Tex nº 748 – “La mesa della follia” (7 de Fevereiro de 2023)
Argumento: Moreno Burattini
Desenho: Michele Rubini
Capa: Claudio Villa
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Tex #628 Manuela Montoya
Tex #629 Assalto em Nogales
Histórias originalmente publicadas em Tex #728 e #729 (SBE, Itália, 2021)
Mauro Boselli (argumento)
Mauro Laurenti (desenho)
Mythos Editora
Brasil, Fevereiro/Março de 2022
135 x 175 mm, 114 p., pb, capa cartão
R$ 17,90
Há algum tempo ausente aqui do blog – mas não das minhas leituras, mas porque outras escritas se têm imposto – Tex regressa hoje, num díptico com alguns aspectos curiosos.
O primeiro é um regresso. Não o já citado do ranger, aqui acompanhado por Carson e pelo seu filho. Cumprindo um revisitar cada vez mais recorrente do passado da série – com o duplo objectivo de repescar antigos leitores e despertar os mais novos para as histórias clássicas, deduzo eu – quem regressa nas páginas desta edição é a bela, fogosa e senhora de si Manuela Montoya, antiga paixão de Kit Willer.
Um encontro fortuito durante o qual o jovem a auxilia numa situação delicada, parece fazer reviver tudo o que houve em tempos entre eles e que – e aqui surge o mais interessante no contexto da série – os pais de ambos se esforçaram por fazer gorar. Se o tempo lhes daria razão ou não nunca saberemos, mas Mauro Boselli, o argumentista, acha importante reiterar (indirectamente) o principal (?) factor que levou à morte de Lilyth, a índia que foi esposa de Tex por um curto período: o protagonista de um western duro e tradicional como este, não pode de forma alguma ter uma companheira – e filhos… – à espera em casa, enquanto anda a cavalgar meses a fio por regiões inóspitas e planícies sem fim, aos tiros a bandidos e índios. O que não impede, no entanto, que Boselli crie entre os dois jovens um clima de proximidade bastante acentuada.
Se fãs antigos da série poderão reviver com prazer esta relação, o mais interessante de Manuela Montoya/Assalto em Nogales é, no entanto, a forma como a trama está construída, acompanhando Kit Willer (e Manuela), por um lado, e Tex e Carson, em perseguição de alguns fora-da-lei, por outro, numa dupla narrativa que avança inapelavelmente para se tornar uma só.
Mas, numa jogada de mestre, quando a junção acontece – ou quase – Boselli, opta por a fazer avançar em paralelo, dividindo o seu auge por dois locais distintos e acções distintas que, de forma muito conseguida, são narrados com constantes saltos entre ambos os locais, aumentando assim o suspense e a forma como prende o leitor, ávido do desfecho.
Graficamente, se Mauro Laurenti cumpre competentemente os pressupostos – dificilmente seria de outra forma – revela, pontualmente, alguns problemas com a definição dos rostos, com Kit a parecer um adolescente e Tex a surgir demasiado rígido, pormenores indiscutivelmente desagradáveis, mas insuficientes para ensombrar o seu bom trabalho ao nível dos cenários, naturais ou arquitectónicos ou no desenho dos cavalos, algo sempre fundamental num western.
* Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro
(capas brasileira disponibilizadas pela Mythos Editora; restantes imagens disponibilizadas pela Sergio Bonelli Editore; clicar nas imagens para as apreciar em toda a sua extensão)
Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.
Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Daniel Pereira: Meu nome é Daniel Pereira (conhecido entre os amigos como “Ragi Eslavo”), tenho 35 anos, resido em Valinhos, interior de São Paulo. Profissionalmente sou formado em Direito e atuo no serviço público.
Quando nasceu o seu interesse pela banda desenhada?
Daniel Pereira: Sinceramente nunca gostei muito de banda desenhada, já nasci em uma época em que o forte eram os vídeo games e jogos de computador. Então sempre gostei de entretenimento com mais interação, aí pelo caráter estático das bandas desenhadas acabava achando que era algo meio tedioso. Entretanto, toda essa perspectiva mudou justamente através de um jogo de vídeo game que se passava no velho oeste chamado Red Dead Redemption 2. Gostei tanto daquela áurea western que decidi comprar tudo que se passasse naquele ambiente, foi aí que me lembrei de um quadrinho que havia comprado na banca de jornal quando era criança. Era o Tex. Decidi dar uma chance. Foi paixão na primeira leitura.
