Fanzine “A Conquista do Oeste” – Maio/Novembro 2001 – Página 34 – Autores de Banda Desenhada: Charles Flanders

AUTORES DE BANDA DESENHADA

CHARLES FLANDERS

Charles FlandersNascido a 26 de Junho de 1907, em Mayville, Charles Flanders era filho de um pintor que o ajudou a seguir a carreira artística. Estuda em várias escolas e acaba por ensinar desenho. Em 1928 parte para Nova Iorque e dedica-se à publicidade. Vai então ilustrando algumas revistas. Mais tarde, já se encontra como colaborador da King Features Syndicate e desenhador “fantasma” das séries “Bringing Up Father” de Mc Manus e “Tim Tyler’s Luck” de Lyman Young, em 1934.

Em 1938 cria uma série dominical a cores sobre “Robin Hood“, que seria terminada pelo italiano A. M. Nardi e cujo sucesso nunca atingiria. Volta de novo a ser um desenhador “fantasma”, desta vez da personagem “The King of The Royal Mounted” de Allen Dean, ao ocupar-se das páginas dominicais.

Fanzine “A Conquista do Oeste” - Página 34A partir de Janeiro de 1936 passa a ser o desenhador oficial de “Secret Agent X-9“. Depois irá continuar em paralelo, como ajudante de vários artistas, Alex Raymond, Allen Dean e Dick Sprang, além de Briggs, em 1937. Em 1938 casa com Line Jane Walker. Depois volta a desenhar “The King of The Royal Mounted“, enquanto a qualidade da série “Secret Agent X-9” vai piorando, deixando-a a 11/4/38.

É então que, pela primeira vez, encontra uma série, à qual irá dedicar em pleno, o pouco do seu talento. Trata-se da série “The Lone Ranger“, que desenhará durante mais de 30 anos. Em 1971 a série termina e Charles Flanders vai viver para Palma de Maiorca, onde morrerá a 10/1/73.

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Entrevista exclusiva: PASQUALE DEL VECCHIO

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco, com a colaboração de Enzo Pedroni e Mário João Marques na formulação das perguntas e de Júlio Schneider (tradutor de Tex para o Brasil) e de Gianni Petino na tradução e revisão.

Pasquale Del VecchioCaro Pasquale Del Vecchio, para os que ainda não o conhecem, pode fazer uma pequena auto-apresentação?
Pasquale Del Vecchio: Eu nasci em Manfredonia, na Itália, há 43 anos. Mudei-me para Milão em 1985, para estudar, e não saí mais daqui, onde tive a oportunidade de começar a trabalhar no campo da Banda Desenhada.

Quando se apercebeu que sabia desenhar? E quando soube que o seu futuro era ser um desenhador profissional?
Pasquale Del Vecchio: Eu desenho desde tenra idade. Os meus pais e parentes elogiavam os meus dons de desenhador, mas eu sei que eles não eram muito objectivos nos seus julgamentos. Mas eu sempre tive uma paixão enorme pelo desenho. Comecei muito cedo a ler quadradinhos de aventuras: Zagor, Tex e Tarzan estavam entre os primeiros.

Águia da Noite por Pasquale Del VecchioDe um modo geral, quais são os seus desenhadores preferidos, mesmo fora da Bonelli.
Pasquale Del Vecchio: São muitos os desenhadores que me influenciaram e que adorei com o passar dos anos. Eu poderia fazer uma espécie de relato cronológico, a começar por Giovanni Ticci e Gino D’Antonio, que me transmitiram uma grande paixão pelo Oeste. Depois Joe Kubert, que eu apreciava por demais em Tarzan e cujas páginas espirravam energia e movimento. Ivo Milazzo e o seu Ken Parker, que mostrou um modo novo de contar a epopeia do faroeste. José Muñoz e o seu branco e preto expressionista. Dino Battaglia e Sergio Toppi. Moebius-Jean Giraud, Andrea Pazienza e Vittorio Giardino.

Quais são as suas influências?
Pasquale Del Vecchio: De algum modo todos os autores acima citados influenciaram-me. De cada um deles eu aprendi alguma coisa. Mas o que mais marcou meu modo de desenhar foi Giardino, de quem sempre admirei a limpeza e essencialidade do traço.

Tex Willer por Pasquale Del VecchioQue lugar tiveram os quadradinhos, sobretudo os Bonellis, na sua infância?
Pasquale Del Vecchio: A minha aproximação aos quadradinhos começou com Bonelli, num relacionamento que nunca se interrompeu: a primeira BD que li foi Zagor. Muitas vezes tentei fazer uma machadinha igual à dele, usando pedras polidas, mas para minha grande frustração eu nunca consegui! Depois de alguns anos eu apaixonei-me por Tex, graças a Ticci e às suas histórias ambientadas no Grande Norte. Depois foi a vez de Mister No, seguido por Ken Parker, até chegar a Dylan Dog.

