Vídeo: Tex em San Francisco com… o Capitão “Barba Negra” Drake, na arte de Stefano Andreucci

Stefano Andreucci, que podemos já informar será o capista da revista nº 14 do Clube Tex Portugal, a publicar em Junho, está a desenhar uma história, de 220 páginas, de Tex para a série principal do Ranger, uma empreitada que demorará cerca de 2 anos a concluir mas pode-se desde já informar que será (mais) uma história icónica, escrita por Mauro Boselli, que trará o regresso do Capitão Barba Negra, mas para já e antes de falar do capitão Drake com maior profundidade, vamos dar a conhecer um magnífico vídeo, de 45 segundos, onde com uma bela melodia de fundo, o Stefano Andreucci nos mostra uma esplendorosa prancha, ainda a lápis, acabada de desenhar:

Mas falemos agora das anteriores aparições do capitão “Barba Negra” Drake (representado de seguida na fabulosa arte de Stefano Andreucci) e do porquê de ser uma das personagens mais carismáticas na longa saga de Tex…

Capitão “Barba Negra” Drake na arte de Stefano Andreucci

De Ulisses a Jim Hawkins, de Sinbad ao capitão Nemo, de Ahab a Corto Maltese, os mais grandiosos protagonistas de histórias de Aventuras tiveram que enfrentar, mais cedo ou mais tarde, uma viagem nas imensas extensões Oceânicas, com tudo que isso envolve: tempestades, abordagens, naufrágios, batalhas navais, caça à baleia… Tex não podia ser a excepção.

A ocasião ofereceu-lhe o Capitão “Barba Negra” Drake, que rapta Kit Willer e o aprisiona num velho veleiro (o “Black Shark”), pensando em abandoná-lo num atol do Pacífico. Homem do mar de carácter duro, contrabandista habituado a bater-se e a desembainhar o punhal sem pensar duas vezes, Barba Negra tudo somado, é um simpático pirata, provido de um seu código de honra. Por isso, em seguida, passará a fazer parte dos aliados de Águia da Noite.

QUEM É O CAPITÃO BARBA NEGRA

Capitão Barba Negra - HachetteTex abandona frequentemente terra firme, para zarpar, a bordo de veleiros, botes, pirogas e baleeiras em direcção a metas exóticas e remotas.
E é precisamente no coração do Oceano Pacífico que o Ranger se aventura para encontrar o seu filho Kit, embarcado (à força) como marinheiro no barco de um simpático patife: Capitão Barba Negra!

“Onde está o meu filho?”, pergunta Tex com olhar fogoso, agarrando pelos colarinhos o aterrorizado Diamond Jim. O homem, que tem vários locais de tráfico de São Francisco, mandou raptar Kit Willer para vingar o próprio irmão, vítima de Águia da Noite há alguns anos atrás. Mas depressa arrepende-se. De facto, rapidamente, com um lampejo de horror nos olhos, revela que Pequeno Falcão foi apanhado e embarcado pelos homens do “Black Shark”, o barco de um certo Capitão Drake, dito Barba Negra.

Capitão Barba-NegraEssa pessoa recebeu uma pilha de dólares e a ordem de desembarcar o prisioneiro no meio do Pacífico, num atol esquecido por Deus, durante a sua viagem para as Ilhas Salomão.
Para ir no encalço do “Black Shark”, que já tinha levantado âncora, Tex contrata, por sua vez, um capitão de longo curso, Billy Bart, velho rival de Barba Negra, convencendo-o a desdobrar as velas do seu três-mastros. Bart descreve Drake com estas palavras: “É um maldito filho de um cão, mas a seu modo é um homem de palavra!”

Capitão-Barba-NegraHomem duro, contrabandista habituado a bater-se e a desembainhar o punhal nas tabernas de portos de meio mundo, tem porém o seu código de honra. “Eu me comprometi em desembarcar-te o mais longe possível de “Frisco”, num lugar do qual tu tenhas escassas possibilidades de voltar.”, diz Barba Negra a Kit Willer, durante a navegação, “E que eu seja enforcado se não farei isso, embora eu te ache simpático. Eu mantenho sempre a minha palavra”. Pequeno Falcão refuta: “O que, neste caso, seguramente lhe vai custar a pele”. “Conversa!”, replica o Lobo do Mar. “Tu não tens a mínima ideia de quem seja o velho Drake!”. E Kit, de imediato: “E você não suspeita nem de longe quem seja o meu pai. Fará tudo para descobrir onde eu fui parar; se não conseguir não descansará enquanto não puser as mãos em todos os responsáveis pelo meu desaparecimento!”.
No final, travado por Tex, que o perseguiu por meio Pacífico, Barba Negra perde o “Blak Shark” mas salva a fatídica pele.

