19 de Abril de 2022 – Rai4 – Wonderland – O jornalista, escritor e especialista em banda desenhada Luca Raffaelli relembra um grande nome do sector, Sergio Bonelli.
Por meio de materiais de arquivo e de uma entrevista realizada em 1981, Sergio Bonelli relata a sua visão da banda desenhada popular italiana num momento em que essa forma de expressão passava por sérias dificuldades no mercado italiano, como se pode então assistir no vídeo que mostramos de seguida:
Foi anunciado noCatarse, pela Mythos Editora, no final do mês de Abril, o volume número 51 de Tex em Cores, trata-se da alternativa para o título Tex em Cores continuar sendo publicado no Brasil, com a vantagem dos compradores terem direito a vários tipos de recompensa.
Em Tex em Cores #51 teremos duas história completas (Mister P e Ouro Negro), sem continuação.
O projeto
TEX EM CORES NO CATARSE!
Este é um projeto único e exclusivo do Catarse. As peças remanescentes serão encontradas somente no site oficial da Mythos Editora, sem desconto e sem brinde no valor final de R$74,90 (este produto NÃO É QUALIFICADO PARA: Amazon, Black Friday, UNESP, USP, Carnaval de Descontos e quaisquer outras promoções d e-commerce da Mythos).
Tiragem: 1.000 exemplares
O Caubói mais Famoso dos Quadrinhos!
Criado na Itália em 1948 pela dupla Giovanni Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini, Tex tornou-se parte da História da Banda Desenhada. A sua estreia no Brasil deu-se em 1951 e as suas aventuras são publicadas no Brasil sem interrupção desde 1971, atraindo fãs de norte a sul do país sul americano.
A explosão dos filmes de faroeste, somada ao facto de Tex ser um dos poucos personagens que realmente demonstram valores éticos e morais em seus roteiros, transformaram o personagem no herói de maior longevidade nas bancas brasileiras.
Além de muita acção em cada saga, a leitura das suas aventuras torna-se especialmente interessante pelos conhecimentos que trazem. A cultura indígena, a História dos Estados Unidos, os costumes do período… cada mínimo detalhe é pesquisado para que o leitor tenha uma noção exacta do ambiente e época em que o personagem se situa. Tex mescla cultura e diversão em doses perfeitas, o que justifica muito de seu sucesso, não só no Brasil, mas em todo o mundo.
Tendo passado por algumas editoras desde sua estreia em terras tupiniquins, Tex foi incorporado à Mythos Editora em 1998 e conta com diversos títulos do personagem no seu catálogo. São colecções que buscam satisfazer todos os tipos de leitor, trazendo tanto histórias actuais como as mais clássicas, em preto e branco ou em cores, com diferentes acabamentos gráficos e tipos de papel.
Sobre a coleção Tex em Cores
Tex em Cores é uma irmã directa da publicação italiana Tex Collezione Storica a Colori – La Reppublica, com uma diferença: não contém o mesmo número de páginas. A adaptação foi feita em função dos custos de produção e gráficos. A brasileiríssima Tex em Cores traz as aventuras clássicas do herói, em ordem cronológica, de acordo com a publicação original italiana, e preza pela continuidade das histórias.
Tex em Cores nasceu, tanto no Brasil como na Itália, porque os seus criadores decidiram reviver, totalmente em cores, as aventuras inocentes e deliciosas do famoso herói e descortinar as suas origens secretas para novos leitores. Infelizmente, os resultados não ocorreram como esperado, já que a preferência da maioria dos leitores de Tex se mostrou ser por histórias do Ranger em preto e branco.
Com o passar do tempo e o aumento de custos gráficos, o título tornou-se inviável nos moldes em que foi concebido – que levou a Mythos Editora ao Catarse.
A campanha
A ideia de levar Tex em Cores para o Catarse surgiu com base nos novos tempos vividos pela banda desenhada mundial: o formato deluxe, que também invadiu o mercado brasileiro, apresentando tamanhos diferenciados e acabamento gráfico mais sofisticado, com arcos de histórias auto-contidos.
Tex em Cores não apresentava esses quesitos em sua publicação periódica e acabou se tornando comercialmente inviável, o que forçou a Mythos a descontinuá-la.
Mas e os leitores, ainda que em número não tão expressivo, que adoravam a coleção? A Mythos podia simplesmente abandoná-los? O coração dos responsáveis da editora apertou-se, mas uma decisão precisava ser tomada. Manter Tex em Coresnos moldes actuais seria impossível. O que poderia ser feito para não deixar os seus fiéis leitores na mão?
