As críticas do Marinho: “Sulla cattiva strada” (Tex italianos 719 e 720)

Tex #720 – Sulla cattiva strada

Por Mário João Marques

Sulla cattiva strada

Argumento de Pasquale Ruju, desenhos de Alfonso Font e capas de Claudio Villa.

História publicada em Itália nos nº 719 (“Scontro finale“) e 720 (“Sulla cattiva strada“), de Setembro e Outubro de 2020.

Goldfield, Arizona, uma cidade calma e próspera que se desenvolveu devido às minas que a rodeiam. Tex e Carson chegam à cidade na pista de Larry Granger, um bandido procurado pelas autoridades, mas quando vêem Scott Granger acreditam estar defronte do fora da lei. Adoptados pelos antigos donos do maior posto comercial da cidade, Larry e Scott são, na realidade, irmãos e gémeos, mas muito diferentes. Larry tem um passado rico em rixas e pequenos furtos, acabando por abandonar o lar ainda adolescente e tornar-se num verdadeiro fora da lei, que vive de roubos e assaltos e que não hesita em abater todos aqueles que tentam opor-se-lhe. Em poucas palavras, um ladrão e um assassino. Pelo contrário, Scott nunca foi violento e é hoje um cidadão respeitado, casado e pai de uma criança. Permaneceu sempre ao lado dos pais, até deles herdar o posto comercial onde todos afluem. Em suma, um cidadão exemplar. Acossado pela perseguição movida pelos dois rangers, Larry regressa à cidade para literalmente “tomar o lugar” do irmão.

Podíamos identificar Scott e Larry como uma espécie de Abel e Caim, tal como em certa altura se alude na história, mas o relacionamento entre os irmãos Granger no argumento de Pasquale Ruju, surge-nos diferente daquele que nos foi narrado pelo drama bíblico, o primeiro assassinato entre homens, e que ocorreu devido aos ciúmes que Caim tinha por Abel, pelo facto de Deus ter reconhecido um presente que lhe foi oferecido pelo irmão e não ter dado muito valor ao seu. Pelo contrário, Larry sempre encontrou nos progenitores compreensão para as suas atitudes rebeldes e violentas, talvez porque, dessa forma, eventualmente conseguiriam atenuar a índole dramática do filho. Além disso, e tanto como as cenas iniciais nos permitem concluir, o relacionamento entre os dois irmãos não era de rivalidade nem alimentado pelo ciúme, sendo até possível identificar Scott como um aliado de Larry, mesmo que momentâneo e forçado pelas contingências, quando este opta pela fuga do lar. Ou seja, a acção de Larry não é movida por alguma animosidade pelo irmão, mas sim pelo seu próprio carácter complexo e problemático, que o vai transformar num perfeito bastardo sem coração, que não hesita em apontar a arma na direcção da sua família, como o futuro virá demonstrar, e disposto a tudo para salvar-se, característica que o leitor até testemunha logo numa das cenas iniciais, quando abandona o seu bando nas mãos de Tex e Carson, sabendo ser muito difícil enfrentar e derrotar os rangers.

Chegado à cidade, Larry assume-se como uma espécie de Proteus, a célebre personagem presente no imaginário do leitor como o homem dos múltiplos disfarces, contudo, sem necessitar de alguma máscara para assumir outra identidade, tal é a sua semelhança com o irmão Scott. Com este efeito surpresa dissipado, é no confronto, ou se quisermos, no contraste entre os dois gémeos, idênticos fisicamente, mas muito diferentes no carácter, que a trama de Ruju se vai sustentar, conseguindo o autor gerir, de forma hábil, a gestão de expectativas do leitor, ao que não é alheia a introdução da personagem de Montoya, um sádico que nutre um enorme prazer no sofrimento das suas vítimas e de cujo bando Larry tinha feito parte. Acompanhado por um par de cães ferozes, a recordar Lizard de Os sete assassinos, Montoya é mais uma daquelas personagens violentas, marcadas e atormentadas que Ruju tanto gosta de apresentar e desenvolver, o que contribui para adensar e apimentar uma trama que parecia delimitar-se às ruas Goldfield e às astucias e artimanhas de Larry.

