O POVO CHEROKEE E A TRILHA DE LÁGRIMAS

Por AMoreira

O POVO CHEROKEE E A TRILHA DE LÁGRIMAS

O POVO CHEROKEE E A TRILHA DE LÁGRIMAS - Imagem 1Diz uma lenda Cherokee que os Cherokees vieram de longe, do Noroeste.
Isto pode ser verdade, uma vez que há séculos atrás, as pessoas provavelmente vieram da Sibéria, e alguns chegaram mais ao sul e tornaram-se conhecidos como os índios da América do Sul, mas muitos permaneceram na América do Norte.
Os Cherokees viviam ao norte da Geórgia, Tennessee Oriental, Ocidental e Carolina do Norte.

Os Cherokees diziam que o Grande Espírito deu-lhes as suas terras, e estas terras eram terras boas e bonitas no território Apalaches, e abrangiam oitos estados. Os Cherokees formavam o povo da floresta.
Como eles precisavam de uma “capital”, eles a fundaram na Geórgia e a chamaram de Cidade Nova, mas mais tarde eles mudaram o nome para Nova Echota.

O POVO CHEROKEE E A TRILHA DE LÁGRIMAS - Imagem 2A maior parte dos Cherokees vivia em casas em suas vilas / aldeias. Algumas eram feitas de barro e de gramíneas. Gramíneas selvagens eram utilizadas para os telhados, e tinham lareiras de calor, para o frio de Inverno e eram construídas pelos homens.
O seu único meio de transporte era de canoa, que geralmente eram feitas com fósseis (de madeira) carbonizadas (carvão). Eles faziam as canoas riscando (cavando) a madeira calcificada com uma pedra afiada.

Os Cherokees plantavam milho, abóbora, batata-doce, e feijão.
Eles também colhiam plantas selvagens, e o peixe era importante na sua alimentação, e eram capturados em armadilhas colocadas nas águas frias dos riachos das montanhas.
A maioria de suas roupas eram feitas de peles de animais, as saias eram feitas com plantas do cânhamo, e seu comprimento ia até o joelho.

O POVO CHEROKEE E A TRILHA DE LÁGRIMAS - Imagem 3Os homens da tribo tinham muitas responsabilidades, eles caçavam veados, utilizando blowguns, lanças e arcos e flechas para matar os animais. Os homens também tinham que cortar as árvores, para preparar a terra para o plantio das culturas, além de construir casas e fazer canoas.
As mulheres também tinham uma série de responsabilidades, tal como os homens. Elas faziam roupas, plantavam sementes e colhiam as safras, mas também participavam do conselho da comunidade.

O POVO CHEROKEE E A TRILHA DE LÁGRIMAS - Imagem 4As mulheres tinham suas próprias representantes, que eram denominadas “Ghigau” ou “Mulher Amada”. Cada clã seleccionava uma “mulher honrada” para assistir aos conselhos anuais.
As crianças também tinham suas responsabilidades. Meninas trabalhavam o milho, preparavam alimentos, recolhiam os frutos de cascas duras, buscavam água e cuidavam da carne, além de aprenderem, observando, os deveres domésticos da mãe.
Os meninos ajudavam a cuidar das irmãs e irmãos mais novos, e também participavam na tecelagem de cestas e na jardinagem.

O POVO CHEROKEE E A TRILHA DE LÁGRIMAS - Imagem 5Os meninos tinham muitas outras responsabilidades, eles aprendiam a caçar alimentos e os rapazes mais velhos, junto com os homens adultos aprendiam a ser guerreiros. Eles ouviam as histórias contadas pelos adultos, que era a forma utilizada para se passar a história da tribo, eles aprendiam a resistir à fome e à dor, e como resultado, tinham sua tradição levada adiante, alem de formar respeito pela terra e seus animais. A cerimónia mais importante era a Cerimónia de Milho Verde, que era realizada quando o milho estava maduro.