Lançar o produto pelo Catarse, é claro, e atender, de maneira financeiramente saudável, todos aqueles que adoram o título.
Só que há um porém: para isso, a Mythos precisa da SUA ajuda, já que a continuidade de Tex em Coresdepende exclusivamente do sucesso deste projecto.
O que você vai encontrar nessa edição especial é uma deliciosa aventura tamanho big, trazendo as origens do personagem, mostrando como Tex se tornou o Ranger que conhecemos hoje e revelando o seu delicado histórico de fora-da-lei, seguido de uma contribuição casual com a corporação dos Rangers para capturar terríveis malfeitores que espalhavam medo pelo oeste americano e banhavam a terra com sangue inocente.
Estamos com todos os dedos cruzados para que o projecto dê muito certo e outras pessoas se interessem pela série. Contudo, se a editora Mythos não tiver um feedback positivo dos leitores e a meta da campanha não atingir 100%, isso será sinal de que essa nossa e querida revista infelizmente precisará de se aposentar.
Brasil x Itália
Ao contrário do que se imagina, o segmento de quadrinhos no Brasil é bastante limitado. Estranho, não? Com tantos lançamentos e editoras independentes, a sensação é a de ser um mercado enorme e em franca expansão.
Não é bem assim. Tomando como base as pesquisas nacionais da Nilsen (órgão dedicado a levantamentos do mercado editorial brasileiro), o “grande pequeno” gigante não passa de 2% do mercado editorial total, que engloba revistas, livros, livros infantis, livros didácticos e todo o restante de publicações impressas ou em formato e-book.
Quando comparamos o Brasil com o resto do mundo, surgem discrepâncias enormes. A Europa – principalmente Itália, França e Bélgica – é a maior produtora e consumidora de BDs no mundo, exceptuando-se o eixo asiático, é claro.
E não é à toa: no mercado italiano, assim como no franco-belga, o hábito da leitura é algo cultural, ligado a uma base educacional forte, com estímulos constantes à leitura desde a primeira infância, vida académica e fase adulta. Para se ter uma ideia, o nível de produção nesses países é tão amplo que existem sagas em banda desenhada utilizadas em escolas para o ensino de História, Geografia e Conhecimentos Gerais – algo bem diferente do Brasil, onde faltam incentivos à educação e à leitura, e as BDs acabam ficando em segundo ou terceiro plano, ou reservadas à idade infanto-juvenil, como mera diversão ou passatempo.
As diferenças de renda entre as classes A, B, C e D também influem muito no acesso à leitura. Quanto menor o poder aquisitivo, menor a busca pela leitura – no caso, banda desenhada.
Você pode indagar, e com razão, por que então vemos tantos livros sendo consumidos e tantas notícias sobre uma expansão, ainda que tímida, do mercado editorial brasileiro?
A resposta está no tipo de consumidor e no tipo de consumo: hoje, o mercado editorial como um todo sofre de certos vícios, em que se priorizam as aquisições estéticas mais do que as de conteúdo, gerando uma demanda que se retroalimenta: beleza visual, que se liga ao custo gráfico, que se liga ao desejo de exibição (nas estantes), que se liga à superficialidade da aquisição, que se liga ao preço, que se liga à elitização, que se liga à possibilidade de consumo, que se liga à capacidade financeira, que se liga diretamente a você, o consumidor final que determina a tiragem.
Tanto a compra de insumos (tinta, chapas, papel, etc.) como a negociação de direitos autorais são feitas em moeda estrangeira, e a desvalorização da moeda brasileira frente a outras agrava ainda mais os custos editoriais, impactando directamente no preço final do produto.
Com um país tão grande como é o Brasil, é um verdadeiro pesar que boa parte da população ainda seja enquadrada como “analfabeta funcional”. Mas essa é uma realidade esperada nos países “em desenvolvimento” ou “subdesenvolvidos”, sendo reflexo de uma sociedade deficitária em sua base mais importante para a formação e renovação continuada de leitores: a educacional.
RECOMPENSAS:em todas as recompensas você ganha um certificado de apoio (excepto para comic shops)!
Para o combo das comic shops: a Mythos entrará em contacto com os apoiadores para que lhes enviem os logótipos das respectivas comic shops em altíssima resolução para que possa personalizar os brindes de cada um 😉 Fiquem atentos: o contacto será feito na primeira semana subsequente do término da campanha.
