Stanley Lynde nasceu a 23 de Setembro de 1931. Desde muito novo começa a desenhar. Passa então, horas e horas a esboçar cenas da vida rural.
Estuda jornalismo e em 1951 vamos encontrá-lo na Marinha. Aqui cria para o jornal da base, uma série chamada “Ty Foon”. Em 1955 está desmobilizado e na vida civil, a trabalhar para um jornal como desenhador e jornalista. No ano seguinte parte para Nova Iorque.
Ali inscreve-se num curso de Arte e acaba por desenhar uma série de “cow-boys”, em 1957, que oferece a vários Sindicatos, sem sucesso. Chamava-se “Rick O’Shay”. Um ano depois vamos encontrar a sua personagem a ser publicada nos jornais, até 1977, altura em que o autor deixa de a criar. Em 1977 e 1978 desenha “John Darling”, sem êxito. Um ano depois é a vez de “Latigo”, que será publicado durante quatro anos.
Em 1984 e 1986 alguns croquis seus, sobre o Oeste, serão reunidos em alguns volumes, devido à qualidade das paisagens e das cenas retratadas.
Em 1990 funda com a sua esposa Lynda, uma sociedade para republicar os seus trabalhos antigos sobre “Rick O’Shay”, dos quais possuía os seus direitos. Esta tinha sido uma das suas razões, porque deixaria de trabalhar para o Sindicato e também de desenhar a sua série, depois de não ter chegado a acordo com aquele, para continuar “Rick O’Shay”.
Em Setembro será publicada a primeira obra. Infelizmente, a 22 de Dezembro de 1990, um grande incêndio arrasa o seu Estúdio e todos os originais da sua personagem desaparecem na voragem das chamas. Em 1992 desenha uma nova aventura de “Rick O’Shay”. Depois dedicará o seu tempo a escrever romances…
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Texto do jornal Diário “As Beiras” de 5 de Agosto de 2006 João Miguel Lameiras
MYTHOS TRAZ O MELHOR DA BONELLI NO FORMATO ORIGINAL ITALIANO
Já por várias vezes objecto de referência nesta coluna, por via da importação das edições da editora brasileira Mythos, os “fumetti” (nome dado à Banda Desenhada em Itália) da Editora Bonelli estão mais uma vez aqui em destaque graças à nova revista “Tex e os Aventureiros”, cujo nº 3 já se encontra nas bancas.
A fórmula desta revista, que recupera o formato original das edições italianas da Bonelli, bastante mais próximo do formato dos comics americanos do que do formato de bolso usado pela maioria das publicações da Mythos, é simples, e consiste numa história longa de uma personagem, completada por uma série de histórias curtas, cada uma protagonizada por um diferente herói Bonelli. Uma selecção que dá uma boa perspectiva das diferentes séries da editora Bonelli, num formato que valoriza os bons desenhadores, cuja riqueza de traço se torna mais visível para os leitores, neste formato maior e que corresponde precisamente àquele para o qual as histórias foram inicialmente desenhadas.
Neste nº 3 da revista “Tex e os Aventureiros”, temos direito a uma aventura do ranger Tex em cor directa, pintada por Fabio Civitelli, que também imaginou a história, interessante, mesmo sem primar pela originalidade, que Claudio Nizzi transformou em argumento de BD. Mais do que pelas inúmeras referências cinéfilas, que o bem conseguido texto de enquadramento ajuda a identificar, esta experiência de Civitelli em desenhar directamente a aguarela, vale pelo seu carácter de raridade, tendo sido a primeira aventura do ranger da Bonelli realizada em cor directa.
