Marco Bianchini e os desenhos feitos na Amadora

Durante o decurso do XIX Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, o FIBDA 2008, Marco Bianchini brindou dezenas de Texianos presentes com desenhos feitos no momento por si, para gáudio de todos.

O blogue do Tex mostra a todos os interessados, inúmeros desses fantásticos desenhos que esperamos sejam do agrado de quem acessa o blogue.

Marco BianchiniMarco Bianchini e os seus desenhos no FIBDA 2010 - A
.

Marco Bianchini e os seus desenhos no FIBDA 2010 - BMarco Bianchini e os seus desenhos no FIBDA 2010 - C
.

Marco Bianchini e os seus desenhos no FIBDA 2010 - DMarco Bianchini e os seus desenhos no FIBDA 2010 - E
.

Marco Bianchini e os seus desenhos no FIBDA 2010 - FMarco Bianchini e os seus desenhos no FIBDA 2010 - G
.

Marco Bianchini e os seus desenhos no FIBDA 2010 - HMarco Bianchini e os seus desenhos no FIBDA 2010 - I
.

Marco Bianchini e os seus desenhos no FIBDA 2010 - JMarco Bianchini e os seus desenhos no FIBDA 2010 - L
.

Marco Bianchini e os seus desenhos no FIBDA 2010 - MMarco Bianchini e os seus desenhos no FIBDA 2010 - N
.

Marco Bianchini e os seus desenhos no FIBDA 2010 - OMarco Bianchini e os seus desenhos no FIBDA 2010 - P
.

Marco Bianchini e os seus desenhos no FIBDA 2010 - QMarco Bianchini e os seus desenhos no FIBDA 2010 - R
.

Marco Bianchini e os seus desenhos no FIBDA 2010 - SMarco Bianchini e os seus desenhos no FIBDA 2010 - T
.

Marco Bianchini e os seus desenhos no FIBDA 2010 - UMarco Bianchini e os seus desenhos no FIBDA 2010 - V
.

Marco Bianchini e os seus desenhos no FIBDA 2010 - XMarco Bianchini e os seus desenhos no FIBDA 2010 - Z
.

Texto e fotografias de José Carlos Francisco
(Para aproveitar a extensão completa das fotos acima, clique nas mesmas)

Amadora – 60 Anos de Tex

Existem acontecimentos que, por este ou aquele motivo, acabam por ficar marcados na nossa memória.

Tex Willer tem proporcionado a todos quantos apreciam e idolatram a personagem, que festeja actualmente 60 anos de pujante existência, momentos de agradável e sã convivência, com sobejas provas de paixão, fraternidade e amizade entre a extensa legião de admiradores.

Estou certo que todos os que puderam estar presentes este último fim de semana no Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, puderam viver mais um desses marcantes episódios que vão ficar para sempre retidos na memória de todos os texianos.

Tex Willer.
Na verdade, ainda os abraços de despedida não tinham terminado e já um misto de saudade e prazer pelos momentos indeléveis vividos tomava conta dos nossos corações, salientando mais uma vez o facto de que o verdadeiro texiano é diferente. É diferente porque no fundo consegue trazer para o seu dia a dia e para a sua relação com os outros o espírito da personagem, defendendo a honra como valor fulcral, a ética como norma de conduta, a justiça como ideal a preservar, a amizade sem compromisso como algo a cultivar.

Bianchini e Civitelli desembarcando no aeroporto de LisboaEste fim de semana permitiu essa exaltação, através do convívio e da camaradagem vividos, tendo permitido de igual forma momentos únicos com texianos que ainda não conhecíamos pessoalmente, com outros que vemos de tempos a tempos, assim como rever aqueles com quem temos vindo a privar mais assiduamente. Mas foi também uma oportunidade para todos poderem ter estado com dois desenhadores de altíssima qualidade (não, não estou a exagerar!), autênticos criadores de sonhos, prova provada que a banda desenhada é mesmo uma arte.