Quando e onde começou a publicar os seus primeiros trabalhos?
Pasquale Del Vecchio: O meu primeiro trabalho foi publicado numa revista chamada “1984“. Era uma história curta de 4 páginas feita no Verão, logo depois das provas de admissão, à espera de ir a Milão para frequentar a universidade. Alguns anos depois fiz duas histórias para o “Giornalino“, sob a supervisão de um dos meus ídolos, Gino D’Antonio.

Como entrou para a equipa da Sergio Bonelli Editore? Qual foi o seu primeiro trabalho?
Pasquale Del Vecchio: Foi D’Antonio quem me indicou a Renato Queirolo para fazer Nick Raider, e as primeiras duas histórias que realizei tinham roteiros do próprio D’Antonio. Mas na verdade já há dois anos que eu trabalhava numa série que seria publicada pela SBE mas que era editada por uma equipe externa à Editora. Eu já havia desenhado duas histórias dessa série (Zona X) quando comecei a trabalhar com Nick Raider em 1992.

Arte de Pasquale Del Vecchio em TexAntes de chegar a Tex você desenhou Nick Raider e Napoleone. Houve alguma dificuldade em mudar de cenários completamente diferentes, às pradarias do Oeste, ou a passagem foi fácil?
Pasquale Del Vecchio: Depois de uma série de histórias metropolitanas, no início tive algumas dificuldades em administrar os grandes espaços abertos que emolduram as histórias de Tex. Mas creio que depois de certo tempo consegui um bom equilíbrio e maior domínio dos novos cenários de faroeste.

O que é que cada uma destas séries trouxe a Del Vecchio?
Pasquale Del Vecchio: Nick Raider foi uma grande escola: aprender a administrar as cenas de grupos, desenhar os ambientes metropolitanos, os automóveis, caracterizar os muitos personagens que apinham as histórias do detective nova-iorquino. Com Napoleone eu tive a oportunidade de medir armas com muitas ambientações diferentes e, principalmente nas várias cenas oníricas, eu pude usar algo diferente do ponto de vista estilístico: os reticulados e linhas claras.

Arte de Pasquale Del Vecchio em TexComo passou a trabalhar com Tex Willer? O que sentiu quando recebeu o convite para integrar a equipa de Tex?
Pasquale Del Vecchio: Passar a fazer parte da equipa de Tex deu-me um grande prazer e encheu-me de orgulho, por desenhar um personagem que eu amava desde a mais tenra idade!

Uma história de Tex feita por si já foi publicada (na Itália, Tex 561/562; no Brasil, Tex 464/465). Para desenhar a figura de Tex, como interpretou o roteiro de Claudio Nizzi? Quais foram os seus pontos de referência?
Pasquale Del Vecchio: Os roteiros de Nizzi são enxutos e deixam muita liberdade ao desenhador. Por isso, digo que o balanço é absolutamente positivo. O meu principal ponto de referência foi Giovanni Ticci, mas também Claudio Villa ajudou-me muito, na minha opinião ele é o desenhador que, depois de Galleppini, mais contribuiu para caracterizar o rosto de Tex.

Apesar de você ter desenhado várias aventuras de Nick Raider (uma série criada por Claudio Nizzi), imaginamos que o seu encontro com este autor aconteceu somente com Tex, na recente aventura “Soldi Sporchi” (Dinheiro Sujo). O que representou para si desenhar Tex, o melhor resultado editorial da SBE e um dos nomes inatingíveis da Banda Desenhada?
Pasquale Del Vecchio: Repito: para mim foi um motivo de orgulho e uma grande satisfação desenhar um personagem que faz parte da história da BD, um verdadeiro totem.

Pasquale Del VecchioComo se preparou para Tex e quais foram as suas principais dificuldades?
Pasquale Del Vecchio: Antes de começar a desenhar e mesmo durante o trabalho com as primeiras páginas de Tex eu assisti a uma grande quantidade de filmes de faroeste, dos clássicos de John Ford aos directores que, nos anos Setenta e Oitenta, rescreveram este género. Eu vi as pinturas de Frederic Remington e vários livros com fotos da época. A principal dificuldade, no início, foi administrar os cavalos e seus complexos movimentos.

O que é que significava Tex para si? Entretanto mudou algo na sua percepção do personagem?
Pasquale Del Vecchio: Durante o passar dos anos, e agora com os novos argumentistas, Tex tornou-se um pouco introspectivo, mas talvez o que tenha mudado foi o panorama editorial e, por consequência, o personagem. Hoje é necessário ser sempre politicamente correcto. Creio que antigamente o mundo dos quadradinhos era um território um pouco mais “anárquico” e possivelmente havia mais liberdade de expressão.