Capitão Barba Negra e TexQuando, anos depois, o Ranger e o capitão se revêem, este último está há algum tempo enclausurado entre os muros de Alcatraz, e ainda chora pela sorte do seu barco, que foi fazer companhia aos peixes no fundo do Oceano. “Um fim justo para uma banheira que só servia para contrabando e assaltos”, comenta Águia da Noite.

Capitão Barba Negra e o AlbatrozHabituado aos horizontes do mar aberto, Drake sofre como uma raposa na armadilha agora que é forçado a viver fechado numa penitenciária. Porém há um trunfo para jogar: sabe onde está escondido Tom Devlin, o chefe da polícia de São Francisco, acabado de ser vítima de uma conspiração efectuada por alguns dos seus próprios colegas. Drake pede a Tex a promessa de tirá-lo da prisão em troca da sua ajuda. Willer e Carson, por isso, fazem evadir Barba Negra de Alcatraz, e Drake, de novo livre revela que o Capitão Devlin está aprisionado na estiva de um navio chamado “Albatroz” que ruma para Vancover.

Capitão Barba Negra e Tom DevlinÁguia da Noite compreende ter agora de precisar do barbudo pirata e lhe assegura que convencerá Devlin a perdoar-lhe o resto da pena, se colaborar com a Lei. Os dois homens entreolham-se e compreendem em poucos instantes que precisam um do outro. Barba Negra ajuda Tex por conveniência. Mas fá-lo.

É ele mesmo a admirar-se, quando, no final, se encontra a jantar no restaurante com o policial que contribuiu para libertar.: “Pelo ventre de um tubarão, essa é boa! Um penduricalho de forca como eu sentado ao lado do chefe da polícia!”. Quase para salvar a face ou para não se desdizer a si mesmo, Drake não renuncia a apontar o dedo contra o ranger: “A nossa conta permanece em aberto, Willer! Um dia poderás me encontrar no teu caminho novamente!” E Tex: “Não te aconselho! Eu poderia arrancar essa barba e fazer uma vassoura com ela”. Mas, pouco depois, o encontro termina com um brinde: “À volta do Capitão Devlin e à regeneração de um velho pecador!”.

Vídeos: Entrevistas com Michele Rubini, Fabio Civitelli, Alessandro Piccinelli, Stefano Andreucci, Nicola Genzianella, Aldo Di Gennaro, Pasquale Del Vecchio, Stefano Biglia, Mario Rossi (Marò), Pasquale Ruju e Gianfranco Manfredi

Hoje no Tex Willer Blog damos a conhecer algumas vídeo-entrevistas realizadas (em italiano) muito recentemente com alguns dos principais desenhadores do staff oficial de Tex (Michele Rubini, Fabio Civitelli, Alessandro Piccinelli, Stefano Andreucci, Nicola Genzianella, Aldo Di Gennaro, Pasquale Del Vecchio, Stefano Biglia e Mario Rossi -Marò) e com prestigiados escritores do Ranger (Pasquale Ruju e Gianfranco Manfredi), entrevistas muito interessante da rubrica “3 Chiacchiere con…” com cerca de 60 minutos,  conduzidas pelo youtuber Manuel para o canal nerd 8 – BIT e que recomendamos a todos os fãs de Tex que compreendam o belo idioma italiano:

As Leituras do Pedro – Ken Parker #8: Hombres, Bestias y Héroes/ Butch, el implacable

As Leituras do Pedro*

Ken Parker #8: Hombres, Bestias y Héroes/ Butch, el implacable
Giancarlo Berardi (argumento)
Ivo Milazzo e Bruno Marrafa (desenho)
ECC Comics
Espanha, Março de 2018
140 x 210 mm, 200 p., pb, capa fina com badanas
ISBN: 978-84-17354-28-2
9,90 €

Títulos…

Em cada análise que faço aqui no blogue, por baixo do título da obra existe um (sub-)título com o qual pretendo resumir, apresentar o livro e/ou despertar a curiosidade de quem lê, mas sempre sem desvendar demasiado.

