Mauro Boselli brinda às novas histórias de Tex que estão a chegar
Em produção existem, obviamente, mais de três dezenas de histórias de Tex e três delas são das mais aguardadíssimas pelos fãs e coleccionadores de Tex espalhados pelo mundo… uma delas é a história que trará a primeira parte da aventura onde teremos o novo regresso de Mefisto, primeira parte essa composta por 330 páginas desenhadas pelos irmãos Gianluca e Raul Cestaro (a segunda parte terá 440 páginas e está a ser desenhada por Fabio Civitelli).
Uma história escrita por Mauro Boselli que narra o ansiado retorno de Mefisto, onde veremos o némesis de Tex instalado em São Francisco onde dirige uma clínica para loucos. Entre os pacientes, para além do seu filho Yama, que perdeu a memória na aventura anterior, como o leitor certamente se recordará, está também… Tom Devlin, o chefe da polícia da cidade.
Uma história de grande intensidade e atmosfera gótica, em que então o arqui-inimigo de Tex e o seu filho Yama unirão forças para poderem derrotar os pards que, desta vez, vão poder contar com a ajuda inesperada do monge Padma. Esta história contará com 770 páginas e estender–se-á por 7 álbuns mensais. São então dos irmãos Cestaro as páginas desta história que damos a conhecer de seguida:
A segunda história que vamos dar a conhecer um pouco mais hoje, está a ser desenhada por Giovanni Bruzzo há vários anos e tem como título de trabalho “Erebus“. Está prestes a ser concluída e também foi escrita por Mauro Boselli tendo contornos verídicos e, obviamente, e ficcionais.
A aventura, de 440 páginas, desenrola-se no extremo norte do Canadá, perto do Pólo Norte, entre os Inuit e os Casacas Vermelhas de Jim Brandon. Nesta aventura teremos também a participação da heroína das histórias “Giovani assassini” e “Winnipeg”, a Dallas, exacerbada pela morte do seu irmão e também a participação da mestiça Kathy Dawn.
A história aborda a expedição perdida do Lord John Franklin, oficial da Marinha Real do Reino Unido, que em 1845 a bordo do navio a vapor Erebus iniciou a exploração do Ártico à procura da famosa “Passagem do Noroeste”. O mesmo tema já tinha sido tratado por Mauro Boselli numa velha história de Zagor, provavelmente a sua maior obra nessa série, segundo a opinião de muitos fãs zagorianos. A viagem de Tex e de Jim Brandon através das baías do Ártico será destinada a salvar de uma terrível ameaça alguns amigos que tinham partido anteriormente precisamente à procura do Erebus de Franklin. Historicamente numerosas expedições tiveram lugar no curso do século para encontrar o navio.
Por fim, a terceira história foi retomada recentemente por Lucio Filippucci depois de uma pausa para desenhar uma edição especial de Martin Mystère comemorativa dos 80 anos da editora Bonelli. História essa escrita por Claudio Nizzi e que terá 220 páginas cujo título provisório é “Un maledetto imbroglio” e também será publicada na série principal de Tex.
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*Ontem, sábado, dia 24 de Julho durante o evento “Nuvole a Montereggio” (em Lunigiana),decorreu a homenagem à artífice do nascimento da Editora Bonelli: Tea Bertasi Bonelli, a empresária que tornou possível o sucesso da Sergio Bonelli Editore após a Segunda Guerra Mundial, a quem foi dedicada uma Praça e onde esteve presente na inauguração o seu neto Davide Bonelli, actual proprietário da editora milanesa.
A vista é de tirar o fôlego e o leitor pode sentar-se em dois bancos em formato de livro.Onde?Em Montereggio, na nova praça dedicada a Tea Bertasi Bonelli.A pequena fracção do Município de Mulazzo acolheu este fim de semana o Festival “Nuvole a Montereggio”, ocasião em que uma pequena praça recebeu o nome da editora e empresária do que viria a ser a Sergio Bonelli Editore, que precisamente neste ano de 2021 festeja os 80 anos de actividade. Ela definia-se como “uma editora improvisada, ainda por cima sem um passado como leitora de banda desenhada…“, mas era uma definição que surgiu devido à sua grande modéstia, porque Tea (de Aristea) Bertasi Bonelli foi uma figura nuclear na história da banda desenhada italiana.
