Entrevista com o fã e coleccionador: Jesus Nabor Barbosa Ferreira

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Jesus Nabor Barbosa Ferreira e TexPara começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Jesus Nabor: Bem, meu nome é Jesus Nabor Barbosa Ferreira nasci em Uruguaiana, fronteira do Brasil com Argentina e Uruguai, em 20 de Julho de 1966! Meu pai, típico brasileiro, minha mãe, neta de italianos. Desde muito cedo que tenho contacto com revistas em quadradinhos, tanto do lado do meu pai quanto da minha mãe (esta, apaixonada pelos personagens Disney, não deixava faltar Tio Patinhas, Zé Carioca, Mickey, Pato Donald). Em casa sempre havia alguns amigos do pai fazendo trocas de gibis ( nessa época era muito comun as trocas entre os amigos, assim lia-se muito sem gastar muito…). O meu pai não coleccionava nada em especial, mas lia todo tipo de revistas de aventuras, terror, western e super-heróis! Foi assim que bem cedo tomei contacto com os grandes da banda desenhada mundial – Tarzan, Fantasma, Mandrake, Flash Gordon,Batman, Superman…
Jesus Nabor Barbosa Ferreira, Miguel Angel Repetto e esposaOutra paixão do meu pai e que se tornou minha também foi o cinema. Como filho mais velho, acompanhava sempre os meu pai às matinés onde invariavelmente víamos um filme de aventuras e um western. E depois, no regresso a casa, sempre passávamos numa banca para comprar alguma revista… ou era um Tarzan ou uma revista de cowboys ou de terror!
Eu gostaria de dizer aos amigos que a primeira revista que li foi um Tex, mas não seria verdade, pois a primeira revista que eu me dei conta de saber estar lendo, foi um Tio Patinhas, creio que deveria ter uns 7 ou 8 anos.
Os quadradinhos acompanharam-me durante todo o resto da minha vida, escolar e privada! A minha terceira paixão surgiu aos 12 anos, na sexta série do ensino fundamental: o basquetebol! Apaixoneime por este desporto,o qual ainda pratico, com menos eficiência,claro (he, he, he…).
Do meio para o fim dos anos 80, deixei por um tempo a banda desenhada de lado e dediquei-me ao trabalho e estudo. Terminei o ensino médio e começei a cursar a faculdade de Ciências Contábeis, ao mesmo tempo comecei a trabalhar num escritório de contabilidade.
Ao cabo de uns 2 anos, saturei-me da rotina monótona do escritório e com a ajuda da minha futura esposa montei uma banca de revistas! Corria o ano de 1988. Nascia o que viria a se tornar a Zona Franca Comics! Sempre com o apoio da minha esposa comecei um longo trajecto, primeiro como banca de jornais e revistas,  depois como banca de revistas usadas de colecção e por fim, montei a loja Zona Franca Comics. Ao começar a trabalhar com revistas antigas, retomei as minhas colecções, que anos antes por um motivo ou outro, fui obrigado a vender e uma das que logo fiz questão de completar foi a de Tex. O facto de estar a trabalhar no meio, permitiu-me atingir este objetivo em pouco tempo. No início do ano de 2003, mudei-me para uma cidade maior chamada Santa Maria, no coração do estado do Rio Grande do Sul.
Jesus Nabor Barbosa Ferreira e Ernesto Garcia SeijasAli pude ampliar o leque de produtos da Zona Franca Comics e aumentar sensivelmente a minha área de actuação. Já por essa época, transitava há algum tempo no meio de outros amigos coleccionadores de fumetti e Tex em especial. Sempre pensando em promover a nossa paixão, organizei em Santa Maria, dois eventos de coleccionadores: um em 2004 e outro em 2006. Ambos com muita publicidade para o Ranger e farta  confraternização entre os participantes. Graças ao Tex surgiu a oportunidade de entrevistar dois dos maiores desenhadores argentinos de todos os tempos, Repetto e Seixas. Para mim, como fã, foi um momento único!
Em todos estes anos, apesar de ler outros personagens, tanto de western como de outros géneros, Tex  manteve-se invicto na preferência, pois cada vez que leio aquelas aventuras, pareço voltar a uma época mais feliz, mais inocente, mais verdadeira. Isto talvez seja o grande apelo do Tex!