La rivolta dei Cheyennes - Página AO que mais lhe agrada em Tex? O que lhe agrada menos?
Pasquale Del Vecchio: De Tex eu sempre gostei do posicionamento “de peito aberto”, instintivo com as situações e com os homens que encontra. Sempre amei essa sua espontaneidade. Depois de uma olhada ele já sabe se tem pela frente uma boa pessoa ou um patife. O que gosto menos são as botas de cano curto com as calças enfiadas dentro delas!

Pelo que sabemos, você está a desenhar uma nova história de Tex. Pode antecipar-nos alguma coisa sobre o seu segundo trabalho com Tex, quem é o argumentista, como é a ambientação, etc.?
Pasquale Del Vecchio: A nova história, é tal como a anterior, de Claudio Nizzi e é ambientada no Great Basin, entre os índios cheyennes, que estão entre os meus preferidos.

La rivolta dei Cheyennes - Página BQuais ambições teve ou tem dentro da SBE, principalmente com relação a Tex?
Pasquale Del Vecchio: Isso não sei responder: espero fazer bem o meu trabalho e continuar a melhorar, conseguir contar aquela epopeia e aquele mundo da fronteira que sempre me fascinou muito.

Nas suas páginas prefere usar só a imaginação ou também usa materiais de suporte como fotografias ou outros itens?
Pasquale Del Vecchio: Eu sempre tive o costume de documentar-me, para apresentar melhor os ambientes e a caracterização dos personagens. Mas isso não exclui que, ao mesmo tempo, eu também use a criatividade.

Como é a sua forma de trabalhar? Você faz uma página completa (lápis e tinta) e depois passa para outra? E quais materiais usa?
La rivolta dei Cheyennes - Página CPasquale Del Vecchio: Geralmente eu faço uma página a lápis e logo de seguida passo a tinta. Se uma sequência é particularmente complexa, às vezes eu a desenho inteira a lápis, para ver se funciona, e depois passo a tinta. Para a arte-final, ultimamente tenho usado caneta de ponta porosa e pincel de pêlo de marta (n° 3-5).

Em média quantas páginas por mês consegue desenhar? A sua média é constante ou varia?
Pasquale Del Vecchio: Eu não tenho uma produção constante por mês, mas creio que posso dizer que sou bastante constante na produção feita no arco de um ano. Depende muito da complexidade das cenas a desenhar, algumas páginas exigem mais tempo que as outras. Mas eu consigo fazer cerca de um edição completa por ano.

Em 2007 nós tivemos em Portugal uma antecipação mundial de quinze novos desenhadores de Tex, como foi o seu caso. Como vê esta entrada de tantos novos elementos na equipa de Tex? Isso pode significar um novo curso na vida da série?
Pasquale Del Vecchio: Espero que sim e, principalmente, espero que seja um curso positivo!

Tex Willer por Pasquale Del VecchioSabia que Tex é publicado no Brasil e que é um personagem muito popular também em Portugal?
Pasquale Del Vecchio: Sim, porque visitei muitas vezes o vosso blogue.

Ultimamente também houve um acréscimo de argumentistas. Pensa que isso era inevitável? E, com tantos argumentistas, não acha que se pode correr o risco de ver Tex desnaturado?
Pasquale Del Vecchio: Esse risco até pode existir, mesmo com o sempre atento trabalho da redacção para tentar evitar que ocorra. Mas um personagem que vai aos quiosques há 60 anos tem uma necessidade fisiológica de novas forças criativas. É o positivo e o negativo de uma publicação em série: depois de um certo número de anos os argumentistas inevitavelmente devem se alternar, infelizmente as ideias não são inesgotáveis.

Entretanto, começou a trabalhar para o mercado francófono, onde desenha Russel Chase, com argumentos de Richard Nolane. O que significou trabalhar para o mercado francófono?
Pasquale Del Vecchio: Foi uma oportunidade que aproveitei e que, nos intervalos de tempo, busco levar adiante.

José Carlos Francisco e Pasquale Del VecchioPara um desenhador, quais são as principais diferenças entre o mercado italiano e o mercado francófono?
Pasquale Del Vecchio: O que mais chama a atenção na França é que a imprensa interessa-se muito mais pela BD do que na Itália, apesar da qualidade geral dos quadradinhos italianos não me parecer em nada inferior à dos nossos primos transalpinos e do facto de que os álbuns deles saem em livrarias e não em quiosques como os nossos.

Consegue conciliar bem o trabalho para os dois mercados, conhecendo as exigências editoriais?
Pasquale Del Vecchio: É um pouco difícil, porque fazer quadradinhos é um trabalho artesanal bastante demorado e trabalhoso. Mas até aqui creio que tenho me arranjado bastante bem.

