Foi inaugurado, na via Mac Mahon, em Milão, em frente ao seu antigo escritório, nesta última quinta-feira, dia 10 de Junho, um jardim dedicado aGianluigi Bonelli, patriarca da banda desenhada italiana e criador de Tex Willer, cuja inauguração, por ocasião do vigésimo aniversário do seu passamento, contou com a presença do seu filho Giorgio Bonelli, convidado de honra que para além de um discurso emotivo sobre o seu pai, o eterno criador do Ranger, também inaugurou, na companhia do Vereador da Cultura, Filippo Del Corno, um belíssima estátua de Tex e Dinamite que a partir de agora embeleza sobremaneira este jardim que passa também a ser mais um local de culto a visitar pelos fãs e coleccionadores de Tex que viajem até Milão.
Estátua de Tex e Dinamite – Foto de Andrea Cherchi
Trata-se de uma estátua realizada em bronze pela artista Jana Bartosova e por Giovanni Ticci, que representa Tex e o seu fiel cavalo Dinamite. A estátua foi doada ao município de Milão pela família Bonelli. O título deste parque nasceu de uma feliz intuição da Associação VMMD (Associação dos Comerciantes da via Mac Mahon e arredores), fortemente apoiada pelo Município 8 e por Giorgio Bonelli.A inauguração, a convite, foi realizada em colaboração com a Sergio Bonelli Editore, Davide Bonelli e Giorgio Bonelli, juntamente com o Município 8 e o Município de Milão, com a participação extraordinária da Escola Cívica de Música Claudio Abbado – Fundação de Milão.
Jardim dedicado a Gianluigi Bonelli – Foto de Mauro Boselli
Jardim dedicado a Gianluigi Bonelli – Foto de Andrea Cherchi
Inauguração da estátua de Tex e Dinamite no Jardim Gianluigi Bonelli, em Milão, com as ilustres presenças do Vereador da Cultura de Milão e de Giorgio Bonelli – Foto de Mauro Boselli
Cerimónia de Inauguração do Jardim Gianluigi Bonelli, em Milão – Foto de Mauro Boselli
Descerramento da placa com o nome do jardim dedicado a Gianluigi Bonelli – Foto de Andrea Cherchi
Cerimónia de inauguração do jardim dedicado a Gian Luigi Bonelli – Foto de Andrea Cherchi
Giorgio Bonelli prepara-se para o discurso de inauguração – Foto de Mauro Boselli
Discurso de Giorgio Bonelli perante os convidados presentes – Foto de Andrea Cherchi
A emoção numa pausa no discurso de Giorgio Bonelli – Foto de Andrea Cherchi
Convidados presentes – Foto de Andrea Cherchi
Šárka Flekalová e Giorgio Bonelli – Foto de Andrea Cherchi
Tudo pronto para a inauguração da estátua de Tex e Dinamite – Foto de Andrea Cherchi
Descerramento da estátua de Tex e Dinamite dedicada a Gianluigi Bonelli – Foto de Mauro Boselli
Descerramento da estátua de Tex e Dinamite dedicada a Gianluigi Bonelli – Foto de Andrea Cherchi
Estátua de Tex e Dinamite inaugurada na presença de Giorgio Bonelli e das autoridades culturais da cidade de Milão – Foto de Mauro Boselli
A bela estátua de Tex e Dinamite dedicada a Gianluigi Bonelli – Foto de Mauro Boselli
Estátua em bronze da autoria da artista Jana Bartosova e Giovanni Ticci – Foto de Andrea Cherchi
Estátua de Tex e Dinamite – Foto de Mauro Boselli
Tex Willer e Dinamite – Foto de Mauro Boselli
Estátua em bronze da autoria da artista Jana Bartosova e Giovanni Ticci – Foto de Andrea Cherchi
Dinamite – Foto de Andrea Cherchi
O próprio Gianluigi Bonelli e Tex vigiam atentamente a estátua do Ranger com Dinamite – Foto de Andrea Cherchi
Gianluigi Bonelli e Tex presentes na inauguração da estátua de Tex e Dinamite no Jardim Gianluigi Bonelli – Foto de Mauro Boselli
Tex e as crianças – Foto de Andrea Cherchi
Gianluigi Bonelli – Foto de Andrea Cherchi
Tex e a estátua de Tex e Dinamite – Foto de Andrea Cherchi
Giorgio Bonelli e a estátua de Tex e Dinamite – Foto de Andrea Cherchi
Música e Mefisto na inauguração do jardim dedicado a Gian Luigi Bonelli – Foto de Andrea Cherchi
