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TEX de Joe Kubert no Diário de Notícias: 6 de Setembro de 2004
Texto da secção Livros de 6 de Setembro de 2004
Banda Desenhada » Tex Willer
João Miguel Tavares
TEX GIGANTE 9 – O CAVALEIRO SOLITÁRIO
O Cavaleiro Solitário
Claudio Nizzi e Joe Kubert
Mythos Editora
244 págs, € 7,50
É já uma tradição da casa editorial Bonelli: convidar um desenhador prestigiado e exterior ao universo de Tex para assinar uma aventura de prestígio em grande formato.
Em O Cavaleiro Solitário, a escolha recaiu sobre o americano Joe Kubert, veterano de 77 anos, ilustrador, escritor, editor, professor, autor de comics desde a década de 40.
Apesar da idade, Kubert não perdeu a mão, assinando com classe uma história onde Tex Willer dispensa a companhia dos amigos.
Copyright: © 2004 Diário de Notícias; João Miguel Tavares
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“Collezione Storica a Colori” de Tex, continua a todo o vapor!

De acordo com o que está reportado na revista transalpina Prima Comunicazione no seu número 386, datada de Julho-Agosto de 2008 e distribuída por estes dias em Itália, a colaboração entre a Sergio Bonelli Editore e o Grupo L’Espresso para as iniciativas colaterais que prevêem o lançamento conjunto dos volumes de Tex – Collezione Storica a Colori, a quotidianos (“ La Repubblica ”) e periódicos (“L’Espresso”) do grupo romano, reforçou no decurso de 2007 a liderança da editora milanesa no segmento da sua competência, com uma venda total de 25 milhões de cópias do seu parque editorial, com um sinal positivo sobre a tendência dos lucros em + 12% e um acréscimo de 6 milhões de cópias vendidas (+ 37,3%) respeitante ao período precedente.
Parece assim evidente que a famigerada união editorial funciona ainda hoje muito bem, tanto que esta mesma colecção dedicada ao Ranger – que atingiu esta semana o 77º volume, cuja capa mostramos aqui ao lado – continuará a todo o vapor e sem fim à vista, tendo em conta o sucesso da iniciativa que inicialmente só previa 50 números, passando numa segunda fase para 84 volumes e que prova uma vez mais o grande afecto e a fidelidade demonstrada pelos leitores Texianos a esta iniciativa que republica cronologicamente (pela primeira vez inteiramente em “technicolor”) as aventuras de Tex, abrilhantada em cada número por uma capa inédita criada propositadamente para a ocasião por Claudio Villa, acompanhada por artigos e comentários assinados pelo crítico Luca Raffaelli e pelo próprio editor Sergio Bonelli.
Collezione storica a colori, nº 51 – Difesa disperata
Tex nº 51 – DIFESA DISPERATA

Tex Série Normal: Ao Sul do Rio Grande
Argumento de Mauro Boselli, desenhos de Guglielmo Letteri e capas de Claudio Villa.
Com o título original A sud del Rio Grande, a história foi publicada em Itália nos nº 506 e 507 e no Brasil, pela Mythos Editora nos nº 415 e 416.
Recentemente incorporado no corpo dos Rangers, depois de uma vida de fora-da-lei, Juan Raza não é bem visto por muitos. Pelos seus antigos companheiros do roubo e do assassinato, que vêm em Raza um traidor, mas também pelos seus novos colegas que teimam em não o aceitar, em virtude do seu passado.
Por isso, quando a caravana que transporta o ouro dos Rangers é assaltada, sendo que esta era escoltada por Juan Raza que desaparece no acto, facilmente as culpas incidem sobre ele. No entanto, Tex e Carson, principais responsáveis pela inserção de Raza no caminho da lei, não aceitam deliberadamente que este possa ter voltado aos tempos do crime e vão investigar o sucedido.
Existe uma linha mestre que sustenta toda a aventura, uma linha muito ténue e que no fundo espelha a separação frágil entre estar ou não com a lei. Numa primeira parte Boselli insiste muito neste aspecto, caracterizando Raza como um homem com um passado manchado, mas que surge convertido pelos caminhos que a vida muitas vezes impõe.
Tendo sido no passado um temido fora-da-lei, hoje ele é um Ranger que insiste em ser respeitado, mas que não se furta a trilhar o seu caminho isoladamente, renegando directivas em nome de uma liberdade de que não abdica.
Apesar de ter saltado para o outro lado, Raza continua fiel aos seus princípios, com uma personalidade deveras vincada e um senso de justiça muito próprio. Um homem que extrai do conceito de liberdade um sentido muito amplo, levando-o a colidir muitas vezes com poderes instituídos, o que, a bem dizer, aproxima-o da acção e da conduta texiana.
Posteriormente, Boselli parte para uma segunda parte da aventura, onde mistura ingredientes e indícios próprios de uma investigação criminal. E é aqui que Tex e Carson acabam por intervir mais, tornando esta fase eventualmente mais interessante e menos monótona, mais pelo acumular de situações em crescendo, do que propriamente pela originalidade dramática.
Infelizmente, se Boselli assina aqui um dos seus mais fracos argumentos, o desenho de Letteri, entretanto já desaparecido, não consegue erguer a aventura, revelando-se mesmo ser o seu lado mais débil. Sejamos justos e gratos ao trabalho prestado pelo autor à série ao longo de décadas, caracterizado por uma composição própria do Ranger, de personagens míticas e de páginas inolvidáveis.
Mas hoje teremos que ser sobretudo honestos, porque nesta fase o autor sublinhava uma enorme decadência e onde faltava tudo: planos, enquadramentos, dinâmica, ergonomia, anatomias, precisão e fluidez.
Texto de Mário João Marques