De que lado vêm as maiores pressões para respeitar os prazos de entrega?
Pasquale Del Vecchio: De nenhum em particular. Até hoje consegui administrar o duplo compromisso suficientemente bem.

Como analisa a evolução da sua carreira?
Pasquale Del Vecchio: Bela pergunta, mas não sei responder. Eu sou parte interessada e tenho muito senso de pudor.

Tex Willer por Pasquale Del VecchioOnde continuaremos a ver Del Vecchio?
Pasquale Del Vecchio: Espero que ainda por muito tempo em Tex, onde trabalho com grande satisfação, e, de vez em quando, em alguns álbuns coloridos na França.

Quais BD’s lê actualmente, ou seja, com quais mais se identifica?
Pasquale Del Vecchio: Eu gosto dos novos autores que estão usando a mídia quadradinhos com resultados que têm dignidade artística ao mesmo nível da literatura: David B., Satrapi, Blutch, Peeters…

Além dos quadradinhos, que livros lê? E quais são as suas preferências no cinema e na música?
Pasquale Del Vecchio: Eu leio muito. Os meus autores preferidos são, entre vários outros: Dostoevskj, Simenon, Celine, Philip Roth. No cinema eu adoro Fellini e Kubrick. Sobre a música, ouço um pouco de tudo, mas entre os meus preferidos coloco Paolo Conte.

Caro Pasquale Del Vecchio, em nome do blogue português de Tex, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
Pasquale Del Vecchio: Obrigado a vocês pelo espaço que me concederam.

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Intervista esclusiva: PASQUALE DEL VECCHIO

Intervista condotta da José Carlos Francisco, con la collaborazione di Enzo Pedroni e Mário João Marques per la formulazione delle domande e di Júlio Schneider (traduttore di Tex per il Brasile) e di Gianni Petino per le traduzioni e le revisioni.

Pasquale Del VecchioCaro Pasquale del Vecchio, per quelli che ancora non ti conoscono vuoi farci una piccola autopresentazione di te stesso e del cammino percorso nella tua carriera?
Pasquale Del Vecchio: Sono nato a Manfredonia, in Puglia, 43 anni fa. Mi sono trasferito a Milano per gli studi nel 1985 e da allora sono rimasto in questa città, dove ho avuto l’opportunità di cominciare a lavorare nel campo dei fumetti.

Quando ti sei reso conto di saper disegnare? E quando hai saputo che il tuo futuro era quello di essere un disegnatore professionista?
Pasquale Del Vecchio: Ho sempre disegnato, fin dalla più tenera età. I miei genitori ed i parenti elogiavano le mie doti di disegnatore, ma mi rendo conto che probabilmente nei loro giudizi non erano molto obiettivi. Comunque ho sempre avuto una passione smodata per il disegno. Ho cominciato molto presto a leggere fumetti d’avventura: Zagor, Tex e Tarzan tra i primi.

Águia da Noite por Pasquale Del VecchioIn generale, quali sono i tuoi disegnatori preferiti, anche extra Bonelli ovviamente.
Pasquale Del Vecchio: Sono tanti i disegnatori che mi hanno influenzato e che ho amato nel corso degli anni. Potrei fare una specie di excursus cronologico cominciando da Giovanni Ticci e Gino D’Antonio, che mi hanno trasmesso una grande passione per il West. Poi Joe Kubert, che apprezzavo tantissimo in Tarzan e nelle cui tavole sprizzava energia e movimento. Ivo Milazzo ed il suo Ken Parker, nel quale ha portato un modo nuovo di raccontare l’epopea western. José Munoz e il suo bianco-nero espressionista. Dino Battaglia e Sergio Toppi. Moebius-Jean Giraud, Andrea Pazienza e Vittorio Giardino.

Quali influenze hai avuto?
Pasquale Del Vecchio: Tutti gli autori sopra citati mi hanno in qualche modo influenzato. Da ognuno di questi ho imparato qualcosa. Forse però quello che ha lasciato più tracce nel mio modo di disegnare è Giardino, del quale ho sempre ammirato la pulizia e l’essenzialità del segno.

Tex Willer por Pasquale Del VecchioChe posto ha avuto il fumetto – soprattutto il “Bonelli” nella tua infanzia?
Pasquale Del Vecchio: Con “Bonelli” è cominciato il mio approccio al fumetto, in un rapporto che non si è mai interrotto: il primo fumetto che ho letto in assoluto è stato “Zagor”. Ho anche cercato più volte di costruirmi una scure simile alla sua, usando dei grossi sassi levigati dal mare, ma con mia grande frustrazione non ci sono mai riuscito! Dopo qualche anno mi sono appassionato a Tex, grazie a Ticci e alle sue storie ambientate nel grande nord. Poi è la volta di Mister No seguito da Ken Parker, per giungere a Dylan Dog.