Quando descobriu Tex?
Daniel Pereira: Lembro-me que por volta dos 10 anos de idade fui em uma banca de jornal e achei linda uma capa que possuía uma arte com alguns índios americanos, decidi comprar. Era o meu primeiro Tex. Por incrível que pareça acabei nem lendo pois quando abri era em preto e branco e naquela idade a falta de cores acabou me desmotivando. Mas hoje eu vejo que aquela compra foi uma semente que só veio a germinar 25 anos depois, após jogar Red Dead Redemption 2.
Porquê esta paixão por Tex?
Daniel Pereira: Eu sempre fui apaixonado pela temática do velho oeste americano, toda aquela geografia, cavalos, ranchos, saloon e a cultura indígena me fascinavam. Tex reúne todos esses elementos, então seria impossível não se apaixonar.
O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Daniel Pereira: Pra mim é justamente ele se diferenciar dos clássicos heróis de quadrinhos. Tex não possui super poderes, é um personagem humanizado, que acaba se aproximando com a realidade do próprio leitor.
Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Daniel Pereira: A minha paixão por Tex é muito recente, não tem nem 2 meses, então por enquanto só possuo 6 exemplares, mas já estou buscando a coleção mensal completa nos sebos, em breve terei um grande acervo. A mais importante será sem dúvidas aquela que comprei na banca de jornal há 25 anos, infelizmente não possuo mais o exemplar, mas guardo no coração.
Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Daniel Pereira: Além de livros, estou encomendando algumas camisetas, bonés e uma caneca.
Qual o objecto Tex que mais gostaria de possuir?
Daniel Pereira: Um grande quadro em tamanho real do Tex.
Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Daniel Pereira: Ainda não li muita coisa, mas gostei bastante do Totem Misterioso. Argumentista fico com o criador, Bonelli. Desenhos gosto muito do C. Villa.
O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Daniel Pereira: O que mais me agrada sem dúvida é o contexto de faroeste e a humanização do personagem, trazendo um aspecto de realidade e aproximação com o leitor.
O que menos me agrada são as histórias com Mefisto, não gosto muito do elemento sobrenatural e magia, prefiro o faroeste em sua verdadeira essência. Além disso, tive muita dificuldade de entender as coleções das revistas no começo, pela grande quantidade de edições diferentes que Tex possui.
Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Daniel Pereira: Acredito que seja o compromisso dos autores em manter a qualidade das histórias e a excelência nos desenhos. Isso traz longevidade e fidelização dos leitores.
Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Daniel Pereira: Gostaria muito mas infelizmente não encontrei nenhum evento relacionado ao Tex no Brasil. Procuro preencher essa lacuna através da Internet.
Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Daniel Pereira: O avanço da pirataria digital é a maior doença para qualquer projeto, é uma chaga que mata o personagem, a editora e o seu criador intelectual. Além disso, a falta de renovação de novos leitores é uma soma que traz medo quanto ao futuro de Tex. Por outro lado, se houver mais conteúdos de Tex nas mídia sociais, compromisso dos leitores na compra de novas edições, maior aproximação da editora com o leitor e principalmente a divulgação desse magnífico blog como uma página de reunião de todos os fãs de Tex, certamente a esperança da longevidade vencerá o medo de seu declínio. Só depende de nós.
Prezado pard Daniel Pereira, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
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Superalmanaque Tex é uma série relativamente recente da Mythos Editora que se estreou em Dezembro de 2019 com uma periodicidade anual, mas que devido ao sucesso de vendas passou a ser, a partir do ano passado, bianual. Trata-se de uma colecção que intercala uma aventura longa de cerca de 500 páginas com uma colectânea de um grande autor.
Para este ano a Mythos Editora vai-nos brindar então novamente com dois números de Superalmanque Tex, o número 6, com publicação prevista para Abril, será composto por duas histórias, a primeira escrita pela dupla Guido Nolitta e Mauro Boselli e desenhada por Giovanni Ticci e a segunda escrita por G. L. Bonelli, com desenhos de Aurelio Galleppini, respectivamente “Golden Pass” (Tex italiano 466 a 469) e “Ouro Negro” (Tex italiano 87), totalizando 482 páginas.