O POVO CHEROKEE E A TRILHA DE LÁGRIMAS - Imagem 6O Cherokee nunca teve um idioma escrito, mas um homem, chamado Sequoyah, viu o quanto era importante ter uma linguagem escrita. Sequoyah nasceu cerca de 1775. Sua mãe era uma Cherokee e seu pai era um comerciante branco. Sequoyah nunca frequentou a escola e nunca aprendeu a ler ou escrever em Inglês.
Ele viu brancos usando o que ele chamava de “deixa falar”, e por meio de estudos, ele desenvolveu uma língua indígena que continha 80 caracteres. Cada símbolo (caracteres) originava-se de uma sílaba, em breve, os símbolos (caracteres) tornaram-se conhecidos como o alfabeto Cherokee.

O POVO CHEROKEE E A TRILHA DE LÁGRIMAS - Imagem 7Assim como a maioria das tribos, entre os chefes Cherokee, havia os Chefes da guerra e os Chefes da paz. Sempre havia rituais antes de se iniciar uma incursão de guerra, que geralmente eram travadas contra os Iroquois e os Chickasaw. Eles guerreavam com as tribos ribeiras em Tali’wa na Geórgia, e também com o homem branco.
Embora o Supremo Tribunal dos Estados Unidos declarasse que as terras pertenciam aos índios. Andrew Jackson ordenou-lhes que a deixassem de qualquer maneira. Soldados foram recrutados para prender todos os Cherokees que encontrassem. Oito mil foram presos, e até barcos foram utilizados para levá-los até Fort Gibson.

Eles chegaram no Inverno, não houve qualquer actividade agrícola e os alimentos eram escassos. O vestuário não era adequado para o frio e a terra era diferente.
Os Cherokees que foram deixados para trás, foram, caminhando através de Nashville, Tennessee, até Hopkinville, Kentucky, através da Southern Illinois e o Missouri até chegar em Fort Gibson, Arkansas.

O POVO CHEROKEE E A TRILHA DE LÁGRIMAS - Imagem 8Mais de dezassete mil Cherokees começaram a marcha, e cerca de quatro mil morreram ao longo do caminho. É por isso que esta é a chamada “trilha de lágrimas”. Finalmente os Cherokees se instalaram em Tahlequah, no estado de Oklahoma. A capital nacional da nação Cherokee foi construída.
Hoje, os descendentes dos índios Cherokees ocupam diferentes postos de trabalho. Alguns são fazendeiros, agricultores, médicos, advogados e professores. Outros têm empregos como artistas, escritores e músicos.

Existem actualmente duas alas de Cherokees. Os da parte Oriental e os da parte Ocidental.
A Reserva Oriental Cherokee tem a sua sede em Cherokee, Carolina do Norte. Ela foi fundada por 112 Cherokees que tinham escapado da trilha de lágrimas. Muitos outros vivem na Carolina do Norte ou perto do Parque “Montanhas Great Smoky”.

Alguns Cherokees vivem dos rendimentos obtidos dos turistas, outros têm casas ao longo Oconulftee River, estes Cherokees criaram uma típica vila Cherokee.
Os Cherokees originários do Oeste tinham 53.000 membros.
No Estado de Oklahoma, os Cherokees são chamados de “ Ala Ocidental”. Algumas famílias da Ala Ocidental recebem o rendimento da exploração do petróleo em suas terras. Outros vivem do gado.

O POVO CHEROKEE E A TRILHA DE LÁGRIMAS - Imagem 9

Texto de A.Moreira, baseado na seguinte Bibliografia:
Fogeson, Raymond D. “Cherokee índios”, O Mundo enciclopédia Book, 1992, volume 3.
Lepthien, Emilie U. A Cherokee. Chicago: crianças Press, 1985.
McCall, Barbara A. O Cherokee. Vero Beach Florida: Rourke Publicações, 1990.
Sneve, Virginia Condução Hawk. O Cherokee. New York: Holiday House, 1996.
Thomas, Robert D. “Sequoyah”, O Mundo enciclopédia Book, 1990, Volume 17

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A prestigiada revista italiana “Fumo di China” dá a conhecer aos seus leitores o blogue português do Tex!

