De Velhos Lobos do Mar, de Selvas Cruéis e de Dinossauros! Ou Histórias em sequência

Por Jesus Nabor Ferreira*

Uma das principais características narrativas das personagens da banda desenhada, e em especial dos títulos de western, é o facto de as aventuras não precisarem, necessariamente, de se desenrolarem em sequências cronológicas.
Cada arco de história pode ser lido tranquilamente, sem haver necessidade de um conhecimento prévio de todos os demais arcos anteriores. Geralmente, apenas as personagens principais são recorrentes em cada arco de histórias. A cada nova trama, são apresentadas novas personagens, num cenário conhecido ou não, com uma história em que sempre a ação e a aventura são os ingredientes principais, a diversão é garantida, mesmo que não saibamos exatamente quem são os “bandidos” e quem são os “mocinhos”.

Timothy O´Sullivan e uma foto histórica

Com Tex não é diferente. Cada arco narrativo das diversas tramas, engendradas primeiro por Bonelli, depois por Nolitta, seguido por Nizzi e os demais autores,é autoconclusivo, com começo, meio e fim.
Normalmente, a trama gira em torno de duas, três, excepcionalmente em quatro ou cinco edições. A história inicia-se e resolve-se dentro destes números, sendo que na próxima sequência já veremos outras personagens e outros cenários, sem que haja absolutamente nada de comum entre as tramas, a não ser a presença dos pards, todos juntos ou não. Por exemplo, numa aventura podemos ver Tex e Carson enfrentando uma quadrilha especializada no roubo de gado, atuando na fronteira dos EUA com o México e, na trama seguinte, os quatros pard sem ação contra Canadá, ou seja, tramas totalmente desvinculadas uma da outra. No entanto, todas as boas regras, por vezes, recebem alguma exceção. E na longa saga da principal personagem da casa Bonelli houve algumas exceções a comprovar a regra. Vamos apresentar algumas destas exceções, que chamam a nossa atenção devido à sua ordem de publicação no Brasil. Sempre importante referir que tomamos a coleção mensal, iniciada pela Editora Vecchi, para fazer estas análises.

São Francisco / Luta no Mar – Tex edição mensal 98 e 99, Editora Vecchi (Tex italiano 154, 155,156)
Gianluigi Bonelli / Aurelio Galleppini

Capitão Drake

Ao visitarem a cidade de São Francisco, Tex e os seus pards veem-se às voltas com um poderoso e influente chefe do crime da cidade.
Diamond Jim planeia uma vingança contra Tex, tendo como alvo o jovem Kit Willer. Esta aventura traz algumas situações bastante inusitadas e é uma das mais lembradas pelos fãs, por conta da alta dose de emoção e suspense que Bonelli entrega aos leitores. Pela primeira vez, vemos Jack Tigre numa situação de impotência, ferido gravemente à traição e impedido de acompanhar Tex, Carson e os seus amigos, em busca de ajuda para descobrir o que aconteceu com Kit. Neste arco de histórias também é apresentada uma personagem que será uma das mais lembradas pelos fãs da série: o Capitão Drake, o famoso Barba Negra.

Esta também é a primeira aventura em que os Rangers embarcam num navio, mar adentro, um terreno literalmente desconhecido. A primeira vez que Tex e Carson vestem as roupas de velhos lobos do mar e, como marujos do Sea Tiger, envolvem-se em confusões e brigas nos portos e tabernas do Pacifico Sul. A perseguição agora é por mar, em busca de Kit Willer, onde Tex terá de enfrentar, além do ambiente desconhecido, a fúria do Capitão Barba Negra.

Barba Negra – versão Aurelio Galleppini

Barba Negra – versão Claudio Villa

O Tirano da Ilha – Tex edição mensal 118, Editora Vecchi (Tex Italiano 157 e 158)
Gianluigi Bonelli / Erio Nicolò

Uma aventura que ocorre imediatamente após os factos apresentados no número anterior (da edição italiana), quando Tex enfrentou o Capitão Drake, depois de resgatar Kit, juntou-se a Carson e Jack Tigre, que tinham permanecido no navio do Capitão Bart. Nesse momento, uma violenta tempestade atinge o Sea Tiger e, depois de muito lutar contra o furacão, Tex, os seus pards e a tripulação, conseguem sobreviver graças à experiência do Capitão Bart, acabando por ir parar numa ilha na Melanésia.
Começa então mais uma desconcertante aventura “nos mares do sul”, ao mais puro estilo de Emilio Salgari, autor que tanto agradava ao criador de Tex. Entre caçadores de cabeças, um cruel e aristocrático tirano, índios caçadores de pérolas e mulheres fatais, Tex e os seus amigos necessitam de sobreviver a todo o custo a diversos perigos e encontrar uma maneira de regressar aos Estados Unidos.

