Póster Tex Nuova Ristampa 8

Póster Tex Nuova Ristampa 8

Neste belo desenho nocturno, Claudio Villa retrata o feroz e enigmático índio Mangas, caçador de homens, domador de panteras e jaguares, que sabia falar com as feras da montanha, fazendo com que elas lhe obedecessem, deslocando-se silenciosamente de punhal na mão, em direcção a Tex Willer, prestes a atacá-lo cobardemente pelas costas.

Desenho usado no Brasil como capa de Tex Edição Histórica #3 e inspirado na história, “Le Terre Maledette” de G. L. Bonelli e Galleppini (Tex italiano #14).
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Texto de José Carlos Francisco

Víctor De La Fuente: Um Grande de Espanha

Víctor De La FuenteUm grande de Espanha. Estas foram as palavras com que Sergio Bonelli saudava a chegada do primeiro desenhador não nascido na Itália, que ilustrava um dos seus álbuns especiais de Tex, e que não era outro senão Víctor de la Fuente. E o certo é que vista a sua trajectória profissional, a eleição de Víctor era seguramente a mais lógica que se podia esperar.

Pedro Víctor de la Fuente Sánchez nasce em 1927 na localidade asturiana de Ardisana de Llanes; irmão mais velho dos também desenhadores Ramón e José Luís – conhecido por Chiqui – começa muito jovem o seu trabalho no mundo da banda desenhada entrando nos anos 40 no estúdio  de  Adolfo  López Rubio. Em vez de se estabelecer na profissão, começa um périplo por países como Cuba,  Chile  e  Argentina, onde alterna o seu trabalho no campo da banda desenhada com o da publicidade. Nos anos 60 regressa a Espanha e começa a trabalhar  realizando  histórias  para mercados estrangeiros e através de agências. É então quando conhece Víctor Mora e com ele cria Sunday, a sua primeira obra de autoria reconhecida e com a qual começa a adquirir a notoriedade que a qualidade do seu trabalho merecia. Sunday, western com certo tom crepuscular que mais tarde continuaria o seu irmão Ramón, é o arranque da relação de De la Fuente com um género que domina na perfeição. A publicação em 1970 da revista Trinca por parte de uma editora dependente do Ministério da Informação permite a Víctor a criação da sua primeira obra como autor completo, Haxtur, história com aspecto de fantasia heróica, mas com um argumento críptico e uma simbologia no seu interior, que surpreendentemente consegue, no seu início, enganar a censura da época.

Tex por Víctor De La FuenteHaxtur,
trouxe para o seu autor o início de uma série de problemas com as autoridades espanholas que fizeram com que ele mudasse  o  seu  domicílio para França. Afortunadamente nem tudo foram problemas e Haxtur conseguiu também que Víctor  de  la Fuente se convertesse num dos autores mundiais que maior atenção recebia por parte dos seus companheiros de profissão, graças sobretudo ao seu domínio do desenho, sua capacidade para dar forma ao movimento,  sua  habilidade  narrativa – onde dava uma lição sobre como utilizar os distintos tipos de planos – e a sua espectacular montagem – com a qual conseguia explorar a dimensão vertical da página, algo que praticamente só era explorado por Joe Kubert e por ele.

Víctor De La FuenteUma vez, estabelecido em França, De La Fuente começa a criar uma série de obras que o mantêm em plano de evidência nas décadas seguintes; ao princípio com séries de guião próprio como Mathai-Dor – que havia ficado incompleta em Trinca – Amargo – nova aproximação ao género western – e Haggarth – continuação  da  linha  de fantasia heróica com conteúdo que havia iniciado com Haxtur.

Víctor Mora volta a cruzar-se no seu caminho e assim as suas colaborações prosseguem. Los Angeles de Acero e Le Sibereiane, centram boa parte do trabalho de Víctor de la Fuente durante os anos oitenta. Pouco antes, em 1979, havia começado a série  Los  Gringos com a qual volta ao género western e na qual colabora com o argumentista francês Jean-Michel Charlier até ao falecimento deste, dez anos mais tarde.

Capa Fiamme sull'ArizonaFiamme sull’Arizona, é o título que leva o quinto Texone, editado em Junho de 1992. Como todos os trabalhos de Víctor de la Fuente em Tex, apresenta um argumento de Claudio Nizzi, em que Tex e Carson devem tentar por todos os meios ao seu alcance, evitar uma guerra com os Apaches. Sergio Bonelli explica-nos na introdução do álbum que para a ocasião, Nizzi construiu um argumento com apaches, mexicanos e deserto tentando adaptar-se às qualidades do desenhador  espanhol.  Parâmetros  muito similares são os que parecem ter guiado o argumentista na segunda história escrita para De la Fuente, La caravana della paura editada no Almanacco del West de 1995. Neste caso, Tex e Carson incorporam-se numa caravana que se vê assediada  por  um  guerreiro apache que se dedica a caçar alguns dos seus membros numa missão de vingança onde  nem  tudo  é como parece ao princípio. Trata-se de uma das melhores histórias escritas por Nizzi para Tex, sobretudo porque o seu trabalho melhora  com  o  diminuir de páginas que dispõe, evitando a proliferação de tempos mortos. Ademais apresenta-nos um argumento em que as personagens possuem uma profundidade sobre o ponto de vista moral, afastado das típicas histórias de bons e maus.