Quando é que teve início esta paixão pela Banda Desenhada, em especial pelo Tex?
Tex's expostos na Zona Franca ComicsJesus Nabor: Não saberia precisar exactamente quando começou a minha paixão pela BD, pois desde muito cedo que me lembro que sempre  havia  “gibis ” na minha casa. O meu pai era fã de revistas de terror, guerra, faroeste  e a minha mãe comprava-nos os quadradinhos da Disney. Antes mesmo de aprender a ler, eu já me encantava com  Tarzan, Zorro (Lone Ranger), Superman, Batman, Superboy, Tio Patinhas, Mickey, Bolinha, Luluzinha, Cavaleiro Negro, Fantasma, Mandrake, etc.
Tex veio logo depois; o meu pai trazia para casa vários exemplares. Um dos primeiros que lembro é O Temível Coiote Negro! Outra aventura que sempre me cativou foi A Batalha dos Vingadores – na época da sua publicação, eu tinha apenas 8 anos e lembro-me ainda hoje que fiquei impressionado com o ritmo frenético e selvagem dessa história. O Tex não era uma leitura corriqueira em casa, mas lembro que a partir do número 48 (O Desfiladeiro da Morte) ele se tornou uma constante. E o primeiro Tex que eu mesmo comprei, foi o clássico nº 50, “Flechas Pretas Assassinas“. A partir daí, como se diz, é história…

Jesus Nabor Barbosa Ferreira e as edições de TexPorquê o Tex e não outra personagem?
Jesus Nabor: Um amigo meu, também fã de Tex, sempre dizia sem medo e sem pudor: “Eu sou o Tex!“. Perguntado eu, o que ele queria dizer com isso, ele respondia que ser o Tex significava ser correcto, honesto, sincero, valente, destemido, íntegro!… Então penso que quando escolhemos o Tex, na verdade estamos querendo ser também como ele: Um personagem que não tem dúvidas de quem ele é! Ele sabe o que é certo e o que é errado! Isto é o que atrai, pois todos queremos ser o mocinho e não o bandido!

O que Tex representa para si?
Jesus Nabor: Um ideal, muito difícil de ser seguido e quase impossível de ser alcançado. A essência de um tempo mais simples, onde  tudo se resumia em bem e mal, certo e errado – como deveria ser, aliás!

Edições especiais italianas de TexQual o total de revistas de Tex que tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Jesus Nabor: Não sei dizer. Tenho praticamente tudo o que saiu no Brasil, desde que inédito – explico: não colecciono republicações que nada acrescentem ao que já existe – mas  reedições com reportagens, com materiais especiais, essas sim, interessam-me. Quanto à mais importante, talvez, o primeiro álbum italiano a cores e em formato gigante da Mondadori – por ser o primeiro e por ser do Ticci.

Manequim Tex WillerColecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem?
Jesus Nabor: Colecciono praticamente tudo que diga respeito ao personagem e ao seu universo, daí coleccionar  livros, o filme, bonecos, pósters, etc., sejam objectos licenciados ou não.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Jesus Nabor: Flechas Pretas Assassinas! Ainda considero esta a melhor história de Tex de todos os tempos e como não poderia deixar de ser, considero os seus autores como sendo os maiores expoentes no universo do Ranger: desenhador: Ticci. Argumentista: G.L. Bonelli. Aqui abro um parênteses: Galep para mim não é melhor desenhador que Ticci apenas por um gosto pessoal, porém a sua importância para a  criação do mundo do personagem, eleva-o acima de todos os outros que o sucederam, porque Galep está em outro patamar…

Edições especiais de TexO que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Jesus Nabor: A simplicidade das histórias, como todo bom bang-bang. O que me desagrada: a falta de ousadia dos novos autores!

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que ele é?
Jesus Nabor: Porque ele se mantém fiel aos seus ideais. Você pode contar com o Tex, você sabe que onde houver alguma injustiça sendo cometida, ele vai estar lá. Num mundo tão cheio de nuances, onde o que predomina é o cinza, é preciso alguém que diga que o certo é certo, que honra, amizade e coragem são valores pelos quais vale a pena lutar. Esse alguém é o Tex!

