Estreou na passada sexta-feira, 28 de Outubro, nos cinemas italianos Dampyr, o obra-prima de Riccardo Chemello, baseada na personagem de banda desenhada da Sergio Bonelli Editore criada por Mauro Boselli e Maurizio Colombo.
Distribuído pela Eagle Pictures, Dampyr foi lançado nas salas italianas simultaneamente com a estreia mundial que ocorreu no evento Lucca Comics and Games e que contou com a presença, entre outros de Davide Bonelli e Mauro Boselli.
Davide Bonelli e família em Lucca
Mauro Boselli e a sua filha Letizia em Lucca
O filme de Dampyr inaugurou a noite de abertura do famoso evento dedicado ao mundo do entretenimento e conta a génese da personagem, publicada pela Sergio Bonelli Editore no ano 2000 nos primeiros dois volumes dos 300 que compõem a série que continua a ser uma presença constante todos os meses nos quiosques italianos.
Dampyr é ambientado durante a guerra dos Balcãs, no início dos anos Noventa do século passado e narra a história de Harlan. Assombrado por pesadelos terríveis, Harlan sobrevive fingindo ser um Dampyr (na mitologia eslava, um ser meio humano e meio vampiro) capaz de libertar as aldeias daqueles que os supersticiosos habitantes acreditam ingenuamente serem terríveis maldições relacionadas com o mundo dos vampiros.
Mas quando convocado por soldados atacados por criaturas sanguinárias, Harlan descobre a verdade: ele realmente é um Dampyr. Enquanto tenta enfrentar um terrível “Mestre da Noite”, Harlan deverá aprender a administrar os seus poderes e descobrir as suas origens. A acompanhá-lo uma vampira renegada e um soldado em busca de vingança.
Um elenco totalmente internacional no qual Dampyr é Wade Briggs (Still Star Crossed, Please Like Me, His Dark Materials), Stuart Martin é Emil Kurjak (Jamestown, Medici) e Frida Gustavsson é Tesla (Dröm, Eld Lagor, Vikings: Valhalla).
A acompanhá-los David Morrissey como Gorka (Britannia, Good Omens, The Walking Dead), Sebastian Croft como Yuri (Game of Thrones, Doom Patrol, Heartstopper) e Luke Roberts a interpretar Draka (Game of Thrones, Pirates of the Caribbean,300: Rise of an Empire, The Batman).
Stuart Martin, Wade Briggs e Frida Gustavsson em Dampyr
Nesta deslumbrante ilustração desenhada por Claudio Villa vemos numa noite de temporal em pleno México, Tex e Carson entrando no Rio Grande quando estavam a ser perseguidos por um pequeno exército de mexicanos, comandados por Dom Amargo, que queria matar os Rangers.
Desenho usado no Brasil como capa de Tex Platinum #8 e inspirado na história “A sud del Rio Grande” de Mauro Boselli e Guglielmo Letteri (Tex italiano #506 e #507).
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O universo de brinquedos inspirados em obras de BD e animação é vastíssimo e anterior ao fenómeno de brinquedos derivados da tela (tecnicamente designados de TV/movie related), aposta recorrente no atual panorama da indústria do brinquedo. Esses pioneiros produtos derivados da BD são praticamente tão antigos como esta. Logo no início do século XX, nos EUA, o merchandising dá os primeiros passos, seguindo o sucesso de obras publicadas em jornais concorrentes, mas é eventualmente a Disney quem começa a verdadeira exploração do “filão”. Figuras de Donald e Mickey em louça ou “papier-mâché”, ou Popeye em celulóide com braços articulados, peluches, mealheiros, etc. são exemplos típicos dessa época inicial no período entre guerras. Na Europa, poucos anos mais tarde, surgem os primeiros brinquedos de personagens como Becassine e Babar.
Mas é com o desenvolvimento da indústria do plástico, a partir dos anos 1950, tanto nos EUA, como na Europa, que se dá verdadeiramente a explosão destes derivados no mercado dos brinquedos. Figuras de Astérix, Tintin, Lucky Luke, Schtroumpfs, etc. são exploradas pelos fabricantes, tanto como peças para venda como brindes de campanhas publicitárias. Paralelamente nos EUA, o universo dos super-heróis, com Batman à cabeça, invadem as lojas de brinquedos e encantam as crianças.
