Tex nº 64 – LA CAROVANA DELLA SPERANZA

Tex nº 64 – LA CAROVANA DELLA SPERANZA

Sem ter ocorrido uma verdadeira revolução editorial, a verdade é que 2008 marca o renascimento de Tex, precisamente no ano em que comemorou os seus sessenta anos de existência, pelo facto de ter conseguido inverter a curva descendente que vinha ocorrendo na qualidade das suas aventuras.
Muito pelo papel mais activo de Mauro Boselli, eleito para principal argumentista da série e sobre quem recaíam grandes expectativas. Confirmando todo o seu talento, Boselli afirmou-se como um dos responsáveis pelo ganho de qualidade, mercê de aventuras menos lineares, menos repetitivas, assumindo antes maior espessura dramática e crescendo psicológico, aventuras que jogaram sempre com várias personagens, acabando por conferir uma qualidade como não se via desde há alguns anos.
Está Sergio Bonelli de parabéns, o principal responsável, porque soube com calma e ponderação resolver uma questão que vinha levantando acérrimo coro de protestos pelos fãs, protegendo o tão criticado Nizzi e elegendo outros autores não só nos argumentos como sobretudo nos desenhos.
Nizzi, nunca é demais sublinhar, soube dotar o ranger de sucesso ao longo de anos, caindo agora em desgraça, mas mesmo assim acabou por assinar três das aventuras do ano. Quando comparadas com trabalhos anteriores, estas trouxeram algum ganho de qualidade, mas pouco acrescentaram ao universo texiano, ao contrário de autores como Boselli e do falecido Gino D’Antonio, este com uma aventura que trouxe novos temas e realidades, numa narração fluida e sem desvirtuar o modelo. Já Pasquale Ruju acabou por ficar num meio-termo, pois as expectativas eram maiores do que a qualidade que o seu argumento acabou por alcançar, principalmente porque não soube construir um Tex mais decisivo. E não esqueçamos ainda Guido Nolitta um dos autores do épico Buffalo Soldiers, verdadeiramente uma das melhores aventuras do ano.
Ou seja, se 2007 tinha marcado a estreia de Faraci (de quem se aguarda com natural ansiedade um novo trabalho, curiosamente a sua primeira aventura, cuja publicação tem vindo a ser sucessivamente adiada devido ao ritmo lento dos irmãos Cestaro) e se 2008, como já se disse, elegeu Boselli como principal argumentista da série, em substituição de Nizzi e ainda conseguiu apresentar trabalhos de Ruju e D’Antonio, tudo aponta para estarmos em presença de uma renovação na escrita, à semelhança do que já fora iniciado no plano gráfico.
Podemos ainda ter em consideração dois outros factores que podem ajudar a compreender a boa qualidade dos argumentos. Temas do agrado dos leitores como a epopeia histórica, revelada na aventura Buffalo Soldiers, ou temáticas como o horror, o sobrenatural e o misterioso, plenamente conseguidas em Omicidio in Bourbon Street, conseguiram entrar no imaginário mais clássico do leitor texiano. Finalmente, outro factor a ter em conta, baseou-se na estratégia editorial da Bonelli Editore, ao libertar os argumentistas das grilhetas que um número concreto de páginas para cada aventura os amarrava, deixando-os muitas vezes reféns de um espartilho que mais não servia do que condensar a sua liberdade imaginativa. Ao terminar esse limite, deixa no autor a liberdade suficiente para poder contar a história como ele a vê, como ele a sente e sobretudo, como ele a pretende apresentar ao leitor.
Aqui, a renovação já vinha fazendo sentir-se desde há uns tempos. Em 2007 assistimos à estreia de novos valores, 2008 veio continuar esta estratégia editorial, com nomes como Santucci, Bianchini, Devescovi, Filippucci e Cossu a estrearem-se na série, assim como Rossi e Seijas a regressaram para a sua segunda participação.
Naturalmente que nem todos vão permanecer na equipa, por via de estratégias editoriais, por via da qualidade dos trabalhos apresentados, mesmo porque outros nomes se perfilam no horizonte, ou ainda porque valores seguros como Villa, Ticci, Civitelli, Venturi, Font ou os irmãos Cestaro têm o seu lugar reservado na equipa e nas preferências dos leitores. No entanto, toda esta renovação veio trazer uma certa lufada de ar fresco, veio trazer algo de novo que, aliado à boa qualidade da maior parte das aventuras, acabou por deixar no leitor e na crítica uma ideia de rejuvenescimento bem merecida.
