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Entrevista com o fã e coleccionador: Daniel Brandão
Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.
Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu?
O que faz profissionalmente?
Daniel Brandão: Bem, eu sou da cidade de Fortaleza, capital do Ceará um estado nordestino brasileiro. Nasci em 3 de Novembro de 1975. Trabalho como quadrinista há 12 anos. Também sou formado em Comunicação Social e faço uma especialização em Arte-Educação. Sou casado e tenho uma filha linda de 4 anos.
Para aqueles que ainda não estão bem identificados com a sua carreira profissional, gostaríamos que fizesse uma pequena apresentação própria e do caminho entretanto percorrido na sua carreira?
Daniel Brandão: Bem, comecei em 1996, quando passei a ser monitor da Oficina de Quadradinhos da Universidade Federal do Ceará e lá publiquei pela primeira vez. Logo depois comecei a trabalhar com o personagem Capitão Rapadura, personagem do cartunista Mino. Eu fui aluno do desenhista Álvaro Rio e junto com JJ Marreiro e Geraldo Borges, criei o fanzine Manicomics. Ele se tornou um dos fanzines mais premiados do Brasil com 3 HQ Mix. Paralelamente a isso, fui co-fundador do Graph it Estúdios, o primeiro estúdio profissional de Quadradinhos do Ceará.
Em 1998, este estúdio abriu a primeira turma do Curso de Histórias em Quadradinhos. Desde então não parei de ministrar aulas de quadradinhos e desenho.
Em 2000 fui estudar na Joe Kubert School. Lá nos EUA, publiquei como assistente de arte na revista Azrael, da DC Comics e ganhei um prémio da Dark Horse por ser considerado o melhor aluno do primeiro ano da escola.
Na volta ao Brasil, criei um novo espaço de trabalho, o Estúdio Daniel Brandão de Quadrinhos e Artes Gráficas. A partir de então, publiquei no site Universo HQ, na revista Sexy e fui premiado, junto com Arthur Ferraz e Denílson Albano, em Portugal com uma história sobre futebol. Depois, publiquei em muitos veículos, dentre eles, o Vórtice, a Pixel, Informal, Miscelânea, Diário do Nordeste, revista Wizard, Sexy Total, Central de Tiras, Mundo Estranho e Coleção 100 Respostas: Hanna-Barbera.
Em 2003 voltei a trabalhar para o mercado americano. Actualmente faço parte da Glass House Graphics e, através dessa agência, desenhei o Yellow Jacket e uma capa do Who Wants to be a Superhero para a Dark Horse. Além de sketch Cards para a colecção Legacy da DC Comics e Fantastic Four para a Marvel. Para maiores informações sobre minha carreira, meus cursos ou para ver alguns trabalhos meus, acesse www.estudiodanielbrandao.com.
Quando é que teve início esta paixão pela Banda Desenhada, em especial pelo Tex?
Daniel Brandão: Pelo que eu me lembre, sempre gostei de desenhar. Já aos 9 anos economizava uns trocados da merenda para comprar quadradinhos como Superaventuras Marvel, Heróis da TV, Conan, Capitão América, Super Powers, Homem-Aranha, Hulk… Todos em formatinho e baratos. Por isso, fui muito influenciado pelos mestres John Byrne, John Buscema, Gil Kane, John Romita, Frank Miller, dentre outros. Pantherman foi a minha primeira personagem. Depois vieram os Lutadores. Meus quadradinhos eram toscos, porém divertidos. Não imaginava, naquela época, que quadrinista era uma profissão.
Meu gosto pelo Tex surgiu um pouco mais tarde. Tex é uma personagem de grande sucesso no Brasil, publicado há cerca de 50 anos. Não lembro exactamente quando a primeira revista de Tex caiu em minhas mãos, mas lembro que fiquei primeiramente encantado pelos desenhos. Hoje, tento acompanhar as Tex Gigantes e as edições desenhadas por Claudio Villa, Fabio Civitelli e José Ortiz. Os textos de Claudio Nizzi são sempre muito competentes. Gostei tanto de Tex que passei a buscar outros quadradinhos do mesmo género. Neste caminho, descobri Mágico Vento e Ken Parker, um dos meus personagens predilectos.
Tex teve alguma influência no facto de você se ter tornado um desenhador?
Daniel Brandão: A princípio, não. Porém, mais tarde, já maduro, passei a ser muito influenciado pelos desenhos académicos e clássicos publicados em Tex. Aliás publicados em toda linha da Bonelli. Ivo Milazzo e Claudio Villa são meus desenhadores preferidos desta editora. A revista Tex Gigante do Joe Kubert é uma Bíblia para mim. Utilizo muito ela em sala de aula para mostrar aos meus alunos como se faz um bom quadradinho. A narrativa e a diagramação de páginas também são sempre muito claras. Os personagens são muito consistentes. Os quadradinhos da Bonelli são uma verdadeira Universidade para se aprender BD!
Porquê o Tex e não outra personagem?
Daniel Brandão: Tex é um mito. Um símbolo de bravura e justiça. Ele representa o bem. Enfrenta e sempre vence os malfeitores, mas acima de tudo ele é humano. Falível. Isso dá um carácter muito interessante para as suas histórias. Ele também apanha, sofre, sente dor. Isso causa uma identificação muito forte com o leitor. Mas no final, dá a volta por cima e vence o inimigo, provocando um alento e um alívio para quem lê. É muito cativante.
Os textos são muito bem escritos e as histórias não são rasas. Outro atractivo para mim é que a maioria das revistas do Tex vendidas no Brasil possuem uma aventura fechada, com começo, meio e fim. O Tex tem cronologia, mas você não precisa conhecê-la para acompanhar uma aventura avulsa. Isso é genial! Todas as editoras de quadradinhos deveriam se espelhar nesta fórmula.
O que Tex representa para si?
Daniel Brandão: Um mito. Um símbolo dos quadradinhos de faroeste. Tex é uma personagem que representa a justiça.
Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Daniel Brandão: Nunca contei e se contasse frequentemente tenho certeza de que iria me deprimir, pois já me mudei várias vezes e sei que em mudanças sempre acontecem perdas. Não contar ameniza essa sensação…
A edição mais valiosa da minha colecção é a Tex Gigante desenhada pelo Joe Kubert. Tanto é que tenho duas, uma em português e uma em italiano.
Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem?
Daniel Brandão: Apenas os quadradinhos. Gosto de ler as matérias sobre ele e os artistas envolvidos em revistas e/ou sites, mas não colecciono outras coisas de Tex não.
Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Daniel Brandão: A minha história favorita é a do Tex Gigante desenhada pelo Joe Kubert e escrita pelo Nizzi. Claudio Villa é meu desenhador predilecto de Tex e Nizzi é o roteirista que mais gosto. Quero registar que essa é uma escolha muito difícil e que sou muito fã de outros artistas que também passaram pela personagem, como Ortiz, Milazzo, Civitelli…
O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Daniel Brandão: O que mais me agrade em Tex é a sua humanidade. Histórias que exploram isso são as minhas favoritas. O que menos me agrada é a quando suas histórias fogem muito do realismo, como quando ele enfrenta o Mefisto, por exemplo.
Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Daniel Brandão: Seus autores, sua longevidade e seu editor que controla os destinos da personagem com muita sabedoria. Essa combinação resultou em uma consistência raramente testemunhada em banda desenhada.
Como nasceu a ideia de homenagear o Tex, através do desenho comemorativo dos 60 anos do Ranger?
Daniel Brandão: Bem, desde o final do ano passado venho planejando fazer umas sequências e umas pin ups com personagens da Bonelli para tentar enviar como testes para a editora. Trabalhar na Bonelli seria um sonho para mim. Então, no intervalo dos meus trabalhos, fiz a sequência do Dylan Dog e o desenho do Nick Rider. Desenhar o Tex já estava nos meus planos desde então. Quando comecei a acompanhar as notícias sobre o aniversário do Ranger mais famoso do mundo, decidi que era hora de fazer o desenho. Graças a Deus a repercussão está sendo a melhor possível.
Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Daniel Brandão: Vejo com muito optimismo. O Tex tem um futuro promissor pela frente com possibilidade de durar várias décadas ainda. Para isso a sua linha editorial deve ser mantida, pois a essência humana e heróica da personagem é o que o torna eterno.