Fumo di China #164A prestigiada revista italiana “Fumo di China“,  uma das mais conceituadas revistas sobre informações e críticas relativamente à banda desenhada,  de periodicidade mensal e totalmente a cores, deu a conhecer no seu número 164, de Setembro de 2008, um extenso dossier à personagem Tex Willer e em especial ao desenhador Fernando Fusco, apelidado de O Pintor do Oeste. Na mesma edição, na sua rubrica Nuvole nella rete, a revista dá destaque ao blogue português do Tex, indicando-o da seguinte forma:

“José Carlos Pereira Francisco coordena por sua vez o riquíssimo blogue bilingue (português em www.texwillerblog.com e italiano em https://texwillerblog.com/?page_id=940) com entrevistas exclusivas a Fabio Civitelli, Ernesto Garcia Seijas, Miguel Angel Repetto, Claudio Villa, Gianfranco Manfredi, Marco Santucci, Pasquale Del Vecchio, Stefano Andreucci, Giancarlo Berardi, Mauro Boselli, Moreno Burattini, Irmãos Cestaro, Marco Bianchini, Rossano Rossi, Tito Faraci…
Um exemplo subsequente de quanto o ranger de Bonelli & Galep marcou o imaginário colectivo não somente no nosso país, mas também de quanto seja verdadeiramente portador de diálogo entre culturas graças ao empreendimento dos seus fãs espalhados pelo mundo. Tições do inferno e satanases…
Façam-nos saber que coisa pensam: até à próxima!
“

Eis o texto assinado pelo redactor Loris Cantarelli, na forma original:

Texto do redactor Loris Cantarelli, na forma original

Ferdinando Fusco, “O Pintor do Oeste“Falando agora um pouco mais desta edição nº 164 de “Fumo di China“, cuja capa é da autoria de Carmine Di Giandomenico, no que a Tex diz respeito, há a destacar um extenso dossier dedicado ao mítico desenhador Ferdinando Fusco, “O Pintor do Oeste“, já que para festejar os 60 anos de Tex, os responsáveis da revista deram a palavra a um dos mais extraordinários intérpretes de Tex: Ferdinando Fusco. Destaque também para a entrevista realizada com Sergio Bonelli, para este falar do “seu” Fusco. Realce também para a cronologia completa de Fusco: Uma carreira em títulos, números e páginas. Todas as publicações de Fusco numa extensa e completa bibliografia.

Relevo também para uma tripla entrevista, intitulada “Um herói por três amigos“: Bianchini, Filippucci e Faraci em sela com Tex. São três entre os mais novos autores de Águia da Noite, mas todos com ideias muito claras… mas melhor do que as palavras, eis o sumário completo desta edição que recomendamos a todos os Texianos:

Sumário de Fumo di China #164

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Portugal – Edições do mês de Dezembro

Relação das revistas da Mythos Editora, distribuídas em Portugal, pela LOGISTA PUBLICAÇÕES, para o mês de DEZEMBRO:

TEX 437TEX 437
OS PREDADORES DO RIO

Texto: Claudio Nizzi – Desenhos: Ferdinando Fusco

Após evitar habilmente uma série de emboscadas no Lago Athabasca, armadas pelo temível Joe Larkin, Tex e os seus pards, juntamente a Gros-Jean e Marc Larouche, um pirata fluvial que se uniu ao grupo, alcançam a região da penitenciária em que Jim Brandon está preso. Mas Jim não é pessoa para se manter quieto e, temendo pela vida, está arquitectando um modo de escapar da prisão…
2,90€

TEX COLEÇÃO 229TEX COLEÇÃO 229
FANTASMAS NO DESERTO

Texto: G. L. Bonelli – Desenhos: Erio Nicolò

Os tuaregs vieram da Arábia junto com uma unidade de 100 camelos da Turquia, destinados a um teste no Exército Americano, que queria criar um Esquadrão de “Camelaria”. O teste, entretanto, fracassa e os tuaregs foram “abandonados” pelas autoridades dos EUA. Revoltados, eles iniciam uma guerra particular contra os “infiéis”, assaltando caravanas e refugiando-se em zonas desertas, ideais para os seus camelos e cavalos puro-sangue árabes, perfeitamente adaptados a essas condições. E Tex terá que convencê-los a pararem com tais manobras, com o apoio dos apaches de Cochise!
2,90€