Tex e o tirano da ilha

No Brasil, estas duas histórias não foram editadas em sequência, tal como fora publicado originalmente em Itália, pois o primeiro arco saiu nos números 98 e 99 da coleção mensal, enquanto a sua sequência saiu somente dezoito números depois, na edição especial de Natal número 118. Era costume a Editora Vecchi não obedecer à ordem de publicação das aventuras, escolhendo as que pareciam mais interessantes, independente da ordem original. Mas teria sido interessante poder acompanhar esta “saga” produzida a seis mãos.

O Solitário do Oeste / Selva Cruel / O Rosto do Traidor – Tex edição mensal 163, 164 e 165, Editora Vecchi e Rio Gráfica
Guido Nolitta / Giovanni Ticci / Vicenzo Monti / Alfio Ticci

Timothy O’Sullivan desenhado por Giovanni Ticci

O próximo caso é ainda mais interessante, uma vez que, se anteriormente os leitores brasileiros tiveram de esperar dezoito meses para ler a sequência, desta vez o intervalo de tempo foi um pouco maior: vinte e dois anos!
Em 1983, a Editora Vecchi dava os seus últimos suspiros. Aquela que fora a casa de Tex, Zagor, Ken Parker e outros grandes títulos, que tanto sucesso fizeram nas bancas durante décadas, preparava-se para fechar as suas portas. Chegava às bancas de todo o Brasil o número 163 da coleção mensal, que apresentava a aventura intitulada O Solitário do Oeste. Tex, Kit e Jack Tigre, depois de viverem momentos eletrizantes, conhecem uma figura histórica: Timothy O´Sullivan, o chamado “Fotógrafo do Oeste”. De facto, O´Sullivan foi um dos mais importantes fotógrafos da segunda metade do século XIX, principalmente no que dizia respeito à documentação histórica e geográfica. Na trama engendrada por Nolitta, Tex e Kit irão acompanhar o fotógrafo numa expedição à Colômbia – expedição esta também revestida de traços históricos – onde enfrentam mil perigos, embrenhados mata adentro, no coração da chamada “Selva Cruel”. A expedição, de caráter militar e cientifico, tem como objetivo preparar um projeto que permita unir o Oceano Pacifico ao Atlântico, e que veio a ficar conhecido pelo Canal do Panamá.

No entanto, há alguém interessado em fazer fracassar este ambicioso projeto, obrigando Tex a ter de descobrir quem é que se esconde por trás do “Rosto do Traidor”. Mais uma vez, Tex e o filho estão fora do seu ambiente natural – as grandes planícies, os imensos canions, as pradarias ou os desertos do Arizona – enfrentando, além dos inimigos ocultos, os perigos naturais de um verdadeiro inferno verde.

Timothy O´Sullivan e a fotografia aos 4 pards

Aventura no Caribe – Tex e os Aventureiros 1, Mythos Editora
Guido Nolitta / Guglielmo Letteri

Depois de se separarem do fotógrafo O´Sullivan, Tex e Kit embarcam em Cartagena, na Colômbia, no Mariposa, um navio que irá levá-los de volta aos Estados Unidos. Com os nossos heróis, sobem também a bordo um grupo de sete jovens ingleses e um velho professor, com as suas caixas misteriosas. Porém, mais uma vez o destino intervém para envolver os nossos amigos numa eletrizante aventura. Quando se encontram próximos de uma ilha chamada Providence, o navio é sequestrado pelo grupo de ingleses, que decide levar todos para a ilha e, a partir dali, iniciar uma revolta contra o governo mexicano local, tornando a ilha num reino particular. Kit fica levemente ferido e Tex, para proteger o filho, aceita auxiliar os rebeldes. Mas, inesperadamente, surge um terrível perigo, algo maior que as forças mexicanas, fazendo com que todos se unam para enfrentar feras pré-históricas saídas de um alucinante pesadelo.

