ESTATÍSTICAS BONELLIANAS – 2022: CAPAS & CORES

Por Saverio Ceri

Quarta e última parte dedicada aos números bonellianos de 2022. Depois das personagens, argumentistas e desenhadores, desta vez, descobriremos os ilustradores que realizaram capas inéditas para as edições da Bonelli, e os profissionais que foram chamados para colorir as páginas, inéditas ou não, neste 2022 que acabou de findar.

Alessandro Piccinelli, capista de Zagor, aqui, numa recente foto ao lado de Moreno Burattini foi protagonista entre os capistas também neste 2022

Para os autores das capas há que precisar que as capas que aparecem na classificação são apenas as inéditas encomendadas pela Bonelli para os seus volumes. Não foram contabilizadas imagens “recicladas”, isto é, feitas no passado para outros fins (como capas de edições estrangeiras ou ilustrações para eventos de banda desenhada) e usadas como capas para os volumes de banca ou volumes de livraria; assim como não foram contabilizadas capas, embora inéditas, publicadas por outras editoras (como por exemplo as do Tex para as recentes strisce inéditas de La Gazzetta dello Sport). Também não foram contabilizadas capas realizadas pela redacção criadas com montagem e coloração de imagens internas dos álbuns. Fazem parte desta categoria as capas de I racconti di Domani di Dylan Dog.
Para os coloristas, deve-se precisar que para os álbuns assinados por várias mãos, tentei, tanto quanto possível, creditar o melhor possível as várias páginas; não posso dizer que o tenha conseguido totalmente; em alguns casos, quando é impossível diferenciar os estilos, como no caso das páginas  com tons da mesma cor do Commissario Ricciardi, simplesmente dividi em partes iguais: e isso explica também alguns números decimais da classificação. Exorto os coloristas envolvidos nessas revistas com várias assinaturas a relatar imprecisões, se as encontrarem, ajudando-me a corrigir as cronologias das séries envolvidas, atribuindo a cada um os seus próprios méritos.

No ranking de 2022 não encontrarão vestígios da capa de Simulacri, porque já foi contabilizada em 2021 por ocasião da antestreia publicada por ocasião do Free Comics Book Day de Dezembro de 2021

Os capistas
Em 2022 para realizar as 232 capas inéditas das revistas e livros da editora Bonelli, estiveram envolvidos 57 ilustradores; 195 capas foram produzidas para publicações inéditas e 37 para reedições ou variantes. Estes dois primeiros dados mostram como, no que diz respeito a argumentistas e ilustradores, o número de capistas e de capas aumentou definitivamente em relação aos doze meses anteriores; trata-se de 18,75% de capistas a mais e de 6,94% de capas inéditas a mais do que em 2021. O regresso das capas variantes relacionadas com os eventos de banda desenhada contribuiu significativamente para ambos os dados positivos.
De seguida podemos observar o número de capistas que trabalharam na Bonelli nos últimos 15 anos.