Prezado pard Daniel Brandão, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
Daniel Brandão: Eu é que agradeço. Já agora informo que no meu site, na secção HQs há uma história que escrevi e desenhei com o Dylan Dog. Quem quiser dar uma conferida pode acessar também www.estudiodanielbrandao.com
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Collezione storica a colori, nº 57 – La trappola di Yama
Tex nº 57 – LA TRAPPOLA DI YAMA

Entrevista exclusiva: CORRADO MASTANTUONO
Entrevista conduzida por José Carlos Francisco, com a colaboração de Giampiero Belardinelli e Mário João Marques na formulação das perguntas e de Júlio Schneider (tradutor de Tex e Mágico Vento para o Brasil) e de Gianni Petino na tradução e revisão.
Caro Corrado Mastantuono, para os que ainda não o conhecem, pode fazer uma pequena auto-apresentação?
Corrado Mastantuono: Eu nasci em Roma no dia 20 de Dezembro de 1962. Em 1980 eu me formei no “Instituto Nacional de Cinematografia e Televisão” como ilustrador de desenhos animados, actividade em que me formei profissionalmente e que desenvolvi de 1980 a 1989. Em 1990 aconteceu a minha estreia no nº 92 da revista Eternauta que, junto à outra revista da mesma editora Comic Art, marcou a minha passagem para o mundo dos quadradinhos. No mesmo ano fiz a minha estreia na revista Mickey Mouse. A colaboração com a Walt Disney levou-me às páginas de Minnie & Companhia, Escoteiros Mirins, Superpato, MM (Mickey Mistérios). Em 1997, com a história Mickey e a Mancha do Conhecimento (Mickey italiano nº 2172) criei a personagem Bum Bum Ghigno, de quem até hoje escrevo e desenho parte das histórias. Em 1993 eu passei a ser desenhador da editora Bonelli colaborando com as séries Nick Raider e Mágico Vento. Com o Tex Gigante nº 21, O Profeta Indígena (Julho de 2007 na Itália e Outubro de 2007 no Brasil), eu dediquei-me ao título histórico de Tex. Como desenhador também trabalhei para o mercado francês com a história de fantasia Elias, o Maldito, da editora Humanoides Associés (Julho de 2004), editado na Itália pela Vittorio Pavesio.
Que lugar tiveram os quadradinhos, principalmente os Bonellis, na sua infância?
Corrado Mastantuono: Durante longos Verões eu devorava os quadradinhos Bonelli. Com a relutante cumplicidade de Paolo, um amigo um ano mais velho que eu e dono de valiosas colecções, eu pegava e devorava dezenas de Zagor e de Tex. Quando, em pouco tempo, a reserva se esgotava, eu recomeçava. Ainda me lembro como me impressionou uma caçada humana, cuja vítima sacrifical dos planos do vilão da vez deveria ser Zagor, que me deixou com a respiração suspensa uma tarde inteira.
Como nasceu em você a paixão pelo desenho e em que momento decidiu que esse seria o seu trabalho?
Corrado Mastantuono: Eu acho que vivi uma espécie de predestinação. Desde pequeno todo mundo apreciava a minha habilidade em desenhar. A minha descoberta da perspectiva ainda no ensino fundamental (eu tinha uns oito anos) foi tão prematura que era incompreensível para os meus colegas de sala. Eles diziam que a casa que desenhei, que não se apoiava no horizonte do terreno, estava enterrada. Não passava dia sem que eu dedicasse algumas horas para rabiscar alguma coisa. Claro que fazer disso uma profissão seria óptimo, mas eu sabia que não seria fácil. Vieram em meu socorro, além da paixão e um pouco de talento, toda uma série de circunstâncias que não podem se repetir. Digamos que chama-se destino.
Quais foram as suas experiências profissionais antes de chegar à Sergio Bonelli Editore?
Corrado Mastantuono: Bem, como eu indiquei na apresentação, a minha estreia profissional aconteceu num estúdio de desenhos animados. Foi em 1980, eu tinha dezassete anos e fui contratado como animador. Salário, cartão de ponto, previdência e todo o resto. Eu era jovem e inexperiente, com muita pose mas cru e desengonçado. Os nove anos no estúdio de animação deram-me uma formação profissional e permitiram-me desenvolver as actividades mais variadas: marcas, diagramação, cenografias, ilustrações, storyboard, animações, folhetos. Apesar da minha pouca idade, eu recebi responsabilidades logo de início e isso foi estimulante e acelerou a minha maturidade também no aspecto humano. Em 1989 o computador invadiu os estúdios de animação e, ao rebelar-me à ideia de abrir mão do contacto diário com lápis, grafite e tudo o que havia de artesanal no meu trabalho, tomei a decisão de trocar de pele. Larguei réguas, pencil test, bancadas, intervalação e me bandeei para os quadradinhos. Em 1989 aconteceu o baptismo profissional na primeira revista. Rodolfo Torti era o director artístico e Roberto dal Prà era o supervisor literário da editora italiana Comic Art, uma revista variada que publicava gente do calibre de Serpieri, Corben, Moebius e muitos outros. Os dois controlavam todo o material novo que chegava à redacção e avaliavam jovens autores e novas séries. Assim aconteceu que um estreante, Arcangelo Stigliani, e um quase estreante, eu, por dois anos demos vida a Cargo Team, série de ficção científica com grandes ambições limitadas pela inexperiência de ambos. Eu me diverti muito ao desenhá-la, ainda que no início eu tive que enfrentar o excesso de texto de Stigliani, que deixava pouco espaço ao desenho. Quando finalmente ambos ajustamos o tiro, a série foi suspensa. A editora, depois de uma importante curva de vendas, interrompeu a publicação de material novo e decidiu continuar apenas com material estrangeiro. Amém. Logo em seguida chegou o telefonema de Sergio Bonelli.
A sua estreia na Bonelli foi em Nick Raider, com o episódio “Um Homem na Mira” (nº 74, Julho de 1994, inédita no Brasil e Portugal), escrito com uma linguagem seca e madura pelo idealizador da série, Claudio Nizzi. Como foram os seus contactos com a SBE e o que se lembra dessa história?
Corrado Mastantuono: O meu primeiro contacto com a Bonelli aconteceu com uma ilustração para a mostra “Rir de Medo“, em 1993. Quem me envolveu nessa aventura foi Luca Boschi, encarregado pela editora para organizar a mostra e as ilustrações a serem expostas pelos vários autores. O meu estilo impressionou bastante Bonelli, em particular Renato Queirolo. O que aconteceu depois? Bem, aquele desafio com a série de Nick Raider foi muito difícil. Até aquele momento eu havia desenvolvido um tipo de desenho rabiscado para a Comic Art. Eu gostava mais de sugerir do que de contar. Mas aí eu devia encarar um leitor diferente. O leitor bonelliano receberia as minhas experimentações com indignação. Eu devia rever tudo. Com muita paciência, no decorrer dos anos eu afinei um tipo de desenho que busca combinar com as exigências da editora, mas sem me desnaturar.
Depois da experiência de Casertano e de Ramella nas capas da série policial, o encargo passou às suas mãos (do nº 100 ao nº 200, edição de encerramento da série). Como foi a sua abordagem nessa tarefa?
Corrado Mastantuono: Eu assumi a difícil herança com grande devoção e máxima humildade. Nos primeiros anos eu limitei-me a repetir a metodologia de trabalho de meus ilustres predecessores Casertano e Ramella: um desenho em preto e branco com indicações de cores que seriam feitas por outra pessoa. Depois, aos poucos, para não chocar a susceptibilidade de uma editora que sempre desconfia de mudanças, comecei a fazer verdadeiras ilustrações a aguarela, ricas de acção e sugestões. Eu divertia-me muito ao fazê-las e o entusiasmo foi reconhecido. Depois de alguns anos aquelas capas renderam-me um prémio.
No seu trabalho de capista de Nick Raider quais foram – se houve – seus modelos de referência?
Corrado Mastantuono: Eu sou omnívoro e alimento-me mentalmente de tudo. De Sciotti e Casaro, pintores de cartazes de cinema do início dos anos 80, ao capista e genial Pinter, do inatingível Rockwell às capas dos livros policiais de bolso da Mondadori, muito evocativas. Tudo o que eu via pelas ruas alimentava indirectamente a realização das minhas capas.
