As Leituras do Pedro – Tex: A pista dos fora-da-lei

As Leituras do Pedro*

Tex – Colecção Bonelli #6
A pista dos fora-da-lei
Mauro Boselli (argumento)
Carlos Gomez (desenho)

O Assassino de Índios
Claudio Nizzi (argumento)
Andrea Venturi (desenho)

Levoir/Público
Portugal, 17 de Maio de 2017
190 x 260 mm, 216 p., pb, capa dura
10,90 €

O(s) verdadeiro(s) Tex

O subtítulo acima – por muito estranho que possa soar em relação a uma personagem com 70 anos de existência ininterrupta e que tem sabido actualizar-se e manter-se moderno – tem uma dupla explicação.

A primeira, mais simples: é um piscar de olho ao texto sobre A Lenda de Tex, que inaugurou esta colecção Bonelli Levoir/Público que resumi como ‘O Outro Tex’, uma vez que as duas histórias deste modelo estão mais próximas daquele que se poderá considerar o seu ‘padrão’ – o que mais uma vez pode soar estranho em relação a uma personagem com 70 anos de existência ininterrupta e que tem sabido actualizar-se e manter-se moderno…

A segunda, mais complexa, diz respeito à disparidade – complementar? – de conceitos que os dois argumentistas deste volume – Mauro Boselli e Claudio Nizzi – aplica(ra)m ao ranger. Não quero repetir aqui o que Mário João Marques tão bem escreveu na sua conseguida introdução a este volume – que aconselho a ler atentamente, pelo atrás exposto e pela espreitadela à forma de trabalhar da Sergio Bonelli Editore – por isso vou abordar apenas as histórias em si, apesar dessas diferenças, exemplos mais prementes do que Tex realmente é e do que ele representa.
 
Porque apesar das diferenças, é o mesmo Tex que as protagoniza. Um Tex inflexível, determinado, violento quando necessário, solidário e capaz de confiar nos seus parceiros quando as situações a isso obrigam. O Tex que tem fãs determinados por todo o mundo, o Tex que se mantém vivo nas bancas – e agora também livrarias – italianas há décadas.
E porque, apesar dessas diferenças, ambas são exemplos de um western moderno, embora de pendor clássico; um western puro e duro, apesar das variações, nomeadamente o trabalho quase de detective dos dois rangers em O Assassino de índios. Um western com tudo para agradar aos apreciadores do género, mas também capaz de seduzir outros leitores que gostam de uma banda desenhada de aventuras bem escrita e desenhada.
 
Porque, mais uma vez nesta colecção Bonelli, o trabalho gráfico dos desenhadores merece ser destacado. A iniciar-se em Tex, Venturi – que já vimos no magnífico Dylan Dog: A Saga de Johnny Freak – apesar de aqui e ali revelar alguma rigidez e de o sentirmos preso a modelos, revela também as qualidades que fazem dele, hoje, um dos grandes desenhadores de Tex.
Mas é Carlos Gomez quem mais brilha, com um traço deslumbrante, mais sujo e impreciso, mas também de volumes mais definidos e mais pormenorizado. E não posso terminar, sem chamar a atenção para a longa sequência inicial de A pista dos fora-da-lei, que decorre toda ela sob uma forte tempestade e a forma como Gomez a aproveita, tirando partido da chuva e da iluminação dos relâmpagos para orquestrar um magnífico jogo de luz e sombras.

P.S. – De regresso da Anadia, da 5.ª Mostra do Clube Tex, alguém (exterior à BD), a quem mostrava os autógrafos que de lá trouxe, ao ver um dos Tex em formatinho da Mythos, disse-me: “Não sei como lês essas coisas…!”
Em resposta – a ele, a todos aqueles que torcem o nariz (com uma certa razão) a esse tipo de edição – mostrei-lhe os três primeiros tomos desta colecção Bonelli Levoir/Público, cuja qualidade ele admirou, tendo de seguida ficado surpreendido quando lhe expliquei que a origem das histórias era a mesma, mas tinham uma ‘embalagem’ diferente. Sim, sem dúvida, o tamanho importa!
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*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro

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Tex – A Pista dos Fora-da-Lei – ESTA quinta-feira com o jornal Público

Por Levoir

* Tex Willer, o famoso Ranger da editora Sergio Bonelli Editore que completa 70 anos em 2018, está de regresso neste 17 de Maio com mais duas aventuras.

Capa do Volume 6 da Colecção Bonelli – Tex – A Pista dos Fora-da-Lei

A primeira aventura, A Pista dos Fora-da-Lei, escrita por Mauro Boselli e com os espectaculares desenhos do argentino Carlos Gomez, foi publicada pela primeira vez no Almanacco del West 2013. Nesta história, Tex, acompanhado por Jack Tigre e Carson perseguem o bando de Ozzie Johnson por este e a sua quadrilha terem assaltado o banco de Clifton, uma pequena cidade mineira. Mas tudo passa para segundo plano, quando um bando de apaches rebeldes decide atacar a povoação. Johnson e os seus homens vão mostrar uma inesperada nobreza de carácter, arriscando a vida para salvar a vida das mulheres de Clifton.