OS GRANDES CLÁSSICOS DE TEX 12OS GRANDES CLÁSSICOS DE TEX 12
A CIDADE DO OURO/SANGUE NO PASTO

Texto: G. L. Bonelli – Desenhos: Aurelio Galleppini

1ª história – A Cidade do Ouro: Tex e Jack Tigre fazem uma verdadeira viagem no tempo e no espaço, acabando dentro de um verdadeiro conto europeu da idade média, com tudo a que tem direito, do castelo ao príncipe, passando pelo bobo da corte, pelas tramas tipicamente palacianas e ainda por cima temperado com um vidente chamado Nostradamus. Sobressai ao leitor não só a paixão que o argumentista colocou na longa trama como também a maestria do então quarentão Aurelio Galleppini no auge de sua forma artística, desenhando com extrema precisão os detalhes internos e externos do castelo, o mobiliário e até mesmo os trajes dos espanhóis.
2ª história – Sangue no Pasto: Tex conhecendo por acaso um pequeno criador que teima em querer criar ovelhas em pastos de bois e vacas e onde prevalecia a lei do mais forte, sendo o ovelheiro ameaçado por um prepotente criador de gado. Nosso herói resolve tomar as dores do mais fraco e compra todas as ovelhas e inferniza a vida do rancheiro de uma forma pouco usual na carreira de nosso ranger…
7,50€

MÁGICO VENTO 72MÁGICO VENTO 72
A CIDADE CONDENADA

Texto: Manfredi * Desenhos:Mario Milano

Uma série de atentados incendiários perturba a tranqüilidade de Jericho, uma cidade de comerciantes que extrai sua riqueza dos viajantes de passagem trazidos pela ferrovia. Por pouco Poe não é vítima fatal do primeiro desses incêndios e é assistido por Soror Blandina, uma jovem religiosa de origem italiana. A freirinha está muito preocupada, pois um dramático destino para Jericho lhe foi anunciado numa visão. O pequeno vilarejo americano foi baptizado com o nome da antiga cidade bíblica, conquistada por Josué, e isso é um sacrilégio, visto que na Bíblia há uma proibição expressa de reconstruir a cidade de Jericó.
2,90€

ZAGOR 86ZAGOR 86
JUSTIÇA SUMÁRIA

Texto: Burattini – Desenhos: Marco Verni

Torna a brilhar a sinistra luz dos Roghi, enquanto que no tranquilo vilarejo se alastra a sombra do ódio e do medo! Derford, em Vermont, poderia ser a mais pacata das comunidades, se não pesasse sobre o seu destino um terrível acontecimento: o desaparecimento de cinco crianças. A culpa é atribuída, precipadamente, a uma imigrante húngara, considerada por muitos uma feiticeira, mas Zagor consegue suspender temporariamente o linchamento. Trinta e seis horas é o tempo que Zagor tem para salvar a pobre Margit e resolver o mistério das crianças desaparecidas.
2,90€

ZAGOR EXTRA 51ZAGOR EXTRA 51
CAMINHOS SELVAGENS

Texto: Marcello Toninelli – Desenhos: Franco Donatelli

“Big” Maldon, vulgo “o Rei da Fronteira”, fez parte dos lendários Rangers de Rogers e, nos últimos trinta anos, participou de todas as principais guerras combatidas nas regiões selvagens. É uma espécie de herói, cultuado principalmente por jovens sonhadores. Agora ele construiu Maldontown, um posto avançado no território dos belicosos índios kainahs que, enfurecidos com a invasão de seu território, dão início a um banho de sangue. Além dos ataques dos índios, o pequeno forte tem problemas dentro de suas quatro linhas, por ter abrigado sanguinárias feras humanas.
2,90€

AS AVENTURAS DE UMA CRIMINÓLOGA 43AS AVENTURAS DE UMA CRIMINÓLOGA 43
O ÚLTIMO ENCONTRO

Texto: Giancarlo Berardi/Giuseppe De Nardo * Desenhos: Mario Jannì

Um solitário homem de meia-idade, com uma vida normal, é encontrado no parque da cidade, morto depois de ter apanhado de forma violenta. O pior é que Geoff Perry, como se chamava a vítima, não queria aceitar uma vida solitária e finalmente havia encontrado o amor. O que pode ter conduzido Perry à morte? Por que o assassino, ou assassinos, agrediram com tanta violência um homem pacífico e inofensivo? Para Júlia Kendall, a caçada a quem perpetrou tal crime significa entrar num mundo sujo e hipócrita, no qual até uma promessa de felicidade pode esconder um perigo mortal!
3,50€