Quando e come hai cominciato a pubblicare i tuoi primi lavori?
Pasquale Del Vecchio: Il mio primo lavoro l’ho pubblicato su una rivista chiamata “1984”, era una breve storia di 4 pagine fatta nell’estate subito dopo gli esami di maturità, in attesa di venire a Milano per fare l’università. Poi dopo qualche anno ho fatto un paio di storie per il “Giornalino”, sotto la supervisione di uno dei miei idoli: Gino D’Antonio.

Come sei entrato a far parte dello staff della Sergio Bonelli Editore? Qual è stato il tuo primo lavoro?
Pasquale Del Vecchio: Fu proprio D’Antonio a segnalarmi a Renato Queirolo per “Nick Raider” e le prime due storie che ho realizzato erano sceneggiate dallo stesso D’Antonio. In realtà però già da due anni prima stavo lavorando ad una serie che doveva essere pubblicata da Sergio Bonelli Editore, ma che era curata da uno staff esterno alla casa editrice. Di questa serie (Zona X) avevo già disegnato due episodi quando cominciai a lavorare su Nick Raider nel 1992.

Arte de Pasquale Del Vecchio em TexPrima di approdare a Tex, hai disegnato Nick Raider e Napoleone; ti ha creato qualche difficoltà il passare, da scenari completamente diversi, alle praterie del West, oppure il passaggio è stato facile?
Pasquale Del Vecchio: All’inizio ho avuto qualche difficoltà a gestire i grandi spazi aperti che fanno da sfondo alle storie di Tex, dopo una serie di storie di ambiente prevalentemente metropolitano. Dopo un pò credo di aver trovato un miglior equilibrio e più padronanza con i nuovi scenari western.

Cos’ha portato ciascuna di queste serie a Del Vecchio?
Pasquale Del Vecchio: Nick Raider è stata un grande palestra: imparare a gestire le scene d’insieme, disegnare gli ambienti metropolitani, le macchine, caratterizzare i tanti personaggi che affollavano le storie del detective newyorkese. Con Napoleone ho avuto modo di confrontarmi con tante ambientazioni diverse e, soprattutto nelle numerose scene oniriche, ho avuto l’opportunità di sperimentare qualcosa di diverso dal punto di vista stilistico: uso di retini, linea chiara…

Arte de Pasquale Del Vecchio em TexCome sei passato a lavorare su Tex Willer? Cos’hai provato quando hai ricevuto l’invito a far parte dello staff di “Tex“?
Pasquale Del Vecchio: Entrare a far parte dello staff di Tex mi ha fatto grande piacere e mi ha riempito di orgoglio: disegnare un personaggio che adoravo fin dalla più tenera età!

Hai già pubblicato una tua storia per Tex (in Italia, Tex 561-562; in Brasile, Tex 464-465). Come ti sei trovato con la sceneggiatura di Claudio Nizzi, per tratteggiare la figura di Tex ? Quali sono stati i tuoi punti di riferimento?
Pasquale Del Vecchio: Le sceneggiature di Nizzi sono molto essenziali e lasciano molta libertà al disegnatore, per cui il bilancio è assolutamente positivo. Il mio punto di riferimento è stato soprattutto Giovanni Ticci, ma anche Claudio Villa mi ha aiutato molto, in quanto ritengo che è il disegnatore che dopo Galleppini ha contribuito più di tutti a caratterizzare il volto di Tex.

Nonostante tu abbia disegnato varie avventure di Nick Raider (una serie creata da Claudio Nizzi) pensiamo che il tuo incontro con questo autore sia avvenuto solo con Tex con la recente avventura “Soldi sporchi”. Cos’ha rappresentato per te disegnare Tex, il miglior risultato editoriale della SBE ed uno dei nomi inarrivabili del fumetto?
Pasquale Del Vecchio: Ripeto: per me è stato un motivo di orgoglio ed una grande soddisfazione disegnare un personaggio che fa parte della storia del fumetto, un vero e proprio totem.

Pasquale Del VecchioCome ti sei preparato per Tex e quali sono state le tue difficoltà maggiori?
Pasquale Del Vecchio: Prima e mentre disegnavo le prime pagine di Tex mi sono guardato una grande quantità di film western, dai classici di John Ford ai registi che negli anni Settanta e Ottanta hanno riletto questo genere. Ho guardato i dipinti di Frederic Remington e vari libri con foto d’epoca. La difficoltà principale all’inizio è stata gestire i cavalli e i loro complessi movimenti.

