Quinta-feira, 20 de Junho “La vendetta delle ombre”, o trigésimo sexto volume de Tex Speciale – para os fãs e coleccionadores de Tex, o “Texone” – chega aos quiosques italianos. Para aguçar o interesse, damos hoje a conhecer as espectaculares páginas desenhadas por Massimo Carnevale e as grandes atmosferas sombrias idealizadas por Mauro Boselli, num belo trailer (de Alex Dante)… recheado de chumbo e suspense!
A história cujo título é “La vendetta delle ombre” é de um certo terror, com uma ambientação western e conta com a participação de Silent Foot: Nas pradarias do Kansas, acontecem crimes misteriosos e, ao lado de cada nova vítima, é encontrado um fetiche índio. Dois temíveis pistoleiros, os gémeos Fortune, a quem Tex e Carson dão caça, desaparecem misteriosamente, para se juntarem a índios estranhos, na realidade espíritos malignos chamados Kedaghe (as sombras) que viajam nos vagões de um misterioso lunapark ambulante: o “Dark carnival”.
A recente remodelação de que foi alvo este magnífico blogue levou-me, obrigatoriamente, a vir a terreiro e aqui deixar o meu testemunho. Obrigatoriamente porquê? Por diversos motivos: pela genuína amizade que tenho pelo José Carlos; pelo reconhecimento do trabalho que diariamente ele tão carinhosamente nos apresenta; pelo esforço com que se empenha na divulgação do nosso querido ranger; pela beleza das novas vestes do blogue; finalmente, porque, também eu, estive na origem deste projeto.
Mário João Marques e José Carlos Francisco (2006)
Quando conheci o José Carlos, reconheci desde logo a sua imensa paixão pelo Tex (a outra é o Benfica, mas essa não lhe fica nada bem), por isso não decorreu muito tempo até desafiá-lo para um projeto que pudesse divulgar o nosso querido ranger pelos quatro cantos do mundo, algo que a internet permitia, o que acabou por resultar neste blogue. A primeira reação do José Carlos, tanto quanto a minha idade ainda me permite lembrar, foi de que se tratava de um desafio exigente e que obrigava a muito trabalho e dedicação, pois só fazia sentido se fosse alimentado regularmente. As nossas vidas profissionais, bem como os afazeres pessoais, deixavam pouco tempo para o projeto, no entanto, sabendo (eu) que a paixão (dele) mandava mais alto e que, para o convencer, bastava colocar o produto à frente dos olhos, dispus-me a criar um blogue na condição de que fosse ele depois a andar com o projeto em diante.
O primeiro artigo do Tex Willer Blog. 28 de Setembro de 2006
E assim foi. Criei o blogue, publicando como primeiro artigo uma breve crítica à aventura Il Treno Blindato de Segura e Ortiz, o que se revelou ser mais do que suficiente para despertar o “bichinho” no José Carlos. Nunca pensei que fosse assim tão rápido convencê-lo, pois esperava que o José Carlos se fizesse mais difícil e me “obrigasse” a escrever mais uns posts até acabar por aceitar abraçar o projeto. Ainda bem que a paixão tem destas coisas, pois a sua pelo Tex é tão intensa, que acabou por “poupar-me” trabalho.
Desde então, o Tex Willer Blogue tem sido um caso de sucesso crescente, uma referência para muitos, arrisco-me mesmo a dizer que será o maior manancial de notícias e conteúdos sobre Tex depois do site da Sergio Bonelli Editore. Quem hoje quiser saber algo sobre a personagem visita o blogue com a certeza de encontrar o que pretende, não sendo estranho que, quando navego na internet por outros sites de banda desenhada, em quase todos encontre o Tex Willer Blogue como um dos sites de referência a visitar.
Claudio Villa, o primeiro autor de Tex a escrever no Tex Willer Blog, em Outubro de 2006
Desde cedo, editores e autores também reconheceram a importância de um blogue feito com tanto carinho e com tanta paixão, sem nunca descurar o profissionalismo e o rigor, não se coibindo, bem pelo contrário, de contribuírem com uma notícia, uma novidade, um desenho, um comentário, muitas vezes em primeira mão, o que também acaba por distinguir o blogue dos demais.