CONAN, O BÁRBARO 64CONAN, O BÁRBARO 64

Revista mensal, formato magazine, 68 páginas em preto e branco.
Nesta edição – Aliado a dois piratas que podem matá-lo na primeira oportunidade, o Gigante de Bronze se engaja em outra sanguinolenta batalha contra os pictos. Como se não bastasse, ele ainda tem de sobreviver a um demónio negro libertado e comandado pelo tenebroso feiticeiro Thoth-Amon! A Bruma Sombria da Stygia é a sensacional conclusão de O Tesouro de Tranicos, de Robert E. Howard & L. Sprague De Camp. Roteiro adaptado por Roy Thomas, desenhos de John Buscema com arte-final de Klaus Janson.

Inédito: Nas derradeiras tiras de jornal, Conan trava sua mortífera batalha contra o mago Xiccarph. Doug Moench é o roteirista do último capítulo de As Serpentes Demoníacas de Xiccarph, enquanto Tom Yeates assina a arte.

E ainda: um caprichado artigo de Roy Thomas, contando em detalhes por que a adaptação em quadrinhos de “Tranicos” levou três anos pra ficar pronta.
3,50€

Tex (devido ao BDJornal) é notícia no Diário As Beiras: 29 de Novembro de 2008

Texto do jornal Diário “As Beiras” de 29 deNovembro de 2008
João Miguel Lameiras

Bdjornal regressa em dose dupla

Bdjornal regressa em dose duplaConfirmando a importância do Festival da Amadora para as pequenas editoras, a Pedranocharco quebrou um silêncio de meses, com o lançamento de quatro novidades durante o último Festival da Amadora. Foram eles o segundo volume da série “Bang Bang” de Hugo Teixeira, o primeiro número da nova revista de humor “Modafoca”, dirigida por Álvaro e, o que motiva este texto, os nºs 23 e 24 do “BDJornal”.

Desde Abril de 2005 até agora, o “BDJornal” mudou três vezes de formato e tem tido crescentes dificuldades em cumprir a periodicidade anunciada, mas conseguiu ainda assim uma longevidade invejável (e até inesperada) para um projecto com estas características num mercado como o português.

Mas a verdade é que, muito por via da persistência do seu editor, o “BDJornal” mantém-se vivo e vai evoluindo, tanto em termos gráficos, como de conteúdo, mesmo se as melhorias sejam mais constantes em termos gráficos.

Passemos então à analise dos dois números lançados durante o último Festival da Amadora, com o apoio da nova editora Qual Albatroz. O nº 23, correspondente ao Verão de 2008, revela a abertura da revista (apesar do título, o “BDJornal” é claramente uma revista)  à Galiza e ao Brasil, patente no extenso e interessante dossier sobre a Banda Desenhada galega e na presença de colaboradores brasileiros, tanto a nível dos textos, como nas BDs, destacando-se neste campo a dupla Wilson Vieira e Fred Macedo, que demonstra estar uns bons furos acima dos seus colegas portugueses que colaboram neste número, até porque estes optam por projectos mais longos, mas que acabam por não levar até ao fim, como parece ter sido o caso da série “Dominion” de Miguel Santos, que começa no nº 23, mas que não volta a aparecer no nº 24, ou de “Wonderland”, um divertimento inconsequente com zombies, que também não volta a aparecer no nº 24.

Capa BDJornal #24Mas, para dizer a verdade, senti bastante mais a falta da série “BRK”, de Filipe Andrade e Filipe Pina, claramente o mais interessante projecto português de BD que já passsou pelas páginas do “BDJornal” e que, nestes dois nºs não está presente. Esperemos que voltem brevemente, no BDJornal, ou em álbum.

Já o BD Jornal nº 24 tem um nível bastante mais alto em termos de BD,  com os brasileiros Wilson Vieira e Fred Macedo, que reincidem neste número com um Western de terror e duas entrevistas, a terem a companhia de peso do português Ricardo Cabral (de quem escolhi um pormenor da magnífica página dupla de abertura  da sua história, para ilustrar este texto) e do italiano Giovanni Ticci, que ilustra uma história curta do cowboy Tex, escrita pelo próprio Sergio Bonelli, com o pseudónimo Guido Nolitta.  E o Western em geral e o cowboy da Bonelli em particular, estão em grande destaque neste número, que além da história “Uma Tarde Quente” e de um dossier sobre o western na BD, traz uma série de artigos que comemoram condignamente os 60 anos do ranger da Editora Bonelli.