Jesus Nabor Barbosa Ferreira e as edições de ZagorPara concluir, como vê o futuro do Ranger?
Jesus Nabor: Acredito que Tex viverá ainda muitos anos. Talvez em breve alguma  pequena mudança no status quo do personagem seja necessária para captar ou ate mesmo manter  interessado um público mais jovem, mas com certeza, é um personagem que tem ainda muito fôlego para continuar vivo por muitos e muitos anos, pois a sua essência ainda é válida: Coragem, Honra ,Bravura e Amizade são ideais imortais!

Prezado pard Jesus Nabor, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

Tex Anual 09: Forte Saara

Tex Anual 09 - Forte SaaraArgumento de Claudio Nizzi, desenhos de Roberto Diso e capa de Claudio Villa.
Com o título original Fort Sahara, a história foi publicada em Itália no Maxi Tex nº 11 em Outubro de 2007 e no Brasil pela Mythos Editora em Dezembro de 2007.

Confesso que as minhas expectativas para esta aventura eram bastante reduzidas. A meu ver, apesar de altos serviços prestados à série, Nizzi já não representa a garantia de qualidade que os texianos anseiam e, por outro lado, o desenho de Roberto Diso não discutindo eventuais qualidades, não está de modo algum fadado a uma série como Tex. Talvez por isso, tentei sempre dar um certo benefício da dúvida, ser condescendente aqui e ali, mas a verdade é que, decorrida a leitura das mais de trezentas páginas, pouco sobra.

Para início de conversa, e de certo modo indo ao encontro daquilo que o próprio Sergio Bonelli escreve na sua introdução, eu também guardo um certo afecto pela saga da famosa e lendária Legião Estrangeira, acho mesmo que um dos pontos positivos desta aventura reside na capacidade que Nizzi conseguiu em transpor para a realidade e para o universo texiano alguma da realidade daquele corpo militar, tornando a sua presença na aventura como algo de credível e coerente na sua vertente histórica.

Tex e Kit Willer na Legião EstrangeiraPorque o autor soube unir o seu argumento à presença histórica da Legião Estrangeira no auxílio prestado ao imperador Maximiliano no conflito que o opôs aos republicanos liderados por Benito Juarez entre 1864 e 1867. Depois da vitória deste, o contingente das tropas francesas acabou por abandonar o México e aqui termina a realidade dos factos históricos, começando a ficção engendrada por Nizzi.

Quando se preparava para regressar à pátria, o capitão Duchamp foi contactado por Chavez, um homem que representava os interesses dos ricos fazendeiros que pretendiam alguém que os protegesse dos bandidos face à impotência dos rurales. Mas Duchamp vai querer mais, nomeadamente o poder e o cargo de governador de Chiahuahua, actualmente ocupado por Montales, que devido a problemas políticos e burocráticos não pode intervir, chamando Tex e os seus pards que vão tentar infiltrar-se no corpo da Legião Estrangeira.

Arte de Roberto DisoForte Saara parte assim de uma realidade histórica rumo a uma ficção, que vai denotando aqui e ali alguns pontos interessantes, como por exemplo a tímida reflexão sobre a disciplina militar ou o suspense mantido até Tex e Kit conseguirem infiltrar-se na Legião Estrangeira, mas denota principalmente e, no que já se tornou num hábito em Nizzi, alguma ingenuidade e incoerência. Repare-se, por exemplo, que o objectivo inicial passa apenas por encontrar o local onde se encontra a Legião, para passar a ser posteriormente fazer explodir o depósito de munições e criar a confusão que permita a fuga de Tex e Kit.

Depois, é o próprio discurso de Montales que receia um incidente diplomático com a França, que no fundo seria provocado por “rebeldes” franceses. Que dizer também de toda a cena inicial, um autêntico hino à cobardia e que não se coaduna nem tão pouco se identifica com o Tex que sempre apreciámos.

E sem nos alongarmos mais, toda a cena explicativa entre Duchamp e Chavez parece gratuita, perfeitamente exemplar no modo e na forma como Nizzi escreve hoje para Tex. Forte Saara baseava-se num tema original, mas acaba por nunca fugir da realidade nizziana, uma realidade que vai descaracterizando o herói sem um ganho de qualidade ao nível dos argumentos.

