TEX SEM FRONTEIRAS: O Oeste de Tex Segundo G. G. Carsan (relato e fotos do evento dedicado aos 75 anos do Tex e os 10 anos do Clube Tex Brasil, na Vila Texas)

Por G. G. Carsan*

O evento ocorrido na Vila Texas reunindo vários texianos de alguns Estados brasileiros representou um alto degrau galgado pelo personagem de quadradrinhos de faroeste, Tex, da Casa Bonelli.

Cowboys de todo Brasil, viveram nos dias 24 e 25 de Junho, na Vila Texas, situada em Chopinzinho, no Paraná, um grande evento com o Tex, publicado desde 1948 na Itália e desde 1971 em terras brasileiras. O Tex e seu Universo é criação de G. L. Bonelli e Aurelio Galleppini. A editora que cria e publica até hoje é a Sergio Bonelli Editore, baseada na cidade de Milão. No Brasil, os diversos títulos de Tex são publicados pela Mythos Editora, de São Paulo.

Colecionadores de várias regiões do Brasil seguiram para a Vila Texas, atendendo ao apelo de se reunir com outros pards, para vivenciar a incrível e inusitada experiência de encontrar ou reencontrar texianos que conhecem apenas por contato virtual da Internet, ou conhecem de outros eventos.

A Vila Texas saiu do sonho de Delair Turella em construir algo diferente, uma cidade cenográfica igual Abilene, Kansas City ou Tombstone, que vimos tanto nos filmes de bang bang, para oferecer lazer e diversão para visitantes e turistas. E construiu com muita qualidade, com extremo bom gosto, com madeira de primeira qualidade os edifícios que agregam o saloon e o hotel (ambos com primeiro andar), e mais a delegacia, o banco, a igreja, o trading post, o cinema, o restaurante, para deixar todo mundo no Velho Oeste. Porta vai-e-vem, escadas, madeira para todo lado, amarrador para cavalos. E até tiroteios e duelos podem ser simulados por pessoas da Vila. Já foram gravados, recentemente, dois filmes na Vila.

O evento comemorava os 10 Anos do Clube Tex Brasil, presidido por Jessé Bicodepena e contou com a participação de pards oriundos da Bahia, de Tocantins, de Minas, de São Paulo, de Santa Catarina, do Rio Grande do Sul, e claro, do Paraná. Ocorreu uma caravana de motociclistas desde Porto Alegre para participar. São homens e mulheres que não pensam muito e se põem a caminho para viver momentos de puro êxtase, de emoção e de  confraternização.

O Editor Dorival Vitor Lopes, da Mythos Editora, que publica Tex no Brasil desde o ano de 1999, colocando várias edições no mercado, entre elas Tex, Tex Gigante, Maxi Tex, As Grandes Aventuras de Tex, Superalmanaque e Tex Omnibus, participou do evento, levando informações editoriais e respondendo perguntas da plateia, principalmente no tocante a distribuição, compras no site, estudo para retomada do processo de vendas por assinatura, etc. Ocorreu a venda direta de gibis novos para os interessados e o Editor de Bermudas realizou um intenso corpo-a-corpo com os seus clientes e amigos, conversando muito, fotografando muito, atendendo a todos com muita distinção.

O evento oficial teve um momento solene com a formação de mesa, para tornar tudo muito mais importante e inesquecível. Ali figuraram o Editor Dorival, o letrista Marcos Maldonado, o presidente do Clube Jessé Bicodepena, o texiano motoclicista Adão Avila, o organizador do evento Delair Turella e o cosplay/escritor texiano G. G. Carsan. A rica plateia formada por texianos e alguns convidados ouviram atentamente as palavras e depois foi aberta uma sessão de perguntas e respostas. Foi quando o organizador Delair quebrou o protocolo e chamou para a frente, alguns colecionadores e rendeu-lhes homenagens diversas. Vale dizer que, se os componentes da mesa trocassem de lugar com os da plateia, tudo continuaria igual, pois todos são equivalentes em valores texianos. Ali estavam  Neimar Nunes e Edison Bertoncello, dois monstros do colecionismo texiano, super ativos nas mídias sociais desde os anos 90. Tive o prazer de conhecer Eros José Sanches, escritor, militar, cuja presença muito honrou o evento. Estavam lá Jim Halley, desenhista caricaturista que já deu muito o que falar de bem no meio colecionista do Tex no Brasil. E muitos outros pards: Carlos Ramalho, Sérgio Streiechen, Doacir Liberalesso, Adilson Simes,  Carlos Silva Kaká, Dilso Luis Fischer, Jo Baldino, Celeste Karan, Everaldo Lasch, Eduardo Baranowski, João Marin, João Vicente, Julio Julio, Sergio Santos, Sandro Santos, Gasso, Ana Sartori, Super Mario, Isaías, Wkzk, Erik Szinwelski, Carol Baran, etc. O pard Everton Pelisson, velho conhecido, que esteve conosco no Festival de Limeira, veio de longe com a família para passar poucas horas na Vila.