A Pista dos Fora-da-Lei, de Mauro Boselli e Carlos Gomez

Na segunda aventura O Assassino de Índios, de Claudio Nizzi e Andrea Venturi – o desenhador de Johnny Freak a inesquecível história de Dylan Dog publicado no terceiro volume desta colecção. Venturi revela-se bastante à vontade na passagem para um género mais codificado como é o western, confirmando as suas qualidades artísticas, ao serviço de uma história com contornos de inquérito policial.

O Assassino de Índios, de Claudio Nizzi e Andrea Venturi

O Assassino de Índios foi publicado originalmente no Almanacco del West 1996, narra a investigação realizada por Tex e Kit Carson aos terríveis assassinatos de vários apaches da tribo jicarillas, cometidos por um misterioso mascarado que lhes arranca o escalpe. Tex descobre, ao mesmo tempo que o leitor, os motivos que levaram o misterioso assassino de índios a executar a sua vingança.

O Assassino de Índios, de Claudio Nizzi e Andrea Venturi

Como extras deste segundo volume dedicado a Tex na Colecção Bonelli temos desenhos de Tex homenageando Portugal. Desenhos esses da colecção privada de José Carlos Francisco.

Características deste volume 6 da Colecção Bonelli
Tradução – José Carlos Francisco
Prefácio – Mário João Marques
Capa dura
P/B
Nº páginas – 216
Formato – 190 x 260mm
Preço 10,90€

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Os IMPONENTES pósters (formato A1) de Alessandro Bocci e Alessandro Nespolino oferecidos na 5ª Mostra do Clube Português

Por José Carlos Francisco (texto), Cristina Amaral, Dolores Maldonado, Joaquim Santos, Marco Guerra, Marcos Maldonado e Orlando Santos Silva e Rui Cunha (fotos)

A dedicatória de Alessandro Nespolino à Excelentíssima Senhora Presidente da Câmara Municipal de Anadia

Alessandro Bocci a dedicar o seu póster ao Vereador Dr. Ricardo Manão

Maria José Pereira exibe orgulhosamente o póster de Bocci dedicado ao seu filho Ricardo

Alessandro Bocci autografa o seu póster para Marcos Maldonado

A fila para as dedicatórias nos pósters anadienses de Bocci e Nespolino

No decorrer da 5ª Mostra do Clube Tex Portugal, evento  organizado, nos dias 28 e 29 de Abril, pelo Clube português com o mesmo nome e com o apoio da Câmara Municipal de Anadia, o público presente no Museu do Vinho Bairrada foi brindado com uma surpresa imponente e verdadeiramente inesperada, uma surpresa guardada a sete chaves e que somente foi desvendada aquando da inauguração da exposição… o Museu do Vinho Bairrada e o Município de Anadia ofereciam 500 pósteres de Tex, no formato A1 (594 × 841), sendo 250 de Alessandro Bocci e 250 de Alessandro Nespolino, a todos os visitantes desta 5ª Mostra do Clube Tex Portugal!!!!!

Ricardo Elesbão e o cuidado especial em enrolar os seus pósters que iria levar para o Brasil

Nespolino a dedicar o seu cartaz ao Álvaro Machado

Alessandro Bocci e o autógrafo no seu póster

Alessandro Nespolino e o autógrafo no póster para o Vereador Dr. Ricardo Manão

A caça aos pósters  

Um fabuloso item que 250 felizardos conseguiram em Anadia e que tornaram a presença no evento ainda mais especial e valiosa até porque a maioria dos pósters foram autografados pelos Mestres italianos, conforme se pode ver em várias das fotografias que ilustram este pequeno texto!

Nespolino e a dedicatória à letrista Dolores Maldonado

Rui Brito e Marcos Maldonado a observarem Bocci a autografar o seu póster

Alessandro Nespolino a observar atentamente o cuidado da Excelentíssima Senhora Presidente da Câmara Municipal de Anadia a guardar o seu póster

Rui Cunha, José Carlos Francisco (com os seus pósters) e João Amaral

Trata-se de mais uma, ou melhor, duas peças de coleccionador que estão a ser muito cobiçadas por quem não pôde vir ao evento bairradino, mas que devido ao facto de terem esgotado, se torna praticamente impossível de ser conseguidas por quem não veio até Anadia desfrutar de mais um fantástica organização texiana levada a cabo pelo Clube português em parceria com a Câmara Municipal de Anadia, como tem acontecido desde o seu início, em 2014.