Escola Cívica de Música Claudio Abbado – Fundação de Milão, na inauguração do jardim dedicado a Gian Luigi Bonelli – Foto de Andrea Cherchi
Música na inauguração do jardim dedicado a Gian Luigi Bonelli – Foto de Andrea Cherchi
Um verdadeiro concerto musical na inauguração do jardim dedicado a Gian Luigi Bonelli – Foto de Andrea Cherchi – Foto de Andrea Cherchi
Um emocionado Davide Bonelli presente na homenagem ao seu avô – Foto de Andrea Cherchi
Giorgio Bonelli – Foto de Andrea Cherchi
Clã Bonelli – Foto de Andrea Cherchi
Giorgio Bonelli entre Davide Bonelli e Giulio Terzagui, os mais altos responsáveis da Sergio Bonelli Editore – Foto de Andrea Cherchi
Pessoas e Entidades responsáveis pela criação do Jardim Gianluigi Bonelli – Foto de Andrea Cherchi
Pessoas e Entidades responsáveis pela concretização do Jardim Gianluigi Bonelli – Foto de Andrea Cherchi
Ilustres convidados para a cerimónia de inauguração do jardim dedicado a Gian Luigi Bonelli – Foto de Andrea Cherchi
(Para aproveitar a extensão completa das fotografias acima, clique nas mesmas)
Em Julho, pleno Verão europeu a Sergio Bonelli Editore brindará os fãs e coleccionadores de Tex com uma edição especial jamais vista na série principal de Tex. Trata-se de Tex 729 bis, com lançamento previsto para meio de Julho e que trará uma história (inédita) completa conforme podemos ver na foto (da autoria de Mauro Boselli) que mostramos de seguida e que nos traz a belíssima capa de Claudio Villa e o título da história: “Agente indiano“, que nos indicia que teremos uma história do passado de Tex com Kit Willer ainda criança e onde ficaremos a saber como Tex se tornou o agente indígena dos Navajos (cronologicamente falando, muito provavelmente depois da história do L’Uomo della Morte e antes de Sangue Navajo):
Tex 729 bis, Tex a dobrar em Julho na série principal italiana
Os sete exemplares de Martin Mystère bis publicados na década de 90 no século passado
Trata-se de uma iniciativa (bis) que a editora Bonelli estenderá neste Verão a outras quatro séries: Dragonero, Nathan Never, Dylan Dog e Zagor como mais uma iniciativa a propósito dos 80 anos da editora italiana, mas que na última década do século passado já foi usada por exemplo em Martin Mystère que teve sete números bis.
Mas sobre esta edição verdadeiramente especial e única podemos informar que a história, de110 páginas, é escrita porMauro Bosellie desenhada porMaurizio Dotti. É provável que a ideia de um número bis também seja devido ao facto da larga maioria dos leitores de Tex na Itália comprarem a série principal, mas não todas as séries especiais (Texone, Maxi, Magazine, Color, Cartonado, etc.) fazendo com que a história venda mais e assim pela primeira vez vamos ter 13 edições regulares de Tex em vez das habituais 12.
Com toda a certeza no próximo ano, ou quiçá ainda em Dezembro deste ano como edição especial de Natal, a Mythos Editora, no Brasil, irá aproveitar a ocasião para fazer também uma edição especial publicando esta história que se antevê de elevada qualidade, não somente pelo tema, mas sobretudo pelos autores que a produzem!
(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)
*A edição número 728 de Tex (“Una colt per Manuela Montoya“) posta à venda, em Itália, no passado sábado, dia 5 de Junho, traz a primeira parte de uma história cujo argumento é do estreante advogado Carlo Monni, sendo o roteiro da autoria de Mauro Boselli e os desenhos de Mauro Laurenti. A capa, como é tradição, é da autoria de Claudio Villa e vamos hoje dá-la a conhecer aos nossos leitores, mostrando também toda a trajectória produtiva, começando pelo esboço inicial e concluindo na belíssima capa que contém o selo comemorativo dos 80 anos da Sergio Bonelli Editore.