Cosa significava Tex per te? Nel frattempo è cambiato qualcosa nella tua percezione del personaggio?
Pasquale Del Vecchio: Tex negli anni, e con i nuovi sceneggiatori, è forse diventato un pò più introspettivo, ma forse è cambiato il panorama editoriale e con esso inevitabilmente di riflesso il personaggio. Oggi bisogna essere sempre politicamente corretti: un tempo forse il mondo del fumetto era un territorio un pò più “anarchico” e c’era forse più libertà d’espressione.

La rivolta dei Cheyennes - Página ACosa ti piace maggiormente in Tex? E cosa ti piace di meno?
Pasquale Del Vecchio: Di Tex mi è sempre piaciuto il suo atteggiamento “di pancia”, istintivo verso le situazioni e gli uomini che incontra: ho sempre amato questa sua spontaneità. Dopo un’occhiata lui sa già se chi ha di fronte è una brava persona o un farabutto. La cosa che mi piace meno sono gli stivaletti a mezzo polpaccio con i pantaloni infilati dentro!

A quanto ci risulta, stai disegnando una nuova storia di Tex: puoi anticiparci qualcosa sulla tua seconda storia di Tex, chi è lo sceneggiatore, quale è l’ambientazione ecc.?
Pasquale Del Vecchio: La nuova storia è sempre di Claudio Nizzi ed è ambientata nel Great Basin, tra gli indiani Cheyennes, che sono fra i miei preferiti.

La rivolta dei Cheyennes - Página BQuali ambizioni avevi o hai all’interno della SBE, soprattutto in relazione a Tex?
Pasquale Del Vecchio: Non saprei rispondere a questa domanda: spero di fare bene il mio lavoro e di continuare a migliorare, di riuscire a raccontare quell’epopea e quel mondo della frontiera che mi ha sempre tanto affascinato.

Nelle tue tavole preferisci lasciare spazio solo alla tua fantasia, oppure utilizzi anche altro materiale di supporto come fotografie o altro?
Pasquale Del Vecchio: Ho sempre avuto l’abitudine di documentarmi molto, per meglio rendere gli ambienti e caratterizzare i personaggi. Questo però non esclude al contempo la creatività.

Come procedi nella creazione? Fai una pagina completa e dopo passi all’altra? E quali materiali utilizzi?
La rivolta dei Cheyennes - Página CPasquale Del Vecchio: In genere faccio una tavola a matita e poi la ripasso a china. Se la sequenza è particolarmente complessa, a volte capita che la disegno prima tutta a matita, per vedere se funziona e poi la inchiostro. Per il ripasso a china ultimamente utilizzo pennarelli indelebili graduati e pennello di martora (n. 3-5).

Mediamente, quante tavole al mese riesci a disegnare ? Hai una media costante oppure questa varia?
Pasquale Del Vecchio: Non ho una produzione costante al mese, ma credo di poter dire di essere abbastanza costante nella produzione nell’arco di un anno. Spesso dipende dalla complessità delle scene che si disegnano: alcune tavole richiedono più tempo di altre. Comunque riesco a fare circa un albo all’anno.

Nel 2007 abbiamo avuto in Portogallo un’anticipazione mondiale di quindici nuovi disegnatori di Tex, com’è per esempio il tuo caso. Come vedi questa entrata di tanti nuovi elementi nello staff di Tex? Questo potrebbe essere un nuovo corso nella vita della serie?
Pasquale Del Vecchio: Speriamo di si, e soprattutto speriamo che sia un corso positivo!

Tex Willer por Pasquale Del VecchioSapevi che Tex è pubblicato in Brasile e che è un personaggio molto popolare anche in Portogallo?
Pasquale Del Vecchio: Si, perché più volte mi sono imbattuto nel vostro blog.

C’è stato un rinforzo anche a livello di sceneggiatori ultimamente. Pensi che fosse qualcosa d’inevitabile? E con tanti sceneggiatori non pensi si possa correre il rischio di vedere Tex snaturato?
Pasquale Del Vecchio: Il rischio potrebbe anche esserci, anche se c’è sempre un attento lavoro di redazione per cercare di evitare ciò. Comunque un personaggio che esce in edicola da 60 anni ha fisiologicamente bisogno di forze creative nuove. È il bello e il brutto della serialità: inevitabilmente dopo un certo numero di anni gli sceneggiatori devono alternarsi, le idee non sono inesauribili purtroppo.

Nel frattempo hai cominciato a lavorare per il mercato francofono, per il quale disegni Russel Chase, con soggetti di Richard Nolane. Cosa significa per te lavorare per questo mercato?
Pasquale Del Vecchio: È un’occasione che ho potuto cogliere e che, nei ritagli di tempo, cerco di portare avanti.

José Carlos Francisco e Pasquale Del VecchioQuali sono per un disegnatore le differenze principali tra il mercato italiano e quello francese?
Pasquale Del Vecchio: La prima cosa che colpisce è che in Francia i media sono molto più interessati al fumetto rispetto all’Italia, anche se la qualità complessiva dei fumetti italiani non mi sembra affatto inferiore a quella dei nostri cugini transalpini, nonostante i loro albi escono in libreria e non in edicola come i nostri.

