A mítica capa de Tex Gigante #1 (nome oficial da actual série principal de Tex na Itália que já está no número 733) da autoria de Aurelio Galleppini tem por título “La Mano Rossa” e foi recentemente motivo de homenagem por parte de Atanas Atanassov, que pretendeu homenagear o Mestre Galep, realizando uma técnica mista numa folha de papel áspero de 20,5 x 24,5 cm interpretando precisamente a sua versão dessa arte épica de Galep, como daremos hoje a conhecer aos nossos leitores.
“La Mano Rossa“, a mítica primeira capa de Tex
Atanas Atanassov(1964) é um apreciado pintor e ilustrador formado em 1991 pela “Accademia Nazionale delle Arti” de Sófia (a capital e maior cidade da Bulgária) e faz parte, desde 1997, da União dos artistas búlgaros, tendo trabalhado em Itália para a Scarabeo Edizioni, realizando “I Tarocchi dei Visconti“, mas voltemos à homenagem que dá azo a este post de hoje:
A mítica primeira capa de Tex na interpretação de Atanas Atanassov
Pormenor da mítica primeira capa de Tex interpretada por Atanas Atanassov
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Tom Sellecké um actor norte-americano nascido a 29 de Janeiro de 1945 em Detroit, Michigan. Estudou representação no The Beverly Hills Playhouse com Milton Katselas e começou a sua carreira como modelo. Estreou-se na televisão em 1970 com o tele-filme The Movie Murderer, no mesmo ano em que estreia no cinema num pequeno papel na comédia Myra Breckinridge. Entrou depois em The Seven Minutes (1971), protagonizou o filme de terror Daughters of Satan (1972), o filme de ação Terminal Island (1973), o filme de guerra Midway (1976), sobre a famosa batalha da Segunda Guerra Mundial, e o thriller Coma (1978), realizado por Michael Crichton. Em 1980, conseguiu o papel que marcou a sua carreira na série de aventuras Magnum P.I., que esteve em exibição até 1988 e onde Selleck interpretava o papel de Thomas Sullivan Magnum, um veterano do Vietname que trabalha no Hawai como detective privado. Selleck conseguiu a fama que ambicionava e pelo seu desempenho recebeu seis nomeações para o Globo de Ouro de Melhor Actor em Série Dramática, prémio que acabou por ganhar em 1985. Foi também nomeado para quatro Emmys na mesma categoria, ganhando em 1984. Em 1983, protagonizou o filme de aventuras High Road to China (Os Aventureiros do Fim do Mundo), no papel de um aviador nos anos 30 e, no ano seguinte, fez de ladrão de jóias em Lassiter (Ao Serviço de Sua Majestade), ao lado de Jane Seymour. Fez depois de polícia no thriller de ficção científica Runaway (Fora de Controlo), onde voltou a colaborar com o realizador Michael Crichton. Só voltou ao grande ecrã em 1987 com a comédia que lhe trouxe o reconhecimento do público mundial, Three Men and a Baby (Três Homens e Um Bebé), realizado por Leonard Nimoy, onde fez equipa com Ted Danson e Steve Guttenberg a braços com um recém-nascido. Dois anos depois, participou na comédia Her Alibi (O Seu Perfeito Álibi) e, em 1990, protagonizou Quigley Down Under (Quigley, Um Profissional de Elite), um western que acabou por ser uma desilusão, participando depois na sequela Three Man and a Little Lady (Três Homens e Uma Menina). Seguiram-se Folks! (Caos na Família, 1992), onde é aterrorizado pelos seus pais (Don Ameche e Anne Jackson); o filme de aventuras Christopher Columbus: The Discovery (Cristóvão Colombo: A Descoberta, 1992), realizado por John Glen, onde interpretou o papel de Rei Fernando; a comédia romântica Mr. Baseball (De Olhos em Bico, 1992), no papel de um jogador de baseball que vai jogar para uma equipa japonesa e tem dificuldades em se adaptar, e In & Out (Dentro e Fora, 1997), uma comédia em que contracena com Kevin Kline e John Cusack.