Parece então existir uma estratégia com alcance duplo. Por um lado, lançar novos valores, prevendo a saída num futuro próximo de nomes como Ticci, Fusco ou Ortiz, sobretudo pela idade de cada um. Curiosamente, ou talvez não, Fusco e Ortiz não estiveram presentes em 2008, aquele porque já tinha manifestado a sua intenção de não trabalhar em aventuras mais longas, o espanhol talvez porque o seu desenho já não apresenta a qualidade e o detalhe de outros tempos, se bem que prepare uma aventura escrita por Antonio Segura. Por outro lado, lançando novos valores, Sergio Bonelli assegura novas aventuras para os próximos anos, preservando a série de eventuais contratempos e do ritmo mais lento de autores como os irmãos Cestaro ou Andrea Venturi, este já afastado desde há algum tempo.
Para além dessa renovação na equipa, onde podemos salientar os nomes de Rossano Rossi e Lucio Filippucci como os que nos merecem maior destaque, 2008 confirma o talento de autores como Civitelli ou Font, demonstrando ainda que o grande Ticci, apesar do seu estilo mais sintético, ainda está para lavar e durar, mercê de um dinamismo e enquadramento gráfico como poucos.
Dieci Anni Dopo publicada em Janeiro e Fevereiro na série normal foi a primeira aventura do ano e das poucas escritas por Claudio Nizzi, agora “caído em desgraça”. A história narra o regresso de Tex e Carson a Paradise chamados por Marcus Glendon devido às ameaças de Rhonda Carpenter, uma ambiciosa criadora de gado. Nizzi recupera personagens de “Terra Prometida”, um dos clássicos da saga escritos por G.L. Bonelli e aproveita para deixar a sua mensagem sobre a ganância e expansão dos negócios a todo o custo, prejudicando aqueles que acreditam em valores e amam a terra. Apesar de uma boa ideia, é pena a habitual superficialidade com que Nizzi acaba por abordar toda a aventura, desenhada por Rossano Rossi, que se estreara em “O Fugitivo”, num estilo muito civitelliano, mas seguro.
La Palude Nera, publicada no Almanacco del West marca o regresso de Pasquale Ruju depois de Nella Terra dei Klamath e a estreia no desenho de Franco Devescovi, habitual em séries como Dylan Dog ou Martin Mystère. A história pode considerar-se como uma parábola sobre o destino dos homens e a condição humana. A história de Hannibal Cannon um caçador de prémios, pistoleiro como poucos, capaz de enfrentar Tex Willer, mas que o destino acabou por colocar lado a lado. Agora, já depois de retirado de uma vida plena de acção, quis esse mesmo destino que os dois se venham a enfrentar. Atmosfera dura, dramática e sempre em crescendo, numa aventura que peca na composição do ranger, sempre mais diplomático e muito nizziano. Já Devescovi desenha uma aventura com traço polido e limpo, mas que se adequa pouco à atmosfera crua do velho oeste.
Buffalo Soldiers, publicada entre Março e Maio, na série normal, constitui uma aventura a três mãos, com argumento de Boselli, segundo uma ideia de Nolitta e os desenhos do imenso Ticci.
Verdadeira epopeia histórica, a aventura realça as características de um notável grupo de homens que ajudou a construir a história norte-americana. Aqui respira-se pólvora, aqui o racismo convive com o humanismo, tudo servido pela grandiosidade gráfica de Ticci que, apesar de um traço mais sintético, compõe mesmo assim páginas de um dinamismo ímpar.
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Il fuggiasco de Boselli e Seijas, uma pequena aventura publicada em Maio e Junho, confronta Tex com Frank Harris, um pistoleiro simpático e com valores, alguém que conseguiu escapar do ranger e se converteu a novos rumos na sua vida. Uma aventura onde Boselli afirma a sua esperança na capacidade humana em mudar e que nos traz uma galeria rica em personagens femininas, superiormente desenhadas pelo argentino Garcia Seijas.
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Junho e Julho assistem à publicação de Terre Maledette na série normal, com argumento de Boselli e desenhos do espanhol Font, uma dupla que se vem afirmando nos últimos tempos como verdadeiramente imbatível na construção das melhores histórias do ranger. Mais uma vez, a aventura assim pode ser classificada no panorama anual, porque se Boselli consegue compor mais uma notável galeria de personagens espessas psicologicamente, Font é bem capaz de ter aqui o seu melhor trabalho de sempre na série. Pelo meio, um Tex pujante e decidido em defesa de um jovem advogado e de uma família de rancheiros, perante os homens de Ben Lowe, homem de peso em Amarillo, mas também perante a força da mãe natureza.