A Praça Tea Bertasi Bonelli trouxe ainda uma surpresa, dois bancos especiais em forma de livro – peças originais patenteadas pelo empresário Aldino Albertelli – decorados com desenhos retirados de Tex e Zagor, em homenagem aos mais duradouros e célebres personagens dos fumetti criados pela família Bonelli.
O empenho de Tea Bertasi Bonelli, já envolvida na gestão da editora Audace na década de 1940 pelo seu marido Gianluigi Bonelli, criador do famoso Tex, foi decisivo nos anos da Segunda Guerra Mundial e no imediato pós-guerra. Aliás, foi ela quem escolheu o desenhador Aurelio Galleppini para duas novas séries criadas por Gianluigi em 1948, Occhio Cupo e Tex Killer, e foi também ela quem mudou o nome do segundo personagem para Tex Willer, contribuindo assim para o lendário sucesso do personagem símbolo da banda desenhada italiana.
“É uma alegria dedicar uma praça de Montereggio a Tea Bertasi Bonelli – comentou o Presidente da Câmara Municipal de Mulazzo, Claudio Novoa –, uma figura importante no campo editorial, pela tenacidade e visão. A cidade dos livreiros enriquece-se, entrando também no mundo da banda desenhada.“.
Davide Bonelli, neto de Tea e actual dono da editora milanesa, não poderia faltar, tendo inclusive feito um pequeno discurso, onde a emoção esteve bem presente, como se poderá ver no vídeo que publicamos mais abaixo (reportagem de Roberto Davide Papini).A cerimónia oficial foi seguida por uma conversa com Michele Masiero, director editorial da Sergio Bonelli Editore, conduzida por Matteo Stefanelli, director artístico do festival.
A nova praça insere-se na tradição toponímica de Montereggio, localidade da Lunigiana conhecida como a “terra dos livreiros”, berço da tradição secular dos livreiros itinerantes e único burgo italiano inserido na rede das Cidades Mundiais do Livro. A Praça Tea Bonelli estará localizada entre ruas e praças como a praça Arnoldo Mondadori, a praça Angelo Rizzoli, a rua Aldo Garzanti, a rua Giangiacomo Feltrinelli e a rua Umberto Mauri.
Mauro Boselli exibe dois exemplares de Tex 729 bis onde teremos uma história da autoria do próprio Boselli
Neste mês de Julho, mais precisamente no passado dia 21, em pleno Verão europeu, a Sergio BonelliEditore brindou os fãs e coleccionadores de Tex com uma edição especial jamais vista na série principal de Tex. Tratou-se de Tex 729 bis e que trouxe uma história (inédita) completa com o título “Agente indiano“ (em português “Agente índio“), que nos traz uma história do passado de Tex com Kit Willer ainda criança e onde ficámos a saber como Tex se tornou o agente indígena dos Navajos (cronologicamente falando, aventura situada depois da história do L’Uomo della Morte e antes de Sangue Navajo). E assim pela primeira vez em Itália vamos ter 13 edições regulares de Tex em vez das habituais 12.
Trata-se de uma iniciativa (bis) que a editora Bonelli estende neste Verão a outras quatro séries: Dragonero, Nathan Never, Dylan Dog e Zagor como mais uma iniciativa a propósito dos 80 anos da editora italiana, mas que na última década do século passado já foi usada por exemplo em Martin Mystère que teve sete números bis.
Mas sobre esta edição verdadeiramente especial e única dedicada a Tex podemos informar que a história, de 110 páginas, é escrita por Mauro Boselli e desenhada por Maurizio Dotti. Quanto à capa, é de Claudio Villa, capa essa que devido a uma gentileza do artista vamos dar a conhecer, de seguida, na sua versão a preto e branco, mas também na versão colorida pelo próprio Villa:
Arte final a tinta da china da capa de Tex #729 bis, da autoria de Claudio Villa
Capa de Tex #729 bis, com as cores originais de Claudio Villa
Capa de Tex #729 bis
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Sergio Bonelli, o editor-diretor da Sergio Bonelli Editore, pode ser festejado como o grande e maior roteirista de Tex e os motivos existem em demasia.
