SECRET ORIGINS: TEX CLASSIC 39

Por Saverio Ceri [1]

Desta vez, as origens secretas das capas  do Tex Classic fazem-nos recuar no tempo, mesmo que indirectamente, muito além dos 70 anos, que na data de lançamento, se festejava para o ranger bonelliano.
O trigésimo nono Tex Classic, reapresenta, a cores, os números 21 e 22 da segunda série dos Albi d’Oro, datados de Agosto de 1955, que por sua vez republicaram, em três tiras, as aventuras que apareceram originalmente nos números 37 a 42 da quinta série da collana del Tex, publicados entre Março e Abril de 1953.
Curiosamente, como acontece cada vez com mais frequência ultimamente, a capa não vem directamente de um dos dois Albi d’Oro reimpressos, mas de um mais ou menos do período habitual. Neste caso a capa que se vê abaixo é retirada do número 23 da segunda série dos anos 50, edição que voltaremos a ver apenas no próximo Classic. Além disso, a capa, embora pouco vista, não está entre as melhores disponíveis, com o protagonista relegado a segundo plano e um sujeito muito feio (até a nível gráfico) em primeiro plano. Abaixo, em sequência, exibimos a capa de 2018 e a capa de 1955. Curioso também o erro do título na capa da época com um Y em vez do J de Tiger Jack.

Tex Classic #39 – Tex passa al contrattacco

Albo d’Oro Tex #23 – Nuova Serie

Para a capa em questão, Galep inspirou-se na primeira vinheta da terceira página do álbum Il Messaggio di Morte, o quadragésimo quarto da quinta série de tiras de Tex.

A vinheta que serviu de inspiração a Galep

As duas capas “descartadas” provavelmente devem essa “rejeição” ao facto de já terem sido reutilizadas ao longo dos anos pela redação de Tex.
Vamos proceder na ordem inversa: o número 22 da série quinzenal Albo d’Oro tinha como capa a imagem abaixo:

Albo d’Oro Tex #22 – Nuova Serie

A ilustração reapareceu nas bancas italianas em 1958 como capa do décimo sexto álbum da primeira série gigante de Tex, com uma pequena diferença: a faca desaparece das mãos do índio em primeiro plano; e o que inicialmente parecia quase um sacrifício humano torna-se uma espécie de velório fúnebre.

Tex #16 – 1ª Série Gigante

Vamos continuar de trás para frente. A capa da edição 21 é a abaixo. Como se pode ver, apresenta uma inédita composição para a série: no canto inferior esquerdo, sem nenhum motivo específico, aparece uma vinheta completa com um balão de texto inclusive. Talvez para mostrar o protagonista na capa, mesmo que de costas?

Albo d’Oro Tex #21 – Nuova Serie

A natureza bizarra da vinheta na capa desapareceu no ano seguinte, quando a equipa editorial optou por usar a imagem como capa do décimo número da primeira série gigante de Tex Avventura nell’Utah título também usado, entre outras coisas, para o Classic anterior. Do desenho original, além da vinheta,  desaparece o fundo, sendo substituído por um sol poente atrás das rochas de um canyon.

Tex #10 – 1ª Série Gigante

A particularidade desta imagem, como nos conta Francesco Bosco no seu blogue Diario di un texofilo, é que ela vem directamente dos Estados Unidos da América e precisamente da capa que se pode ver abaixo, realizada por Raymond Everett Klinster para o número 25 da série Wild Bill Hickok, datada de Outubro de 1954. A hipótese mais provável é que Galep, sem ideias devido ao imenso trabalho, entre as tiras e as capas de Águia da Noite, achou aquela capa americana, encontrada na redacção, muito cativante e eficaz para Tex e a repropôs para a reimpressão quinzenal. É uma pena que o personagem não se assemelhasse em nada com o protagonista, tanto que na eredacção, estamos sempre  hipotetizando, foi considerado ser necessário fazer Tex aparecer de alguma forma, introduzindo a infeliz vinheta no canto inferior esquerdo.