No desenho desta aventura encontramos o veterano espanhol Alfonso Font, de novo com um trabalho de grande qualidade, apesar dos anos que, naturalmente, passam por todos. No entanto, Font parece insistir em fintar o destino, porque trabalha com um ritmo que muitos bem mais novos gostariam de atingir, e sempre com um nível acima da média. Podemos estar em presença de um traço talvez mais sintético, mas estilo, técnica, enquadramentos, expressividade das personagens e um perfeito domínio dos contrastes, tudo contribui para um trabalho globalmente homogéneo. Destaque para a cena da perseguição inicial de Tex e Carson, com a poeira das cavalgadas, o disparo das armas, o movimento de cavalos e cavaleiros, tudo roça a antologia. E onde outros desenhadores utilizam o pontilhado para conferir dinamismo e dimensão, Font opta por traços que, reunidos em conjunto, acabam por transmitir a mesma sensação ao leitor. O seu Tex, graficamente menos canónico que outros, é acima de tudo um herói perfeitamente reconhecível, presente no imaginário do leitor pelo seu olhar rasgado, os seus traços nervosos e bem definidos, ao lado de personagens representadas por Font de modo vincado e expressivo, perfeitamente capazes de emergirem ao longo de toda a aventura.

De elaboração clássica, esta é uma aventura escorreita e bem calibrada, onde o papel de Tex e Carson está manifestamente bem doseado e administrado e onde todos os actores sabem bem qual o papel a desempenhar na economia da narrativa. Uma daquelas aventuras que vem cimentar as características de Ruju na série: onde Boselli é épico, Ruju opta pela simplicidade do previsível, o que não é de somenos.

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Exclusivo Mundial: Os SEIS esboços necessários para realizar a capa de Tex Willer n° 25 e ainda o lápis, a tinta da china e as cores originais de Maurizio Dotti

Mauro Boselli exibe exemplares de Tex Willer #25 – Resa dei conti al White Horse

Por vezes, para chegar à realização de uma capa, neste caso de Tex Willer (a série dedicada ao jovem Tex e que traz as aventuras de Tex quando ele ainda era um fora-da-lei!), o capista tem de recorrer a diversos esboços até chegar à ilustração pretendida e que se tornará a capa definitiva.

Tal aconteceu uma vez mais com a edição número 25 de Tex Willer, cuja capa, como todas até ao presente, é da autoria de Maurizio Dotti, com a particularidade de Dotti ter feito seis esboços diferentes até dar-se por satisfeito, como poderemos ver de seguida, com a particularidade do esboço eleito ter sido precisamente o primeiro, já que vamos dar conhecimento aos nossos leitores, num rigoroso exclusivo mundial, de todos os seis esboços realizados por Maurizio Dotti, assim como da arte a lápis, da arte a tinta da china e da capa original pintada igualmente por Maurizio Dotti devido à gentileza do próprio Dotti que até hoje não tinha ainda divulgado estas fantásticas artes de sua autoria para a edição nº 25 de Tex Willer:

Primeiro esboço, o eleito, para a capa de Tex Willer #25, da autoria de Maurizio Dotti

Segundo esboço para a capa de Tex Willer #25, da autoria de Maurizio Dotti

Terceiro esboço para a capa de Tex Willer #25, da autoria de Maurizio Dotti

Quarto esboço para a capa de Tex Willer #25, da autoria de Maurizio Dotti

Quinto esboço para a capa de Tex Willer #25, da autoria de Maurizio Dotti

Sexto esboço para a capa de Tex Willer #25, da autoria de Maurizio Dotti

Arte a lápis para a capa de Tex Willer #25, da autoria de Maurizio Dotti

Arte final a tinta da china da capa de Tex Willer #25, da autoria de Maurizio Dotti

Ilustração para a capa de Tex Willer #25, com as cores originais de Maurizio Dotti

Capa de Tex Willer #25 – Resa dei conti al White Horse

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As Leituras do Pedro: Almanaque Tex #52

As Leituras do Pedro*

Almanaque Tex #52
>Colheita sangrenta
Jacopo Rauch (argumento)
Alessandro Poli (desenho)
>Corrida pela vida
Giorgio Giusfredi (argumento)
Alfonso Font (desenho)
Histórias originalmente publicadas em Tex Magazine #5 (Itália, 2019)
Mythos Editora
Brasil, Fevereiro de 2020
135 x 180 mm, 110 p., pb, capa mole
R$ 13,90 / 4,00 €

Curtas

Se não nascida, pelo menos tornada popular em longos folhetins que se estendiam por semanas ou meses nos jornais, a banda desenhada, com o advento das revistas, ganhou relatos mais curtos. Hoje, encontramo-la por toda a parte naquelas duas dimensões – e noutras… – mas a verdade é que há universos em que à partida não contamos com relatos curtos – e como é relativo este adjectivo…

É o caso daquele em que se movimenta o ranger Tex Willer mas, também nele, não há regra sem excepção e este é um exemplo.

[Se ao longo dos muitos anos que Tex já conta, pontualmente surgiram aventuras mais curtas, em abono da verdade, na última década assistimos ao reforço desta realidade e a Color Tex (Tex Edição Colorida no Brasil) é mostruário disso, com as suas edições com quatro histórias de uma trintena de páginas cada.]

