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As Leituras do Pedro: Nick Raider #2 Golpe de Cena
As Leituras do Pedro*
Nick Raider Agente de Homicídios #2 Golpe de Cena
Giuseppe Ferrandino (argumento)
Gustavo Trigo (desenho)
Mythos Editora
Brasil, Junho de 2018
160 x 210 mm, 96 p., pb, capa cartão
De banal a surpreendente
Grosso modo – com todos os perigos e inconvenientes das generalizações – podemos dividir os relatos policiais fundamentalmente em dois tipos: os dedutivos e os de acção; de comum a todos haverá sempre – deverá haver? – uma surpresa final que mostre ao leitor como leu quase toda a história enganado…
Nick Raider, o detective nova-iorquino da Sergio Bonelli Editore, criado por Claudio Nizzi, encaixa claramente no segundo tipo – ou não fosse ele conhecido como o ‘Tex de Nova Iorque’ e até pelo carácter eminentemente popular destas edições italianas na sua origem – não faltando neste Golpe de Cena, o volte-face final.
Na origem desta narrativa, está um assaltante surpreendido em pleno golpe pelo regresso inesperado dos donos da casa, acabando o confronto com uma morte. Desenrolando-se tudo isto perante o olhar do leitor, nada mais parece haver a esperar do que uma investigação de Nick Raider e dos seus parceiros, que os leve até à descoberta e captura do criminoso que – para o leitor – obviamente não é quem os agentes da lei inicialmente consideram o principal suspeito.
Com algumas tentativas de humor forçadas, o grosso do relato assenta no avançar do inquérito e numa longa – de mais de 20 pranchas – perseguição – a pé, de mota, de barco e a nado, de Raider ao suspeito.
Só que, fazendo jus à boa tradição do policial, quando os detectives – e com eles o leitor – julgavam o criminoso detido e o caso fechado, começam a surgir pormenores que fazem a diferença e transformam uma história pouco mas do que banal dentro do género, em algo mais. Ou seja, transforma um policial de acção dos anos 1990 satisfatório q.b. , numa leitura mais estimulante e capaz de surpreender.
* Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro
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Cartazes da autoria de Laura Zuccheri e de Roberto Diso para a 7ª Mostra do Clube Tex Portugal
Devido ao surto epidémico da infecção por COVID-19 que já vem a afectar o mundo inteiro desde o início de 2020 o Executivo Camarário de Anadia e a Direcção do Clube Tex Portugal seguiram sempre as recomendações da Direcção-Geral da Saúde e também as orientações do Plano de Contingência do Município de Anadia e adiaram a 7ª Mostra do Clube Tex Portugal prevista inicialmente para os dias 25 e 26 de Abril de 2020.
Agora que a situação pandémica continua a evoluir positivamente no nosso país e sobretudo ao facto de já ser possível organizar eventos culturais com a presença de público, mesmo que com algumas restrições, como por exemplo a obrigatoriedade do uso de máscara em recintos fechados e a higienização dos espaços, o evento TEXiano foi reagendado para 30 de Abril e 1 de Maio de 2022.
Estão confirmadas as presenças de Laura Zuccheri e de Roberto Diso, já que ambos os autores italianos foram solidários com as decisões tomadas em Portugal e desde o primeiro momento se mostraram disponíveis para vir a Anadia numa data alternativa e havendo conciliação de todas as partes, confirma-se os dias 30 de Abril e 1 de Maio para a realização da 7ª Mostra do Clube Tex Portugal, no Museu do Vinho Bairrada.
O evento contará com uma Mostra Pessoal dedicada ao Tex Gigante desenhado pela Laura Zuccheri, onde serão exibidas ao público diversas pranchas da já histórica história de Tex desenhada por Laura Zuccheri, cujos textos são da autoria de Mauro Boselli e a pouco mais de um mês de distância é plausível afirmar que a Editora Polvo, aproveitará a presença de Laura Zuccheri em Portugal, para lançar no nosso país aquela que é a primeira aventura de Tex desenhada por uma mulher!