Tex por Roberto DisoSobre o desenho de Roberto Diso já deixámos a ideia principal do seu trabalho. O seu traço pouco elaborado e impreciso nunca colhe. Diso nunca consegue criar um ambiente que envolva o leitor, nunca consegue identificar as personagens com a atmosfera do western e os seus pards estão sempre descaracterizados. De modo algum criticamos as qualidades do autor, Diso terá o seu estilo, mas a verdade é que para desenhar Tex é preciso algo mais, é preciso que o leitor, permitam a expressão, sinta e respire uma certa poeira, uma certa dureza, características que Diso nunca interpreta nem transmite.

Texto de Mário João Marques

Capas Aurelio Galleppini – Edições Tex “Normal” nº 11 a 15

Por José Rivaldo Ribeiro *

Capa original Tex nº 41 – Março 1964Tex nº 11 – Rivais na Guerra do Ouro

Publicação desta capa no Brasil: (Três vezes)
Esta capa segue a ordem original italiana!

Capa original: Tex nº 41 – Março 1964
História: Tex nº41/42 – Oro/ Rinnegato! – Mar/Abr 1964

Tex nº 11 - Editora Vecchi – Janeiro 19721ª – Tex nº 11 – Editora Vecchi – Janeiro 1972

Esta capa é deveras espectacular!!
Mas, caramba!! Tex não é Águia da Noite, o amigo dos Índios Navajos? Então porque nesta ele aparece agredindo um índio? É óbvio que ser um pele-vermelha não é passaporte para ser amigo de Tex; inclusive  em algumas histórias ele agride e até mata índios, desde que seja para se defender. Caros amigos, mesmo no mundo “imaginário” de Tex, existem as “ovelhas desgarradas” e existem algumas tribos que não são amigas de Águia da Noite!!

Tex nº 7 (sétima série)Como podemos ver nas imagens relacionadas, esta capa é um pequena montagem da edição nº 7 (sétima série), que mostramos logo abaixo; notem (no início do artigo) que na reedição desta capa na série “Tex” Galep preferiu colocar um fundo de cor única e uma tarja com o título da história cobrindo os pés dos personagens que no “original” estão submersos num rio.
Em Tempo:
Esta história marca a primeira aparição de “Uomo della Morte – O Caveira”. Mas esta não é a primeira vez que Tex e seus Pards lutam contra a cobiça daqueles que querem se apossar do ouro da Reserva Navajo. Em Janeiro de 1986 Galep tira do sótão, a fantasia do Caveira e produz uma outra capa espectacular para TX#303 – Messaggero di morte. Mas, se Tex é o próprio Caveira como os dois aparecem na mesma capa? Ah!! Você quer saber? Mais detalhes na edição brasileira em TEX nº 209. Mas sabemos também que Tex também contracena com o próprio Caveira em TEX#11, mas como pode? Leiam a história; eu garanto que é surpreendente!!
A História “Rivais na Guerra do Ouro”, foi publicada em TXC#67/68 apenas com o título inicial “Ouro”, numa tradução literal e sem os números das tiras.

Tex nº 11 - Segunda Edição - Editora Vecchi - Março 19782ª- Tex nº 11 – Segunda Edição – Editora Vecchi – Março 1978

Apesar da modificação de cores das roupas dos personagens, a Vecchi dessa vez acertou a cor amarela de fundo amarelo. Tanto na primeira como na segunda edição a história mantém os números que dividem as tiras!
Em Tempo:
A primeira capa com todos os detalhes de fundo, como vemos na imagem acima, infelizmente é inédita no Brasil; ainda! Outra curiosidade “irrelevante”, mas que não posso deixar em branco, é o facto da lombada dessa revista ser amarela, lembrando que todos os números comentados até ao momento possuem lombadas de cor branca. Notem também a brutal diferença entre as capas da Segunda Edição e da série TXC da Globo, a fisionomia do índio é totalmente outra, a capa foi toda retocada e muito mal, diga-se de passagem.

Tex Coleção nº 50 – Editora Globo – Fevereiro 19913ª – Tex Coleção nº 50 – Editora Globo – Fevereiro 1991

Capa fora da ordem cronológica, utilizada como simples encaixe!
Esta versão da Globo está excelente, apenas a cor de fundo foi modificada!

Capa original Tex nº 44 – Junho 1964Tex nº 12 – A Ferro e Fogo / A Resposta é: Dinamita!

Publicação desta capa no Brasil: (Três vezes)
Esta capa segue a ordem original italiana!