Outro dos motivos de interesse desta colectânea é a história “A Espada e a Rocha” de Alfredo Castelli e Giancarlo Alessandrini, em que Martin Mystère vai a Lucca durante o decorrer do Festival de BD daquela bela cidade italiana (o mais prestigiado de Itália) e acaba por ser salvo pelo… incrível Hulk. Uma história simples e divertida, cheia de piscadelas de olho aos leitores de BD e que nos permite matar saudades de Martin Mystère, agora que a VASP (a distribuidora das revistas da Mythos em Portugal) decidiu unilateralmente, sem o menor respeito pelos leitores da série, parar de distribuir as aventuras do “detective do impossível”…
Além disso, temos direito a algumas histórias, bem desenhadas mas sem grande “sumo” de Dylan Dog e Nick Raider e uma história passada na Índia, protagonizada por Ramath, um secundário da série “Zagor” que, pelo pouco que conheço da série-mãe, me pareceu mais interessante do que as aventuras do próprio Zagor…
A “piece de resistance”, ou seja a história de fundo, é “Um Mundo Perdido” uma bem interessante aventura de Mister No em busca das ruínas da Atlântida na selva amazónica. Se não há nada a apontar ao clássico, mas muito bem estruturado, argumento de Nolitta, já o desenho de Roberto Diso ganhava mais em ser publicado no formato habitual das revistas da Mythos, pois a redução sempre ajudaria a disfarçar as muitas debilidades do traço deste desenhador, pouco menos que banal, bastante abaixo do nível médio gráfico desta bem produzida revista.
Só é pena que muitos dos leitores que travarem contacto com algumas das personagens em destaque nesta revista, como Nick Raider, Martin Mystère e Mister No, e que queiram conhecer melhor estes carismáticos heróis da Editora Bonelli, vão ter grandes dificuldades em o conseguir, pois trata-se de personagens cujas séries foram canceladas no Brasil. Por isso, para quem como eu, achava que o mais interessante dos “fumetti” da editora Bonelli não passava necessariamente pelas páginas das revistas do Tex ou de Zagor, estes tempos de crise, que se reflecte de forma tão clara nas bancas, não são propriamente animadores…
(“Selecção Bonelli Comics: Tex e os Aventureiros” nº 3, Vários Autores, Mythos Editora, 252 pags, 6 €)
Do nosso correspondente italiano, Carlo Monni (que vemos na foto ao lado, com José Carlos Francisco e nas fotos abaixo com Sergio Bonelli e Fabio Civitelli), recebemos um texto contendo algumas antecipações editoriais para os anos de 2009 e também 2010, texto que nos apressamos a dar conhecimento a todos os frequentadores do blogue do Tex!
Começo por informar os Texianos de língua portuguesa, que os atrasos de alguns desenhadores, mas também alguns outros factores, levaram a que houvesse algumas alterações ao que estava inicialmente previsto para ser publicado pela SBE em 2009, no que ao nosso Ranger diz respeito.
Sem ousar propor ainda programações precisas, posso, porém, afirmar que os primeiros seis meses do próximo ano trarão na série regular de Águia da Noite (não necessariamente nesta ordem): “Lo sceriffo indiano”, de Faraci & Irmãos Cestaro (inicialmente previsto para 2008), “Missouri” de Boselli & Mastantuono e “Vendetta per Montales” de Boselli & Piccinelli (todos os títulos são de produção e podem, portanto ser alterados no momento da sua publicação).
A segunda metade do ano deve trazer: “La guerra dell’acqua” de Manfredi & Civitelli, uma história de Faraci & Bruzzo de que não me recordo no momento o título de produção e a terceira história com a presença de Tigre Negro, da autoria da dupla Nizzi & Venturi.
O Almanacco de 2009 deverá trazer uma história de Boselli & Torricelli ou aquela de Nizzi & Sommer + Leomacs (pseudónimo di Massimiliano Leonardo, desenhador do staff de Mágico Vento e que está terminando a história deixada incompleta por Manfred Sommer, devido ao seu falecimento) ou ainda, embora mais remotamente, uma história de Nizzi & Fusco.
O Texone (Tex Gigante) do próximo ano deverá ser, salvo alguma surpresa, aquele de Nolitta/Boselli & Suarez (que praticamente está concluído), mas não é de excluir um outro, de Manfredi & Gomez (até por este ser um desenhador velocíssimo).
Quanto ao Maxi, para 2008 restará confirmar aquilo que vi em Lucca, isto é, a história de Nizzi & Cossu com o título “Lo squadrone fantasma” e se assim for, o Maxi de 2009 se jogará entre Faraci & Diso (inicialmente previsto para este ano), Segura & Ortiz ou ainda Faraci & Repetto.