Em seguida ao seu trabalho “metropolitano” com Nick, você chegou aos territórios selvagens do faroeste de Mágico Vento. Quais foram as dificuldades com a série criada por Gianfranco Manfredi?
Corrado Mastantuono: Encarar uma BD de faroeste significa conhecer à perfeição cada objecto a desenhar, buscando ao infinito imagens e fotos da época. Os ambientes poeirentos também são difíceis de desenhar. A sujeira, o suor, o sacrifício dos primeiros pioneiros deve jorrar convincente das páginas, sem concessões gráficas, sem qualquer hesitação. Um inferno! Mas devo admitir que Mágico Vento conseguiu envolver-me a tal ponto que me faz esquecer o cansaço. Eu já havia trabalhado com Manfredi numa edição de Nick Raider (“A Rosa Amarela do Texas“, nº 121, Junho de 1998, inédita no Brasil e Portugal) e fiquei à vontade. Depois vieram as histórias de Mágico Vento; Manfredi é o autor bonelliano com quem mais colaborei. Para minha sorte, ele não é daqueles que cisma com descrições rigorosas. Ele deixa suficiente liberdade de interpretação. Talvez exagere ao pedir figuras inteiras vistas do alto. Quando posso, tento contentá-lo, mas na maioria das vezes, depois de tentar repetidamente, desvio para soluções em que fico mais à vontade.
Vista a experiência positiva com as capas de Nick Raider, você foi encarregado de ilustrar também as de Mágico Vento. Quais foram as diferenças de abordagem e das técnicas usadas?
Corrado Mastantuono: Como eu disse, para Nick Raider a opção foi por uma ilustração a aguarela, para valorizar o material usado, com um jogo de pinceladas para destacar a ambientação. Com Mágico Vento, também para não confundir o leitor, era necessária uma abordagem completamente diferente. Foi pedido para manter o contorno preto, que havia desaparecido na capa do último Nick Raider, e muita atenção nos detalhes. O que eu propus foi uma técnica que prevê o desenho feito a meia-tinta e colorizado no computador. O resultado final agradou aos leitores exigentes da série, o que muito me orgulha, porque não foi nada fácil. Para uma editora que fundou o seu sucesso na tradição e no estilo facilmente reconhecível, passar a ideia de uma ilustração feita no computador era difícil. A possibilidade de corrigir a imagem ou a cor em tempo real, de modo indolor e quase sem esforço foi o elemento que acabou com as últimas dúvidas. Mas foi um elemento que, principalmente no início, voltou-se contra mim. As exigências de correcção aumentavam o trabalho e faziam-me pensar melhor sobre o efectivo sucesso da operação. Ainda bem que em poucos meses tudo se ajeitou e agora as capas de Mágico Vento estão entre as mais apreciadas das séries Bonelli.
Você acha que ser capista – vista também a sua experiência fora da Bonelli, como a reedição de Blek Macigno publicada pelas Edições If de Gianni Bono – é o seu verdadeiro lugar ou gostaria de se dedicar mais às histórias?
Corrado Mastantuono: Eu sinto-me um desenhador a 360 graus, e falar só de quadradinhos ou só de capas seria muito limitador. São trabalhos diferentes. A BD deve fluir e deve comunicar, por isso as coisas mais importantes são a cenografia e a naturalidade; já nas capas o importante são a composição e o cuidado com os detalhes. Cada trabalho é, a seu modo, uma aposta. Não importa se é uma capa, uma história, um cartaz, o divertido é encarar o problema de maneira profissional. As capas de Blek Macigno, como também as de Capitão Miki, são um exemplo de “reescritura visual” do género, isto é, como actualizar o herói ao gosto dos nossos dias sem negar a clássica matriz aventurosa. Para não desnaturar personagens como Blek ou Miki não se pode afastar-se muito das raízes. Haveria o risco de desagradar os leitores tradicionais sem necessariamente conseguir chamar a atenção dos novos. Buscar novas formas de interpretá-los é uma grande responsabilidade, eles estão entre os símbolos dos quadradinhos italianos. Então, dar uma chacoalhada neles significa renová-los.
E depois de Nick Raider e Mágico Vento, você chegou a Tex. Quais foram os seus objectivos nesta série?
Corrado Mastantuono: Revolucionar o que eu havia feito até aquele momento para a editora Bonelli. O Tex gigante é um volume diferente dos outros. É impresso muito grande e abrigou as melhores assinaturas do panorama mundial. Uma bela responsabilidade, não acham? Por isso eu arregacei as mangas e canalizei aquela energia criativa que a circunstância exigia: máxima atenção às personagens e observação atenta da narração. Também o formato da página que usei era decididamente maior que as que eu havia usado nas histórias anteriores.
Quais foram as suas dificuldades para entender o mito e imprimir um toque pessoal?
Corrado Mastantuono: No início foi um pesadelo porque, ao apoiar a ponta do lápis em tal “monolito” dos quadradinhos italianos, eu sentia muito forte o senso de responsabilidade, as minhas mãos tremiam, literalmente. Eu suei muito para achar o “meu” Águia da Noite.
Buscando inspiração, eu dirigi-me à obra de dois grandes profissionais como Giovanni Ticci e Claudio Villa; eles foram indicados pela redacção mas a personalidade gráfica de ambos era tão forte que chegou a condicionar o meu estilo. Todas as vezes que eu fazia um esboço, ao olhar para ele eu me dava conta de que aquele Tex não era o meu, era o deles! Depois, trabalhando com paciência, consegui caracterizá-lo como eu queria, comecei a dominar a sua fisionomia. E assim, do “tremor” eu passei ao prazer. Nisso tudo foi muito importante o diálogo com Sergio Bonelli, que sempre encorajou-me com extraordinária paciência e com a solidez de sua experiência. Por fim, veio a satisfação de ter levado a cabo uma obra que, no início, me parecia interminável. Espero que os leitores do Ranger partilhem comigo esse sentimento e que sintam, ao olhar as minhas páginas, uma pequena parte da satisfação que senti ao desenhá-las.
A sua composição dos quatro pards ficou muito boa. Apesar das influências, nota-se o seu estilo pessoal. A nosso ver Jack Tigre ficou muito elegante. Foi proposital ou apenas uma coincidência?
Corrado Mastantuono: Sergio Bonelli, como bom papai, deu-me máxima liberdade de acção. É certo que as personagens deveriam respeitar os modelos, mas eu pude movimentar-me dentro dos limites ditados pela coerência. Jack Tigre é uma personagem anómala. Fala pouco e suas falas são determinantes. Fisicamente eu pretendia afastar-me um pouco da iconografia que o prevê como uma espécie de Tex com cabelos compridos, faixa e pena na cabeça. Eu queria dar-lhe uma conotação particular que o diferenciasse das outras personagens da série. Não foi fácil, e o nariz aquilino e os lábios finos podem não ter sido suficientes para captar o esforço. Além disso, no Tex Gigante há muitas páginas em que Jack Tigre veste-se de hualpai, limitando a possibilidade de transformá-lo por demais, o que poderia deixá-lo irreconhecível.
A impressão que nos ficou desta estreia em Tex é de um desenho muito dinâmico e de uma contínua procura de perspectivas e enquadramentos que dêem à história um ambiente cinematográfico. Isso porque, na sua visão, a banda desenhada não é estanque e deve se expressar em constante movimento e dinamismo ou porque o cinema influencia-o de modo a dominar a sua arte?
Corrado Mastantuono: Obrigado. Esse do desenho dinâmico é um belo elogio. Mas quando faço meus enquadramentos sequer percebo que eles sugerem movimento. Procuro respeitar o roteiro o mais possível e deixar o espaço necessário aos balões; o espaço restante deve ser ocupado com as cenas como foram previstas. Também devo dizer que esforço-me para evitar um ponto de vista muito rígido, por demais teatral, porque creio que uma representação comum penaliza a história e não acompanha como se deve a sugestão que a imagem sempre deve ter.
Como foi trabalhar com Claudio Nizzi como roteirista? E ele o ajuda muito em seu trabalho ou você deve documentar-se sozinho?