Prancha de Victor De La FuenteVíctor
acaba incorporando-se no staff de desenhadores da série regular. O seu primeiro trabalho na série mensal Springfield  Calibro  58,  uma história em duas partes que começa na edição 441. Carson e Tex devem investigar o tráfico de armas que está a ocorrer com grupos Comanches, a quem estão a chegar armas procedentes de arsenais perdidos do exército confederado. A seguinte saga ilustrada por De la Fuente, é uma excepção, ao desenrolar-se em cenários urbanos, aos quais o desenhador adapta-se sem nenhum problema. Os números 456 e 457 trazem Al di Sopra della Legge, história desenrolada em San Francisco, local onde Tex e Carson deslocaram-se em auxílio da polícia local para desarticular uma sinistra organização que se dedica a impor a sua própria lei.

Tex de Víctor De La FuenteA relação entre Tex e Víctor de la Fuente, conclui-se com a história que traz por título La Colina della Morte, com os números 471  e  472,  editados nos primeiros meses do ano 2000. O argumento gira em torno das acções do duo protagonista para desmascarar uma trama de agentes para assuntos índios corruptos. Tex e Carson deverão inclusive deslocar-se a Washington acompanhando Joselito e outros  chefes  apaches. Tanto  esta  história  como as anteriores mantém os parâmetros habituais dos argumentos de Nizzi. Víctor desenha  sem  problemas as largas sequências dialogadas que povoam os tempos intermédios da narração que o argumentista tanto aprecia. Como Nizzi escreveu para o asturiano histórias desenroladas em exteriores, De la Fuente resolve todas essas sequências povoadas de diálogos mediante o seu incrível talento para desenhar personagens a cavalo: Víctor é capaz de desenhar centenas  de  vinhetas  com Tex e Carson falando enquanto cavalgam sem repetir uma só vez o ângulo em que se visualiza a vinheta.

A esse nível haveria de deixar a principal  contribuição  do  trabalho de Víctor de la Fuente em Tex; o estilo.  Cada uma  das  suas páginas serve-nos para constatar o talento inato que possui para o desenho de séries do oeste. Víctor continua sendo um Mestre, conseguindo que nos deixemos envolver por umas paisagens que, pese a economia de recursos que utiliza para desenhá-las, reconhecemos como se tivéssemos  vivido  sempre  ali. O que ele desenha, nós podemos tocar com as mãos, é real. Por  tudo  isso  há, sem dúvida, muito do seu trabalho em Tex.

Texto de José Carlos Francisco, baseado no livro-catálogo “Tex Habla Español”.
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Póster Tex Nuova Ristampa 7

Póster Tex Nuova Ristampa 7

Neste desenho, Claudio Villa mostra-nos Tex Willer entrando na aldeia comanche de Lança Partida, situada em plenos montes comanches, montado no seu fiel Dinamite, com a arma levantada em sinal de paz, sob o olhar atento dos índios.

Desenho usado no Brasil como capa de Tex Edição Histórica #2 e inspirado na história, “Le Terre Maledette” de G. L. Bonelli e Galleppini (Tex italiano #14).
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Texto de José Carlos Francisco

Tex Gigante 18: O Desfiladeiro da Cobiça

Capa Tex Gigante - O Desfiladeiro da CobiçaA leitura de uma edição gigante deixa-me sempre algo curioso, mas sobretudo ansioso. Curioso em descobrir como é que determinado autor vai interpretar Tex e o espírito da série. Ansioso, não só porque é um produto anual e por isso menos regular, também porque o formato é maior permitindo outra perspectiva, mas fundamentalmente porque se trata de uma edição onde sempre aparece algo de novo na série. Esta edição de 2006 não fugiu à regra e teve um acréscimo suplementar, o facto de me ter sido oferecido o original italiano pelo meu amigo José Carlos Francisco.

Uma edição com papel de boa qualidade e um formato ainda maior que o da edição brasileira da Mythos. Confesso que os meus conhecimentos da língua italiana são muito rudimentares e parti para a sua leitura com este óbice, o facto de  não  dominar  a língua e interpretar muitas passagens pelo seu sentido geral. Com algum custo, alguma determinação e muita paciência, muitas vezes recorrendo ao amigo dicionário, comprado para o efeito, consegui chegar ao fim, até porque a vontade de deixar aqui a minha apreciação era grande.
Vamos então por partes e comecemos pela história em si.

 Tex por Alessandrini O velho Sunday Jim parece ter coroado toda uma vida de buscas quando descobriu o acesso para o mítico Canyon Dorado, um desfiladeiro onde se encontra uma riquíssima extensão de ouro. Mas  é  também  um local guardado e vigiado pelos apaches e só muito a custo o velho Jim consegue escapar da justiça índia. Sunday Jim manda chamar Tex para que este interceda junto de Cochise, tendo em vista que  o  chefe  apache lhe restitua um pouco do ouro perdido ao fugir de Canyon Dorado. Entretanto, a notícia da descoberta corre célere e Sunday Jim vai ser alvo de rapto por parte do bando de Cimarron que, aliado ao sargento Brayton e ao renegado apache Anche Juh, vai também tentar chegar ao ouro.