Apesar dos louros, o José Carlos não pára e, prova disso, está esta recente remodelação que veio tornar o blogue mais cativante, mais apelativo e mais moderno. Chegado aqui, deixem-me também endereçar os parabéns ao Ricardo Elesbão e ao Thadeu Fayad, companheiros do José Carlos neste imenso desafio que foi passar o gigantesco volume de informações para as novas vestes. Um verdadeiro salto em frente, mas, de igual forma, o reconhecimento e o agradecimento do José Carlos a todos os texianos e visitantes.
Que o blogue continue a cavalgar por muitos e bons anos!
A primeira imagem oficial do Tex Willer Blog (2006/2009)
A imagem oficial do Tex Willer Blog entre 2009 e 2020
Trata-se de um volume com uma aventura escrita por Mauro Boselli e desenhada então durante vários anos por Massimo Carnevale, história essa cujo título é “La vendetta delle ombre” e de um certo terror com uma ambientação western e onde comparece Silent Foot: Nas pradarias do Kansas, acontecem crimes misteriosos e, ao lado de cada nova vítima, é encontrado um fetiche índio. Dois temíveis pistoleiros, os gémeos Fortune, a quem Tex e Carson dão caça, desaparecem misteriosamente, para se juntarem a índios estranhos, na realidade espíritos malignos chamados Kedaghe (as sombras) que viajam nos vagões de um misterioso lunapark ambulante: o “Dark carnival”.
Mas apesar deste Tex Gigante ser publicado apenas no dia 20, o Blogue do Tex, devido a uma gentil cortesia do editor Mauro Boselli, dá hoje a conhecer diversos “retratos” dos pards extraídos precisamente dessa edição tão aguardada pelo universo texiano, de modo a todos os nossos leitores poderem ver desde já os quatro pards na interpretação de Massimo Carnevale:
Tex Willer retratado por Massimo Carnevale
Kit Carson retratado por Massimo Carnevale
Kit Willer retratado por Massimo Carnevale
Jack Tigre retratado por Massimo Carnevale
Kit Carson e Tex retratados por Massimo Carnevale
Kit Willer e Jack Tigre retratados por Massimo Carnevale
Tex Willer na arte de Massimo Carnevale
Kit Carson na arte de Massimo Carnevale
Kit Willer na arte de Massimo Carnevale
(Para aproveitar a extensão completa das imagens, clique nas mesmas)
A chave para ler UT (por Paulo Guanaes, tradutor de UT)
Após o desaparecimento do homem, o que resta do planeta é povoado por novas espécies antropomórficas, governadas apenas por suas necessidades básicas. UT é uma criatura elementar, feroz e infantil, cujas tarefas são procurar insectos para o entomologista Decio e supervisionar uma antiga mastaba, um tipo de túmulo, em que eram sepultados faraós ou nobres importantes do Egipto antigo. Um dia, um indivíduo diferente de todos os outros emerge acidentalmente: Iranon, enorme, atordoado e sem memória. Decio orienta UT a nunca perdê-lo de vista, porque “ele é o único exemplar de sua espécie”. O aparecimento de Iranon, no entanto, não passou despercebido, e os equilíbrios duramente conquistados começarão a se desestruturar…
A esse fio narrativo criado por Corrado Roi, que também é o desenhador da mini-série, a argumentista Paola Barbato acrescenta o que considera ser a chave de leitura de UT: ter a percepção de que foi eliminado o conceito de homem, mantendo-se algumas características (deterioradas) da nossa espécie.
Corrado Roi nasceu em 11 de Fevereiro de 1958, em Laveno Mombello (Varese), onde ainda vive e trabalha. Aos dezasseis anos, ingressou no estúdio dirigido por Graziano Origa com outros recém-chegados. Nos anos 1980, ele colabora com Ediperiodici, Il Monello e o Staff of If, de Gianni Bono. Em 1986, entrou em contacto com a Bonelli, desenhou algumas histórias de Mister No e Martin Mystère, passando logo depois permanentemente para a patrulha dos “Dylandoghianos”. Roi colaborou com as editoras Comic Art, Glamour e Mondadori. Entre uma história e outra de Dylan Dog, também trabalhou em uma edição especial para Nick Raider, Brendon (do qual ele foi o artista da capa do no 1 ao 44), Julia, Magico Vento e Dampyr. As capas de Dylan Dog Granderistampa (Grande reimpressão) são desenhadas por Roi.