Continuando a recuar no tempo, descobrimos que o próprio Klinster se inspirou para o seu desenho na capa de Thrilling Western vol.II, número 3, de Setembro de 1934, de um desconhecido, pelo menos para nós, embora um bom ilustrador.

Saverio Ceri

Encontre todas as outras origens das capas de Tex Classic na rubrica Secret Origins: Tex Classic

[1] Material apresentado no blogue Dime Web em 14/08/2018; Tradução e adaptação (com a devida autorização): José Carlos Francisco.
Copyright: © 2018 Saverio Ceri

Paolo Eleuteri Serpieri foi convidado da Bonelli Store, em Milão, para apresentar a nova edição de ‘Tex. L’eroe e la Leggenda’

Na passada quinta-feira, dia 14 de Março, Paolo Eleuteri Serpieri foi convidado da Loja Bonelli (Bonelli Store), em MIlão, tendo atendido o numeroso público presente e autografado exemplares da nova edição do livro cartonado ‘Tex. L’eroe e la Leggenda‘ (Tex. O herói e a Lenda).

O autor veneziano na companhia do Director Editorial Michele Masiero e de Giovanni Boninsegni contou a génese do volume e o nascimento da série “Tex Romanzi a Fumetti“, em Fevereiro de 2015 e que ainda hoje, nove anos depois, continua em publicação.

Mas o Mestre Paolo Eleuteri Serpieri também passou pela redacção na Via Buonarroti nº 38, para cumprimentar o editor Mauro Boselli.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

Vídeo TVI: Em 20 anos, dois terços dos quiosques italianos (principais locais de venda de Tex) fecharam

Crise na Imprensa não se prende a Portugal.
Em 20 anos, dois terços dos quiosques italianos fecharam

Reportagem do Jornal Nacional da TVI e do Jornal Público
14 de Março de 2024

Quiosques emblemáticos de Itália fecham por quebra na venda de jornais. Perdem-se locais que são o cimento que ajuda a manter unidas as comunidades locais.

No coração desta crise, está outra: a dos jornais, que quase não se vendem. Em 2004, eram vendidos nos quiosques italianos mais de nove milhões e meio de jornais todos os dias – agora, esse número não chega a um milhão.

Tex inevitavelmente também tem perdido compradores nos quiosques, felizmente não num nível ainda  tão catastrófico… mas a tendência será também que continue em queda com o avolumar dos encerramentos dos quiosques em Itália durante os próximos anos.

A família de Fabiano Pompei tem um quiosque de jornais perto da imponente Basílica de São João de Latrão, em Roma, desde 1948. A família de Marco Volpini foi proprietária de um perto das Fonte de Trevi durante um século. Ambos eram negócios prósperos, mas uma queda prolongada nas vendas de jornais obrigou Pompei e Volpini a fecharem as suas persianas metálicas pela última vez — tal como milhares de outros proprietários de quiosques em Itália.

“Podemos fazer sacrifícios até um certo ponto, mas se estamos a ganhar pouco ou mesmo a perder dinheiro, é melhor fechar e fazer outra coisa, mesmo que isso nos doa por dentro”, disse Pompei, de 30 anos.

Volpini tinha tomado recentemente conta do pequeno quiosque que pertencia ao pai, mas depressa se apercebeu de que não conseguia fazer face às despesas. “Daqui a cinco anos já não haverá quiosques. As pessoas vão obter toda a informação através dos telemóveis”, diz.

O organismo do sector, Snag, estima que dois terços dos quiosques de informação italianos tenham encerrado nas últimas duas décadas, deixando apenas cerca de 12.000 em actividade.

A Câmara de Comércio Italiana afirmou num relatório de Janeiro que, só nos últimos quatro anos, tinham fechado 2700 quiosques, o que representa uma queda de 16% a nível nacional, com Roma a registar uma quebra de 21%. No centro da crise está a queda das vendas de jornais, que representam a maior parte das receitas dos quiosques.