Corrado Mastantuono: Nizzi, do alto da sua experiência, sabe perfeitamente como dar as indicações sem inserir detalhes supérfluos. Não só isso, ele teve a gentileza de enviar-me edições antigas nas quais Galleppini havia desenhado os hualpais e, de um modo geral, forneceu-me material útil para exigências específicas do roteiro. Mas isso não deve fazer pensar em um tipo de texto por demais rigoroso, que limita o trabalho do desenhador. Nizzi tem um tipo de texto que deixa a máxima liberdade, principalmente no que diz respeito aos enquadramentos.
O que Tex significava antes para si? Nesse meio tempo mudou alguma coisa na sua percepção da personagem?
Corrado Mastantuono: Muitas vezes Tex deu-me a ideia de uma personagem de difícil aproximação. A vastidão de páginas produzidas e dos desenhadores empenhados fazia com que o eventual esforço de acrescentar algo de novo fosse uma utopia irrealizável. Com o tempo eu tive que rever a minha posição. Tex, justamente por ser uma personagem forte e de indubitável carisma, permite todas as possibilidades. Hoje, à distância de cinco anos e meio do primeiro quadradinho, eu posso dizer que desenhar Tex é seguramente a coisa mais divertida que aconteceu em minha vida profissional. Os cenários, os tiroteios, a acção a mancheias a cada ocasião, permite-me uma abordagem nunca tediosa ou burocrática.
Você está a desenhar uma nova história de Tex. Pode nos antecipar alguma coisa sobre esse seu segundo trabalho, quem é o roteirista, como é a ambientação, etc.?
Corrado Mastantuono: É mais uma história longa e, de consequência, outras 220 páginas. É uma história bem trabalhada por Mauro Boselli, e que contará, quase seguramente nas edições italianas de Maio e Junho de 2009, as contradições da Guerra de Secessão com um jovem Tex em flashback por quase toda a trama.
Que ambições você tinha ou tem dentro da SBE, especialmente com relação a Tex?
Corrado Mastantuono: De uma só vez eu tive tudo aquilo com que um desenhador da Bonelli pode sonhar: fazer um Tex Gigante para depois passar à série regular.
Em 2007 tivemos em Portugal uma antecipação mundial de quinze novos desenhadores de Tex, como é o seu caso, por exemplo. Como você vê essa entrada de tantos novos elementos na equipa texiana? Isso poderia significar um novo rumo na vida da série?
Corrado Mastantuono: A substituição de gerações é necessária. A grandeza da editora permitiu a muitos jovens ter experiências com faroeste em outras séries. Agora estamos prontos para dar o que temos de melhor ao nosso amado ranger. Claro, ninguém tem a ingenuidade de mirar ao percurso único e inigualável de Galep ou Ticci, mas cada um de nós colocará algo de pessoal e único que enriquecerá e renovará uma personagem já imortal.
Ultimamente também tem havido um reforço de roteiristas. Você acha que era algo inevitável? E com tantos roteiristas não se pode correr o risco de ver Tex desnaturado?
Corrado Mastantuono: Desnaturá-lo? Conhecendo o cuidado extremo que a editora reserva às histórias de Tex eu excluo essa hipótese sem reservas. Tex tem características distintas e essas não podem ser tocadas, os ventos de novidade podem chegar, quando muito, à construção dos rumos narrativos e da exploração dos variados aspectos da história do Oeste.
Recentemente você entrou no mercado francês com a série Elias le Maudit (Elias, o Maldito). Como foi isso?
Corrado Mastantuono: Eu recusei o primeiro projecto da editora francesa. Quando me propuseram o fantasy de “Elias le Maudit”, ele não me entusiasmou, foi bastante embaraçoso. Aceitei com relutância, no temor de que não me seria dada uma terceira chance. Só com o tempo, a trabalhar as personagens, afeiçoando-me às mil reviravoltas da história, a fazer e refazer para chegar a um estilo que fosse adequado ao mercado francês sem desnaturar-me, pude apreciar Elias e seu mundo. Brunò Lecigne, director artístico da Humanoides Associés, é uma pessoa simpática que, desde o início, deu-me toda a liberdade para mudar, substituir, transformar quadradinhos e páginas como eu desejasse. Claro que senti todo o peso de fazer uma revista de um género que nunca enfrentei antes para um mercado estrangeiro de mecanismos obscuros, mas essa injecção de confiança serviu para encarar melhor essa viagem árdua no melhor dos modos. Silvianne Corgiat, escritora de romances e roteiros para filmes, mas estreante nos quadradinhos, foi muito atenta ao distribuir os ritmos certos para cada sequência e aceitou com inteligente espírito de colaboração a ideia de que eu mudaria alguma coisa para que tudo fluísse melhor. O resultado é uma saga fantasy em três livros. Um ambiente medieval fundido a elementos mecânicos e modernos. Antigo e moderno numa colocação temporal impossível de efectuar. Nenhum tipo de documentação, nem mesmo iconográfica, para não ter qualquer tipo de condicionamento. A ideia de não estudar a produção fantasy com seus esquemas e sua linguagem visual nasceu justamente da exigência de não repetir um percurso traçado por outros. Conservar o sabor do género enfrentando com os olhos limpos de imagens, somente uma pitada de memória. Espero que, por isso, o produto final seja suficientemente original mas sem trair a expectativa dos amantes de fantasy.
Existem grandes diferenças entre o mercado italiano e o francês? Por exemplo, com relação aos prazos, que tipo de pressão você recebe em cada um desses mercados? E em qual deles você tem maior liberdade artística?
Corrado Mastantuono: As diferenças existem sobretudo no aspecto público-alvo. Na Itália a BD é necessariamente popular. Grandes tiragens para um público variado e, algumas vezes, desatento. A linguagem simplifica-se e desenhadores geniais e inovadores suam para se impor, enquanto têm vida fácil autores que podem ser lidos sem esforçar-se muito. Na França é mais destacado o autor, na Itália a personagem da BD. Os prazos de entrega são rigorosos nos dois casos e, com relação à liberdade, como se pode imaginar, na França há a possibilidade de fazer a história sem correcções ou intervenções externas.
Mastantuono é um desenhador versátil, visto que consegue desenhar Mickey Mouse e também consegue mover-se com excelência no Oeste real com Tex. Você tem um segredo especial?
Corrado Mastantuono: Eu não consigo enquadrar-me como realístico ou humorístico ou grotesco. Eu sou um desenhador e tenho o privilégio de fazer coisas muito diferentes entre si, assim não corro o risco de me entediar.
Que dificuldades encontra, ao passar de um género a outro, um autor que faz bem tanto o género cómico quando o realista?
Corrado Mastantuono: Para absorver a história e suas personagens eu preciso em média de quatro ou cinco dias. A passagem entre os dois estilos já foi atormentada e às vezes involuntariamente cómica. Não era raro encontrar personagens realísticos com movimentos extremamente elásticos ou cenas de Mickey Mouse com traços de estilo incoerentes. No início, além da dificuldade de género em si, era difícil realizar coisas que eu conhecia pouco. Com um pouco de experiência também diminuiu o esforço de mudar de enfoque.
E quais são as suas fontes de inspiração, vista a sua produção tão variada?
Corrado Mastantuono: Ninguém cria nada do zero e eu, como todo mundo, tive influências e amores importantes para a minha formação. Espero ter tido suficiente lucidez para forjar e plasmar essas influências e fazer com que se tornassem um enriquecimento e não um limite. Espero que o meu seja um estilo com constante necessidade de crescimento. Eu preciso mudar, continuar a ver coisas que gosto para poder entender seus segredos e captar seu fascínio. Eu envelhecerei quando não tiver mais vontade de fazer experiências ou de fazer aflorar possibilidades ainda não exploradas.
Você já se acostumou a submeter-se a alterações impostas pelos roteiristas ao seu trabalho? E, por outro lado, às vezes tem vontade de mudar alguma coisa num roteiro?
Corrado Mastantuono: A não ser que também sejam os supervisores da série, os roteiristas não podem intervir no trabalho do desenhador. Nós, sim (eh, eh!). Pessoalmente, eu só intervenho se considero a sequência pouco clara e de difícil compreensão. Fora isso, respeito muito o trabalho dos outros e, nos limites do possível e das minhas escolhas estilísticas, busco seguir a descrição do roteiro nos mínimos detalhes.
