Pranchas da história com o Tigre Negro (que afinal continua vivo) que Andrea Venturi está a desenhar

Como todos julgávamos saber, na Califórnia desenrolou-se o terceiro e definitivo capítulo da luta entre o nosso ranger e o diabólico criminoso Tigre Negro, numa história escrita por Claudio Nizzi e desenhada por Andrea Venturi, que foi publicada em finais de 2009 na Itália.

Andrea Venturi, foi o terceiro desenhador a representar graficamente o príncipe malaio de nome Sumankan (podemos ver o Tigre Negro de Venturi, na ilustração ao lado), o inimigo de Tex de maior carisma criado por Claudio Nizzi, depois de Claudio Villa, o criador gráfico e de Fabio Civitelli o terem feito nas duas histórias precedentes.

Mas voltando ao início deste texto, fomos todos induzidos em erro, porque afinal o Tigre Negro ainda está vivo!

Ao contrário do que Tex pensava, o Tigre Negro não morreu

E Tex, com quem o Tigre Negro fará um acordo, irá acompanhá-lo ao Oriente à conquista do seu reino situado em um dos países do Sudeste Asiático em uma nova e excitante viagem do Ranger que está a ser desenhada novamente por Andrea Venturi como comprova a foto que mostramos de seguida e que foi tirada por ocasião da recente visita de Venturi à redacção da Sergio Bonelli Editore:

Andrea Venturi exibe-nos duas pranchas originais da história com o Tigre Negro que está a desenhar

Trata-se de uma história de 440 páginas que está sensivelmente a meio e que está prevista ser publicada lá para o final de 2024 na série regular de Tex, história escrita por Mauro Boselli, autor da fotografia acima.

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Índios em Tex: A história contada pelos vencidos

Por Paulo Guanaes*

Tudo começou com Cristóvão Colombo, que deu ao povo o nome de Índios. Os europeus, os homens brancos, falavam com dialetos diferentes, e alguns pronunciavam a palavra “Indien”, ou “Indianer”, ou “Indian”. Peaux-rouges, ou “redskins” (peles-vermelhas), veio depois (Extraído do livro Enterrem meu coração na curva do rio, L&PM Editores).

Cochise e Tex por Fusco

Eu sempre quis escrever sobre a inserção dos índios no universo texiano. Desde logo, contudo, aviso aos navegantes que a intenção não é esgotar o assunto, longe disso. Optei por falar de forma aleatória sobre essa presença significativa nas aventuras de Águia da Noite a partir da minha observação como tradutor de Tex no Brasil, atividade que remonta a meados da década de 1970. É uma modesta perquirição do olhar de um genial autor sobre a temática indígena na sua obra.

Desde as primeiras histórias de Tex, Gianluigi Bonelli, o criador intelectual da personagem, aborda a questão dos índios e suas vicissitudes na América do Norte, particularmente entre 1860 e 1890. Em várias delas, reproduziu com retoques de ficção as sangrentas Guerras Indígenas, entre as quais sobressaem a batalha de Little Bighorn – na qual o notório general Custer morreu – e a de Sand Creek – onde 700 homens da força militar do Colorado mataram quase 200 cheyennes e arapahos. Tais confrontos, a maioria não desvelada, quase sempre terminavam em massacre dos índios e ocorriam a pretexto do desenvolvimento económico dos Estados Unidos. Nos seus roteiros, Bonelli não menciona apenas os índios do Tio Sam, cujas tribos que mais se destacam nas páginas da revista em quadradinhos mais antiga de Itália são os Sioux, Cheyenne, Apache, Moicano, Creek, Piute, Dakota, Arapaho, Kiowa, Shawnee, Comanche, Cherokee e Navajo. O autor também nos apresenta, em diversas histórias expressivas da sua obra texiana, os índios naturais do Canadá (entre eles, Esquimós, Iroqueses, Assiniboine, Seminoles, Senecas) e do México (Astecas, Maias, Yaquis, Otomis, entre outros).

Essa decisão de incluir, de maneira intensa, aspectos da história dos índios americanos no quotidiano do ranger está ligada ao sentimento humanitário e à solidariedade que Bonelli nutria pelas causas das minorias desprotegidas, traços que se revelam ao longo da sua vasta obra. Assim, mesmo demonstrando um insuperável talento para transformar Tex num sucesso editorial mundial, ele não abdicou da sua consciência crítica. Desde as primeiras tiras, retratou os índios na contramão do imaginário comum, vigente em meados do século passado: um ser sub-humano, selvagem, exótico, bárbaro. Ao contrário, pois, o roteirista sempre se esmerou em mostrar os índios como homens comuns e pacíficos que iam à luta apenas pelo direito à vida, pelo direito de habitar as terras que sempre foram suas e dos seus antepassados. Um povo que vivia da caça e da pesca, e com profundo respeito pelo meio ambiente, que naqueles tempos era chamado tão somente de “natureza”.