A safra de 2022 como número de capistas empenhados é a terceira melhor de sempre, logo depois da de 2018 e da de 2019. Se falarmos apenas do número de capas inéditas, o ano que acabou está em 5º lugar; o ano mais rico em capas continua a ser o de 2018 com 270 capas realizadas.
Abaixo encontra-se o ranking dos capistas, por número de capas publicadas, o “E” de estreante refere-se ao facto de ser esta a estreia nesta categoria para a Bonelli.
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O pódio
Alessandro Piccinelli volta a conquistar o topo pelo segundo ano consecutivo, e pela terceira vez na carreira,capista de todos os volumes de Zagor em 2022, excepto o volume do team-up com o Flash. Para ele é também o sexto ano consecutivo no pódio: três medalhas de ouro e três de prata no seu palmarés de capista.
Um pequeno evento é representado pelo segundo lugar de Maurizio Dotti, não tanto pela classificação geral, mas sim pela classificação interna da série de Águia da Noite
. Graças à duplicação dos Especiais e a um Tex Willer Extra a mais do que em 2021, Dotti destrona Claudio Villa na classificação dos capistas de Tex do ano que acabou de finadar. Desde 1994, ano em que assumiu o cargo de Galep, que Villa era o capista mais produtivo do ano texiano. Para Dotti é o segundo pódio na carreira depois da medalha de bronze do ano passado.
Juntamente com Dotti Sergio Giardo sobe ao segundo lugar do pódio, graças ao seu recorde anual de capas. Para o capista de Nathan Never é a primeira prata da sua carreira após o bronze em 2020. No entanto entre as 18 capas contabilizadas, há também a criada por Giardo com a ajuda da plataforma Midjourney. A Bonelli divulgou-a como a primeira arte de capa criada por inteligência artificial. No entanto, Giardo assinou-a reconhecendo-a de alguma forma como sendo uma sua criação. A quem se deve atribuir esta capa? A Giardo, à Midjourney, ou metade para o homem e metade para a máquina? Por enquanto, atribuimo-la inteiramente a Giardo, visto que ele forneceu os ‘inputs’ (conjunto de informações que chegam a um sistema – organismo, mecanismo – e que este vai transformar em informações de saída.), sem os quais a inteligência artificial teria feito, provavelmente, muito pouco, mas se o directo interessado ou algum especialista da plataforma em questão, quiser nos dar a sua opinião
, ficaremos felizes de actualizar as várias classificações, se necessário.
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Nathan Never #379 variante – Quem realizou esta capa?

Com a capa variante de Nathan Never atribuída por inteiro ou mesmo que apenas a metade, a Giardo, Claudio Villa, sai do pódio depois de 25 anos de presença consecutiva; terá de se consolar com as 20 medalhas de ouro, 6 de prata e 2 de bronze no seu palmarés.
Entram pela primeira vez no Top Ten os irmãos Cestaro e Stefano Biglia, graças ao primeiro ano completo como capistas respectivamente de Dylan Dog e Super Tex. Saem dos primeiros dez Cavenago e De Tommaso.
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Com a sugestiva capa do Tex Willer 50, da qual vemos a prova de cores, Dotti efectuou a histórica ultrapassagem a Villa

Os veteranos
O veterano dos capistas é Giancarlo Alessandrini que desenhou a sua primeira capa bonelliana em 1977; depois dele Enea Riboldi que colabora nas capas Bonelli desde 1985, Claudio Villa que desenha capas desde 1986, e Giampiero Casertano que se estreou nesta categoria em 1988.
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Graças a este volume, Casertano também está entre os artistas de capa de 2022, 34 anos após sua primeira capa bonelliana

Entre os capistas mais contínuos encontramos Alessandrini que realiza ilustrações para capas pelo 41º ano consecutivo; Villa está no seu 29º ano sem interrupções; Soldi, ainda que ao ritmo de uma capa por ano, teve a sua 25ª presença consecutiva; finalmente Riboldi comparece constantemente nesta classificação desde há 23 anos.

Os Anos Vinte
Tal como para as outras classificações somamos as capas dos últimos dois anos para estabelecer a classificação dos primeiros 36 meses dos Anos Vinte deste século. Pelo menos as primeiras dez posições. Piccinelli reforça a liderança sobre Claudio Villa; a seguir, encontramos Giardo, que graças à já mencionada capa variante de fim de ano, mantém a posição sobre Dotti. Próximas, mas estáveis as posições na parte central da classificação, enquanto na parte inferior do Top Ten Alessandrini beneficia da actual periodicidade mensal de Martin Mystère para ganhar posições; e os Cestaro Bros entram nesta classificação em detrimento de Cavenago, graças às capas de Dylan Dog.
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Capistas históricos
Na classificação All-time dos capistas bonellianos, graças às capas de 2022 Giardo ganha 4 posições passando do 16º ao 12º lugar, ultrapassando Atzori, Donatelli e Roi, mas também Spadoni, que ao mesmo tempo que ganhava posição sobre o trio de ilustradores, foi simultaneamente ultrapassado  por Giardo, subindo na classificação apenas duas posições: do 15º ao 13º lugar.  Piccinelli sobe do 19º para o 16° posto.
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Júlia #285 – Uma das lindas capas de Spadoni do ano passado