Bianchini e Civitelli a desenhar, uma constante no FIBDAMas se isso tudo não bastasse, o que não é pouco, Fabio Civitelli e Marco Bianchini mostraram com toda a simplicidade a sua enormíssima simpatia, a sua empatia, não só com os texianos, mas com todos os presentes no festival, a sua expansividade, o seu interesse por Portugal, a sua disponibilidade para falar, para ouvir, para trocar ideias sobre os mais variados assuntos, para enfim presentear os amantes da 9ª Arte com uma galeria de desenhos capaz de nos deixar sem fôlego.

Civitelli desenhando Tex WillerPorque o seguinte era sempre melhor que o anterior, numa notável capacidade de provar a todos que nem mesmo o cansaço consegue demover homens deste calibre de fazer a felicidade de nós comuns leitores mortais, presenteando-nos com verdadeiras obras de arte, feitas de detalhe, de requinte, de paixão, de carinho, numa exaltação perfeita do que é arte pura, à vista de todos e para que todos a apreciem. Momentos capazes de contagiar, como foi o caso, todos aqueles que estavam no festival, incluindo os que não apreciam Tex e que não acompanham a realidade do ranger, mas suficientemente capazes de apreciar arte e por isso mesmo cativados pela beleza do traço limpo e puro de um Civitelli que destilava simpatia por todos os poros ou de um Bianchini que atraiu pelo requinte e alma empregues em cada desenho.

Fabio CivitelliAmigo texiano, ainda hoje estou sem fôlego ao escrever estas linhas, frustrado por não conseguir exprimir a contento todas as emoções vividas e toda a amizade partilhada. Por muito que me esforce não consigo deixar no papel a verdadeira realidade vivida e sentida. Porque tudo foi espontâneo de parte a parte, porque tudo foi intenso, num aproveitar de cada instante e de cada momento.

Tudo começou na tarde de Sexta-feira, com a chegada de Fabio Civitelli e Marco Bianchini ao aeroporto da Portela, onde, apesar de se tratar de um dia de trabalho, os aguardavam já alguns texianos, onde se incluía a nossa Nanda, expressamente vinda da Holanda e que já encontrava no aeroporto desde as 12 horas.

Fernanda Martins, Mário Marques, Fabio Civitelli, Orlando Silva, Carlos Moreira e Marco Bianchini, no aeroporto de LisboaA empatia começou logo ali, continuada no próprio hotel onde os dois autores italianos ficaram alojados e onde puderam logo mostrar algo dos seus últimos trabalhos e presentear-nos com alguns desenhos belíssimos. Não foi mesmo o jantar de boas vindas oferecido pela organização do festival que cortou a vontade dos texianos em poder estar com Civitelli e Bianchini, ainda naquele dia, porque à saída do repasto, lá estávamos todos a aguardá-los para uma visita de automóvel por algumas zonas mais emblemáticas de Lisboa.

Todos queriam um desenho de Bianchini e CivitelliNo dia seguinte, veio a primeira sessão de autógrafos e desenhos no festival, facto que gerou filas extensas de admiradores e de visitantes, estes atraídos pela multidão que ali se acantonava e que puderam comprovar ser devido à elevada qualidade dos trabalhos que estavam a ser realizados por Civitelli e Bianchini. A verdade é que a organização do festival teve que fechar as filas antes da hora prevista para o efeito, receando que a grande afluência de público atrasasse o programa.

José Carlos Francisco, Mário Marques, Fabio Civitelli, Camilo Prieto e Marco BianchiniNo Domingo, logo pela manhã e, apesar do natural cansaço e das emoções vividas na véspera, novo encontro dos texianos resistentes (todos) com Civitelli e Bianchini, desta vez para uma visita ao Mosteiro dos Jerónimos e a sempre obrigatória prova dos saborosos Pastéis de Belém.