Riesci a conciliare bene il lavoro per i due mercati, essendo a conoscenza delle chiamate editoriali?
Pasquale Del Vecchio: È un pò difficile, perchè fare fumetti è un lavoro artigianale abbastanza lungo ed impegnativo. Comunque per il momento mi sembra di cavarmela abbastanza bene.

Da quale parte ti vengono le pressioni maggiori per rispettare i tempi di consegna?
Pasquale Del Vecchio: Da nessuno in particolare: finora sono riuscito a gestire il doppio impegno abbastanza bene.

Come analizzi l’evoluzione della tua carriera?
Pasquale Del Vecchio: Bella domanda a cui non saprei rispondere: sono troppo parte in causa ed ho troppo senso del pudore.

Tex Willer por Pasquale Del VecchioDove continueremo a vedere Del Vecchio?
Pasquale Del Vecchio: Spero ancora a lungo su Tex, dove lavoro con grande soddisfazione, e ogni tanto su qualche albetto a colori in Francia.

Quali fumetti leggi attualmente ovvero con quali ti identifichi maggiormente?
Pasquale Del Vecchio: Mi piacciono nuovi autori che stanno usando il medium fumetto con risultati che hanno pari dignità artistica con la letteratura: David B., Satrapi, Blutch, Peeters…

Oltre ai fumetti, quale tipo di libri leggi? E quali sono le tue preferenze nel campo del cinema e della musica?
Pasquale Del Vecchio: Leggo molto. I miei autori preferiti sono, tra gli altri: Dostoevskj, Simenon, Celine, Philip Roth. Nel cinema adoro Fellini e Kubrick. Riguardo alla musica ascolto un pò di tutto, ma tra i preferiti metto Paolo Conte.

Caro Pasquale, a nome del blog portoghese di Tex ti ringraziamo moltissimo per l’intervista che ci hai così gentilmente concesso.
Pasquale Del Vecchio: Grazie a voi dello spazio concessomi.

(Cliccare sulle foto per vederle a grandezza naturale)

CONCURSO COMEMORATIVO DOS 60 ANOS DE TEX WILLER

Logótipo TexCONCURSO COMEMORATIVO DOS 60 ANOS DE TEX WILLER

Tex1 – No âmbito das comemorações do sexagésimo aniversário da personagem italiana de banda desenhada, Tex Willer, efeméride que o blogue português do Tex se associa, os responsáveis do blogue, propõe-se levar a efeito um concurso público com o apoio da Câmara Municipal de Moura (Portugal) e da Mythos Editora (Brasil) para todos os internautas que visitem o blogue.

2 – Este concurso é aberto a todos os interessados que desejem concorrer a nível individual e terá duas fases. Uma  já neste mês de Maio e a segunda, no mês de Setembro. Cada fase terá uma duração de 5 dias, iniciando-se esta primeira fase, às 09.30 horas (de Portugal) do dia 12 de Maio e terminando no dia 17 às 12.00 horas.

3 – Cada concorrente só pode participar uma única vez em cada fase, de modo a que nenhum concorrente possa arrecadar mais que um prémio por fase.

Tex em Moura por Fabio Civitelli4 – O concurso constará de 5 perguntas sobre o mundo da personagem Tex Willer e as respostas terão que ser dadas na forma de comentário, na própria página do blogue, onde se realizará o concurso. Também é obrigatória uma frase sobre o blogue do Tex. Frase essa que não conta para o concurso mas será obrigatória para ser aceite a participação.

5- Os prémios a atribuir nesta primeira fase do Concurso, 12 no total serão:
A) 4 exemplares do “Western” na BD Portuguesa. Edição publicada em formato de revista, pela Câmara Municipal de Moura, por ocasião do MouraBD2007 – Salão Internacional de Banda Desenhada.
É da autoria de Jorge Magalhães e faz também referências à personagem Tex Willer e a Fabio Civitelli, devido à presença de “ambos” no MouraBD2007.
B) 8 exemplares (do nº 1 ao nº 8 ) da série Os Grandes Clássicos de Tex, publicados pela Mythos Editora. Série destinada a recordar os momentos marcantes do percurso do Ranger, sempre com histórias completas.

