FABIO CIVITELLI, MESTRE TEXiano que abrilhantará a 9ª Mostra do Clube Tex Portugal, em Abril de 2024, na cidade de Anadia

* 9ª Mostra do Clube Tex Portugal, realiza-se em Abril de 2024, em plena capital da Bairrada (Anadia) e terá novamente a participação de dois consagrados desenhadores italianos.

Fabio Civitelli, estrela texiana que abrilhantará a 9ª Mostra do Clube Tex Portugal, em Abril de 2024, na cidade de Anadia

O Blogue Português do Tex dá a conhecer a todos os fãs e coleccionadores de Tex, mas em especial aos sócios do Clube Tex Portugal, que FABIO CIVITELLI será uma das duas estrelas que abrilhantarão a 9ª Mostra do único Clube em Portugal dedicado exclusivamente a um herói da BD e o primeiro Clube oficial de Tex no mundo!

Depois dos ESTRONDOSOS sucessos ocorridos com a 1ª Mostra do Clube Tex Portugal, realizada em Agosto de 2014 e que contou com a presença do consagrado desenhador italiano Pasquale Del Vecchio, da 2ª Mostra ocorrida em Maio de 2015 com as ilustres participações dos desenhadores Pasquale Frisenda e Stefano Biglia, da 3ª Mostra realizada em Abril de 2016 com as presenças dos conceituados desenhadores Massimo Rotundo e Maurizio Dotti, da 4ª Mostra efectuada em 2017 com a participação dos mestres italianos Andrea Venturi e Leomacs, da 5ª Mostra realizada em Abril de 2018 com as presenças de Alessandro Bocci e Alessandro Nespolino, da 6ª Mostra em Abril de 2019 e que contou com as presenças de Bruno Brindisi e de Roberto De Angelis, da 7ª Mostra em Abril de 2022 com a participação da desenhadora Laura Zuccheri e da 8ª Mostra em Abril de 2023 com as presenças de Dante Spada e Rossano Rossi, a direcção do Clube Tex Portugal deu a conhecer hoje ao nosso Blogue que a 9ª Mostra do Clube, irá realizar-se nos dias 27 e 28 de Abril do próximo ano e que terá então a participação de Fabio Civitelli.

Fabio Civitelli no seu estúdio, em Arezzo

Fabio Civitelli, o mítico embaixador de Tex Willer, o carismático personagem dos fumetti (nome dado à BD em Itália) criado em 1948, por Giovanni Luigi Bonelli (texto) e Aurelio Galleppini (desenho), é considerado um dos mais conceituados desenhadores italianos e virá pela SÉTIMA vez ao nosso país, depois de já nos ter brindado com a sua presença no Salão de Moura (2007), no Festival da Amadora (2008), no Festival de Beja (2010), no Salão de Viseu (2011), no Festival do Porto (2012) e na Comic Con Portugal (2019), completando deste modo um percurso único a nível mundial, já que nunca anteriormente um artista da Nona Arte teve o privilégio de ter sido convidado para abrilhantar todos os principais eventos realizados em Portugal.

Fabio Civitelli, ilustre sócio honorário do Clube Tex Portugal e Tex estarão no Museu do Vinho Bairrada, em Anadia, no mês de Abril de 2024

Em breve será também anunciado a presença de um segundo autor de Tex, tendo em conta que já está confirmada também a presença de outro desenhador que irá então acompanhar Fabio Civitelli, mas o nome somente será anunciado nos próximos dias.

Pelo nono ano consecutivo o evento irá realizar-se em Anadia, devido ao interesse e apoio da autarquia bairradina, na pessoa da Excelentíssima Senhora Presidente da Câmara Municipal de Anadia, Eng.ª Maria Teresa Belém Correia Cardoso, do Excelentíssimo Senhor Vice-Presidente da Câmara Municipal de Anadia, Eng.º Jorge Sampaio e do Director do Museu do Vinho Bairrada, o Excelentíssimo Senhor Doutor Pedro Dias, disponibilizando novamente o luxuoso e mui nobre Museu para a realização de mais esta Exposição Texiana.