Disse acima que o adjectivo ‘curto’ era enganoso, e esta edição prova-o. Colheita sangrenta, que a abre, conta 78 pranchas, volume considerável em muitos outros panoramas editoriais, mas não quando falamos de Tex, cujas aventuras geralmente ultrapassa(va)m, no mínimo, a centena de pranchas, podendo aproximar-se mesmo do meio milhar.

Dessa história, realce para dois momentos fulcrais: o sacrifício humano logo nas primeiras páginas – pelo inusitado da situação em Tex e pelo método utilizado – e, depois, mais à frente, a perseguição num campo de milho – apropriação coerente de uma cena utilizada recorrentemente em diversos registos narrativos pela potencial que a vegetação alta e cerrada proporciona em termos de jogo do gato e do rato. Fora isso, esta pode ser encarada como uma aventura tradicional do ranger, a solo, embora com uma surpresa – previsível… – quase no final, que confirma uma regra cavalheiresca que Tex não transgride…

Quanto a Corrida pela vida, provoca uma dupla estranheza: pela sua curta (cá está, outra vez) dimensão – 32 páginas – e, principalmente, pela ausência do protagonista esperado, substituído aqui por Gros Jean e Dawn.

Confesso que não me ocorre – falta minha ou memória fraca? – nenhuma outra história d(o universo d)e Tex em que ele não esteja presente, com excepção de Maria Pilar, que até tem edição da Polvo, mas a verdade é que a dupla (canadiana…) escolhida faz todo o sentido, num relato que se desenrola integralmente na neve, durante numa corrida de trenós, em que os interesses e os fins, parecem justificar alguns meios.

Num caso e noutro, com a ajuda do traço mais duro e agreste de Poli e Font, os desvios à ‘normalidade’ texiana são sensíveis, mas sem serem abusivos, e permitem abordagens diferentes.

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro

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Vídeo: Tex, 50 Anos de Publicação Ininterrupta no Brasil com Paulo Guanaes, João Marin, Ricardo Elesbão e Leonardo Fraga

Tex comemora neste mês de Fevereiro  50 anos de publicação ininterrupta no Brasil no formato de revista e 70 anos desde a primeira história publicada. Apesar de várias mudanças e dificuldades no mercado de banda desenhada, o Ranger segue sendo publicado (actualmente pela Mythos Editora) e seguido por uma legião de fãs, inclusive de Portugal, até porque Tex também começou a ser distribuído neste país europeu à beira mar plantado, precisamente em 1971.

Nesta ocasião especial Leonardo Fraga e Ricardo Elesbão, Gestores e Editores da Confraria Bonelli, entrevistaram dois dos mais ilustres sócios do Clube Tex Portugal: Paulo Guanaes, tradutor do Tex mensal desde 1971 e João Batista Marin, um dos principais coleccionadores brasileiros de Tex e que tem a sua colecção incluída no Rank Brasil, como sendo detentor do título de maior colecção de itens do personagem Tex.

Uma conversa muito agradável e muito enriquecedora, que se prolongou por quase 3 horas, onde se ficou a conhecer  Causos e Histórias de meio século de publicação ininterrupta do Ranger no Brasil e que podem ser vistos no vídeo que apresentamos de seguida:

Do esboço inicial à capa final de Tex Willer #28, passando pelos esboços alternativos, tinta da china e cores originais de Maurizio Dotti

Mauro Boselli exibe exemplares de Tex Willer #28 – Texas Rangers

No passado dia 18 de Fevereiro a Sergio Bonelli Editore publicou a edição número 28 de Tex Willer (a série dedicada ao jovem Tex e que traz as aventuras de Tex quando ele ainda era um fora-da-lei!), intitulada “Texas Rangers” que contém a quinta e última parte da saga de John Coffin, história escrita por Mauro Boselli e desenhada por Bruno Brindisi!

A capa deste vigésimo oitavo número, tal como as vinte e sete anteriores e as que se seguirão nesta  colecção, é da autoria do conceituado desenhador Maurizio Dotti, capa essa que divulgamos hoje aqui no blogue do Tex acompanhada do esboço inicial, assim como de um segundo esboço alternativo, assim como da arte a lápis, da arte finalizada a tinta da china e da capa original pintada igualmente por Maurizio Dotti, devido à gentil cortesia do próprio Dotti:

Primeiro esboço para a capa de Tex Willer #28, da autoria de Maurizio Dotti

Segundo esboço, o eleito, para a capa de Tex Willer #28, da autoria de Maurizio Dotti

Arte a lápis para a capa de Tex Willer #28, da autoria de Maurizio Dotti

Arte final a tinta da china da capa de Tex Willer #28, da autoria de Maurizio Dotti

Ilustração para a capa de Tex Willer #28, com as cores originais de Maurizio Dotti

Capa de Tex Willer #28 – Texas Rangers

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