de Guido Nolitta e sucessivamente de Gianluigi Bonelli. Ticci preparava-se para deixar o desenho e ingressar na banca, por isso, conhecedor do talento do jovem, foi o próprio Bignotti que pediu a Ticci que o ajudasse, o que veio a acontecer de modo mais evidente a partir do terceiro número, passando na altura ambos a assinar com um pseudónimo expressamente inventado: Bignoticci. (…)”

Homenagem ao Mestre Giovanni Ticci, por António Lança-Guerreiro

Depois do artigo tão elogioso de Mário João Marques a Giovanni Ticci, e da “Homenagem ao Mestre” desenhada por Lança Guerreiro (ver imagem acima), vem muito a propósito reproduzir uma curta de BD de Ticci, desenho, e Nizzi, argumento/guião (das doze pranchas que a constituem apenas mostrarei duas, e não seguidas, servem só para dar uma ideia).

 

O Texas e os Rangers (Parte 3) – Da Guerra Civil ao fim do Séc. XX, por Jorge Machado-Dias

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O Texas e os Rangers, um estudo histórico desenvolvido por Jorge Machado-Dias e já vai na 3ª parte. Compreende-se a intenção: transversalmente, o herói de BD Tex tem teoricamente origem no tempo e no espaço sob análise no consistente e bem desenvolvido estudo.

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Reportagem fotográfica da 4ª Mostra do Clube Tex Portugal

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Obviamente, numa publicação editada pelo Clube Tex Portugal não poderia faltar uma reportagem fotográfica centrada no evento organizado pelo clube pela quarta vez consecutiva, a sua Mostra, em Anadia, capital da Bairrada. Como em anos anteriores, houve a presença de desenhadores italianos especializados na personagem Tex, Andrea Venturi e Leomacs (pseudónimo de Massimiliano Leonardo). No conjunto de fotografias ao lado reproduzido vêem-se estes dois autores/ilustradores e os elementos que compõem a direcção do clube.

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(*) Outros fanzines similares são, por exemplo, o Boletim do Clube Português de Banda Desenhada e o Juvebêdê, editados respectivamente pelo Clube Português de Banda Desenhada e pela Juvemedia, duas associações amadoras sem fins lucrativos, e cujas publicações em formato de revista são essencialmente para distribuição pelos respectivos sócios.
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Capa variante da revista nº 6 do Clube Tex Portugal #6

Um pormenor, se não inédito, mas invulgar a relevar em relação ao fanzine Clube Tex Portugal é o facto de haver duas edições com capas diferentes.
Uma das capas está a ilustrar o topo do presente poste, a outra está visível aqui por cima.
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Ficha técnica
Título: Clube Tex Portugal
Corpo da publicação em papel couché brilhante
Impressão digital em policromia
Formato: 210x275mm
Conteúdo: 56 páginas
Propriedade: Clube Tex Portugal
Director: Mário João Marques
Coordenação: José Carlos Francisco
Capa e paginação: Jorge Machado-Dias

[1] (Artigo publicado originalmente no Sítio dos Fanzines de Banda Desenhada, em 16 de Agosto de 2017) – Copyright: © 2017 Geraldes Lino.

Tex “Ouro Negro”, da Polvo Editora, com distribuição nos quiosques e papelarias de Portugal

Por José Carlos Francisco

A Polvo Editora, chancela de Rui Brito que tem editado o Tex em Portugal, a partir deste mês de Agosto passa a ter uma distribuição das suas edições nos quiosques e papelarias de Portugal, alargando os espaços onde os seus muito bem confeccionados livros de Tex podem ser encontrados para gáudio dos fãs e coleccionadores portugueses do Ranger.


Neste momento é o livro “Ouro Negro” (a quarta obra da  denominada colecção Tex Romance Gráfico) escrito por Gianfranco Manfredi e desenhado por Leomacs, que inclusive fez uma capa inédita e exclusiva para a Polvo, que se encontra à venda por 16,99 euros, inclusive já fomos informados que esta edição de “Ouro Negro” já foi avistada à venda em praticamente todo o país como são por exemplo os casos de Braga (Shopping Braga Parque), Linda-a-Velha (Centro Comercial Central Park) e Alverca (Jumbo-Park).


Trata-se de uma nova forma de chegar aos leitores já que anteriormente os livros da Polvo Editora em espaços físicos só se encontravam à venda em livrarias abrangidas pela distribuidora, com destaque para as principais livrarias de Portugal como por exemplo a Bertrand ou a FNAC, além obviamente dos locais de venda nos habituais eventos relacionados com a banda desenhada. A distribuidora que presta este novo serviço é a Distrinews II – Distribuição de Publicações, S.A, com sede em Lisboa e que no passado chegou também a distribuir no nosso país as edições de Tex com o selo da Mythos Editora, embora com outras designações: Midesa Portugal, Logista Portugal e  Urbanos Press, S.A.


Por isso caro leitor e/ou coleccionador de Tex se ainda não tem esta fantástica obra-prima num formato maior (18,5 x 24,5 cm e uma encadernação brochada: capa mole com badanas de 12,5 cm), publicada num papel de elevadíssima qualidade e com uma impressão muito boa, dirija-se à sua papelaria ou ao seu quiosque e pergunte se já a tem para venda. Caso não a encontre à venda, assim como alguma das edições anteriores (“Patagónia“, “Tempestade sobre Galveston” e “O segredo do juiz Bean“) pode sempre recorrer ao editor Rui Brito e encomendar directamente através do e-mail ruibritobad@gmail.com


OURO NEGRO: A dupla Tex Willer e Kit Carson, depois de agraciada com a “Rosa Amarela do Texas”, é nomeada pelo Governador desse estado americano para colocar um ponto final nas actividades de Bob Braddock, um homem perturbado que controla a seu bel-prazer a cidade de Hellsfire, e para investigar o irmão Jonas, um homem de negócios do petróleo, proprietário dos ricos campos de Oil Springs. Na sua chegada à cidade, Willer e Carson assistem à ousada detenção de Bob, pelo novel xerife Randy Nelson. Jonas, no entanto, contrata o habilidoso advogado Timothy Wilson para defender o irmão. Entre tiroteios, aldeias arrasadas e testemunhas corruptas, nas quais se encontra a sensual Rachel, Tex irá também desempenhar o papel de acusador no julgamento de Bob, presidido pelo temível juiz “enforcador” Felsen. Restava apenas tratar de Jonas, o que virá a acontecer num memorável e cinematográfico acerto de contas final por entre as torres de extracção petrolíferas.


FICHA TÉCNICA

Ouro Negro
Argumento: Gianfranco Manfredi
Desenhos e capas: Leomacs
Tradução: José Carlos Francisco
228 pág., p/b, brochado com badanas
24,5 x 18,5 cm, €16,99 (IVA inc.)
Polvo
, Abril 2017

(Para aproveitar a extensão completa  das imagens acima, clique nas mesmas)