A Igreja de San Giovanni em Lucca acolheu a conferência dedicada ao presente e ao futuro de Tex, moderada por Giorgio Giusfredi, com intervenções de Michele Masiero, Claudio Villa, Fabio Civitelli, Alessandro Piccinelli e Pasquale Ruju.
Uma das conferências mais esperadas no evento Lucca Comics & Games da Sergio Bonelli Editore era, como é óbvio, aquela dedicada a Tex, o Ranger mais famoso da banda desenhada italiana, que comemorou precisamente em 2023 os 75 anos de carreira editorial.
Na ausência do curador Mauro Boselli, preso em Milão devido ao excesso de trabalho nas últimas semanas, a conferência foi conduzida pelo seu braço direito, o escritor Giorgio Giusfredi. A ladeá-lo, os desenhadores Claudio Villa, Fabio Civitelli e Alessandro Piccinelli, havendo ainda uma intervenção do argumentista Pasquale Ruju.
A falar sobre a descoberta das páginas inéditas da aventuraOmbre di Morte, desenhadas por Sergio Tarquinio a partir de um roteiro de Gianluigi Bonelli, foi por sua vez o Director Editorial Michele Masiero.
De seguida, para todos os nossos leitores, o vídeo da Conferência Tex, extraído do canal da Sergio Bonelli Editore no YouTube:
Aurelio Galleppini, em arte Galep, realizador gráfico de Tex e desenhador, nasceu em Casal di Pari (GR), Itália, em 28 de Agosto de 1917, de pais sardos, e viveu a maior parte da sua juventude na Sardenha, onde deixou os estudos no segundo ano do instituto industrial para dedicar-se ao desenho e à pintura, que estudou de forma autodidacta. Quando ele tinha dezoito anos, os seus desenhos apareceram em pequenos filmes animados executados por conta de uma empresa alemã fabricante de projectores em dois tempos.
Os primeiros desenhos de Galleppini, estampados sobre periódicos, remontam a 1936: eram fábulas ilustradas destinadas a “Mondo Fanciullo”. De 1937 a 1939, ele colabora em “Modellina” com as suas primeiras histórias ilustradas – “In terra straniera”, “La prova dei coccodrilli”, “All’ombra del tricolore”, “Le avventure di Pulcino” (essa última um grande álbum a cores em modo humorístico) –, além de desenhar algumas capas para “Il Mattino Illustrato” e de ilustrar “Il segreto del motore” de Andrea Lavezzolo. Nos mesmos anos, ele desenha para a editora Mondadori duas longas bandas desenhadas, escritas por Federico Pedrocchi: “Pino il mozzo” e “Le perle del mar d’Oman”.
Em 1940, Galep transfere-se para Firenze, onde inicia a colaboração com a editora Nerbini. Em “L’Avventuroso”, vêm à luz numerosas bandas desenhadas, algumas das quais ele cuida também do roteiro. A censura preventiva e outras absurdas disposições do regime que vinham a desnaturar o conteúdo e a forma das bandas desenhadas, induzem-no a suspender temporariamente cada actividade nesse campo. No imediato pós-guerra, Galep dedica-se à pintura – com lisonjeiro sucesso – ao cartazismo e ao ensino do desenho.
Em 1947, ele retoma a actividade de ilustrador com uma série de álbuns para “L’Intrepido”, entre os quais “Il clan dei vendicatori”, “Il corsaro gentiluomo”, “Il giustiziere invisibile”, “La perla azzurra”. Além disso, ele ilustra livros como “I Tre Moschettieri”, “La Maschera di Ferro”, “Le Mille e una Notte”, “Il Barone di Münchhausen” e “Pinocchio” (esse último em banda desenhada).
Rumo ao fim de 1947, Galep tem os primeiros contactos com a directora das edições L’Audace, de Milão, para uma nova colaboração. Para Tea Bonelli, ele ilustra o periódico quinzenal “Occhio Cupo” e o fascículo semanal “Tex”, ambos com textos de Giovanni Luigi Bonelli. Tex assinala uma reviravolta na actividade artística de Aurelio Galleppini, que a essa publicação dedica todo o seu empenho, salvo breves e excepcionais pausas como, por exemplo, a história “L’Uomo del Texas” realizada, em 1977, com textos de Guido Nolitta para a colecção “Un Uomo, um’Avventura”.
Galep desenha sozinho as histórias de Tex por alguns anos, até quando as dimensões da publicação requerem a mão de outros desenhadores. Entretanto, são suas todas as capas da série até o número 400. Uma dedicação (antes, quase uma simbiose), interrompida somente pelo seu falecimento, acontecido em Chiavari (GE), Itália, em 10 de Março de 1994.
