Encontro com a génese criativa das capas de Tex Willer. Este mês Maurizio Dotti mostra-nos como chegou à ilustração definitiva de “Sull’Alto Missouri“!
Em Março, entre trappers, Blackfoot, Crow e a natureza selvagem coberta de neve do Norte, inicia uma nova aventura que tem entre os seus protagonistas um jovem Kit Carson! Para abrilhantar este primeiro encontro com a história conduzida pelo mítico Mauro Boselli, uma imagem dinâmica e evocativa realizada por Maurizio Dotti. O capista oficial da série, como já é da praxe, permitiu-nos espiar a sua mesa de trabalho e admirar a génese criativa que o levou a conceber e realizar a capa de Tex Willer #29“Sull’Alto Missouri”.
Na galeria de imagens que se segue, pode-se ver as várias fases do trabalho feito por Dotti, começando pelos esboços, passando pelo lápis, pela tinta-da-china e pelas cores até chegar à capa definitiva:
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Com o número 271 de Julia, nos quiosques italianos a partir de 1 de Abril, começa uma grande iniciativa comemorativa dos oitenta anos da Editora Bonelli. Uma colecção exclusiva de 23 medalhas dedicadas aos Heróis Bonelli de ontem e de hoje, oferecidas na compra das principais revistasda editora.
As medalhas comemorativas dos oitenta anos da Editora Bonelli
A 18 de Janeiro de 1941, os quiosques italianos exibiam o número 331 de Audace. Foi o primeiro publicado integralmente por Gianluigi Bonelli, após a separação do amigo e sócio Dante Daini, tornando-se o epicentro de uma pequena editora que a sua esposa Tea e depois, a partir de 1957, o filho Sergio administraram, fizeram crescer e levaram ao sucesso, para além do limiar do terceiro milénio. Embora a série tenha continuado a numeração, as diferenças com a gestão anterior foram muitas e evidentes: em particular, a primeira página do jornal torna-se uma capa na verdadeira acepção da palavra e nos editoriais começa a estabelecer-se uma relação directa com os leitores, que continua ainda hoje, oitenta anos depois.
As 23 medalhas comemorativas das personagens Bonelli
Para comemorar este importante aniversário, a editora Bonelli escolheu o mês de Abril, porque foi em Abril de 1941 que chegou aos quiosques a primeira revista de banda desenhada publicado pela Bonelli, “Il Cavaliere dell’Aria“. É, portanto, através das revistas que a editora italiana quer relembrar a história da Editora, anexando em todos os números inéditos de Abril e Maio uma medalha comemorativa das personagens que fizeram a história da Sergio Bonelli Editore.
Detalhe da medalha comemorativa de Julia
A partir donúmero 271 de Julia, distribuído no dia 1 de Abril, até ao número 417 de Dylan Dog, que chega às bancas italianas no dia 29 de Maio (o calendário completo de lançamentos das medalhas pode ser visto no final deste texto), podem encontrar um brinde nos principais álbuns do mês, mais precisamente uma medalha de metal que reproduz o rosto de uma das principais personagens da editora. Vinte e duas medalhas dedicadas não apenas aos titulares das séries actualmente em publicação, mas também aos seus históricos “antepassados”. Não podiam faltar, no entanto, três das personagens mais importantes da Aventura que há oitenta anos é contada pela Bonelli: Ken Parker, o Comandante Mark e o Pequeno Ranger!
O belíssimo estojo da colecção das medalhas Bonelli
Além das medalhas, também estará disponível um elegante estojo que permitirá acomodá-las e guardá-las todas, bem como completar a colecção com o vigésimo terceiro herói, disponível exclusivamente no lançamento de Furio, personagem que Gianluigi Bonelli escolheu como protagonista das capas do seu primeiro Audace, há oitenta anos. O estojo estará à venda a um preço de 9,90 euros e poderá ser adquirido na compra de qualquer álbum Bonelli.
O estojo para as medalhas custa 9,90 euros e poderá ser adquirido na compra de qualquer edição Bonelli
Além disso, como os mais atentos devem ter notado, em Abril alguns dos principais volumes da Bonelli estarão ainda mais “coleccionáveis” do que é habitual, apresentando uma capa com um particular grafismo coordenado.Julia, Zagor, Dampyr, Tex, Dragonero, Martin Mystère, Nathan Nevere Dylan Dog apresentam-se no centro da imagem, todos na mesma pose. Atrás de cada um deles, um fundo gráfico dedicado às ambientações que caracterizam as suas aventuras.