Fabio Civitelli desenhará em 2024 para os seus fãs em Anadia

Fabio Civitelli como forma de agradecimento por este convite português fará uma magnífica ilustração de Tex EXCLUSIVA para o evento de Anadia, numa tradição já habitual e que ocorre sempre que um autor de Tex nos visita de modo a registar a sua passagem por Portugal! Ilustração essa que será depois exposta na Mostra Permanente de Tex no Museu do Vinho Bairrada juntando-se às artes de Pasquale Del Vecchio, Stefano Biglia, Massimo Rotundo, Maurizio Dotti, Andrea Venturi, Leomacs, Alessandro Bocci, Alessandro Nespolino, Bruno Brindisi, Roberto De Angelis, Roberto Diso, Laura Zuccheri, Dante Spada e Rossano Rossi!

Fabio Civitelli e Artes de Tex de sua autoria

Para finalizar, informa-se que o evento também contará com uma Mostra Pessoal dedicada ao Tex desenhado por Fabio Civitelli, onde serão exibidas ao público diversas pranchas do seu trabalho para Tex!

Tex na arte de Fabio Civitelli

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“Tex Grandes Mestres” #3 dedicado a Fabio Civitelli, em Agosto, conterá duas histórias de Tex

Como informamos anteriormente, em Janeiro do próximo ano a Mythos Editora estreará uma nova colecção, intitulada “Tex Grandes Mestres”, cujo número de estreia será dedicado ao criador gráfico de Tex, Aurelio Galleppini, popularmente chamado de GALEP. Em Abril de 2024 a Mythos Editora publicará o segundo número desta colecção que será dedicado a  Giovanni Ticci. O número 3 será dedicado ao Mestre Fabio Civitelli e terá publicação em Agosto, uma edição de 344 páginas e que conterá duas histórias de Tex a cores!

Fabio Civitelli

Por Mário João Marques

Nascido em 9 de Abril de 1955 em Lucignano, província de Arezzo, Civitelli desde cedo conviveu com os lápis e os cadernos que a sua mãe lhe comprava, para o entreter a desenhar enquanto ela se ocupava das lides domésticas. Sem nunca ter tido formação artística, o grande desejo do jovem Civitelli sempre foi tornar-se desenhador profissional, o que o levou a devorar revistas de BD e a assimilar tendências e estilos.

Começou a trabalhar em 1974 no Studio Graziano Origa em Milão onde ilustrou a série Lady Lust. Passou por editoras como Dardo, Ediperiodici, Universo e Mondadori, onde desenhou várias séries (incluindo alguns super-heróis da Marvel como o Quarteto Fantástico e Homem Aranha, escritas por Alfredo Castelli), tendo inclusive chegado a assumir um pseudónimo, Pablo de Almaviva, chamando a atenção de Sergio Bonelli. O editor só vai saber de quem se trata mais tarde, quando lhe colocam na sua secretária umas pranchas de um jovem vindo de Arezzo, que tinha passado na editora para apresentar os cumprimentos de Ferdinando Fusco, um dos desenhadores históricos de Tex, reconhecendo nas mesmas o traço de Pablo de Almaviva, aliás Fabio Civitelli.

Fabio Civitelli no seu estúdio, em Arezzo

Recrutado de imediato pela Sergio Bonelli Editore, Civitelli começa a trabalhar em Mister No em 1979, onde vai colaborar com Guido Nolitta, Alfredo Castelli, Claudio Nizzi e Tiziano Sclavi. Desenha ainda Pomeriggio Cubano e L’Avana – Serenata Cubana, duas aventuras escritas por Giuseppe Ferrandino em 1983, publicadas respectivamente nas revistas Orient Express e Giungla!. O seu sonho em desenhar Tex cumpre-se em 1984, com a aventura I Due Killers, escrita por Claudio Nizzi, iniciando assim uma brilhante carreira ao serviço do ranger, ao qual se vai dedicar quase em exclusivo, se tivermos em conta que, pelo meio, terá oportunidade de desenhar um Almanacco dell’Aventura em 1994, e uma breve aventura de Dylan Dog.