META 1 – R$20.000,00
META 2 – R$25.000,00
Meta extra: se a meta for atingida, além do que o apoiador já tem ainda vai ganhar:
+ Pôster B (Cartaz de Procurado – revelação surpresa)
+ Marca-página B especial com faca (rifle do Tex)
***excepto para Combo Comic Shop.
Sobre a Mythos Editora
Criada em 1996, a Mythos Editora é uma empresa dinâmica, conhecida no mercado editorial brasileiro e internacional pela qualidade de suas publicações. O portfólio de produtos destaca-se pela alta qualidade gráfica e de conteúdo. A editora materializa a experiência dos seus sócios-proprietários – Dorival Vitor Lopes e Helcio de Carvalho – editores na gigante Abril por mais de 15 anos. A empresa continua ampliando o seu espectro de publicações, sempre priorizando a qualidade e ocupando um lugar cada vez mais significativo no disputadíssimo mercado editorial brasileiro.
J. Kendall #148 – Aventuras de uma criminóloga Myhtos Editora Brasil, Setembro/Outubro de 2020 135 x 180 mm, 256 p., pb, capa mole, bimestral R$ 24,90
Carne de açougue Berardi e L. Calza (argumento) Ernesto Michelazzo (desenho)
Atrás das grades Berardi e M. Mantero (argumento) Antonio Marinetti (desenho)
O poder de uma capa
Costuma dizer-se que a capa é a porta de entrada num livro. É dela que, muitas vezes, depende a compra impulsiva de uma obra – ou, em sentido inverso, a recusa dessa compra. Mais a mais, numa publicação regular mensal como é Julia em Itália – e agora também no Brasil, travestida de Júlia – em que a capa pode ter papel preponderante na captação do leitor ocasional ou de passagem.
No caso presente – da edição brasileira, que tem sempre de optar pela capa de uma das duas publicações originais contidas no volume (no tempo em que eles eram duplos…) – a escolha não podia ter sido mais acertada. Porque uma capa tem de criar curiosidade, provocar surpresa, dar vontade de entrar na obra e desfrutar dela. E, nesta caso, assistir à colocação da criminóloga de Garden City numa cela, dificilmente poderia ser mais aliciante e desafiador para os leitores. Para os fãs – e para aqueles que só se encontraram com Julia aqui ou ali.
Escrevi há dias, a propósito do aconselhável Na prisão, que “quando falamos em narrativas de prisão, naturalmente vêm de imediato à mente duas temáticas – muitas vezes complementares: as grandes fugas, por um lado, ou as histórias hiper-violentas sobre a dura realidade quotidiana de quem está preso, sujeito à prepotência dos guardas ou à opressão dos gangs”. Atrás das grades, num primeiro momento, parece encaixar mais na segunda tipologia com Julia a ser agredida – nem sempre (só) fisicamente – por guardas e prisioneiras na chegada à sua “nova casa”.
Não vou revelar o que levou a criminóloga a ver a vida ‘do outro lado’ mas – mais uma vez – esta narrativa é daquelas que me deixa algo desiludido por, a meu ver, não se enquadrar no perfil (bem) traçado de Julia. Se a conhecemos como tímida e reservada, psicóloga e não mulher de acção, mulher sensível e introspectiva, mais interessada em penetrar na mente dos criminosos do que em ter parte em perseguições, tiroteios e confrontos violentos, custa-me quando Berardi se nega a si mesmo, fazendo da sua protagonista o que ela nunca (?) poderá ser – com a possível excepção daquelas situações extremas cujo efeito em nós se torna impossível prever ou antever.
E para cúmulo, perto do final, quando o leitor está já convencido que esta história é apenas a primeira parte de um conto de maior dimensão, em poucas páginas Berardi finaliza-a de forma coerente, sim, mas muito apressada
…mas que a capa desperta a atenção e a vontade de ler, ninguém o nega! Bem mais do que a imagem ‘preterida’, presente na contracapa da edição, apesar de ser bem mais chocante e violenta tout court.
…até porque, a narrativa que abre este mini-álbum, Carne de açougue, se revela muito mais interessante – e tem Julia no seu devido lugar.
O ponto de partida são décadas de maus-tratos domésticos, segue-se a descoberta do cadáver do agressor e a inevitável investigação em que abuso, adultério e amor maternal se vão revelando em diferentes doses e momentos, numa investigação em que a aparente verdade se revelará enganosa mais de uma vez e, quando finalmente vier ao de cima, certamente surpreenderá a maioria dos leitores.