O Clube realizou diversos sorteios e leilões com os pards, com a premiação sendo kits de revistas, de colecionáveis, camisetas e outros. Houve venda de revistas , de livros, houve fotos e muitos autógrafos nas camisetas, nos posters, para ficar uma lembrança importante e valorizar a peça. Houve uma intensa rede de negociações enquanto o evento corria. Alguns estavam bem interessados em adquirir itens raros para suas coleções.

Para quem imagina que um evento só é grande se houver milhares de pessoas, tudo bem, não está errado. Mas um Encontro texiano é formado por um número pequeno de pessoas abnegadas em que cada uma vale por 50 ou 100, haja vista o tamanho da alegria, da responsabilidade, do respeito, da segurança, do nível da conversa, dos objetivos em salvaguardar os ensinamentos e os valores do grande herói do faroeste. Cada Encontro é algo inédito, inesquecível e muito importante para a divulgação do personagem, para que novos leitores entrem no circuito e haja este desejo de integração.

Desta feita havia três cosplays de Tex e muitos cowboys à caráter, armados, bem caracterizados. E havia um personagem saído da mente de Sergio Bonelli, o famoso companheiro do Zagor, o Chico, que o Carlos Ramalho construiu tão bem e movimentou o pessoal, seja numa performance implacável diante de uma grande panela de comida, seja nas suas presepadas bem legais. Havia ainda o Super Mário, vivido pelo próprio Mário, vindo de Porto Alegre.

Se as distâncias percorridas pelos pards dizem alguma coisa e engrandecem o evento, então vejam: O Neimar e a esposa percorreram 2.100 km; Carlos Ramalho andou 1.700 km e achou tudo espetacular;  Sandro e Patrícia 1.100 km e destacaram a Vila, conhecer os pards e conseguir falar a mesma linguagem durante o final de semana inteiro; Eros e Woginski 548 km, destacaram a Vila, conhecer os pards, Dorival e o Casal Maldonado; João Vicente e Edna rodaram 720 km e adoraram as novas amizades e a Vila Texas; Carlos Kaká rodou de moto 2.000 km; Adão e sua trupe rodaram 1.300 km. O G. G. Carsan informou que a sua viagem foi de 3.600 km x2 e adorou tudo, a Vila, os pards, as comidas, o clima, as conversas, as fotos.

O evento ganhou uma força gigantesca com apenas uma ação bem planejada. Foi o ato de escrever e de marcar com fogo a Marca Tex no chão da Vila Texas, ou seja, o logotipo brilhou na noite, como se fosse algo místico (a terra, o fogo e o vento juntos para exaltar Águia da Noite), representou um ato de paixão, de exaltação e até mesmo de divindade para o personagem. Naquele momento, todos os corações se irmanaram e exultaram de amor e paixão, reconhecendo tal ato magnânimo e sentindo-se totalmente felizes por estarem ali, por testemunharem um momento de magnitude estrelar, em que o fogo era uma ligação única entre o Tex e seus fãs e colecionadores. Foi de arrepiar, de verdade.

Tiroteios, tiro ao alvo, simulações de duelos e de enforcamentos, como vemos nas revistas e nos filmes aconteceram em vários momentos. Tudo muito sadio, muito à moda ficção. Ninguém se machucou.

É incrível como os texianos são animados em volta de um bife de quatro dedos de altura e cercado por uma montanha de batatas fritas, uma caneca de chopp e depois uma torta de maçã. A conversa corre solta, as brincadeiras, as lembranças dos bons tempos da adolescência, as contagens das dificuldades de adquirir as revistas, os malabarismos para completar as coleções e depois conseguir espaço para expô-las num local nobre da casa. É uma grande irmandade, uma confraria, um grupo de respeito, formado por homens bem posicionados na sociedade, por jovens estudantes, por profissionais liberais, por homens das forças de segurança.

É preciso elogiar o esforço hercúleo do organizador Delair  e de sua esposa Érica para tornar tudo na Vila da melhor qualidade, as camas macias e limpas, as comidas, as carnes, as bebidas, tudo gostoso. A Vila Texas é realmente especial. Onde mais encontrar um saloon com a porta vai-e-vem para entrar e olhar em volta e escolher uma mesa para sentar ou se dirigir ao balcão e depois pedir uma tequila? Onde mais subir devagar as escadas de madeira evitando o rangido para não alarmar um meliante escondido? Você é capaz de encontrar um Xerife em alguma rua por aí, girando o seu revólver no dedo e pronto a cuspir fogo?