Os coloristas
Neste ano que acabou de terminar houve um total de 4.375 páginas com cores especialmente criadas, tanto para edições inéditas quanto para reimpressões, ou seja, 10,22% a menos que em 2021 e até 43,40% a menos se compararmos o número com a safra Bonelli mais colorida de todos os tempos, ou seja, 2017.
Dessas 4.375 páginas coloridas, 1.372 são páginas de histórias coloridas pela primeira vez em 2022; as restantes 3.003 são pranchas inéditas, publicadas de imediato em quadricromia, ou seja, menos 14,66% do que nos doze meses anteriores. 
A tendência, portanto, parece ser usar a cor apenas onde ela é funcional ao tipo de produto que está sendo lançado, e não colorir tudo indistintamente.
Confirmando isso, a incidência de páginas inéditas em quadricromia sobre o total caiu em 2022 para 15,21%, cerca de 2,7 pontos a menos que em 2021, e cada vez mais longe do recorde de 25,49%, obviamente estabelecido em 2017, quando parecia que a cor era uma obrigação para o futuro da editora.
Abaixo, no gráfico, pode-se conferir como a cor afectou a produção bonelliana desde 2015, ano do lançamento da linha de livraria da editora, até hoje.
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Após uma façanha inicial que, num par de anos, levou à duplicação das páginas a cores, atingindo mais de um quarto de toda a produção da Bonelli, a presença da cor foi diminuindo gradualmente. Coincidentemente, em 2022 as páginas nascidas directamente em quadricromia eram as mesmas de há 7 anos, 3003, mas hoje, como no geral foram publicadas menos páginas, a sua incidência no total é maior. Em números absolutos, a tendência nos últimos cinco anos é de queda.

Nos últimos doze meses, foram 35 os coloristas (ou estúdios de coloristas) contratados para colorir os volumes da Bonelli, vinte e dois a menos que em 2021, quase a metade dos utilizados em 2018. Abaixo no gráfico pode-se ver a evolução deste dado nos últimos oito anos.

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Um esclarecimento: não são atribuídas páginas já coloridas em ocasiões anteriores e simplesmente republicadas; por exemplo, faltam na contagem as páginas de Tex e Zagor Classic (visto que as cores são as habituais da Collezione Storica do La Repubblica); ou páginas bonellianas coloridas em 2022, mas para outros editores, como as reimpressões a cores de Mister No e de Piccolo Ranger à venda com o periódico Gazzetta dello Sport. Eis a classificação completa dos 35 coloristas que trabalharam nos volumes Bonelli em 2022:
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O pódio
Pelo terceiro ano consecutivo vence o estúdio GFB Comics, com a equipa de trabalho liderada por Valentina Mauri, que se ocupou de colorir, também em 2022, 7 das 12 edições da republicação de Storia del West.
Sobe um degrau no pódio, relativamente a 2021, alcançando a medalha de prata Giovanni Preziosi empenhado nas páginas de Il Commissario Ricciardi.
Sergio Algozzino empenhado nos volumes fora de série do Investigador do Pesadelo, conquista por sua vez o degrau mais baixo do pódio.
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Sergio Algozzino, um dos coloristas mais ocupados da Bonelli em 2022