Mauro Boselli exibe orgulhosamente, na redacção, dois exemplares de Tex #728
O arrogante fazendeiro Don Domingo Torres está a adquirir todos as terras ao redor de Nogales e está de olho no rancho dos Montoya. A jovem Manuela, deixada sozinha no mundo, é uma presa para ele. É verdade que Manuela disse que não à sua proposta de casamento, mas isso não é um problema para os métodos brutais de Don Domingo e dos seus lacaios. Mas há um pequeno obstáculo para os seus planos: um jovem que fez dois dos seus vaqueiros comerem a poeira. E Don Domingo, custe o que custar, pretende fazer com que Kit Willer pague por isso…
A capa deste Tex #728, como tem sido tradicional após o Tex #401 (inclusive), é da autoria de Claudio Villa. Capa essa que divulgamos hoje aqui no blogue do Tex acompanhada do esboço inicial, da arte finalizada a tinta da china, assim como da capa original pintada pelo próprio Claudio Villa tal como temos feito com alguma regularidade devido à gentil cortesia de Villa que nos mostra então o percurso integral da capa de Tex #728:
Esboço inicial da capa de Tex #728, da autoria de Claudio Villa
Arte a lápis da capa de Tex #728, da autoria de Claudio Villa
Arte final a tinta da china da capa de Tex #728, da autoria de Claudio Villa
Capa de Tex #728, com as cores originais de Claudio Villa
Capa de Tex #728
(Para aproveitar a extensão completa das imagens, clique nas mesmas)
*Carlo Monni, advogado e entusiasta da banda desenhada, é o autor do argumento da história de Tex publicada este mês na série principal: recupera a primeira namorada de Kit Willer após 40 anos
A capa do novo Tex publicado neste mês de Junho e que traz um argumento escrito pelo aretino Carlo Monni
“Bife e batatas fritas para todos“: Tex irrompia pelos saloons aos gritos, de revólver em punho, com o ar de quem remexia nos bolsos e oferecia a todos os presentes. Eterno quarentão, com o chapéu tipo Stetson enfiado até aos olhos, lenço em volta do pescoço e a estrela de Ranger em evidência. O Ranger número 3, a primar sempre pela excelência: imutável ao longo do tempo, à parte alguns poucos retoques, desde os anos ’40 até aos nossos dias. E a partir de agora com uma assinatura aretina de surpresa. Do lápis triunfante de Fabio Civitelli, mestre no delinear o rosto e as histórias, à caneta do autor Carlo Monni.
Tex #728 publicado neste mês de Junho traz uma história cujo argumento é da autoria do fã e coleccionador Carlo Monni
63 anos, advogado de profissão, com uma paixão entusiasta e arrebatadora pela epopeia americana e pela banda desenhada. Quem frequenta os stands dos coleccionadores, nas mais diversas feiras, encontra-o ali, deliciando-se seja com uma revista a cores dos nossos dias ou com um velho e raro álbum. Desta vez salta a barricada e torna-se um dos autores da série publicada pela Sergio Bonelli Editore, editora que dobrou a mudança de século e está na sua terceira geração. “Levei um amigo a Milão, ele queria conhecer Alfredo Castelli: estava lá Mauro Boselli, supervisor das histórias. Ele tinha uma ideia que esperava há anos pelo momento oportuno“. Uma semana depois estava em cima da mesa do editor assinada pelo Monni. O primeiro cidadão de Arezzo a assinar um argumento de uma história de Tex.
Parte inicial do argumento de Carlo Monni para a história “Una colt per Manuela Montoya”
E agora é publicada em duas partes, nas edições de Junho e Julho. Título? “Una colt per Manuela Montoya“. Ela, a primeira namorada do ainda muito jovem Kit Willer, o filho de Tex. Um amor que floresceu em 1978 e ali ficou, inexplorado: a filha de um rico proprietário mexicano, Kit salva-a como é hábito da família Willer, a “paixão” é comum. Mas o pai de Manuela impossibilita tudo: talvez porque o potencial namorado tinha sangue indígena, sendo filho de Lilyth, a única mulher que Tex já amou. O que será de Manuela? Bocas fechadas, inclusive a do autor. “Eu escrevi o argumento, que foi depois roteirizado por Mauro Boselli: o desenhador esteve a trabalhar na história por mais de um ano“.