Como é o seu processo criativo? Você faz uma página completa e depois passa para outra? E quais instrumentos de trabalho você usa?
Corrado Mastantuono: De um modo geral eu prefiro completar toda a história a lápis antes de passar à arte-final com pincel e caneta de ponta porosa. Isso por uma razão estritamente prática: o responsável da redacção pode ver os desenhos a lápis de todo o episódio. Em caso de ajustes, as correcções serão mais ágeis e indolores. Eu não faço storyboard (n.t.: sequência de esboços) nem desenhos preparatórios. Eu desenho directamente na página, um quadradinho após o outro, a começar daquele de cima à esquerda. O meu trabalho é extremamente detalhista, tanto que não posso saltar um quadradinho e nem deixá-lo incompleto antes de passar ao seguinte.
Quanto tempo leva para desenhar uma página? Você tem horários? Como é a sua jornada padrão entre trabalho, leituras, manter-se informado, lazer, vida familiar?
Corrado Mastantuono: Eu acordo entre 8h/8h30min. Por volta das nove coloco-me à mesa de trabalho e nela permaneço até às 14h. Como alguma coisa e volto ao trabalho às quatro, onde fico até às 20h30min. É assim todos os dias, inclusive aos sábados.
E os seus projectos para o futuro? Pode nos antecipar alguma coisa?
Corrado Mastantuono: Na Itália acabou de sair um livro meu, “Heidi e Outros Flashes”, uma colectânea de material grotesco publicado em várias revistas nos últimos quinze anos. Neste ano, além do costumeiro trabalho para Disney e Bonelli, eu deverei fazer uma história em cores para Dylan Dog. Com o encerramento parcial da Humanoides Associés, a publicação na França é uma incógnita. Tenho dois projectos, dos quais um humorístico concluído (órfão do redimensionamento da Humanoides) e um realístico com o roteiro completado. Espero que ambos encontrem uma colocação o quanto antes.
Como você faria uma rápida análise da sua carreira?
Corrado Mastantuono: Eu colaborei com séries históricas, desenhei Mickey Mouse, Tex, Diabolik, Nick Raider, Yellow Kid, Mágico Vento e outras mais. Eu cheguei onde jamais teria esperado. Por isso agradeço a quem acreditou em mim quando eu me debatia para sair dos redemoinhos impessoais do anonimato e ao destino que me doou dedos sensíveis e boa visão.
Quais quadradinhos você lê actualmente, com quais mais identifica-se?
Corrado Mastantuono: Muitos do panorama italiano e francês. Algo da produção de super-heróis dos EUA. Não colecciono séries e só escolho de acordo com quem desenha, sejam revistas ou livros aos quadradinhos. Pode ser a mais bela história jamais escrita, mas se é acompanhada por um desenho medíocre, ela não me pegará.
Além de BD, que tipo de livros você lê? E quais são as suas preferências no campo do cinema e da música?
Corrado Mastantuono: Livros: Herman Hesse, Pirandello, Benni, Queneau… O último que eu li foi “Prima pagare, poi ricordare” (Pagar Primeiro, Recordar Depois) de Filippo Scozzari. Música: Pink Floyd, Beatles, Dire Straits, Paul Simon, De Gregori… O último CD que comprei foi “Anime Salve” de Fabrizio De Andrè. O último filme foi “Ratatui”, da Pixar.
Caro Corrado, em nome do blogue português de Tex, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
Corrado Mastantuono: Uma saudação calorosa a todos aqueles que me acompanharam neste delírio.
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Intervista esclusiva: CORRADO MASTANTUONO
Intervista condotta da José Carlos Francisco, con la collaborazione di Giampiero Belardinelli e Mário João Marques per la formulazione delle domande e di Júlio Schneider (traduttore di Tex e Magico Vento per il Brasile) e di Gianni Petino per le traduzioni e le revisioni.
Caro Corrado Mastantuono, per quelli che ancora non ti conoscono vuoi farci una piccola presentazione di te stesso?
Corrado Mastantuono: Sono nato a Roma il 20 dicembre 1962. Nel 1980 mi diplomo all’”Istituto Nazionale per la Cinematografia e la Televisione” come disegnatore di cartoni animati, attività che mi forma professionalmente e che svolgo dal 1980 al 1989. Nel 1990 debutto sul n. 92 della rivista l’Eternauta che, insieme all’altra rivista della stessa casa editrice, Comic Art, segna il passaggio nel mondo del fumetto. Nello stesso anno esordisco su “Topolino”. La collaborazione con la Walt Disney mi porta sulle pagine di “Minni & company”, “Giovani Marmotte”, “PK”, “MM”. Nel 1997 con la storia “Paperino e la macchina della conoscenza” (Topolino n.2172) creo il personaggio di Bum Bum Ghigno di cui a tutt’oggi scrivo e in parte disegno le storie. Nel 1993 entro a far parte dei disegnatori della casa editrice Bonelli collaborando alle testate “Nick Raider” e “Magico Vento”. Con lo speciale n. 21, “Il Profeta Walpai” (07.2007), mi dedico ai disegni della testata storica “Tex”. Come disegnatore approdo anche al mercato francese, con il fantasy “Elias il maledetto” per la casa editrice Humanoides Associés (07.2004), edito in Italia da Vittorio Pavesio.
Che posto hanno avuto i fumetti, soprattutto i Bonelli nella tua infanzia?
Corrado Mastantuono: Lunghe estati in cui facevo delle indigestioni di fumetti Bonelli. Con la riluttante complicità di un mio amico, Paolo, di un anno più grande di me e proprietario delle preziose collezioni, facevo provviste di decine di Zagor e di Tex. Li divoravo. In breve tempo esaurivo tutta la scorta e si ricominciava. Ancora ricordo come m’impressionò una caccia all’uomo, la cui vittima sacrificale nei progetti del malvagio di turno avrebbe dovuto essere Zagor, che mi lasciò col fiato sospeso per un intero pomeriggio.
Come è nata in te la passione per il disegno? E in quale momento hai deciso che questo sarebbe stato il tuo lavoro?
Corrado Mastantuono: Credo di aver vissuto una sorta di predestinazione. Sin da piccolo tutti apprezzavano la mia abilità nel disegno. La mia scoperta della prospettiva alle elementari (otto anni circa) era talmente prematura da risultare incomprensibile ai piccoli compagni della mia classe. Liquidarono la mia casa, che non si appoggiava sull’orizzonte del terreno, semplicemente come sotterrata. Non c’era giorno che non mi dedicassi qualche ora a scarabocchiare qualcosa. Certo, farne una professione mi sarebbe piaciuto ma mi rendevo conto che non sarebbe stato facile. Vennero in mio soccorso, oltre alla passione e un po’ di talento, tutta una serie di circostanze irripetibili. Chiamiamolo destino.
Quali sono state le tue esperienze professionali prima di approdare alla Sergio Bonelli Editore?
Corrado Mastantuono: Be’, come ho già accennato nella presentazione, il mio esordio professionale avvenne in uno studio di cartoni animati. Era il 1980, a diciassette anni venni assunto come animatore. Busta paga, timbro all’entrata, contributi previdenziali e tutto il resto. Ero giovane e inesperto, con grande grinta ma acerbo e goffo. I nove anni nello studio d’animazione mi hanno formato professionalmente dandomi la possibilità di confrontarmi con le attività più svariate: marchi, lay-out, scenografie, illustrazioni, storyboard, animazioni, depliant. Nonostante la mia giovane età fui, quasi fin da subito, caricato di responsabilità e questo fu stimolante e accelerò la mia maturità anche a livello umano. Nel 1989 il computer invase gli studi di animazione e ribellandomi all’idea di dover rinunciare al rapporto quotidiano con la matita, la grafite e tutto quel che c’è di artigianale nel mio lavoro, presi la decisione di cambiare pelle. Mollai reggette, pencil-test, bancali, intercalazioni e sterzai verso il fumetto. Nell’89 il battesimo professionale nella prima rivista. Rodolfo Torti era il direttore artistico e Roberto dal Prà era il supervisore letterario della casa editrice italiana Comic Art, una rivista “contenitore” che pubblicava gente del calibro di Serpieri, Corben, Moebius e tanti altri. I due controllavano tutto il materiale nuovo che arrivava in redazione e vagliavano giovani autori e serie nuove. Capitò così che un esordiente, Arcangelo Stigliani, e un quasi esordiente, io, per un paio d’anni demmo vita a Cargo Team, serie fantascientifica con grandi ambizioni limitate dall’inesperienza di entrambi. Mi divertii molto a disegnarla anche se all’inizio dovetti misurarmi con la scrittura copiosa di Stigliani che concedeva poco spazio al disegno. Quando finalmente aggiustammo entrambi il tiro venne sospesa. La casa editrice, dopo un’importante flessione di vendite, interrompeva la produzione di materiale nuovo e decideva di continuare solo le pubblicazioni estere. Amen. Subito dopo arrivò la telefonata di Sergio Bonelli.