Foi esta consagrada personalidade norte americana que serviu de inspiração, recentemente, para Claudio Villa, o actual capista de Tex, desenhar (magistralmente) o rosto de kit Carson numa fabulosa arte que parece uma autêntica fotografia, como podemos ver de seguida, após a real foto que inspirou o desenhador italiano:
Fotografia de Tom Selleck da qual Claudio Villa se inspirou para desenhar o Kit Carson que reproduzimos de seguida
Kit Carson na Arte de Claudio Villa
Tom Selleck e Kit Carson (arte de Claudio Villa)
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Comoontem escrevemos, Fabio Civitelli esteve para não ser o responsável pelos desenhos da aventura “Delta Queen” publicada no Color Tex #5, mas sim Giovanni Freghieri… isto porque Freghieri foi encarregado inicialmente de desenhar o quinto número da série Color Tex. Inclusive divulgamos diversas páginas da história que chegaram a ser desenhadas por Freghieri.
A título de curiosidade, mostramo-vos de seguida essas mesmas páginas de “Delta Queen” nas interpretações de Giovanni Freghieri e de Fabio Civitelli e é curioso ver como o mesmo guião gera duas interpretações diversas em todas as páginas, o que acaba por ser obviamente natural…
Página 4 de ‘Delta Queen’ nas artes de Giovanni Freghieri e Fabio Civitelli respectivamente
Página 6 de ‘Delta Queen’ nas artes de Giovanni Freghieri e Fabio Civitelli respectivamente
Página 8 de ‘Delta Queen’ nas artes de Giovanni Freghieri e Fabio Civitelli respectivamente
Página 12 de ‘Delta Queen’ nas artes de Giovanni Freghieri e Fabio Civitelli respectivamente
Página 14 de ‘Delta Queen’ nas artes de Giovanni Freghieri e Fabio Civitelli respectivamente
Página 15 de ‘Delta Queen’ nas artes de Giovanni Freghieri e Fabio Civitelli respectivamente
Página 18 de ‘Delta Queen’ nas artes de Giovanni Freghieri e Fabio Civitelli respectivamente
Página 19 de ‘Delta Queen’ nas artes de Giovanni Freghieri e Fabio Civitelli respectivamente
Página 26 de ‘Delta Queen’ nas artes de Giovanni Freghieri e Fabio Civitelli respectivamente
Página 30 de ‘Delta Queen’ nas artes de Giovanni Freghieri e Fabio Civitelli respectivamente
Página 33 de ‘Delta Queen’ nas artes de Giovanni Freghieri e Fabio Civitelli respectivamente
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Devido ao estrondoso sucesso (estavam inicialmente previstos 50 números mas a colecção que chegou a vender mais de 200.000 exemplares por semana e só terminou no número 256) da “Collezione Storica a Colori” (Colecção Histórica a Cores), a iniciativa, apresentada semanalmente na Itália, a partir de 2007, pela Sergio Bonelli Editore em associação com o “La Repubblica” e o “L’espresso”, repropondo as aventuras de Tex, pela primeira vez integralmente em “technicolor”, deu azo, em 2011, ao nascimento de uma nova série (Color Tex) produzida pela casa milanesa, com a particularidade de apresentar histórias INÉDITAS e COLORIDAS!
‘Delta Queen’ de Boselli e Civitelli
No quinto número tivemos a orquestrar a aventura, Mauro Boselli nos textos e Fabio Civitelli a ilustrar as 160 páginas auto-conclusivas que compuseram a história “Delta Queen”, aventura onde Tex e os seus pards encontram-se a investigar o assassinato de um Ranger o que os leva a embarcar no barco mais elegante e imponente de todo o Mississipi, o Delta Queen. Assim se iniciava uma viagem fluvial onde quase todos pareciam esconder as suas verdadeiras identidades e o perigo espreitava por todo o lado. Realce para o facto do próprio Delta Queen realmente existir, um barco que navega nas águas do Mississipi desde 1927 e que parece ter servido de inspiração para esta aventura de Boselli..
Giovanni Freghieri
Mas o que poucos sabem é que não esteve para ser Fabio Civitelli o responsável pelos desenhos dessa aventura, mas sim Giovanni Freghieri… isto porque Freghieri foi encarregado de desenhar o quinto número da série Color Tex.
Segundo reza a lenda, quando o trabalho já se havia iniciado (16 páginas já finalizadas e 20 desenhadas a lápis) desavenças (artísticas) com o argumentista (Mauro Boselli) levaram Freghieri a desistir do trabalho. E assim o quinto Color Tex foi então desenhado por Fabio Civitelli e viu a luz do dia em Agosto de 2014.