Em 2004, cerca de 9,54 milhões de jornais eram vendidos diariamente nos quiosques, segundo os dados da ADS, a empresa que acompanha as vendas editoriais. Em 2014, esse número baixou para 2,6 milhões, voltando a descer para cerca de 950 mil em Janeiro de 2024.

“O declínio da circulação dos jornais está numa trajectória descendente muito estável. Já se verifica há décadas e não há sinais de que vá mudar”, afirmou Alessio Cornia, professor assistente na Universidade da Cidade de Dublin, especializado em jornalismo.

Fabiano Pompei tinha um quiosque de jornais em Roma

Tempos de mudança

Enquanto os editores podem ter a esperança de manter as suas receitas em queda, transferindo os leitores para a Internet, os proprietários dos quiosques estão a ter muito mais dificuldade em reinventar-se.

Stefano di Persio gere um quiosque no centro de Roma, junto à sede do maior jornal da cidade, Il Messaggero. Costumava vender centenas de jornais por dia, mas agora vende menos de 50. “É uma piada”, disse, sem se rir.

O seu quiosque clássico e octogonal está repleto de bugigangas turísticas, como ímanes para o frigorífico, aventais e calendários com belos padres. Uma mão-cheia de jornais está guardada para os antigos habitantes locais que ainda não foram expulsos pelos turistas invasores.

“A maioria dos romanos deixou este bairro e foi substituída por turistas, por isso vendemos recordações. Se tivéssemos de depender da venda de jornais, já teríamos fechado há muito tempo”, afirma.

Este ano, o Governo está a oferecer incentivos no valor de até dois mil euros para tentar estancar a hemorragia, mas os proprietários de quiosques dizem que o dinheiro só vai servir para aliviar a situação a curto prazo e não vai resolver as tendências a longo prazo.

Para reduzir os custos, uma das bancas de jornais mais famosas de Roma, a dois passos do gabinete da primeira-ministra, transformou-se em Janeiro numa máquina automática de distribuição de jornais, eliminando a necessidade de pagar a alguém para entregar pessoalmente os exemplares.

Muitos habitantes locais lamentam a mudança dos tempos. Os quiosques são o cimento que ajuda a manter unidas as comunidades, locais onde se fala de política, de futebol e do tempo.

Quando Pompei abriu brevemente o seu quiosque esta semana para mostrar as prateleiras vazias, os velhos amigos juntaram-se rapidamente, esperando que ele tivesse mudado de ideias. Ficaram desiludidos.

“Este é o segundo quiosque do bairro a fechar. É uma tragédia”, diz Eufemia Curci, professora reformada. “É um grande fracasso da nossa cultura. As pessoas não lêem, só olham para o telemóvel. É triste.

Pompei tinha tentado transformar a sua banca de jornais numa pequena livraria, mas o volume de negócios nunca vingou e ele continuava a ter de se levantar todas as manhãs às 4h30 para receber as edições da manhã, iniciando um dia de trabalho que se prolongava até às 20 horas.

“Todas as noites sonho com o meu quiosque porque ele está no meu coração… mas não podia continuar”, disse.

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“I’m your Huckleberry, that’s just my game.” (Tombstone; 1993) – Interpretação de Laura Zuccheri com a participação de Tex e Carson

Tombstone (Brasil: Tombstone – A Justiça Está Chegando; Portugal: Tombstone) é um filme americano de 1993 do género western, escrito por Kevin Jarre e dirigido por George P. Cosmatos. O filme conta a história dos irmãos Earp, famosos homens da lei do Velho Oeste americano, a partir da chegada deles a Tombstone, cidade mineradora de prata localizada no Arizona. Além das referências históricas, o filme baseia-se principalmente em Gunfight at the O.K. Corral, clássico do cinema de 1957.

“I’m your Huckleberry, that’s just my game.” (Tombstone; 1993)

“I’m your Huckleberry, that’s just my game.” (Tombstone; 1993) – Interpretação de Laura Zuccheri com a participação de Tex e Carson