O ouro cega e motiva a cobiça dos homens, levando-os a cometer os actos mais inconsequentes. O Desfiladeiro da Cobiça exalta esta ambição humana, mas também nos fala um pouco de lendas e da cultura índia, algo que o próprio Nizzi já tinha abordado, por exemplo, em O Pueblo Perdido com desenhos de Ticci, ou também J.M. Charlier e Gir para Blueberry, no excelente díptico da Mina do Alemão Perdido.

Nizzi sustenta a base da aventura num conjunto de homens com diferentes ambições, certamente, mas sintonizados no mesmo objectivo, conseguir chegar ao ouro. Se Cimarron e o sargento Brayton ambicionam o lado material da questão, tão somente enriquecer e mudar de  vida,  o  renegado Juh pretende obter os meios que lhe permitam adquirir  armas e  lutar contra o poder instituído de Gerónimo como chefe apache. Nizzi tinha aqui margem de manobra para aprofundar essa distinção sobre os motivos da ambição humana, no fundo o que move os diferentes actores em busca do ouro, exaltando as motivações de cada um. O autor  decide-se,  entretanto, por nunca explorar convenientemente essa via, o que certamente teria conferido outro interesse e outra espessura à aventura, acabando por cair numa certa falta de consistência e mesmo em algumas incongruências.

Índios por Alessandrini Será que esta ambição humana levaria com que um grupo de militares se aliasse tão facilmente a um renegado apache e a um bando de foras-da-lei? Será que Cochise, o chefe apache que abandonou a guerra e guiou inteligentemente a sua tribo pelos caminhos da paz nos montes Chiricahuas, seria uma presa assim tão fácil para o renegado Juh? Será que Cimarron, juntamente com mais dois ou três homens, controlaria e abateria uma coluna do exército, como o diabo esfrega um olho?

São questões que caracterizam uma aventura que peca por ser pouco convincente, onde tudo parece demasiado fácil, acabando Nizzi por dar uma certa razão aos seus críticos. Tex, Carson, Kit e Tigre parecem navegar ao sabor dos acontecimentos, passando muito da aventura  a  fugir.  Por outro lado e, apesar da presença dos quatro, a verdade é que Tex assume muitas vezes um papel solitário. As suas dúvidas, a sua incerteza perante a atitude a tomar com Cochise, reflectem um Tex pouco bonelliano, um Tex que não conduz os acontecimentos, um Tex que depende, um Tex pouco activo, um Tex pouco seguro da sua conduta e que se encontra isolado e encostado à parede perante a melhor solução a adoptar.

Giancarlo AlessandriniPor fim, o desenho: quanto mais não fosse pela característica muito própria desta publicação, permitir que diversos autores deixem a sua marca pessoal, o trabalho de Alessandrini levantava natural curiosidade, em face de alguma celeuma entretanto provocada. Por isso,  para  que  não fiquem dúvidas, afirmo desde já que não gostaria de ver Alessandrini  no  staff  texiano. Mas isso não invalida que o autor não apresente um  trabalho  digno  e de qualidade. Esta minha renitência prende-se apenas com a composição da figura texiana, um Tex  sempre  de  semblante distante, com  um  olhar rumo ao horizonte,  algo frio e sem aquela rudeza, aquele cinismo que tanto o caracteriza. Consciente desta dificuldade em desenhar um Tex bonelliano, Alessandrini defende-se com muitos planos indirectos do ranger ou até com planos nocturnos que ajudam a atenuar este óbice, digamos mesmo esta fraqueza.

Pelo contrário, todo o restante trabalho demonstra e afirma um Alessandrini em boa forma, com um traço correcto, cenários de grande qualidade e contrates que não oferecem crítica. Mesmo a composição das diferentes personagens (excepção aos nossos heróis) é merecedora da nossa atenção, onde destacaremos em concreto as figuras  do  velho Sunday Jim, com quem o leitor facilmente simpatiza, e sobretudo Cimarron, um verdadeiro crápula, daqueles que se destacam no horizonte.

Texto de Mário João Marques

Póster Tex Nuova Ristampa 6

Póster Tex Nuova Ristampa 6

Desenho de Claudio Villa, onde vemos Kit Willer, filho único de Tex Willer, depois de ter frequentado por um certo período, as escolas dos Padres Missionários de Santa Anita, exercitando-se no  pueblo Navajo de Flecha Vermelha (onde vive Tex) com o manuseio de revólveres, praticando tiro ao alvo sob o olhar atento do progenitor, que lhe ensina tudo o que sabe, preparando-o assim para enfrentar a dura e perigosa vida do Oeste americano, mas ao mesmo tempo fascinante para quem tenha o sangue dos Willer nas veias.

Desenho usado no Brasil como capa de Tex Edição Histórica #8 e inspirado na história, “Il Figlio di Tex” de G. L. Bonelli e Galleppini (Tex italiano #12 e #13).
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Texto de José Carlos Francisco