A tarde foi preenchida com mais desenhos, mais dedicatórias, mais contacto, mais afluência, mais emoções, seguida de uma entrevista à TV Amadora, com a simpatiquíssima e sempre bem disposta Tizziana Giorgini (que já foi tradutora de Tex no Brasil) a servir de intérprete entre jornalista e entrevistados, assim como o inexcedível José Carlos Francisco teve ocasião para responder a algumas perguntas da reportagem, salientando mais uma vez o seu profundo amor por Tex Willer.

Bianchini e Civitelli entrevistados pela TV AmadoraDurante os eventos, tivemos oportunidade de estar entre texianos, no que constituiu mais uma prova da enorme amizade que nos une. Obrigado a todos pelos bons momentos, ao Carlos, à Teresa, à Fátima, ao Zeca, ao Orlando, à Nanda que em boa hora veio da Holanda, ao Álvaro, ao Sérgio, ao Carlos Rico, ao Pedro Bouça, ao Jorge Almeida, ao José Eduardo, e se eu tiver esquecido alguém, perdoem-me mas isso deve-se às emoções ainda vividas e ainda bem quentes no meu álbum de recordações.

Mário Marques, José Carlos, Carlos Moreira e Álvaro MachadoConhecemos o Camilo Prieto, responsável do blogue francês do Tex e cuja simpatia e simplicidade nos atraiu sobremaneira, mas também a Tizziana que chegou da Galiza para não perder o evento. Conhecemos Geraldes Lino, com quem tivemos oportunidade de trocar algumas palavras, assim como a grata ocasião de também conhecer e falar pessoalmente com Jorge Magalhães e sua esposa Catherine Labey.

Jorge Magalhães é uma autêntica lenda viva da banda desenhada em Portugal, uma personalidade ímpar no trato e que domina os acontecimentos da 9ª Arte, qual verdadeira enciclopédia. Conversar com ele é um prazer enorme, saber que está ali diante de nós, a olhar-nos olhos nos olhos alguém que eu sempre apreciei e que referenciei quando coleccionava e apreciava o saudoso Mundo de Aventuras.

Marco Bianchini, Camilo Prieto e Fabio CivitelliJosé Carlos Francisco e Jorge Magalhães
.

Autores, fãs e ... Tex.
Enfim, de volta à realidade do dia a dia, e decorrido este curto espaço de tempo, mais grato fico a todos, sem excepção e sem preferência. Longe estaria eu de pensar que quando comecei a ler Tex, isso ainda viesse a proporcionar tantos e tão bons momentos.

Texto de Mário João Marques
Fotos de José Carlos Francisco

.
(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

“Para o Tex a vida começa aos sessenta anos”, no Jornal de Notícias: 9 de Novembro de 2008

Texto da secção Cultura de 9 de Novembro de 2008
Banda Desenhada
F. Cleto e Pina

“Para o Tex, a vida começa aos 60 anos”

* Tex é alvo na Amadora, da primeira exposição fora de Itália com pranchas originais

Para o Tex a vida começa aos sessenta anosChamam-se Fabio Civitelli e Marco Bianchini, têm em comum serem italianos e desenhadores de Tex. Neste fim de semana vieram comemorar os 60 anos do ranger no Festival de Banda Desenhada da Amadora (FIBDA).

A exposição de Tex, a primeira fora de Itália com pranchas originais, promete ser um dos pólos de atracção do último fim-de-semana do 19º FIBDA, que está a decorrer no Fórum Luís de Camões, subordinado ao tema “Tecnologia e Ficção-cientifica”, o que origina a primeira questão: “Tex ainda faz sentido no mundo actual?” Civitelli, 53 anos, há 24 a desenhar o ranger, acha que sim porque “encarna valores que não têm época: o desejo de justiça, a consciência da igualdade entre os homens e a capacidade de os julgar apenas pelo seu comportamento”. A isto, Bianchini, 3 anos mais novo, recém-estreado como desenhador de Tex, acrescenta o “facto de o Oeste ainda hoje representar a aventura e uma fuga da rotina quotidiana”, afirmando que “a firmeza de Tex nos transmite sensações positivas”.

Fabio Civitelli e Marco BianchiniCivitelli considera que Tex, 60 anos depois da sua estreia, perdeu “a musicalidade da linguagem bonelliana”, defendendo o regresso “ao Tex duro e puro de G. L. Bonelli”, pois “hoje ele é menos impetuoso, mais reflectido, às vezes até menos protagonista; ”. Bianchini, por seu lado, contrapõe que “gostaria muito de encontrar personagens femininas nas suas aventuras, porque isso traria novos cenários e adversários difíceis de prever; seria interessante ver como Tex enfrentaria uma mulher, ele que está acostumado a resolver tudo com os punhos!”. Civitelli discorda pois “os nossos leitores dificilmente aceitariam modificações radicais. Na edição dos 60 anos, a cena do beijo entre Tex e Lilyth, por alguns foi vista como uma heresia, uma traição ao Tex dos velhos tempos!”

Considerando “um sonho” desenhar Tex após 20 anos na casa Bonelli, Bianchini, também professor na Escola Internacional de Comics de Florença, revela que o seu Tex se inspirou em desenhadores como “Ticci, Villa, Venturi ou Civitelli”, classificando-o como “tradicional, na melhor tradição da BD realista mundial que se formou entre os anos 70 e 90.”, contrapondo-o ao Tex “moderno, de leitura agradável e feito com extremo apuro” de Fabio Civitelli.

Bianchini e Civitelli desenhando Tex perante... Tex!Este último, que já propôs “alguns argumentos, que Claudio Nizzi transformou em guiões”, admite que gostaria de desenhar uma história totalmente escrita por si. O seu traço foi “fortemente inspirado no Tex inovador de Ticci, por sermos ambos admiradores de desenhadores clássicos americanos como Alex Raymond e Milton Caniff. Mas depois de tantos anos o meu estilo suavizou-se; tento desenhar Tex da forma que o vejo: bem constituído mas não gigante, ágil mas forte, com uma expressão dura mas com um lampejo de ironia nos olhos e um meio sorriso de quem está seguro de si e das suas razões”. Do Tex desenhado por Bianchini, realça a renovação de “certas temáticas mágicas e misteriosas, com belas cenas de acção, mas sobretudo sugestivas atmosferas misteriosas e inquietantes”.

Autor escolhido para desenhar “Sul sentiero dei ricordi”, a BD a cores que assinalou os 60 anos do herói, considera-a “um momento muito marcante na minha carreira e uma etapa importante para Tex. Podemos dizer que para Tex a vida começa aos sessenta anos!”

Copyright: © 2008 Jornal de Notícias; F. Cleto e Pina

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

Fim de semana TEX, a encerrar o FIBDA 2008

Sábado, 8 de Novembro
O Tex (Ricardo Leite) esteve na AmadoraFoi o dia do concurso de Cosplay. E com isso, de longe, o dia mais CHEIO do Festival de Banda Desenhada da Amadora, desde que eu vim pela primeira vez!

Infelizmente, ao contrário do ano passado, não consegui ver o concurso porque a multidão simplesmente entupiu todos os acessos. Ainda vi algumas fantasias de alto nível (tinha uma garota que parecia fantasiada de Luís XIV em traje de gala que estava com um visual impressionante!), mas a parte interessante – garotas seminuas e gente pagando mico – estava complicada demais. Pena! Espero que no próximo ano eles consigam mais espaço para isso, embora não consiga imaginar como. Enfim, além do dia do cosplay, este também é o fim de semana Tex!

Marco Bianchini, José Carlos Francisco e Fabio CivitelliO amigo José Carlos Francisco, mais conhecido por Zeca, apareceu junto com dois desenhadores do caubói monolítico, Marco Bianchini e o espectacular Fabio Civitelli, que foi bastante requisitado. Eu fui um dos privilegiados que saíu com um belíssimo desenho de Fabio Civitelli e consegui ainda por cima o de um dos meus personagens favoritos… Mister No!

Cumprido esse passo, aproveitei para pegar um autógrafo com o principal autor português de quadradinhos, José Carlos Fernandes, outra “parada obrigatória” em qualquer festival da Amadora. Sempre muito simpático e solícito, ele fez-me um belo desenho no seu novo álbum em parceria com o desenhador Luís Henrique.

Mister No de Fabio Civitelli para PedroA seguir fui atrás do Cyril Pedrosa. Ele fez a excelente BD “Três Sombras”, premiada em Angoulême este ano. É sobre um garoto que começa a ser perseguido pelas “três sombras” do título e os esforços do seu pai para tentar salvá-lo. Belíssimo e recomendado! Eu levei meu exemplar e o Cyril autografou.

Por fim, entrei em uma bela fila para conseguir um autógrafo de outro desenhador de peso: Das Pastoras. O espanhol, que desenha a série Castaka (que conta a história dos ancestrais do Metabarão) com roteiros do Jodorowski, fazia miséria tendo como única ferramenta… Um lápis! Quem via não acreditava no que o camarada fazia com esse utensílio simples e versátil! Grande talento!

Autores e fãs com... TexPara finalizar o sábado, uma grande sessão de fotos com o Civitelli, o Bianchini, o José Carlos e… O Tex!

Sim, um dos frequentadores da tradicional Tertúlia BD de Lisboa estava lá devidamente paramentado como o caubói! Não dava para perder a oportunidade de tirar umas fotos com isso, né?

Domingo, 9 de Novembro.
Pedro BouçaFoi hoje só e amanhã não tem mais… O cansaço dos últimos dias bateu forte e precisei arrastar-me para
fora da cama de manhã. Até conseguir ficar em condições de sair de casa já era BEM tarde e eu cheguei ao festival pouco depois do início da sessão de autógrafos. Felizmente o sentimento parece ter sido generalizado e havia pouca gente por lá. Entrei na fila do Marco Bianchini e cheguei rápido até ele, porém ele logo interrompeu para conversar com o Jean-Pierre Dionnet!

Compreendo perfeitamente o sentimento dele, já que uma oportunidade para conversar com uma lenda viva como Dionnet (editor original da Metal Hurlant!) não surge todo dia.

Bianchini, Civitelli e Dionnet à conversaCivitelli, que sabe francês (para minha surpresa, mas isso facilitou MUITO minhas conversas subsequentes com ele…), serviu de intérprete. Bianchini mostrou ao Dionnet um trabalho dele publicado na França, uma série pós-apocalíptica chamada “Formiga Branca”, publicada pela obscura editora Pavesio. Sem dúvida era material no estilo que Dionnet editava nos velhos tempos da Metal. Não peguei toda a conversa, mas pareceu-me que o Bianchini estava interessando em arrumar uma nova editora para esse material na França. Ele e o Dionnet acertaram uns detalhes e a sessão de autógrafos recomeçou. Vale notar que, diferente do Bianchini, o Civitelli não parecia interessado em tentar um projecto mais pessoal (eu até perguntei…) e aparentemente está feliz em só trabalhar com Tex mesmo. Curiosa falta de ambição, ou amor em demasia à personagem!

Mister No de Bianchini para PedroEnfim, a interrupção levou um certo tempo, mas o Bianchini mais do que compensou fazendo uma bela ilustração da personagem que ele mais desenhou na Bonelli, Mister No (perceberam um padrão aqui?). O maior destaque do desenho foi o belíssimo trabalho de sombras que ele fez, misturando caneta, feltro e pincel! Bem melhor que o que se costuma ver nos trabalhos dele para a Bonelli (onde, a bem da verdade, a qualidade de impressão utilizada elimina essas subtilezas), quase no nível de Frank Miller! Apesar da longa espera, o trabalho de Bianchini mais do que valeu a pena, no final das contas.