O Speciale de Junho trouxe-nos Seminoles, uma aventura feita de estreias, a de Filippucci no desenho e de Gino D’Antonio no argumento, infelizmente desaparecido em 2006. Tex e Carson vão até ao Louisianna, onde devem tomar a seu cargo um índio seminole e conduzi-lo a julgamento no Texas. Narração fluida e sobretudo um conjunto de mensagens muito válidas, como a ambição política elevada ao extremo, a conquista de novas terras empurrando tribos de índios para outras paragens ou ainda a velha questão do esclavagismo, tudo sem desvirtuar a realidade texiana, acaba por criar empatia e deixar a questão de saber até onde um autor como Gino D’Antonio poderia levar Tex. O desenho de Filippucci é de grande qualidade com apurado sentido do detalhe, conseguindo sempre dotar Tex de um olhar incisivo e penetrante.
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Uma das formas encontradas para comemorar os 60 anos de Tex foi a publicação de Sul Sentiero dei Ricordi, uma aventura totalmente a cores, saída para as bancas em Setembro e que “renasceu” a personagem de Lilyth. Escrita por Nizzi e desenhada por Civitelli, a aventura narra um episódio vivido entre Tex e Lilyth durante um dos períodos mais felizes na vida do ranger. Inspirando-se em algo do passado da série, como vem acontecendo ultimamente, a trama apesar de muito linear e inocente capta pelo facto de juntar novamente Tex e Lilyth, assim como pelo superior desenho de Civitelli, engrandecido aqui pela magia da cor.
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Omicidio in Bourbon Street, publicada entre Outubro e Dezembro na série regular, marca o regresso em força do sobrenatural, do horror e do misterioso em Tex. Boselli reúne todos os ingredientes, aliando a magia ao fantástico e a alquimia ao esotérico, numa aventura caracterizada pelo auxílio de Tex e Carson a Nat Mac Kennett, impotente perante uma série de misteriosos homicídios que ocorrem em Nova Orleães. Falta aqui o elemento emocional e épico de outras aventuras bosellianas, mas o resultado final é de grande qualidade, numa aventura graficamente feita a duas mãos: traços de Santucci com acabamentos de Bianchini, que nos deixam boa impressão geral, muito por força de rigor e detalhe e de cenários espectaculares, apesar de uma construção do ranger pouco conseguida.
Finalmente, o Maxi Tex de Outubro trouxe a terceira aventura escrita por Nizzi durante o ano passado. Em Lo Squadrone Infernale, Tex e Carson estão na pista de um grupo de assaltantes que anda a semear a morte e destruição na região de Jefferson, logrando escapar sempre sem deixar rasto. Uma boa ideia de Nizzi, mas que infelizmente vai resvalar para um desenvolvimento simples e pouco cativante. Ugolino Cossu estreia-se em Tex, apesar de, tal como Franco Devescovi, também já ser um valor da Bonelli Editore. Um trabalho meritório, cujo traço fino é, no entanto, pouco adequado a ambientes mais duros como os do velho oeste.
Como palmarés do ano, sempre subjectivo e de escolhas difíceis, tanta foi a qualidade apresentada, seleccionámos:
Melhor desenho: Giovanni Ticci em Buffalo Soldiers
Melhor aventura: Terre Maledette de Mauro Boselli
Melhor capa: Tex 573 Terre Maledette de Claudio Villa
Uma palavra ainda para outras edições texianas. A continuação da Collezione Storica a Colori com a sua publicação semanal sempre em grande ritmo, com vendas imparáveis e o adiar sucessivo do seu final, num ano cujas publicações da prestigiada editora Mondadori trouxeram duas aventuras de grande qualidade: o álbum a cores trouxe L’Uomo Senza Passato, magnífica aventura de Nizzi com sublimes desenhos a cores de Villa, enquanto que a Oscar Best Sellers publicou Il Passato di Carson, para muitos a melhor aventura de sempre de Tex, com argumento de Boselli e desenhos de Marcello, numa justa e merecida homenagem ao grande autor italiano recentemente desaparecido.
Se mais não bastasse, 2008 vem assim sublinhar com evidência que Tex está vivo, bem vivo e sobretudo existe uma preocupação editorial que permite que a série acompanhe o evoluir dos tempos e os anseios e gostos dos leitores.
Texto de Mário João Marques
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Por José Carlos Francisco
Neste domingo de Carnaval, dia 22 de Fevereiro, realizou-se na Malaposta, Anadia, mais um momento especial no que a Tex diz respeito, já que aproveitando o facto de estar a passar a quadra carnavalesca em Portugal, o jovem Texiano francês (filho de pais espanhóis) Camilo Prieto, veio visitar-me e conhecer finalmente ao vivo a minha grandiosa (segundo ele) colecção de Tex Willer, depois de no dia anterior, Camilo Prieto ter estado com o pard Carlos Moreira, lá pelas bandas de Lisboa .