Os Anos Vinte
Também para os coloristas vamos dar uma vista de olhos à classificação dos Anos Vinte do século XXI, após o terceiro ano. Seguem-se as primeiras 10 posições.
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Por enquanto os três coloristas da reedição de Storia del West comandam, esta classificação, ainda que apenas a primeira posição pareça inatacável. Para o segundo lugar tudo pode mudar em apenas um volume. No muito fluído Top Ten, o colorista que ganha mais posições é Preziosi, enquanto quem mais perde é Arzani, não tendo colorido uma única página para a editora Bonelli em 2022. 
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Números… especiais
Vamos terminar a quarta e última parte dos números bonellianos de 2022, com os dados relativos às edições fora de série.
Em 2022 os volumes especiais, incluindo gigantes, maxi, magazine, cartonatos à francesa, color, mini-séries e vários spin-offs, foram 52, sete a menos do que no ano anterior, atingindo o número 1070 desde o primeiro publicado há muitos anos: Cico Story.
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Os números Bis estão em forte ascensão entre as edições fora de série – com o tempo suplantarão os  Magazine e Especiais? A capa de Tex 741 Bis realizada por Claudio Villa no Verão de 2022

As páginas inéditas publicadas em volumes fora de série no ano que acabou de terminar foram 5.918, que é o número mais baixo de 2009 até hoje; Essas 5.918 páginas representam 29,98% do total da produção inédita do ano; uma quantidade decrescente em relação a 2021, mas no geral em média com os anos de 2001 até hoje (30,01%). A média de páginas inéditas de cada edição especial foi de 113,80 e permanece entre as menores desde 1979 até hoje. O personagem que teve mais páginas publicadas fora da série regular foi em 2022, com o recorde de 1.790 páginas extras, Dylan Dog, que confirmou a sua liderança pelo segundo ano consecutivo. O Investigator do Pesadelo permanece neste ranking “especial” pela 22ª vez. Tex também estabelece, com 1.720 páginas,o seu próprio recorde de páginas fora de série anuais. Terceira posição para Zagor, muito atrás de todos os outros.
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Alessandro Piccinelli é já há alguns anos o ilustrador bonelliano com maior presença nas capas das edições fora de série

Pasquale Ruju com o seu próprio recorde, de 722 páginas foi o escritor mais publicado nos volumes fora de série em 2022; vence pela primeira vez esta particular classificação. Atrás de si no pódio temos Zamberletti e Boselli.
A medalha de ouro dos desenhadores fora de série  vai, pela primeira vez na sua carreira, para Giampiero Casertano, responsável em 2022 de 374 páginas “especiais”. Completam o pódio totalmente texiano Freghieri e Scascitelli.
Alessandro Piccinelli, com 9 capas, é o capista mais publicado nos volumes fora de série pelo quinto ano consecutivo.
Para o 2022 Bonelliano em números, é tudo. Novo encontro no final de 2023.
Saverio Ceri

Material apresentado no blogue Dime Web em 31/12/2022; Tradução e adaptação (com a devida autorização): José Carlos Francisco.
Copyright: © 2022, Saverio Ceri

Felicidades a todos da parte do Tex Willer Blog (e de Alessandro Bocci, Sandro Scascitelli e Marco Ghion)

Com as ilustrações dedicadas ao Ranger Tex Willer, desenhadas por Alessandro Bocci, Sandro Scascitelli e Marco Ghion, o Tex Willer Blog, o blogue português do Tex, na “voz” do próprio TEX WILLER deseja um BOM ANO de 2023 a todos os Texianos que nos honram com as suas assíduas visitas, neste que vai ser seguramente mais um ano GRANDIOSO para Tex Willer!

Felicidades a todos da parte do Tex Willer Blog (e de Alessandro Bocci)

Felicidades a todos da parte do Tex Willer Blog (e de Sandro Scascitelli)

Felicidades a todos da parte do Tex Willer Blog (e de Marco Ghion)

(Para aproveitar a extensão completa dos desenhos, clique nos mesmos)