Capa original: Tex nº 44 – Junho 1964
História: Tex nº 42/44

Tex nº 12 - Editora Vecchi – Fevereiro 19721ª – Tex nº 12 – Editora Vecchi – Fevereiro 1972

A cena clássica dos dois companheiros inseparáveis. É uma edição bem especial, a começar pela capa, algo muito simples e sem nenhuma cena de impacto; é a primeira vez que Tex e o seu “companheiro” aparecem na mesma capa de forma tão clara. Esta imagem dos dois Pards faz-me lembrar algumas duplas famosas do cinema, música, desenho animado e dezenas de duplas de histórias em quadradinhos; só para citar algumas: Batman e Robin, o Gordo e o Magro, Zagor e Chico, Faísca e Fumaça e tantos outros. É uma pena Tex Willer nunca ter existido de facto, mas G. L. Bonelli acertou em cheio em dar-lhe uma amigo à altura, alguém que quebrasse um pouco o gelo; Tex é muito sério e às vezes tem uma idade mental mais avançada que o próprio Kit Carson, que existiu de facto; o bom dessa dupla de “satanases” é que em meio a aventuras “sérias”, damos boas gargalhadas com as reclamações de Mr. Carson, das palavras “carinhosas” trocadas entre eles, como por exemplo “Velho Assanhado”, “Tição do Inferno” e tantas outras.
Em Tempo:
A edição ainda marca a estreia de duas histórias completas na mesma edição. Um facto curioso que eu quero registar é que essas histórias foram extraídas de TEX italianos distintos! Porém a escolha foi um tanto insensata “A Ferro e Fogo” e “A Resposta é Dinamita” são títulos adaptados para o português e saíram respectivamente dos Tex nº 42 e 44. Cavando mais profundamente, a história “A Ferro e Fogo” foi publicada em TEC#71/72 com o título “Um Assalto Audacioso” e “A Resposta é: Dinamita!” publicada em TXC#68/69 com o título “Pastagens Rubras”, lembrando ainda que os números que dividem as tiras foram publicados nas versões da Vecchi enquanto na versão Globo as duas histórias  estão “limpas”. Ok?

Tex nº 12 - Segunda Edição - Editora Vecchi – Abril 19782ª – Tex nº 12 – Segunda Edição – Editora Vecchi – Abril 1978

Capa com cores totalmente modificadas pela Vecchi e com péssimos retoques!
Em tempo:
Notem que na reedição, a tarja usada com o título das histórias foi absolutamente abolida; dessa forma a revista ficou até mais “limpa”! A Editora resolveu colocar apenas um título na capa, omitindo a segunda história.
Apenas uma curiosidade; a edição nº 11 com apenas 116 paginas custou Cr$9,00; já a edição nº 12 que tem 148 páginas (lembrando que no Brasil, as páginas são contadas a partir da capa), custou também Cr$9,00; vá-se entender!!!

Tex Coleção nº 46 – Editora Globo – Novembro 19903ª – Tex Coleção nº 46 – Editora Globo – Novembro 1990

Capa fora da ordem cronológica, utilizada como simples encaixe!
Nesta versão da Globo foram utilizadas novas cores; desta vez os parceiros trocaram de lado, ou seja, a imagem foi invertida.

Tex nº58 - Corsa alla Morte - Agosto 1965Tex nº 13 – Luta Implacável com os Falsificadores de Dólares

Publicação desta capa no Brasil: (Duas vezes)

Capa e história original Tex nº58 – Corsa alla Morte – Agosto 1965

1ª - Tex nº 13 - Editora Vecchi – Março 19721ª – Tex nº 13 – Editora Vecchi – Março 1972