Desta vez, neste (rápido) regresso a Ken Parker, não consegui decidir que (sub-)título utilizar: Fim de ciclo? Curiosidade? Mestria narrativa? Ficam breves análises segundo as linhas orientadoras de cada um, já a seguir…

Fim de ciclo

Este volume duplo – da colecção Ken Parker que a ECC Comics está a lançar mensalmente em Espanha – abre com Hombres, Bestias y Héroes que marca o final do ciclo que Berardi dedicou à adolescente Pat O’Shane. Foi uma fase de transição, relativamente longa, por vezes com um excesso de rábulas burlescas, que fundamentalmente serviu de rito de passagem da adolescência para uma idade (pré-)adulta da jovem que Ken acompanhou e protegeu, da melhor forma que pôde, embora fosse visível a forma como se sentia desconfortável, preso e manietado na sua ânsia de liberdade.

Este conto final – que é também um retrato realista – por isso duro – de algumas realidades do velho Oeste, destaca-se pela forma púdica como é narrada a aproximação progressiva entre Pat e Nathan que permite a libertação emocional de Ken.

Curiosidade

Outro aspecto a destacar neste conto – embora por demais conhecido – é a curiosidade de nas suas páginas iniciais, na cena em que Ken Parker, num saloon, tenta encontrar homens que o acompanhem na condução do rebanho de Pat O’Shane, ter como cicerones os próprios Berardi e Milazzo, em divertidos exercícios de auto-depreciação. Ao mesmo tempo, entre os clientes vão-se reconhecendo Tex, Carson, Kit Willer e Jack Tigre, Larry Yuma, Red Dust, Cisco Kid e Pancho, Sargento Kirk, Lucky Luke ou Blueberry, numa bela homenagem e curioso reconhecimento do género e citação de alguns dos seus intervenientes de eleição, numa série que tanto se afastou do western tradicional em nome da sua humanização…

Mestria narrativa

Mas a principal razão para este texto – por isso este terceiro sub-título ficou para o fim – é o segundo relato que o livro contém – Butch, el implacable – no qual Giancarlo Berradi dá mostras de toda a sua mestria narrativa – num modelo (desculpem a rudeza do termo) que iria aplicar anos mais tarde igualmente em Julia.

Com o herói a entrar apenas por volta da página 30 (!), aproveita o largo intróito anterior para nos dar a conhecer Butch, um caçador de escalpes, bem como alguns passageiros de uma diligência. Fá-lo através da acção e dos diálogos, tentando que os juízos sobre cada um caibam apenas ao leitor mas, nessas curtas páginas, aborda emancipação feminina, racismo, preconceitos em relação aos índios, servindo tudo com um grau de violência- várias vezes visual – invulgar na época…

Se os caminhos da diligência referida, de Ken Parker e de Butch se vão cruzar, vítimas comuns de uma perseguição por índios, tenham cuidado com as ideias feitas (que vão formar antecipadamente) e esperem tudo deste relato menos um western clássico e estereotipado, porque Berardi – com evidente prazer – troca-nos as voltas de forma magistral, mostrando como quem vê caras não vê corações – desculpem a recurso fácil à sabedoria popular – e entre redenções e quedas, o ser humano é sempre capaz de nos (des)iludir.

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro

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Blueberry e Tex por Rossano Rossi

Por Afrânio Braga, criador do blogue Blueberry, Uma Lenda do Oeste: https://blueberrybr.blogspot.com

Blueberry e Tex por Rossano Rossi

Rossano Rossi (1964), desenhador aretino, depois de haver frequentado brevemente os cursos da arte da ourivesaria, intui logo que a sua verdadeira paixão são as histórias em quadrinhos. Assim, na metade dos anos Oitenta, com pouco mais de vinte anos de idade, ele inicia a desenhar em revistas como “L’Intrepido”, “Splatter”, “Blitz” e “Ramba”. A sua carreira sofre uma reviravolta no início dos anos Noventa, quando é contratado pelo editor Sergio Bonelli para entrar no staff dos desenhadores de “Mister No”.