“Tiger Jack (Jack Tigre) na Arte e nas Palavras de Claudio Villa

Claudio Villa: “Tiger Jack (Jack Tigre) é a parte mais “animal” do grupo de quatro pards.
“Animal” no bom sentido: ele “sente” e “lê” a natureza como um branco não sabe fazer, ele sabe ser silencioso e voraz, mais rápido e mais forte que um branco.
Os verdadeiros índios têm maçãs do rosto largas, olhos quase amendoados, narizes pontiagudos e lábios carnudos, mas conciliando a imagem oficial, que ainda temos no frontispício, com um “novo” retrato que se pareça com ele, mas que se perceba ser um índio e que deveria ter a expressão orgulhosa e terrível de um homem determinado, requer mais passagens, reconsiderações, testes após testes.
Depois há coisas que ficam nas gavetas… e surgem quando menos se espera…🙂 🙂“

Tiger Jack na Arte de Claudio Villa

Tiger Jack na Arte de Claudio Villa

(Para aproveitar a extensão completa dos desenhos acima, clique nos mesmos)

ESTATÍSTICAS BONELLIANAS – 2022: SUPER LAZZARINI

Por Saverio Ceri

Terceiro apontamento com o resumo da safra bonelliana do ano 2022. Um esclarecimento antes de começar, sobretudo porque se irá falar de desenhadores: algumas edições são assinadas por várias mãos, muitas mãos; Essa abundância de assinaturas às vezes impede a equipa editorial de indicar quais páginas individuais da edição em questão são desenhadas por um ou por outro ilustrador.
Por isso, existem volumes nos quais dois a oito desenhadores colocaram as mãos, muitos dos quais são recém-chegados (e, portanto, com uma característica menos reconhecível), “amalgamados” em alguns casos pelos coloristas, que, por um lado com o seu trabalho, facilitam a fusão entre os estilos que impedem desfasamentos brutais de design, por outro lado, complicam a atribuição dos autores dos desenhos originais.
Portanto, ao tentar creditar melhor as várias páginas, não se diz que tal foi conseguido; pelo contrário, exorto os desenhadores e os coloristas envolvidos nesses volumes com várias assinaturas a relatar imprecisões, se as encontrarem, ajudando-me a corrigir as cronologias da série envolvida, dando a todos os seus próprios méritos.

Anna Lazzarini, a primeira ilustradora a liderar o ranking anual de ilustradores bonellianos.

Desta vez debaixo dos holofotes, como dissemos anteriormente, estão os ilustradores, os 178 desenhadores que este ano nos brindaram com os seus lápis e tintas da china; mantém-se a tendência decrescente dos últimos anos, desta vez são seis a menos do que nos 12 meses anteriores. Já são 51 a menos que no ano recorde de 2018. No gráfico abaixo, que compara os dados dos últimos quinze anos, vemos que 2022 é o pior desde 2013, mas melhor que todos os anos anteriores.

Este ano, houve 9 desenhadores a estrearem-se na Bonelli, dois a menos que no ano passado; Pode encontrá-los todos na próxima tabela porque estão indicados com a letra E ao lado do número de páginas.
Na tabela encontram-se todos os 178 ilustradores alinhados por número de pranchas publicadas, incluindo os irmãos Cestaro e os irmãos Esposito que, geralmente trabalhando em duplas, ocupam apenas uma posição. Lembramos também que o “PB” verde ao lado do nome significa Personal Best, caso o desenhador em questão tenha estabelecido o seu recorde pessoal nas páginas bonellianas publicadas neste ano (o “PB” é amarelo em caso de recorde igualado), e que os números decimais são consequência de histórias assinadas por muitas mãos.

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O pódio
Graças ao volume La cautela dei cristalli, e à bela história de Zagor centrada em Jenny, Anna Lazzarini é a primeira desenhadora, em oitenta e um anos da editora, a vencer a classificação anual dos ilustradores mais publicados; para ela também a primeira vez no pódio; até hoje apenas Lina Buffolente, em 1988, tinha conseguido subir ao pódio e conquistar a medalha de bronze. Não obstante a façanha de Lazzerini, a Buffolente mantém também o recorde de páginas anuais publicadas por uma desenhadora: 495 páginas em 1977. Vale lembrar que entre as suas colegas Anna é a sexta a ser incluída no Top Ten anual, tinha já acontecido obviamente com a Buffolente há 12 anos; três vezes para Arduini; duas vezes cada para Mandanici e Platano; e uma vez para Zanella, mas nenhuma jamais tinha conseguido alcançar o primeiro posto. 
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Auto-retrato de Fabio Civitelli

