Entrevista com o fã e coleccionador: Valmir Osorio Pereira

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Valmir Osorio PereiraPara começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Valmir Pereira: Meu nome é Valmir Osorio Pereira nasci em Sant´ana do Livramento – RS, Brasil, em 04-11-64. Aos 14 anos meus pais vieram para Porto Alegre onde resido até hoje. Sou casado, tenho um filho e gosto muito de ler histórias em quadradinhos, cinema e futebol (sou colorado é claro). Minha profissão é Técnico Contábil e trabalho em uma construtora de Porto Alegre.

Colecção de Valmir Osorio PereiraQuando é que teve início esta paixão pela Banda Desenhada, em especial pelo Tex?
Valmir Pereira: Influência de meu pai e minha mãe, que gostavam muito de ler. Eles liam na época revistas tipo Jacques Douglas, Jenifer, Grande Hotel, Capricho e Tex. Eu lia Pato Donald, Zé Carioca, Akim e Tarzan mas acabei gostando mesmo foi de Tex!

Porquê o Tex e não outra personagem?
Valmir Pereira: Quando eu vim para Porto Alegre, novas amizades, novo colégio e a maioria dos meus amigos tinham uma colecção de revistas; um coleccionava Fantasma, outro Epopeia Tri, Zagor, Disney, Homem-Aranha, Conan, Batman, etc… eu escolhi o Tex pois eu já o conhecia e gostava das histórias e comecei praticamente do zero pois na mudança para Porto Alegre, as revistas praticamente todas se extraviaram e na época já rolava a 2ª edição da revista Tex e não parei mais até hoje.

Valmir Pereira e o Tex nº 1O que Tex representa para si?
Valmir Pereira: Uma leitura de suas história representa momentos de tranquilidade que me faz esquecer a correria desta vida urbana que nós levamos. Tex um verdadeiro anti-stress.

Qual o total de revistas de Tex que tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Valmir Pereira: A mais importante com certeza é a edição número 1, de Fevereiro de 71, pois é no formato original e se tiverem oportunidade de lerem esta revista façam-no, pois vão notar de como o português era escrito correctamente. Hoje, às vezes cometem cada (crime) com o português que é de arrepiar. As revistas que tenho na colecção: 466 Tex Normal; 260 Tex Coleção; 72 Tex Edição Histórica; 36 Tex Almanaque; 27 Tex Gigante (21 da Mythos e 6 da Globo), 21 Tex Ouro; 9 Tex Anual; 6 Tex Colorido; 7 Edição de Férias; 6 Mini Série; 6 Almanaque Bonelli; 1 Grandes Clássicos de Tex e 3 Especial ( O Ídolo de Cristal, Fumetti o melhor dos quadrinhos italiano e Edição comemorativa 50 anos ). Tenho também um Almanaque do Faroeste (O Matador de Índios) e uma edição 94A (A Vingança de Águia da Noite) que saiu para completar a história Pacto de Sangue. Um total de 922 e pretendo chegar não ainda este ano, mas talvez no próximo, ou seja em 2009, alcançar a marca de 1000.

EstanTEX de Valmir Osorio PereiraColecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem?
Valmir Pereira: Na medida do possível, procuro coleccionar tudo que eu possa ter acesso da personagem. Na Itália por exemplo saiu pela Hachette, a colecção de bonecos que fazem o universo do Tex e eu achei a ideia o máximo, mas o valor para nós no Brasil fica muito difícil. Eu vi o preço e era mais ou menos R$ 3.000,00, ou seja, é muita grana (pelo menos para mim). Coleccionei também Jonah Hex, mas esta série acabou cedo demais, pois a EBAL deixou de publicar. É uma pena pois tenho 44 edições e faltam 8 edições até onde eu sei.