Camilo Prieto, encantou-se com Portugal e num curto espaço de tempo é a terceira vez que visita o nosso país e ao mesmo tempo participa de convívios Texianos, já que em Setembro na bela e histórica cidade de Coimbra, também chamada de “Cidade dos estudantes” ou “Lusa-Atenas”, principalmente por ter uma das mais antigas e prestigiadas universidades da Europa fez questão de me conhecer pessoalmente, pelo que na companhia do Carlos Moreira e nossas esposas, lá fomos até Coimbra conhecer este jovem leitor do Ranger, que se encantou com a mítica personagem italiana, devido à paixão do pai, já que este também é um leitor e fã de Águia da Noite, paixão que hoje em dia passou de pai para filho.
Em Novembro, Camilo Prieto fez novamente mais de 1200 KM por TEX, para participar no FIBDA 2008 e desse modo conviver com um maior número de Texianos, assim como conhecer os desenhadores Fabio Civitelli e Marco Bianchini, que abrilhantaram o Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora que contou com a exposição dedicada aos 60 anos de Tex onde estiveram expostas algumas páginas e capas originais de Tex.
Desta vez Camilo fez questão de conhecer o “Museu português de Tex Willer” pelo que agendamos o encontro, indo eu buscá-lo por volta das 11 e 30 à estação de Coimbra, ponto de paragem do comboio que o trouxe ao centro de Portugal, seguindo de imediato para a Malaposta onde um fausto almoço nos aguardava. Após o almoço, onde o tema de conversa foram as BDs, mais concretamente os “fumetti” e as “Bande Dessiné“, pois o Camilo além de ser um dos maiores Texianos de França, é também um grande apreciador da banda desenhada franco-belga, como bom francês que é.
Durante as quase 4 horas que passamos juntos para além de conversarmos bastante sobre Tex e o seu mundo, Camilo Prieto também se deliciou vendo muitas das edições internacionais do Ranger, assim como se deslumbrou ao ver as colecções brasileira e italiana completas, tal como ficou fascinado ao ver muitos desenhos originais de Tex e muitas páginas (no seu tamanho natural) de alguns dos mais conceituados desenhadores, assim como de ver como era produzida a revista Tex no Brasil, antes da edição 400, ou seja, todo um processo de cortar e colar que o surpreendeu…
Foi mais um dia fantástico onde a amizade predominou e que só foi possível devido ao nosso herói de papel e que provou uma vez mais que o lado humano é a melhor parte nesta “aventura texiana” na minha óptica, pois conheço pessoalmente fãs de Tex de inúmeros países, pessoas maravilhosas do Universo Texiano como eu, que se tornaram grandes Amigos. E tudo isto devido a uma (especial) personagem de papel… que tem muito de humano!
Hasta la vista pard Camilo!
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UMA PEQUENA HISTÓRIA DOS “WESTERN” NO CINEMA
Oeste é um mundo próprio, um mundo maior do que aquele em que vivemos, quase, se nos lembrarmos daquelas extensões sem fim, povoada de homens bons e maus, “cow-boys” e índios, cavalgando em direcção ao amanhecer.
Um verdadeiro conhecimento dessa zona nunca existiu no início, pois era fruto da lenda e da comunicação verbal, sempre dada ao exagero. No entanto, em qualquer parte do mundo, o Oeste era conhecido. A explicação para a grande popularidade do Oeste deveu-se, essencialmente, a Hollywood. O seu domínio económico nas artes, principalmente no Cinema, aliado mais tarde à TV e à própria Literatura, conseguiram resultados extraordinários na divulgação do mito do Oeste. A produção em massa (às centenas) de filmes por ano, o lançamento de uma série de produtos ligados ao
Marketing, conseguiria manter um filão inesgotável durante 70 anos. Muitos desses filmes possuíam imagens de marca: os bons usavam chapéus brancos e os maus chapéus pretos (a excepção era para Hopalong Cassidy, que vestia totalmente de preto).
O cavalo, a carruagem, a roupa, tudo mostrava uma imagem de marca e nada era deixado ao acaso. O Oeste não era um meio de vida e sim outro mundo ou, pelo menos, outro país. O próprio inglês até era diferente do que se falava no resto dos Estados Unidos da América…o sotaque, a junção de palavras… e a eliminação de outras…
Uma das grandes fascinações dos outros povos pelo Oeste, era o espaço aberto, as extensas planícies a perder de vista, as grandes montanhas, os desertos inexplorados e perigosos…
Muitos dos filmes de “cow-boys” dos anos 30 e 40, eram rodados indistintamente em vários locais, tal era o manancial de espaço: Rockies, Black Hills, Santa Fé, Red
River, Texas, Wyoming, Kansas, Oklahoma, Pecos, Sonora, Cherokee Trail, Cimarron, Rio Grande, Yukon, Mississipi, Florida, Nebraska, Dakota, etc..