Para não deixar qualquer espécie de dúvida quanto à nossa afirmação acima, valemo-nos do fator inapagável que foi emplacar a editora com o seu nome. Notabilizou-se por toda a Europa, um Continente que valoriza o conhecimento, a pesquisa, a sabedoria e congrega grandes nomes da ciência planetária.
No personagem Tex, criado pelo seu pai, Gian Luigi Bonelli, na editora de propriedade de sua mãe, Tea Bonelli, ele emplacou a sua primeira aventura e que aventura é essa, que recebeu aplausos e linhas da crítica especializada e jornalística. De facto, Sergio Bonelli, utilizando-se de um pseudônimo, ou seja, um nome diferente ou uma segunda identidade, que apesar de ser falsa, por não haver registro oficial, é aceita no universo literário, assinou a aventura Caçada Humana como roteirista Guido Nolitta.
Ele praticamente alterou a receita básica do personagem, primeiro dotando-lhe de mais sentimentos, sendo capaz de admitir uma falha ou uma ideia menos impactante e, segundo, perdendo parte de sua invulnerabilidade, permitindo que sofresse uma derrota, que fosse ferido, que o seu plano, antes infalível, falhasse.
Caçada Humana ganhou as vitrinas e incontáveis matérias serviram para a criação de uma espécie de culto todas as vezes em que o seu nome é proferido. Ganhou o livro O Mocinho do Brasil, ganhou adeptos e por isso muitas matérias, boa colocação nas enquetes e é lembrada pelos colecionadores que gostaram do seu estilo.
Tempos depois, o Sergio, digo, o Nolitta, retornou com mais uma aventura que cairia redondamente no bem-querer dos texianos e se tornaria um sucesso, aparecendo no fabuloso ranking Tex Top-Três, continuadamente, década após década, para uns como a melhor, para outros na segunda colocação, para outros na terceira.
Um ser praticamente asqueroso com vingança e ódio gigantes e um duelo ao pôr do Sol, ao lado de uma cova no cemitério de uma cidade fantasma. Para chegar ao duelo, Tex precisou saber que o seu irmão de sangue Tigre tomou uma surra, seu filho foi baleado e ele próprio foi dominado pelo terrível El Muerto.
O clássico em quadrinhos se tornou uma lenda dos quadrinhos quando o pingente, chamado de bugiganga e de porcaria pelos atores, foi aberto e emitiu som, dando voz às armas dos dois homens na incrível luta pela vida.
Estávamos todos cientes da capacidade de Sergio Nolitta Bonelli, que chegou mais uma vez com uma longa aventura intitulada Missão em Great Falls, em quatro álbuns. Não é uma aventura qualquer de Bang Bang, pois Nolitta era diferente e editor, tinha poderes para escolher uma temática alheia ao faroeste puro. Um profeta com uma mensagem de liberdade para os peles-vermelhas do Norte, auxiliado por homens cruéis, dá tônica a esta magna aventura. Mais uma vez o Tex sofre ao ser capturado junto com o casaca-vermelha Jim Brandon.
Sergio Bonelli estava atento para o momento que G. L. Bonelli passava com a idade avançada e o ritmo de produção cada vez menor. O Claudio Nizzi estava sendo preparado para dar continuidade a criação de roteiros, enquanto escrevia o seu personagem raiz, Nick Raider, um policial em Nova Iorque. Por isso, Nolitta escreveu vários roteiros que foram intercalados na produção do Bonelli pai.
Entre essas produções, roteiros especiais como O Sinal de Cruzado, O Solitário do Oeste, O Vale da Morte, A Grande Ameaça, A Flecha Quebrada, O Desertor, Grito de Guerra e Os Dominadores do Vale. Assim, produziu e gerenciou o ocaso de G. L. Bonelli e a ascensão de Nizzi.