Em segundo lugar, graças à longa aventura de Tex contra Mefisto, finalizada após 16 páginas adicionais, encontramos Fabio Civitelli. É também o primeiro pódio do esmerado artista de Arezzo, apesar de ter publicado um número maior de páginas no passado: 465 que lhe renderam, em 1982, apenas o quinto lugar.
Giovanni Freghieri que conquistou este ano a medalha de bronze, é ao invés um habitué do pódio, aliás no seu palmarés bonelliano encontramos três medalhas de ouro (1995,2005 e 2012), duas de prata e cinco de bronze, já incluindo a deste ano.
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Giovanni Freghieri, desenhador do Texone de 2022, estava ausente do pódio desde 2016

O Top Ten
Como costuma acontecer, nenhum dos dez primeiros colocados deste ano apareceu entre os dez primeiros do ano anterior. Apenas quatro deles, Freghieri, Giardo, Casertano e Brindisi também haviam sido publicados em 2021. Os irmãos Cestaro estavam ausentes desde 2015 e Ambu desde 2017.
Entre os onze ilustradores que conquistaram os dez primeiros lugares neste 2022, o mais presente no passado foi Freghieri, para ele esta é a 13ª aparição no Top Ten; Civitelli chega aos andares superiores pela décima vez, após 22 anos de ausência; sexta presença para Brindisi e quinta para Giardo e Casertano; terceira aparição para Foderà e segunda para Pontrelli; pela primeira vez entre os dez primeiros, além do vencedor, também Ambu, os Cestaro e Scascitelli.
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Auto-retrato de Giampiero Casertano, que este ano festejou o 40° ano de colaboração com a Bonelli

Os veteranos
Entre os desenhadores publicados este ano o veterano continua a ser Giuseppe Montanari que colaborou pela primeira vez com a editora Bonelli há 68 anos! Depois dele encontramos Giancarlo Alessandrini, que estreou na Bonelli há 45 anos. Terceiro entre os decanos, Ernesto Grassani que apreciamos há 43 anos, seguido por Fabio Civitelli, na crista da onda bonelliana há 42 anos. Finalmente, Giampiero Casertano, festejou em 2022 o seu 40º ano de colaboração na casa Bonelli.
Dentre os ilustradores mais constantes, aqueles publicados ininterruptamente por décadas, destacamos que lemos as pranchas de Giovanni Freghieri há 38 anos consecutivos, um a mais que Montanari & Grassani; seguido por Brindisi, publicado ininterruptamente há 33 anos, Michelazzo há 28 e Piccoli há 25.
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Série per série
Prosseguimos com a lista dos desenhadores mais produtivos para cada série, pelo menos aqueles com 350 páginas publicadas no ano que acaba de terminar. Segue-se, abaixo, uma tabela-resumo, com o número de páginas publicadas e o número de vitórias anuais relativamente à série em questão.
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Luigi Siniscalchi vence pela terceira vez a classificação anual dos desenahdores de Il Commissario Ricciardi; com 222 pranchas, é o único desenhador mais prolífico do ano que realizou mais páginas do que o escritor mais produtivo do mesmo personagem.
Com as 267 pranchas, que lhe valem o quinto título anual entre os ilustradores de Dampyr, Nicola Genzianella supera Dotti na classificação absoluta do personagem, tornando-se assim o desenahdor mais produtivo das aventuras de Harlan Draka.
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Nicola Genzianella, este ano o desenhador mais produtivo de Dampyr