Tex e Pat Mac Ryan, o velho amigo pugilista irlandês. Ambos estarão lado a lado em Superalmanaque Tex #6
GOLDEN PASS
Texto: Guido Nolitta e Mauro Boselli * Desenhos: Giovanni Ticci
Em Georgetown, Colorado, Tex e Carson gastam os seus últimos dólares para tirar Pat Mac Ryan da cadeia, preso por agressão. O irlandês precisa de dinheiro para comprar ferramentas e reerguer a concessão de uma mina de ouro que possui em sociedade com o sargento Buster, um velho amigo de Tex. Ao impedir um assalto ao banco local, Tex e Carson conseguem dois mil dólares do banqueiro e partem para Nameless, a cidade dos mineiros. Lá, eles descobrem a existência de um bando de criminosos que assaltam e matam os mineiros.
OURO NEGRO
Texto: G. L. Bonelli * Desenhos: Aurelio Galleppini
Junte Tex, Carson e Pat, o Irlandês, que o resultado só pode ser dinamite pura, principalmente numa situação que envolve petróleo e dois irmãos que pensam que podem controlar tudo e todos pela violência. Pat pede a ajuda a nossa dupla de heróis para ajudar a jovem Karen a se livrar das ameaças dos irmãos Standish, que já estão chegando às vias de facto para poderem se apoderar das terras da pobre moça, que eles sabem serem ricas em petróleo.
Por sua vez o Superalmanaque Tex número 7, com lançamento previsto para Setembro deste ano trará três histórias, uma longa (“Conspiração no Canadá” – Tex italiano 530 a 533) e duas muito curtas, a primeira das quais com apenas 8 páginas: “Assalto ao Trem” e a última com 32 páginas: “Trilha de Sangue“, totalizando as três aventuras também 482 páginas.
CONSPIRAÇÃO NO CANADÁ
Texto: Claudio Nizzi * Desenhos: Fernando Fusco
Acusado de espionagem, o coronel Jim Brandon é condenado por um tribunal militar a prisão perpétua e trabalhos forçados. Para todos os que o conhecem esta decisão do tribunal é injusta, mas na verdade, o coronel foi vítima de uma terrível conspiração e todos os indícios apontam para a sua culpa. Gros-Jean escreve a Tex contando-lhe o sucedido e o ranger está de volta ao Canadá juntamente com os seus pards. Enquanto não consegue provar a inocência do seu amigo, Tex planeia a sua fuga da penitenciária. Mas altas patentes políticas e militares actuam na sombra para apagar de vez com Jim Brandon e emperrar o plano urdido por Tex.
ASSALTO AO TREM
Texto: G. L. Bonelli * Desenhos: Aurelio Galleppini
No Arizona, Tex e Carson estão num trem que vai de Flagstaff a Holbrook, protegendo o soldo do Sétimo da Cavalaria, que é alvo da cobiça de bandidos.
TRILHA DE SANGUE
Texto: Claudio Nizzi * Desenhos: Giovanni Ticci
O Ranger mais rápido do Oeste persegue e enfrenta assaltantes de banco, recuperando o dinheiro e fazendo justiça sumária…
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Por Mário João Marques
Oriundo de Arezzo, cidade onde nasceu em 1964, Rossi revela desde tenra idade predisposição para o desenho. Depois de um breve período de autodidata, estreia-se profissionalmente em meados dos anos 1980 em publicações como L’Intrepido, Blitz, Splatter e Ramba, para as quais realiza algumas histórias.
Nos anos 1990 inicia a sua colaboração com a Sergio Bonelli Editore, realizando esboços para algumas histórias de Mister No e em 1996 entra na equipa de Zona X, onde vai trabalhar em La stirpe di Elan e Magic Patrol.
Seguem-se Jonathan Steele e duas aventuras de Nick Raider, até se cimentar nas páginas de Tex, onde se vai estrear ao lado de Fabio Civitelli com Il fuggitivo publicado no Almanacco del West 2005, passando posteriormente para as outras publicações da série, nomeadamente para a série mensal onde já desenhou 4 histórias, a última das quais estará em breve nas bancas italianas.
O desenho polido e a riqueza de detalhes são particularmente apreciados pelos leitores, assim como as perspetivas que consegue, apenas com um olhar, fornecer uma visão geral dos ambientes e transportar-nos para a ação.
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