Tex defronte de um terrível tarbossaro, em Providence, ilha mexicana localizada nas Caraíbas

Guido Nolitta, mais uma vez, traz para uma aventura de Tex o elemento fantástico, não sobrenatural, mas aquele onde aparecem feras impossíveis e monstros de outros tempos. Aproveita a oportunidade para inserir, numa trama que poderia ser corriqueira, uma atmosfera de terror levemente amparada por bases “científicas”. O papel do professor (ou cientista), que descobre em lugares exóticos e longínquos, traços ou elementos de civilizações, desde há muito perdidas ou desaparecidas, não é escasso no texto de Nolitta. Na figura do professor, encontramos mais uma personagem peculiar, a qual, depois de ter passado mais de dez anos no coração do Amazonas, embarcou com as suas “crias” no Mariposa. Mas quis o destino que a preciosa carga, que o “professor” transportava nas suas caixas, fosse libertada na natureza da Ilha de Providence, tornando-se numa ameaça mortal.

Como vimos, são histórias que retiram os nossos heróis do seu cenário tradicional, conduzindo-os em aventuras inesquecíveis pelos mares do Sul e por selvas tropicais repletas de perigos e ameaças desconhecidas. A inclusão de factos históricos ou personagens reais enriquecem as tramas. Velhos lobos do mar, caçadores de pérolas, aventureiros embrenhados em selvas tropicais, tiranos e cientistas, tempestades e furacões, traidores e dinossauros, inúmeros elementos que apenas dois génios como Gianluigi Bonelli e Guido Nolitta poderiam amarrar e entregar em histórias memoráveis de selva e mar!

Notas:

Capitão Drake e a caça à baleia

As personagens do Capitão Barba Negra e de Timothy O`Sullivan voltaram a aparecer mais tarde, o primeiro tornando-se num aliado de Tex em “Fuga de Alcatraz” (Tex 265, Editora Globo), enquanto o fotógrafo surgiu em “Grito de Guerra” (Tex 194, Editora Rio Gráfica);
Depois da sua primeira viagem para o sul do continente americano, Tex e Kit embarcariam novamente numa outra fantástica aventura, desta vez para a Argentina, na Patagónia.

* Texto de Jesus Nabor Ferreira publicado originalmente na Revista nº 9 do Clube Tex Portugal, de Dezembro de 2018.

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Vídeo – Pipoca & Nanquim: (Parte 1) TEX NO TOP 6 das melhores bandas desenhadas de faroeste de todos os tempos!!

Pipoca & Nanquim

Por Alexandre Callari e Bruno Zago
Edição de vídeo: Jessica Torlezi
Publicado originalmente a 12/03/2023

O vídeo de hoje é o Top 6 do Pipoca & Nanquim sobre os melhores quadrinhos de faroeste de todos os tempos!! As suas séries de western favoritas. Eles consideram essas 6 Bandas Desenhadas tão boas, mas tão boas, que certamente elas ocupam esse Top, enquanto que, para preencher um Top 10, as demais quatro obras ainda gerariam um debate entre eles, pois existem MUITOS quadrinhos excelentes dentro desse género. Mas já estas obras, não, eles as acham indubitavelmente obras-primas. O Alexandre Callari e o Bruno Zago dividiram esse seu Top em dois vídeos, para poderem falar bastante a respeito de cada um dos títulos. E, incapazes de colocar em ordem de melhores, elaboraram a lista em ordem cronológica, e aqui falam de TEX, BLUEBERRY e HISTÓRIA DO OESTE. Quais serão as histórias comentadas no segundo vídeo? Não perca! Mas para já ficamos com os três primeiros títulos apresentados no vídeo de hoje, que começa precisamente com o Tex:

TEX (1948) – de Gianluigi Bonelli (patriarca dos quadrinhos italianos) e Aurelio Galleppini (Galep). – Lançado pela primeira vez na revista Collana del Tex 01, em 30 de setembro de 1948 (editora Edizione Audace – que virou Sergio Bonelli Editore em 1988). – Estreou no Brasil como Texas Kid em 25 de fevereiro de 1951 na revista Júnior 28 (Rio Gráfica e Editora/Globo). Durou até o número 263 (1957). – Foi relançado pela editora Vecchi na revista Tex 14 anos depois, em fevereiro de 1971, que durou até edição 164 (1983). – Depois foi pra RGE/Globo e desde 1999 está na Mythos (publicado ininterruptamente, portanto, desde 1971).