Paola Barbato nasceu em 18 de Junho de 1971 em Milão, mas vive em Verona com o seu marido e filhas Virginia, Genebra e Melania. Depois de mil trabalhos diferentes, desperta a curiosidade do curador editorial de Dylan Dog, Mauro Marcheselli, que lhe faz um convite. A estreia no mundo de horror de Dylan Dog acontece em 1998, no especial nº. 12, “A presa humana”, com a história intitulada “O cavaleiro da perdição”. Nas séries regulares de Dylan Dog, a sua estreia é no ano seguinte com “O sono da razão”, seguida por inúmeras outras aventuras. Paola também colabora para a Sergio Bonelli Editore nas séries “Comic Novels” e “The Stories”. A sua estreia com livros, no entanto, ocorre em 2006 com o thrillerBilico, seguido em 2008 por Mani nude (Mãos nuas) e em 2010 por Il filo rosso (O fio vermelho). Em 2008, ela escreveu o argumento e colaborou no roteiro de uma ficção para a Sky, Nel nome del male (Em nome do mal). Paola também escreveu para cinema e teatro.
A seguir, confira os principais trechos do vídeo “UT: entrevista com Corrado Roi e Paola Barbato”, produzido pelo site Smemoranda.it, traduzidos e adaptados por Paulo Guanaes, tradutor da série no Brasil. Os dois autores de UT comentam sobre a insólita construção desse personagem intrigante, uma espécie de primus inter pares do universo de personagens bonellianos. Para Corrado Roi, o leitor é responsável pela compreensão. Roi diz que apenas conta histórias e que UT faz o seu próprio género. E ressalva que não é horror, não é fantástico, não é pós-atómico, mas um trabalho de xenoficção.
Entrevistadora – Quem é UT?
Paola Barbato – Primeiro, é preciso dizer quem ele não é. Não é um herói, não é um personagem estereotipado. É um personagem muito novo, muito primitivo, muito infantil, nós amamos defini-lo como uma espécie de Pinóquio moderno, muito feroz. Enfim, um Pinóquio armado…
Corrado Roi – O motor de toda a história, no final das contas, é o afecto. É das poucas coisas que UT consegue entender.
Paola Barbato – Corrado começou a escrever a história quando tinha 16 anos, e foi trabalhando na saga até os 40. É uma soma de muitas coisas que são o resultado de experiências da sua vida. Por isso, não havia como descrever um indivíduo tentando fazê-lo parecer outro. Esta história não é assim. É uma história individual.
Corrado Roi – Se quisermos fazer uma autópsia dos mecanismos utilizados na realização da história, eu diria que fomos realistas de maneira absoluta.
Entrevistadora – UT vive em um local onde o homem desapareceu. A terra está devastada. A fauna está extinta. O meio ambiente, intoxicado. Não é uma visão futurística?
Paola Barbato – Se olharmos o que acontece à nossa volta, não é exactamente um futuro pessimístico. É uma coisa que depende muito de nós.
Corrado Roi – Precisávamos zerar tudo, começar do zero. E a partir daí nos divertirmos. Demos um reset, limpamos a prancha e partimos. Recriamos formas de interacção entre os personagens. UT talvez seja o único personagem retórico no qual não há uma visão, mas apenas uma necessidade. E só. É visto como um corpo estranho, mas ao mesmo tempo é uma parte vital de toda a narrativa.
Paola – O ser mais empático não é nem um ser humano, nem um humanóide, nem antropomorfo, mas um gato [Leopoldo], que é um protagonista, porque pareceria que UT ama o gato como um animalzinho acessório, mas ele não é acessório mesmo! Diversos personagens interagem com ele.
Entrevistadora – Já a personagem feminina é uma menina que não existe. O que simboliza?
Corrado Roi – Simboliza todos nós que queremos ter contacto com as histórias que nos são contadas pela televisão, pelo cinema, pelo livro, pelas bandas desenhadas, pelas nossas avós. De qualquer forma, temos sempre a necessidade, não consciente, de lidar com as histórias. Esta menina representa isso.
Entrevistadora – Ela se alimenta de fábulas…
Corrado Roi– Exactamente como nós.
Entrevistadora – E a citação a Humberto Eco? Foi uma homenagem…
Paola – Uma homenagem afectuosa, absolutamente anterior ao falecimento dele, por isso nos pegou de surpresa. Como Eco era um amante de histórias aos quadradinhos, pensamos que ele ficaria feliz de ser citado como acontecera antes em outras histórias de banda desenhada, inclusive em Dylan Dog. Além disso, é um personagem extremamente simbólico porque está muito presente enquanto ausente. O personagem a quem Umberto Eco emprestou o rosto aparece apenas em flashback, não existe fisicamente na história. Por isso gostamos, pois era uma bela forma metafórica, também era um personagem quase intocável. É uma pena que não esteja mais entre nós.