No início, o Oeste era exótico e fascinante. Era também um espaço, onde aconteciam muitas coisas e se a imaginação ajudasse, tudo ali poderia suceder.
Muitos escritores, aqueles que escreveriam no Século XIX, sobre o verdadeiro Oeste, James Fenimore Cooper, Charles King e Helen Hunt Jackson, debruçaram-se sobre os temas da colonização e dos índios, o choque de culturas, as suas guerras.
Depois os do Século XX, tais como Hamlin Garland e Will Cather, ocuparam-se mais da vida dos fazendeiros e dos seus problemas, não só no gado como na própria agricultura. O Cinema raramente se dedicou a essas coisas. O que interessava era a confrontação violenta entre brancos e índios, entre eles próprios (a eterna rivalidade de costumes e raças, a conquista de outros territórios, a vontade de ser o mais forte, etc.), não esquecendo a própria rivalidade entre os brancos, na conquista de poços e de cursos de água, ranchos, gado e até na luta nos salões, com mulheres ou não à mistura.
O jogo era criar a tensão entre a selvajaria e a civilização, vencendo sempre esta última. Mas não interessava qual tinha razão ou de que lado estava a justiça ou o direito. O próprio conflito de fronteiras, entre o Leste e o Oeste, servia igualmente como pretexto para as lutas fratricidas, isto não esquecendo as minas de ouro e de prata, o roubo de gado, a falsificação das marcas do gado de cada rancho, o roubo das marcas limítrofes de cada propriedade, o arame farpado, as ovelhas e o conflito entre pastores e fazendeiros, criadores de gado, etc.. Nada era poupado em nome da civilização. Quase não havia lei, devido às grandes distâncias entre as cidades, pelo que se matava impunemente. O papel dos “sheriffs” eram sempre levados à exaustão e o ambiente criado, atingia muitas vezes um grau elevado de emoção nas lutas, em que aqueles, às vezes com ajudas inesperadas, venciam no fim.
Os finais do Século XIX e as primeiras décadas do seguinte, trouxeram-nos as novelas de ficção, com as aventuras de “cow-boys” propriamente ditas, onde se desenrolavam raptos, perseguições, assaltos, roubos, duelos, pugilismo (às vezes), e, por fim, a morte do bandido ou a destruição do bando. Os “heróis” criados, tais como Wild Bill Hickok, Buffalo Bill, Jesse James, Daniel Boone, Davy Crockett e Kit Carson, nem sempre foram como as suas aventuras os descreviam nos livros ou novelas, talvez até porque as condições existentes lhes fossem adversas na altura, no aspecto de civilização e não lhes permitissem actuar de outro modo, senão com violência. Era a velha filosofia que se impunha, “matar para não ser morto”.
Entretanto o Cinema dava os seus primeiros passos, iniciando-se com o filme “the Great Train Robbery” (1903), sendo um sucesso. Nascem artistas, tais como William S. Hart, que no teatro desempenha o papel principal na peça “The Squaw Man”, que acabará no cinema em 1914 e que já, em 1907, tinha tido o papel principal na peça “The Virgian” e Dustin Farnum, outro actor, que se torna igualmente um artista de primeiro plano no Cinema mudo, dedicado ao “western”. Os espectáculos de Buffalo Bill que acabarão por percorrer os Estados Unidos da América, vindo a realizarem-se também na Europa, com êxito, serviram de igual modo, para o desenvolvimento do mito.
O nascimento da fotografia e a própria pintura, viriam a destacar e a promover o Oeste. Grandes artistas, tais como George Catlin, Seth Eastman e, principalmente, Frederic Remington, souberam reproduzir de uma forma perfeita, tudo o que os seus olhos observaram no Oeste. Com a vinda da civilização, surgem novas personagens no contexto histórico do Velho Oeste, que irão servir para tema de novos filmes: os soldados, os fora-da-lei, os jogadores, as prostitutas, os ladrões, os mendigos, os bêbados, os charlatães e outros.
Entretanto o Cinema vai evoluindo e depois de grandes artistas do Cinema mudo, tais como Broncho Billy, Art Acord, Harry Carey e outros, aparece uma nova galeria de outros artistas, os tais de que já incluímos na lista dos “cow-boys” famosos: Buck Jones, Tim McCoy, Tom Mix, Gene Autry, etc., etc., que viriam a cavalgar nos ecrãs do Cinema durante anos, até à Segunda Guerra Mundial. Aqui faz-se un interregno, sendo estes filmes substituídos por outros, de Guerra, Aventura e Acção. Depois da Guerra voltam de novo a ter sucesso devido aos grandes realizadores, John Ford, Samuel Fuller, Henry Hathaway, Howard Hawks, Sam Peckinpah e outros, que souberam dar uma nova faceta aos filmes de “western”, isto para não falar em Sergio Leone. Esse sucesso manter-se-ia ainda durante as décadas de 50 e 60, aparecendo até filmes em 3D, em Cinemascope, em Kodakcolor, ao mesmo tempo que os artistas também mudam, John Wayne, o maior, Alan Ladd, James Stewart, Rober Taylor, Ronald Reagan, Gregory Peck e muitos mais. Os enredos melhoram e os temas são mais sérios e perto da realidade.
