Apesar da nova vaga de desenhadores de Tex Willer, pelo que sabemos, Sergio Bonelli não tem a ambição de passar à história como “descobridor de talentos” mas no campo da banda desenhada, de facto, a intuição da capacidade gráfica de um jovem desenhador e o metódico e paciente treino de quem deseja submeter-se ao potencial artista, fazem parte do quotidiano de cada editor de banda desenhada. No caso, afinal, de Orestes Suárez, futura assinatura de um próximo Tex Gigante, os méritos de Sergio Bonelli são ainda menores.
O novo desenhador já estava habilitado há vários anos, com todas as qualidades necessárias para cuidar das páginas de qualquer publicação, mas impossibilitado de demonstrar a sua capacidade gráfica porque na ilha em que vivia não era fácil encontrar um editor, nem uma prancha de desenho, nem um pincel e muito menos tinta da china!
Naquela ilha, Cuba, Sergio Bonelli esteve no longínquo ano de 1994, para visitar um “festival” internacional de banda desenhada sem igual no mundo, já que o festival decorria num bar, cujas paredes, entre uma propaganda de rum e uma outra de cigarros, acolhiam algumas fotocópias de bandas desenhadas mexicanas, italianas e francesas.
Apesar da absoluta pobreza da organização, o festival cubano, segundo exprimiu Sergio Bonelli, demonstrou ser uma extraordinária ocasião para conhecer uma porção de pessoas cordiais, ricas de orgulho e vontade de viver. Foi aí também, que Sergio Bonelli conheceu Orestes Suárez Lemus, nascido em Pinar del Rio (Cuba), em 14 de Março de 1950.
A sua estreia no mundo da banda desenhada aconteceu em 1977 com as personagens Inés, Aldo e Beto, criadas por uma publicação da Organização Nacional de Pioneros José Marti, em cujas páginas publicou também inúmeras ilustrações. Diplomado pela Escuela Nacional de Diseño Gráfico, em 1983, colabora com a revista da Editora Abril, Zunzún e com outras séries da mesma editora argentina, como, Pionero e El Guia.
Os seus trabalhos mais importantes foram publicados pela editora Pablo de la Torriente: Vitralitos, Camila e alguns episódios da série histórico-geográfica intitulada precisamente de Pablo de la Torriente, jornalista cubano/porto-riquenho morto durante a Guerra Civil espanhola. Ainda o tema da guerra (mas desta vez tratou-se do conflito hispano-cubano para a independência da ilha das Caraíbas) retorna na produção de Suárez que colaborou graficamente também em algumas curtas-metragens de desenhos animados inspirados nesse argumento.
O seu ingresso oficial no mundo bonelliano aconteceu em 1994, quando o próprio Sergio Bonelli o recruta para a esquadra de artistas que realizava as aventuras de Mister No. A propósito do seu actual empenho na equipa Texiana, Orestes disse ao blogue do Tex: “Aqueles anos passados nas páginas de Mister No foram anos de duro labor e ao mesmo tempo de grande desenvolvimento profissional e pessoal. Jerry Drake deu-me muito trabalho, fosse pelo ambiente em que decorriam as suas histórias, fosse pelo meu estilo de trabalho. Faltando-me a documentação, era de enlouquecer quando devia representá-lo nas ruas de Nova York ou entre as tribos índias da Amazónia. Tex Willer mudou a minha perspectiva: de um homem jovem e com o espírito de um aventureiro, passei a um profissional da justiça no duro e hostil Oeste norte-americano. Neste sentido, Tex tem um carácter muito mais forte, persuasivo, reflexivo e é uma personagem muito mais carismática, mais madura…”.
Texto de José Carlos Francisco, baseado na rubrica “Caro Tex…”, de Sergio Bonelli, inserida em Tex Nuova Ristampa nº 184 de 30 de Maio de 2007.





Tex 560 – “Moctezuma” de Junho de 2007.
Diego Villalta é o proprietário daquelas terras, tratando mal quem trabalha para ele, mata os que se revoltam e mantém sempre uma atmosfera de medo. Apenas o jovem Aurélio Torres, que tinha sido prometido a Maria, vai lutando contra o tirano, mas anda fugido em virtude da perseguição movida pelos homens de Dom Diego. Depois de ouvido o relato, Tex resolve agir para salvar Maria e acabar com o poder de Dom Diego.
Se Faraci trouxe um Tex duro e implacável, trouxe também espessura e densidade nas personagens, trouxe um enredo que prendeu a atenção do leitor, veio insuflar o mito. Em Moctezuma há uma total falta de capacidade em inserir o leitor na narração, uma certa indiferença em contar a história. Cansaço, idade, desmotivação, ou mesmo um pouco de tudo, eis o que Nizzi nos demonstra com esta aventura onde até o papel algo humilhante de Tex foi posto em causa.
Para não falarmos de ingenuidades como o facto de, após ter tentado salvar dois mexicanos mortos pela tortura, o ranger não encontrar nada melhor do que oferecer uma rodada geral no bar mais próximo. Ou mesmo nas páginas finais, quando Aurélio Torres, alarmado pelos disparos na mansão de Dom Diego e vendo gente a sair a cavalo, decidir esticar uma corda na estrada para apanhar o fugitivo que, afinal é Dom Diego, mas poderia ser… o próprio Tex. E já agora, qual o papel reservado ao delator Augustin?