Em constante busca de novos territórios gráficos, a sua permanente evolução leva-o a adoptar ao longo dos anos determinadas características técnicas, sem nunca renegar o evidente classicismo do seu traço realista, apurado, preciso e limpo, sublinhado por um hábil uso do preto e branco. A característica técnica que mais facilmente transparece do desenho de Civitelli é o denominado pontilhismo, que o autor vai utilizar como forma determinante e concreta para conferir dinamismo, contraste e luminosidade, não se reduzindo a uma mera técnica decorativa. Pela inovação e evolução que emprestou ao grafismo da série, Civitelli foi capaz de alcançar de modo notável um equilíbrio perfeito entre estética e narração visual, sem comprometer os fundamentos da série.

Com relação à programação deste número dedicado a Fabio Civitelli, a publicação com 344 páginas trará as seguintes duas histórias de Tex:

Missão em Boston – 230 pg

Tex – Missão em Boston

A Cidade Corrompida – 110 pg

Tex – A Cidade Corrompida

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A Voz do Editor: “A MYTHOS NÃO ACABOU E NEM ACABARÁ”

De Dorival Vitor Lopes, editor brasileiro de TEX e demais personagens Bonelli publicados pela Mythos Editora, recebemos, ontem, 11 de Dezembro, na forma de comentário (à relação dos lançamentos Bonelli/Mythos para 2024) diversos esclarecimentos, que de tão importantes (desde cancelamentos de algumas séries e personagens ao futuro da Mythos Editora) merecem um destaque especial de modo a que todos os nossos leitores possam tomar conhecimento

Dorival Vitor Lopes, editor da Mythos

Pessoal, garanto que ninguém está mais triste do que eu com esses cancelamentos. Acreditem, eu estou TRISTE, DECEPCIONADO, ARRASADO. Só que não sou o patrão, não sou eu quem mando, é o LEITOR. Se ele não quer mais determinada revista, e demonstra isso parando de comprar, eu tenho que parar de fazer. É simples assim. Eu não dou tiro no pé, até porque nunca toquei numa arma. Sem perceber, o leitor tem uma boa parcela de culpa nisso tudo. Cada vez mais ele exige revistas excelentes, preços baixos, descontos cada vez maiores, frete grátis… O leitor está cada vez mais exigente (e não há nenhum mal nisso, é direito do consumidor), mas para tudo tem que haver parcimônia, boa vontade, compreensão… tudo tem que ter limite. Qualquer negócio só é bom quando é bom para os dois lados. Mas o leitor quer espremer o editor ao máximo. Muitos pararam de comprar as revistar para esperar descontos maiores, e com essa atitude mataram as revistas. Notamos que hoje em dia o leitor deixa de comprar uma revista pelos motivos mais fúteis sem se dar conta de que está acabando com a publicação.

O editor faz as revistas para o público, para os leitores e fãs, então são os leitores que mantêm a editora funcionando, mas muitos não têm consciência disso e asfixiam o editor. Sem editor, sem revistas. E quem acha que as editoras que usam o Catarse podem substituir a Mythos não sabem do que falam. Pra começar, com a Mythos as revistas saem todos os meses, ou a cada dois ou três meses. Pelo Catarse os lançamentos são muito mais espaçados e irregulares. Além disso, por mais que esse pessoal seja esforçado, e eu tenho grande admiração pelo esforço deles, nenhum tem a experiência e o conhecimento de nós da Mythos. Nossa qualidade editorial é inigualável, e ninguém jamais tratou os personagens Bonelli (e outros) com o respeito e o carinho com que a Mythos trata. Peço a esses novos editores que tenham consciência e passem o trabalho para quem sabe fazer. NÃO MALTRATEM NOSSOS HERÓIS. Não adianta caprichar na parte gráfica e fazer uma tradução ruim, cheia de erros, e um letreiramento sofrível, como tem acontecido muitas vezes. Podem até usar nossos profissionais, eles são os MELHORES do ramo. Foram muito bem treinados por nós da Mythos.

E não se enganem, A MYTHOS NÃO ACABOU E NEM ACABARÁ. Reduzimos a velocidade este ano, mas se Deus (e o leitor) quiser, voltaremos com tudo muito em breve, retomando as coleções paradas. Nada nos impede de fazer um outro contrato daqui a uns meses e retomar nossa produção a todo vapor. Aguardem-nos.

Um feliz Natal e um próspero Ano-Novo a todos vocês, meus queridos amigos!