Alessandro Bocci e a fila para as dedicatórias nos pósters

Alessandro Nespolino e a dedicatória para o Manuel Costa

Bocci e a dedicatória

Nespolino e o póster para Orlando Santos Silva

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As Leituras do Pedro: Le Storie: Sangue e Gelo

As Leituras do Pedro*

Le Storie: Sangue e Gelo
Tito Faraci (argumento)
Pasquale Frisenda (desenho)
Levoir/Público
Portugal, 10 de Maio de 2018
190 x 260 mm, 120 p., pb/cor capa dura
10,90 €

A atracção pelo desconhecido

“E agora, se isto fosse uma história num livro, o leitor exigiria uma explicação… mas ao mesmo tempo, fugiria dela como da peste.”
In Le Storie: Sangue e Gelo
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Cheguei a Le Storie – excepção para mim, juntamente com Dragonero, nesta colecção Bonelli – como a maioria dos leitores: sem conhecer (nada d)a série que, a exemplo da mítica Un Uomo, Un’Avventura, utiliza contextos históricos reais para narrar aventuras ficcionadas. Mas cheguei com grandes expectativas, geradas pelas boas críticas que lhe fui conhecendo.
A leitura confirmou-as.
[Posso ter escrito um pouco mais do que alguns desejavam sobre o enredo deste volume, embora pense que não o fiz; avancem acutelosamente, por vossa conta e risco…]
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A liberdade da temática e a atracção do pressuposto desta série, lançada em 2012, inevitavelmente atraiu grandes autores – de dentro e de fora do universo Bonelli para Le Storie, como é o caso de Tito Faraci e Pasquale Frisenda neste Sangue e Gelo – pois podem narrar todo e qualquer tipo de história. E até combinar nelas várias temáticas.
Por isso se torna difícil ‘classificar’ Sangue e Gelo. Ambientada na Rússia, na derrocada da invasão napoleónica, começa por ser uma narrativa histórica.
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Centra-se num pequeno grupo de soldados, em retirada, semi-perdidos, abandonados, divididos entre o respeito pela autoridade e a descrença que os domina e os leva a ultrapassar os seus próprios limites naquela situação. A crítica à guerra – a todas as guerras – é o ponto seguinte que o leitor mentalmente anota – inevitavelmente a par das tensões nos relacionamentos que os momentos de desespero provocam, com o manter da autoridade a todo o custo, por um lado, e, por outro, a hesitação entre o respeito que lhe é devido e a vontade de assumir o controlo do seu próprio destino – seja lá o que isso for quando se está num país estrangeiro, perdidos, numa paisagem sempre igual, sempre gelada.
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Depois, Faraci e Frisenda introduzem a primeira nota distintiva: uma jovem, perseguida por um homem, que busca socorro e protecção – e ajuda para salvar o irmão. O tom muda, assim – ou pelo menos adquire o carácter de aventura que é (sempre) expectável numa produção Bonelli. A missão – mesmo inesperada – renova e transforma aquele pequeno grupo de homens, dá-lhes um rumo e um sentido.
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Entretanto, os autores já deram nova mostra de originalidade. Um deles, o cabo Écrienne, com vocação de escritor, está a narrar ao seu superior – ao mesmo tempo que a nós – a história. A dizer(-nos) o que viram, o que sentiram, como as coisas correram.
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A partir daqui, as mudanças sucedem-se – não a um ritmo frenético, pois Sangue e Gelo é um relato pausado, recheado de suspense, com silêncios e pausas para o leitor ir absorvendo tudo – e nada ficará como até ali. Um adversário surpreendente vai surgir, o que parecia uma situação limite e desesperada para aquele pequeno grupo de homens, vai revelar-se sê-lo ainda mais, e Faraci e Frisenda, que já nos prenderam completamente, vão levar-nos até ao abismo, numa história que se evidencia como sendo, afinal, de terror – como sendo, afinal, também de terror – com assinalável mestria.
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Graficamente, este tomo de Le Storie é também distinto de todos os outros desta colecção e do geral das produções Bonelli. Se assume o preto e branco para a narrativa de Écrienne ao seu superior, no geral da história predominam os cinzentos, diluídos e difusos, ideais para mostrar o gelo (e a neve) que imperam nos cenários, aqui e ali, pontualmente, de forma cirúrgica, manchados por (literalmente) pequenos clarões vermelho alaranjados, provenientes de um disparo, uma fogueira ou do fogo que, em liberdade, consome indistintamente, em mais um belo exercício artístico (e narrativo) de um Frisenda, cujo brilhantismo os portugueses já tinham descoberto em Tex: Patagónia.
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Terminada a leitura, ecoa a frase citada no início deste texto, que vinca o final em aberto e a possibilidade de interpretação oferecida a cada leitor, que, se por um lado o desesperam, sem as respostas definitivas e as explicações que ansiava, tornam ainda mais estimulante e sugestiva esta introdução (portuguesa) a Le Storie, pela possibilidade de cada um ‘escrever’ a sua conclusão.
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*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro

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