Um dos maiores desafios de um desenhador/capista, na minha modesta opinião, é ter o talento de colocar uma ideia no papel e transformá-la numa bela imagem, que naturalmente chame mais a atenção do leitor que a própria história/título estampada na capa. Diferentemente de um jornal que usa a manchete para atrair o leitor à compra; “longe de mim fugir do contexto”, mas hoje em dia, não só no Brasil, os jornais usam fotografias de violência ou imagens pornográficas para atrair seus leitores; uma revista de banda desenhada precisa ter uma capa que conduza o leitor à aquisição da revista. Mas existem algumas excepções, claro. Assim como na história; ”Traição na Ilha do Ouro”, a história que abre esta edição mostra-nos também os métodos nada convencionais para os dias actuais, usados por Tex para arrancar confissões de testemunhas, patifes claro; quando se trata de alguém que não esteja corrompido ou um cidadão honesto, Tex usa outros meios como, sabedoria, inteligência investigativa etc, jamais a violência!
Mas eu; como “Advogado” do Ranger, afirmo que ele sempre agiu em legítima defesa e os sopapos que dá em alguns, antes de qualquer coisa, é para mostrar que o crime não compensa!
Em Tempo:
A Vecchi neste caso não traduziu literalmente o título de capa, criou apenas o seu próprio título, baseado no enredo e acertou na medida e por falar em título, trata-se do mais comprido, usado em toda a saga no Brasil. Esta capa não mostra nenhuma cena especial, mas ela tem algo que de tão simples a faz notória!
Sendo assim obviamente, a reedição desta história na série Tex Coleção – Globo, teria outro título, uma vez que a editora utilizou um novo fotolito, com detalhes redesenhados cobrindo os números das tiras; o título ficou; “Sangue em Laredo”.


Tex nº 13 - Segunda Edição - Editora Vecchi – Maio 19782ª – Tex nº 13 – Segunda Edição – Editora Vecchi – Maio 1978

Capa com cores totalmente modificadas pela Vecchi. Nem a primeira nem a segunda edição utilizaram as cores originais da camisa de Tex.
Em Tempo
: Esta capa nunca foi republicada pela Globo ou pela Mythos, por motivos óbvios. A rubrica dedicada às Cartas dos Leitores desta edição é super interessante para quem queira saber um pouco mais sobre história dos verdadeiros Rangers americanos.

Capa original Tex nº 72 – Outubro 1966Tex nº 14 – O Tesouro do Pirata

Publicação desta capa no Brasil: (Três vezes)

Capa original: Tex nº 72 – Outubro 1966
História: Tex nº 72/73 – Il tesoro del pirata/New Orleans – Out/Nov 1963

Tex nº 14 - Editora Vecchi – Abril 19721ª – Tex nº 14 – Editora Vecchi – Abril 1972

Capa e história idênticas ao original italiano.

Esta não tem acção, nem impacto, mas tem algo que nos remete àqueles antigos Filmes de Faroestes da Sessão da Tarde, aqui do Brasil!
A dupla Galep e Bonelli sempre colocaram títulos de impacto nas capas de “Tex” (original); nomes de cidades e Estados americanos já foram utilizados; dentre todas, a mais famosa é sem dúvida “Oklahoma”, (assunto para Tex#300), afinal nosso amigo Tex é um legitimo filho de Tio Sam!!
Em Tempo:
A história “O Tesouro do Pirata” que abre esta edição, mostra-nos a dupla, dessa vez num clássico barco a vapor, daqueles da época das Famosas Corridas entre os Milionários e Apostadores no rio Mississipi; e fugindo um pouco do bangue-bangue tradicional, Tex e Carson metem-se numa verdadeira trama e conspiração de bandidos que estão em busca de um tesouro escondido! Numa cena raríssima, nossos Rangers aparecem com roupas íntimas, apenas de calções; e como quase sempre, uma bela mulher que participa de qualquer trama, sempre arranca suspiro do camelo velho Kit Carson!! Vale a pena conferir!!!

Tex nº 14 - Segunda Edição - Editora Vecchi – Junho 19782ª – Tex nº 14 – Segunda Edição – Editora Vecchi – Junho 1978

Capa com cores e tons modificados pela Vecchi!
Em tempo:
Esta capa não foi republicada pela Globo nem pela  Mythos e certamente jamais será. Por que? Existem muitas, mas muitas capas de Galep ainda inéditas no Brasil. Se mesmo sendo editadas aos poucos, como assim vem sendo com o apoio e escolha de José Carlo Francisco, as capas demorariam anos para saírem todas.
A segunda edição, saiu exactamente como a primeira, até os cortes na história, são exactamente os mesmo. Afinal para a Vecchi, a propaganda é que gerava lucros e era mais importante do que a satisfação de seus leitores!!

Tex Coleção nº 91 – Editora Globo – Agosto 19943ª – Tex Coleção nº 91 – Editora Globo – Agosto 1994

Capa fora da ordem cronológica, utilizada como simples encaixe!
Nesta versão da Globo, foram utilizadas novas cores e  a imagem saiu invertida.