Os anos 70 marcam o fim do tema, que irá tentar renovar-se nos anos 80, com uma nova galeria de novos artistas, alguns filhos de actores, que dão uma nova alma aos filmes de “western”: Emilio Estevez, Charlie Sheen, Keifer Sutherland, Sharon Stone e o próprio Clint Eastwood. Os novos efeitos especiais melhoram sobremaneira os resultados, mas era tentar ressuscitar um “defunto”.
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Prezado Gonçalo Junior, bem-vindo ao blogue português de Tex. Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Mas minha colecção inclui outros géneros como os brasileiros Angeli, Laerte e Lourenço Mutarelli. Gosto muito dos clássicos americanos das décadas de 1940 e 1950, como O Fantasma, de Lee Falk; dos mestres do erotismo europeu, principalmente os italianos, temas do meu livro Tentação à italiana – um perfil dos mestres do erotismo contemporâneo (Opera Graphica, 2005). Mas tem um autor em especial que admiro muito: o espanhol Miguelanxo Prado. Leio tudo dele. Aliás, procuro uma edição com as suas histórias que saiu num jornal de Lisboa há pouco tempo. Se alguém tiver um exemplar para me vender, por favor, entre em contacto.
Quando descobriu Tex?
Por que esta paixão por Tex?
O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Gonçalo Junior: Essa pergunta foi em parte respondida na anterior. É preciso lembrar que Tex surgiu numa época ingénua em que a Banda Desenhada era maniqueísta em sua estrutura de concepção das personagens, quando o bom sempre enfrentava o mau e era preciso deixar isso muito claro para o público. Não havia espaço para a densidade dramática psicológica, como vemos em Caçada humana. Muito disso ainda sobrevive em Tex porque a receita do folhetim pede esse tipo de “manipulação”, digamos assim. Não podemos esquecer, porém, da capacidade da Bonelli Editores em revitalizar a personagem década a década, mesmo preservando sua essência.
Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Gonçalo Junior: À excepção da revista Junior, publicada na década de 1950, que tenho apenas alguns números, possuo quase tudo publicado depois: Primeira série, a partir de 1971, 1 ao 400 completos (andei meio desligado nos últimos cinco anos), mais cerca de 35 dos números seguintes; segunda série, 1 ao 149; Tex Coleção 1 ao 220; Tex Gigante, todos; especiais coloridos, todos. Tenho ainda, completas, todas as séries de Zagor e Ken Parker lançados no Brasil. Li os oito primeiros números de Mágico Vento, da Bonelli, e confesso que não gostei.
Você colecciona apenas revistas ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Gonçalo Junior: Não, colecciono apenas as revistas e tenho cinco ou seis livros escritos na Itália sobre Tex. Não é fácil adquirir souvenires de Tex no Brasil. Possuo alguns bottons que me foram presenteados pelo editor Wagner Augusto, que publica Ken Parker no Brasil – tive a honra de revisar parte da colecção. Mas, no fundo, falta interesse para querer ter qualquer coisa ligada ao herói. Restrinjo-me às histórias mesmo.
Qual a revista de Tex mais valiosa da sua colecção?
Gonçalo Junior: A mais difícil de conseguir foi o primeiro número da Vecchi, de Fevereiro de 1971 porque comecei a coleccionar Tex no volume 72 – adquirir os 71 anteriores foi um desafio porque as tiragens eram pequenas, poucas pessoas possuíam os primeiros números. Acabei adquirindo três exemplares do número 1 em excelente estado de conservação que guardo até hoje.
Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Gonçalo Junior: Sem dúvida, a minha favorita é Caçada humana. É uma obra-prima, apesar de pouco comentada no Brasil. Mas muitas me marcaram. Todas em que aparecem Mefisto e seu filho Yama ou o Bruxo Mouro. Gosto em especial também de A Noite dos Assassinos. Dos primeiros anos, Pat, o irlandês, um clássico. Mas citaria também Navajos em pé de guerra, Texas Bill, O grande rei. E aprecio muito as histórias da série Tex Gigante. Como pode ver, prefiro as histórias dos primeiros tempos, sem desmerecer o que tem sido publicado nos últimos dez anos. Sobre argumentista e desenhador, fico com a ingenuidade e o sabor da aventura da dupla Bonelli e Galep. Esses dois sabiam fazer a coisa ficar empolgante. Tanto que trabalharam juntos quatro décadas e consagraram a personagem.
