Decorreu neste último domingo, 30 de Julho, noMuseo Nazionale Etrusco di Chiusi(Siena) a inauguração da Mostra “A Arte de Fabio Civitelli“, integrada no evento Orizzonti Festival dirigido por Marco Brinzi e que contou com a presença do próprio desenhador aretino e do escritor Giorgio Giusfredi, dupla que será responsável pelo álbum de Tex cartonado (“La fonte della giovinezza“) que será publicado em Setembro em mais uma edição comemorativa dos 75 anos de Tex.
A Mostra estará aberta ao público até ao dia 6 de Agosto e para além de variadíssimas artes da autoria de Fabio Civitelli, exibe também, em antestreia mundial, algumas das páginas do volume comemorativos dos 75 anos do Ranger e até a própria capa desenhada por Fabio Civitelli, como podemos ver nas diversas fotografias que exibimos de seguida:
Giorgio Giusfredi e Fabio Civitelli na Mostra dedicada à Arte de Civitelli
Arte de Fabio Civitelli
Arte de Fabio Civitelli
Fabio Civitelli detalhando a sua Arte para o numeroso público
Fabio Civitelli comentando a sua Arte
Fabio Civitelli e a sua Arte
Fabio Civitelli falando da sua Arte
Giorgio Giusfredi, Fabio Civitelli e a ilustração original da capa do próximo álbum cartonado
Fabio Civitelli comentando a ilustração original da capa do próximo álbum cartonado
Giorgio Giusfredi comentando a ilustração original da capa do próximo álbum cartonado
Fabio Civitelli comentando com o público a ilustração original da capa do próximo álbum cartonado
Arte Texiana de Fabio Civitelli
Giorgio Giusfredi e Fabio Civitelli na Mostra dedicada à Arte do desenhador de Arezzo
Giorgio Giusfredi e a fila de autógrafos
Fabio Civitelli entrevistado pela televisão italiana
Fabio Civitelli, Giorgio Giusfredi e uma página inédita do próximo álbum cartonado a cores
Fabio Civitelli mostra uma página do próximo álbum cartonado comemorativo dos 75 anos do Tex
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Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente? Vinícius Haak Sales:Nasci em 2001, na cidade de Glória de Dourados em Mato Grosso do Sul, Brasil. Atualmente resido em Ivinhema (também em MS), e sou auxiliar de tecnologia agrícola.
Quando nasceu o seu interesse pela banda desenhada? Vinícius Haak Sales:Por volta dos 6-7 anos.
Quando descobriu Tex? Vinícius Haak Sales:Justamente na faixa dos 6-7 anos, com umas revistas rasgadas que meu pai encontrou em seu trabalho.
Porquê esta paixão por Tex? Vinícius Haak Sales:Creio que, provavelmente, cresci assistindo filmes de faroeste que é o meu gênero cinematográfico favorito, e encontrar gibis do gênero foi um prato cheio.
O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos? Vinícius Haak Sales:Sua “realidade”. Estar quase que totalmente calcado no mundo real e enfrentando os vilões que diferem pouco do que vemos em nosso cotidiano.
Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si? Vinícius Haak Sales: Por enquanto apenas umas 15. Retomei minha coleção há pouco mais de 2 anos. E dessas, tenho um carinho muito especial por “O Ouro de Klaatu” e “Mercadores de Escravos”.
Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana? Vinícius Haak Sales: Tudo o que aparecer (risos).
Qual o objecto Tex que mais gostaria de possuir? Vinícius Haak Sales:Um pôster com uma arte de Galep. O desenho de Tex era da capa de “Ao Sul de Nogales”, mas o fundo era todo azul. Super bacana!
Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista? Vinícius Haak Sales:A história favorita é “Alvo: O Presidente”. O desenhista sem sombra de dúvida é Fernando Fusco, um traço bem “badass”, e diferente do habitual. E argumentista não tem como ser outro além do Gian Luigi Bonelli… É o cara que criou o personagem (apenas!).
O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos? Vinícius Haak Sales:Me agrada muito toda a sagacidade do ranger diante das desventuras. Agora, não me agrada muito o Kit Carson estar em boa parte das vezes, sendo só o “braço direito” de Tex, não que isso seja ruim, mas tira um pouco do brilho pessoal dele que é um personagem maravilhoso.
Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é? Vinícius Haak Sales:Muito provavelmente é o fato de que por quase 4 décadas o gênero western era consumido em todas as formas possíveis: cinema, livros de bolso, quadrinhos. Daí chegou um personagem pra ser o John Wayne (ou Clint Eastwood) dos quadrinhos, ou seja, o personagem definitivo dentro da mídia dos gibis.
Costuma encontrar-se com outros coleccionadores? Vinícius Haak Sales: Infelizmente não. No MS é bem difícil ter encontros. Todavia, os inúmeros grupos no Facebook dedicados ao personagem ajuda a gente a conhecer uma galera bem legal.
Para concluir, como vê o futuro do Ranger? Vinícius Haak Sales:Vejo que nem tão cedo o público vai deixar de consumir o personagem, mesmo que algumas das últimas publicações estejam bem abaixo da média, os clássicos sempre estarão lá pra podermos ler e desfrutar, e isso com certeza vai fazer a cabeça de muito fã a querer desenhar e escrever histórias do personagem e quem sabe ser um futuro grande nome por trás do personagem.
Prezado pard Vinícius Haak Sales, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
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Zucchero, miele e peperoncino(Açúcar, mel e pimenta) é um filme de comédia italiano, de 1980, ambientado em Roma, dirigido por Sergio Martino, com as participações de Lino Banfi, Edwige Fenech, Pippo Franco e Renato Pozzetto.
Em dado momento o personagem de Renato Pozzetto vai a uma banca comprar o jornal, para ver o resultado do Totocalcio, a lotaria italiana, e no local estão expostas edições de Tex 194 e de Zagor 118, como se pode ver nestas imagens extraídas da película:
Um sonolento Renato Pozzetto ao lado dos fumetti da editora Bonelli
Com perspicácia e alguma clarividência pode-se ficar a saber que as edições de Tex e Zagor exibidas nestas duas imagens são as edições italianas de Tex 194 “Uomini senza paura“ e de Zagor 118 La scure e la sciabola“.
Tex 194 “Uomini senza paura“
Zagor 118 “La scure e la sciabola“
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Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente? Eros José Sanches:Inicialmente gostaria de agradecer a oportunidade, que muito me deixa honrado, em participar deste Blog que é o maior meio de divulgação do nosso Tex no mundo. Agradeço e parabenizo a todos os envolvidos por este grande empreendimento! Meu nome é Eros José Sanches e sou paranaense (Estado do Paraná, Sul do Brasil) da cidade de Paranavaí, nascido a 18 de novembro de 1967. Porém, desde muito criança minha família fixou residência na cidade de União da Vitória, ainda no Paraná, mas divisa com a cidade gêmea do Estado de Santa Catarina, nominada Porto União. Sou militar do Exército Brasileiro, tendo prestado serviço ativo no período de 1986 a 2016 e passando à “reserva” (aposentadoria) após 30 anos de atividade. Curiosidade: nas fileiras do Exército, quando participei da missão de paz da ONU para Angola (1996-1997) tive a oportunidade de me relacionar com muitos militares de Portugal em missão naquele país africano (ex-colônia portuguesa). Sou escritor com cinco livros publicados e atualmente ocupo uma cadeira como membro da Academia de Letras do Vale do Iguaçu.
Quando nasceu o seu interesse pela banda desenhada? Eros José Sanches:Eu desenho desde muito pequeno (minhas lembranças reportam aos cinco anos de idade) e devido a isso os quadrinhos muito chamavam minha atenção. Então posso dizer que cresci com os quadrinhos e eles sempre fizeram parte das minhas lembranças ao ponto de eu não saber precisar o início de tudo. Nos anos 90 estive a frente de um fanzine chamado “Próximo Nº” sendo eu um dos principais desenhistas e escritores, criando personagens e seus enredos.