Il tuo debutto in Bonelli coincide con Nick Raider, con l’episodio “Un uomo nel mirino” (n. 74, luglio 1994), scritto con un linguaggio asciutto e maturo dall’ideatore della serie Claudio Nizzi. Quali sono stati i tuoi contatti con la SBE e cosa ricordi di quel racconto?
Corrado Mastantuono: Il mio primissimo contatto con la Bonelli è avvenuto con una illustrazione per la mostra Ridere di Paura, nel ‘93. Mi coinvolse in quest’avventura Luca Boschi, incaricato dalla casa editrice di organizzare la mostra e le illustrazioni da esporre dei vari autori. Il mio stile colpì molto in Bonelli, in particolare a Renato Queirolo. Che cosa è accaduto dopo? Be’, quella affrontata con la serie a fumetti Nick Raider è stata un’altra sfida difficilissima. Fino a quel momento, per la Comic Art, avevo sviluppato un tipo di segno graffiato. Amavo suggerire più che raccontare. Ora, invece, dovevo confrontarmi con un lettore diverso. Il lettore bonelliano avrebbe accolto con indignazione le mie sperimentazioni. Dovevo rivedere tutto. Con tanta pazienza ho messo a punto negli anni un tipo di disegno che cerca di sposare appieno le esigenze della casa editrice, ma senza snaturarmi.
Dopo l’esperienza di Casertano e di Ramella alle copertine della serie poliziesca, l’incarico e passato nelle tue mani (dal n. 100 al n. 200, albo di chiusura della testata). Come è stato il tuo approccio all’incarico?
Corrado Mastantuono: Ho colto la difficile eredità con grande devozione e la massima umiltà. Per I primi anni mi sono limitato a ripetere le metodologie lavorative dei miei illustri predecessori Casertano e Ramella: vignettone in bianco e nero e indicazione dei colori che avrebbe realizzato qualcun altro. Poi, piano piano, per non urtare la suscettibilità di una casa editrice che vive sempre con ansia i cambiamenti, cominciai a fare delle proprie illustrazioni a tempera, ricche di azione e di atmosfere. Mi divertivo tantissimo a realizzarle e l’entusiasmo venne recepito. Quelle cover, dopo qualche anno, mi fruttarono un premio.
Nel tuo lavoro di copertinista di Nick Raider quali sono stati – se ne hai avuti – i modelli di riferimento?
Corrado Mastantuono: Sono onnivoro e mi cibo mentalmente di qualsiasi cosa. Da Sciotti e Casaro, pittori di poster cinematografici dei primi anni ’80, al copertinista grafico e geniale Pinter, dall’inarrivabile Rockwell alle cover dei tascabili gialli Mondadori sempre molto evocative. Ogni cosa io incontravo sulla strada alimentava indirettamente la realizzazione delle mie cover.
In seguito al tuo lavoro “metropolitano” con Nick, sei approdato ai selvaggi territori western di Magico Vento. Quali sono state le eventuali difficoltà nell’approccio con la serie ideata da Gianfranco Manfredi?
Corrado Mastantuono: Affrontare un fumetto western significa conoscere alla perfezione ogni singolo oggetto da disegnare ricercando all’infinito immagini e foto del periodo. Anche le atmosfere polverose sono difficili da rendere. Lo sporco, il sudore, il sacrificio dei primi pionieri deve sgorgare convincente dalla pagine, senza compiacimenti grafici, senza esitazioni di sorta. Un inferno! Ma devo ammettere che Magico Vento è riuscito a coinvolgermi a tal punto da farmi dimenticare la fatica. Avevo collaborato con Manfredi già in un albo per Nick Raider (“La rosa gialla del Texas“, n.121, 06.1998 nell’edizione italiana) e mi ero trovato a mio agio. Dopo le storie per Magico Vento, Manfredi è l’autore Bonelli con il quale ho più collaborato. Per mia fortuna non è di quelli che si accanisce in descrizioni rigorose. Lascia sufficiente libertà d’interpretazione. Forse eccede con la richiesta di figure intere dall’alto. Quando posso cerco di accontentarlo ma il più delle volte, dopo averci ripetutamente provato, devio verso soluzioni a me più gradite.
Vista la positiva esperienza alle copertine di Nick Raider, sei stato incaricato di illustrare anche quelle di Magico Vento. Quali sono state le differenze d’impostazione e le tecniche utilizzate?
Corrado Mastantuono: Per Nick Raider, come dicevo, si è optato per una illustrazione a tempera, materica, con un gioco di pennellate per far risaltare le atmosfere. Con Magico Vento , anche per non confondere i lettori, era necessario un taglio completamente diverso. Mi è stato chiesto di mantenere il contorno nero, scomparso invece sulle cover dell’ultimo Nick Raider, e una grande cura del particolare. Quello che ho proposto è una tecnica che prevede il disegno realizzato a mezzatinta a matita e colorato al computer. Il risultato finale ha incontrato il favore dei lettori esigenti della serie e di questo non posso che esserne orgoglioso perchè non è stato affatto facile. A una casa editrice che ha fondato il suo successo sulla tradizione e sulla riconoscibilità far passare l’idea di un’illustrazione realizzata al computer era arduo. La possibilità di correggere l’immagine o il colore in tempo reale, in modo indolore e quasi senza fatica risultò essere l’elemento che spazzò via gli ultimi dubbi. Elemento che poi, soprattutto all’inizio, mi si ritorse contro. Le richieste di correzioni dilatavano il lavoro facendomi ricredere sull’effettiva bontà dell’operazione. Per fortuna in pochi mesi tutto si è appianato e ora le cover di Magico Vento sono tra le più apprezzate fra le testate Bonelli.
Trovi che la dimensione di copertinista – vista anche le tue esperienze extra bonelliane come la ristampa di Blek Macigno pubblicata dalle edizioni If di Gianni Bono – sia la tua autentica dimensione oppure vorresti dedicarti di più al racconto per immagini?
Corrado Mastantuono: Io mi sento disegnatore a 360 gradi e parlare solo di fumetti o solo di copertine risulterebbe per me limitante. Sono lavori diversi. Il fumetto deve scorrere e deve comunicare, per cui la cosa più importante e la regia e la scorrevolezza, con le cover è importante la composizione e la cura del dettaglio. Ogni lavoro diventa a suo modo una scommessa. Non importa se si tratti di cover, di fumetti, di manifesti, il divertente è affrontare il problema in maniera professionale. Le cover di Blek Macigno, come anche quelle di Capitan Miki, rappresentano un esempio di “riscrittura visiva” del genere: ovvero come aggiornare l’eroe al gusto odierno senza negarne la classica matrice avventurosa. Per non snaturare un personaggio come Blek o Miki non ci si può allontanare troppo dalle radici. Si rischierebbe di deludere lo zoccolo duro dei lettori senza necessariamente riuscire a incuriosire quelli nuovi. Cercare nuovi modi per interpretarli è una grossa responsabilità, sono tra i simboli del fumetto italiano e stravolgerli un po’ vuol dire anche rinnovarli.
E dopo Nick Raider e Magico Vento sei arrivato a Tex. Quali sono stati i tuoi obiettivi in questa serie?
Corrado Mastantuono: Rivoluzionare quello che avevo fatto fino a quel momento per la casa editrice Bonelli. Il Tex gigante è un albo diverso dagli altri. Viene stampato molto grande e ha ospitato le migliori firma del panorama mondiale. Una bella responsabilità, non trovate? Per cui mi sono rimboccato le maniche e profuso quell’energia creativa che la circostanza richiedeva: massima attenzione ai personaggi e cura spasmodica della narrazione. Anche il formato della tavola su cui decisi di confrontarmi era decisamente più grande di quelle che avevo usato nelle storie precedenti.