O facto de Tex ser desenhado por vários autores (de estilos bem diferentes) é, na sua opinião, mais ou menos vantajoso para a série?
Gonçalo Junior: Claro que sempre gostamos mais de um ou de outro desenhador. Às vezes, no começo, sentia-me desestimulado a ler determinada aventura por causa de um artista (que prefiro não dizer o nome). Mas, depois, acostumei-me com o traço dele porque as histórias me prendiam. Depois de Galep, gosto muito de Ferdinando Fusco, que fez poucas histórias. Minha lista inclui ainda Monti e Ticci. Não sei se é mais ou menos vantajoso para a série. Faz parte de um esquema industrial de produção perfeitamente válido para que tenhamos aventuras todos os meses. Os ilustradores de Tex sempre estiveram acima da média.
O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Gonçalo Junior: O seu senso de justiça é o que mais me agrada. Ele nos vinga nas BD com justiça o que não posso fazer no mundo real, cheio de juízes e políticos corruptos. É isso que gostamos em Tex, ele tenta consertar o mundo e nos faz sentir bem. Às vezes, incomoda-me a excessiva infalibilidade e racionalidade. Sua aparente falta de interesse por mulheres, provavelmente resultado de uma época de censura e repressão moral, também vai de encontro à natureza humana, à natureza masculina.
Quais são para si, as características imutáveis de Tex, ou seja, a sua essência, algo que não pode ser mudado?
Gonçalo Junior: Seu desejo de justiça, sua coragem e extrema auto-confiança.
E se pudesse, o que mudaria em Tex?
Gonçalo Junior: Eu deixaria ele mais inseguro, mais temeroso, mais vacilante, o que nada tem a ver com covardia. Eu o faria errar um pouco também. Com isso, ficaria mais humano, mais próximo dos leitores. E suas histórias poderiam ter finais mais emocionantes. E colocaria um pouco da presença feminina em seu universo, até mesmo a saudade ou a dor de ter perdido Lírio Branco para justificar sua vida de bom samaritano. Jesus, quanta pretensão a minha. Culpa sua, que fez essa pergunta.
Na sua vida pessoal ou profissional já chegou a pensar como Tex resolveria ou enfrentaria determinada situação?
Gonçalo Junior: Meu amigo, não tenha dúvidas que sempre me lembro de meus heróis nos momentos difíceis, quando me vejo diante de alguma injustiça no local de trabalho. Ou numa situação de perigo na rua. Eu gostaria de ser como Tex, dar uma lição em certos tipos que não respeitam as pessoas, que a descriminam por causa da cor da pele, da sua origem humilde. Como não é possível, tento usar a paciência, pois o tempo sempre conserta tudo e fica a nosso favor, quando somos desrespeitados ou injustiçados.
Pode uma personagem de ficção como Tex servir como modelo de rectidão, justiça e coragem?
Gonçalo Junior: Sem dúvida. A Banda Desenhada tem uma função importante na educação e na formação de seus leitores de modo geral. E Tex segue essa linha de correcção.
Como nasceu a ideia de homenagear Tex, através do seu livro comemorativo dos 50 anos de aventuras do Ranger no Brasil, publicado em 2002, pela Opera Graphica?
Gonçalo Junior: O livro, que foi apenas parcialmente publicado e com vários erros que corrigi mas não foram passado para a prova final, era para ser um produto de fã para fã. Principalmente os leitores de língua portuguesa que acompanharam as edições brasileiras. Sou obsessivo quanto a contar histórias dos bastidores dos quadradinhos e fui atrás dos editores para reconstituir a história da personagem nas editoras. Felizmente, agora, tudo será publicado exactamente como eu desejava.
Que repercussões teve o seu livro, sobretudo junto de Sergio Bonelli?
Gonçalo Junior: Não tenho conhecimento de qualquer reacção de Sergio Bonelli, mas creio que deve ter gostado porque era uma homenagem à sua principal personagem. O pessoal do portal Texbr gostou do álbum e, correctamente, apontou erros, que não deveriam ter sido cometidos porque eu os havia identificado previamente, mas passaram na hora de fechar a edição.
Em breve teremos um novo livro de Tex da sua autoria (“O Mocinho do Brasil – A história de um fenómeno editorial chamado Tex”, da editora Laços). O que o levou a escrever um segundo livro desta mítica personagem italiana?