Tex nº 121 – Novembro 1970Tex nº 15 – Traição na Trilha do Ouro

Publicação desta capa no Brasil: (Cinco vezes)

Capa: Tex nº 121 – Novembro 1970
História: Tex nº 120/121 –Gli sciacalli/Dugan, il bandito – Nov/Dez 1970

Tex nº 15 - Editora Vecchi – Maio 19721ª – Tex nº 15 – Editora Vecchi – Maio 1972

Galleppini estava realmente inspirado quando desenhou esta capa, lembra bem aquelas cenas de filmes de bangue-bangue onde o mocinho fica à espreita de índios ou bandidos!!
Nesta espectacular história, Tex mostra-nos com mestria e valentia, que é preciso dar sempre valor ao que de facto tem valor; neste caso refiro ao “vil metal” e abominar sempre as “frutas podres” do pomar. Uma traição é inaceitável, seja de quem for, mas sendo de um “irmão pele vermelha”, para Tex  é imperdoável, principalmente se for por cobiça, algo que na realidade poderia ser chamado de “fraqueza”, “vício” ou sei lá o quê mais! O que de facto passa pela cabeça de alguém que trai seu próprio povo por causa de algo tão fútil? Neste caso foi “água de fogo” ou bebida alcoólica. Ah!! Bonelli e Nicolò exageraram, é apenas uma história de banda desenhada; índios valorizam o que não tem valor de facto!! Mas será mesmo? Baseado em que eles criam roteiros tão significantes? Estamos fartos de ver na vida real pessoas trair ou matarem seus entes por coisas tão banais quanto esta!! Ou estou enganado?
Em Tempo
: Outra coisa que impressiona nas histórias de Tex é a forma que ele usa para arrancar informações de testemunhas, sempre com violência física, mas que fique claro, o Ranger jamais usou a tortura física ou psicológica para obter informações; método esse que, mesmo camuflado ainda é bastante usado para obtenção de confissões! Sem mais comentários! A história que abre esta edição foi publicada em TXC#169/170 com o título original “Os Chacais”.

Tex nº 15 – Segunda Edição - Editora Vecchi – Julho 19782ª – Tex nº 15 – Segunda Edição – Editora Vecchi – Julho  1978

Capa com cores e tons modificados pela Vecchi; apesar disso nesta segunda versão vemos detalhes antes ocultados na  primeira edição!

Tex Coleção nº 70 – Editora Globo – Novembro 19923ª – Tex Coleção nº 70 –   Editora Globo – Novembro 1992

Capa fora da ordem cronológica, utilizada como simples encaixe!
Apesar disso, de certo modo contendo as cores correctas usadas no original italiano.

Tex Coleção nº 105 – Editora Globo – Outubro 19954ª – Tex Coleção nº 105 – Editora Globo – Outubro 1995

Capa fora da ordem cronológica, utilizada como simples encaixe!
Algumas capas da Globo parecem não ter sido extraídas de fotolitos, é o caso desta capa, que mais parece ser uma “cópia” do nº 70; os traços do desenho estão bem mais pesados.

Tex Coleção nº 169 – Mythos Editora – Fevereiro - 20015ª – Tex Coleção nº 169 – Mythos Editora – Fevereiro – 2001

Capa fora da ordem cronológica… ops!! Não, capa dentro da ordem correcta.
Não estou “honrosamente” escrevendo artigos sobre revista Tex, neste blogue, para encher a bola de nenhuma editora, porém verdade seja dita. Nunca na História da vida editorial de Tex, esta revista teve um tratamento tão inovador e especial como vem tendo desde que a Mythos “assumiu” o personagem em Janeiro de 1999.
Para alguém desinformado, esta seria mais um erro da Mythos, afinal a Globo já havia publicado esta mesma capa duas vezes, isso mesmo, duas vezes, confira acima, e totalmente sem nexo com as histórias. Lamento informar, mas a capa publicada em TEXC#169 está correctíssima!! Num balanço geral, (até agora) esta capa entra na lista da mais republicada no Brasil!!


* José Rivaldo Ribeiro é um grande coleccionador brasileiro de banda desenhada, tendo participado activamente de pesquisas para edições, blogues e sites referentes a BD de diversos géneros!
Considera-se um crítico de banda desenhada e é também leitor e coleccionador de Tex.