Valmir Pereira e a sua paixão por TexQual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Valmir Pereira: É muito difícil mencionar uma história pois com certeza vou acabar esquecendo de alguma outra. Gosto muito da Horda Selvagem, O Grande Rei, A Batalha dos Vingadores (na série normal brasileira, é a única capa em que Tex não aparece), A Lança Sagrada, O Vale do Terror, O Grande Roubo, A Lei do Deserto, O Ouro do Confederados, O Ídolo de Cristal, El Muerto, A Noite dos Assassinos, A Mina do Fantasma e as Histórias do Mister “P”, Bruxo Mouro, Mefisto, Yama, Lucero, Cochise, Montales, Pat o Irlandês, Jim Brandon, Tigre Negro, O Mestre, Os Inocentes, Os Irlandeses. Tem uma história pequena, mas bem impecável em Tex Coleção: A Balada de Zeke Colter… e por aí vai.
GIANLUIGI BONELLI E AURELIO GALLEPPINI são os mestres, lendas, e dos seus seguidores eu gosto de Mauro Boselli e Antonio Segura e os desenhadores Giovani Ticci, Claudio Villa e José Ortiz.

Os Tex's de Valmir Osorio PereiraO que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Valmir Pereira: O que me agrada é o espírito de aventura, pois cada história parece um filme de faroeste. Nos tempos de hoje tem que ter muita competência para continuar evoluindo, e o que me agrada menos é o excesso de revistas com as mesmas histórias, mas enfim…

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que ele é?
Valmir Pereira: A diversidade de enredos bem elaborados que envolvem as histórias. No início o faroeste clássico com índios e bandoleiros, com o passar do tempo foi se “modernizando” com as histórias mais urbanas mas com o mesmo espírito de defender a justiça acima de tudo.

Tex's especiaisPara concluir, como vê o futuro do Ranger?
Valmir Pereira: Promissor! Mesmo com 60 anos, Tex ainda atrai muitos leitores. Quanto mais pessoas se interessarem pelas revistas, mais longa vai ficar a vida de Tex e quanto mais informações sobre a personagem italiana, maior é o interesse de todos nós.

Prezado pard Valmir Osorio Pereira, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

Pilhas TexianasColecção Jonah Hex

Valmir Osorio Pereira e o Tex Especial 50 anos no Brasil

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Fanzine “A Conquista do Oeste” – Maio/Novembro 2001 – Páginas 54 a 58 – Cisco Kid

CISKO KID

Cisco Kid - A capa de um dos números da revista Mundo de AventurasFalar de “Cisco Kid” é de uma ousadia sem limites, pois é uma das poucas personagens ligadas ao “western”, das mais conhecidas e divulgadas no nosso país. Vários articulistas têm escrito sobre “Cisco Kid”, pelo que não iremos, por certo, dizer nada de novo. No entanto, não seria justo deixar de inclui-lo neste estudo, já que é um dos “heróis” com maior aceitação em todo o mundo, mesmo em Portugal. Não é só pelo seu “charme” e simpatia e muito menos pelos argumentos simples e de leitura fácil, mas também pelos belos traços de José Luis Salinas, que a série alcançou o êxito. Só Salinas conseguiria incutir nesta série, uma emoção e uma qualidade difíceis de imitar ou mesmo, diremos nós, quase impossíveis de algum artista os acompanhar. Como também tivemos acesso a um estudo, dos mais completos que temos lido, sobre esta personagem, pensamos que todos ficaremos a ganhar com todas as informações que passaremos a incluir a seguir.

Lindas vinhetas são uma constante em Cisco Kid“Cisco Kid” foi uma personagem que surgiu num livro de O. Henry, intitulado “The Caballero’s Way”, datado de 1907 e onde aquele é retratado como um assassino sem escrúpulos. Através da magia do Cinema e a habilidade que Hollywood sempre teve, para dar a volta ao texto, irá surgir na 7ª Arte como um defensor da lei… Aconteceu a muitos…
Adaptado ao ecrã em 1929, pela Fox, será Warner Baxter a desempenhar o papel de “Cisco Kid”, o que o irá ajudar a ganhar um Óscar.
Devido ao sucesso do filme, surgirão novas adaptações interpretadas pelos artistas Buck Jones, Cesar Romero, Duncan Renaldo, Gilbert Roland, etc..