Quali sono state le tue difficoltà nel capire il mito e dargli il tuo tocco personale?
Corrado Mastantuono: All’inizio è stato un incubo perchè sentivo un fortissimo senso di responsabilità nel poggiare la punta della matita su un simile “monolito” del fumetto italiano, mi tremavano letteralmente le mani. Ho sudato molto per trovare il “mio” Aquila della Notte…
Cercando ispirazione, mi sono rivolto all’opera di due grandi professionisti come Giovanni Ticci e Claudio Villa, indicati dalla redazione ma la loro personalità grafica era così forte da condizionare troppo il mio stile; ogni volta che mettevo giù un bozzetto, riguardandolo mi rendevo conto che quel Tex non era il mio, ma il loro! Poi, lavorandolo con pazienza, sono riuscito a caratterizzarlo come volevo, a prendere possesso della sua fisionomia. E così, dal “tremore” sono passato al piacere. In tutto questo, è stato importantissimo il dialogo con Sergio Bonelli, che mi ha sempre incoraggiato con straordinaria pazienza e con la solidità della sua esperienza. Infine è arrivata la soddisfazione per aver portato a termine un’opera che, all’inizio, mi sembrava interminabile… Spero che i lettori del Ranger condividano questo sentimento e che provino, nel guardare le mie tavole, una piccola parte della soddisfazione che io ho provato nel disegnarle.
Hai conseguito molto bene la composizione dei quattro pards. Oltre alle influenze si nota il tuo tocco personale. Secondo noi il personaggio di Tiger Jack è particolarmente elegante. È stato voluto o è solo una coincidenza?
Corrado Mastantuono: Sergio Bonelli, come un papà buono, mi ha dato la massima libertà di azione. Certo, i personaggi dovevano rispettare i modelli, ma all’interno di confini dettati dalla ragionevolezza mi sono potuto muovere. Tiger Jack è un personaggio anomalo. Parla poco e la sua recitazione diventa determinante. Fisicamente volevo un po’ distaccarmi dall’iconografia che lo vedeva come una sorta di Tex con capelli lunghi, fascia e penna in testa, volevo dargli una connotazione particolare che lo differenziasse dagli altri personaggi della serie. Non è stato facile e forse il naso aquilino e il labbro sottile non sono stati sufficienti per cogliere lo sforzo. Il più nel Tex gigante ci sono molte pagine in cui Tiger Jack è travestito da hualpai limitando la possibilità di trasformarlo troppo per il pericolo di renderlo irriconoscibile.
L’impressione che abbiamo ricavato è di un disegno molto dinamico e di una ricerca continua di prospettive ed inquadrature che diano alla storia un sapore cinematografico. Questo perchè secondo te il fumetto non è statico e quindi occorre esprimere un costante movimento e dinamismo oppure perchè il cinema t’influenza in modo tale da dominare la tua arte?
Corrado Mastantuono: Grazie, mi sembra un bel complimento quello del disegno dinamico. Mentre lo faccio però non è che mi renda conto che le mie inquadrature suggeriscano movimento. Cerco di rispettare la sceneggiatura il più possibile e lasciare lo spazio necessario per i balloon, nello spazio che resta il più delle volte le scelte sono obbligate. C’è anche da dire però che mi sforzo di evitare un punto di vista piatto, troppo teatrale, perchè trovo che una rappresentazione banale penalizzi il racconto e non accompagni come si dovrebbe la suggestione che deve avere sempre l’immagine.
Com’è stato lavorare su Tex, e con Claudio Nizzi come sceneggiatore? E lui ti aiuta molto nel tuo lavoro di disegnatore oppure devi documentarti da solo?
Corrado Mastantuono: Nizzi, dall’alto della sua esperienza, sa perfettamente come dare le indicazioni senza inserire superflui dettagli. Non solo, ha avuto la gentilezza di mandarmi dei vecchi albi dove Galleppini aveva disegnato gli Hualpai e in generale mi ha procurato del materiale quando utile per richieste specifiche nella sceneggiatura. Questo non deve far pensare però a un tipo di scrittura troppo rigorosa, che danneggi l’estro del disegnatore, Nizzi ha un tipo di scrittura che lascia la massima libertà, soprattutto per quanto riguarda le inquadrature.
Cosa significava, prima, Tex per te? Nel frattempo è cambiato qualcosa nella tua percezione del personaggio?
Corrado Mastantuono: Tex mi ha dato più volte l’idea di un personaggio difficile da avvicinare. La vastità delle tavole prodotte e dei disegnatori impegnati rendeva l’eventuale sforzo di aggiungere qualcosa di nuovo come un’utopia irrealizzabile. Col tempo mi sono dovuto ricredere. Tex, proprio perchè personaggio forte e dall’indubbio carisma, permette ogni possibilità. Oggi posso dire, a distanza di cinque anni e mezzo dalla prima vignetta, che disegnare Tex è sicuramente la cosa più divertente che mi sia capitata nella mia vita professionale. Gli scenari, le pistolettate, l’azione profusa a ogni occasione, mi permette un approccio mai annoiato e mai di maniera.
A quanto ci risulta, stai disegnando una nuova storia di Tex: puoi anticiparci qualcosa sulla tua seconda storia, chi è lo sceneggiatore, quale è l’ambientazione ecc.?
Corrado Mastantuono: Ancora una storia lunga e, di conseguenza, altre 220 tavole. E’ una storia articolata gestita al meglio da Mauro Boselli. Narrerà, quasi sicuramente nei numeri italiani di maggio e giugno 2009, le contraddizioni della Guerra di Secessione con un giovane Tex in flashback per quasi tutto il racconto.
Quali ambizioni avevi o hai all’interno della SBE, soprattutto in relazione a Tex?
Corrado Mastantuono: Ho ottenuto in un colpo solo tutto quello che un disegnatore della Bonelli può sognare: realizzare un Tex Gigante per poi passare sulla serie regolare.
Nel 2007 abbiamo avuto in Portogallo un’anticipazione mondiale di quindici nuovi disegnatori di Tex, com’è per esempio il tuo caso. Come vedi questa entrata di tanti nuovi elementi nello staff di Tex? Questo potrebbe essere un nuovo corso nella vita della serie?
Corrado Mastantuono: Il ricambio generazionale è necessario. La grandezza della casa editrice ha permesso a tanti giovani di fare esperienza western su altre serie. Ora siamo pronti a dare quanto di meglio possiamo riservare al nostro amato ranger. E’ chiaro, nessuno ha l’ingenuità di prefiggersi il percorso unico e irripetibile di Galep o Ticci, ma ognuno di noi metterà quel qualcosa di personale e unico che non potrà che arricchire e rinnovare un personaggio già immortale.
C’è stato un rinforzo anche a livello di sceneggiatori ultimamente. Pensi che fosse qualcosa d’inevitabile? E con tanti sceneggiatori non pensi si possa correre il rischio di vedere Tex snaturato?
Corrado Mastantuono: Snaturarlo? Conoscendo la cura maniacale che la casa editrice riserva alle storie di Tex mi sento di escluderlo senza riserve. Tex ha delle caratteristiche distinte e quelle non vanno toccate, la ventata di novità potrà arrivare semmai dalla costruzione degli intrecci narrativi e dall’esplorazione dei variegati aspetti della storia del West.
Recentemente sei entrato nel mercato francese con la serie Elias le Maudit (Elia il Maledetto). Com’è andata la faccenda?