Resgatando o acontecimento, propomos aos nossos leitores a visualização de algumas dessas 36 páginas (33 x 48 cm), que constituem a colaboração de Freghieri com o mítico Ranger de Texas para a série Color Tex, já que infelizmente nunca as chegaremos a ver impressas…
Página 4 de ‘Delta Queen’ na arte de Giovanni Freghieri
Página 6 de ‘Delta Queen’ na arte de Giovanni Freghieri
Página 8 de ‘Delta Queen’ na arte de Giovanni Freghieri
Página 12 de ‘Delta Queen’ na arte de Giovanni Freghieri
Página 14 de ‘Delta Queen’ na arte de Giovanni Freghieri
Página 15 de ‘Delta Queen’ na arte de Giovanni Freghieri
Página 18 (a lápis) de ‘Delta Queen’ na arte de Giovanni Freghieri
Página 19 (a lápis) de ‘Delta Queen’ na arte de Giovanni Freghieri
Página 26 (a lápis) de ‘Delta Queen’ na arte de Giovanni Freghieri
Página 30 (a lápis) de ‘Delta Queen’ na arte de Giovanni Freghieri
Página 33 (a lápis) de ‘Delta Queen’ na arte de Giovanni Freghieri
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Conheci Tex pouco depois de ter conhecido Zagor. Foi mais ou menos em 1970. Naquela época, as revistas publicadas em Itália por Sergio Bonelli (cuja editora ainda se chamava Cepim) publicitavam outras revistas da editora na terceira ou na quarta capa. Por isso, em cada novo volume do Espírito da Machadinha (1) eu via as capas do Pequeno Ranger, do Comandante Mark e da Coleção Rodeio que estariam nas bancas naquele mês. E também havia a de Tex, ilustrada por Galep. Gostava bastante das capas de Galep. Sempre preferira as que Gallieno Ferri fazia para Zagor, mas Aurelio Galleppini vinha imediatamente em seguida, quase em simultâneo. Por isso, quando eu trocava revistas aos quadradinhos com os meus colegas de escola, ou quando eu as ganhava num jogo de cartas e entre elas havia volumes de Águia da Noite, imediatamente as lia, porque, pela lógica, se uma capa era cativante (e as de Galep eram), a aventura que a retratava também deveria ser boa.
Percebi que Tex era demasiado duro para mim. Nas suas aventuras faltava humor, uma caraterística que se destacava em Zagor, cujas revistas eu comprava no mesmo dia em que saíam nas bancas e devorava nos trinta minutos seguintes, para mais tarde as reler várias vezes. Com Tex, pelo contrário, era mais difícil chegar ao final. Tinha consciência que eram aventuras com um notável conteúdo, mas preferia a garantia das aventuras do Rei de Darkwood (2) ao western puro do Ranger do Texas. Tanto é verdade que, naqueles anos, as histórias de Águia da Noite que mais me marcaram e que várias vezes reli, foram aquelas com Mefisto e com El Morisco.
Ao analisar, hoje percebo que Tex era uma BD um pouco mais para gente grande do que para miúdos da minha idade. De resto, Sergio Bonelli, no papel de Guido Nolitta (o pseudónimo com que assinava os seus argumentos), tinha criado Zagor com o objetivo de atingir um público mais jovem do aquele do seu pai. Zagor e Tex foram pensados para serem diferentes e não para fazerem concorrência um ao outro: o primeiro dirigido aos mais jovens, o segundo para os adolescentes e adultos; o primeiro era ambientado na Velha Fronteira (aquela de O Último dos Moicanos) nos anos trinta do século XIX; o segundo no sudoeste, após a Guerra da Secessão; o primeiro jogava com uma diversidade de géneros, misturando realismo e fantástico; o segundo privilegiava tramas puras de western.
Crescido e tornado adulto, continuei a sentir-me mais ligado ao Espírito da Machadinha (eu já estava marcado), mas finalmente comecei também a apreciar a fundo as histórias de Águia da Noite, as quais, a partir de certa altura, nunca mais abandonei. Fiz toda a coleção e conheço de cor cada página. Foi um amor tardio, mas daqueles que duram toda uma vida.