Logótipo Mythos Editora6 – Os prémios, serão atribuídos em função do maior número de respostas correctas (não serão consideradas correctas as respostas que sejam consideradas incompletas, assim como não serão válidas as respostas escritas num segundo comentário pela mesma pessoa, mesmo que seja um complemento) e da rapidez em responder às questões colocadas. Ou seja, o primeiro concorrente a acertar todas as respostas, será o primeiro a escolher o prémio que desejar. O segundo a acertar todas as respostas, será o segundo a escolher e assim sucessivamente. Se o número de prémios for superior ao número de concorrentes que acertaram todas as respostas, aquele que for o primeiro a responder e só tenha errado uma questão, será o primeiro a escolher um dos prémios em disputa e assim sucessivamente.

7 – Quem não acertar em nenhuma questão, não ganhará nenhum prémio, mesmo que os prémios não tenham sido todos atribuídos.

8 – Os resultados públicos do concurso serão dados a conhecer logo após o findar do concurso.

9 – Os vencedores terão que enviar (para o e-mail josebenfica@hotmail.com) no prazo de 4 dias, após a afixação da lista de premiados, os seus dados (nome e endereço) assim como escolher o respectivo prémio para que os prémios possam ser enviados.

10 – Os prémios poderão demorar até 30 dias a serem enviados.

11 – Ao participar no concurso, os concorrentes aceitam todas as cláusulas do presente regulamento.

PERGUNTAS:

– Diga o nome de CINCO desenhadores da “Nova Vaga de Tex” que tiveram pranchas suas expostas no XVI Salão Internacional de Moura, realizado em 2007.

– Diga o nome do PRINCIPAL inimigo de Tex, na única edição do Ranger editada em Portugal.

– Diga o nome de QUATRO argumentistas de Tex Willer que tenham escrito (até ao presente) MENOS de 5 histórias de Tex.

– Diga CINCO países onde Tex foi publicado OFICIALMENTE, excluindo Portugal e Brasil.

– Diga o nome de CINCO personagens da saga de Tex, que tenham participado em pelo menos TRÊS histórias do Ranger.

– Para finalizar, escreva uma frase sobre o blogue do Tex.

PRÉMIOS:
O “Western” na BD Portuguesa

O “Western” na BD PortuguesaO “Western” na BD Portuguesa é mais um artigo profusamente ilustrado e com a qualidade garantida pelo nome do autor, Jorge Magalhães, publicado em formato de revista pela Câmara Municipal de Moura, por ocasião do Moura BD – Salão Internacional de Banda Desenhada.

Na verdade trata-se de uma reedição, já que em 2000 (no ano em que o tema do Moura BD foi precisamente “O Western”), foi lançado um fanzine com o mesmo nome, embora com diferenças muito significativas em relação à publicação que agora os responsáveis do Salão lançaram. Começando pelo texto (que foi revisto e actualizado); passando pela quantidade de ilustrações do artigo (que, na versão inicial, se limitavam a 10 exemplos) e terminando na qualidade da impressão (em 2000 tratavam-se de fotocópias a preto e branco, com muito má qualidade, que agora foram substituídas pela impressão em off-set, a cores e em papel couché!), as diferenças são abissais…

Jorge Magalhães faz um percurso detalhado pelos principais “westerns” criados por autores nacionais e publicados em revistas como “O Mosquito”, “Cavaleiro Andante” ou “Mundo de Aventuras”, entre tantas outras. Um estudo rigoroso, que vem na linha de outros dois também já lançados em anteriores edições do Moura BD (“Carros e Motos na BD”, em 2001, e “Banda Desenhada e Ficção Científica – As madrugadas do Futuro”, em 2005), que pode ser adquirido ao preço de 12,5 € para quem desejar através do e-mail mourabd@iol.pt (acrescentando-se, neste caso, os portes de correio).

O “Western” na BD Portuguesa, através do seu autor, Jorge Magalhães traz também referências à personagem Tex Willer e a Civitelli, pelo que consideramos este livro, um item interessante também na BiblioTEX de qualquer Texiano e por isso recomendamos a sua aquisição!

Os Grandes Clássicos do TEX

Os Grandes Clássicos do TEXQuem é a mãe de Kit Willer? Como Tex conheceu Kit Carson? Quando ele se tornou chefe dos navajos? Como conheceu Jack Tigre?
Estas e muitas outras perguntas sobre o início da carreira de aventuras de Tex Willer, não são apenas respondidas pela Mythos Editora, mas MOSTRADAS nas histórias mais marcantes da saga do maior herói do Oeste de todos os tempos, nesta recente colecção.

Os Grandes Clássicos do Tex, traz sempre uma história completa, com nova tradução, letreiramento moderno e o já famoso Padrão Mythos de Qualidade. A edição é bimestral e o primeiro número trouxe a aventura O Casamento de Tex. Os texmaníacos mais antigos certamente terão a curiosidade de reler essas histórias e os muitos novos leitores vão poder ver pela primeira vez todos os momentos cruciais da vida de Tex. Além disso, cada nova publicação, sempre que possível, traz também muitas matérias alusivas a essas histórias clássicas.