Aqui sim, Julia assume-se como a investigadora social e Berradi brilha num relato tenso e incómodo que aborda alguns dos problemas de relacionamento que facilmente encontramos ao nosso redor.
* Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogueAs Leituras do Pedro
(capa disponibilizada pela Mythos Editora; pranchas disponibilizadas pela Sergio Bonelli Editore; clicar nas imagens para as aproveitar em toda a sua extensão)
Convidado da 7.ª Mostra do Clube Tex Portugal, que teve lugar no Museu do Vinho Bairrada, nos passados dias 30 de Abril e 1 de Maio, mas onde infelizmente não pôde comparecer devido a razões pessoais alheias à sua vontade, Roberto Diso, um veterano dos quadradinhos italianos, concedeu umaentrevista ao Jornal de Notícias, publicada na edição online de 29 de Abril.
Fica agora a versão integral dessa conversa, feita à distância, e que não teria sido possível sem a inexcedível disponibilidade de José Carlos Francisco e Júlio Schneider, a quem agradeço.
Roberto Diso
Pedro Cleto – Mister No foi o herói a que dedicou a maior parte do seu tempo enquanto desenhador. O que tem ele de especial? O que tem ele de Roberto Diso? Roberto Diso – Certamente os meus cabelos de então, que eram escuros com as têmporas grisalhas. O próprio Sergio Bonelli me pediu para destacar esse detalhe em Mister No. E também algumas características psicológicas que eu e o Sergio tínhamos em comum com a personagem.
Pedro Cleto – Se tivesse de escolher só uma história, qual a que o marcou mais e porquê? Roberto Diso – Sem contar as de Mister No, porque haveria mais de uma e a resposta seria longa, eu diria Mohican (romance gráfico com roteiro de Paolo Morales, 2010, SBE), história com personagens intrigantes, possuidoras de várias facetas psicológicas e que actuam em territórios diversos, o que me permitiu abordar graficamente situações ambientais sempre diversificadas, sem um momento sequer de tédio, o que por vezes pode ocorrer quando por várias páginas os protagonistas permanecem sempre no mesmo cenário.
Pedro Cleto – Também desenhou Tex, Volto Nacosto, Dragonero… Qual o seu preferido? Porquê? Roberto Diso – Tex, naturalmente, e creio que tal se deve sobretudo porque eu gosto demais de desenhar cavalos e cenários western.
Pedro Cleto – Quase 70 anos a desenhar banda desenhada: foi um sonho que por vezes se tornou um pesadelo? Roberto Diso – Não, isso nunca, mas um pouco de tédio digamos que por vezes sim.
Pedro Cleto – O que lamenta não ter feito na sua carreira? Roberto Diso – Não ter pintado tantos quadros quanto eu gostaria, e não ter podido levar em frente a personagem de Rodo, o Cavaleiro, de quem fiz roteiro e desenhos (1985, publicada nas revistas Giungla!, da Editora Nerbini, e L’Eternauta, da Comic Art).
Pedro Cleto – Que conselho daria a um novo autor que queira desenhar para a Sergio Bonelli Editore? Roberto Diso – Dedicar toda a atenção possível à anatomia de seres humanos e de animais para entender bem como se movem, e também as expressões faciais de homens e mulheres, é importante porque transmitem emoções.
(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)
A finalizar a memorável Cerimónia de Inauguração da 7.ª Mostra do Clube Tex Portugal, realizada no sábado, dia 30 de Abril e com a presença da autora Laura Zuccheri e antes do Espumante de Honra (não nos esqueçamos que o evento foi na capital da Bairrada, mais precisamente no Museu do Vinho Bairrada) oferecido pela Direcção do Clube Tex Portugal e pelo Museu do Vinho Bairrada, foi exibido um curto vídeo (perante um auditório praticamente repleto), realizado por Andreia SofiaFrancisco, intitulado “O reencontro de Tex Willer com a Bairrada…” mostrando a eternização de momentos inesquecíveis das Cavalgadas de Tex, do seu fiel Dinamite e dos seus autores e fãs por Terras Bairradinas, com a musicalidade do vídeo a ser da autoria da banda Thriving Ivory com a sua popular canção intitulada Angels On The Moon, como damos de seguida a conhecer aqui no blogue do Tex a todos os nossos leitores: