Os festejos do sexagésimo aniversário do RangerTex Willer, continuam a decorrer em Portugal, assinalados por diversas iniciativas de caráter oficial e com o patrocínio da Sergio Bonelli Editore, como sejam por exemplo a exposição “60 anos de Tex” que decorre na cidade da Amadora até ao próximo dia 9, integrada na 19ª edição do Festival Internacional da Banda Desenhada da Amadora; o BDJornal # 24 com um extenso dossier dedicado aos 60 anos da mítica personagem da BD italiana, inclusive com a publicação da história “Uma tarde quente” e agora em mais uma iniciativa de Jorge Machado-Dias e da Pedranocharco Publicações, a editora que publica o BDJornal, temos já disponível a partir de hoje no Stand Pedranocharco-Asa Negra Comics no FIBDA 2008, na Amadora, o PRIMEIRO PIN OFICIAL DE TEX, produzido em Portugal… oficial porque é autorizado pela Sergio Bonelli Editore, que inclusive ficará com alguns pins para o seu arquivo, tendo em conta que é um produto oficial, com direitos de copyrigth inclusive.
O pin está associado aos 60 anos de Tex e ao 19º FIBDA e nele consta o logotipo tradicional de Tex e um desenho de Tex a cavalo da autoria de um dos mais consagrados desenhadores do mundo, o americano Joe Kubert!!!!
Como a tiragem é limitada e o preço é extremamente acessível, é muito provável que se esgotem no decurso do Festival, devido à enorme afluência de Texianos (inclusive vindos de vários países da Europa) esperada nos dias 7, 8 e 9 de Novembro, dias em que estarão presentes os desenhadores Fabio Civitelli e Marco Bianchini, e que certamente não deixarão de adquirir este produto autorizado de Tex, pelo que é muito provável que os pins portugueses comemorativos dos 60 anos de Tex se esgotem muito rapidamente e por isso já se podem considerar de certo modo, raríssimos.
Finalizamos esta informação, dizendo que o pin já se encontra disponível a partir de hoje no Stand Pedranocharco instalado no FIBDA 2008 na Amadora e custa a módica quantia de 1,00 €, por isso caro Texiano, ao visitar o Festival, não deixe de adquirir já esta bela e especial peça Texiana para a sua colecção!
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Entrevista conduzida por José Carlos Francisco, com a colaboração de Carlo Monni e Enzo Pedroni na formulação das perguntas e de Júlio Schneider (tradutor de Tex para o Brasil) e de Gianni Petino na tradução e revisão.
Caro Marco, poderia fazer uma pequena autoapresentação? Marco Bianchini: Eu nasci em Arezzo, na Itália, em 1958, onde ainda moro e trabalho. De profissão sou desenhador de quadradinhos e, na Escola Internacional de Comics de Florença, professor de histórias aos quadradinhos.
Que lugar tiveram os quadradinhos, principalmente os Bonellis, na sua infância? Marco Bianchini: Não muito grande, visto que comecei a ler o Comandante Mark somente por volta dos treze anos de idade. Mas a partir daquele momento eu apeguei-me tanto que comecei a acompanhar também as demais séries. A minha infância foi caracterizada pela leitura do “Corriere dei Piccoli” (”Jornal dos Miúdos”).
Como você chegou a trabalhar como desenhador de quadradinhos? Vocação ou acaso? Marco Bianchini: Fico feliz que tenha sido usada a palavra “acaso” porque foi justamente assim. Eu ainda me lembro da revista que me abriu os olhos para o mundo das histórias desenhadas. Era um Demolidor publicado pela editora Corno, a história era “Doutor Jekyll e Mr. Hyde”, desenhada por Gene Colan. Foi um verdadeiro relâmpago! Comecei a pensar no quanto seria espectacular e entusiasmante desenhar histórias próprias mas também histórias escritas por outros. A partir daquele momento a minha ambição era tornar-me um desenhador de quadradinhos, desenhador de super-heróis!
Você teve uma formação artística? De que tipo? Marco Bianchini: Infelizmente não, e digo infelizmente porque eu teria abreviado o tempo de aprendizado. Eu aprendi tudo a estudar os quadradinhos que eu lia, e por isso tive uma formação baseada sobretudo em desenhadores americanos. Depois veio o fortunoso encontro com Fabio Civitelli, meu concidadão, e com Giovanni Romanini, que fez com que eu me tornasse suficientemente capaz de desenhar quadradinhos em nível profissional. Eles foram muito generosos para comigo e fizeram-me conhecer muitas coisas do então pouco conhecido mundo dos quadradinhos.
Quando e como você teve seus primeiros trabalhos publicados? Marco Bianchini: Foi no final dos anos Setenta. Eu estudava numa das melhores escolas italianas, em Bolonha, para me tornar gráfico publicitário. Eu conheci Romanini graças a uma curiosa e fortuita concomitância de conhecidos. Uma colega da minha sala era amiga da esposa dele. Depois de ver meus desenhos, ele disse que eu poderia dar-lhe uma ajuda, fazer os traços a lápis em revistas eróticas publicadas por Renzo Barbieri. E comecei assim, a fazer os lápis para BD como Ulula, Attualità Nera, Wallestain, coisas assim, por dois anos. Era divertido.
Quais foram os desenhadores italianos e não-italianos em quem você inspirou-se durante a sua carreira? Há algum que, mais que os outros, você considera seu mestre ideal? Marco Bianchini: Como eu disse antes, a minha formação aconteceu com as revistas desenhadas por Raymond, Buscema, Neal Adams, Frank Robbins e muitos outros. Eu era sedento por aprender e, desse modo, tentava extrair alguma coisa de todos aqueles cujo estilo eu apreciava e, sob este ponto de vista, os anos Setenta eram um paraíso. Eu poderia fazer uma longa lista de talentos da BD, não só americanos. Civitelli e Romanini foram os desenhadores com quem partilhei o meu crescimento profissional. Eles foram fundamentais para mim. Cada um a seu modo, ambos transmitiram a sua paixão e a sua técnica sem hesitações. Hoje, além de uma estima recíproca, também partilhamos uma amizade fraternal de muitos anos.
Pode nos falar de sua chegada à Bonelli? E qual foi o seu primeiro trabalho? Marco Bianchini: Em Arezzo nós éramos três que desejavam ser desenhadores de quadradinhos: além de mim e de Fabio também havia Luca Dell’Uomo. As pessoas nos chamavam de três mosqueteiros porque íamos sempre juntos às mostras e muitas vezes também até os editores. Acontecia também de passar pela Bonelli, que na época chamava-se CEPIM, quando Civitelli ia a Milão entregar as páginas de Mister No. O objectivo era fazer-se conhecer pelo editor com quem nós queríamos trabalhar. Naquela época, início dos anos Oitenta, eu ainda colaborava com Barbieri, e além de fazer os lápis para Giovanni, eu fazia a arte-final das revistas desenhadas por mim, eram os primeiros trabalhos completos e a minha colaboração com Romanini havia se tornado mais esporádica. Eu havia pego a minha estrada sozinho. Sergio Bonelli acompanhava o meu trabalho, a minha evolução estilística, e apreciava o que eu fazia. Assim, quando Sclavi projectou “Kerry, o Trapper”, que saía nas páginas finais das revistas do Comandante Mark, pensaram em mim como criador e desenhador dos episódios da série. Foi uma grande felicidade e, com entusiasmo renovado, eu preparei-me para enfrentar a mais difícil encomenda que havia recebido até aquele momento. Quando o Comandante Mark deixou de ser publicado, eu passei a desenhar Mister No, que fiz por exactos 20 anos, de 1985 a 2005.
A BD da SBE sempre foi o seu objectivo ou você preferia fazer a chamada “BD de autor” como Pratt, Battaglia, Toppi, Manara? Marco Bianchini: Inicialmente sim. Nos anos Setenta, conseguir chegar a colaborar com a então DAIM PRESS e hoje SERGIO BONELLI, era um objectivo muito alto e difícil. Só grandes desenhadores faziam parte da editora e eles tinham grande experiência e talento. Foi para isso que comecei a trabalhar, para um dia fazer parte daquele restrito número dos grandes desenhadores italianos de quadradinhos. Nos anos seguintes à minha entrada na Bonelli, também comecei a apreciar a BD de autor, ou melhor, aquela BD que é um produto totalmente seu, texto e desenhos, desde que você tenha algo a dizer e que estimule o interesse dos leitores. Foi com tal espírito que, há dez anos, nasceu Termite Bianca (Térmita Branca), cartonado de ficção científica publicado pela editora Pavesio na Itália e na França.
Por muitos anos você colaborou com Santucci, ele no lápis e você na arte-final; como nasceu essa parceria? Marco Bianchini: Não é a primeira vez que colaboro com outros desenhadores; antes de Marco houve Fabio Valdambrini, Rossano Rossi e Giuseppe Dibernardo. Eu gosto de retribuir o que Civitelli e Romanini fizeram por mim, coloquei à disposição deles toda a minha experiência e a possibilidade de aprender um ofício no próprio trabalho. Além disso, a colaboração sempre é criativa, eu também recebi muito deles. Trabalhar com outros permite-me a chance de também fazer outras coisas, como ensinar e dirigir a Escola Internacional de Comics de Florença, hoje ponto de referência para quem deseja aprender este ofício.
E como funciona a sua colaboração com Santucci? Marco Bianchini: Assim como os outros, Marco pediu-me que lhe ensinasse o ofício. Depois de praticar por dois anos, quando ele atingiu o padrão para poder desenhar em nível profissional, eu propus a ele colaborar com os traços a lápis de Mister No. Com o passar dos anos as suas capacidades se destacaram, como mostra de que ele realmente tem os dons certos para incentivar a nossa colaboração. Por muitos anos eu senti-me tranquilo ao confiar a Marco a tarefa de fazer os traços a lápis.
Foi sempre fácil fazer a divisão do trabalho e manter a sintonia artística entre dois desenhadores que trabalham na mesma página? Marco Bianchini: Marco sabia o que eu queria e com que qualidade; ao satisfazer as minhas expectativas, ele fez com que não houvesse problemas. Mas quem não aproveitaria ao máximo uma chance dessas? Ele foi muito bom e muito inteligente.
A parceria entre vocês foi desfeita e você trabalhará sozinho nas páginas de Tex. Como você se sente com essa novidade? Marco Bianchini: Eu reencontrei o entusiasmo de desenhar; espero conseguir manter uma produção suficiente para que logo se possa ver nos quiosques um Tex todo meu..
Depois de muitos anos como desenhador de Mister No você chegou a Tex. É um retorno ao faroeste depois da experiência de “Kerry, o Trapper” de vários anos atrás. O que você pensa do género faroeste e de Tex em particular? Marco Bianchini: Penso que Tex me dará muitas satisfações profissionais. Há 30 anos, quando comecei esta profissão, Tex era uma meta INATINGÍVEL. Hoje, desenhá-lo é uma satisfação enorme, que leva a empenhar-me para deixar uma bela recordação do meu trabalho. Mesmo com uma grande paixão pela ficção científica, com o passar dos anos eu aprendi a apreciar o género faroeste como ocasião para contar histórias de homens e de aventuras.
Para você o que significa desenhar uma lenda dos quadradinhos como Tex, que completou 60 anos de vida editorial? Marco Bianchini: Significa envolver-se com um mito…
Caso você se encontrasse com Tex Willer em carne e osso num universo paralelo, o que diria a ele? Marco Bianchini: Eu lhe pediria para me dar uma mão para resolver umas duas coisas pendentes… lembremo-nos de que ele pode distribuir sopapos! (ler com ironia)
O que você mais gosta em Tex? E o que gosta menos? Marco Bianchini: Ele transmite tranquilidade e confiança. Ele tem as certezas e a perseverança que todos gostaríamos de ter. Sob muitos aspectos ele está fora da actualidade do mundo de hoje, mas justamente por isso ele é interessante. Nas histórias de Tex o que falta é a presença feminina, que abriria um novo filão de histórias. Mas talvez seja melhor assim… as mulheres sempre trazem problemas. Estou a brincar, claro.
Como você definiria, com um só adjectivo, os quatro pards? Marco Bianchini: Imbatíveis!!
Pode nos dizer alguma coisa da nova história em que está a trabalhar? Marco Bianchini: É uma história em duas edições, ambientada nas florestas do oeste do Colorado. Uma espécie de caçada humana envolve Tex, Carson, a cavalaria e os índios utes. O autor do roteiro é Tito Faraci, com quem logo entrei em sintonia sobre o desenvolvimento da história. Mais não posso dizer.
Para Tex você tem modelos de referência entre os desenhadores já presentes? Prefere o trabalho de alguns deles mais que os outros? Marco Bianchini: O campo de opções com Tex é muito vasto. Muitos são meus bons amigos, além de excelentes desenhadores. Tentarei dar a minha contribuição mas não deixarei de olhar o que e como trabalham os meus amigos e colegas.
Como é o seu relacionamento com os roteiristas? As instruções que lhe passam são detalhadas ou a cena é deixada à sua criatividade? Eles lhe entregam material informativo? Marco Bianchini: Eu trabalhei com quase todos os roteiristas da Bonelli, sempre tivemos um óptimo relacionamento, respeito muito o trabalho deles e procuro ilustrar do melhor modo possível as suas “elucubrações” mentais. Em geral eu prefiro colaborar com roteiristas que deixam uma boa margem criativa, no que Sclavi era muito generoso. Hoje, quando é mais fácil a comunicação com os roteiristas, também é mais fácil trabalhar juntos, de modo que todos fiquem satisfeitos com o resultado final. Acontece, mas é raro, de os roteiristas fornecerem documentação. É bastante útil para evitar longos tempos diante do computador em busca do que se precisa.
Sem considerar os modelos, como você vê Tex? Quais são as suas características que o desenhador deve saber evidenciar? Marco Bianchini: Na minha opinião, o mais difícil de representar em Tex é a sua presença cénica. Devem ser adoptadas poses que mostrem a sua força e a sua dureza. Quando ele entra em cena, a força e a decisão que Tex emana devem ser percebidas de imediato, não se escapa de suas garras.
Se lhe fosse possível expressar preferências entre as várias tipologias de histórias texianas, você gostaria de desenhar aquelas mais típicas de faroeste com espaços amplos, índios, etc., ou faroeste urbano ou, ainda, histórias de magia e mistério? Marco Bianchini: Eu gosto muito de histórias com ambientação naturalista. Magia e mistério também me intrigam. Gosto menos de histórias urbanas: às dificuldades de desenhar as figuras juntam-se as dificuldades de desenhar ambientes em perspectiva, e não podemos nos esquecer da documentação.
Quais ambições você tinha ou tem na SBE, sobretudo com relação a Tex? Marco Bianchini: Eu respondi de forma indirecta nas perguntas anteriores. Tex é o máximo que a BD popular pode oferecer, sob todos os pontos de vista.
Em 2007 tivemos em Portugal uma antecipação mundial de quinze novos desenhadores de Tex, como é o seu caso, por exemplo. Como você vê essa entrada de tantos novos elementos na equipa texiana? Isso poderia significar um novo rumo na vida da série? Marco Bianchini: Eu creio que se trata de uma natural e estimulante sucessão de novos desenhadores, e desses restarão somente aqueles que, de qualquer modo, conseguirão apreciar as aventuras de Tex.
Ultimamente também tem havido um reforço de roteiristas. Você acha que era algo inevitável? E com tantos roteiristas não se pode correr o risco de ver Tex desnaturado? Marco Bianchini: Depende de como se aborda o mito… se há profissionalismo e respeito, só podem chegar novidades positivas.
Como você vê o futuro do Ranger? Marco Bianchini: Do ponto de vista das vendas, eu espero que ele volte às entusiasmantes cifras de alguns anos passados.
Há alguma outra série bonelliana para a qual você nunca trabalhou e que gostaria de desenhar? Em caso positivo, qual e porque? Marco Bianchini: Na época em que comecei a desenhar Mister No, eu também gostava muito de Dylan Dog e Nathan Never. Como eu disse antes, sempre tive paixão por ficção científica e mistério. Agora estou contente assim, não creio que se possa ambicionar mais dentro da BD popular italiana.
E em relação a algum personagem não-bonelliano? Marco Bianchini: Há alguns anos eu indicaria um super-herói, mas hoje eu preferiria desenhar algo que seja fruto da minha fantasia. Mas a bem pensar, eu gostaria muito de desenhar novas aventuras de Corto Maltese, obviamente com um toque pessoal, sem fotocopiar o estilo único e inimitável de Pratt. Um Corto Maltese muito realístico, rico de contrastes.
E os seus projectos para o futuro, pode nos antecipar alguma coisa? Marco Bianchini: Actualmente a única evasão que me permito a Tex é Termite Bianca. É um projecto para o qual tenho muitas ambições. Já saíram três volumes e estou a trabalhar no segundo ciclo. Eu aconselho a leitura, há desenhos a aquarela muito bonitos. Estão disponíveis também em francês, basta encomendar no sítio internet do editor Pavesio.
Quanto tempo emprega para desenhar uma página? Você tem horários? Como é um dia normal, entre trabalho, leituras, manter-se informado, ócio, vida familiar? Marco Bianchini: Quando eu fazia lápis e também arte-final, eu primeiro desenhava cerca de vinte páginas e depois passava para a arte-final (a passagem de tinta nos desenhos a lápis). Essa era mais ou menos a minha produção mensal. Eu procuro interromper o trabalho o menos possível. Recordo que, além de desenhar, eu cuido da direcção artística da Escola Internacional de Comics de Florença, situação que também me dá muita satisfação profissional. Como se pode perceber, a minha vida profissional se entrelaça de forma feliz com a minha vida sentimental, com as leituras e meus passatempos, porque eles também fazem parte!
Você, Fabio Civitelli, Rossano Rossi, Fabio Valdambrini, Marco Santucci. Todos óptimos desenhadores de Arezzo, uma cidade que deu muito aos quadradinhos, sobretudo o bonelliano. Existe uma escola aretina de Banda Desenhada? Marco Bianchini: Absolutamente sim! A esses nomes eu acrescentaria Patrizio Evangelisti que, apesar de não ser aretino, profissionalmente ele nasceu na nossa terra, logo, é adoptado. Ele seria o “estrangeiro”, como nas equipas de futebol.
Como é o relacionamento entre os desenhadores aretinos? E com os “de fora”? Marco Bianchini: Nos anos passados era bastante frequente que nos encontrássemos e fôssemos juntos às mostras. Falo de uns 20 anos atrás. Depois os compromissos pessoais e familiares aos poucos tornaram as saídas conjuntas mais esporádicas, mas não perdemos as chances que aparecem para nos encontrarmos e partilhar alegrias e tristezas. Às vezes também nos vemos para falar de trabalho e para trocar conselhos. Quanto aos outros desenhadores, acontece de nos encontramos nas mostras; infelizmente estamos espalhados por toda a Itália e, desse modo, temos que nos contentar com as poucas ocasiões que aparecem. Mas quando nos encontramos sempre é uma alegria, e lamentamos por morar tão distantes uns dos outros.
Quais quadradinhos você lê actualmente e com quais você mais se identifica? Marco Bianchini: Leio algumas séries bonellianas e observo o mercado dos cartonados franceses, onde são publicadas coisas muito interessantes. Nada de super-heróis, eu os acho tediosos, repetitivos e previsíveis. Sabem como é, os anos passam…
Além de BD, que livros você lê? E quais são as suas preferências no cinema e na música? Marco Bianchini: Leio livros de carácter histórico. Sou aficcionado pela Roma antiga e pelo período colonial italiano. Mas em anos anteriores devorei bastante ficção científica. Agora dou preferência a leituras que contem histórias humanas reais, ligadas à história. Actualmente o comportamento humano é o meu primeiro interesse, se bem que recentemente li com grande satisfação a saga de George Martin, “As Crónicas de Gelo e Fogo“, uma saga de fantasia em estilo medieval, belíssima. O cinema é outra paixão, vou sempre que posso. Adoro assistir a um belo filme. Quanto à música, eu a vivo passivamente, fico sintonizado em uma estação de rádio e ouço tudo o que vem, só ouço para ter companhia, não tenho preferências particulares.
O que convenceu Marco Bianchini, autor de reconhecimento internacional, a aceitar um convite do Festival de Amadora, em Portugal? Marco Bianchini: Outros desenhadores falaram da calorosa acolhida que tiveram, da paixão e curiosidade que encontraram a respeito de Tex. É uma ocasião excelente para encontrar os fãs portugueses de Tex. Além disso, estou curioso para conhecer Portugal que, estou certo, é um belíssimo país.
Quais as suas expectativas em relação a Amadora? Marco Bianchini: Não tenho expectativas, mas apenas uma enorme curiosidade. Logo nos veremos!
Caro Marco Bianchini, em nome do blogue português de Tex, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu. Marco Bianchini: O prazer foi todo meu. Um forte aperto de mãos.
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Intervista condotta da José Carlos Francisco, con la collaborazione di Carlo Monni e Enzo Pedroni per la formulazione delle domande e di Júlio Schneider (traduttore di Tex per il Brasile) e di Gianni Petino per le traduzioni e le revisioni.
Caro Marco, per quelli che ancora non ti conoscono, vuoi farci una breve presentazione di te stesso e del cammino percorso nella tua carriera? Marco Bianchini: Sono nato ad Arezzo nel 1958, dove ancora vivo e lavoro. Di professione faccio il disegnatore di fumetti e, presso la Scuola Internazionale di Comics di Firenze, l’insegnante di fumetto.
Che posto ha avuto il fumetto – soprattutto quello Bonelli – nella tua infanzia? Marco Bianchini: Non molto, poiché ho cominciato a leggere il Comandante Mark intorno ai tredici anni. Ma da quel momento mi sono cosi appassionato che ho cominciato a seguire anche le altre collane. La mia infanzia è stata caratterizzata dalla lettura del “Corriere dei Piccoli”.
Come sei arrivato a fare il disegnatore di fumetti? Vocazione o caso? Marco Bianchini: Sono contento che hai usato la parola “caso” perché è successo proprio cosi. Mi ricordo ancora l’albo che mi ha aperto gli occhi sul mondo delle storie disegnate. Era un Devil pubblicato dalla Corno, l’avventura intitolata “Dottor Jekyll e Mr. Hyde” disegnata da Gene Colan. Fu un vero e proprio Flash!!! Cominciai a riflettere su quanto fosse spettacolare e entusiasmante disegnare delle storie proprie ma anche scritte da altri. Da quel momento la mia ambizione era diventare un disegnatore di fumetti, di Super Eroi!
Hai avuto una formazione artistica? Di che tipo? Marco Bianchini: Purtroppo no, dico purtroppo perché avrei accorciato i tempi di apprendimento. Ho imparato tutto cercando di studiare sui fumetti che riuscivo a procurarmi, quindi una formazione basata sui disegnatori soprattutto americani. Poi il fortunoso incontro con Fabio Civitelli, mio concittadino, e Giovanni Romanini ha fatto si che diventassi sufficientemente capace di disegnare fumetti a livello professionale. Sono stati con me molto generosi e mi hanno fatto conoscere molte cose dell’allora poco conosciuto mondo dei fumetti.
Quando e come hai cominciato a pubblicare i tuoi primi lavori? Marco Bianchini: Risaliamo alla fine anni Settanta. Studiavo a Bologna per diventare Grafico pubblicitario in una delle più accreditate scuole italiane. Ebbi modo di conoscere Romanini grazie ad una curiosa quanto fortuita concomitanza di conoscenze. Una mia compagna di classe era amica di sua moglie. Dopo aver visto i miei disegni ritenne fossi già in grado di dargli una mano, come matitista, sugli albi erotici, pubblicati da Renzo Barbieri. Cosi ho cominciato… facendo le matite per albi come Ulula, Attualità Nera, Wallestain… e cosi via, per due anni. Era divertente.
Quali sono i disegnatori italiani e stranieri a cui ti sei ispirato nel corso della tua carriera? Ce n’è qualcuno più di altri che consideri idealmente il tuo maestro? Marco Bianchini: Come dicevo prima, la mia formazione si è fatta piegato sopra gli albi a fumetti disegnati da Raymond, Buscema, Neal Adams, Frank Robbins e molti altri. Ero bramoso di imparare, cosi cercavo di apprendere da tutti coloro che apprezzavo stilisticamente, e gli anni Settanta erano un paradiso da questo punto di vista. Potrei fare un elenco lunghissimo di talenti fumettistici, non solo americani. Civitelli e Romanini sono stati i disegnatori con cui ho condiviso la mia crescita professionale. Sono stati per me fondamentali. Mi hanno, ognuno a modo suo, trasmesso la loro passione e la loro tecnica senza remore. Adesso oltre alla stima reciproca condividiamo anche una pluriennale fraterna amicizia.
Puoi raccontarci il tuo arrivo alla Bonelli? E qual è stato il tuo primo lavoro? Marco Bianchini: Ad Arezzo eravamo in tre a voler fare i disegnatori di fumetti, oltre me e Fabio c’era anche Luca Dell’Uomo. Ci chiamavano i tre moschettieri perché andavamo sempre insieme alle fiere e spesso anche dagli editori. Capitava quindi anche di passare dalla Bonelli, allora CEPIM, quando Civitelli andava a Milano a consegnare le tavole di Mister No. Lo scopo era di farsi conoscere dall’editore con cui avremmo voluto al più presto collaborare. In quel periodo, primi anni Ottanta, collaboravo ancora con Barbieri, ed oltre a fare le matite per Giovanni inchiostravo anche degli albi da me disegnati, erano i primi lavori completi e la mia collaborazione con Romanini era diventata più sporadica. Avevo intrapreso la mia strada in solitudine. Sergio Bonelli seguiva il mio lavoro, la mia evoluzione stilistica, apprezzando ciò che facevo. Cosi quando Sclavi progettò “Kerry il trapper”, che usciva in appendice al Comandante Mark, pensarono a me come creatore e disegnatore degli episodi della serie. Fu una grande felicità e con rinnovato entusiasmo mi accinsi ad affrontare la più difficile commissione che mi avessero affidato fino a quel momento. Quando il Comandante Mark chiuse passai a disegnare Mister No, che ho realizzato per 20 anni esatti, dal 1985 al 2005.
Il fumetto della SBE è sempre stato il tuo obiettivo oppure avresti preferito fare il cosiddetto “fumetto d’autore” come Pratt, Battaglia, Toppi, Manara? Marco Bianchini: Inizialmente si. Negli anni Settanta poter arrivare a collaborare con l’allora DAIM PRESS, oggi SERGIO BONELLI, era un obbiettivo altissimo e difficilissimo. Solo grandi disegnatori facevano parte della casa editrice ed avevano grande esperienza e talento. Ho cominciato a lavorare per questo, per entrare un giorno in quel ristretto numero dei grandi disegnatori italiani di fumetti. Negli anni successivi al mio ingresso in Bonelli ho anche cominciato ad apprezzare il fumetto d’autore, o meglio quel fumetto che sia un prodotto totalmente tuo, testi e disegni, sempre che tu abbia qualcosa da dire e che stimoli l’interesse dei lettori. È con questo spirito che 10 anni fa è nata TERMITE BIANCA, cartonato di fantascienza pubblicato da Pavesio in Italia ed in Francia.
Sappiamo che per tanti anni hai collaborato con Santucci, lui faceva le matite e tu le chine: come è nato questo sodalizio? Marco Bianchini: Non è la prima volta che collaboro con altri disegnatori; prima di Marco ci sono stati Fabio Valdambrini, Rossano Rossi e Giuseppe Dibernardo. Mi piace restituire ciò che Civitelli e Romanini hanno dato a me, ho messo a loro disposizione tutta la mia esperienza e la possibilità di imparare un mestiere lavorando. Inoltre è sempre creativa la collaborazione, anch’io a mia volta ho avuto molto da loro. Lavorare con altri mi da la possibilità di fare anche altre cose, come insegnare e dirigere la Scuola Internazionale di Comics di Firenze. Oramai il punto di riferimento per chi vuole apprendere questo mestiere.
E come funziona la tua collaborazione con Santucci? Marco Bianchini: Marco, come gli altri, mi ha chiesto di insegnargli questo mestiere; dopo averlo fatto esercitare per un paio d’anni, raggiunto lo standard per poter disegnare a livello professionale, gli proposi di collaborare alla stesura delle matite di Mister No. Negli anni le sue capacità sono venute fuori dimostrando di avere realmente le doti giuste per incentivare la nostra collaborazione. Cosi per vari anni mi sono sentito tranquillo nell’affidare a Marco il compito di fare le matite.
È sempre stato facile la suddivisione del lavoro e la sintonia artistica, fra due disegnatori che lavorano sulla stessa tavola? Marco Bianchini: Marco sapeva cosa volevo e la qualità che gli era richiesta; soddisfacendo le mie aspettative ha fatto si che non ci fossero problemi, del resto chi non sfrutterebbe al meglio un’occasione del genere? È stato bravo e furbo.
Da quello che sappiamo, il vostro sodalizio oggi si è sciolto e lavorerai da solo alle tavole per Tex. Quali sono le tue sensazioni per questa novità? Marco Bianchini: Ho ritrovato l’entusiasmo di disegnare, spero solo di riuscire a tenere una produzione tale da poter vedere in edicola presto un Tex tutto mio.
Dopo molti anni come disegnatore di Mister No sei approdato a Tex. Per te si tratta di un ritorno al western dopo l’esperienza di “Kerry il trapper” di diversi anni fa. Qual è il tuo pensiero sul genere western e su Tex in particolare? Marco Bianchini: Penso che Tex mi darà molte soddisfazioni professionali. Quando 30 anni fa cominciai questo lavoro Tex era una meta INARRIVABILE. Adesso quella di disegnarlo è una soddisfazione enorme, che mi spinge ad impegnarmi per lasciare un bel ricordo del mio lavoro. Pur avendo una grande passione per la fantascienza, negli anni ho imparato ad apprezzare il genere western come occasione per raccontare storie di uomini e di avventure.
Cosa significa per te stare disegnando una leggenda dei fumetti come Tex, che sta per compiere ben 60 anni di vita editoriale? Marco Bianchini: Significa aver a che fare con un mito…
Se per un evento straordinario, in un universo parallelo, dovessi incontrare Tex Willer in carne e ossa, cosa gli chiederesti? Marco Bianchini: Gli chiederei di darmi una mano a sistemare un paio di cose in sospeso… ricordiamoci che lui può menar le mani!!! (leggere con ironia)
Cosa ti piace maggiormente in Tex? E cosa ti piace di meno? Marco Bianchini: È molto rassicurante ed affidabile. Ha le certezze e la perseveranza che tutti vorremmo avere. È per molti versi fuori dall’attualità del mondo di oggi, ma proprio per questo interessante. Nelle storie di Tex quello che mi manca è la presenza femminile, che aprirebbe tutto un nuovo filone di storie. Ma forse è meglio cosi… le donne portano sempre guai… scherzo, ovviamente.
Come definiresti con un solo aggettivo i quattro pards? Marco Bianchini: Imbattibili!!
Potresti anticiparci qualcosa della storia alla quale stai lavorando? Marco Bianchini: Sarà una storia di due albi. Ambientata nelle foreste dell’ovest del Colorado. Una sorte di caccia all’uomo che coinvolgerà Tex, Carson, la Cavalleria e gli indiani Ute. L’autore dei testi è Tito Faraci, con cui mi sono trovato subito in linea sullo svolgimento della storia. Di più non posso dire.
Per Tex hai dei modelli di riferimento, fra i disegnatori già presenti, oppure delle preferenze specifiche, verso alcuni di loro? In caso positivo, quali? Marco Bianchini: Su Tex c’è solo l’imbarazzo della scelta, alcuni di loro sono miei carissimi amici nonché eccellenti disegnatori. Cercherò di dare il mio contributo ma non disdegnerò di guardare cosa e come lavorano i miei amici colleghi.
Quali sono i tuoi rapporti con gli sceneggiatori? Le istruzioni che ti passano sono particolareggiate o la vignetta è lasciata alla tua creatività? Ti consegnano del materiale informativo? Marco Bianchini: Ho lavorato con quasi tutti gli sceneggiatori della Bonelli, ho avuto sempre un ottimo rapporto con loro, poiché rispetto molto il loro lavoro e cerco di illustrare al meglio le loro “elucubrazioni” mentali. In genere preferisco collaborare con sceneggiatori che ti lasciano un buon margine creativo, in questo Sclavi era molto generoso. Oggi potendo comunicare con gli sceneggiatori è più facile lavorare insieme in modo che tutti siano soddisfatti del risultato finale. Capita, ahimè raramente, che gli sceneggiatori ti diano documentazione. Sarebbe utilissimo onde evitare estenuanti sedute di fronte al computer in cerca di ciò che ti serve.
Al di là dei modelli, comunque, tu come vedi Tex? Quali sono le sue caratteristiche che il disegnatore dovrebbe saper evidenziare? Marco Bianchini: Secondo me, la cosa più difficile da rappresentare di Tex, è la sua presenza scenica. Vanno scelte pose ed atteggiamenti che mostrino la sua forza e la sua durezza. Quando entra in scena subito si deve avvertire la forza e la decisione che Tex emana, non si scappa dalla sua morsa.
Se tu potessi esprimere delle preferenze tra le varie tipologie di storie texiane preferiresti disegnare quelle più tipicamente western con ampi spazi, indiani ecc., western urbani o storie di magia e mistero? Marco Bianchini: Mi piacciono molto le storie con ambientazioni naturalistiche. Anche la magia ed il mistero mi intrigano. Gradisco meno le storie urbane, alle difficoltà di disegnare le figure si aggiungono le difficoltà di disegnare ambienti in prospettiva, e non ci dimentichiamo la documentazione.
Quali ambizioni avevi o hai all’interno della SBE, soprattutto in relazione a Tex? Marco Bianchini: Ho già risposto involontariamente nelle domande precedenti. Tex è il massimo che il fumetto popolare può offrire, da tutti i punti di vista.
Nel 2007 abbiamo avuto in Portogallo un’anticipazione mondiale di quindici nuovi disegnatori di Tex, com’è per esempio il tuo caso. Come vedi questa entrata di tanti nuovi elementi nello staff di Tex? Questo potrebbe essere un nuovo corso nella vita della serie? Marco Bianchini: Credo sia un naturale e stimolante succedersi di ottimi disegnatori, di questi rimarranno solo coloro che in qualche modo riusciranno ad apprezzare le sue avventure.
C’è stato un rinforzo anche a livello di sceneggiatori ultimamente. Pensi che fosse qualcosa d’inevitabile? E con tanti sceneggiatori non pensi si possa correre il rischio di vedere Tex snaturato? Marco Bianchini: Dipende da come si affronta il mito… se c’è professionalità e rispetto, possono arrivare solo novità positive.
Come vedi il futuro del Ranger? Marco Bianchini: Da un punto di vista delle vendite mi auguro che torni alle entusiasmanti cifre di qualche anno fa.
Esiste un’altra testata bonelliana, per la quale non hai mai lavorato, e che ti piacerebbe tantissimo disegnare? In caso positivo, puoi dirci quale sarebbe e perchè? Marco Bianchini: A suo tempo, quando cominciai a disegnare Mister No mi piacevano molto anche Dylan Dog e Nathan Never; del resto, come ho scritto sopra, ho una passione da sempre per la fantascienza ed il mistero. Adesso sono contento cosi, non credo si possa ambire di più nell’ambito del fumetto popolare italiano.
E magari un personaggio non bonelliano? Marco Bianchini: Qualche anno fa avrei indicato un super eroe, oggi preferirei disegnare qualcosa che sia frutto della mia fantasia… però, ripensandoci, mi piacerebbe molto disegnare delle nuove avventure di Corto Maltese, ovviamente mettendoci un tocco personale nello stile, senza scimmiottare lo stile unico ed inimitabile di Pratt. Un Corto Maltese molto realistico quindi, ricco di bianchi e neri.
I tuoi progetti per il futuro? Puoi già anticiparci qualcosa? Marco Bianchini: Attualmente l’unica evasione che mi permetto a Tex è Termite Bianca. Progetto su cui ho molte ambizioni. Ne sono già usciti tre volumi e sto lavorando al secondo ciclo. Consiglio di leggerlo, troverete dei disegni ad acquerello veramente belli. Sono facilmente reperibili anche in francese ordinandoli dal sito internet di Pavesio editore.
Quanto tempo impieghi per disegnare una tavola? Hai degli orari? Come si articola una tua giornata tipo fra lavoro, letture, tenerti informato, ozio, vita familiare? Marco Bianchini: Quando facevo matite e chine procedevo disegnando una ventina di tavole e poi le ripassavo a china, che era più o meno la mia produzione mensile. Cerco di interrompere il lavoro il meno possibile. Ricordo che oltre al fumetto sono impegnato nella direzione artistica della Scuola Internazionale di Comics di Firenze, situazione che mi da altrettante soddisfazioni professionali. Come si può intuire, la mia vita professionale si interseca felicemente con la mia vita sentimentale, con le letture ed i miei hobby, perché ci sono anche quelli!
Tu, Fabio Civitelli, Rossano Rossi, Fabio Valdambrini, Marco Santucci. Tutti bravissimi disegnatori, tutti aretini. Esiste, quindi, una vera e propria scuola aretina del fumetto? Marco Bianchini: Assolutamente si! A questi nomi aggiungerei anche Patrizio Evangelisti, che pur non essendo aretino è nato, professionalmente parlando, nella nostra terra, quindi oramai adottato… sarebbe lo “straniero” come nelle squadre di calcio.