Estas aventuras foram/são de tirar o fôlego. Todas apresentam desafios diferentes para Tex e são escritas na medida para o desenhista da vez, respeitando as suas melhores características, seja paisagismo (Ticci), seja clima misterioso ou exploratório (Lettèri), um personagem forte (Fusco).
Reativando a memória, contra Cruzado o nosso herói erra e paga caro até o fim por subestimar um inimigo; em O Desertor, ele não consegue pegar o chefe dos bandidos, o Manuel Pedroza, e engole um sapo que só será cuspido tempos depois noutra aventura. E em Grito de Guerra é acusado da morte de um jovem índio, filho de um chefe embrutecido, Apanoosa, o que lhe causa sérios dissabores e uma pressão que lhe deixou à margem de uma… depressão.
Os Dominadores do Vale merece um aparte, pois Nolitta faz uma crítica enorme aos ricaços latifundiários que compram a lei, os políticos e as armas para tocar o terror conforme as suas perspectivas de poder e de riqueza. O Coronel Watson precisou amargar toda a sua soberba e ganância ao se deparar com um Ranger do Texas.
Com o C. Nizzi voando alto e seguro no comando do Tex, aplicando um sucesso atrás do outro, o Sergio foi cuidar de outras jóias da Editora e colocou o Nolitta texiano de molho. Mas quem tem a verve escritora e vive nesse universo nunca deixa de escrever e de ter ideias. Estimulado a todo instante, deve ter sonhado com o El Morisco atacado por onças do deserto mexicano e surgiu Retorno a Pilares, com 577 páginas, a mais longa aventura escrita nos 729 álbuns italianos de Tex e nas demais coleções.
Nesse clássico que se arrasta por sete longos meses, Tex enfrenta a incerteza de vida do filho Kit e tenta fazer justiça sem saber contra quem.
Tempos depois de saborear o grande sucesso da última proeza do Nolitta, Sergio, agora mega editor europeu de quadrinhos, relembrando as muitas viagens que fez pelo Mundo, seja Grand Canyon, seja Amazônia ou Deserto do Saara; festejado nos eventos italianos pelo sucesso da sua editora com tantos maravilhosos trabalhos nas mais de vinte publicações, volta com mais um best seller intitulado Caçadores de Lobos.
Uma baita aventura em que coloca o Jack Tigre, o seu preferido, para dormir e descansar. Sim, preferido, pois ele sempre descartava o Kit Carson nas suas criações, embora nessa tenha mudado de ideia e dado uma chance ao velho resmungão – Sergio respondeu em entrevista o porquê dessa atitude. (Entrevista no livro Tex no Brasil – O Grande Herói do Faroeste).
Sergio Bonelli e o livro “Tex no Brasil – O Grande Herói do Faroeste“
Guido Nolitta encerra a sua participação com a bela aventura vivida nas Montanhas Rochosas e desenhada pelo Ticci, em que ele faz as pazes com o Velho Carson e lhe dedica até um início de namoro. Todavia, não esquece de colocar os Rangers numa enrascada melindrosa para salvar Pat Mac Ryan da prisão.
De detalhar a sua dupla interpretação no que diz respeito a Carson, quando diz que para contar uma história de faroeste não vê espaço para brincadeiras e falatórios, mas pensava exatamente ao contrário em relação a Chico, na sua criação maior, Zagor – desde que se considere Zagor um faroeste – pois o Chico Caetano e Gonzalez e outras dez coisas mais sempre foi totalmente humorizado.
Mas ele era o Editor e decidia como era A e como era B.
Esperem, não acabou. Ele escreveu mais aventuras. Só que, foram consideradas menores pelos editores brasileiros e deixadas para trás – e mais dois casos extras. A Mythos foi que publicou mantendo a sua política e determinação de trazer à tona as quase 100 aventuras descartadas pela Vecchi e RGE.
Uma Aventura no Caribe coube em Tex e Os Aventureiros (foi temporalmente em continuação a O Solitário do Oeste, quando Tex e Kit retornavam do Panamá). Sasquatch, em que temos um macaco sagrado gigante, que reconhece em Tex um homem do bem, diferenciado; e O Cowboy sem Nome saíram na rubrica Almanaque Tex.