Durante 24 horas estive na Vila Texas e  pude absorver o clima de Velho Oeste que sempre vejo e ouço nas aventuras de Tex. Na parte superior do saloon há um terraço de onde se domina a Vila e pude sentir a emoção de estar dentro de um roteiro de G. L. Bonelli ou Claudio Nizzi, ou mesmo Mauro Boselli, com desenhos do Giovanni Ticci, do Fabio Civitelli, do Claudio Villa, do Pasquale Del Vecchio, do meu antigo ídolo Erio Nicolò. Pude saborear a famosa refeição citada acima e me refestelar. E desfrutei da companhia de vários texianos que conversavam, perguntavam, queriam saber das minhas experiências com o herói que faz justiça a qualquer preço.

Em minha fala na abertura do evento, pude externar a satisfação de fazer parte de mais um evento, desta vez convidado pela Mythos e pelo Clube, promover e divulgar o Tex no Grupo Tex Willer – Águia da Noite, com mais de 30 mil membros e o  compromisso de sempre honrar o manto amarelo e azul que vestia na ocasião, com mais o chapéu, as botas, o coldre com armas e o indispensável lenço preto. Além disso, solicitar aos pards que continuem ajudando na divulgação do herói, auxiliando as pessoas a compreender a comprar online, pois é o modo e meio de se adquirir na atualidade (explicando e convencendo que a compra online não é perigosa se for bem feita). Em síntese, todos precisam ajudar para continuar a publicação, que tanto agrada a todos.

Em tempo, exaltar a magnânima ação do pard João Vicente, que doou as suas coleções de Tex para exposição permanente no espaço criado no primeiro andar do saloon da Vila Texas, preenchendo de uma só vez o espaço da mais nova bibliotex texiana.

Tex, vocês já sabem: roteiros maravilhosos, desenhos espetaculares e personagens apaixonantes. Tex, vocês conhecem: é garantia de pura ação, os mais fervorosos, excitantes, desconcertantes, mirabolantes, incríveis, fabulosos e extraordinários enredos e desenhos  que já pintaram na face da Terra. Tudo isso permite afirmar: Como Tex não há nenhum.

No final o gostinho de quero mais e o bom é que já temos agendado o evento em Porto Alegre, UMA TARDE BONELLI, dia 30 de Setembro, Dia Nacional do Tex.  Espero vocês lá.

E existe a mística de que dois texianos quando se encontram pela primeira vez, parece mais que já se conhecem desde os tempos de criança, pois ocorre uma grande sinergia e entendimento imediato, de forma que surgem papos, gentilezas, brincadeiras, resultando em uma grande festa.

E a constatação de que HQ é Cultura e aquela velha máxima texiana que impõe: Só as Montanhas não se Encontram.

G. G. Carsan

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G. G. Carsan
Junho de 2023

* G .G. Carsan, 58 anos, paraibano, fã, coleccionador e divulgador, começou aos 7 anos a ler Tex e nunca mais parou. Realizou 9 exposições em João Pessoa, escreveu várias aventuras para Tex, palestras em vários Estados e plateias e quatro livros sobre a personagem no Brasil.

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A prova gráfica do primeiro volume da nova reedição do super clássico de Bonelli e Galep sobre a Guerra Civil

Argumento de Gianluigi Bonelli e desenhos de Aurelio Galleppini.
Com o título original Tra due bandiere
, a história foi publicada originalmente na Itália nos números 113 a  115, em 1970 e no Brasil, pela Editora Vecchi nos números 53 a 55, sendo agora republicada em Itália, pela Sergio Bonelli, em 4 volumes com novas capas, da autoria de Maurizio Dotti, estando anunciado o primeiro volume para o dia 5 de Julho.

Em quase todas as consultas efectuadas aos leitores, esta aventura destaca-se sempre por ser uma das mais apreciadas da série. Convenhamos que os leitores têm toda a razão. Não só pela qualidade do enredo, que revela um Gianluigi Bonelli no pleno da sua capacidade narrativa, como também nas qualidades gráficas de um Aurelio Galleppini que assina aqui um dos mais notáveis trabalhos da sua longa carreira.