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No dia 3 de Março de 2017 chegou aos quiosques italianos o Tex Classic, a série que, pela primeira vez no âmbito bonelliano, republica totalmente a cores as aventuras de Águia da Noite, desde a sua estreia, datada de 1948. Não é uma novidade absoluta a introdução das cores para o Ranger criado por Gianluigi Bonelli, já que as vinhetas contidas neste primeiro volume, de facto foram coloridas em 2006 para serem publicadas na Collezione Storica a Colori, do periódico La Repubblica.
O volume de estreia da Collezione Storica a Colori de Tex, capa de Claudio Villa…
…inspirada na mítica primeira aparição de Tex na primeira vinheta da sua saga. Desenho de Galep
Devido ao menor número de páginas (68) existe a impossibilidade de reproduzir, nesta nova reedição, as capas da série principal (como aconteceu com Tex Tre Stelle, Tutto Tex e Tex Nuova Ristampa) porque elas são numericamente insuficientes.
Consequentemente, mesmo admitindo que a Sergio Bonelli Editore quisesse utilizar as capas inicias da actual colecção principal, apenas poderia usar duas em cada cinco números, atendendo até ao facto dos primeiros números da colecção principal serem compostos por 160 páginas. Foi então inevitável recorrer às capas realizadas por Aurelio Galleppini para as outras reedições ou colecções texianas no curso da sua longa carreira de capista, onde realizou quase 1600 capas, apenas para Tex.
A escolha, para as primeiras capas de Tex Classic, foi a de resgatar entre as capas dos Tex Albo d’oro, a colecção quinzenal, publicada a partir de Junho de 1952, que propôes pela primeira vez as aventuras de Tex paginadas com três tiras por página. As capas daquela série, assinadas por Aurelio Galleppini, eram todas inéditas, mas em alguns casos inspiravam-se claramente nas capas das primeiras striscias, o chamado formato talão de cheques.
Com esta nova rubrica que estreamos hoje, vamos então descobrir as “origens secretas” das capas de Tex Classic, graças sobretudo às imagens divulgadas no importantíssimo site www.collezionismofumetti.com, que representa, entre outras coisas, uma fonte inesgotável de históricas capas da banda desenhada italiana.
Um exemplo, do que escrevemos acima vem precisamente da capa eleita para a estreia de Tex Classic. O chefe índio que ocupa a parte esquerda da capa vem do longínquo ano de 1946. Como é possível que remonte a antes do nascimento do Tex? O orgulhoso nativo americano nada mais é do que o testemunho publicitário escolhido pelo The Chief, o comboio da linha ferroviária de Santa Fé, que vemos à direita.
A versão que aparece na capa deste primeiro clássico, na realidade, parece mais inspirada no cartaz publicitário de 1947, com uma versão do “Capo” ligeiramente mais estilizada.
Cartaz publicitário de 1947
O Chefe índio chega às capas de Tex, em 1949 quando Galep o utiliza para realizar a capa do vigésimo nono álbum de tiras da primeira série de Tex, Il segreto dell’idolo (aventura que, conste-se, lê-se apenas no quinto Tex Classic).
Collana del Tex nº 29 – Il segreto dell’idolo
A mesma ilustração, recolorida e ampliada com o desenho de um medalhão índio, foi novamente utilizada em 1956, como capa do quinto número da terceira série de tiras de Tex, também chamada de Serie Rossa.
Tex Serie Rossa nº 5 – Il segreto dell’idolo
Entretanto, a 1 de Junho de 1952, o mesmo índio, vem redesenhado por Galep para a primeira capa da colecção Albo D’Oro, na companhia de Tex, de uma jovem índia e de um totem.
Tex Albo D’Oro nº 1
É desta capa, definitivamente finalizada, que provém a primeira imagem utilizada para a capa de Tex Classic.
Tex Classic nº 1 – Il totem misterioso
Continuem a seguir-nos e nas próximas semanas descobrirão as “origens secretas” das sucessivas capas de Tex Classic.
Saverio Ceri
P.S. Obviamente as oriugens não têm nada de secreto. Os apaixonados coleccionadores de Águia da Noite conhecem bem todas as vicissitudes da série, mas parecia interessante reunir num único artigo todas as diversas encarnações de uma ilustração destinada a tornar-se uma capa de Tex.