É já daqui a pouco mais de um mês, em plena Primavera europeia, que teremos, no Brasil, o habitual Tex Gigante, que este ano terá a particularidade de vir a ter duas edições (o número 37 será publicado pela Mythos em Outubro), quebrando a habitual tradição de um exemplar por ano e este próximo volume também tem uma particularidade deveras interessante, a de ter sidoanunciado pelo nosso blogue, através de palavras do saudoso Sergio Bonelli, em 2011.
Capa do Tex Gigante nº 36, da autoria de Massimo Carnevale
Trata-se de uma aventura escrita por Mauro Boselli e desenhada então durante vários anos por Massimo Carnevale (desenhador da excelente história Mater Morbi, de Dylan Dog Graphc Novel nº 4), história essa cujo título é “Indian Carnival” e de um certo terror com uma ambientação western e onde comparece Silent Foot: Nas pradarias do Kansas, acontecem crimes misteriosos e, ao lado de cada nova vítima, é encontrado um fetiche indiano. Dois temíveis pistoleiros, os gémeos Fortune, a quem Tex e Carson dão caça, desaparecem misteriosamente, para se juntarem a índios estranhos, na realidade espíritos malignos chamados Kedaghe (as sombras) que viajam nos vagões de um misterioso lunapark ambulante: o “Dark carnival”.
Indian Carnival; Tex Gigante número 36
E é precisamente desta história, tão aguardada, que apresentamos hoje, a ilustrar este texto, a capa oficial da Mythos Editora assim como as cores originais coloridas por Massimo Carnevale devido à gentil cortesia do próprio Carnevale.
A arte original com as cores de Massimo Carnevale para a capa do seu Tex Gigante
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Eu nasci em Milão e ainda jovem entrei na “oficina” de Leone Cimpellin, o meu mestre, repassando a tinta da China as aventuras de Johnny Logan e aprendendo a arte do desenho nas histórias de banda desenhada.
Na primeira metade dos anos 80 do século passado, colaborei na colecção “Supereroica” da editora Dardo com algumas histórias de guerra e em “Corrierboy” da editora Rizzoli com algumas histórias curtas, para depois entrar na editora Bonelli, onde realizei uma história de “Ken Parker” com Carlo Ambrosini para depois começar a trabalhar em “Martin Mystère” de Alfredo Castelli.
Em 1986, nasce “Dylan Dog” e eu encontro-me de imediato entre os seus desenhadores, realizando álbuns como “Attraverso lo specchio” (“Dylan Dog” nº 10), “Memorie dall’invisibile” (“Dylan Dog” nº 19) e “Dopo mezzanotte” (“Dylan Dog” nº 26).
Em 1993, Tiziano Sclavi e eu divertimo-nos ao realizar para a editora R&R Edizioni uma publicação divulgadora sobre o nascimento de uma história de banda desenhada, do argumento às pranchas definitivas. Em 1997, publiquei em França, para a editora Soleil, um cartonado de três histórias auto-conclusivas de título “Guerres”, com a colaboração de argumentistas do calibre de Stefano Di Marino e Carlo Lucarelli.
Eu fui o primeiro capista de “Nick Raider” e, depois de anos de trabalho sobre um projecto a mim caríssimo, finalmente “Decio”, uma história ambientada na Roma republicana e escrita pelo ilustrador e histórico Giorgio Albertini, foi publicada em 2008, pelos padrões da editora ReNoir Edizioni.
Colaboro até hoje com a editora ReNoir para a colecção “Guareschi: Peppone e don Camillo”; em 2011, realizei os desenhos a lápis para duas histórias curtas e outra história, em 2015, em tinta da China e meio-tom.
Giampiero Casertano
Em Outubro de 2012, saiu o número 1 da nova série “Le storie” da Sergio Bonelli Editore, dedicada à figura de Sanson, carrasco na Paris revolucionária do fim dos anos 1700; da mesma colecção, em 2013, foi publicada “La pattuglia perduta” e, em 2014, o especial a cores “Uccidete Caravaggio”.