Gonçalo Junior: Pois é, este livro na verdade é a íntegra do anterior, que teve apenas 20% do que eu havia escrito porque o editor optou por republicar as três primeiras aventuras de Tex (o que já havia acontecido algumas vezes) a brindar os fãs com informação. Mais do que editar a edição completa, queria muito corrigir os erros.
Pode elucidar-nos sobre o conteúdo do livro?
Gonçalo Junior: Tem coisas importantes para os fãs: um capítulo para cada uma das editoras que publicaram Tex no Brasil; um capítulo sobre Caçada Humana, com entrevista exclusiva de Sergio Bonelli; o escandaloso caso de plágio cometido por um artista brasileiro; a história de Chet, cujo nome é Tex ao contrário, só que com CH, um mocinho criado pelo editor de Tex na década de 1970. Há ainda um caderno em cores de 32 páginas com todas as capas da revista Junior que lançou a personagem no Brasil na década de 1950. Um deleite para os fãs.
Foi fácil conseguir uma editora, neste caso, a Editora Laços, que publicasse este seu novo livro dedicado a Tex?
Gonçalo Junior: Este livro só vai sair neste mês porque o dono da Laços é um grande amigo, coleccionador de Banda Desenhada (tem 70 mil revistas) e pediu-me um livro para publicar. Tinha esse na gaveta e ele aceitou fazer exactamente como eu queria, com o caderno a cores.
Como decorreu todo o processo de negociação com Sergio Bonelli para a devida autorização para a publicação de um livro dedicado à personagem mais importante da sua editora?
Gonçalo Junior: A primeira edição do livro, publicado pela editora Opera Graphica em 2002, foi negociada com Sergio Bonelli, que permitiu a inclusão das três primeiras aventuras, retraduzidas por Julio Schneider. A actual não seguiu esse caminho porque se trata de uma obra jornalística e crítica, de carácter histórico e académico, exclusivamente. Dentro dos preceitos que regem o jornalismo, preferi publicar a obra sem submetê-la ao crivo do editor original ou brasileiro – que parece ter confiado em mim, porque me concedeu uma óptima entrevista para actualizar o livro. Estou tranquilo quanto a isso. Não quero explorar Tex comercialmente, apenas dividir com os fãs meu trabalho de pesquisador de BD. Tanto que faremos somente mil exemplares e nada mais.
Como os leitores e fãs portugueses de Tex podem encomendar este seu mais recente livro dedicado a Tex?
Gonçalo Junior: O livro sai até o final do mês. Mas os fãs portugueses podem desde já comprá-lo na loja virtual comix book shop, onde está em pré-venda. Recomendo que façam isso logo porque, como disse, a tiragem será de apenas mil exemplares.
Para concluir o tema, como vê o futuro do Ranger?
Gonçalo Junior: Acredito que o futuro de qualquer personagem de BD depende muito de seus autores, do modo como conseguem mantê-lo sempre vivo e interessante. Temos muitas criações geniais como O Fantasma, de Lee Falk, que não soube ser conduzido pela King Features e praticamente desapareceu. Tex tem uma vantagem muito grande e condições de sobreviver por muito tempo por causa da competência do grupo editorial Sergio Bonelli em readaptar o herói às mudanças do mercado. Por isso, creio que teremos suas aventuras ainda por muito tempo.
E quanto a seus futuros projectos, o que nos pode dizer?
Gonçalo Junior: Confesso que gostaria muito de voltar a escrever sobre Tex. Um novo livro, talvez. Seria algo mais teórico, de análise de histórias importantes para tentar compreender ou explicar porque ele se tornou um sucesso editorial. Creio que isso aconteceu na segunda fase do herói, quando deixou de ser uma tira de BD e ganhou revista própria. Penso que na primeira década, apesar das aventuras empolgantes, ele se assemelhava muito aos mocinhos de faroeste de modo geral.
Caríssimo Gonçalo Junior, muito obrigado pela entrevista que gentilmente concedeu ao blogue do Tex.
Gonçalo Junior: Foi um grande prazer. Conte comigo sempre. Aiô, Silver! (ops!).
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* Gonçalo Junior, 41 anos, é editor da revista Personnalité, do Banco Itaú, e editor contribuinte da revista Audi Magazine (Brasil). Escreveu outros livros: Guerra dos Gibis (Companhia das Letras), País da TV (Conrad), Claustrofobia (Cluq, com desenhos de Julio Shimamoto), O Messias (Opera Graphica, com desenhos de Flávio Luiz), Alceu Penna e as Garotas do Brasil (Cluq), Benínio – um perfil do mestre das pinups e dos cartazes de cinema (Cluq), Dom Quixote de Doré e Cervantes (Opera Graphica), Quadrinhos sujos (Opera Graphica), Tentação à italiana (Opera Graphica).
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