Quando descobriu Tex? Eros José Sanches: Não consigo precisar também quando Tex surgiu na minha vida. É provável que por eu ter nascido no ano de 1967 e as histórias em quadrinhos estarem constantemente presentes na minha família (além de meu pai, meus irmãos mais velhos também os liam), quando Tex voltou às bancas pela Editora Vecchi em 1971 ele possa ter sido “consumido” em minha casa, levando-me a ter contato com o personagem desde sempre. No entanto, minhas lembranças de colecionar os tão desejados “gibis” se constroem a partir da segunda metade da década de 1970. Lembro, por exemplo, quando meu pai trouxe para minha coleção (refiro-me aqui especificamente a coleção do Tex) o nº 37 da segunda edição, “O Temível Coiote Negro”, datado de maio de 1980. Fato triste e lamentável foi que minha primeira coleção acabou completamente destruída por uma grande enchente que ocorreu em nossa região no ano de 1983, coincidentemente no mês de julho, juntamente com a falência da querida e saudosa Editoria Vecchi. Passei longos anos voltados a outras formas de colecionismo (coleção zoológica científica, coleção de militaria, organização da minha biblioteca particular) para só voltar ao colecionismo Tex mais recentemente.
Porquê esta paixão por Tex? Eros José Sanches:Quando eu era criança eu colecionava de tudo em termos de histórias em quadrinhos, mas sempre tive uma preferência por Tex. Lembro que à época eu me sentia meio importante por estar lendo e colecionando um “gibi de adulto” (Tex), caracterizado na minha concepção infantil por ser em preto e branco e com muitas, muitas páginas (risos). Quando a Vecchi lançou no Brasil o Zagor em agosto de 1978, este novo personagem passou a disputar com Tex a minha preferência. Ken Parker, lançado em novembro daquele mesmo ano (e o único dos três que eu tinha o número 1), não me chamava tanto a atenção, pois hoje entendo que apresentava uma temática muito adulta para os meus interesses de garoto. Mas, respondendo objetivamente a pergunta, Tex era a minha paixão porque as aventuras tinham uma variedade grande de situações e ambientes e o conjunto dos personagens (os “pards”) permitia alguma identificação com as diferentes personalidades. Claro que naquele tempo eu não sabia nada disso, mas hoje, rememorando aqueles dias consigo perceber o que o “menino Eros” sentia ao ler aquelas grandes aventuras.
O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos? Eros José Sanches:Acredito que por ser um personagem factível e ao mesmo tempo flertar livremente com o sobrenatural e a fantasia, despertando tanto uma realidade possível em nós como a excitação ao explorar o inconcebível. Essa característica mais humana de Tex faz com que seja possível “sermos ele”, nos apropriarmos do seu caráter, da sua invencibilidade e do seu senso moral. Tex sangra (mas não morre), leva soco e chutes (mas nunca é vencido) e com isso ele se torna uma esperança para nossas fraquezas; Tex sofre a ausência de pessoas amadas, perde amigos queridos e com isso ele praticamente se torna um de nós. Tudo isso bem explica o sucesso desse incrível personagem, uma espécie de “super-herói humano”, indestrutível e ao mesmo tempo muito próximo de cada um de nós.
Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si? Eros José Sanches: Neste exato momento eu tenho 1.676 revistas de Tex, mais 12 livros sobre o personagem. Tenho um problema com minha coleção: o espaço limitado! Isso me leva a não poder colecionar “tudo” de Tex, assim deixei de fora coleções importantes, mas de republicações como Tex Edição de Ouro, Edição Histórica e Platinum, além da maioria das republicações de luxo. Minha estratégia foi focar em coleções tradicionais como a Mensal (1ª e 2ª edições) e Tex Coleção. Também busquei pelas séries com histórias inéditas como a Anual (Maxi), Almanaque, Gigante e Tex Willer. Das novidades editoriais fiquei com a excelente Omnibus, além das especiais coloridas (Globo e Mythos) e as mais antigas republicações como Especial de Férias e Os Grandes Clássicos. Mantive ainda as minisséries especiais e outras edições especiais ocasionais. Todas as coleções do meus acervo as tenho completas. Costumo dizer que minha coleção é “seletiva” e “completista”. Por “seletiva” refiro-me a estratégia especial de escolha das coleções em si, e por “completista” entendo os itens anexos às edições como posteres, cards, marca páginas, chaveiro, moeda, etc, que procuro ter todos e os mantenho condicionados à edição de origem (no mesmo saquinho plástico), exceção dos itens metálicos. Se computarmos esses itens colecionáveis o número geral do acervo acresce substancialmente. Quanto ao “item mais importante” eu considero dois: o nº 1 da primeira edição do Tex Mensal, “O Signo da Serpente” (fevereiro de 1971) e o nº 29 das edições Júnior, “O Rochedo que Fala” (março de 1951), este a única edição do Júnior que eu tenho na coleção.
Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana? Eros José Sanches: Atualmente coleciono apenas as revistas em quadrinhos e os livros publicados sobre o personagem. Por questão de espaço (ainda tenho que dividir o espaço com minha biblioteca de mais de 1500 livros) preciso ser comedido no colecionismo. Também não coleciono nenhuma outra HQ que não seja Tex e desta somente as edições brasileiras.
Qual o objecto Tex que mais gostaria de possuir? Eros José Sanches:Ainda pretendo completar a coleção do Júnior, dos números 28 ao 263. Este meu próximo desafio como colecionador, mas ciente de que será oneroso e paulatino.
Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista? Eros José Sanches:São muitas as histórias que tenho por favoritas. Para responder objetivamente sua pergunta vou citar somente a clássica e irrepreensível “O Grande Golpe”, publicada pela primeira vez no Brasil nas edições mensais da Vecchi dos números 107 a 110, no ano de 1980. Esta aventura tem um enredo perfeito não só pela trama e grande suspense, mas pelo protagonismo que dá aos três “pards”, havendo uma exuberância de ações por parte de Tex, Carson, Tigre e Kit. Realmente uma das pérolas de Giovanni Luigi Bonelli! Sobre os desenhistas tem-se muito a falar! Como todo o fã da “velha guarda” eu tenho o semblante do Tex firmado no traço de Galep, Ticci, Letteri, Nicolò e Fusco, no meu caso com uma preferência por Erio Nicolò. Isso não faz deles, em sentido técnico, “os melhores desenhistas” de Tex, até porque essas escolhas invariavelmente recaem no gosto pessoal do leitor. De qualquer forma, quando lembro de Tex o vejo automaticamente no traço de um desses desenhistas. Acredito que foram eles que definiram o semblante e a expressão física e “cinematográfica” do personagem. Contudo, e para ser mais sintético, eu vejo com empolgação o arranjo gráfico do Ranger e seus “pards” melhorar cada vez mais! Admiro muito a perfeição dos traços de um Villa ou Dotti e fico boquiaberto com o incrível realismo de um Bocci ou Ginosatis. Como desenhista e de uma forma geral aprecio mais os desenhos realistas que os mais caricatos. Sobre roteiristas rendo todas as homenagens a Bonelli pai e filho. São irrepreensíveis! Impossível, no entanto, não admitir que os roteiros estejam entregues atualmente a genialidade de escritores que continuam mantendo apreciáveis as aventuras deste septuagenário herói.
O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos? Eros José Sanches:Há muitas coisas que me agradam em Tex. Gosto particularmente de seu desapego ao dinheiro e ao conforto. Alguém poderá dizer, “claro, tendo todo o ouro da reserva Navajo à disposição, até eu não me importaria com dinheiro” (risos), mas o fato é que ele já se mostrava desapegado dos bens materiais (dinheiro inclusive) em sua fase mais errante. Tex tem mesmo certo desprezo pelo dinheiro e é bem bacana quando vemos o mesmo comportamento em seus pards. Sobre o conforto, às vezes ao ler uma aventura eu penso, “Nossa! Há quanto tempo esse cara não come e nem dorme?”. É… o velho Kit Carson tem razões de sobra para implorar um bom bife e uma cama macia (risos). Outra coisa que me chama a atenção positivamente no Ranger é sua capacidade de “ler semblantes”. Tex olha no rosto do indivíduo e já identifica possíveis falhas de caráter.
Ainda sobre o que admiro muito em nosso herói não posso deixar de citar sua irredutível imparcialidade! Talvez essa seja a virtude que mais admiro. Não importa cor, gênero ou credo, se for bom caráter será respeitado, se não for levará uma “esfrega” (embora neste caso, como um digno cavalheiro, ele não agrida jamais uma dama). O que não me agrada muito em Tex são alguns exageros temperamentais no trato com meliantes. Como exemplo cito o dia em que ele para provocar o barman Kelly Wells (que ele havia expulsado da cidade na aventura da edição mensal nº 15, “Traição na Trilha do Ouro”) passou deliberadamente a derramar a cerveja no balcão reclamando que estava quente e mandando-o limpar a cada vez que entornava a bebida (na já citada edição mensal nº 107, “O Grande Golpe”). Para mim pegou pesado demais! (risos) Ainda lembro outra aventura mais antiga em que ele deu uma esfrega em outro barman só porque o coitado perguntou se ele teria dinheiro para pagar a bebida (risos).
Felizmente parece que a idade acalmou o espírito mais irascível do Ranger… será?
Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é? Eros José Sanches:Acredito que a longevidade e o consequente fenômeno editorial de Tex dão-se na subjetividade da esperança que ele nos traz acerca de uma justiça lídima e, principalmente, alcançável. Quando ficamos com aquele “nó” na garganta ante tanta injustiça real vem o Tex e mostra que aquela justiça que esperamos ele próprio realiza, e esta realização passa metaforicamente a lavar o gosto amargo da injustiça que somos obrigados a engolir nas estrepolias, reinterpretações e manipulações das legislações vigentes… Psicologicamente nos sentimos vingados quando Tex esmurra o bandido, o poderoso, o inatingível figurão oculto no poder e no dinheiro. Isso faz (e continuará fazendo) de Tex um ícone.
Costuma encontrar-se com outros coleccionadores? Eros José Sanches:Tenho um certo apego à inércia (risos), mas estive recentemente no Encontro Nacional em Chopinzinho-PR, nos dias 24 e 25 de junho, na cinematográfica Vila Texas, e pretendo estar presente também no evento em Porto Alegre-RS, “Uma Tarde Bonelli”, comemorativa dos 75 Anos do Ranger, previsto para os dias 30 de setembro e 1º de outubro. Esses eventos são bastante importantes para sentirmos o movimento texiano e conhecer seus bravos “pards” componentes. Há a participação dos profissionais da Mythos o que dá uma proximidade da editora conosco os leitores. Gostaria muito de ver os “pards” lusos na capital gaúcha! Seria deveras gratificante!
Para concluir, como vê o futuro do Ranger? Eros José Sanches:75 anos desgastam qualquer um e o nosso Ranger pode muito bem sofrer de “artrites” editoriais. O futuro de Tex, especialmente editorial (que funciona como uma energia vital ao personagem), está intimamente relacionado com a capacidade de mantê-lo atual e “consumível”. A SBE vem fazendo o seu possível (e um bom trabalho) em buscar um aprofundamento no passado do Ranger através dos incríveis textos de Mauro Boselli, outro gigante do mundo editorial de Tex. Ainda que esta fórmula me pareça por vezes meio “forçada”, acredito ser um filão com muito a oferecer. O grande desafio está em apresentar e tornar Tex palatável às novas gerações. Seja pelo próprio gênero “Western” ou pelo modelo rústico de sua época, não é uma tarefa tão simples o de cativar novas gerações. É preciso a ação de intermediários, verdadeiros advogados da causa texiana e divulgadores da excelência editorial da SBE no tocante ao Tex. No Brasil há um belo movimento nesse sentido através da plataforma YouTube. Canais joviais como “Estante do Tex” (Elder), “Hqólatras” (Clóvis), “Multiverso38” (Rafael), entre outros, tem se esmerado a levar o ranger dentro de uma conversação mais adequada ao novo público. Vejo com preocupação o surgimento de um abismo entre velhos e novos leitores trazendo rivalidades e oposições. Neste sentido tenho a intenção de criar um canal específico sobre o colecionismo Tex, levando orientações técnicas e históricas sobre esse universo em um formato mais jovial e comunicativo (o que é um desafio para qualquer velho). Aqui no Brasil a Mythos Editora já vem entrando na onda da SBE e trazendo republicações voltadas ao novo público, com edições mais “gurmetizadas” (edições de luxo, com capa dura e colorizadas) de grandes histórias do passado. Enfim, o futuro de Tex depende de uma releitura editorial para os dias atuais. Meu maior temor é que uma nova percepção social tida como ideal venha a influenciar o Ranger, deturpando-o em sua mitologia. Tex é um homem do Século XIX e deverá ser mantido com essa configuração, pois é exatamente o primitivismo de sua época que o torna alguém apreciável por suas atitudes de extrema justeza moral. Longa vida a Tex Willer! Obrigado!
Prezado pard Eros José Sanches, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
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