Nesse meio-tempo não envelheci só eu: no especial “Il pianeta dei morti”, publicado em Outubro de 2015, também Dylan Dog tem cinquenta anos… Em 2016, eu tenho a sorte e a honra de desenhar, para a série “Dylan Dog”, “Dopo um lungo silenzio” que Tiziano Sclavi decide confiar-me para celebrar o seu retorno como escritor depois de diversos anos de inactividade.
Aquilo que eu desenhei, mas ainda não foi publicado não posso contar. Basta saber que um álbum gigante está pronto para a impressão (e não é Dylan Dog), enquanto está na recta final um cartonado a cores de um notório Ranger, por mil diabos!
Editor Mário Marques e a felicidade estampada no rosto pela realização de um sonho
A Seitaé uma jovem editora de Banda Desenhada em Portugal, nascida da intenção e devoção de oito amantes da BD aos quais se juntou depois um nono, cuja missão é trazer o que de melhor a Nona Arte tem para oferecer, como é o caso de TEX, que tem como editores Bruno Caetano, João Miguel Lameiras, Luís Taklin e Mário Marques, mas para falar melhor da editora e da nova colecção de Tex, nada melhor do que dar a palavra a José Hartvig de Freitas, coordenador do projecto e figura reconhecida na BD nacional e responsável — directa ou indirectamente — por boa parte da banda desenhada editada em Portugal nos últimos 20 anos, primeiro na Devir, agora n’A Seita, passando pela G. Floy Studio e associado a projectos da Levoir, Panini e Salvat no nosso país:“Como muitos fãs portugueses de BD sabem, A Seita nasceu da junção de vários projectos diferentes de edição de BD numa só empresa (uma cooperativa) que pudesse optimizar a utilização da experiência, dos contactos e da disponibilidade dos seus parceiros. E, de entre os vários projectos que fundaram A Seita, a colecção Aleph era um dos mais importantes, prova da importância do catálogo da Bonelli para A Seita, e da vontade dos seus parceiros divulgarem os fumetti italianos, até hoje tão pouco conhecidos em Portugal.“
José de Freitas e Mário João Marques exibem a edição portuguesa de ‘A Chicotada‘, da autoria de Pasquale Ruju e Mario Milano
“A colecção Aleph rapidamente se expandiu para incluir mais séries da Bonelli e era inevitável que se procurassem outras personagens e outras colecções para explorar. E Tex é sem dúvida a principal personagem da BD italiana (e uma das mais importantes e mais duradouras da BD mundial), e tem muitas linhas editoriais e colecções na Itália que podem ser “minadas” para bom material para editar.“
“Uma dessas colecções é quase perfeita para um mercado como o nosso, a colecção Tex Romanzi a Fumetti, constituída por álbuns em formato franco-belga, essencialmente histórias auto-contidas, que todos os leitores podem ler sem problema, sejam ou não fãs, conhecedores ou não de Tex. É essa colecção que A Seita começa, esta semana, a trazer aos leitores portugueses, com um ritmo de lançamento que planeámos inicialmente para três álbuns por ano, num formato semelhante ao italiano: capa dura, formato franco-belga, a um preço muito razoável.“
Mário João Marques apresenta ‘A Chicotada’ com o selo d’A Seita
“As histórias desta colecção seguem, como sempre, o ideário essencial de Tex como personagem, mas estão actualizadas em episódios extremamente dinâmicos, e fundamentalmente legíveis como um western clássico por qualquer leitor. Mais que isso, a colecção é de uma qualidade gráfica excepcional, um mostruário fenomenal dos melhores desenhadores do mercado italiano actual, com um trabalho de planificação bem diferente do dos Tex normais (devido ao formato mais amplo dos livros), e um trabalho de cor notável na maioria dos álbuns, como é caso do nosso primeiro título “A chicotada”, da autoria de Pasquale Ruju (um dos autores fixos da equipa de Tex) e desenhada por Mario Milano.“
A ilustrar este texto, temos as primeiras fotografias da edição portuguesa de ‘A Chicotada’ e nelas pode-se ver o júbilo de José de Freitas, mas sobretudo de Mário João Marques, um dos maiores fãs e coleccionadores de Tex a nível mundial e que depois de ter sido um dos fundadores do Clube Tex Portugal e de ser o director da Revista do Clube Tex, realiza um velho e almejado sonho: o de ser EDITOR de Tex!
José de Freitas e Mário João Marques e a efusiva alegria pelo nascimento de uma colecção de Tex com o selo d’A Seita
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