Tex Willer e Rossano Rossi – Casa Museo Bruschi, Arezzo, Itália, 2016

Em 1994, ele é contactado pelo argumentista Federico Memola que o quer para o staff de “Zona X” na nova série “La stirpe di Elan”, e é ele próprio através da imaginação de cenários fantásticos e surreais que completa algumas das pranchas mais belas pelo seu traço delicado e refinado. Em seguida, Rossi trabalha em algumas histórias: “Jonathan Steele” e “Nick Raider” e quando termina a série ele passa a desenhar os álbuns de “Tex”, através de “Tex Almanacco del West” (2005), numa parceria com o indiscutível chefe de escola aretina Fabio Civitelli. Com o número 567 sai a sua primeira história regular (2008), pelo roteiro de Claudio Nizzi, intitulada “Dieci anni dopo” e “Sangue in Paradiso”, uma prova magistral do seu longo e intenso trabalho. Em 2011, publica a segunda, “Attacco alla diligenza” e “Alto tradimento”. Em 2015, Rossi trabalhou na realização de um novo episódio, em dois álbuns, sobre textos de Tito Faraci, de título “Nodo scorsoio”. Mais recentemente, em 2019, Rossano Rossi desenhou “Il boss di Chicago“, aventura escrita por Pasquale Ruju e publicada no Maxi Tex nº 25.

Rossano Rossi, influenciado seguramente pelo seu mestre Fabio Civitelli e por Giovanni Ticci, ao retratar os seus implacáveis pards está em constante procura de uma representação a mais espontânea e expressiva possível, conseguindo elaborar e propor infinitos enquadramentos estratégicos. Luzes e sombras são bem representadas nos traços subtis e delicados, habilmente empregados na troca dos planos e da profundidade. Um claro e escuro utilizado principalmente às costas das personagens com a precisa vontade de fazer ressaltar toda a dramaticidade da cena. Muitas as figuras em silhuetas, um método, como afirma o desenhador, para separar a cena, sobretudo, quando o roteiro é ambientado em situações nocturnas ou em passagens caóticas.

Uma técnica que se, às vezes, parece lenta, como ele mesmo admite, é conduzida com abnegação e seriedade profissional levando-lhe necessariamente a um constante empenho de actualização estilística. Por notar, na realização das personagens, o estudo meticuloso do detalhe seja nas indumentárias da época, seja nos acessórios, seja na apresentação das personagens; um exemplo disso é a moderna cabeleira de Rhonda Carpenter em “Sangue in Paradiso”.

Do seu trabalho nas pranchas das histórias de “Nick Raider”, “Jonathan Steele” e “Zona X”, séries nas quais Rossano Rossi deu amplo espaço à fantasia e à criatividade tanto que a instintiva cumplicidade com a fantasia permitiu-lhe uma maior liberdade no idealizar mundos irreais e quiméricos, um universo alternativo onde no interno da magia coexiste uma mistura de culturas e arquitecturas diferentes. Filmes como “Mad Max”, “Blade Runner” e “Guerra nas Estrelas” o influenciaram, indubitavelmente.

Mundos encantados e misteriosos, pensados e realizados com traços decorativos e refinados nos quais resulta a beleza das personagens, sobretudo, femininos carregados de uma sensualidade inusitada, fazem de Rossano Rossi um desenhador apreciado por uma heterogénea geração de apaixonados pelas histórias de banda desenhada.

Fernando Pessoa e Rossano Rossi, Lisboa, Portugal, 2018

A série “Blueberry” foi criada por Jean-Michel Charlier e Jean Giraud
Blueberry © Jean-Michel Charlier / Jean Giraud – Dargaud Éditeur

A personagem Tex foi criada por Giovanni Luigi Bonelli e realizada graficamente por Aurelio Galleppini
Tex © Sergio Bonelli Editore

“Blueberry, o irmão francês de Tex.” – Sergio Bonelli editor e argumentista

Agradecimentos a Rossano Rossi pelo desenho de Blueberry e Tex, lendas do Oeste, para o blogue.
Afrânio Braga

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