Fabio Civitelli, Rossano Rossi e muitos fãs e coleccionadores de Tex homenageiam o novo autor Carlo Monni, aquando do lançamento de Tex #728
Para uma história de banda desenhada a fase decisiva. A capa está feita, o rosto feminino ao alto, as camisas amarelas de Kit e do pai na primeira fila. “A desenhá-la esteve Claudio Villa. Já a desenhar a história esteve Mauro Laurenti, de Narni“.
Página de “Una colt per Manuela Montoya” – Argumento de Carlo Monni, roteiro de Mauro Boselli e desenhos de Mauro Laurenti
Uma forma como outra de unir as duas terras do autor: nascido em Perugia mas a viver em Arezzo desde os 10 anos. Os anos no liceu, na mochila mais banda desenhada do que livros escolares, a carreira jurídica começou em 1988. À sua maneira, uma espécie de Wikipédia humana, é difícil encontrá-lo despreparado sobre os presidentes americanos ou sobre os acontecimentos do país da bandeira com estrelas e listras: menos ainda sobre a banda desenhada. “É uma emoção que liga a pessoa que sou hoje a quando eu era criança“. Algo comum a todos os leitores de Tex. Mas qual é o segredo que faz manter a popularidade de um século para o outro?
Carlo Monni, na companhia de Fabio Civitelli, autografa edições de Tex #728 para os seus fãs
“Creio que nos leitores prevaleça o fascínio por algo que não muda com o tempo. E a identificação com aqueles que defendem os fracos de qualquer raça, sem medo e sem atentar para o politicamente correcto“. Uma mira implacável com o Colt 45, um cavaleiro crescido com os costumes dos índios Navajo. A tribo de Lilyth, a única mulher da sua vida. Manuela poderia tê-la sido para o filho: e quem sabe se o Carlo Monni não lhe dê uma segunda oportunidade.
Argumento de Mauro Boselli, desenhos de Bruno Brindisi e capas de Maurizio Dotti.
História publicada em Itália em Tex Willer nº 24 (“I razziatori del Nueces“), 25 (“Resa dei conti al White Horse“), 26 (“El Paso del Norte“), 27 (“I trafficanti di Coffin“) e 28 (“Texas Rangers“), de Outubro de 2020 a Fevereiro de 2021.
No início era tudo muito sereno e agradável. Os pais tinham chegado ao Texas numa das primeiras caravanas de pioneiros e estabeleceram-se em Nueces Valley. Ele foi o primeiro a nascer naquele novo período da vida destes pioneiros, assim como a sua mãe foi uma das primeiras a morrer. A ajudar o seu pai esteve sempre Gunny Bill, que para ele e para o irmão se veio a revelar como um segundo pai e um verdadeiro professor de vida. O seu irmão era mais novo um ano, mas era quase tão bravo como ele. Só tinha alguns preconceitos, mesmo problemas, com as armas. Simplesmente não se ajeitava com elas. Talvez por força do seu carácter mais tranquilo, parecido com a sua mãe, enquanto ele sempre puxou mais ao pai. A primeira experiência contra ladrões de gado teve-a ainda em criança e, nessa altura, foram os adultos que trataram de tudo.
Tex Willer nº 25 (“Resa dei conti al White Horse“), 26 (“El Paso del Norte“), 27 (“I trafficanti di Coffin“) e 28 (“Texas Rangers“)
Mais tarde, o irmão preferiu ficar no rancho ao lado do pai e de Gunny, enquanto ele foi com outros jovens transportar gado numa épica viagem a São Francisco. Porque os seus talentos corriam ao lado da aventura. E quando o pai foi assassinado por ladrões de gado, ele, já um adolescente, viu-se obrigado a atravessar a fronteira e a infringir a lei, não para capturar os bandidos, mas para os encher de chumbo. A partir deste dramático episódio a sua vida mudou, passando a ser caracterizada por um percurso de luta pelos seus ideais de honra e pela justiça, mesmo que durante anos o tenha feito como um fora da lei perseguido pelas autoridades, por caçadores de prémios e mesmo pelos rangers, o célebre corpo de homens instituído por Stephen Austin para manter a ordem e a lei no Texas, primeiro para defender a fronteira do novo estado contra as investidas dos índios e dos mexicanos, posteriormente contra todos aqueles que ameaçavam a paz. Homens que realmente existiram como Rip Ford, BuckBerry, Ben Dragoo ou Jim Callahan, e outros saídos da imaginação dos autores como Dan Bannion, Arkansas Joe e Kit Carson, que não se coibirão de expressar a sua admiração pelo jovem e defenderem o seu ingresso no corpo.