Missão Suicida foi publicada no Tex Ouro, completa. Tex se passa por um bandido e opera uma ação ultra perigosa, capaz de deixar o leitor ansioso de calças molhadas, ao realizar uma louca roleta russa.
Nolitta tem seu nome de autor em Tex Gigante, numa parceria com Boselli, em Os Rebeldes de Cuba.
Por fim, é dele uma das menores aventuras de Tex, como você pode comprovar em Uma Tarde Quente, que figura em Tex e Os Aventureiros e em Tex Almanaque.
Estas aventuras são consideradas abaixo daquelas primeiras citadas acima, mas são diferenciadas e pode ser detectado o modo Nolitta de escrever e de criar.
O grande timoneiro texiano, então, não ganhou no item alta produção, por ter infinitas e grandes outras responsabilidades, MAS como dito, citado, comprovado, tem o nome da Editora, tem El Muerto entre as três melhores, detém o recorde da mais longa aventura com Retorno a Pilares, Caçada Humana rendeu um livro, ele foi um coringa nas horas difíceis com roteiros, administração e editoria, e, portanto, está recebendo desse escriba o mais alto grau de reconhecimento e fazendo jus a uma medalha especial, um busto e eternas celebrações em seu lauto nome.
Sergio Bonelli no Alto Orinoco a bordo de uma canoa yanoama
É loucura afirmar que sem Sergio Bonelli o Tex não teria alcançado esse sucesso que conhecemos e aclamamos? Não é. É possível que a editora tivesse continuado em transformação e até mudasse de mãos. Talvez Tex fosse um título cancelado após uma bronca entre G.L. Bonelli e outro editor. Sem Sergio é muito difícil pensar a maior editora de quadrinhos da Europa. Ele deu sangue, ossos e cabeça para ser o que foi, o que é.
Aliás, Sergio Bonelli já recebeu uma grande homenagem em 2013, no Especial Sergio Bonelli, contando sua vida e trazendo produções com Tex, Zagor e Mister No.
Em verdade não queria, não vou me alongar com esses personagens, mas não custa dizer que ele foi o criador de Zagor, de Chico e companhia, e, que criou Mister No, ambientado no Brasil, à sua imagem e semelhança nos bons tempos.
Tex Caçada Humana El Muerto Missão em Great Falls O Sinal de Cruzado O Solitário do Oeste O Vale da Morte A Grande Ameaça O Desertor A Flecha Quebrada Os Dominadores do Vale Grito de Guerra Retorno a Pilares Caçadores de Lobos Golden Pass
Almanaque O Cowboy sem Nome Sasquatch Uma Tarde Quente
Tex e os Aventureiros Aventura no Caribe
Tex Ouro Missão Suicida
Tex Gigante Os Rebeldes de Cuba
Ave Sergio,
G. G. Carsan Julho.2021
Pós escrito: Tenho uma estima tão grande pelo Sergio, que escrever esse texto é como estar batendo um papo com ele num acampamento, depois de um dia duro de cavalgada, falando das nossas vidas.
Quando enviei material sobre as Expotex de Jampa, ele fez um editorial em Nuova Ristampa e me enviou exemplares. Quando lancei o livro Tex no Brasil – O Grande Herói do Faroeste, ele fez um editorial em Tex Nuova Ristampa e me enviou exemplares. Quando solicitei material para as Expotex, ele enviou. Num dos editoriais, com o livro citado em mãos (livro levado pelo pard José Carlos Francisco) ele diz que sou um “arqueólogo texiano” e que gostou de encontrar factos que ele nem lembrava mais.
Não lhe conheci pessoalmente, ainda assim, gozei desses momentos ao seu lado.
*G .G. Carsan, 56 anos, paraibano, fã, coleccionador e divulgador, começou aos 7 anos a ler Tex e nunca mais parou. Realizou 9 exposições em João Pessoa, escreveu várias aventuras para Tex (algumas publicadas na Internet), palestras em vários Estados e plateias e quatro livros sobre a personagem no Brasil.