Avete rapporti fra voi Aretini? E con gli altri “esterni”? Marco Bianchini: Negli anni passati capitava piuttosto frequentemente di trovarci ed andare alle fiere insieme. Si parla di almeno 20 anni fa. Poi gli impegni personali e familiari hanno pian piano rese più sporadiche le uscite insieme, ma non perdiamo occasione, quando si può, per ritrovarci e condividere gioie e dolori. A volte ci vediamo anche per parlare di lavoro e per avere un consiglio dagli altri. Gli altri disegnatori capita di incontrarli alle fiere, purtroppo siamo sparpagliati per tutta l’Italia, e quindi ci si deve accontentare delle poche occasioni che ci sono. Quando ci ritroviamo però è sempre una gioia e ci rammarichiamo di vivere lontani.
Quali fumetti leggi attualmente, ovvero con quali ti identifichi maggiormente? Marco Bianchini: Leggo alcune serie bonelliane, e osservo il mercato dei cartonati francesi, dove vengono pubblicate cose molto interessanti. Niente super eroi li trovo noiosi, ripetitivi e molto scontati. Sai com’è ci sono anche gli anni…
Oltre ai fumetti, quale tipo di libri leggi? E quali le tue preferenze nel campo del cinema e della musica? Marco Bianchini: Leggo libri di carattere storico. Ho grande passione per l’antica Roma ed il periodo coloniale italiano. Ma negli anni scorsi ho divorato fantascienza a piene mani. Adesso prediligo letture che raccontino vicende umane vere, legate alla storia. Il comportamento umano è adesso il mio primo interesse. Anche se di recente ho letto con grande appagamento la saga di George Martin le “Cronache del ghiaccio e del fuoco”, una saga fantasy/medioevale, bellissima. Il cinema è l’altra passione, vado ogni volta che posso. Adoro godermi un bel film. La musica invece la vivo passivamente, sono sintonizzato su di una radio e ascolto tutto ciò che manda, ha il solo scopo di farmi compagnia, non ho preferenze particolari.
Cosa ha convinto Marco Bianchini, autore di risonanza internazionale, ad accettare un invito del Festival di Amadora, in Portogallo? Marco Bianchini: Avevo già sentito parlare da altri disegnatori della calorosa accoglienza loro riservata, e dalla passione e curiosità che hanno trovato intorno a Tex. Pertanto quale miglior occasione se non questa per incontrare i fan di Tex portoghesi? Inoltre sono molto curioso di vedere il Portogallo che sono sicuro essere un bellissimo paese.
Quali sono le tue aspettative in relazione a Amadora? Marco Bianchini: Non ho aspettative ma solo una grande curiosità. Ci vediamo presto allora!
Caro Marco Bianchini, a nome del blog portoghese di Tex ti ringraziamo moltissimo per l’intervista che ci hai così gentilmente concesso. Marco Bianchini: Il piacere è stato tutto mio. Spero un giorno di conoscervi personalmente. Una calorosa stretta di mano.
(Cliccare sulle immagini per vederle a grandezza naturale)
Na exposição dedicada aos 60 anos de Tex, integrada no 19º Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora – 2008, estão expostas pela primeira vez num país fora da Itália, capas originais de Tex e respectivas provas de cor, todas elas da autoria de Claudio Villa, o herdeiro de Galleppini, já que na sua longa vida editorial, Tex só teve dois desenhadores que tiveram a honra de realizar capas, precisamente o criador Aurelio Galleppini e Claudio Villa que lhe sucedeu após a mítica capa do número 400.
Através de originais, podemos descobrir como é que são produzidas as capas deste mítico personagem que acabou de completar 60 anos de vida, desde o formato, passando pelo desenho a preto e branco indo até à prova de cor realizada numa fotocópia do original, assim como ver que nem sempre a capa que chega aos quiosques é totalmente fiel ao original, como se pode ver por exemplo com a capa do Tex italiano 565…
Eis abaixo, do lado esquerdo o desenho original a tinta da china e ao seu lado, a prova de cor. Na imagem mais abaixo, vemos então a capa conforme foi publicada.
Esta e muitas outras curiosidades, podem ser apreciadas por quem visitar a exposição dedicada à célebre personagem da banda desenhada italiana, que se encontra aberta ao público, até ao dia 9 de Novembro e que contará com a presença dos desenhadores FABIO CIVITELLI e MARCO BIANCHINI, nos dias 7, 8 e 9 desse mesmo mês, para abrilhantar o evento. Para aguçar a curiosidade e o desejo de se deslocarem à Amadora, deixamo-vos com algumas das capas originais da série normal e da colecção histórica a cores, publicada pelo La Repubblica, que podem ser vistas no Festival:
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(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)
Texto do catálogo do FIBDA 2008 José Carlos Pereira Francisco
60 ANOS DE TEX WILLER
Comemora-se em 2008 os sessenta anos de Tex Willer, personagem criada na Itália, pela dupla Giovanni Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini e que teve a sua primeira aparição a 30 de Setembro de 1948, nas páginas da revista “Collana del Tex” e, de então até hoje, as suas aventuras sucederam-se, cheias de acção e movimento, num cenário sempre excitante, desfrutando assim vastos consensos no público e acabando por se tornar um sucesso no panorama da literatura popular aventureira, porque Tex foi uma ideia que no decurso do tempo tornou-se um mito, assim como mitos se tornaram também os seus autores.
Logo após a sua primeira aparição, na pele de fora-da-lei por ter sido vítima de uma atroz injustiça, evidencia-se de imediato em Tex uma concepção muito particular do bem e do mal: é um homem verdadeiro e leal que não suporta a opressão e a injustiça e que não rompe nunca pactos ou compromissos e que por isso conseguirá, em seguida, recuperar aquela dignidade que parecia estar perdida para sempre, tornando-se um Ranger do Texas e levando a cabo as mais impensadas e desesperadas missões, no decurso das quais trava amizade com Kit Carson, uma personagem completamente diferente da imagem real que todos conhecemos, que se tornará o quase inseparável companheiro de aventuras de Tex.