“Tex Grandes Mestres” #2 dedicado a Giovanni Ticci, em Abril conterá duas histórias de Tex

Em Abril do próximo ano a Mythos Editora publicará o segundo número de “Tex Grandes Mestres” que será dedicado a  Giovanni Ticci.

Giovanni Ticci

Por Mário João Marques

Em janeiro de 1967, na série Rodeo de Tex (a última série das strisce), começou a ser publicada a aventura Vendetta indiana, oportunidade para os leitores descobrirem um novo desenhador, Giovanni Ticci, que apresentava um estilo vigoroso e um Tex com uma expressão mais de acordo com o caráter determinado que lhe conferiu o seu criador Gianluigi Bonelli. Um desenhador que conseguia exprimir e caraterizar na perfeição os ambientes do velho oeste, conseguindo uma interpretação dos grandes espaços da Fronteira, que vinha inovar o que até então tinha sido feito. Um desenhador que, conforme foi posteriormente sendo comprovado, ao longo da sua carreira soube sempre estar em harmonia com o seu tempo, soube sempre evoluir, podendo afirmar-se que, enquanto o traço e as caraterísticas de muitos desenhadores foram ficando datados, com Ticci aconteceu precisamente o contrário, sendo ainda hoje considerado como modelo e inspiração a seguir por muitos desenhadores.

Desenho de Tex autografado por Giovanni Ticci

Giovanni Ticci nasceu em Siena, em 1940, e desde muito jovem começou a trabalhar na banda desenhada. Iniciou-se no estúdio de Roy D’Amy, onde trabalhou ao lado de nomes como Sergio Tuis, Renzo Calegari, Gino D’Antonio, Giorgio Trevisan, Aldo Di Genaro ou Ferdinando Tacconi. Mais tarde, começa a colaborar com outro grande nome italiano, Franco Bignotti, em séries destinadas ao mercado inglês, culminando em 1960 com a série Un ragazzo nel Far West, com argumentos de Guido Nolitta e sucessivamente de Gianluigi Bonelli. Ticci preparava-se para deixar o desenho e ingressar na banca, por isso, conhecedor do talento do jovem, foi o próprio Bignotti que pediu a Ticci que o ajudasse, o que veio a acontecer de modo mais evidente a partir do terceiro número, passando na altura ambos a assinar com um pseudónimo expressamente inventado: Bignoticci. De 1960 a 1966 trabalha com Alberto Giolitti, cujo estilo vai influenciar Ticci nos primeiros anos, mantendo-se entre ambos não só uma estreita colaboração profissional, como sobretudo uma sincera amizade e um relacionamento humano muito profundo. Até que chega o momento em que Sergio Bonelli convida Ticci para trabalhar em exclusivo numa nova personagem, Judok (escrita por Gianluigi Bonelli), dando-lhe total liberdade para a criação fisionómica e dos ambientes. No entanto, Ticci nunca terá um ritmo rápido, o que desagrada a Sergio Bonelli, que mesmo assim vê no jovem desenhador suficientes potencialidades para trabalhar numa série como Tex.

Giovanni Ticci

Apesar das reticências iniciais de alguns apaixonados, habituados ao realismo puro da banda desenhada italiana do pós-guerra, Ticci torna-se rapidamente num dos mais amados desenhadores de sempre, conferindo ao herói um rosto e uma expressividade inolvidável que veio a inspirar quase tudo e quase todos, mais de acordo com o caráter e a psicologia da personagem bonelliana. O Tex de Ticci atravessou gerações e consolidou a sua imagem, um ranger incisivo de traços marcantes, um Tex altivo, pujante, elegante, um misto de força e energia, atuante em cenários de múltiplos e amplos horizontes, pradarias, canyons e pueblos, compondo toda uma estética e uma diversidade de imagens cinematográficas que marcaram gerações de leitores. Roy D’Amy ensinou que uma boa história deveria ser entendida sem ser necessário ler as suas legendas. Conhecendo a expressividade patente no desenho de Ticci, que desde muito cedo soube ampliar e exponenciar graficamente as potencialidades narrativas dos ambientes do western e da Fronteira, nunca semelhantes palavras fizeram tanto sentido.

Giovanni Ticci e Tex na arte de Ticci

Vendetta Indiana de 1967 é, como acima referido, o seu primeiro trabalho, um western crepuscular, revisionista e anti-militarista, que rapidamente se tornou num pequeno clássico, iniciando aqui uma notável carreira onde terá oportunidade de expressar e exaltar as suas inúmeras qualidades. O seu Tex torna-se numa figura de referência para muitos desenhadores, mas as suas aptidões revelam-se também na composição dos grandes espaços e na interpretação dos índios. Vendetta Indiana é uma história forte e trágica, que assume as suas origens clássicas do género. Uma história perfeita para colocar à prova o traço justo e perfeitamente equilibrado do autor, capaz de criar um universo romântico, através das majestosas paisagens do oeste americano, mas ao mesmo tempo expressivo, que transmite energia e dinamismo, um traço verdadeiramente cinematográfico e naquela altura inovador. Em Vendetta Indiana, é notória a influência de Alberto Giolitti, uma vez que o desenho de Ticci vai revelar o mesmo preciosismo, detalhe, definição no traço e na composição de cenários e ambientes. Esta influência estende-se também aos traços fisionómicos das personagens, com uma composição muito realista e marcante das faces, que ainda se vai manter na aventura seguinte Territorio Apache, publicada em 1969, história adaptada do romance de Gianluigi Bonelli Il Massacro di Goldena.

Tex na arte de Giovanni Ticci

Depois de ter assimilado estas influências, Ticci começa a fazer o seu próprio percurso, iniciando uma evolução contínua e sobretudo consequente. Uma evolução estilística que conservará sempre as bases do estilo anterior, não existindo dessa forma um corte abrupto. Em Ticci não há alterações repentinas, há antes uma evolução consciente, constante e natural, um assumir de um estilo cada vez mais pessoal, com um traço a querer ganhar fôlego, ansiando libertar-se das amarras que o estilo giolittiano impunha. Nesse sentido, La croce tragica, a sua primeira grande aventura (358 páginas), desde logo capta as atenções dos leitores, através de uma atmosfera diferente, com um dinamismo ímpar e uma notável habilidade em dar vida e realismo a todas as cenas. O estilo mantém-se polido, mas o traço torna-se mais decisivo e nítido. A sua capacidade em construir uma notável galeria de imagens que retratam a Fronteira começa a ganhar forma, através de pranchas onde ainda predominam as três strisce, tão caras na série. Mas o desenho pujante e pleno de vida já começa a pedir maior espaço, outros enquadramentos e perspetivas, com Ticci a utilizar o enquadramento “americano”, mais ao serviço da história do que para realçar qualquer efeito especial. Por isso, La croce tragica surge na carreira do autor como um trabalho “desenquadrado”, porque se o seu estilo começa a afastar-se de Giolitti, ainda não se assume verdadeiramente ticciano. O seu Tex começa a moldar-se, assumindo feições mais profundas, vincadas, penetrantes e uma face mais alongada, tal como os seus pards. É um Tex que o autor começa a preparar para apresentar ao leitor como sendo o seu modelo.

Tex na arte de Giovanni Ticci

O passo no sentido de uma maior fluidez gráfica será dado na aventura seguinte, Terra Promessa, onde já será bem patente a utilização de desenhos que ocupam toda a largura da página, a conferir um efeito cinematográfico que o autor vai utilizar ao longo da sua carreira. Começa assim um novo período estilístico do autor, onde Ticci começa a “negligenciar” alguns fundos quando as personagens surgem em primeiro plano, uma opção consciente e segura que, longe de revelar um desinteresse por parte do autor relativamente aos cenários, permite sublinhar a legibilidade, realçando os pontos mais importantes. Estas cenas passam a ser dominadas pelas personagens, optando Ticci por enfatizar o seu papel em detrimento de um realismo puro que tanto tinha caraterizado a sua fase inicial. O artista encontra o seu estilo pessoal e toda a evolução que La croce tragica deixava antever acaba por ficar bem patente a partir de Terra Promessa. Fiel ao estilo realista, inicia-se aqui um processo de síntese que doravante passará a acompanhar Ticci na sua evolução estilística.

Tex e Kit Carson na arte de Giovanni Ticci

Com Assalto al Treno (curiosamente a aventura que Ticci menos aprecia) entramos numa nova fase, um período onde o autor abandona as faces alongadas das suas personagens e passa a apresentar aquele que doravante passará a ser o seu Tex e que acabará por vir a influenciar grande parte dos desenhadores. Um Tex sempre seguro, capaz de inspirar confiança nos amigos como temor nos inimigos, um Tex que já denotava as mesmas caraterísticas, mas que agora assume dimensões faciais mais naturais. Trata-se do período mais rico e amado pelos leitores e onde o autor vai evoluindo em direção ao sintetismo do seu traço. As aventuras seguintes podem ser consideradas como de certa forma um compasso nesta evolução, uma vez que se Sabbie insaguinate é desenhada com Giolitti, A sud di Nogales foi um trabalho que o autor realizou em períodos distintos, com uma primeira parte desenhada ainda no tempo onde predominava a influência do traço de Giolitti. No entanto, as aventuras posteriores como L’oro del Colorado, Santa Cruz e sobretudo Cane Giallo, o western em estado puro com as montanhas, as galopadas a cavalo, os barcos, as canoas, as aldeias índias, a cidade do velho oeste, onde Ticci tem oportunidade de demonstrar a sua maturidade artística, apresentam desenhos onde não existe uma total delimitação dos contornos, onde vários elementos do desenho, ao combinarem entre si, acabam por constituir uma perfeita definição linear do traço. Este sintetismo nos contornos acabará por se confrontar com o realismo dos seus primeiros tempos, convidando de certa forma o leitor a descodificar imagens e desenhos, iniciando-se assim uma cumplicidade que vai doravante caraterizar o seu trabalho. Com o desenho de Ticci, o leitor assume-se como um intérprete da imagem, concentrado em descodificar o trabalho do artista.

Tex na arte de Giovanni Ticci

O sintetismo extremo que carateriza o atual período começa a dar sinais em Trappola per Lupi, com os traços faciais das personagens a reduzirem-se ao essencial, de modo a permitir uma maior expressividade, iniciando-se um período de síntese extrema que alguns começam a denominar de expressionismo. Sioux é a aventura onde se torna mais evidente esta nova evolução, a qual, tal como as anteriores, é feita gradualmente e em seguimento de uma vontade própria do autor. O seu Tex começa a envelhecer, com um olhar ainda mais profundo. Olhos (apenas com uma única linha) e orelhas são desenhados com uma notável economia de traços, convidando ainda mais o leitor a empenhar-se na interpretação gráfica do trabalho do autor. Esta síntese genial é sublinhada por um traço mais veloz, mais concreto, mais empenhado em sugerir do que propriamente em descrever, sem que tal signifique abdicar daquilo que é essencial ao autor, uma fiel e notável representação do western.

Arte de Giovanni Ticci

Em Congiura contro Custer, Ticci terá oportunidade de desenvolver em pleno o seu sintetismo. As numerosas cenas de batalha e de caçadas, muito diferentes entre si, plenas de homens e animais favorecem esta síntese extrema do traço ticciano, contribuindo para um trabalho de forte impacto visual. Caraterísticas também evidentes em Kiowa, outra aventura também ela ambientada na sua maior parte em espaços amplos e abertos, onde Ticci tem um trabalho visualmente único e onde o autor tem oportunidade de demonstrar a sensibilidade e a poesia do seu traço. Um traço feito de paixão e que convida constantemente o leitor a mergulhar e intervir na história. Buffalo Soldiers é outro perfeito exemplo onde o traço sintético do autor exalta a potência e o dinamismo de todas as cenas, uma das obras-primas do autor, comprovando a sua natural propensão para cenas grandiosas, plenas de acontecimentos e de personagens, chegando muito provavelmente ao limite evolutivo. É o final de um caminho natural, de um percurso consciente, que trouxe o autor do realismo puro e clássico ao traço mais sintético, eficaz, quer na representação da realidade como na expressividade de sentimentos. 

A arte de Giovanni Ticci nas páginas de Tex

Um percurso que leva alguns a duvidar do caminho traçado: evolução ou decadência, eis a questão. A verdade é que não está ao alcance de muitos representar plenamente, com uma economia notável de traços, personagens e ambientes que expressam uma emotividade que apela à constante adesão e atenção do leitor. Por isso, Ticci continua a ser uma referência constante, não só na própria construção do ranger, que a própria Sergio Bonelli Editore passou a indicar como modelo a seguir pelos novos desenhadores, mas também na representação de ambientes e paisagens ou nas cenas grandiosas de massas, onde o traço de Ticci exalta-se e ganha expressividade. Sabendo disso, os argumentistas de Tex também conseguiram sempre escolher a contento os temas das suas histórias para este extraordinário desenhador. Gianluigi Bonelli com La Croce Tragica, Terra Promessa ou Il Messaggio dei Dakotas, Guido Nolitta com Il solitario del west ou Golden Pass (com Mauro Boselli), Claudio Nizzi em Il Pueblo perduto, Fiamme di Guerra, Orgoglio Navajo, mas também em Congiura contro Custer ou Kiowas, Mauro Boselli em Buffalo Soldiers, Gianfranco Manfredi em Sei Divise nella polvere ou ainda Pasquale Ruju com L’onore di un Guerriero, são alguns exemplos onde caberiam certamente muitos outros.

Assalto al Treno

Uma página ticciana constitui um conjunto de imagens em perfeita harmonia, onde todos os enquadramentos e perspetivas são naturais, demonstrando uma notável capacidade de simplesmente contar e descrever. Ao longo da sua carreira, Ticci preferiu sempre eliminar e não adicionar, inserindo apenas o essencial, através de um traço que busca um expressionismo polido. O essencial deve ser capaz de transmitir tudo, personagens, com as suas faces e expressões, mas também toda a ação, o drama, um verdadeiro esplendor narrativo. O desenho de Ticci tem a enorme faculdade em transmitir toda uma energia e um dinamismo ímpar, onde tudo é movimento, tudo está em movimento. Se para alguns este traço essencial possa ser sinónimo de decadência, o sintetismo ticciano não deixa de ser revelador de uma vontade artística, um modelo particular e assumidamente expressivo do autor, que sublinha uma permanente sensação dinâmica, tornando o seu traço potente e imediato, salientando a beleza paisagística, o cheiro e o respiro dos ambientes, o perfume da liberdade ou a capacidade extraordinária de tornar as personagens em protagonistas de mão cheia. Analisando o seu percurso, emerge uma sincera paixão capaz de tornar o western num mundo à parte, um traço de união entre a ficção e o realismo puro, sem perder coerência e credibilidade.

Trappola per Lupi

Desde 1967, Giovanni Ticci desenhou mais de 7600 pranchas para Tex, sem contarmos com mais 33 que realizou para histórias curtas do ranger, onde se inclui Morte no deserto (no original – Morte nel deserto). Trata-se de uma pequena história escrita por Claudio Nizzi e publicada originalmente em 1992 na revista Sorrisos e canções da TV, da editora de Silvio Berlusconi, num suplemento chamado “Fumetti d’Estate” (Revistas de Verão), cuja capa reproduzia a última cena da história. Curiosamente, nesta aventura com um argumento imparável, servida por diálogos intensos, exceptuando o próprio Tex (e Carson, que é apenas mencionado), chegamos ao fim sem saber o nome de qualquer das personagens.

Vendetta Indiana

A produção de Giovanni Ticci em Tex é enorme, tendo ainda realizado várias capas, dividindo com Galep e Villa essa honra, não só a do Speciale por si desenhado (Il pueblo perduto), mas também as 30 da Collezione Storica a Colori Serie Gold, bem como algumas edições publicadas pela Mondadori. Por isso, se a Galleppini caberá o mérito de ter criado Tex, através do seu traço elegante, Ticci deu-lhe um rosto, mergulhou o herói no verdadeiro oeste e convidou o leitor a interpretar graficamente a aventura, porque do desenho de Ticci emerge emoção, movimento e poesia.

Tex na arte de Giovanni Ticci

Com relação à programação deste número dedicado a Giovanni Ticci, a publicação com 376 páginas trará duas histórias de Tex que serão publicadas a cores:

Bandoleiros – 262 pg

Tex – Bandoleiros

Homens em Fuga – 110 pg

Tex – Homens em Fuga

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