No passado, de resto, havia uma espécie de rivalidade entre os leitores de Tex e os de Zagor. Os texianos consideravam os zagorianos um pouco como os irmãos menores da família, que perdiam tempo com infantilidades, considerando-se a si próprios como entendidos e com melhor gosto. Por outro lado, os zagorianos gozavam um pouco com a arrogância dos texianos, mantendo-se leais ao seu herói de Darkwood, mais humano e muitas vezes vencedor, certamente, mas com os ossos quebrados. Com o tempo, talvez porque a diferença de idade entre os dois públicos reduziu-se até desaparecer (hoje as duas personagens são dirigidas ao mesmo público), as diferenças recíprocas reduziram-se acentuadamente e é cada vez mais raro encontrar quem as queira mencionar. Particularmente, aprecio a diversidade de temas de ambas as séries e acompanho-as com o máximo de satisfação. São duas leituras igualmente belas e não vejo porque deveria privar-me de uma em favor da outra, podendo apreciar ambas.
De resto, o Guido Nolitta que criou Zagor também escreveu belíssimas histórias de Tex (como El Muerto), e sobretudo preservou com determinação e previdência a herança do seu pai Giovanni Luigi. Aquilo que sempre me impressionou no comportamento de Tex, o motivo pelo qual o aprecio e admiro (e invejo), é o facto dele saber sempre e de modo imediato qual é a coisa justa. No fundo, a vida consiste em responder diariamente à eterna questão: “o que fazer?“. Eu nunca sei se faço ou não a melhor escolha, ao contrário de Tex. Por isso que ele é um herói.
Quando, de simples leitor, passei a escrever artigos e ensaios sobre autores de comics e heróis de papel, quase de seguida comecei também a ocupar-me de Tex. Nem podia ser de outra forma, Águia da Noite é um mito com o qual qualquer um que se interesse por BD deve inevitavelmente confrontar-se. Durante trinta anos de atividade crítica, acabei por publicar tanto material dedicado a Tex Willer quanto o que havia feito para Zagor. São dezenas e dezenas de artigos e livros sobre o chefe branco dos navajos assinados por mim, incluindo uma enciclopédia em cinco volumes intitulada Cavalgando com Tex, onde analisei detalhadamente cada uma das histórias do Ranger. Para fazer uma lista, indicando todos os títulos, ocuparia muito mais espaço do que aquele que tenho à disposição (não invalida que no futuro, se assim o desejar, não possa ainda vir a aumentar a minha bibliografia de crítica texiana). Como se sabe, depois desta minha atividade de crítico e ensaísta, passei à de roteirista (as duas juntas, sobrepostas, nunca tendo interrompido a primeira para passar à segunda).
Passar a escrever Zagor era um sonho que se realizava (a minha primeira história é de 1991), mas nunca imaginei que também chegaria a escrever Tex, apesar de (por enquanto) se limitar a duas histórias curtas. Mas aconteceu. Sempre considerei Águia da Noite um herói acima das minhas possibilidades, tal como uma vaga numa Seleção Nacional o é para um jogador de uma pequena equipa regional. Mas o facto é que me foi pedido para apresentar argumentos, fi-lo com entusiasmo, e dois foram aceites. Escrever as duas histórias (de trinta e duas páginas cada) foi uma árdua tarefa, porque em cada quadradinho fiquei aterrorizado com a ideia de enfrentar uma lenda, consciente que deveria contentar um público exigentíssimo. No entanto, atingi o objetivo. A primeira das duas aventuras, desenhada por Giuseppe Camuncoli, já foi publicada em Itália (3), recolhendo, felizmente, opiniões positivas. A segunda, desenhada por Michele Rubini, será publicada em 2016. Não sei se terei outros trabalhos, mas espero que sim. Em todo o caso, desde as primeiras leituras dos anos setenta, o destino levou-me a passar de estudioso das aventuras de Águia da Noite também a autor, um entre tantos que puderam dar o seu contributo. Um percurso pelo qual estou grato a quem escreve a história da minha vida.
(1)Nome pelo qual também é conhecido Zagor (2)Outro nome pelo qual Zagor é conhecido (3) Incontro a Tularosa, publicada em novembro de 2014 no Color Tex 6
Eu e Tex, por Moreno Burattini – Página 42
* Texto de Moreno Burattini publicado originalmente na Revista nº 2 do Clube Tex Portugal, de Junho de 2015.