Aproveitei esse meio tempo para ver os portefólios de ambos os artistas que estavam à disposição. Bianchini tinha pilhas de páginas de Mister No e alguma coisa de outros personagens à venda.

Tenente Blueberry por Fabio CivitelliJá Civitelli tinha uma história quase completa do Tex para mostrar. Páginas e mais páginas de uma qualidade inimaginável para quem está acostumado a ver o trabalho dele impresso porcamente em papel ordinário. Dava até pena de pensar em como isso ficaria nas edições da Mythos! A história, aliás, era escrita pelo Manfredi – primeiro trabalho dele no Tex mensal! Não dava para ler as mais de 200 páginas e fazer uma avaliação do roteiro, óbvio, mas a arte do Civitelli era impecável. No final do portfolio estavam algumas ilustrações, incluindo um desenho de Blueberry feito por Civitelli e um de Tex por Jean Giraud! Os dois artistas andaram “trocando cromos”! Inusitado e bem curioso!

Visto isso, peguei o autógrafo com o Luís Henriques no livro que ele fez com o José Carlos Fernandes (que, vão lembrar, já tinha feito o dele ontem). Ele usa tinta para caramba! O resultado ficou bem impressionante, mas precisou secar por uma meia hora antes de eu poder guardá-lo com segurança…

Bianchini e Civitelli desenhando Tex perante... Tex!Feito isto eu finalmente pude pegar o autógrafo do Jean-Claude Denis. Levei o óptimo álbum dele sobre odores para autografar e falamos um pouco sobre o assunto. Já tinha encontrado o Denis no ano passado, mas como não conhecia a obra dele não rolou muita conversa. Ele é gente boa e fez um desenho bem engraçado.

Acabado os autógrafos dos artistas “de fora”, aproveitei para pedir autógrafos em um exemplar da revista de humor “Moda Foca” que o editor do BD Jornal, Machado Dias, fez com vários dos nossos colegas da Tertúlia BD. O pessoal é batuta e fez um trabalho bem simpático.

Pedro e uma prancha original e gigantesca de Flash Gordon por Alex RaymondJá mortinho da silva, eu acompanhei o Civitelli e o Bianchini enquanto admiravam as exposições. Eles ficaram babando sobre os originais do Flash Gordon do Alex Raymond em exposição, os mesmos que
os LEITORES texianos nem ligaram quando eu mostrei na abertura do festival…

Incidentalmente, Alex Raymond não fazia uma única correcção no seu nanquim nos originais. Aquelas linhas superprecisas e finíssimas estavam SEMPRE no lugar certo! O homem era craque!!! Não admira que um artista do nível do Civitelli tenha ficado embasbacado com o trabalho dele.

Bianchini e Civitelli vendo as exposições do FIBDABalanço final: Muitos autógrafos, muitas (demasiadas até, para meu orçamento) compras, conheci o Zeca e outros texianos que eu só tinha visto antes “de internet”, vi originais de Alex Raymond, Moebius, Liberatore, Leo e muitos autores que nunca nem imaginara poder admirar tão de perto, adquiri um novo respeito pela arte do Civitelli e do Bianchini, constatei que Pat Mills e Janjetov são autores absurdamente simpáticos, entrevistei o Mauricio de Sousa, encontrei o Sidney Gusman depois de muitos anos e, no geral, reencontrei muita gente boa que só vejo nesse evento. Ou seja, a experiência foi altamente positiva!