Passando agora para o ano seguinte, quais as possíveis histórias para 2010? Por agora a única certeza é aquela que será publicada em Outubro, a história do número 600 de Boselli & Ticci, baseado num argumento de Nolitta & Boselli. Por motivos, dígamos assim, de palimpsesto, estou praticamente certo que até ao número 599 sairá também a história de 3 álbuns em que Alfonso Font está actualmente a trabalhar e sobre cujo argumento vigora a mais absoluta discrição por parte do autor da história, o Mauro Boselli.
Para o resto, entramos no reino das puras hipóteses, visto que não é ainda claro quantas e quais das histórias actualmente em produção estarão prontas em tempo útil. Pessoalmente aposto em “Il ranger del Texas” de Ruju & Garcia Seijas (título provisório, que por óbvios motivos não será absolutamente aquele definitivo) e na história de Nizzi & Del Vecchio, que deverá estar bem adiantada, conforme se constatou na recente entrevista concedida por Del Vecchio ao blogue do Tex
O Almanacco 2010 será, em ordem de probabilidades, de Boselli & Danubio, Nizzi & Sommer/Leomacs ou de Nizzi & Fusco. Já para o Texone de 2010 as chances dividem-se entre Boselli & Frisenda ou Manfredi & Gomez. Por sua vez, o Maxi 2010 será disputado pelos “derrotados” de 2009.
Adiantando ainda um pouco mais, posso informar que estão actualmente em produção e poderão estar terminadas para publicação ainda em 2010:
– “Intrigo militare” de Nizzi & Rossi. Rossano Rossi (que em breve será entrevistado pelo blogue do Tex) está actualmente um pouco adiante da página 40 e ao ritmo actual serão ainda necessários perto de dois anos para concluir a história.
– A história do “Retorno de Laredo” de Boselli e um novo desenhador “misterioso” (de quem ainda não posso dizer nada).
Adiantando um pouco mais: – Leomacs, desenhador de Mágico Vento (como referi anteriormente) e Volto Nascosto, terminado o empenho com a história deixada incompleta por Sommer, deverá continuar a desenhar o Tex, numa história de Boselli originalmente destinada a De Vescovi.
– Mastantuono está já a desenhar uma nova história de Boselli que deverá ser de 2 álbuns e ter uma típica ambientação western.
– Não devemos esquecer a história de Boselli & Villa, parada há bastante tempo, devido aos inúmeros empenhos de Claudio Villa, sobretudo com as muitas capas que tem estado a desenhar.
– Civitelli sofreu um abrandamento na sua produção nos últimos tempos, devido a vários empenhos com convites para Mostras e Exposições, um pouco por toda a Europa (tendo sido o Salão de Moura em Portugal o ponto de partida) e “somente” chegou agora ao fim do primeiro álbum da história escrita para ele por Manfredi (cujas primeiras páginas puderam ser apreciadas em Moura por quem contactou com o autor).
Vozes muito respeitáveis e influentes confidenciaram-me que Mauro Boselli está já a preparar-se para que quando Fabio Civitelli concluir a história em produção, entregar-lhe também ele uma história. As mesmas vozes disseram-me, porém, que Manfredi não tem intenções de “prescindir” do desenhador aretino e que também Tito Faraci está com ideias, ou seja, no presente, todos desejam trabalhar com Civitelli.
– Um recente argumento de Tito Faraci, agora já um encorpado roteiro, parece que já foi destinado a um desenhador, mas não estou ainda em posição de dizer quem seja.
– Parece de qualquer forma que Tito Faraci tenha visto aprovado um novo argumento e que já está a trabalhar no roteiro. Também aqui não é ainda possível para mim, saber se foi destinado a um desenhador já pertencente ao staff do Ranger que esteja livre ou se foi destinado a um novo reforço do staff, embora os indícios que possuo apontem para Fusco.
– Confirmo por fim, que Filippucci está a trabalhar numa nova história de Nizzi, história ambientada no Canadá e concluo dizendo que no presente nada sei de concreto sobre o espanhol José Ortiz.
E por agora é tudo!!!
Texto de Carlo Monni (traduzido e adaptado por José Carlos Francisco)
Fotos de José Carlos Francisco e Marco Andrea Corbetta
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