Se juntarmos ainda um texto de Machado-Dias sobre Hector Oesterheld, e uma série de recensões de tamanho e interesse variáveis, temos um número com muito que vale a pena ler, tal como vale a pena apoiar este meritório projecto de manter viva uma revista, de e sobre BD, em Portugal.

Logótipo Díario As Beiras(“BDJornal” nº 23, Vários autores, Pedranocharco/Qual Albatroz,  94 pags, 6,00 €; “BDJornal” nº 24, Vários autores, Pedranocharco,  88 pags, 6,00 € – à venda em Coimbra na Livraria Dr. Kartoon)

Copyright: © 2008 Diário “As Beiras“; João Miguel Lameiras
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Tex Série Normal: Os Lobos Vermelhos

Tex #429Argumento de Mauro Boselli, desenhos de Alfonso Font e capas de Claudio Villa.
Com o título original I lupi rossi, a história foi publicada em Itália nos nº 523 a 525 e no Brasil, pela Mythos Editora nos nº 429 a 431.

Boselli assina aqui uma das suas mais complexas histórias para Tex. Não pela dificuldade de percepção ou compreensão, mas pelo tema proposto (a rivalidade entre as nações índias), assim como pela articulação proposta.

Tex #430Perfeitamente delineada em duas partes distintas, Boselli apresenta uma primeira parte que vai deambulando entre o momento presente e o recurso ao flash-back e que serve para Tigre ir narrando a Kit Willer os acontecimentos vividos por ele e Tex anos antes, quando convidados a participar como observadores do governo nas negociações de paz entre as tribos índias. Nessa altura, Tex e Jack Tigre conheceram Cavalo Branco, um guerreiro pawnee, e o cheyenne Golpe Corajoso, dois inimigos leais que lutaram entre si desde a sua infância, mas sempre com um mútuo respeito.

Tex #431Através do relato do navajo, Boselli foca temas sensíveis como a amizade, a honra, o respeito, a lealdade, o orgulho índio e o relacionamento com os brancos. São muitos temas, mais, são temas sensíveis que no fundo retratam muito da história dos Estados Unidos, da conquista do oeste, do desenvolvimento de uma nação. São temas que conferem uma espessura histórica e dramática que importa realçar, sublinhado pela vontade do autor em não cair na superficialidade. É por isso que esta aventura é densa, longa, acentuadamente dramática, complexa e que o autor pretende contar pelo prazer de trazer algo de novo, quanto mais não seja trazer a temática histórica, conciliando-a com a tradição da acção texiana.

Águia da Noite por Alfonso FontEsta acção surge na segunda parte da aventura, quando, já na actualidade, Tex e os pards encontram-se em Loup Fork, onde os pawnees, antigos aliados dos brancos, são vítimas do agente indígena, do xerife e de um comerciante local, que querem apossar-se das suas terras. Nesta fase, Boselli recolhe alguns elementos da primeira parte para construir um argumento mais bonelliano, porque mais destinado à intervenção dos quatro pards. Uma parte onde se juntam os elementos maniqueístas tão caracteristicamente bonellianos e que permitem que Tex seja verdadeiramente interveniente e estratega, mas onde sobressai a acção de Kit Willer, em mais uma prova de quanto importante é a personagem para Boselli.

Arte de Alfonso FontAlfonso Font é um bom desenhador, sobretudo porque consegue construir boas atmosferas, mas não é dos melhores na composição do ranger. O seu estilo refinado, pleno de traços e detalhes conferem um ambiente representativo do velho oeste. Mesmo as suas personagens conseguem adquirir os traços psicológicos com que foram caracterizadas, mas importa dizer que a sua representação dos quatro pards é desigual, porque se é boa em Kit e Tigre, ela é débil em Carson e imperfeita em Tex. Imperfeita porque não consegue interpretar graficamente a imponência do ranger, o seu cinismo, a sua segurança física.

Globalmente a opinião é muito positiva, ressalvando a excepção na construção do ranger.

Texto de Mário João Marques