Como o leitor certamente já compreendeu, estamos a falar do jovem Tex Willer, e todos estes acontecimentos são-nos resumidos na primeira parte desta extensa aventura, funcionando assim como uma ocasião perfeita para Mauro Boselli apresentar o herói, sobretudo aos leitores que nunca tinham lido Tex e que, a crer nas vendas da revista e na aceitação colhida, são muitos. Descobriremos alguns dos episódios da juventude de Tex que nos tinham sido relatados em diferentes ocasiões, nomeadamente em aventuras como Il Passato di Tex, Nueces Valley, Il Vendicatore, Giustizia a Corpus Christi e Il Magnifico Fuorilegge, e que agora encontraram um fio condutor e uma lógica minuciosa, até chegarmos à fase em que Sam Willer decide vender o rancho da família e instalar-se junto a Culver City, no Arizona, onde vai acabar assassinado a sangue-frio por Tom Rebo, que ansiava apoderar-se das terras do irmão de Tex. Novo drama na vida do nosso herói, novamente obrigado a fazer justiça com as suas próprias mãos, e é assim que surge John Coffin, sócio de Rebo e aquele que para os leitores foi o primeiro inimigo do herói, surgido logo na aventura inicial de 1948 Il Totem Misterioso, e que, afinal, não tinha desaparecido num incêndio no seu rancho, tal como nos tinha sido relatado em Vivo o Morto, a primeira aventura da série Tex Willer e verdadeiro remake da aventura escrita por Gianluigi Bonelli.
É isso mesmo caro leitor, esta aventura da juventude de Tex marca o encontro final do nosso herói com John Coffin, mas não só. Esta é a história da formação de uma lenda, a construção de um mito, a edificação de um ícone, a base de muito da História do fumetto dos últimos setenta anos. Esta é a história e a génese de Tex Willer, um cowboy à moda antiga, impregnado de valores até a medula e como já não se faz. Em entrevista recente a Il Quotidiano del Sud, o histórico Milo Manara veio sublinhar que a banda desenhada atual privilegia mais a narrativa escrita e esqueceu a aventura, com o objetivo de almejar um reconhecimento cultural aceitável. Com raras exceções, a banda desenhada conta temas familiares, questões sociais, conflitos interpessoais e de género, o que não deixa de ser correto e positivo, contudo em prejuízo da outra banda desenhada, a que nos traz a aventura pura, assumindo-se Tex como uma louvável exceção. Nada mais certeiro, porque modestamente também partilho da mesma opinião e também eu, enquanto leitor, encontro em Tex esse romantismo que muitos autores tendem a esquecer, quiçá na tentativa de obterem outro tipo de reconhecimento cultural e não serem conotados com aquilo que, errada e preconceituosamente, possam achar ser um produto popular, esquecendo que Tex é popular porque chega a tudo e todos, a todos os extratos sociais e a todas as idades.
A verdade é que com I Razziatori del Nueces, Mauro Boselli conseguiu reunir a aventura pura, os dramas pessoais e os conflitos interiores de uma personagem imensa, numa história que ganha ainda mais relevo quando lida nestes nossos tempos de corrupção e compadrio, da ausência de ideais e de valores, onde pululam verdadeiros seres que rastejam numa sociedade demasiado correta, arreigada e agarrada como erva daninha na pedra a interesses que se distanciam em larga escala dos de uma personagem como Tex. Sente-se um verdadeiro prazer na escrita de Boselli, um sabor de nostalgia que percorre o percurso clássico do herói sem o desvirtuar, permitindo ao leitor desfrutar e apreciar a personagem e toda a sua envolvência de uma outra forma, certamente com acrescido prazer. Porque estas aventuras de Tex Willer escritas por Mauro Boselli, encontrando-se interligadas, no fundo deixam a sensação de nunca terminarem, remetendo o leitor para o passado, quando as cavalgadas e os tiroteios eram apresentados em tiras e nunca se sabia ao certo quando terminava uma aventura e começava outra. Como uma verdadeira metáfora de um herói que se tem mantido como uma presença contínua desde 1948 e cujas aventuras (e popularidade) parecem nunca ter fim!
(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)