Desde os longínquos anos do início da sua longa saga até hoje, Tex e os seus parceiros nunca deixaram de demonstrar indiferença a todas as raças e cores perante a justiça: o honesto é defendido seja ele branco ou índio, mexicano ou negro, assim como o desonesto é combatido, qualquer que seja a classe social de onde provenha. E uma ulterior confirmação a tal anti-racismo encontra-se na vida familiar e privada de Tex, que casa com uma mulher que não pertence à sua raça, a bela Lilyth, filha do chefe dos Navajos, Flecha Vermelha, a qual lhe deu o filho Kit, que Tex cria com amor espartano e inicia na arte das armas. Adquire, entretanto, um nome índio, Águia da Noite, e aquando da morte do chefe Navajo sucede-lhe na pesada responsabilidade de guiar toda a nação Navajo.
A partir desse momento, a vida do protagonista mudará notavelmente: ele deverá não só manter a ordem entre os seus índios, mas também e sobretudo defendê-los das prepotências dos ávidos homens brancos.
Tex detém um invejável primado: esteve sempre presente no mercado italiano, durante 60 anos, e entre as inúmeras séries de banda desenhada existentes no presente, impõe-se à atenção de todos, seja pela longa duração, seja pela sua difusão. De facto, com o passar do tempo, enquanto as outras séries desapareciam, Tex superou cada crise, ultrapassou todas as críticas que lhe foram movidas, soube aumentar o número de leitores até criar um vasto público que quase identifica nesta série um género exclusivo, aquele do “fumetto” western autenticamente italiano.
Os leitores de Tex encontram-se em cada extracto da população e, pode bem dizer-se, em cada classe social. Trata-se de um tipo de leitura evasiva, mas mais do que digna no que diz respeito ao perfil estilístico: os textos são simples, mas eficazes e correctos. Mas abarcar nestas linhas o como e o porquê da validade desta extraordinária personagem é tarefa demasiado árdua. Digamos só que Tex Willer abriu brechas nos corações de milhões de leitores, na Itália e em muitos outros países, inclusive no nosso Portugal, qual profissional sério, diligente e pontual, numa longa série de proezas que têm sempre precisas referências históricas e geográficas.
Hoje, depois de sessenta anos, Tex é não somente a personagem italiana de banda desenhada de maior longevidade e popularidade, mas também uma figura carismática da BD europeia, uma verdadeira e própria epopeia, uma espécie de universo auto-suficiente, tendo-se entretanto tornado até um significativo “alter-ego” para alguns dos seus fãs. É um raro exemplo de produção do imaginário que ainda condensa frescura e fascínio, não obstante os seus sessenta anos de existência, como facilmente se comprova pelo facto do álbum celebrativo da efeméride, com a história a cores “Sul sentiero dei ricordi”, escrita por Claudio Nizzi e desenhada por Fabio Civitelli, ter-se esgotado num ápice por toda a Itália.
O Festival da Amadora, tem o privilégio a nível mundial de expor pela primeira vez, originais de Tex fora da Itália, já que em 60 anos de vida editorial, e apesar de inúmeras exposições, realizadas em variados países, dedicadas à personagem, tal nunca foi autorizado pelos responsáveis da editora italiana.
CIVITELLI, FABIO Fabio Civitelli, que regressa a Portugal, depois de ter sido o autor estrangeiro homenageado no salão MouraBD2007, nasceu em Lucignano, na província de Arezzo, a 9 de Abril de 1955 e o seu nome está ligado há já muitos anos à personagem Tex Willer. O seu estilo é caracterizado por um grande cuidado nos mínimos detalhes e por um hábil uso do preto e branco e do extremo asseio do seu traço. A sua versão de Tex, uma das mais apreciadas pelos leitores da série Bonelli, respeita a tradição, mas é ao mesmo tempo moderna e cativante. Uma outra característica de relevo do desenhador, é a habilidade de reproduzir rostos de actores e actrizes famosos, que insere com uma certa frequência nas suas pranchas para interpretar várias personagens secundárias.
O primeiro trabalho de Civitelli no âmbito da banda desenhada ocorre em 1974: “Lady Dust” para o estúdio de Graziano Origa, publicado pela Edifumetto, que publicava predominantemente banda desenhada pornográfica. Para a Editora Universo desenhou em 1977 nas revistas Il Monello e L’Intrepido. Nesse período utiliza o pseudónimo Pablo de Almaviva, à causa do qual Sergio Bonelli o inculpa de ter retardado o seu ingresso na sua editora porque não conseguia saber quem era esse desenhador que tanto apreciava. 1979 é o ano da viragem na sua carreira: em Outubro é apresentado, embora quase casualmente a Sergio Bonelli, que o recruta de imediato. Inicialmente trabalha em “Mister No” para o qual realiza uma mão-cheia de histórias, mas a verdadeira afirmação acontece em 1984, quando é chamado a desenhar Tex, personagem na qual trabalha até hoje e em qual deixou o seu cunho. As suas primeiras páginas aparecem no ano seguinte, no número 293, intitulado “I due killer”, com argumento de Claudio Nizzi, o mesmo argumentista que escreveu a história comemorativa dos 60 anos de Tex, publicada no passado mês de Setembro, cuja honra de a desenhar, coube a Fabio Civitelli.
TICCI, GIOVANNI Giovanni Ticci que estará pela primeira vez em Portugal, nasceu em Siena em 1940, começando a sua carreira no mundo da banda desenhada somente com 16 anos, idade em que entrou no estúdio do desenhador Rinaldo Dami. Dois anos mais tarde colabora com Franco Bignotti em “Un ragazzo nel Far West”, primeiro trabalho escrito por Guido Nolitta – pseudónimo usado por Sergio Bonelli, no seu trabalho como argumentista -. “Judok”, série de ficção científica, encerrada em 1963 e escrita por Gianluigi Bonelli, provoca um dos seus primeiros êxitos e possibilita a sua entrada no restrito grupo de desenhadores de Tex. Desde então Ticci centrou a quase totalidade da sua produção nesta série, assim como no seu trabalho de ilustrador – quase sempre relativo ao mundo do Faroeste.
A principal qualidade de Giovanni Ticci é a de ser o único desenhador que conseguiu criar um modelo próprio dentro do conceito gráfico da personagem, aparte do de Galleppini. A diferenciá-lo do resto dos desenhadores que seguiram a esteira do criador da série, Ticci desde o primeiro momento foi impondo um estilo notoriamente diferencial, que com o passar do tempo, o seguiram alguns dos novos ilustradores da série; podemos inclusive dizer que o modelo derivado de Ticci é tão importante como o do próprio Galleppini. Ticci é hoje em dia o desenhador de referência da personagem e um dos maiores autores que deu o mundo da banda desenhada italiana.