Também a Editora A Seita está a preparar uma surpresa para lançar em Anadia, aproveitando o facto do evento reunir bastante público-alvo da sua colecção dos volumes cartonados de Tex e tendo a atracção da presença dos autores.
A 7ª Mostra do Clube Tex Portugal também contará com uma Mostra Pessoal dedicada a Roberto Diso onde serão exibidas ao público diversas pranchas da sua mais recente história de Tex!
Destaque para o facto de a 7ª Mostra do Clube se realizar, pelo sétimo ano consecutivo, em Anadia, devido ao interesse e apoio da autarquia Bairradina, na pessoa da Excelentíssima Senhora Presidente da Câmara Municipal de Anadia, Eng.ª Maria Teresa Belém Correia Cardoso, do Excelentíssimo Senhor Vice-Presidente da Câmara Municipal de Anadia, Eng.º Jorge Sampaio e do Director do Museu do Vinho Bairrada, o Excelentíssimo Senhor Doutor Pedro Dias, disponibilizando novamente o luxuoso e mui nobre Museu para a realização de mais esta Exposição Texiana. Recorde-se que temos em Anadia uma Exposição PERMANENTE dedicada a Tex, exposição essa que se encontra patente no Museu do Vinho Bairrada e tem a (enorme) particularidade de ser a ÚNICA Exposição PERMANENTE (exposta numa ala inaugurada em 2017 na 4ª Mostra) neste magnífico Museu Bairradino que não está relacionada com o vinho e que mostra bem a importância e a aposta do Executivo Camarário assim como da Direcção do Museu do Vinho Bairrada, que denominaram oficialmente Anadia como sendo a Capital Portuguesa do Tex.
O Museu do Vinho Bairrada foi inaugurado a 27 de Setembro de 2003. Sob a tutela da Câmara Municipal de Anadia, está instalado num edifício construído de raiz para o efeito, dotado de mobiliário adequado aos espaços e funções, com equipamentos informáticos e audiovisuais, e sistema de segurança. A Exposição Permanente, designada por Percursos do Vinho, encontra-se no piso zero do museu e exposta ao longo de seis salas temáticas, com peças de valor arqueológico, etnográfico e técnico, reunidas com a colaboração de diversos vitivinicultores, entidades locais e nacionais. E agora, então como prova da consideração e apreço do município, realce também para a exposição permanente dedicada ao Tex no Museu do Vinho Bairrada, tratando-se, como dissemos anteriormente e não nos cansamos de repetir, da única exposição permanente que não está relacionada com o vinho, mas que exibe as belíssimas Artes com que os desenhadores de Tex agraciaram Anadia e a sua região nestes últimos anos!

Tex (Mário João Marques), José Carlos Francisco, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Anadia (Eng. Jorge Sampaio) e Dr. Pedro Dias (Director do Museu do Vinho Bairrada) e o estatuto de Anadia – Capital Portuguesa do Tex!
Por tudo isto e muito mais, caro leitor, reserve já na sua agenda os dias 30 de Abril e 1 de Maio para poder marcar presença em mais este grandioso evento que se perspectiva e onde uma vez mais a convivência com autores e coleccionadores de Tex será algo de verdadeiramente excepcional e grandioso!

7ª Mostra do Clube Tex Portugal CONFIRMADA para 30 de Abril e 1 de Maio no Museu do Vinho Bairrada em Anadia com as presenças de Laura Zuccheri e Roberto Diso
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Póster Tex Nuova Ristampa 328
Em mais uma bela ilustração da autoria do Maestro Claudio Villa vemos na pradaria Tex, de binóculos, a observar atentamente o horizonte à procura de cerca de trinta guerreiros comanches que o queriam atacar, quando tinha a seu lado os fugitivos Doyle e Corbett, antigos guerrilheiros do Kansas, que permaneceram com o Ranger para permitir que uma caravana de colonos chegasse sã e salva a Forte Quitman.
Desenho usado no Brasil como capa de Tex Platinum #19 e inspirado na história “La grande invasione” de Mauro Boselli e Carlo Marcello (Tex italiano #497 a #499).