Só nestas vinhetas (no formato de uma tira), é que José Luis Salinas consegue dar maior projecção ao seu talento

Fanzine “A Conquista do Oeste” – Página 54Em 1944 será feita uma primeira tentativa para que esta personagem aparecesse em “comic-book”, o que acontecerá com um número 1, desenhado por John Giunta.
Em 1948 será lançado na Televisão, onde aparecerá em 150 episódios com as suas aventuras. Duncan Renaldo desempenhou a figura principal.
Em Julho de 1950, aparece então o Nº 1 do seu “comic-book”, editado pela Dell, com textos de Rod Reed e desenhos de Bob (Robert) Jenney, ajudado por John Buscema, Alberto Giolitti e outros e do qual serão publicados 41 números, até 1958.
Em 1951 a King Features resolve convidar Rod Reed para escrever os argumentos de uma tira diária com “Cisco Kid” e José Luis Salinas para desenhar a série. Durante 18 anos e 66 episódios, “Cisco Kid” foi publicado em mais de 150 jornais e correu mundo, atingindo um grande sucesso nos países onde as suas histórias foram lançadas.

Fanzine “A Conquista do Oeste” – Página 55Foi uma pena que nunca fosse realizada uma prancha dominical para a série, pois estamos certos que Salinas seria bem capaz de nos surpreender com o seu trabalho, executado sempre de uma forma magistral, cheio de movimento, ainda que confinado a uma vinheta, que às vezes transformava numa tira inteira, já que se encontrava limitado àquele espaço.
A série possuía, além dos traços de Salinas, uma excelente dose de humor, onde “Pancho” desempenhava o principal papel.

“Cisco Kid” vivia as suas aventuras, defendendo viúvas e órfãos, além de belas donzelas, a quem protegia de todos os perigos, embora sem se comprometer no campo amoroso.
“Cisco Kid” é uma personagem interessante, cheio de coragem, temerário às vezes, conhecedor da luta com punhos e um exímio atirador, o que só abona o seu carácter e o torna também, um bom partido perante as mulheres. O seu jogo de sedução ajuda muitas vezes a que estas o persigam, na tentativa de o conquistarem.
O virtuosismo do traço de Salinas, aliado a uma estrutura muito bem concebida do texto, conseguem manter ao longo dos anos a série num lugar cimeiro do Panorama da Banda Desenhada mundial, sem nunca defraudarem ou diminuírem o interesse da sua leitura, por parte de todos os que a ela tinham acesso.

Mais um trabalho do mestre nesta tira criada para Cisco Kid

Uma vinheta deslumbrante de Cisco KidAs próprias figuras femininas que vão surgindo nos vários episódios, possuem sempre um papel importante no desenrolar dos acontecimentos, ainda que no final, nunca seja encarada qualquer hipótese de enlace, como é normal acontecer nestes casos, para manter sempre na expectativa o(a)s leitore(a)s interessado(a)s. São elas:
– “Lucy Baker” que não hesita em cortar os seus longos cabelos louros, para manter os seus pontos de vista.
– A jovem princesa índia “Red Flower”, que enfrenta a sua tribo em defesa do nosso “herói”.
– “Stella Platt” que recusa abandonar a caravana em perigo, atacada pelos índios.
– “Silver Belle”, “Kathy” e “Mathilde” são outras das figuras femininas que criam alguns dissabores ao nosso galã.

Não falta uma certa dose de amor nas aventuras de Cisko KidNão nos podemos esquecer de “Pancho”, a figura cómica, materialista, indolente, dotado de um apetite voraz, fanfarrão, volúvel e cheio de bravatas. Mas quando a necessidade assim o obriga, chega a ter alguns rasgos de coragem e consegue impor também algum ritmo à série.
De resto, mantêm-se inalterável no seu quotidiano, divertindo-nos com os seus azares, as suas precipitações e as suas peripécias.

Evidentemente que a série de personagens que povoam o mundo de “Cisco Kid” é vasta e importante, tendo cada uma delas uma característica própria, que as distingue perfeitamente entre si e de outras figuras de outras séries.
Lembramos:
– O juiz “Holly”, manipulador de génio.
– O ignóbil “Griggs”, vendedor de armas aos índios.
– “One Eyed Dagger”, o amoroso recusado que sonha com a vingança.
– “Bruce Marchette”, pronto a executar todas as vilanias para casar com a sua viúva “Mathilde”.