Corrado Mastantuono: Bocciai il primo soggetto della casa editrice francese. Quando mi proposero il fantasy di “Elias le Maudit” non mi entusiasmò e mi trovai fortemente in imbarazzo. Accettai con riluttanza nel timore che non mi sarebbe stata data una terza possibilità. Solo col tempo, lavorando sui personaggi, affezionandomi ai mille risvolti della storia, provando e riprovando per arrivare a una chiave stilistica che fosse adatta al mercato francese senza snaturarmi, ho potuto apprezzare Elias e il suo mondo. Brunò Lecigne, direttore artistico degli Humanoides Associés è una persona deliziosa che, fin da subito, mi ha lasciato tutta la libertà di cambiare, sostituire, trasformare pagine e vignette a mio piacimento. Certo, ho sentito tutto il peso della responsabilità di realizzare un albo di un genere mai affrontato prima per un mercato straniero dai meccanismi oscuri ma questa iniezione di fiducia è servita per affrontare questo viaggio faticoso nel migliore dei modi. Silvianne Corgiat, scrittrice di romanzi e sceneggiature per film, ma esordiente nei fumetti, è stata molto attenta a distribuire i ritmi giusti a ogni sequenza e ha accolto l’idea che cambiassi qualcosa per rendere tutto più scorrevole con intelligente spirito collaborativo. Il risultato è una saga fantasy di tre libri. Un ambiente medievale fuso a elementi meccanici e moderni. Antico e moderno in una collocazione temporale impossibile da effettuare. Nessun tipo di documentazione, neanche iconografica per non aver nessun tipo di condizionamento. L’idea di non studiare la produzione fantasy con i suoi stilemi e il suo linguaggio visivo nasce proprio dall’esigenza di non ripetere un percorso tracciato da altri. Conservare il sapore del genere affrontandolo con gli occhi sgombri da immagini, solo un pizzico di memoria. Spero che il prodotto risulti per questo sufficientemente originale senza per questo tradire le attese degli amanti del fantasy.
Vi sono grandi differenze fra il mercato italiano e quello francese? Per esempio: che tipo di pressione ti viene imposta in ognuno di questi mercati relativamente ai tempi? Ed in quale hai maggiore libertà artistica?
Corrado Mastantuono: Le differenze sono soprattutto di fruizione. In Italia il fumetto è necessariamente popolare. Grandi tirature per un pubblico variegato e, qualche volta, distratto. Il linguaggio si semplifica e disegnatori geniali e innovativi fanno fatica a imporsi, hanno vita facile autori che possono essere letti senza sforzarsi troppo. In Francia viene esaltato l’autore, in Italia più il personaggio dei fumetti. Le consegne sono rigorose in entrambi i casi mentre per la libertà, come si può immaginare, in Francia si ha la possibilità di realizzare l’albo senza correzioni o interventi esterni.
Mastantuono è un disegnatore versatile, dato che riesce a disegnare Topolino ma riesce a sbrogliarsi egregiamente nel vero West con Tex. Hai un segreto speciale?
Corrado Mastantuono: Faccio fatica a inquadrarmi come realistico o umoristico o grottesco. Sono un disegnatore e ho il privilegio di fare cose molte diverse tra loro, così non rischio di annoiarmi.
Quali difficoltà incontra nel passare da un genere all’altro un autore capace di riuscire sia nel genere comico che nel realista?
Corrado Mastantuono: Per impadronirmi della storia e dei suoi personaggi mi servono in media quattro, cinque giorni. Il passaggio tra i due stili un tempo era travagliato e a volte involontariamente comico. Non era raro incontrare personaggi realistici con movimenti esageratamente molleggiati o vignette di Topolino con tratteggi stilisticamente incoerenti. Agli inizi, oltre alla difficoltà in sè, c’era una fatica per realizzare cose che, al di là dei generi, conoscevo poco. Con un po’ di esperienza è diminuito anche lo sforzo di cambiare registro.
E quali sono le tue fonti d’ispirazione, vista la tua produzione così varia?
Corrado Mastantuono: Nessuno inventa nulla da zero e io, come tutti, ho avuto influenze e amori importanti per la mia formazione. Spero di avere avuto sufficiente lucidità per forgiare e plasmare quelle influenze facendole diventare un arricchimento e non un limite. Spero che il mio sia uno stile che abbia sempre bisogno di evolversi. Ho bisogno di cambiare, di continuare a vedere cose che mi piacciono per capirne i segreti e carpirne il fascino. Invecchierò quando non avrò più voglia di sperimentare, di tirar fuori le possibilità ancora inespresse.
Ti sei abituato ad essere soggetto ad alterazioni imposte dagli sceneggiatori ai tuoi lavori ? E d’altra parte, hai talvolta voglia di cambiare qualcosa in una sceneggiatura?
Corrado Mastantuono: Gli sceneggiatori, a meno che non siano anche curatori di serie, non hanno la possibilità d’intervenire sul lavoro del disegnatore. Noi si, eh, eh! Io personalmente intervengo solo se ritengo la sequenza poco chiara e di difficile comprensione. Altrimenti sono molto rispettoso del lavoro altrui e, nei limiti del possibile e delle mie scelte stilistiche, cerco di seguire la descrizione in sceneggiatura al dettaglio.
Come procedi nella creazione? Fai una pagina completa e dopo passi all’altra? E quali strumenti di lavoro utilizzi?
Corrado Mastantuono: In genere preferisco completare l’intera storia a matita prima di affrontarla a inchiostro di china con pennino e pennello. Questo per una ragione strettamente pratica. Il responsabile della redazione ha il tempo di visionare i disegni a matita dell’intero episodio. In caso di rimaneggiamenti le correzioni saranno più agili e indolori. Non mi servo di storyboard ne di disegni preparatori. Disegno direttamente sulla tavola, progressivamente, una vignetta dopo l’altra, partendo da quella in alto a sinistra a scendere. Il mio lavoro è quasi maniacale tanto che non posso saltare una vignetta ne lasciarla incompleta prima di passare a quella successiva.
Quanto tempo impieghi per disegnare una tavola? Hai degli orari? Come si articola una tua giornata tipo fra lavoro, letture, tenerti informato, ozio, vita familiare?
Corrado Mastantuono: Sveglia alle 8,00/8,30. Intorno alle nove sono sul tavolo di lavoro dove rimango inchiodato fino alle 14,00. Mangio qualcosa e alle quattro mi rimetto a lavoro fino almeno alle 20,30. Così tutti i giorni, sabato compreso.
E i tuoi progetti per il futuro? Puoi anticiparci qualcosa?
Corrado Mastantuono: In Italia è appena uscito un mio libro “Heidi e altri Flash”, una raccolta di materiale grottesco pubblicato su varie riviste negli ultimi quindici anni. Quest’anno, oltre al solito lavoro per Disney e Bonelli, dovrei realizzare una storia a colori per Dylan Dog. Con la chiusura parziale degli Humanoides Associés, la pubblicazione in Francia è un’incognita. Ho due progetti di cui uno umoristico finito (orfano appunto del ridimensionamento degli Humanoides) e uno realistico con la sceneggiatura completa. Spero trovino una collocazione quanto prima.
Per chiudere il discorso, puoi farci un’analisi dell’evoluzione della tua carriera?
Corrado Mastantuono: Ho collaborato a testate storiche disegnando Topolino, Tex, Diabolik, Nick Raider, Yellow Kid, Magico Vento e altro ancora. Sono arrivato dove mai avrei sperato. Di questo ringrazio chi ha creduto in me quando annaspavo nei gorghi impersonali dell’anonimato e la sorte che mi destinato dita sensibili e occhi ladri.
Quali fumetti leggi attualmente ovvero con quali ti identifichi maggiormente?
Corrado Mastantuono: Molti del panorama Italiano e francese. Qualcosa della produzione supereroistica USA. Non colleziono serie e scelgo solo in relazione a chi disegna, sai per quanto riguarda gli albi che i libri a fumetti. Ci può essere la più bella storia mai scritta ma se è accompagnata da un disegno mediocre non mi avrà mai.
Oltre ai fumetti, quale tipo di libri leggi? E quali sono le tue preferenze nel campo del cinema e della musica?
Corrado Mastantuono: Herman Hesse, Pirandello, Benni, Queneau… L’ultimo che ho letto “Prima pagare, poi ricordare” di F. Scozzari. Pink Floyd, Beatles, Dire Straits, Paul Simon, De Gregori… L’ultimo CD comprato “Anime Salve” di Fabrizio De Andrè e l’ultimo film “Ratatuille” della Pixar.
Caro Corrado, a nome del blog portoghese di Tex ti ringraziamo moltissimo per l’intervista che ci hai così gentilmente concesso.
Corrado Mastantuono: Un caloroso saluto a tutti quelli che mi hanno seguito in questo delirio.
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