Inspirações de Aurelio Galleppini para capas de “Tex”
(Titulo do livro – “Tex” italiano/“Tex” brasileiro)
“Last Stand at Papago Wells” – “Tex” nº 234 “Gli eroi di Devil Pass”/“Tex” nº 152 “Cão Amarelo”
Fontes: O auto-retrato e a biografia de Aurelio Galleppini, as capas de “Tex” italiano e a logomarca dos 75 anos de Tex: Sergio Bonelli Editore. As capas dos livros: Internet.
A Panini celebra as façanhas extraordinárias de Tex contando-as num álbum que tem 276 cromos autocolantes, dos quais 60 são especiais e 50 são cards, aos quais se juntam mais 4 cards de Edição Limitada. Já disponível no stand da Bonelli em Lucca, e muito em breve em todas as bancas italianas!
Colecção de cromos da Panini/Bonelli para comemorar os 75 anos de Tex
Por ocasião do 75º aniversário de Tex, nasce uma colecção muito especial da Panini intitulada “Tex – Avventura senza confini” (“Tex – Aventura sem fronteiras”). A Panini celebra assim as façanhas extraordinárias de um dos heróis mais amados da banda desenhada italiana, contando-as num rico álbum que conta com 276 cromos autocolantes, dos quais 60 são especiais e 50 são cards, além de mais 4 cards Limited Edition!
Uma viagem incrível entre galopes e armas fumegantes em que não faltarão os desafios contra o terrível Mefisto e os inimigos históricos de Tex, assim como histórias de profunda amizade com os aliados de sempre: do “velho camelo” Kit Carson ao guerreiro Navajo Jack Tigre, passando por El Morisco, Gros-Jean e muitos outros. Com uma história de banda desenhada para completar colando os cromos nas vinhetas!
À venda nas bancas italianas nas próximas semanas, “Tex – Avventura senza confini” é uma coleção verdadeiramente sem fronteiras, que o levará ao Velho Oeste, deixando os fãs em suspense ao longo de toda a coleção. O álbum é em capa cartão brochura e contém preciosas folhas divisórias plastificadas para se guardar os cards.
Para os fãs mais obstinados, a Panini criou uma edição limitada em capa dura! Disponível apenas empanini.it, o álbum de capa dura é numerado e contém uma linda litografia, também numerada, com um esplêndido desenho de Aurelio Galleppini!
Cromos e álbuns, na sua versão “normal”, já estão disponíveis no stand PalaBonelli em Lucca Comics! O que esperam? Coloquem o vosso chapéu de cowboy e comecem a colecção!
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A Direcção do Clube Tex Portugal vai organizar no dia 1 de Dezembro, sexta-feira, um JANTAR/convívio para que os sócios do Clube que o desejarem recebam pessoalmente a REVISTA nº 19 do Clube Tex Portugal, edição devidamente autorizada pela Sergio Bonelli Editore e que será lançada precisamente nesse mesmo dia.
Sobre a revista em si, daremos mais informações em breve podendo adiantar de momento que terá capas de Aurelio Galleppini (capa principal) e de Claudio Villa (capa variante), ambas retratando um dos momentos mais épicos da longa saga do Ranger, já que devido ao sucesso ocorrido com as edições anteriores, também neste décimo nono número vamos ter duas versões de capa. E neste décimo nono número vamos contar uma vez mais com colaborações de autores de Tex, mas a seu tempo daremos informações definitivas sobre mais esta edição.
Voltando ao convívio texiano, o jantar que terá início então às 19.30 horas do dia 1 de Dezembro, ocorrerá em Massamá, Queluz. Mais precisamente no restaurante Mamma Donella, um espaço amplo e agradável, situado na Rua Bem Casados 14, 2745-781; Queluz.
O serviço será à carta, onde cada sócio do clube (e demais acompanhantes) escolhe o que comer diretamente no cardápio, sendo o prato confecionado na hora. Uma viagem pelos aromas e sabores de Itália.
Para além da entrega de um exemplar GRATUITO da Revista nº 19 do Clube Tex Portugal a cada associado presente, o jantar servirá principalmente para fomentar e fortalecer o convívio texiano e também para se debater sobre as principais iniciativas do Clube Tex Portugal para 2024, com especial incidência num nono evento a realizar, em Abril, novamente na Bairrada, e que contará uma vez mais com as presenças de dois renomados autores de Tex e que incluirá também novas exposições dedicadas ao Ranger!
Família Texiana no Convívio Natalício 2022 do Clube Tex Portugal
A Direção do Clube pede aos sócios (e não sócios, pois o jantar convívio é aberto a todos os apreciadores da 9ª Arte) que desejem participar no jantar/convívio do dia 1 de Dezembro que confirmem a sua presença impreterivelmente até ao dia 24 de Novembro, para os e-mailsjosebenfica@hotmail.comou cacem.moreira@gmail.comou ainda aqui mesmo no blogue português do Tex na forma de comentário a este post, recordando uma vez mais que os sócios podem ser acompanhados por familiares e amigos que desejem participar também de mais este convívio texiano.
Família Texiana no Convívio Natalício 2022 do Clube Tex Portugal
Aos sócios, com as quotas do mês de Dezembro pagas, que não possam comparecer ao jantar/convívio, será enviado pelo correio em data posterior o respectivo exemplar da revista nº 19 do Clube Tex Portugal.
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Carlo Ambrosini (15 de Abril de 1954 – 1 de Novembro de 2023)
(15 de Abril de 1954 – 1 de Novembro de 2023)
Esta é uma das notícias que nunca queremos dar, mas que a lei da vida a isso nos obriga. Carlo Ambrosini grande autor do fumetto italiano, faleceu nesta quarta-feira, dia 1 de Novembro, aos 69 anos, deixando a banda desenhada mais pobre.
O Tex Gigante desenhado por Carlo Ambrosini
Por Mário João Marques
Carlo Ambrosini nasceu em 1954 em Azzano Mella, perto de Brescia, na Lombardia.Oriundo de uma família de operários citadinos, cedo denotou uma evidente inclinação para o desenho, o que o levou a seguir uma formação artística, que se concluiu com um diploma em pintura na Academia de Belas Artes de Brera. Autor completo, Ambrosini cresceu artisticamente num período em que experimentar era uma obrigação, numa época cujas referências eram nomes como Guido Buzzelli, Sergio Toppi, Guido Crepax ou Dino Battaglia, o que o vai influenciar na criação de trabalhos pessoais que não renegam, em si mesmo, aquele desejo relaxante e de diversão que muitos leitores procuram na banda desenhada. Basta ter em atenção o mercenário Nico Macchia, uma série criada em 1984, cujas aventuras são ambientadas numa época medieval, inquietante onde exorcismos e seres fantásticos, misturam-se com uma ambientação histórica detalhada.
A sua carreira na banda desenhada teve início em 1976, para a Editoriale Dardo, posteriormente também para as editoras como Corno, Ediperiodici e Mondadori, nesta desenhando alguns episódios de Storia d’Italia a Fumetti e Storia di Roma a Fumetti, ambas de Enzo Biagi. A partir de 1980, trabalha para a editora Cepim, desenhando várias aventuras de Ken Parker. Entra na Sergio Bonelli Editore em 1987 com Dylan Dog e a aventura Canale 666, escrita por Tiziano Sclavi, série onde terá a oportunidade de desenvolver horizontes integrantes e inexplorados tão a seu gosto, pelo que as suas aventuras, que posteriormente também terá a oportunidade de escrever para a série, são disso reflexo, com ampla liberdade para desenvolver temas atuais numa perspetiva mais onírica e reflexiva.
De entre os seus muitos trabalhos produzidos para o Detetive do Pesadelo, merece destaque para o público português O Imenso Adeus (Il lungo addio),que a editora A Seita teve ocasião de publicar. Considerada como uma das mais belas histórias de sempre de Dylan Dog, O Imenso Adeus é também uma das mais complexas que Tiziano Sclavi escreveu, muito por força do seu profundo onirismo. Dylan recebe uma visita inesperada em Craven Road,uma antiga paixão de adolescência, o que o leva a viajar até à localidade costeira de Moonlight, acabando por se cruzar com memórias do seu passado e recordar uma paixão de juventude nunca confessada. Uma viagem aos meandros da memória, servida pelo grafismo poético e onírico de Carlo Ambrosini.
Carlo Ambrosini
No final dos anos 1990,a Sergio Bonelli Editore atravessava um período de renovação e estava pronta a lançar novas séries e personagens. Surgiram assim Brendon, Julia, Dampyr, Gea e,em setembro de 1997, Napoleone, um projeto muito pessoal de Carlo Ambrosini. Inspirado em Marlon Brando, Napoleone di Carlo nasceu na Etiópia e é filho de pai italiano e mãe francesa que lhe deu uma educação ocidental. Proprietário do hotel Astrid em Genebra, Napoleone é o oposto do homem de ação, preferindo a reflexão e a análise, duvidando antes de ter certezas, o que o torna racional e lúcido. Deambulando entre o policial e o noir, entre Hitchcock e Chandler, o pano de fundo é, no entanto, a profunda anomalia que grassa na imaginação de Napoleone, onde interagem Lucrezia (uma espécie de Sininho de Peter Pan), Caliendo (um mordomo pedante) e Scintillone (intolerante com regras e disciplina), três bizarras criaturas visíveis apenas para Napoleone e que com ele convivem quotidianamente, confirmando a existência de um mundo metafísico que acaba por intervir e subverter o julgamento das situações. Uma das melhores séries da Sergio Bonelli pela sua qualidade, originalidade e aprofundada análise.
Em 2005, Ambrosini desenhou o Tex Albo Speciale 19, Il Prezzo della vendetta (O Preço da Vingança), uma aventura escrita por Claudio Nizzi onde Tex, Carson, Kit e Tigre confrontam-se com a hostilidade entre um grupo de índios Cheyennes e um rancho de colonos, devido ao facto destes terem adotado em tempos uma criança índia sobrevivente de um massacre efetuado à sua aldeia. Nesta sua participação em Tex, o desenho de Ambrosini vai-se afirmando ao longo das páginas da aventura, através de um traço denso e grosso, mas seguramente eficaz. Pleno de bons planos e rigoroso nas cenas de ação, este foi um trabalho árduo para Ambrosini, mas também do agrado do autor, já que o western sempre foi o território que mais o apaixonou na sua infância e adolescência. Em Tex, Ambrosini trabalhou numa personagem que não é sua, assim como num argumento que não foi escrito por si. Mas o facto de poder desenhar todo o ambiente do western e as suas indumentárias, deixaram um enorme prazer no autor, uma vez que, apesar de Tex ser a personagem clássica por excelência, oposta aos trabalhos mais experimentais de Ambrosini, a tarefa representou uma certa cedência do autor ao gosto que nutre pela prática do desenho.
Com o final de Napoleone, sempre foi vontade de Ambrosini continuar a explorar projetos pessoais. É assim que surge Jan Dix (inicialmente Jan Pollock, em homenagem ao pintor abstrato Jackson Pollock), uma série centrada no mundo da arte. inspirado em Jeremy Irons, Dix é uma espécie de investigador, não no sentido clássico do termo, já que em vez de se ocupar de roubos e homicídios, Dix trabalha em aquisições, recuperações e buscas de obras de arte, sejam estas pinturas, esculturas ou outros objetos, uma espécie de consultor de arte que trabalha para 0 Rijksmuseum de Amesterdão. A arte é o elemento central na série, tal como para Dix, uma vez que além de providenciar 0 seu sustento, esta atividade permite-lhe conhecer e aprofundar a ação humana e o seu desenvolvimento contraditório. Quando comparada com Napoleone, Dix assume-se como uma personagem mais positiva, até porque os espaços e ambientes onde 0 especialista deambula são mais claros, belos, ritmados e harmoniosos.
Destaque ainda para os trabalhos de Ambrosini publicados em Le Storie, o primeiro dos quais, No Smoking, traz-nos uma trama escrita por Pasquale Ruju, ambientada em Chicago em 1936,em plena época turbulenta de gangsters. O autor assinou argumento e desenhos de Cuore di Lupo, história em que Jeff Cardiff, um jovem repórter de origem índia, procura a verdade e justiça sobre o assassinato de um grupo de operários quase todos índios. Finalmente, realce ainda para Neogenesi, história escrita por Ambrosini e desenhos de Giulio Camagni, cuja ação se desenrola num futuro próximo,quando a humanidade encontra-se atacada por uma epidemia que desagrega uma civilização onde grassa o caos e a violência.
Neste seu rico percurso, Ambrosini nunca procurou revoluções estilísticas, limitando-se a acompanhar o rigor de uma narrativa que induza o leitor a questionar-se, a aprofundar os seus conhecimentos para além do que é palpável. Um percurso, no fundo, que possa estar sempre em sintonia com a liberdade proporcionada pela sua veia criativa. E quando perguntamos ao autor em que pele se sente melhor, a de escritor ou a de desenhador, a resposta de Ambrosini é certeira quando sublinha que também escrevemos quando desenhamos, assim como também desenhamos enquanto escrevemos. A palavra traz-nos a imagem e a imagem leva-nos à palavra, até porque escrever e desenhar seguem o mesmo objetivo, o de representar uma ideia, e todos os meios são bons para a tentar transmitir.
Carlo Ambrosini na companhia de José Carlos Francisco e Mário João Marques, no Festival de Beja; 2021
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