Fabio Civitelli. Ilustração inédita

Não por acaso, o criador de Tex batizou-o com o nome indígena Águia da Noite, temido por todas as tribos de norte a sul dos Estados Unidos, México e Canadá. Para registar de forma insofismável o seu apreço pela causa indígena, Bonelli cria uma personagem que se irá constituir num dos pilares do êxito da série, um parceiro que Tex considera como seu irmão: o navajo Jack Tigre, o maior farejador de pistas do Oeste. A sua reverência ao povo indígena pode ser vista ainda no próprio estado civil do nosso herói, pois ele é apresentado ao leitor como um homem casado com a bela índia Lilyth, cuja morte prematura é anunciada logo no início da saga. Dessa união, nasceu Kit Willer, o afilhado do resmungão Kit Carson, inseparável companheiro de Águia da Noite nas suas aventuras, compondo o quarteto de parceiros. Também não por acaso, Tex é o chefe branco do povo Navajo e o agente indígena que dá total proteção à reserva dessa tribo, onde ele próprio vive e para onde sempre retorna após as suas refregas com os mais perigosos bandidos da América. Ainda na pele de agente indígena, Tex defende os navajos da febre expansionista dos insaciáveis colonos brancos. Violentos, eles não hesitavam em apelar para a estratégia do extermínio do povo vermelho – frequentemente com o auxílio do exército americano –, a fim de se apossarem das terras férteis e das jazidas de ouro que nelas se encontravam.

Essa caracterização ideológica marcante e definitiva do perfil da personagem principal, que o aproxima umbilicalmente da vida indígena, evidencia e reforça a intenção do idealizador de Tex Willer em recontar, através da perspectiva dos vencidos, a trágica história dos índios americanos. Desprezados pelos brancos pelos seus diferentes laços peculiares de cultura, religião, língua e comportamento, os peles-vermelhas eram também vítimas de um estereótipo que os tachava como minoria incómoda para a expressão desenvolvimentista de uma nação em progresso, que precisava de terras para ampliar o seu território, para abrir estradas e colonizar o interior.

O que mais surpreende é que essa solidariedade étnica, estampada nas páginas de três tiras a preto e branco da mais popular história em quadradinhos italiana, tem início no nascimento da personagem, em 1948. Pode-se dizer, portanto, que Bonelli foi um dos precursores da tardia revisão histórica levada a efeito nos Estados Unidos acerca da conquista do Oeste e do lugar ocupado pelos índios na vida americana, a partir do lançamento, em 1970, do livro Enterrem meu coração na curva do rio, de autoria de Dee Brown, do qual faço algumas citações neste texto. Uma avalanche de livros e filmes sobre o tema veio logo depois deste best-seller. O livro sacudiu consciências e resgatou a dignidade de um povo forte e altivo, escancarando uma faceta trágica da formação norte-americana e revelando o homem branco como poluidor de uma natureza exuberante, mediante a introdução da fumaça dos comboios, do uísque, das doenças infecciosas e do fim de florestas e da vida selvagem.

Tex respeitado pelos índios em desenho de Ticci

Nos seus criativos roteiros, jamais igualados, Bonelli sempre prestou homenagem aos grandes líderes indígenas, com mais frequência a Nuvem Vermelha, Gerónimo, Touro Sentado e Cochise. Este último, inclusive, foi eleito pelo autor para ser um dos melhores amigos de Tex. Era um índio dono de uma história riquíssima na vida real.

Como líder apache, foi um bravo resistente das invasões bárbaras das suas terras, cometidas por mexicanos e americanos em meados do século XIX. Cochise e os seus chiricahuas viveram numa região que vai de Sonora ao Novo México e Arizona, cenário usado recorrentemente por Bonelli e pelos roteiristas que o sucederam para contar aventuras indígenas tocantes. Nelas, ao adotar a instigante narrativa dos vencidos, o pai de Tex leva-nos a observar os índios por lentes bem diferentes daquelas que os mostravam como selvagens.

* Texto de Paulo Guanaes publicado originalmente na Revista nº 4 do Clube Tex Portugal, de Junho de 2016.

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Tex 741 BIS, Tex NOVAMENTE a dobrar, em Julho, na série principal italiana

Pelo segundo ano consecutivo, o Verão Texiano é reforçado pelo lançamento de um número Bis.

Em Julho, pleno Verão europeu a Sergio Bonelli Editore brindará, pelo segundo ano consecutivo, os fãs e coleccionadores de Tex com uma edição especial. Trata-se do Tex 741 Bis, com lançamento previsto para 21 de Julho e que trará uma história (inédita) completa, escrita por Pasquale Ruju e desenhada por Giovanni Freghieri, sendo a capa da autoria de Claudio Villa.

O título original é “L’eredità del bandito“ (em português “O legado do bandido“), história de 110 páginas que vê o Ranger mais famoso da banda desenhada italiana empenhado em proteger a viúva de um ladrão de bancos, perseguida pelo velho bando do marido em busca do último saque.

O Tex 741 Bis, está novamente inserido na iniciativa (Bis) que a editora Bonelli estenderá uma vez mais neste Verão, desta vez a seis séries já que este ano para além de Tex, Dragonero, Nathan Never, Dylan Dog e Zagor temos também a presença de Júlia Bis nos quiosques italianos.

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Póster Tex Nuova Ristampa 332

Póster Tex Nuova Ristampa 332

Em mais uma inebriante ilustração, da autoria de Claudio Villa, vemos Tex sendo perseguido por gigantescos  monstros que parecem ter saído do pior dos pesadelos… monstros criados pela maléfica mente (e magia) do diabólico Mefisto!

Desenho INÉDITO no Brasil e inspirado na história “Mefisto!” de Claudio Nizzi e Claudio Villa (Tex italiano #501 a #504).
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Texto de José Carlos Francisco