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J. Kendall #142 – Aventuras de uma criminóloga Myhtos Editora Brasil, Setembro/Outubro de 2019 135 x 180 mm, 256 p., pb, capa mole, bimestral R$ 24,90 / 8,00 €
O Corpo Viajante Berardie Mantero (argumento) Valerio Piccioni (desenho)
Myrna: Infância perdida BerardieL. Calza (argumento) Steve Boraley (desenho)
Ciao, amore…
De novo à volta com os (sub-)títulos, a escolha hoje recaiu num que tem uma tripla leitura: para mim, para Julia e para Myrna, no meu regresso – graças a mão (muito) amiga – à criminóloga de Garden City, em mais uma edição (dupla) em que o foco de Berardi está mais nas relações – voluntárias ou não – da sua protagonista do que propriamente nos enredos policiais que apresenta.
Ciao para mim
O primeiro ‘ciao’ [olá] do título, é a minha saudação ao regresso de Julia às minhas leituras, depois de uma (demasiado) longa ausência – consequentemente também aqui no blog.
Julia é, no meu caso, uma daquelas séries de ligação emocional cuja explicação racional me custa a fazer de forma totalmente satisfatória. Posso evocar a mestria narrativa de Berardi, a força interior de uma protagonista aparentemente frágil, o equilíbrio entre o relato policial e a exploração do lado humano dos intervenientes, a evolução de Julia – e com ela, da série – mas tudo isso me parece curto para justificar como me seduz desta forma uma revista mensal com muitos desenhadores, sujeita por isso a inevitáveis variações qualitativas, apesar de um nível médio sempre bastante interessante.
Como noutras coisas, concluo sempre que o melhor é esquecer as explicações e desfrutar das emoções. Podendo acrescentar que a leitura continuada, potencia e fortalece a ligação que eu sinto.
Ciao, amore para Julia
O segundo ‘ciao‘ – o mais literal e completo, em toda a sua acepção, é para a criminóloga que em O Corpo Viajante inicia uma relação com o detective italiano Ettore Camiaso – daí ser esse o idioma do sub-título acima – que, na ideia de Giancarlo Berardi, deveria ser ‘um relacionamento importante e duradouro’. Mas, na BD – como na vida – ‘não dá para saber, nunca dá’. Nesta última, por razões óbvias, nas histórias aos quadradinhos, quando estas imitam o real ou quando os editores vetam opções que, na sua óptica, podem introduzir mudanças demasiado sensíveis nas personagens e interferir na sua relação com os leitores. Ou dos leitores com elas. Como aconteceu quando era suposto Julia engravidar…
Mesmo assim, este primeiro relato desta edição, assenta mais no estabelecimento de laços entre Julia e Ettore do que na descoberta em Itália, de um cadáver enviado dos Estados Unidos. Como sempre, com a questão psicológica a condicionar avanços e recuos, decisões – ou recusa de as tomar.
Amore para Myrna
Sei que há leitores que não gostam de Myrna em Julia, que a acham demasiado fictícia e até invulnerável, muito próximo de uma super-vilã, mas o facto de Berardi a utilizar de forma moderada e espaçada, transforma cada uma das suas histórias (com Julia) num momento especial, numa pequena pérola, numa situação limite sempre imprevisível – mesmo que um pouco à parte na cronologia da criminóloga.
Ou não, como demonstra este Myrna: Infância perdida, em que a serial killer se volta a aproximar da sua amore, do alvo da sua paixão (doentia).
E em que Berardi explora a infância de Myrna e os traumas que fizeram (?) – dela o que é hoje, para nos zurzir mais uma vez com a relação de amor/ódio entre as duas personagens femininas mais fortes destas Aventuras de uma criminóloga, evidenciando que afinal têm mais em comum do que aparentam e ambas são capazes de levar a outra a limites inimagináveis.
Com a violência explícita a atingir neste relato níveis raramente mostrados na série, é a questão psicológica – que Julia vai expondo à sua psicóloga e explode no (re)encontro final – que assume maior preponderância e acaba por marcar uma das mais significativas histórias desta série.
*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogueAs Leituras do Pedro
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