Fabio Babich com o seu melhor resultado anual, é o desenhador mais publicado em Dragonero neste 2022; para ele é o primeiro título.
Segunda afirmação por sua vez para Giorgio Pontrelli nas páginas de Dylan Dog; com 284 pranchas supera também o seu recorde de 2015 que lhe valeu o primeiro “scudetto”.
Curioso o mérito quádruplo entre os ilustradores de Julia. Piccoli, Michelazzo, Boraley e Marinetti, são, por essa ordem, os quatro desenhadores mais prolíficos das aventuras da criminóloga berardiana; este ano realizaram dois volumes cada um conquistando o sexto título ex-aequo. Aliás, até agora tinham ganho cinco a um, em anos diferentes, e foram, a par de Laura Zuccheri, quem teve mais “títulos” pela série policial da Bonelli. Hoje estão todos empatados com seis títulos. Quem será o primeiro a conquistar a sétima vitória?
Mérito igual a três também para Martin Mystère: Gino Vercelli, Fabio Piacentini e Walter Venturi assinaram dois volumes cada um, para a série do Detective do Impossível em 2022; para todos eles é o primeiro título desta série.
Primeira vitória também para Andrea Fattori em Morgan Lost, com apenas 96 páginas.
Segundo título por sua vez para Max Bertolini em Nathan Never, após a primeira vitória em 2009.
Marco Foderà e Ivan Vitolo empataram no primeiro título para Nick Raider.
Fabio Civitelli é pela terceira vez o desenhador mais publicado em Tex num ano solar; repete o título após 33 anos, a última vitória datava de 1989. As 456 páginas de 2022 também são a sua melhor produção anualno que diz respeito a Tex.
Por último, Giuliano Piccininno, vence pela primeira vez o título de desenhador mais publicado do ano nas revistas de Zagor. 

Os Anos Vinte
Chegámos também para os desenhadores, à classificação da década, ou pelo menos ao início da década, dado que para os Anos Vinte do século XXI apenas decorreram apenas três anos. De seguida o Top Ten momentâneo.
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Walter Venturi com as 282 páginas deste ano assume a liderança do ranking da década, pelo menos momentaneamente; Max Bertolini persegue-o ganhando quatro posições em relação a 2021; Fabrizio Russo desce ao terceiro degrau do pódio virtual da década. Entram em força no Top Ten, graças às publicações de 2022 Freghieri, Brindisi e Giardo, que ganham respectivamente 33, 22 e 26 posições em relação aos doze meses anteriores; as 40 páginas de Chiarolla publicadas este ano, são fundamentais, para o desenhador mais prolífico do ano passado, para manter um lugar entre os primeiros dez da década. Saem do Top Ten Sedioli, Gerasi e Diso.
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Walter Venturi, um dos desenhadores mais publicados em 2022 em Martin Mystère, é também, no momento, o mais publicado nos Anos 20 deste século, nos volumes bonellianos

All-Time
Graças às páginas publicadas em 2022, Freghieri supera Ticci e alcança o oitavo lugar da classificação dos desenhadores mais publicados de todos os tempos na editora Bonelli. Os Esposito Bros conquistam a 15ª posição all-time ultrapassando Lina Buffolente. Atrás de si aproximam-se Piccatto (17°) e Casertano (18°), que ultrapassaram Guzzon. 
Alessandrini com as páginas de 2022, ultrapassa a marca das 7500 páginas publicadas para a editora Bonelli, por sua vez Casertano, Brindisi e Civitelli superam as 6000, enquanto De Angelis e Grassani alcançam a marca das 5000.
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Encerramos aqui esta terceira parte dos números bonellianos de 2022, convidando-vos a descobrir nos “episódios” anteriores todos os números das personagens e as classificações dos argumentistas. Voltaremos a encontrar-nos em breve,  para o quarto e último post dedicado aos números bonellianos de 2022: irá falar-se de capistas, coloristas e álbuns especiais.
Saverio Ceri

Material apresentado no blogue Dime Web em 28/12/2022; Tradução e adaptação (com a devida autorização): José Carlos Francisco.
Copyright: © 2022, Saverio Ceri