A partir da estreia do primeiro filme da saga “Star Wars” em 1977, George Lucas veio dar uma nova dimensão (realmente galáctica!) ao conceito de merchandising, projetando o tema da ficção científica para primeiro plano, e revolucionar a indústria do brinquedo, sendo praticamente responsável pelo declínio e mesmo falência de alguns fabricantes que apostavam nos temas clássicos onde o nosso “western” de Tex se encontra…
Do personagem Tex Willer, poucas são as transições conhecidas para a 3ª dimensão, no universo dos brinquedos, como é o caso da Mego. Em meados dos anos 70 este fabricante americano de “Action Figures”, que já estava intimamente ligado à produção de figuras de personagens dos super heróis Marvel e DC, produziu, com grande qualidade, um conjunto de 4 figuras dos principais personagens de Tex, aproveitando magistralmente moldes e conceitos de acessórios de uma outra linha da Mego – American West: O próprio Tex, executado com grande mestria, com aproveitamento do molde da cabeça de Batman, o seu inseparável companheiro Kit Carson, também aproveitado da fisionomia do Rei Artur, da série Super Knigts (utilizada também para Buffalo Bill), o seu filho Kit, a partir da cabeça de Tarzan e finalmente o índio Jack Tigre, criado a partir da fisionomia de Cochise, o último membro deste quarteto mortífero para os fora-da-lei do Oeste da dupla Bonelli/Galleppini.
Estas figuras distribuídas no mercado italiano pela Baravelli, uma vez que foram produzidas em número reduzido, são hoje autênticas raridades para os coleccionadores. Para além do interesse nas figuras como coleccinável, o facto de as caixas originais onde as mesmas vinham, terem sido executadas a partir de desenhos originais de Galep, torna o conjunto ainda mais cobiçado pelos mesmos coleccionadores, principalmente para os que são ao mesmo tempo fãs de Tex. Para aumentar ainda mais a procura e consequentemente inflaccionar o preço, não só os coleccionadores italianos as procuram, como também os grandes coleccionadores de figuras Mego nos E.U.A., se degladiam em leilões da especialidade, cada vez que aparecem à venda. No mercado especializado dos brinquedos de colecção estas figuras atingem preços na ordem dos milhares de dólares e, mesmo assim, dado a sua escassez, só muito esporadicamente surge uma ou outra para venda. Disponíveis regularmente estão as réplicas (quase perfeitas), feitas há poucos anos na Índia, mas infelizmente sem caixas!
* Texto de Ricardo Leite publicado originalmente na Revista nº 7 do Clube Tex Portugal, de Dezembro de 2017.
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Um tesouro secreto escondido em um templo sagrado que é descoberto e mostrado pela primeira vez. Isso poderia ser o argumento de uma história de Tex, mas trata-se de um acontecimento real, onde o tempo sagrado é uma fumetteria em Nápoles e o tesouro secreto é o resultado de um dedicado trabalho de pesquisa de um fã e colecionador.
Thiago Gardinali com Francesco Ruggieri em uma fumetteria de Nápoles
Em minha peregrinação pelo universo da banda desenhada na Itália, posso dizer que me surpreendi em muitas ocasiões. Fui a muitas lojas especializadas, eventos, festivais, lançamentos, conheci leitores, autores e editores e comprei centenas de edições. Mas resolvi reservar este espaço em especial para compartilhar com todos os fãs de Tex uma descoberta que fiz em território napolitano. Foi em uma das diversas fumetterie que visitei onde conheci Francesco Ruggieri, um simpático colecionador aficionado por Tex. Conversamos bastante sobre as histórias, os artistas, os recentes lançamentos, a expectativa quanto aos 70 anos do ranger… até que, em um dado momento, ele me disse que queria me mostrar algo e foi até uma sala nos fundos da loja. Imaginei que iria buscar alguma revista, pois estávamos folheando e analisando várias publicações. Eis que Francesco volta com um grande canudo de papel e começa a desenrolá-lo na minha frente. Era realmente um grande tesouro, uma iniciativa inédita que merecia ser divulgada. Uma comparação de vários rostos de Tex, cada um resultado do trabalho de um desenhista diferente. Em 2008, ocasião dos 60 anos de Tex, Francesco teve a dedicação, empenho e paciência em levantar todos os desenhistas que até aquele momento haviam produzido histórias do personagem e selecionar uma face desenhada por cada um. Para isso, teve que analisar toda a história editorial de Tex, página por página, para então escolher o melhor ângulo que possibilitaria a comparação dos traços. Digitalizou, tratou as imagens e montou um belíssimo quadro comparativo, onde é possível notar as semelhanças e diferenças entre os vários desenhistas.