BLUEBERRY (1963) – do belga Jean-Michel Charlier e do francês Jean Giraud (Moebius). – Lançado pela primeira vez na revista Pilote #210, em 31 de outubro de 1963 (editora Dargaud – sendo que, antes, Jean Giraud publicava o western Jerry Spring na mesma revista). – Estreou no Brasil com o álbum O Homem da Estrela de Prata (editora Abril, 1976), em capa dura e cartão. – Depois foi para a editora Vecchi, no álbum de volume único Seleção das Melhores Histórias de Faroeste (1979) e na revista Fort Navajo: Uma Aventura do Tenente Blueberry, em 2 números (1980). – Voltou para a editora Abril na revista Graphic Novel 21 (1990). Uma série própria em 4 números saiu de 1990 a 1991. Já a série Tenente Blueberry, em 5 números, saiu em 1992.

HISTÓRIA DO OESTE (1967) – de Gino D’Antonio – Lançado pela primeira vez na revista Collana Rodeo 01 como Storie del West, de junho de 1967 a dezembro de 1980 (editora Araldo Editore – outro nome antigo da Sergio Bonelli Editore). – Saiu uma segunda edição de 1984 a 1990 (Editora Cepim – mais um nome antigo da Sergio Bonelli Editore), que ampliou a série de 73 para 75 números (dois foram inseridos antes). – Saiu no Brasil de 1970 a 1987 na revista Epopeia Tri 01 (editora Ebal – uma nova versão da clássica revista Epopeia, de 1952). – A segunda edição saiu como A História do Oeste de 1991 a 1995, mas foi cancelada na edição 47 (editora Record). – Vai sair de novo no Brasil pela editora Saicã, na versão em cores da editora italiana Hobby & Work. – Entre os desenhadores da série estão Renzo Calegari, Renato Polese e Sergio Tarquinio.

Livro “Tex: Mais que um Herói” continua a chegar aos pards do Brasil

“TEX: MAIS QUE UM HERÓI“,  o primeiro livro temático, publicado em Portugal, dedicado à mítica personagem Tex Willer, nascida em Setembro de 1948 pela mente brilhante de Gian Luigi Bonelli e pela pena mágica de Aurelio Galleppini continua a chegar aos fãs e coleccionadores de Tex não somente de Portugal mas também do Brasil fazendo as delícias a quem o recebe, como facilmente se constata ao verificar as diversas fotos que ilustram este texto e que foram enviados pelos felizes proprietários brasileiros daquele que é sem sombra de dúvidas um dos melhores e mais completos livros dedicados a Tex a nível mundial, escrito por um dos maiores conhecedores da septuagenária saga do Ranger, o escritor e profundo especialista Mário João Marques, que levou mais de dez anos a escrever  esta completíssima obra.

Mário João Marques e a sua obra “Tex: Mais que um Herói”

Sérgio Viraque e a visível felicidade do pard brasileiro por possuir o livro “Tex: Mais que um Herói”

Dogenildo Mota no Brasil dá o seu aval a “Tex: Mais que um Herói”

Renato Alves Silva do Brasil e a confidência: ‘O livro do pard Mário João Marques “Tex: Mais que um Herói”, pelo menos até o momento, é o mais completo sobre o nosso Ranger mais longevo do Oeste.’

Renato Alves Silva para além do livro temático dedicado a Tex, também recebeu no Brasil a mais recente edição da revista do Clube Tex Portugal

“Tex: Mais que um Herói” está disponível nas principais livrarias portuguesas, mas quem quiser adquiri-lo pode também contactar directamente o autor através do email do Clube Tex Portugal (clubetexportugal@icloud.com) com identificação de nome e morada do comprador. Também quem reside no estrangeiro e deseje adquirir o livro, pode escrever para o mesmo e-mail onde lhe serão dadas todas as respostas necessárias para que possa possuir este livro que é já um verdadeiro ícone texiano a nível mundial!