Bianchini e Civitelli entrevistados pela TV AmadoraHouvesse mais garotas (maldita falta de mangá em Portugal) e um programa definido com antecedência o bastante para eu poder ter material dos autores convidados em mãos a tempo para o festival e seria perfeito!
O público também achou e esse foi o festival mais cheio que eu já vi. Não duvido que nos próximos dias a organização divulgue um recorde de público (que costuma estar na casa dos 30 mil visitantes). Merecido!

Fabio CivitelliTex e suas fãs

Texto de Hunter (Pedro Bouça)
Fotos de José Carlos Francisco

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

Fim de semana com Fabio CIVITELLI e Marco BIANCHINI na Amadora

Fabio CIVITELLI e Marco BIANCHINI na AmadoraÉ já nesta sexta-feira, dia 7 de Novembro, que chegam a Portugal para participar na exposição “60 ANOS DE TEX” que decorre até ao dia 9, na 19ª Edição Internacional de Banda Desenhada da Amadora, os desenhadores italianos de Tex, Fabio CIVITELLI e Marco BIANCHINI, para engrandecer ainda mais este evento que também fica na história, por ter sido a primeira vez que originais de Tex foram expostos fora da Itália.

A chegada de ambos ao aeroporto de Lisboa, está prevista para as 16 horas e à sua espera lá estarão alguns Texianos para darem as boas vindas a Portugal a esta dupla de desenhadores do Ranger, rumando depois todos, para a Amadora, onde Civitelli e Bianchini tomarão o primeiro contacto com o Festival.

Pin oficial de Tex, feito propositadamente para o evento portuguêsSábado, dia 8, será o ponto alto das comemorações Texianas, já que será o dia em que os autores estarão disponíveis para o público em geral, com especial incidência para a sessão de autógrafos, que decorrerá das 15 às 19 horas e por isso mesmo espera-se uma enorme afluência de fãs e coleccionadores do Ranger. Por isso caro pard, se quiser levar para casa uma revista ou um desenho autografado por Civitelli ou Bianchini, não deixe de visitar o Festival neste sábado, pois será uma das últimas oportunidades para tal.

No FIBDA, mais precisamente no Stand Pedranocharco-Asa Negra Comics vão se encontrar à venda exemplares da edição especial comemorativa dos 60 anos de Tex, recentemente publicada no Brasil pela Mythos Editora, ao preço de 6,00 €. Essa histórica edição contém a história escrita por Claudio Nizzi e desenhada por Fabio Civitelli “Na Trilha das Recordações“, totalmente a cores e ainda 16 páginas de artigos dedicados a Tex e aos seus criadores, G. L. Bonelli e Aurelio Galleppini. Será um excelente item para ser autografado por Fabio Civitelli.

História dos 60 anos de Tex à venda no Stand Pedranocharco-Asa Negra Comics

No mesmo stand, também estará à venda, o pin oficial de Tex, feito propositadamente para o evento, com autorização da Sergio Bonelli Editore e com o custo de 1,00 €. Destaque também para o BDJornal # 24, com amplo destaque aos 60 anos de Tex, inclusive com a publicação da história da dupla Guido Nolitta/Giovanni Ticci “Uma tarde quente…” que pode ser adquirido (tal como os números anteriores) na zona comercial, na entrada para o piso inferior do Fórum Luís de Camões.

BDJornal # 24 com amplo destaque aos 60 anos de Tex

Para além de tudo isto, haverá também um Convívio Texiano, onde estarão presentes durante todo o fim de semana, alguns dos maiores coleccionadores portugueses de Tex, assim como algumas presenças oriundas de outros países que já confirmaram a sua participação no evento, ou seja, prevê-se um fim de semana verdadeiramente épico para os apreciadores desta mítica personagem que faz parte da História da BD italiana e europeia, por isso caro Texiano, não deixe de comparecer neste fim de semana, na bela cidade da Amadora para comemorar os 60 ANOS DE TEX!!!!!!

Tex (desenhado por Andrea Venturi) rumando a Portugal

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)