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Tex Férias: A Noite dos Assassinos
Argumento de G. L. Bonelli, desenhos de Giovanni Ticci e capa de Aurelio Galleppini. Com o título original Il messaggio dei Dakotas, a história foi publicada em Itália nos nº 166 a 168 e no Brasil pela Mythos Editora no Tex Especial Férias nº 1.
Tex, Carson, Kit e Tigre surpreendem um grupo de lobos a tentar devorar o cadáver de um índio Dakota. Após terem afugentado os animais, os quatro pards lêem uma carta que este transportava, destinada a Forte Benton e a solicitar auxílio para a sua tribo que necessita desesperadamente de provisões para sobreviver. Após terem enterrado o infeliz, os pard dirigem-se até à aldeia Dakota e deparam-se com um cenário dantesco de fome, com toda a tribo a aguardar uma morte certa. Rapidamente descobrem que Nick Billing, o agente índio, de conluio com o Sargento Slater de Forte Benton combinaram deixar de alimentar a tribo para poderem tirar proveito do ouro que por ali existe.
Eis uma das aventuras de ouro da saga texiana. A aventura está muito bem construída, os quatro pards estão presentes e desempenham todos um papel fundamental nos acontecimentos, Tex é duro e decisivo. Mas é na ideia de epopeia heróica que perpassa por toda a aventura que reside grande parte da qualidade do argumento.
Com Tex, também nós sofremos quando deparamos com o espectáculo dantesco de assistir ao definhar de um povo. De saber até onde poderá ir a ganância e a ambição humana, quando isso permite que outros homens aguardem por uma morte tão certa quanto o seu sofrimento. Por isso, quando Tex espanca Nick Billing, é um pouco da nossa ira e do nosso ódio que Bonelli acaba por transmitir. Quando o xerife Bart Logan fecha os olhos à violência empregue por Tex, é também um certo ideal de justiça que Bonelli apresenta.
E quando Kit e Tigre conseguem defender a aldeia Dakota da investida dos homens de Billing pensamos que afinal, aquele povo tem a sua oportunidade. Um argumento feito de heroísmo e de estoicidade. O heroísmo de um povo que soube sempre manter-se de pé esperançado na chegada das provisões, mas também o heroísmo de um conjunto de homens que souberam lutar contra adversidades naturais e humanas para fazer chegar essas provisões a quem delas necessitava.
O desenho de Ticci contribui muito para a qualidade da aventura. Não apenas pela beleza do seu traço, pela notável caracterização de cenários e ambientes, ou ainda pelo ritmo empregue na acção. É também porque sendo o seu desenho imponente, concerteza que é dos melhores a saber interpretar a epopeia da aventura. E, já agora, para a superior galeria de personagens, sempre notavelmente apresentadas através do seu traço. Personagens vincadas, altivas e carregadas de expressões perfeitamente apelativas dos seus sentimentos.
Texto de Mário João Marques
Póster Tex Nuova Ristampa 33
Neste primeiro desenho de Claudio Villa nesta colecção onde não aparece Tex, vemos o filho de Águia da Noite, Kit Willer, ajoelhado, depois de ter sido capturado pelos guerreiros de Louis Laplace, ou melhor, o Leopardo Negro, ou ainda o Grande Rei, um louco megalómano, animado de sonhos imperialistas, que de dedo em riste, ordena a sua prisão nos subterrâneos de seu castelo construído numa ilhota de um pequeno lago.
Desenho usado no Brasil como capa de Tex Edição Histórica #32 e inspirado na história, “Il grande re” de G. L. Bonelli e Galleppini (Tex italiano #53 a #55).
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Texto de José Carlos Francisco
Arte de Guglielmo Letteri
Tex Série Normal: A Pedra de Akbar
Argumento de Claudio Nizzi, desenhos de Fernando Fusco e capas de Claudio Villa. Com o título original La pietra di Akbar, a história foi publicada em Itália nos nº 461 e 462 e no Brasil pela Mythos Editora nos nº 376 a 378.
Durante a sua estadia na Índia britânica, o Major Granger furtou um diamante denominado a pedra de Akbar. Perseguido pelo marajá de Akbar o militar inglês conseguiu embarcar no primeiro navio que rumava para a Europa. Durante a viagem, atacado pela febre amarela e sentindo que pouco tempo lhe resta de vida, o major vai entregar o diamante ao comandante da embarcação, pedindo-lhe que o faça chegar até à sua filha que está necessitada de fundos. No entanto, parece que afinal as paredes sempre têm ouvidos, e alguém acaba por ter conhecimento da história, roubando o diamante ao próprio comandante.
Devido aos seus poderes ocultos ou não, a verdade é que a pedra vai ser alvo da cobiça de alguns, mas também vai deixar atrás de si um rasto de morte. Tex e Carson, que se preparam para deixar Nova Orleães, depois de ajudarem o xerife Pat McKennet a resolver mais um caso, acabam por se ver envolvidos no meio da cobiça de gente sem escrúpulos.
De quando em vez, deparamo-nos com este tipo de aventura, uma história que se lê bem, certamente, mas que acaba por não deixar marcas. A aventura é correcta e honesta, mas falta-lhe alcance, falta-lhe uma certa espessura, falta um fio dramático.
As primeiras páginas prometem algo que a aventura acaba por nunca proporcionar. Porque quando o diamante anda de mão em mão, Nizzi consegue construir um conjunto de situações que se interligam e encadeiam-se bem entre si, prometendo uma aventura feita de coincidências. Mas no fundo, girando tudo em volta de um diamante que motiva a cobiça cega dos homens, a aventura acaba por nunca sair dessa armadilha. Bem vistas as coisas, parece que o próprio Nizzi acaba por ficar confundido com todas as coincidências, nunca mais conseguindo sair desse registo.
O desenho de Fusco, que muitas vezes conseguiu estar à altura e ultrapassar mesmo a qualidade dos argumentos, patenteia aqui o mesmo nível mediano desta aventura. Parece que a marca do tempo começa inexoravelmente a deixar marcas no autor, uma vez que o seu desenho surge pouco vigoroso e com um traço algo descuidado. A figura texiana é um perfeito exemplo, denotando uma certa ausência de rigor em várias passagens. Um trabalho discreto de um desenhador que já nos habituou a bem melhor.
Texto de Mário João Marques