Quarenta e nove homens, um rosto – Tex Willer
Uma tarefa que durou seis meses de pesquisa diária, mas que ficou por quase dez anos guardada, sem nunca ter sido divulgada. Mas por qual motivo? Passado o entusiasmo inicial de apreciar e ter em mãos aquele precioso cartaz, este foi o meu questionamento a Francesco. E a resposta foi mais simples do que eu poderia imaginar. O sonho dele era que seu belo trabalho chegasse às mãos de alguém na Sergio Bonelli Editore para, quem sabe, pudesse ser publicado em alguma revista. Mas a distância e a falta de contatos fez com que isso não se concretizasse, e o tesouro ficou lá guardado… até agora! Com a publicação deste artigo aqui na revista do Clube, o esforço de Francesco será conhecido por muitos e, quem sabe, o estimule a elaborar um novo cartaz, desta vez em comemoração aos 70 anos de Tex? A seguir, reproduzo a entrevista que gravei em vídeo como nosso amigo napolitano.
Thiago Gardinali: Há quanto tempo você é leitor de Tex? Francesco Ruggieri: Comecei a ler Tex em 1975 e nunca mais parei. Tenho todas as coleções completas e gosto muito do personagem.
TG: E como surgiu a ideia de fazer este grande quadro comparativo com os rostos de Tex? FG: Isso foi no ano de 2008, ocasião em que Tex completava 60 anos. Como fã, sempre lendo e relendo as histórias, tive a curiosidade de comparar as diferenças de traços dos desenhistas que tinham feito Tex até então. Queria analisar qual Tex era o mais bonito, qual era o mais violento. Aí pensei que observar edição por edição poderia ser confuso e que o melhor seria fazer um apanhado geral e colocar todos juntos. Foi então que comecei a escolher detalhadamente os melhores rostos para escanear e montar o quadro.
TG: Mas você analisou todos os desenhistas? FG: Sim, analisei todos os 49 desenhistas que, até aquele momento em 2008, haviam desenhado Tex. Fiquei durante seis meses, quatro horas por dia, revirando todas as minhas coleções até achar o melhor ângulo de cada um dos desenhistas para o rosto de Tex.
TG:Depois de terminada a pesquisa, a qual conclusão você chegou sobre as diferenças de traços dos desenhistas de Tex? FG: Tem muita coisa interessante a ser observada entre os desenhistas e também na evolução de cada um deles. Por exemplo, o Fusco quando mais jovem desenhava um Tex mais “limpo”, com traços mais simples. Depois de alguns anos, o Tex dele ficou mais “sujo”, mais western. A arte de Galep também é interessante de ser analisada, do início da carreira aos seus últimos anos. E quanto aos diversos desenhistas, o quadro fala por si próprio. É o mesmo Tex, mas interpretado por traços diferentes.
TG: É verdade que a sua paixão por Tex já foi motivo de briga com a sua sogra? FG: Hahaha… essa história é engraçada. Quando eu conheci a minha esposa, já era fã e colecionador de Tex há algum tempo. E isso incomodava muito a minha sogra. Ela não se conformava que a filha namorasse com um homem que lia revistas em quadradinhos. Dizia que era uma perda de tempo e que minha coleção era uma porcaria… isso tudo em dialeto napolitano! Eu me casei e toda vez que ela ia em casa, não perdia a oportunidade de me criticar, era um inferno. Até que um certo dia, o meu sogro, de tanto ouvir os xingamentos sobre as minha coleção, ficou curioso e me pediu um Tex emprestado. Resultado: começou a ler um atrás do outro, virou fã e resolveu montar a sua própria coleção. Minha sogra mordeu a língua… além do genro, também o marido passou a ser leitor de Tex. Foi a minha vingança!
TG:Por que você gosta tanto de Tex? FG: Não tem um porquê específico. Apenas gosto. Tex é fantástico, um personagem único e eu realmente gosto muito.