Tudo começa em Abilene, quando Tex, na companhia de Carson e seu filho Kit, ao chegar ao saloon encontra Dick Dayton, um seu velho amigo do tempo da Guerra da Secessão. E é na companhia de outro velho amigo, o xerife Ben Trevor, que Tex e Dick vão narrar alguns episódios que viveram juntos em pleno conflito que opôs norte e sul, mas que sobretudo colocou em lados opostos da barricada velhos amigos…

A Guerra da Secessão constitui um dos episódios mais marcantes da história dos Estados Unidos. O rápido desenvolvimento e expansão do país marcaram grandes e crescentes diferenças entre o Norte e o Sul. Enquanto o Norte se industrializava cada vez mais mercê das vagas de imigrantes, no sul expandiam-se as plantações que recorriam à mão-de-obra escrava. Quando em 1860 Abraham Lincoln (inimigo da escravatura) foi eleito presidente, o Estado da Carolina do Sul declarou a sua saída da União e até meados de 1861 outros dez Estados seguiram esse exemplo, formando em Montgomery e Richmond uma nova federação. Lincoln negou o reconhecimento e todas as negociações fracassaram, iniciando-se a Guerra da Secessão em Abril de 1861.

Bonelli aproveita este infeliz episódio histórico para fazer em toda a aventura uma marcação cerrada à guerra, aos seus malefícios, a toda a realidade inerente aos conflitos. Através do relato de Tex e Dick, o leitor toma conhecimento da realidade de um país dividido entre um norte industrial, que de certa forma representava o ideal americano e um sul agrícola, fundamentado em ideias conservadoras. O autor parte para uma aventura épica protagonizada por dois homens de princípios e valores tão distantes naqueles anos. Tex e Dick são por assim dizer o instrumento ético de Bonelli, funcionando como um baluarte contra a barbárie dos homens, contra o ódio que opôs amigos e familiares, contra os actos sem regras e sem limites de uma guerra fratricida. E repare-se que Tex e Dick sendo sulistas vão estar nas fileiras do norte, o que não espanta, porque um dos valores texianos é estar do lado dos oprimidos e dos direitos. Assim sendo, Tex nunca poderia lutar ao lado de ideais sessionistas que defendiam a escravatura e a diferença entre os homens.

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O esboço inicial, a arte a lápis e as cores originais de Maurizio Dotti para a capa do ‘Albo Speciale’ (Tex Gigante) #39

Mauro Boselli exibe o recente ‘Albo Speciale’ (Texone) #39 contendo desenhos de Maurizio Dotti

A Sergio Bonelli Editore publicou no dia 22 deste mês de Junho o novo “Texone” – o especial de Tex em grande formato – intitulado ‘Per l’onore del Texas’. Foi o trigésimo nono número da já histórica série do Ranger, que ao longo dos anos já hospedou autores como Guido Buzzelli, Magnus, Ivo Milazzo, Joe Kubert e Enrique Breccia.

O mais recente Texone foi escrito por Mauro Boselli, editor e principal argumentista de Tex, e desenhado por Maurizio Dotti, desenhador de longa data da editora milanesa, para a qual trabalhou em particular em Tex, Zagor e Dampyr, realizando – a partir de 2018 – todas as capas da série mensal Tex Willer, centrada numa versão mais jovem do personagem titular. Dotti também foi, como é tradicional, o desenhador da capa deste Texone.

Depois que o Texas decidiu juntar-se à Confederação rebelde, duas diferentes missões secretas partiram para resgatar os colonos alemães de Nueces Valley, leais à União e cercados pelos inimigos. Kit Carson recebeu o encargo da parte do ex-governador Sam Houston, que sempre foi hostil à Secessão. Enquanto o próprio presidente Lincoln pediu à agente Kate Warne, da Pinkerton, para ir ter com Tex Willer, que serve como batedor no exército nortista do Kansas juntamente com o seu amigo “Damned” Dick. Numa série de recambolescas peripécias, os nossos heróis acabarão por unir as forças e tentarão se opor ao curso fatídico da história para salvar os patriotas de Nueces dos ferozes capangas de Jim Waldrip e dos  Partisan Rangers sulistas de James Duff…

Mas hoje estamos aqui para falar especificamente da capa… capa essa que devido a uma gentileza do artista vamos dar a conhecer, de seguida, mostrando inclusive o esboço inicial, assim como a arte a lápis e a versão original colorida pelo próprio Dotti:

Esboço inicial da capa do ‘Albo Speciale’ #39, da autoria de Maurizio Dotti

Arte a lápis da capa do ‘Albo Speciale’ #39, da autoria de Maurizio Dotti

Ilustração da capa do ‘Albo Speciale’ #39, com as cores originais de Maurizio Dotti

Capa do ‘Albo Speciale’ #39

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