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Texto de José Carlos Francisco
As Leituras do Pedro – Martin Mystère: Expediente Excalibur
As Leituras do Pedro*
Martin Mystère: Expediente Excalibur
Inclui: La Espada del Rey Arturo (publicado originalmente em Martin Mystère 15 e 16. 1983) e El Secreto de San Nicolás (Martin Mystère Gigante #1, 1995)
Alfredo Castelli (argumento)
Giancarlo Alessandrini (desenho)
Aleta Ediciones
Espanha, 2007
160 x 210 mm, 432 p., pb, capa cartão
Lenda, verdade, ficção…
Entre a grande diversidade do catálogo da Sergio Bonelli Editore, há um título que se destaca pelo seu lado culto – deixem-me escrever assim, para me facilitar a tarefa. Refiro-me a Martin Mystère, o detective do impossível, um misto, antes do tempo, de Indiana Jones e do professor Robert Langdon, que investiga lendas antigas, casos que roçam o paranormal e mesmo o extraterrestre ou os grandes mistérios da humanidade.
Assentes geralmente num fundo de verdade – ou em lendas que advêm da antiguidade – as narrativas são depois compostas com um misto de verdade e ficção, sendo apresentadas ao leitor como casos reais que o protagonista investiga e apresenta – ou não… – no seu programa televisivo. Em Martim Mystère, em especial na sua fase inicial, estamos perante argumentos muito consistentes, bem escritos e desenvolvidos, com muita informação para o leitor se sentir a par do – lado culto do – protagonista.
Ao seu lado, está sempre Java, um homem do Neanderthal que encontrou numa das suas aventuras e, muitas vezes, Diana, primeiro sua noiva eterna, depois sua esposa – sem que a mudança de estado civil tenha alterado grandemente a relação de ambos ou o peso e a importância da participação dela.
Como opositor recorrente – assim como Olrik em Blake e Mortimer – surge Sergej Orloff, antigo companheiro de Mystère que ficou desfigurado num dos seus primeiros confrontos, tendo abraçado definitivamente o lado do mal.
Em termos pessoais, sinto-me mais atraído pelos relatos baseados em lendas ou mitos que passaram de geração em geração, como a eventual existência da Atlântida, a Arca de Noé, Stonehenge ou Excalibur, a espada do Rei Artur, que está no centro da primeira das duas histórias deste (grosso) volume.
De forma interessante, Mystère coloca a mítica espada em épocas mais antigas, confere-lhe uma curiosa origem e faz dela um símbolo de poder, cobiçado por inúmeros ditadores ao longo dos tempos, entre os quais Hitler. Este passeio pela História permite ao argumentista ir saltitando entre o passado e o presente, alternando entre a maior carga informativa daquele e a acção deste, para assim agarrar o leitor e mantê-lo interessado e suspenso dos desenvolvimentos, para chegar ao fim e descobrir que afinal lhe foram contadas duas histórias.
No segundo relato, com muitos pontos de contacto com o primeiro, São Nicolau – que é como quem diz o Pai Natal – surge em destaque quando Mystère, num outro contexto, mais uma vez é arrastado para a procura daquele antigo símbolo antigo de poder e domínio
As duas histórias, pertencentes à primeira dúzia de anos do detective do impossível, considerada por muitos a fase mais criativa e original do seu argumentista e criador, Alfredo Castelli, surgem aqui com o desenho de Giancarlo Alessandrini, assente num traço fino um pouco rígido no tratamento do rosto humano, mas com toda a credibilidade para nos transportar aos sucessivos locais que o protagonista visita.
Com prefácio de Javier Serra e um posfácio em que Castelli esclarece a base dos dois argumentos e como define os limites entre a lenda, a realidade e ficção, este generoso volume quanto ao número de páginas pode ser uma boa porta de entrada num universo que aparentemente é o nosso, mas em que os limites das verdades que nos transcendem ou temos dificuldade em aceitar são bem mais estendidos.
* Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro
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