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A BD DE COWBOYS E… O TEX WILLER

Por Jorge Machado-Dias*

Foi em 1962, aos 9 anos, quando vivi em Lourenço Marques com os meus pais, que descobri a banda desenhada. Nessa altura os meus pais iam ao cinema à noite e eu ficava no quarto deles com a minha irmã. Numa daquelas explorações que na generalidade os miúdos fazem, quando dão por si sem qualquer custódia de adultos, encontrei no guarda-fatos do meu pai, uma quantidade exorbitante (para mim na altura) de revistas de banda desenhada. Eram sobretudo exemplares d’O Falcão e do Mundo de Aventuras, entre outros de que não me recordo o nome. E, enquanto a minha irmã dormia, eu devorava uma série dessas revistas até ouvir a porta de entrada a abrir-se, sinal da chegada dos meus pais. Recordo-me que a maior parte das revistas era de cowboys – Cisco Kid, Cisco o Mexicano, Roque Texas, Texas Kid, mas também Tarzan, Mandrake, Tim Tyler, Fantasma, etc…

De regresso a Cascais, em 1964, fomos viver para uma das moradias do meu falecido bisavô, que tinha (na minha perspectiva de miúdo de dez anos) um grande terreno, cheio de capim – como eu lhe chamava devido à vivencia de cinco anos em África – árvores e… uma “casinha” com uma retrete, já desactivada, no meio daquilo tudo. Esse “território” foi o meu “faroeste“ de brincadeira, com os putos da vizinhança. Tive até uma pistola e cinturão, que me havia sido oferecida de prenda de anos. A casinha da retrete era o escritório do xerife, ou seja, eu próprio.

Depois, com a entrada na escola secundária, esqueci essas brincadeiras. O entretenimento virou-se, com a adolescência, para as “garinas” da escola. Reencontrei-me com a banda desenhada, com a revista Tintin, no início dos anos 1970. Mas só em 1975, quando fui em lua-de-mel passar alguns dias em Portimão, comecei a comprar livros de BD, mais propriamente os livros de Astérix.

Em 1978, quando andava a pintar logotipos e montras na Costa de Caparica, descobri a revista francesa A Suivre, numa tabacaria. Foi o reencontro com a banda desenhada, mas desta vez, com Hugo Pratt, Manara, etc… Mas onde também havia cowboys – Quatro Dedos, o Homem de Papel, de Manara, ou Verão Índio, de Pratt e Manara, El Gaucho, dos mesmos autores, Fort Weeling, de Pratt, etc… Regressou daí a apetência pelas aventuras no velho Oeste, embora as minhas temáticas preferidas fossem sempre e ainda são, múltiplas.

À esquerda: Luiz Beira, Paulo Monteiro e Clara Botelho; À direita: Geraldes Lino, José Carlos Francisco e Jorge Machado-Dias; Viseu – 2005

Só cerca de vinte e tal anos mais tarde, em 2005, no 14º Salão de BD pude Viseu, é que conheci o Zé Carlos Francisco e descobri Tex Willer. Já a saga do BDjornal estava em marcha. Mas só no número 4, de Julho de 2005 é que começa a haver matéria sobre o cowboy da Bonelli: Mythos Editora em Portugal, entrevista a Dorival Vitor Lopes, Helcio de Carvalho e José Carlos Francisco, por Nuno Pereira de Sousa e Bonelli, a Tradição do Fumetti na Modernidade, por Nuno Franco. O José Carlos começou a colaborar com o BDjornal no nº 7, de Novembro de 2005, com o artigo A Longa Cavalgada de Tex, o Ranger Sem Fronteiras. A partir daí o Ranger passou a ter morada fixa no BDjornal e, no nº 28, de Outubro de 2011, comecei eu próprio a escrever um longo historial (que ficou incompleto, dado o fim do BDj com o nº 30) sobre Os Desenhadores de Tex, que me levou a uma pesquisa quase interminável na Internet, onde obtive bastante material, muito embora quase tivesse que aprender a ler em italiano – não fosse o abençoado, mas um bocado trapalhão, tradutor do Google.

* Texto de Jorge Machado-Dias publicado originalmente na Revista nº 8 do Clube Tex Portugal, de Junho de 2018.

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