Todas elas exprimem e vivem os seus sentimentos de uma forma rica, consistente e palpável.

Mais um belo trabalho de José Luis Salinas para a sua personagem

A emoção e o perigo são igualmente parceiros das histórias de Cisco KidÉ claro que só a subtileza do grafismo de Salinas, consegue reforçar de uma forma admirável, todas as situações porque passam as personagens da série. Seu traço de uma finura e uma elegância raras, seu estilo clássico, mas de uma precisão fotográfica, dão-nos a sensação de vivermos cada momento e cada vinheta, sempre ricas em cenários, de uma forma invulgar e única.

Seu grafismo pontilhado, rico e claro, transforma-o por certo, num dos grandes mestres da Banda Desenhada.

Ampliando as páginas 56 a 58 (abaixo) deste Fanzine, pode-se ver todos os títulos de todos os episódios criados por Salinas, bem como as suas datas de publicação.

E através de uma lista de aventuras de “Cisco Kid” que Joaquim Mário Talhe fez o favor de nos fornecer, pode-se ver as mesmas histórias desta personagem, publicadas em Portugal, pois ela é uma das poucas, que teve o “privilégio” de ser integralmente publicada no nosso país, pela ordem original e cronológica e com a indicação do nome das histórias e as respectivas revistas onde as mesmas seriam publicadas.

Fanzine “A Conquista do Oeste” – Página 56Fanzine “A Conquista do Oeste” – Página 57Fanzine “A Conquista do Oeste” – Página 58

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Arte de John Lucas

Tex 60 anos - Homenagem de John LucasTex Willer por John Lucas

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John Lucas desenhando MefistoJohn Lucas e a sua arte
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Esboço de Mefisto e YamaMefisto e Yama finalizado
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Mefisto e Yama coloridoTex e Mefisto
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John LucasNOME:  JOHN LUCAS SILVESTRE DE ALMEIDA
IDADE: 13 ANOS

John Lucas gosta de desenhar desde quando entrou para a escola pela primeira vez, o que aconteceu aos 2 anos de idade, uma vez que com essa idade já ia para a escolinha, e desde então é uma coisa que ele gosta de fazer. Hoje com 13 anos, desenha quase tudo e só falta o aperfeiçoamento, o qual aos poucos está a conseguir  pois agora ele frequenta um curso de desenho. Curso do qual gosta de ir com prazer já que não vê a hora de chegar o sábado para que o pai Valdivino leve ele ao curso. Pai que lhe dá o maior apoio, porque também ele, um dos grandes coleccionadores de Tex a nível mundial, gosta da Nona Arte, embora reconheça que não é tão bom quanto o filho.
Uma coisa que chamou de imediato a atenção do Valdivino, assim como do professor do John e do trapper João Guilherme que entende como poucos desta Arte, é que o John domina muito bem a anatomia das mãos, algo reconhecidamente difícil.
Quando não está a fazer os deveres da escola ou jogando na sua consola, o papel e o lápis são os seus companheiros quase constantes. John também gosta de ler e estamos em crer que um dia este jovem chega lá, ao patamar dos Grandes Mestres da Nona Arte, porque sendo tão jovem, talento não lhe falta…

Tex pronto a dispararTex numa breve pausa
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Póster Tex Nuova Ristampa 97

Póster Tex Nuova Ristampa 97

Neste dinâmico desenho da autoria de Claudio Villa, vemos Tex Willer disparando prontamente contra o patife Louis Shafter que com a sua espingarda winchester tinha acabado de alvejar os cavalos de Tex, Carson e Rick Anders, preparando-se de seguida para tentar fazer o mesmo com Tex e companheiros, mas a reacção fulminante do ranger não permitiu que tal acontecesse!

Desenho usado no Brasil como capa de Tex e os Aventureiros #3 e inspirado na história, “L’uomo venuto da Denver” de G. L. Bonelli e Erio Nicolò (Tex italiano #169 a #171).
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Texto de José Carlos Francisco